Um pão de forma inteiro e o mesmo pão com as fatias escorregadas para o lado têm a mesma quantidade de miolo; um vaso em forma de parábola não tem fórmula de volume em livro nenhum. Como se compara o volume de dois sólidos de formas diferentes sem calcular nenhum dos dois, o que exatamente precisa ser conferido para a comparação valer, e por que saber que dois sólidos têm o mesmo volume não diz nada sobre as suas fatias?
O que você vai aprender
Enunciar o princípio de Cavalieri com as suas três exigências (sólidos entre os mesmos planos paralelos; toda seção paralela; áreas iguais) e escrevê-lo em notação de função área da seção, A₁(z) = A₂(z) para todo z.
Explicar por que o princípio vale, pela imagem da pilha de fatias (moedas, baralho) e pela aditividade do volume, e usar a versão com razão constante: se A₁(z) = k·A₂(z) em toda altura, então V₁ = k·V₂.
Distinguir o que o princípio garante do que ele não garante: seções iguais numa só altura não bastam; volumes iguais não implicam seções iguais (sentido único); o princípio fala de volume, não de área de superfície.
Concluir que prismas e cilindros oblíquos têm o volume dos retos de mesma base e altura, e que pirâmides e cones de bases de mesma área e mesma altura têm o mesmo volume, reconhecendo a altura perpendicular como a medida que entra na conta.
Comparar sólidos de seções não congruentes mas de mesma área (triângulo, retângulo, círculo, coroa) e calcular o volume de um sólido sem fórmula a partir da área da seção dada em função da altura, inclusive pelo emparelhamento com o sólido invertido e pelo caso de área que varia linearmente.
Reconhecer a dedução do volume da semiesfera por Cavalieri (cilindro menos cone) e a relação 3 : 2 : 1 entre cilindro, semiesfera e cone como aplicações do princípio.
Ler figuras de prova com dois ou três sólidos, planos de corte e rótulos de altura (H e h − H), decidir o que a figura garante e resolver itens de julgamento, de volume por comparação (tipo C) e de resposta numérica (tipo B) no estilo do PAS/UnB.
Um pão de forma sai da embalagem como um bloco reto. Empurre as fatias com a mão, uma de cada vez, até o pão ficar curvado como um arco: nenhuma migalha entrou ou saiu, e o miolo é exatamente o mesmo, embora o bloco agora não seja um prisma e não tenha fórmula nenhuma. Agora pense num vaso cuja parede é uma parábola, com água até certa altura. Não existe fórmula de “volume do vaso parabólico” em livro nenhum, e mesmo assim uma prova do PAS pediu esse volume com três algarismos, sem calculadora e sem integral. As duas situações se resolvem com a mesma ideia: um sólido é a pilha das suas fatias, e quem controla as fatias controla o volume.
Essa ideia tem nome, princípio de Cavalieri, e é o assunto desta página: o enunciado exato (com as três exigências que ele faz), por que funciona, a versão com razão constante, o que ele não afirma (que é onde a banca arma os itens de julgamento), as duas consequências que sustentam as fórmulas de outras páginas (prismas e cilindros inclinados valem o mesmo que os retos; pirâmides de mesma base e altura empatam) e as aplicações em que ele rende mais: sólidos de formas diferentes com fatias de mesma área, o recipiente sem fórmula, o sólido torto. A regra base vezes altura e os sólidos retos já estão em Volume de prismas e cilindros; o terço da pirâmide e do cone sai na página seguinte, Volume de pirâmides e cones; a dedução completa do volume da esfera está em Geometria da esfera e aparece aqui só como aplicação. As áreas das figuras que servem de fatia estão em Áreas de figuras planas.
Um sólido é a pilha das suas fatias
Apoie um sólido qualquer sobre a mesa e passe uma lâmina horizontal a uma altura z acima do tampo. A região plana que a lâmina corta dentro do sólido é a seção (ou corte) à altura z, e a sua área é um número que depende de z: chame-o de A(z). Um cilindro de raio 3 cm apoiado na base tem A(z)=9π em toda altura, porque toda fatia é uma cópia da base. Um cone apoiado na base, com raio 3 cm e altura 6 cm, tem fatias que encolhem: à altura z, o raio da fatia é 3(1−z/6) e A(z)=9π(1−z/6)2, que vale 9π no chão e zero no vértice. Uma bola de raio 3 cm apoiada num ponto tem fatias que crescem e depois diminuem: A(z)=π(6z−z2), zero nas duas pontas e 9π no equador, a 3 cm do chão.
A função A(z) é a ficha completa do sólido para efeito de volume. É isso que a página anterior já usou sem dizer o nome: num prisma ou cilindro reto, A(z) é constante e igual à área da base, e o volume é essa área vezes a altura, V=Ab⋅h, porque o sólido é uma pilha de fatias iguais. O passo que esta página dá é perguntar o que acontece quando as fatias não são iguais entre si, mas são iguais às fatias de um outro sólido.
Seção, altura e a função área da seção
Plano de referência: o plano em que o sólido se apoia (ou qualquer plano fixo). As seções que interessam são as de planos paralelos a ele.
Altura da seçãoz: a distância perpendicular entre o plano de referência e o plano de corte, de 0 até a altura h do sólido.
A(z): a área da seção à altura z. Pode ser constante (prisma, cilindro), decrescente (cone, pirâmide apoiados na base), crescente (cone de ponta-cabeça, vaso que alarga) ou qualquer outra coisa.
Duas fatias de sólidos diferentes “se correspondem” quando estão à mesma alturaz medida do mesmo plano de referência.
O volume respeita três compromissos que a página anterior já apresentou e que aqui fazem todo o trabalho: não é negativo, não muda quando o sólido é movido e é aditivo, o todo é a soma das partes que não se sobrepõem. É a aditividade que permite pensar o sólido como pilha: o volume do pão é a soma dos volumes das fatias, estejam elas alinhadas ou escorregadas.
O enunciado: mesmos planos, toda seção, áreas iguais
Princípio de Cavalieri (para volumes)
Sejam dois sólidos situados entre os mesmos dois planos paralelos (mesma altura h, apoiados no mesmo plano de referência). Se, para toda altura z entre 0 e h, as seções dos dois sólidos pelo plano à altura z têm áreas iguais,
A1(z)=A2(z)para todo z∈[0,h],
então os dois sólidos têm volumes iguais: V1=V2.
As três exigências são, cada uma, indispensável:
Mesmos planos: os dois sólidos têm a mesma altura e as fatias são comparadas à mesma altura.
Toda seção: a igualdade tem de valer em todas as alturas, não numa, nem em várias.
Áreas iguais: só a área da fatia importa; a forma da fatia, a posição dela no plano e o contorno do sólido são livres.
Repare no que o enunciado não pede: não pede que os sólidos tenham a mesma forma, nem que as fatias sejam congruentes, nem que uma fatia esteja em cima da outra. Um sólido cujas fatias são triângulos pode empatar com um sólido cujas fatias são círculos, desde que, altura por altura, as áreas coincidam. Essa liberdade é a razão de existir do princípio: ele compara o sólido estranho, de que não se sabe o volume, com um sólido conhecido.
O princípio compara fatias à mesma altura: formas diferentes, posições diferentes, mas áreas iguais em toda altura entre os mesmos planos. Diagrama autoral.
Exemplo resolvido 1: o prisma e o cilindro que empatam. Um prisma reto tem base triangular com catetos de 6 cm e 8 cm; um cilindro reto tem raio r. Os dois têm 10 cm de altura e estão apoiados na mesma mesa. Para que valor de r os dois sólidos têm o mesmo volume, e quanto vale esse volume?
Estratégia: nos dois sólidos toda seção é uma cópia da base, então A1(z) e A2(z) são constantes. Basta igualar as áreas das bases.
Resolução: área do triângulo: 26×8=24 cm². Área do círculo: πr2. Igualando, πr2=24, logo r=24/π≈2,76 cm. Com as seções iguais em toda altura, Cavalieri garante V1=V2, e qualquer um dos dois dá o valor: V=24×10=240 cm³.
Conferência: pelo cilindro, πr2h=24×10=240 cm³, o mesmo número. Aqui o princípio só confirma o que V=Ab⋅h já dizia; o interesse está em perceber que ele compara um triângulo com um círculo sem nenhum constrangimento. A forma da fatia não entra.
Por que funciona: a pilha de moedas e o baralho
A justificativa cabe numa imagem. Uma pilha de moedas iguais, bem alinhada, é um cilindro. Empurre a pilha de lado, devagar, até ela ficar inclinada: o sólido mudou de forma, virou um cilindro oblíquo ou algo mais torto, mas as moedas são as mesmas, cada uma com a mesma espessura e a mesma área, e por isso o volume não mudou. Um baralho faz o mesmo: o bloco reto e o bloco escorregado em leque têm exatamente as mesmas cartas. Passe a lâmina em qualquer altura e ela atravessa, numa pilha e na outra, a mesma moeda (ou a mesma carta): áreas iguais fatia a fatia e, por isso, o mesmo volume.
Deslocar as moedas de lado não cria nem destrói volume: a mesma moeda está em cada altura nas duas pilhas. Diagrama autoral.
O argumento geral é a mesma imagem com fatias cada vez mais finas. Corte os dois sólidos em n fatias horizontais de espessura e=h/n. Cada fatia é quase um prisma fino: a de baixo tem área A(z) e espessura e, logo volume aproximadamente A(z)⋅e. O volume do sólido é aproximadamente a soma A(z1)e+A(z2)e+⋯+A(zn)e. Se os dois sólidos têm A1(z)=A2(z) em toda altura, as duas somas são formadas por parcelas iguais, uma a uma, e são iguais. Ao fazer as fatias mais finas, o erro da aproximação “fatia é prisma” diminui e desaparece; as somas continuam iguais em cada etapa, e no limite os volumes são iguais. Quem já viu cálculo reconhece aqui uma integral, V=∫0hA(z)dz; quem não viu não precisa: o princípio é exatamente o que permite concluir a igualdade sem calcular nenhuma das duas integrais.
A altura é perpendicular, não é a aresta inclinada
Na pilha empurrada, as moedas continuam com a mesma espessura, e a altura da pilha, medida na vertical, é a mesma de antes. Mas a “lateral” da pilha ficou mais comprida que a altura. Em todo sólido inclinado (prisma oblíquo, cilindro oblíquo, pilha torta), a altura que entra nas comparações de Cavalieri e na fórmula V=Ab⋅h é a distância perpendicular entre os planos das bases. A aresta lateral inclinada, ou a geratriz, é maior que h, e usá-la no lugar de h superestima o volume.
A versão com razão constante
O enunciado admite uma extensão imediata. Se as fatias não são iguais, mas uma é sempre o mesmo múltiplo da outra, os volumes ficam na mesma proporção.
Cavalieri com razão constante
Dois sólidos entre os mesmos planos paralelos. Se existe um número k>0 tal que, para toda altura z,
A1(z)=k⋅A2(z),
então V1=k⋅V2. O caso k=1 é o enunciado original. A razão k precisa ser a mesma em todas as alturas; uma razão que muda com z não permite concluir nada sobre a razão dos volumes.
A justificativa é a mesma soma de fatias: cada parcela A1(z)e é k vezes a parcela A2(z)e correspondente, logo a soma inteira é k vezes a outra soma.
Exemplo resolvido 2: o cilindro elíptico. Um tubo tem seção em forma de elipse com semieixos a=3 cm e b=5 cm, e 10 cm de comprimento, com as seções todas paralelas e iguais. Qual é o volume do tubo? (A área da elipse de semieixos a e b é πab.)
Estratégia: comparar com um cilindro circular de raio 3 cm e mesma altura. A elipse tem área π⋅3⋅5=15π; o círculo de raio 3 tem área 9π. A razão é k=15π/9π=5/3, a mesma em toda altura.
Resolução: volume do cilindro circular, 9π×10=90π cm³. Pela razão constante, Vtubo=35×90π=150π≈471 cm³.
Conferência: diretamente, o tubo é um prisma de base elíptica, V=Ab⋅h=15π×10=150π cm³. Confere. A versão com razão constante é o que dá sentido a frases como “o sólido B tem fatias com o dobro da área das de A, logo tem o dobro do volume”, desde que o “dobro” valha em toda altura.
De onde vem o nome, e por que é "princípio" e não "teorema"
Bonaventura Cavalieri, discípulo de Galileu e professor em Bolonha, publicou em 1635 a Geometria indivisibilibus continuorum, em que trata figuras planas como feixes de segmentos e sólidos como pilhas de planos, os “indivisíveis”, e compara áreas e volumes comparando esses indivisíveis um a um. A ideia é bem mais antiga: Arquimedes, no século III a.C., já pesava fatias de sólidos umas contra as outras no seu Método, e na China do século V o matemático Zu Gengzhi usou o mesmo raciocínio para obter o volume da esfera, de modo que em textos chineses o enunciado se chama “princípio de Zu”. Chamá-lo de princípio é herança da época em que ele era aceito como evidente; com o cálculo integral, do fim do século XVII em diante, ele virou um teorema com demonstração, a igualdade de duas integrais com o mesmo integrando. Nas provas de ensino médio, a palavra “princípio” permanece, e o enunciado é usado como ferramenta, nunca demonstrado.
O que o princípio não diz
A maior parte dos itens de julgamento sobre Cavalieri não pede conta nenhuma: pede saber onde o enunciado termina. Há três limites que convém guardar com um contraexemplo cada.
Uma altura não basta, nem várias. Um cone e um cilindro apoiados na mesma mesa, com bases de mesmo raio r e a mesma altura h, têm seções iguais no chão (πr2 nos dois). Isso não os torna iguais em volume: a seção do cone encolhe até zero, a do cilindro não, e o cone fica com um terço do cilindro. Conferir a igualdade das áreas em uma altura, ou em duas, ou em dez, não é conferir “toda altura”. Para aplicar o princípio é preciso uma expressão de A(z) válida para todo z, ou uma propriedade geométrica que garanta a igualdade em todas as alturas (como “toda seção é uma cópia da base”).
Sentido único: volumes iguais não dizem nada sobre as fatias. O enunciado vai das seções para o volume, nunca o contrário. Dois sólidos entre os mesmos planos podem ter exatamente o mesmo volume com fatias diferentes em toda altura, um compensando no alto o que o outro tem embaixo. O contraexemplo mais limpo usa um cilindro e um cone: um cilindro de raio 2 e altura 3 tem volume π⋅4⋅3=12π; um cone apoiado na base, de altura 3 e raio 12, tem volume 31π⋅12⋅3=12π também. Mesmos planos, mesmo volume. Mas no chão as seções têm áreas 4π e 12π, no alto 4π e 0: não há altura em que elas coincidam, exceto uma, no meio do caminho. Foi exatamente esse o item do PAS 2 de 2018: dois troncos de mesmo volume, um cilíndrico e um tortuoso, e a afirmação de que, “de acordo com o princípio de Cavalieri”, um plano paralelo às bases determinaria neles dois círculos de áreas necessariamente iguais. Errado duas vezes: o princípio não tem recíproca, e nada obriga o corte do tronco tortuoso a ser sequer um círculo.
Volumes iguais entre os mesmos planos, seções diferentes em quase toda altura: a conclusão do princípio não pode ser usada como hipótese. Diagrama autoral.
O princípio fala de volume, não de área de superfície. Inclinar um prisma conserva o volume e aumenta a área lateral, porque as faces laterais ficam mais compridas. Um prisma reto de base quadrada com lado 2 e altura 4 tem quatro faces laterais de 2×4=8: lateral 32, volume 16. Empurre o topo numa direção paralela a duas das faces até a aresta lateral medir 5 (a altura perpendicular continua 4): duas faces viram paralelogramos de base 2 e altura 4, área 8 cada, e as outras duas viram retângulos de 2×5=10. Lateral 36, volume ainda 16. Volumes iguais, superfícies diferentes, e nada no princípio diz o contrário, porque ele nunca falou de superfície.
"Mesma base e mesma altura" não é a mesma coisa que "mesmas seções"
Um cilindro e um cone de mesma base e mesma altura satisfazem “mesma base e mesma altura” e não têm o mesmo volume. O que Cavalieri exige é a igualdade das seções em toda altura; a base é só a seção à altura zero. A frase “mesma base e mesma altura” só garante volumes iguais dentro de uma mesma família de sólidos cujas seções obedecem à mesma regra: dois prismas (seções constantes), ou duas pirâmides (seções que encolhem com a mesma lei), como as próximas seções mostram.
Consequência 1: inclinar o prisma ou o cilindro não muda o volume
Pegue um prisma reto e um prisma oblíquo com bases congruentes apoiadas no mesmo plano e a mesma altura perpendicular h. No prisma reto, toda seção paralela à base é uma cópia da base. No oblíquo, também: as arestas laterais são paralelas entre si, e cortar o sólido por um plano paralelo à base produz um polígono que é a base transladada na direção das arestas, com a mesma área. Então A1(z)=A2(z)=Ab em toda altura, e Cavalieri conclui que os volumes são iguais. Como o reto tem V=Ab⋅h, o oblíquo também tem. O mesmo raciocínio serve para o cilindro oblíquo, cujas seções paralelas à base são círculos congruentes à base. Esta é a razão de a fórmula da página anterior valer “tortos ou em pé”, e é a única coisa que o princípio tem a dizer sobre prismas e cilindros: aqui ele confirma uma fórmula, não cria nenhuma.
Toda seção do prisma oblíquo é a base transladada: mesma área em toda altura, mesmo volume que o reto. A aresta g só serve para achar h. Diagrama autoral.
Exemplo resolvido 3: o cilindro tombado. Um cilindro oblíquo tem base circular de raio 5 cm e geratriz (aresta lateral) de 13 cm; o deslocamento horizontal entre o centro da base de cima e o centro da base de baixo é 5 cm. Qual é o volume? Use π=3,14.
Estratégia: achar a altura perpendicular pelo triângulo retângulo formado pela geratriz, pelo deslocamento horizontal e pela altura; depois comparar com o cilindro reto de mesma base e altura.
Resolução:h2=132−52=169−25=144, logo h=12 cm. Por Cavalieri, o cilindro oblíquo tem o volume do cilindro reto de raio 5 e altura 12: V=3,14×25×12=942 cm³.
Conferência: quem usa a geratriz como altura obtém 3,14×25×13=1020,5 cm³, 8 % a mais, e é a conta que a alternativa errada costuma trazer. O triângulo 5-12-13 é a assinatura do enunciado: um item de vestibular que dá a geratriz e um ângulo com a base (60°, por exemplo) está pedindo h=g⋅sen60° antes de qualquer fórmula.
Consequência 2: pirâmides de mesma base e mesma altura têm o mesmo volume
Agora um caso em que as seções mudam com a altura, mas mudam da mesma maneira nos dois sólidos. Numa pirâmide de base de área Ab e altura h, com o vértice em cima, a seção a uma distância d do vértice é uma figura semelhante à base, na razão d/h (o plano de corte faz uma “pirâmide pequena” semelhante à grande). Áreas de figuras semelhantes ficam na razão quadrada, então
A(d)=Ab(hd)2.
Isso vale para qualquer pirâmide, qualquer base, vértice em qualquer posição (reta ou oblíqua), e para o cone, que é a pirâmide de base circular. Tome então duas pirâmides, ou uma pirâmide e um cone, apoiadas no mesmo plano, com bases de mesma áreaAb e a mesma alturah. À mesma distância d do plano dos vértices, as seções têm a mesma área Ab(d/h)2. Cavalieri conclui: mesmo volume. Em uma frase, o volume de uma pirâmide depende só da área da base e da altura, não do formato da base nem de onde está o vértice.
As seções das pirâmides encolhem pela mesma lei, A vezes o quadrado de d sobre h; com bases de mesma área e a mesma altura, o princípio iguala os volumes, qualquer que seja o formato da base ou a posição do vértice. Diagrama autoral.
É essa consequência que faz o trabalho pesado na página seguinte: um prisma triangular se decompõe em três pirâmides que, duas a duas, têm bases de mesma área e mesma altura, logo o mesmo volume; cada uma vale um terço do prisma, e daí sai V=31Ab⋅h. Aqui fica só a ponte: o terço não é um axioma, é Cavalieri aplicado três vezes.
Exemplo resolvido 4: a pirâmide, o cone e o vértice deslocado. Uma pirâmide de base quadrada com 6 cm de lado e um cone de raio r têm a mesma altura, 9 cm, e estão apoiados na mesma mesa. (a) Para que valor de r os dois têm o mesmo volume? (b) Se o vértice da pirâmide for deslocado horizontalmente em 4 cm, mantida a altura, o volume muda?
Estratégia: (a) igualar as áreas das bases; com isso as seções coincidem em toda altura e o princípio iguala os volumes. (b) Pirâmide oblíqua: seções continuam semelhantes à base pela mesma razão.
Resolução: (a) πr2=36, r=6/π≈3,39 cm. A partir daí, à distância d do vértice, as duas seções têm área 36(d/9)2, e os volumes são iguais. (b) Não muda: a pirâmide oblíqua tem, à mesma distância do vértice, um quadrado semelhante ao da base na mesma razão d/9, logo a mesma área da seção da pirâmide reta. Mesmo volume.
Conferência: com a fórmula da próxima página, V=31⋅36⋅9=108 cm³ para os três sólidos. Repare que a igualdade dos volumes foi decidida antes de qualquer fórmula, só pelas seções; a fórmula entrou apenas para pôr um número.
Formas diferentes, mesma área: o que o princípio realmente compara
As duas consequências acima ainda tratam de sólidos “da mesma família”. O uso mais interessante é comparar sólidos sem parentesco nenhum, cujas fatias têm formas diferentes mas a mesma área. Um triângulo de base 8 e altura 6, um retângulo de 4 por 6 e um círculo de raio 24/π têm, os três, área 24 (e uma coroa circular de raios 5 e 1 tem a mesma área, 24π, de um círculo de raio 24): um sólido feito de triângulos de 24, outro feito de retângulos de 24 e outro feito de círculos de 24, todos com altura 10, têm todos o volume 240, e as fatias podem até girar em torno do eixo enquanto sobem (um “prisma torcido” tem o volume do prisma reto, porque a área da seção não muda ao girar).
Quando o sólido não tem nome, a informação que o enunciado dá é a lei A(z). A pergunta passa a ser: existe um sólido conhecido com a mesma A(z)? Dois atalhos resolvem a maioria dos casos de prova.
Dois atalhos para o sólido sem fórmula
Área constante. Se A(z)=A para todo z, o sólido tem o volume do prisma (ou cilindro) de base A e altura h: V=A⋅h, qualquer que seja a forma das fatias ou a inclinação do sólido.
Área que varia linearmente. Se A(z)=a+bz (uma função afim de z), o sólido tem o volume de uma cunha: um prisma deitado, de base trapezoidal (triangular quando A(0)=0), cuja seção horizontal é um retângulo de comprimento fixo e largura que cresce em linha reta. O volume da cunha é a média das áreas das duas extremidades vezes a altura:
V=h⋅2A(0)+A(h).
Essa “regra do trapézio” é exata sempre que A(z) for afim, porque o sólido de comparação é um prisma deitado cuja base é um trapézio de bases A(0)/L e A(h)/L e altura h. Para outras leis de A(z) (quadrática, por exemplo), ela é só uma aproximação.
Exemplo resolvido 5: o vaso de seção crescente. Um vaso de cerâmica tem 8 cm de altura e, em cada altura z (em cm), a sua seção horizontal interna é uma figura de área A(z)=10+3z cm². Quanta água cabe no vaso?
Estratégia:A(z) é afim; comparar com a cunha de mesmas áreas nas extremidades.
Resolução:A(0)=10 cm² e A(8)=10+24=34 cm². V=8×210+34=8×22=176 cm³, ou 176 mL.
Conferência: construa a cunha: um prisma deitado de comprimento L=2 cm cuja seção à altura z é um retângulo 2×w(z), com w(0)=5 e w(8)=17 (largura que cresce em linha reta). A base desse prisma é o trapézio vertical de bases 5 e 17 e altura 8, área 2(5+17)×8=88 cm², e o volume é 88×2=176 cm³. Em toda altura a cunha tem a mesma área de seção que o vaso (2×w(z)=10+3z), então Cavalieri garante que o vaso guarda os mesmos 176 mL. A forma do vaso nunca foi descrita, e não precisava.
Aplicação: a esfera sai de um cilindro menos um cone
A aplicação mais célebre do princípio deduz o volume da esfera sem nenhuma integral, e vale conhecê-la em esboço, porque ela reúne tudo o que esta página ensinou: dois sólidos sem parentesco, seções de formas diferentes (um círculo e uma coroa) com a mesma área em toda altura.
Apoie uma semiesfera de raio R na mesa, pelo lado plano. Ao lado, um cilindro de raio R e altura R, de cujo interior se tirou um cone com a ponta no centro da base de baixo e a boca igual à tampa de cima. À altura z, a seção da semiesfera é um círculo de raio R2−z2 (teorema de Pitágoras no triângulo centro-borda-altura), área π(R2−z2). A seção do cilindro furado é uma coroa: o círculo de raio R menos o círculo do cone, que à altura z tem raio z (o cone tem raio igual à altura). Área πR2−πz2. Iguais em toda altura. Então
Vsemiesfera=Vcilindro−Vcone=πR3−3πR3=32πR3,
e a bola completa tem o dobro, 34πR3. Lidos juntos, cilindro, semiesfera e cone de mesma base e mesma altura R ficam na razão 3:2:1. A figura dessa comparação, a segunda demonstração (por pirâmides) e tudo o que envolve a esfera estão em Geometria da esfera; o 31 do cone que a conta usou é o assunto de Volume de pirâmides e cones.
Exemplo resolvido 6: a coroa que vale um círculo. Na comparação acima, com R=5 cm, qual é a área da seção dos dois sólidos à altura z=3 cm, e em que altura a coroa tem a metade da área da base?
Estratégia: aplicar as duas expressões de área e igualá-las a 21πR2.
Resolução: semiesfera: π(25−9)=16π cm², um círculo de raio 4. Cilindro furado: π⋅25−π⋅9=16π cm², uma coroa de raios 5 e 3. Iguais, como o princípio exige. Metade da base: π(25−z2)=225π⇒z2=12,5⇒z≈3,54 cm.
Conferência: o círculo de raio 4 e a coroa de raios 5 e 3 não se parecem, e têm a mesma área, 16π≈50,3 cm². É exatamente o tipo de igualdade “de forma diferente” que faz o princípio render; se o leitor esperava que as seções tivessem de ser congruentes, este é o exemplo para desfazer a expectativa.
Aplicação: o recipiente sem fórmula e o truque do sólido invertido
O uso mais rentável do princípio na prova é calcular o volume de um sólido que não está na lista de fórmulas, a partir da lei da área da seção. O caso que a banca escolheu, em 2020, foi um recipiente com a forma de uma parábola girada: a curva y=x2 (em metros), rodada em torno do eixo vertical, com água até a altura 41 m. Dois caminhos resolvem, e os dois valem a pena.
O caminho da área da seção. À altura z (a coordenada y), a borda da água está nos pontos em que x2=z, ou seja, a seção é um círculo de raio z e área
A(z)=π(z)2=πz.
A área cresce em linha reta com a altura: A(z) é afim, com A(0)=0 e A(1/4)=π/4 m². Pelo atalho da cunha,
V=41⋅20+π/4=32πm3≈0,0981m3=98,1dm3.
O caminho do sólido invertido, que foi o que a prova montou. Coloque, ao lado do sólido de água (sólido I), uma cópia dele de ponta-cabeça (sólido II): a seção de II à altura z é a seção de I à altura 41−z, com área π(41−z). Some as duas áreas na mesma altura:
πz+π(41−z)=4π,
constante, independente de z. Então I e II, lado a lado, têm em toda altura a mesma área total que um cilindro de área da base 4π, isto é, de raio 21 m, e altura 41 m (sólido III). Cavalieri: VI+VII=VIII=π⋅41⋅41=16π m³. Como I e II são iguais, cada um tem 32π m³, o mesmo número do primeiro caminho. Com π=3,14, 323,14=0,098125 m³, e em decímetros cúbicos, 98,125: o tipo B pedia a parte inteira, 098.
A seção da água à altura H é um círculo de área πH; somada à seção do sólido invertido, dá π/4 em toda altura, a base de um cilindro. Os dois sólidos juntos valem o cilindro, e a água vale a metade: π/32 m³. Diagrama autoral.
O truque do sólido invertido funciona sempre que A(z)+A(h−z) for constante, o que acontece sempre que A(z) é afim (fora desse caso, só quando a lei de A é simétrica em relação à altura média, situação que a prova não explora); é a versão geométrica do atalho da cunha. A banca não exige que o aluno invente o truque: ela o desenha no enunciado, com os sólidos I, II e III e os cortes a H e a h−H, e pergunta pelos passos (a área do corte, a soma independente de H, o volume do cilindro, o volume da água). O trabalho do aluno é reconhecer cada passo e não se perder na notação.
Exemplo resolvido 7: um vaso cônico pelo mesmo emparelhamento. Um vaso tem a forma de um cone de ponta-cabeça (vértice no chão) com 12 cm de altura e boca de raio 6 cm, e está cheio. Obtenha o volume pelo emparelhamento com o vaso invertido, sem usar a fórmula do cone.
Estratégia: achar A(z), conferir que o emparelhamento dá soma constante ou, se não der, perceber por quê.
Resolução: à altura z, o raio da seção é z/2 (semelhança: 6 cm de raio a 12 cm de altura), e A(z)=πz2/4. A seção do vaso invertido à altura z tem área π(12−z)2/4. A soma, 4π[z2+(12−z)2], não é constante (vale 36π nas pontas e 18π no meio). O truque do invertido não fecha, porque A(z) é quadrática, não afim. O que fecha é outra comparação: a pirâmide de mesma base e altura (Consequência 2) e, com ela, o terço da página seguinte: V=31π⋅36⋅12=144π cm³.
Conferência: o atalho da cunha, que só é exato para A(z) afim, daria 12×20+36π=216π, 50 % a mais: a média das áreas das pontas superestima um sólido cujas seções crescem com o quadrado. O exemplo existe para mostrar o limite do emparelhamento: ele depende da lei de A(z), e a lei do recipiente parabólico (πz) era afim porque a parábola é y=x2, isto é, x2=y. Quem trocasse o recipiente por um cone perderia o emparelhamento.
A balsa, o tanque e o silo tortos
Um tanque de combustível com a seção horizontal sempre igual mas deformado por uma batida, um silo cujas paredes já não são verticais, uma balsa carregada que inclina: o volume de cada um continua sendo a área da seção vezes a altura perpendicular, enquanto a seção não mudar de área. É o mesmo motivo pelo qual engenheiros medem o volume de uma pilha de chapas de aço contando chapas, e não medindo o contorno da pilha, e pelo qual o volume de um maço de folhas de papel não muda quando o maço é “abanado” em leque.
Aplicação: sólidos tortos, cortados e comparados por partes
O outro figurino da banca é o sólido deformado: um tronco de árvore tortuoso e um cilíndrico, “entre os mesmos planos” e com o mesmo volume, cortados por um plano horizontal e comparados pedaço a pedaço. Aqui o princípio entra pelas condições, e a conta é de aditividade.
Exemplo resolvido 8: os dois troncos cortados. Dois troncos de árvore estão apoiados num mesmo plano e têm as bases superiores num mesmo plano paralelo, a 30 cm de altura; o tronco A é um cilindro, o tronco B é tortuoso, e os dois têm o mesmo volume. Um plano horizontal a 10 cm do chão corta os dois. A parte de baixo de B tem 1 200 cm³, e a soma das partes de baixo dos dois troncos é 2 000 cm³. Qual é o volume de cada tronco, e qual é o volume da parte de cima de B?
Estratégia: no cilindro, a parte de baixo é um terço do volume (10 cm de 30, seções constantes). Em B não se sabe nada sobre as fatias (volume igual não dá seções iguais), e por isso a parte de baixo de B tem de ser dada. Aditividade fecha o resto.
Resolução: parte de baixo de A: 2000−1200=800 cm³. Como A é um cilindro, 800=V/3, logo V=2400 cm³ para cada tronco. Parte de cima de B: 2400−1200=1200 cm³.
Conferência: A tem 800+1600=2400 cm³; B tem 1200+1200=2400 cm³. Mesmo volume, partes diferentes: B é mais “gordo” embaixo e mais fino em cima do que A, e nenhuma seção precisa coincidir. Repare que a conta só foi possível porque A é um cilindro (fatias iguais, fração da altura = fração do volume); para B essa regra não vale, e o item que a aplicasse a B estaria errado.
O item de 2018 do PAS 2 pediu exatamente esse tipo de conta, no formato tipo C: a soma das metades inferiores dos cortes I (cilíndrico) e II (tortuoso) era 7 500 cm³, e a metade superior de I valia o dobro da metade superior de II. Com V o volume comum, a metade superior de I é V/2 (cilindro), a de II é V/4, e a aditividade dá 2V=7500+V/2+V/4, de onde V=6000 cm³, entre 5 000 e 7 500.
Leia como na prova: planos, cortes e rótulos na figura
Os itens de Cavalieri chegam com figura, e a figura traz a metade das informações. Quatro coisas para ler antes de resolver.
Os planos. O texto diz “as bases inferiores podem ser colocadas em um mesmo plano, o mesmo ocorre com as bases superiores, e os dois planos são paralelos”: é a exigência 1 do princípio, “entre os mesmos planos”, e ela está ali para que o aluno saiba que as alturas são iguais. Sem essa frase, dois sólidos de mesmo volume poderiam ter alturas diferentes e nada do que se segue teria sentido.
O que a figura garante e o que não garante. Um tronco desenhado como cilindro é um cilindro: seções constantes, fração da altura igual a fração do volume. Um tronco desenhado “tortuoso”, com o contorno ondulado, não garante nada sobre as suas seções, nem que sejam círculos. Um recipiente “gerado pela rotação de y=x2” garante que toda seção horizontal é um círculo, com raio y.
Os rótulos de altura. No bloco de 2020, os sólidos I e II traziam dois cortes, a H e a 41−H, com a legenda de que o corte escuro de I tem a mesma altura do corte claro de II “e vice-versa”, e a figura escrevia, na escala horizontal, H e 1/4−H como os raios. Tudo isso é o emparelhamento do sólido invertido já montado: a prova fornece a construção pronta e pede que o aluno a execute. A condição 0<H<81 só garante que o corte escuro fica abaixo do claro; não entra em conta nenhuma.
A unidade do tipo B. “Calcule, em dm³”: o volume sai em m³ (π/32) e precisa ser multiplicado por 1 000. Quem marca 098 acertou; quem marca 000 (parte inteira de 0,098 m³) ou 981 (um fator de dez a mais na conversão) errou na unidade, não na geometria.
Como a banca pergunta
Julgar uma frase sobre o enunciado. “De acordo com o princípio de Cavalieri, um plano paralelo às bases determinará dois círculos de áreas necessariamente iguais”, dito de dois troncos de mesmo volume (item do PAS 2 de 2018; errado, o princípio não tem recíproca). As variantes autorais seguem o mesmo molde: “só se aplica a sólidos de mesma forma” (errado), “exige seções congruentes” (errado), “basta que as bases tenham a mesma área” (errado), “vale para prismas oblíquos” (certo).
Calcular a área de uma seção dada a lei do sólido. “No sólido I, a área do corte à altura H é πH m²” (PAS 2 de 2020; certo, porque x2=H dá raio H).
Verificar a soma constante do emparelhamento. “A soma das áreas dos cortes de I e II à mesma altura H independe de H” (2020; certo, π/4).
Volume do sólido auxiliar (tipo C). “O volume do sólido III é igual a” π/8, π/12, π/16 ou π/48 (2020; π⋅41⋅41=π/16).
Volume por comparação, resposta numérica (tipo B). “Considerando o princípio de Cavalieri, calcule, em dm³, o volume de água” (2020; 098).
Aditividade com um sólido torto (tipo C). As metades dos cortes I e II, com o volume comum a determinar e faixas de resposta (2018; 6 000 cm³).
Cilindro ou prisma oblíquo (vestibulares). Volume com a geratriz e um ângulo dados (URCA 2022: raio 4, geratriz 12 a 60°, 963π cm³) ou a diferença entre um cilindro reto e um oblíquo de mesma geratriz (FAESA 2024).
Os erros que a banca planta
Usar o princípio ao contrário. Volumes iguais não dão seções iguais. É o erro do item de 2018 e o mais cobrado.
Conferir uma altura e generalizar. Bases de mesma área não bastam: cone e cilindro de mesma base e altura têm volumes na razão 1 : 3.
Exigir a mesma forma. O princípio serve justamente para formas diferentes; um círculo e uma coroa de mesma área empatam.
Esquecer “entre os mesmos planos”. Seções iguais só se comparam à mesma altura, em sólidos de mesma altura.
Aplicar o princípio à área de superfície. Inclinar conserva o volume e aumenta a lateral.
Aresta inclinada como altura. No cilindro ou prisma oblíquo, h é a distância perpendicular entre as bases; a geratriz dá h por um triângulo retângulo (h=g⋅senθ).
Usar a fração da altura como fração do volume num sólido torto. Só vale com seções constantes (cilindro, prisma). O tronco tortuoso precisa que o volume da parte seja dado.
Esperar que o emparelhamento com o invertido sempre feche. A soma A(z)+A(h−z) é constante quando A(z) é afim; para o cone (A quadrática) não fecha.
Achar que o princípio vale só para sólidos tortos. Ele vale para quaisquer dois sólidos; os retos são o caso em que ele coincide com V=Ab⋅h.
Errar a unidade no tipo B.π/32 m³ são 98 dm³, não 0,098 nem 981.
O essencial em meia página
Seção à altura z: corte por um plano paralelo ao de referência; A(z) é a sua área. Um sólido é a pilha das suas seções; volume é aditivo.
Princípio de Cavalieri: dois sólidos entre os mesmos planos paralelos; se A1(z)=A2(z) para todoz, então V1=V2. Forma, posição e contorno das seções são livres; só a área conta.
Razão constante: A1(z)=k⋅A2(z) em toda altura ⇒V1=k⋅V2.
Por que vale: pilha de moedas reta e torta, baralho em leque; fatias finas de mesma área e espessura somam o mesmo.
Não diz: uma altura (ou a base) não basta; não tem recíproca (volumes iguais ⇒ seções iguais); não fala de área de superfície.
Consequências: prisma/cilindro oblíquo = reto de mesma base e altura (V=Abh, h perpendicular); pirâmides e cones de bases de mesma área e mesma altura têm o mesmo volume (seções Ab(d/h)2); daí sai o 31 na página seguinte.
Sólido sem fórmula: A(z) constante ⇒V=Ah; A(z) afim ⇒V=h⋅2A(0)+A(h) (cunha); emparelhar com o invertido só fecha quando A(z)+A(h−z) é constante.
Recipiente parabólico (y=x2, água até 41 m): A(z)=πz; I + II = cilindro de raio 21 e altura 41 (π/16); água =π/32 m³ ≈98 dm³.
Na prova: leia os planos, o que a figura garante (cilindro sim, tortuoso não), os rótulos H e h−H; conta de aditividade por partes; unidade do tipo B.
Exercícios temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.
Flashcards temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar os cartões de revisão.
Princípio de Cavalieiri - Aula 17
Portal da Matemática OBMEP · 6:47
Introdução. Aula do professor Eduardo Corrêa (3.º ano) que enuncia o princípio de Cavalieri e o usa para justificar a fórmula do volume de um prisma qualquer, reto ou não. É a seção “Consequência 1: inclinar o prisma ou o cilindro não muda o volume” em formato de aula, com o enunciado das três exigências apresentado antes.
3 2 1 - Mistério
M3 Matemática Multimídia · 10:12
Aprofundamento. Vídeo da coleção M³ da Unicamp em que uma estudante resolve três enigmas que levam ao princípio de Cavalieri para figuras planas e para sólidos, e à razão 3 : 2 : 1 entre cilindro, semiesfera e cone. Cobre as seções “O enunciado”, “Por que funciona” e “Aplicação: a esfera sai de um cilindro menos um cone”; a descrição oficial traz uma errata (aos 7:30 o cone deveria estar com a ponta para baixo), que vale conferir com a figura da seção da esfera.
Princípio de Cavalieri
Professor Metralha · 4:22
Aprofundamento curto. Apresenta as duas proposições de Cavalieri usadas na geometria espacial para calcular volume, a de áreas iguais e a de razão constante entre as seções. É a seção “A versão com razão constante” explicada com figuras, útil antes das questões de razão entre volumes.
Princípio de CAVALIERI | Sólidos com mesma altura podem ter mesmo volume?
APRENDA MATEMÁTICA · 6:03
Aplicação conceitual. Parte da pergunta “sólidos de mesma altura podem ter o mesmo volume?” e responde com o princípio, deixando clara a diferença entre ter a mesma altura e ter seções de mesma área em toda altura. É a seção “O que o princípio não diz” (uma altura não basta; formas diferentes empatam), a que mais rende itens de julgamento.
PAS 2 UNB - Subprograma 2019 - Item 68 - Considerando o princípio de Cavalieri e assumindo 3,14 como
Professor Gabriel Carvalho · 6:24
Resolução. O item tipo B do recipiente parabólico (PAS 2 de 2020, aplicação de 2021) resolvido passo a passo: seção πH, emparelhamento com o sólido invertido, cilindro de raio 1/2 e altura 1/4 e a conversão para dm³ (resposta 098). É a seção “Aplicação: o recipiente sem fórmula e o truque do sólido invertido” na voz de um professor, com o enunciado reproduzido na descrição.
As mesmas moedas, em pé ou empurradas: fatia por fatia o volume é o mesmo.O princípio compara fatias à mesma altura: formas diferentes, posições diferentes, mas áreas iguais em toda altura entre os mesmos planos. Diagrama autoral.Deslocar as moedas de lado não cria nem destrói volume: a mesma moeda está em cada altura nas duas pilhas. Diagrama autoral.Volumes iguais entre os mesmos planos, seções diferentes em quase toda altura: a conclusão do princípio não pode ser usada como hipótese. Diagrama autoral.Toda seção do prisma oblíquo é a base transladada: mesma área em toda altura, mesmo volume que o reto. A aresta g só serve para achar h. Diagrama autoral.As seções das pirâmides encolhem pela mesma lei, A⋅(d/h)2; com bases de mesma área e a mesma altura, o princípio iguala os volumes, qualquer que seja o formato da base ou a posição do vértice. Diagrama autoral.A seção da água à altura H é um círculo de área πH; somada à seção do sólido invertido, dá π/4 em toda altura, a base de um cilindro. Os dois sólidos juntos valem o cilindro, e a água vale a metade: π/32 m³. Diagrama autoral.Fatias que crescem em linha reta (a cunha) e fatias que crescem e decrescem (a bola): cada sólido tem a sua lei de área por altura.O pão escorregado em arco tem exatamente o miolo do pão reto: deslocar fatias não muda o volume.Mesma altura, mesmo volume talvez; mas nada obriga as fatias dos dois a terem a mesma área: o princípio não tem volta.O vaso parabólico não tem fórmula; o copo cilíndrico tem. Comparar as fatias dos dois é o caminho.Uma torre inclinada é um prisma oblíquo: cada andar é a base transladada, e o volume é o da torre reta de mesma altura.Bloco reto ou leque inclinado: as mesmas cartas, a mesma espessura em cada altura.
Rota PAS 2
Medida de volume: Cavalieri e os sólidos compostos · PAS 2
Fontes desta página
Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.
Rota PAS 2 — Medida de volume: Cavalieri e os sólidos compostos · Cavalieri: comparar fatias em vez de calcular (enunciado, consequências, sentido único, recipiente parabólico, semiesfera; itens 2018/48, 2018/50, 2020/66–69); Prisma e cilindro: base vezes altura (oblíquos); Pirâmide, cone e tronco (o prisma em três pirâmides, só como ponte); Como a banca cobra (o histórico de Cavalieri); Banco de treino T1–T6, T7, T23
Recorte por assunto: só o princípio, as suas condições e consequências e os sólidos sem fórmula. As fórmulas de prisma e cilindro ficam na página anterior; o terço da pirâmide e do cone, na seguinte; a esfera e os compostos têm páginas próprias. O capítulo foi usado como fonte de fatos, de recorte e de itens reais; abertura, exemplos, números e ordem desta página são próprios.
Mapa de itens do bloco de geometria espacial do PAS 2 · Itens atribuídos a principio-de-cavalieri (PAS 2 2018/48, 2018/50, 2020/66, 2020/67, 2020/68, 2020/69)
Mapa vinculante; grep adicional nas três classificações por Cavalieri/secção/seções paralelas/mesma área/fatias não acrescentou item PAS. Do banco raspado foram reusados por GUID dois itens de cilindro oblíquo (URCA 2022, FAESA 2024) com figura íntegra.
Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cespe/Cebraspe) · PAS 2 2018 (itens 48 a 50, caderno Apolo, p. 8); PAS 2 2020 (aplicação 2021, Parte 2, itens 66 a 69, p. 5); gabaritos 2018-PAS2-GAB.txt e 2020-PAS2-GAB-Parte2.txt
Itens reproduzidos verbatim; gabaritos conferidos nos GAB oficiais (48 E, 50 C, 66 C, 67 C, 68 = 098, 69 C).
Cadernos em PDF (figuras dos itens) · PAS 2 2018 (cortes I e II dos troncos, p. 9 do PDF); PAS 2 2020 Parte 2 (recipiente parabólico y = x² e sólidos I, II e III com os cortes √H e √(1/4 − H), p. 5 do PDF)
Páginas renderizadas com pdftoppm a 300 dpi e descritas em texto neutro no campo text de cada questão, com todos os sólidos, cortes e rótulos.
Revista do Professor de Matemática, n.º 72 — Os "Teoremas" de Cavalieri (Roberto Ribeiro Paterlini, UFSCar) · Enunciados para áreas e volumes com razão constante; nota histórica (Cavalieri, 1635; o método já conhecido dos gregos); elipse e elipsoide como aplicações
Consultado para a versão com razão constante e para a nota histórica; nenhum texto foi copiado.