Duas bexigas esfregadas no mesmo cabelo e penduradas lado a lado ficam paradas com os fios inclinados, empurradas por algo que não as toca; afaste-as ao dobro da distância e o empurrão cai a um quarto. Que força é essa, que tem a mesma cara da gravidade, é 10³⁹ vezes mais forte que ela dentro do átomo e mesmo assim não é ela que segura a Lua?
O que você vai aprender
Enunciar a lei de Coulomb, F = k|q₁||q₂|/d², com k₀ = 9 × 10⁹ N·m²/C² no vácuo, identificar cada símbolo e suas unidades no SI e reconhecer a lei como uma lei do inverso do quadrado da distância entre cargas pontuais.
Decidir o sentido da força pelos sinais das cargas (repulsão entre sinais iguais, atração entre sinais opostos), sobre a reta que une as cargas, e usar apenas módulos na fórmula, reconhecendo que as duas cargas trocam forças de mesmo módulo (par de ação e reação) mesmo com cargas muito diferentes.
Converter unidades antes de calcular (µC, nC, pC para C; cm e mm para m), situar ordens de grandeza (1 C como carga enorme, 1 µC como carga típica de laboratório) e estimar a força entre cargas comuns sem calculadora.
Aplicar as proporcionalidades da lei (dobrar a distância divide a força por 4; dobrar as duas cargas multiplica por 4; trocar o sinal de uma carga não muda o módulo) e ler gráficos de F contra d, reconhecendo a hipérbole quadrática e a reta em F contra 1/d².
Explicar, em nível qualitativo, o papel do meio material: a constante eletrostática cai dentro de um dielétrico (k = k₀/ε_r), e a força entre íons na água é dezenas de vezes menor que no vácuo.
Aplicar o princípio da superposição somando forças como vetores: cargas alinhadas (soma algébrica com sentido), cargas em triângulo retângulo ou equilátero (componentes, √2 e √3) e cargas em quadrado.
Localizar a posição em que uma terceira carga fica em equilíbrio sobre a reta de duas cargas fixas (entre elas, se de mesmo sinal; fora, do lado da menor, se de sinais opostos), e decidir o sinal necessário para que as três fiquem em equilíbrio.
Resolver o pêndulo eletrostático (carga suspensa por fio, F = P·tg θ) e situações de equilíbrio com fio ou superfície, montando o triângulo de forças com tração, peso e força elétrica.
Comparar a lei de Coulomb com a gravitação universal (mesma forma matemática, constantes 9 × 10⁹ e 6,7 × 10⁻¹¹, duas naturezas de força), calcular a razão F_e/F_g entre elétron e próton (~10³⁹) e entre dois elétrons (~10⁴²), e explicar por que a gravidade domina em escala astronômica apesar disso.
Situar a balança de torção de Coulomb (1785), as antecipações de Priestley e Cavendish e o método de medida, e reconhecer os erros que a banca planta: esquecer o quadrado, somar módulos sem vetor, usar o sinal na fórmula do módulo, confundir k com G, achar que a carga maior sofre força maior e não converter centímetros antes de elevar ao quadrado.
Pendure duas bolinhas de isopor por fios de costura, uma ao lado da outra, e encoste em cada uma a mesma caneta de plástico atritada no cabelo. No instante em que a segunda recebe carga, os dois fios abrem em V e assim permanecem, cada bolinha segurada no ar por algo que ninguém vê. Afaste as bolinhas puxando os pontos de suspensão e o V se fecha um pouco; aproxime-os e ele se abre mais; com o passar dos minutos, à medida que a carga escapa para o ar úmido, o V vai se fechando sozinho. A força que mantém o V aberto atua sem contato e segue regras precisas: cresce com a carga de cada bolinha e enfraquece com a distância de um jeito particular. Ao dobro da distância, ela não se reduz à metade, e sim a um quarto; ao triplo, a um nono. É a mesma dependência com a distância que Newton havia encontrado para a gravidade um século antes, e essa coincidência de forma é o fio desta página.
Esta é a página da força entre cargas: a lei de Coulomb, o que cada símbolo quer dizer, como decidir para onde a força aponta, como somar forças quando há três ou quatro cargas, onde uma carga solta fica em paz entre duas outras, como um fio inclinado mede a força e por que a mesma lei que domina o átomo com folga de trinta e nove ordens de grandeza perde para a gravidade quando o assunto é a Lua. No PAS/UnB o tema é da 3.ª etapa e chega quase sempre como conta de tipo B, com as constantes dadas no comando: 2012, 2016, 2020 e 2021 cobraram a força de Coulomb, duas vezes comparada com a gravitação. A página pressupõe a carga elétrica e os processos de eletrização e a soma de vetores. O campo elétrico, que reorganiza esta força em “força por carga”, tem página própria em campo elétrico; a energia dessa interação fica em potencial elétrico; a lei-irmã está em gravitação universal.
Uma força que cai com o quadrado: a lei
Duas cargas pontuais, em repouso, separadas por uma distância d. Cada uma empurra ou puxa a outra ao longo da reta que as une, e a intensidade dessa força é o que Charles-Augustin de Coulomb mediu em 1785 com uma balança de torção.
Lei de Coulomb
Sejam q1 e q2 duas cargas pontuais no vácuo, a uma distância d uma da outra. A força elétrica que cada uma exerce sobre a outra tem módulo
F=d2k0∣q1∣∣q2∣,
com k0=9×109N⋅m2/C2 (valor mais preciso: 8,99×109). A força atua sobre a reta que une as cargas: repulsão entre cargas de mesmo sinal, atração entre cargas de sinais opostos. A fórmula recebe os módulos das cargas; os sinais decidem o sentido, não entram na conta.
símbolo
o que é
exemplo
F
módulo da força sobre cada carga, em newtons
1,2 N
k0
constante eletrostática do vácuo
9×109 N·m²/C²
∣q1∣, ∣q2∣
módulos das cargas, em coulombs
3×10−6 C e 4×10−6 C
d
distância entre as cargas, em metros
0,30 m (não 30 cm)
Três leituras da fórmula valem mais do que decorá-la.
Inverso do quadrado. A distância aparece elevada ao quadrado no denominador. Dobrou d, a força cai a um quarto; triplicou, a um nono; dez vezes mais longe, cem vezes mais fraca. A força nunca chega a zero, só enfraquece: em princípio, uma carga em Brasília sente uma carga em Lisboa. A imagem que ajuda é a de uma lanterna: a mesma luz que sai da lâmpada se espalha por uma esfera cada vez maior, e a área da esfera cresce com o quadrado do raio. A força elétrica de uma carga pontual se dilui pelo espaço da mesma maneira.
A lei do inverso do quadrado. A mesma carga de prova, três distâncias: dobrar d divide a força por 4, triplicar divide por 9. A curva F×d nunca toca o zero. Diagrama autoral.
Produto das cargas. A força é proporcional a cada carga separadamente. Dobrar uma delas dobra a força; dobrar as duas multiplica por 4. Trocar o sinal de uma delas não muda o módulo em nada: só inverte o sentido, de repulsão para atração.
Par de ação e reação. A força que q1 faz em q2 e a que q2 faz em q1 têm o mesmo módulo e sentidos opostos, ainda que uma das cargas seja um milhão de vezes maior que a outra. É a terceira lei de Newton, a mesma das leis de Newton da 1.ª etapa. O que pode ser diferente é a aceleração de cada corpo, a=F/m: um elétron e um próton se atraem com forças iguais, e o elétron, 1 836 vezes mais leve, acelera 1 836 vezes mais.
Exemplo resolvido (a conta básica). Cargas de +3 µC e +4 µC a 30 cm uma da outra, no vácuo. Sinais iguais: repulsão, decidido antes de qualquer número. Unidades: 3×10−6 C, 4×10−6 C, 0,30 m. Módulo:
Conferência de escala: 109×10−12=10−3, e 9×12=108, logo o numerador é da ordem de 0,1 N; dividido por um denominador menor que 1, o resultado sobe para a ordem de 1 N. Faz sentido. Se a carga de +4 µC fosse trocada por −4 µC, o módulo continuaria 1,2 N, agora de atração. Se a distância dobrasse para 60 cm, a força cairia a 1,2/4=0,3 N.
O sinal decide o sentido; a fórmula só recebe módulos
Todo problema de Coulomb tem duas etapas, e a ordem importa. Primeiro, para onde: olhe os sinais. Sinais iguais, cada carga é empurrada para longe da outra; sinais opostos, cada uma é puxada em direção à outra. Desenhe a seta sobre cada carga. Só depois, quanto: substitua os módulos na fórmula.
As forças de um par são sempre iguais em módulo e opostas em sentido, sobre a reta que une as cargas. A carga de +4q e a de −q trocam a mesma força; o que difere é a aceleração de cada uma, se as massas forem diferentes. Diagrama autoral.
Quem coloca o sinal dentro da fórmula acaba com uma “força negativa” que não significa nada: força é vetor, tem módulo (sempre positivo), direção e sentido. Em alguns livros a lei aparece como F=kq1q2/d2 com sinal, e o sinal negativo é lido como atração. Funciona para duas cargas, mas atrapalha na hora de somar três: um vetor “negativo” apontando para a esquerda de uma carga é o mesmo que um “positivo” apontando para a direita da outra, e a soma vira uma confusão de sinais. A convenção desta página, que é também a dos itens do PAS (todos pedem o módulo da força), é a mais segura: módulo pela fórmula, sentido pelo desenho.
A carga maior não sofre força maior
“A carga de 4 µC exerce sobre a de 1 µC uma força quatro vezes maior do que a que recebe.” Errado, e é uma armadilha antiga. A fórmula tem o produto ∣q1∣∣q2∣: não existe “força de uma sobre a outra” com módulo diferente da “força da outra sobre a uma”. São o par de ação e reação da terceira lei. Em 2016 a 3.ª etapa gabaritou como certo que “cada um dos planetas do sistema solar exerce sobre o Sol uma força, em módulo, igual à força que o Sol exerce sobre cada um deles”; com cargas, a afirmação equivalente é igualmente certa.
Unidades e ordens de grandeza: o coulomb é enorme
A unidade de carga do SI é o coulomb, e um coulomb é uma quantidade absurda de carga para a eletrostática: são 6,25×1018 elétrons. Duas cargas de 1 C a 1 m de distância se repeliriam com 9×109 N, o peso de novecentas mil toneladas. Nenhum objeto de laboratório guarda um coulomb parado: a carga escaparia pelo ar em faíscas. As cargas reais da eletrostática se medem em submúltiplos:
prefixo
valor
onde aparece
microcoulomb, µC
10−6 C
esferas de laboratório, problemas escolares
nanocoulomb, nC
10−9 C
bexigas e canetas atritadas (dezenas a centenas de nC)
picocoulomb, pC
10−12 C
gotas de tinta de impressora, poeira eletrizada
Uma conta de bolso: duas bexigas com 100 nC cada, a 10 cm uma da outra, se repelem com F=9×109×(10−7)2/(0,1)2=9×109×10−14/10−2=9×10−3 N, o peso de um grama. É pouco para levantar uma bexiga, mas o bastante para inclinar o fio dela de forma visível, porque a bexiga pesa poucos gramas. A eletrostática do dia a dia vive nesse regime: forças de milinewtons, cargas de nanocoulombs.
O outro lado da escala é o átomo. A carga elementar é e=1,6×10−19 C; no átomo de hidrogênio, elétron e próton estão a cerca de 5,3×10−11 m, e a força entre eles é
Oito centésimos de micronewton parecem nada, mas agem sobre um elétron de 9,1×10−31 kg: a aceleração é F/m≈9×1022 m/s². É essa força que mantém a matéria coesa; toda a química é lei de Coulomb em ação.
Converta antes de elevar ao quadrado
Quem lança d=20 cm na fórmula sem converter eleva 20 ao quadrado e obtém 400 no lugar de 0,04: o denominador fica dez mil vezes maior do que deveria, e a força, dez mil vezes menor. E (2μC)2 não é 4×10−6: é 4×10−12 C², porque o expoente também dobra. Converta tudo para o SI (coulomb, metro) antes de substituir. O quadrado amplifica qualquer deslize de unidade: um centímetro esquecido vira erro de 104.
Dobrou, triplicou, trocou: as proporções e o gráfico
A banca raramente pede a força em newtons. Pede o que acontece com ela quando algo muda, e para isso não é preciso conhecer k0 nem as cargas: basta a forma da lei.
mudança
fator na força
distância dobrada (d→2d)
×41
distância triplicada (d→3d)
×91
distância reduzida à metade (d→d/2)
×4
uma carga dobrada
×2
as duas cargas dobradas
×4
as duas cargas dobradas e a distância dobrada
×1 (não muda)
uma carga trocada de sinal
×1 no módulo; sentido invertido
as duas cargas divididas por 100 e a distância dividida por 100
×1 (numerador ÷104, denominador ÷104)
uma só carga dividida por 100 e a distância dividida por 100
×100 (numerador ÷102, denominador ÷104)
A última linha merece a conta explícita, porque a PUC-Rio a cobrou em 2019 e a resposta surpreende quem vai no reflexo. Com as duas cargas divididas por 100 e a distância dividida por 100, o numerador cai por 104 e o denominador d2 também cai por 104: a força não muda. Com uma só carga dividida por 100 e a distância dividida por 100, o numerador cai por 102 e o denominador por 104: a força fica 100 vezes maior. O erro comum é tratar o d como se entrasse na primeira potência.
Exemplo resolvido (razão sem números). Duas cargas separadas por d trocam uma força F. Uma delas é triplicada e a distância passa a 2d. Nova força: F′=k(3q1)q2/(2d)2=43kq1q2/d2=0,75F. Conferência: o numerador cresceu 3 vezes, o denominador 4 vezes; o saldo é uma força um pouco menor que a original. Se a pergunta fosse “e a distância fosse d/2?”, o denominador cairia a um quarto e a força iria a 3×4=12F.
O gráfico de F contra d é uma hipérbole quadrática: despenca perto da origem, achata longe dela, nunca toca o eixo horizontal. O jeito de ler: escolha um ponto cotado e use Fd2=constante. Se o gráfico mostra F=36×10−5 N em d=1 m, então em d=2 m a força é 36/4=9, em 3 m é 36/9=4 e em 4 m é 36/16=2,25, tudo em 10−5 N. Foi exatamente esse gráfico que a UERJ imprimiu em 2022, pedindo a força a 6 mm: F=36×10−5/(6×10−3)2=36×10−5/(36×10−6)=10 N. Note a leitura por trás: Fd2=36×10−5 N·m² é o mesmo em qualquer ponto da curva.
A mesma lei em dois gráficos. Contra d, uma hipérbole quadrática em que Fd2 é constante (aqui 36×10−5 N·m²). Contra 1/d2, uma reta pela origem cuja inclinação é k∣q1∣∣q2∣: é assim que um experimento confirma o expoente 2. Diagrama autoral.
Quando o gráfico é dado sem escala, como no item da UEA de 2018, a leitura é por razões: se F2 corresponde a d=a/2 e F1 a d=3a, então F2/F1=(3a)2/(a/2)2=9a2/(a2/4)=36. A força a um sexto da distância é 36 vezes maior.
Há uma segunda forma de traçar, que os físicos preferem: F contra 1/d2. A hipérbole vira uma reta pela origem, e a inclinação da reta é k∣q1∣∣q2∣. Se os pontos experimentais caem numa reta nesse gráfico, o expoente da distância é 2; se o expoente fosse 1,9 ou 2,1, a reta encurvaria. É a maneira moderna de fazer o que Coulomb fez com sua balança.
O meio importa: a constante dielétrica
O valor k0=9×109 N·m²/C² vale para o vácuo, e serve para o ar, cuja diferença é de menos de 0,1%. Dentro de um material isolante a história muda. As moléculas do meio se polarizam ao redor de cada carga (os lados negativos das moléculas se voltam para a carga positiva, e vice-versa), e essa nuvem de cargas induzidas blinda parcialmente a interação. O efeito é resumido por um número sem unidade, a constante dielétrica do meio, K (também escrita εr):
F=Kd2k0∣q1∣∣q2∣,k=Kk0.
meio
constante dielétrica K (aprox.)
vácuo
1
ar
1,0006
papel
3
vidro
5 a 10
água
80
A água é o caso que importa. Dois íons que no vácuo se atrairiam com força F se atraem na água com F/80: é por isso que o sal se dissolve, com o Na⁺ e o Cl⁻ soltando-se um do outro e cada um sendo cercado por moléculas de água. A química em solução aquosa é eletrostática enfraquecida oitenta vezes.
A constante k0 costuma aparecer nos livros escrita de outro jeito, k0=1/(4πε0), em que ε0=8,85×10−12 C²/(N·m²) é a permissividade do vácuo. É a mesma constante, só reorganizada para deixar as fórmulas do campo e do capacitor mais limpas; no PAS a constante é fornecida diretamente, como 9×109, e é assim que ela deve ser usada. A permissividade de um meio é ε=Kε0: dizer que a água tem K=80 ou que tem permissividade 80 vezes a do vácuo é a mesma frase.
Papel picado, poeira e a tela do celular
A caneta atritada atrai papel picado neutro porque polariza o papel: o lado do papel mais próximo da caneta fica com carga oposta, o lado distante com carga igual, e o lado próximo, por estar mais perto, ganha na lei do inverso do quadrado. A mesma polarização faz a poeira grudar na tela do celular e na TV: a tela eletrizada polariza cada grão e o atrai. O processo de polarização em si é assunto de carga elétrica e eletrização; o que a lei de Coulomb acrescenta é o motivo de a atração vencer a repulsão: as cargas induzidas de sinal oposto estão mais perto, e 1/d2 favorece quem está perto.
Mais de duas cargas: superposição é soma de vetores
A lei de Coulomb fala de duas cargas. Com três ou mais, vale o princípio da superposição: a força sobre uma carga é a soma vetorial das forças que cada uma das outras faria sozinha, como se as demais não existissem. Cada par se comporta como se estivesse só; o que muda é que, no fim, é preciso somar setas, não números.
Princípio da superposição
Sobre uma carga q na presença de cargas q1,q2,…,qn:
F=F1+F2+⋯+Fn,
em que cada Fi tem módulo k∣q∣∣qi∣/di2 e o sentido dado pelos sinais de q e qi. A soma é de vetores: cargas alinhadas somam-se com sinal ao longo da reta; cargas fora da reta exigem componentes ou a regra do paralelogramo.
Em linha. Três cargas sobre uma reta: cada força é para a esquerda ou para a direita, e a soma vira uma soma algébrica com um sentido escolhido como positivo. Exemplo resolvido.A=+4 µC em x=0, B=−1 µC em x=0,30 m e C=+1 µC em x=0,60 m. Força sobre B. De A: sinais opostos, atração, B é puxado para a esquerda; módulo 9×109×4×10−6×10−6/0,09=0,036/0,09=0,40 N. De C: sinais opostos, atração, B é puxado para a direita; módulo 9×109×10−6×10−6/0,09=0,009/0,09=0,10 N. Resultante: 0,40−0,10=0,30 N, para a esquerda, em direção a A. Conferência: a carga A é quatro vezes maior que C e está à mesma distância, logo sua força é quatro vezes maior; o saldo tinha de apontar para A.
Em ângulo reto. Duas forças perpendiculares somam-se por Pitágoras: FR=F12+F22. Se forem iguais, FR=F2, na diagonal. É o caso da carga no vértice de um quadrado, sob a ação de duas vizinhas: F2 ao longo da diagonal. A carga do vértice oposto, a a2 de distância, contribui com F/2 na mesma diagonal, e a resultante sobre um vértice de um quadrado de quatro cargas iguais é F(2+21)≈1,91F, apontando para fora do quadrado.
Em triângulo equilátero. Três cargas iguais +q nos vértices de um triângulo de lado a. Sobre um vértice agem duas forças de mesmo módulo F=kq2/a2, cada uma apontando para longe de um dos outros vértices; o ângulo entre elas é 60°. A resultante está na bissetriz (a reta que sai do vértice pelo centro do triângulo) e vale
FR=2Fcos30°=2F×23=F3.
Com q=2 µC e a=20 cm: F=9×109×4×10−12/0,04=0,036/0,04=0,90 N, e FR=0,90×1,73≈1,56 N, para fora do triângulo. A banca dá 2≈1,4 e 3≈1,7 no comando quando precisa deles.
Superposição em triângulo. Sobre um vértice, duas forças iguais a 60° dão resultante F3 na bissetriz. Uma carga no centro de três cargas iguais está em equilíbrio: as três forças se cancelam por simetria. Diagrama autoral.
Simetria antes da conta. Uma carga no centro de um triângulo equilátero de cargas iguais sofre três forças de mesmo módulo a 120° umas das outras: a resultante é zero, sem conta. Uma carga no centro de um quadrado de cargas iguais, idem. Sempre que uma configuração tem simetria, pergunte primeiro o que a simetria cancela; a FUVEST de 2018 pôs uma carga negativa dentro de um triângulo de três positivas, mas fora do centro, e a simetria só cancelava as componentes horizontais das duas cargas da base: a resposta (0,3 N para cima) vinha da diferença entre a atração da carga do topo, mais perto, e as componentes verticais das duas da base, mais longe.
Onde uma terceira carga fica em paz: o equilíbrio
Fixe duas cargas q1 e q2 sobre uma reta. Existe um ponto dessa reta em que uma terceira carga, qualquer que seja o seu valor ou sinal, não sente força resultante? Existe, e a posição dele não depende da terceira carga: basta que as duas forças sobre ela tenham módulos iguais e sentidos opostos.
Cargas de mesmo sinal. O ponto fica entre elas: ali as duas repulsões (ou as duas atrações, se a terceira carga tiver sinal oposto) apontam em sentidos contrários. E fica mais perto da carga menor, porque a carga menor precisa de uma distância menor para produzir a mesma força.
Exemplo resolvido.q1=+4q em x=0 e q2=+q em x=d. Ponto P a uma distância x de q1, entre as duas:
O ponto está a 2d/3 de q1 e a d/3 de q2: duas vezes mais perto da carga quatro vezes menor, porque 22=4. Conferência: a razão das distâncias é a raiz quadrada da razão das cargas. A terceira carga q3 cancelou na equação: o ponto é o mesmo para qualquer q3.
Cargas de sinais opostos. Entre elas não há equilíbrio: uma atrai e a outra repele a terceira carga no mesmo sentido. O ponto fica fora do segmento, do lado da carga de menor módulo, onde a proximidade da menor compensa o tamanho da maior. Com q1=+4q em x=0 e q2=−q em x=d: além de q2, a uma distância x de q1, 4/x2=1/(x−d)2 dá 2(x−d)=x, logo x=2d: o ponto está a d além da carga menor. Foi esse o item do Cederj de 2025: com a terceira carga a 2d de q1 e a d de q2, do lado de fora, o equilíbrio exige ∣q1∣=4∣q2∣ e sinais opostos, q1=−4q2.
Onde uma terceira carga fica em equilíbrio. Mesmo sinal: entre as duas, mais perto da menor (x=2d/3 da carga 4q). Sinais opostos: fora do segmento, do lado da menor (x=2d da carga 4q). A posição não depende da terceira carga. Diagrama autoral.
As três em equilíbrio. Uma pergunta mais exigente: qual deve ser q3 para que as três cargas fiquem em equilíbrio, e não só ela? Para as duas cargas fixas de mesmo sinal ficarem paradas, q3 tem de atraí-las com força igual à repulsão mútua: precisa ter sinal oposto ao delas. No caso simétrico, duas cargas +Q separadas por d e q3 no ponto médio: sobre uma das cargas Q, a repulsão da outra é kQ2/d2 e a atração de q3, a d/2, é kQ∣q3∣/(d/2)2=4kQ∣q3∣/d2. Igualando, ∣q3∣=Q/4, negativa: q3=−Q/4. No caso +4q e +q, com q3 a 2d/3 da primeira, a mesma conta dá q3=−4q/9. Esse equilíbrio, aliás, é instável: um empurrão mínimo e o arranjo se desfaz; não existe configuração de cargas em repouso que fique em equilíbrio estável só com forças elétricas (teorema de Earnshaw). É um dos motivos de o átomo clássico não funcionar.
O pêndulo eletrostático: a tangente resolve
Volte às bexigas do começo. Uma carga suspensa por um fio, na presença de outra carga fixa, para inclinada: é o pêndulo eletrostático, e ele é uma balança de força. Sobre a esfera pendurada agem três forças: o peso P, vertical para baixo; a tração T do fio, ao longo do fio; e a força elétrica F, horizontal, apontando para a carga fixa (atração) ou para longe dela (repulsão). Em equilíbrio, a soma é zero.
Equilíbrio de uma carga suspensa
Com o fio a um ângulo θ com a vertical e a força elétrica horizontal:
Tcosθ=P,Tsinθ=F⇒F=Ptanθ=mgtanθ.
Quanto maior a inclinação, maior a força elétrica em relação ao peso: a 45° elas são iguais; a 30°, F=0,58P; a 60°, F=1,73P.
O pêndulo eletrostático. Três forças que se fecham em um triângulo: a tração é a hipotenusa, o peso é o cateto vertical e a força elétrica é o cateto horizontal, logo F=Ptanθ. Medir θ e a massa é medir a força elétrica. Diagrama autoral.
Exemplo resolvido. Uma esfera de 2,0 g, carregada, pende de um fio e para a 45° da vertical quando uma carga igual à dela é fixada a 10 cm, na mesma horizontal. Use g=10 m/s². Peso: P=2×10−3×10=0,020 N. A 45°, tanθ=1, logo F=0,020 N. Da lei de Coulomb, com cargas iguais q a d=0,10 m:
Conferência: 150 nC é a ordem de grandeza de uma bexiga bem atritada, e a força de 20 mN é coerente com o peso de 2 g a 45°. A tração do fio é T=P/cos45°=0,020/0,71=0,028 N, maior que o peso, como deve ser: o fio segura o peso e ainda equilibra a força elétrica.
Duas esferas iguais no mesmo prego. Cada uma a um ângulo θ com a vertical, fios de comprimento L: a separação é d=2Lsinθ e, por simetria, cada uma está sujeita a F=Ptanθ da outra. Para ângulos pequenos, tanθ≈sinθ≈θ, e a equação kq2/(2Lθ)2=mgθ dá θ3=kq2/(4L2mg): a inclinação cresce com a carga elevada a 2/3. Dobrar a carga não dobra o ângulo; multiplica-o por 22/3≈1,6.
Tangente, não seno
A relação é F=Ptanθ, não Psinθ. A confusão vem de decompor a tração e esquecer que a tração não é conhecida: quem escreve F=Tsinθ está certo, mas precisa de T=P/cosθ para fechar, e o resultado é a tangente. Em 2015 a 3.ª etapa pôs uma partícula de 1 000 g suspensa por um fio num campo elétrico uniforme (itens 103 a 105, matéria de campo, não desta página): a figura, numa malha em centímetros, mostrava o fio a 45° da vertical; o item que afirmava 30° foi gabaritado errado, e o que dava à força elétrica o módulo 9,8 N, certo, porque F=Ptan45°=P. Quem escrevesse F=Psinθ acharia 6,9 N e erraria o item.
Coulomb encontra Newton: mesma forma, mundos diferentes
Ponha as duas leis lado a lado:
Fe=d2k∣q1∣∣q2∣,Fg=d2Gm1m2.
Mesma estrutura: produto de duas “quantidades de fonte” sobre o quadrado da distância, com uma constante universal na frente. As diferenças estão nos detalhes, e são elas que explicam o mundo.
Dois mil trilhões de trilhões de trilhões: a gravidade é irrelevante dentro do átomo, e nenhum item de eletrostática precisa pedir licença para desprezar o peso de um elétron. Entre dois elétrons, a massa menor no denominador faz a razão subir ainda mais: ke2/(Gme2)≈4×1042. Foi esse o item de tipo B de 2012, que pediu “a ordem de grandeza, em potência de 10” dessa razão e aceitou 42 ou 43 como resposta, porque 4×1042 fica entre 1042 e 1043 e a regra de arredondamento de ordem de grandeza (o limite é 10≈3,16) puxa para 43. Em 2021 a banca simplificou ao máximo: duas cargas de 1 C com 1 kg cada, e a razão é só k/G=9,0×109/6,7×10−11=1,34×1020; dividida por 1018, como o comando pedia, 134.
Então por que a gravidade governa o céu? Porque a matéria é neutra. Cada próton tem um elétron por perto, as atrações e repulsões elétricas se cancelam quase perfeitamente em qualquer corpo grande, e sobra a gravidade, que só atrai e se acumula com a massa. A Terra e a Lua trocam 2×1020 N de atração gravitacional; para a força elétrica igualar isso, bastaria que cada uma tivesse um excesso de carga da ordem de 6×1013 C, o que parece muito, mas é cerca de uma parte em 1019 da carga positiva total contida na Terra. A neutralidade da matéria é mantida com essa precisão. A força elétrica é a mais forte das duas por um fator gigantesco e, justamente por isso, se anula: qualquer excesso de carga é rapidamente neutralizado pela própria força que ele cria.
Coulomb como força centrípeta. A força elétrica pode fazer o que a gravitação faz com os planetas: manter uma carga em órbita circular em torno de outra. É o modelo planetário do átomo, e foi o cenário da 3.ª etapa de 2016: uma carga q1 parada e uma carga q2, de massa m2, girando em torno dela com velocidade v e raio r, sem gravitação. Para haver movimento circular, é preciso uma força apontando para o centro: a força elétrica tem de ser atrativa, logo as cargas têm sinais opostos (item 107, certo). E a velocidade sai de igualar a força elétrica à resultante centrípeta:
rm2v2=r2k∣q1∣∣q2∣⇒v=m2rk∣q1∣∣q2∣.
O item 108 propôs ∣v∣=m21kq1/r: esqueceu q2, deixou m2 fora da raiz e nem as unidades fecham, errado. Compare com a órbita gravitacional, v=GM/r: lá a massa do satélite cancela, porque ela é a fonte da força e a inércia ao mesmo tempo; aqui a carga é a fonte e a massa é a inércia, e por isso m2 fica.
Uma balança de torção em 1785: como se mediu
A ideia de que a força elétrica cai com o quadrado da distância circulava antes de Coulomb. Em 1767, Joseph Priestley, químico inglês amigo de Franklin, publicou a observação de que dentro de um recipiente metálico eletrizado não há força sobre uma carga: Newton havia demonstrado que dentro de uma casca de matéria não há gravidade, e isso só acontece se a lei for exatamente do inverso do quadrado; Priestley concluiu que a eletricidade devia seguir a mesma lei. Por volta de 1772, Henry Cavendish fez a medida de forma indireta e engenhosa, com esferas condutoras concêntricas, e concluiu que o expoente era 2 com erro menor que 2%; não publicou, e seus cadernos só foram editados por Maxwell em 1879.
Charles-Augustin de Coulomb, engenheiro militar francês, atacou o problema de frente. Em 1784 ele havia estudado a torção de fios metálicos e mostrado que o torque necessário para torcer um fio é proporcional ao ângulo de torção: um fio fino de prata é uma mola de rotação extremamente sensível. Em 1785 apresentou à Academia de Ciências a balança de torção: uma agulha horizontal isolante suspensa por um fio de prata, com uma pequena esfera de medula de sabugueiro (um material leve) numa ponta; uma segunda esfera igual, fixa, era eletrizada e tocada na primeira, dividindo a carga entre as duas; a repulsão girava a agulha, e Coulomb torcia o topo do fio até trazer as esferas de volta a uma distância escolhida. O ângulo total de torção media a força.
A balança de torção de Coulomb (1785). O fio de prata é uma mola de rotação: o ângulo de torção mede a força. Nas medidas publicadas, reduzir a separação à metade quadruplicou a torção, e reduzi-la a um quarto a multiplicou por 16. Diagrama autoral.
Três medidas que bastaram
No primeiro memorial de 1785, Coulomb publicou três pontos: com as esferas separadas de 36 unidades da escala, a torção era de 36°; a 18 unidades, 144°; a 8,5 unidades, 575,5°. Metade da distância, quatro vezes a torção; um quarto da distância (aproximadamente), dezesseis vezes. Foi o bastante para enunciar que a repulsão é “na razão inversa do quadrado das distâncias”. Para a atração, em que a agulha tende a colar na esfera fixa, ele usou um segundo método: fez a agulha oscilar e mediu o período, que depende da força como o de um pêndulo. A unidade de carga do SI, o coulomb, recebeu o nome dele em 1881.
Coulomb também mostrou, no mesmo memorial e nos seguintes, que a força é proporcional ao produto das cargas, tocando a esfera carregada numa esfera igual e neutra para dividir a carga pela metade: a força caía à metade. E mediu a força magnética entre polos de ímãs com o mesmo instrumento, encontrando de novo o inverso do quadrado. Treze anos depois, em 1798, Cavendish usaria uma balança de torção de grandes dimensões para medir G, “pesando a Terra”, com um fio de torção sustentando duas esferas de chumbo. As duas constantes que abrem esta seção foram medidas com o mesmo tipo de instrumento.
Como a banca pergunta
A força de Coulomb rendeu cinco itens em quatro provas da 3.ª etapa (2012, 2016, 2020 e 2021), sempre em blocos de Física com as constantes escritas no comando. Em 2025, primeira prova da matriz vigente, a eletrostática inteira ficou de fora. Os padrões:
A conta direta, de tipo B. Duas cargas, uma distância, a constante 9×109 dada: 2020/104, cargas de 2×10−4 C e 10−4 C a 1 m, F=9×109×2×10−8=180 N, marcação 180. A lição estava no comando: “exercida apenas pela carga qa sobre a carga q”. A figura mostrava três cargas, e quem somou as contribuições respondeu a outra pergunta.
A razão com a gravitação, também tipo B. 2012/49 (dois elétrons, ordem de grandeza da razão, 42 ou 43) e 2021/91 (duas cargas de 1 C e 1 kg, razão dividida por 1018, 134). A distância cancela; a conta é só com as constantes e com as cargas e massas dadas. O comando manda descartar a parte fracionária: 134,3 vira 134.
Coulomb como centrípeta, itens de julgamento. 2016/107 (sinais opostos para haver órbita, certo) e 2016/108 (fórmula da velocidade com erros plantados, errado). Iguale a força elétrica a mv2/r e confira a fórmula proposta pelas unidades.
A vizinhança. Em 2015 (itens 103 a 105) a força elétrica apareceu num pêndulo sob campo uniforme, com o fio a 45° e F=Ptan45°=P=9,8 N; em 2022 (item 88) como F=qE sobre um elétron, tipo B com resposta 008. São itens de campo elétrico, mas o triângulo de forças e o cuidado com as potências de dez são os desta página.
O que a banca fornece: a constante eletrostática, sempre; a carga e a massa do elétron, quando entram; 2 e 3, quando há triângulo. O que ela não perdoa: centímetro no lugar de metro, sinal dentro da fórmula, e a parte fracionária que não foi descartada na marcação.
Os erros que a prova planta
Esquecer o quadrado. Ao dobro da distância a força fica quatro vezes menor, e não duas; ao triplo, nove vezes menor. É o erro mais cobrado, em todas as bancas.
Centímetro dentro do d2. O quadrado de 30 cm sem conversão é 900, e o de 0,30 m é 0,09: a diferença é um fator 104 na força. Converta antes de elevar.
Sinal na fórmula do módulo. A fórmula recebe ∣q1∣ e ∣q2∣. O sinal decide atração ou repulsão no desenho; uma “força negativa” não existe.
Somar módulos sem vetor. Com três cargas, as forças se somam como setas: em linha, com sentido; em ângulo, por componentes. Duas forças de 3 N e 4 N perpendiculares dão 5 N, não 7 N.
A carga maior “sofre” mais força. Não: as duas forças do par são iguais (terceira lei). O que difere é a aceleração, se as massas diferem.
Confundir k com G.9×109 é elétrico; 6,7×10−11 é gravitacional. Vinte ordens de grandeza separam as duas, e é essa diferença que os itens de razão exploram.
(2×10−6)2=4×10−6. O expoente também dobra: 4×10−12. Microcoulomb ao quadrado é picocoulomb ao quadrado vezes um milhão, não microcoulomb.
Equilíbrio da terceira carga do lado errado. Mesmo sinal: entre as duas, perto da menor. Sinais opostos: fora, do lado da menor. Nunca perto da maior.
Seno no lugar da tangente. No pêndulo eletrostático, F=Ptanθ. Quem usa o seno esquece que a tração é maior que o peso.
Achar que a força chega a zero longe. Ela tende a zero, mas nunca é zero; só pode ser cancelada por outra força elétrica.
Ignorar o comando. “Apenas pela carga qa”, “divida por 1018”, “despreze a parte fracionária”: cada frase do tipo B é uma instrução. 180, não 360; 134, não 134,3.
Aplicar a fórmula a corpos grandes e próximos. A lei é para cargas pontuais (ou esferas com carga distribuída uniformemente, medindo d entre os centros). Duas esferas condutoras grandes e muito próximas redistribuem suas cargas por indução e a fórmula deixa de valer com d entre centros.
O essencial em meia página
Lei:F=k0∣q1∣∣q2∣/d2, k0=9×109 N·m²/C² (=1/4πε0), d em metros, cargas em coulombs. Sobre a reta que une as cargas: iguais repelem, opostas atraem. Módulos na fórmula, sinal no desenho.
Par: forças iguais e opostas sobre as duas cargas, sempre; acelerações diferentes se as massas diferem.
Proporções:d→2d: F/4; d→3d: F/9; d→d/2: 4F; duas cargas dobradas: 4F; tudo dobrado: F. Gráfico F×d: hipérbole quadrática, Fd2 constante; F×1/d2: reta pela origem.
Unidades: 1 C =6,25×1018e, carga enorme (duas de 1 C a 1 m: 9×109 N). Laboratório: µC; bexiga: nC; gota de tinta: pC. Elétron–próton no hidrogênio: 8×10−8 N.
Meio:F=k0∣q1∣∣q2∣/(Kd2); água K≈80, ar ≈1.
Superposição: soma vetorial. Em linha: com sinal. Perpendiculares: Pitágoras (F2 se iguais). Triângulo equilátero, vértice: F3 na bissetriz. Centro de polígono regular de cargas iguais: zero.
Equilíbrio da 3.ª carga: mesmo sinal, entre as duas, perto da menor (4q e q: a 2d/3 da maior); sinais opostos, fora, do lado da menor (4q e −q: a 2d da maior). Para as três em equilíbrio, q3 de sinal oposto (−Q/4 no ponto médio de duas +Q). Instável.
Pêndulo eletrostático:F=Ptanθ; T=P/cosθ.
Coulomb × Newton: mesma forma; k/G=1,3×1020; Fe/Fg elétron–próton ≈2×1039, dois elétrons ≈4×1042. Gravidade domina no céu porque a matéria é neutra. Órbita elétrica: sinais opostos, v=k∣q1∣∣q2∣/(m2r).
Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.
Flashcards temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar os cartões de revisão.
Para que serve a LEI DE COULOMB? | ELETROSTÁTICA
Chama o Físico · 11:36
Introdução. Aula de 11 minutos que apresenta a lei de Coulomb como a lei que determina a força elétrica entre cargas pontuais, explica o que cada elemento da fórmula representa (constante, cargas, distância ao quadrado) e, segundo a própria descrição do autor, ensina a não cair nas pegadinhas do tema. Cobre as seções “Uma força que cai com o quadrado: a lei” e “O sinal decide o sentido; a fórmula só recebe módulos” desta página. Bom para assistir antes de ler.
FORÇA ELÉTRICA (LEI DE COULOMB) - Teoria e Exercícios
Felipe Sampaio - Física · 22:25
Aprofundamento. Aula com capítulos marcados na descrição: atração e repulsão (0:00), a lei de Coulomb (1:41), a constante eletrostática (4:03) e dois exercícios (5:53 e 15:06) que o autor descreve como os tipos mais frequentes sobre o assunto. É a construção das seções “Uma força que cai com o quadrado”, “Unidades e ordens de grandeza” e “Dobrou, triplicou, trocou: as proporções e o gráfico”, com a conversão de unidades e as potências de dez feitas passo a passo.
Equilíbrio de um sistema de 3 cargas elétricas
ABC da FÍSICA · 12:39
Aplicação. Resolução comentada da questão da PUC-Rio em que duas cargas +Q e uma carga q no ponto médio devem ficar em equilíbrio, com capítulos na descrição: por que a carga central precisa ser negativa (1:45), o teste do equilíbrio em todo o sistema (5:10), a montagem da lei de Coulomb sobre uma das cargas (8:40) e a resolução final, q = −Q/4 (10:50). É exatamente o caso “As três em equilíbrio” da seção “Onde uma terceira carga fica em paz” desta página, e o exercício resolvido q03 e a questão q18 fazem a mesma conta.
Resolução do PAS 3 UnB 2021 - Gravitação: Lei da Gravitação Universal e Lei de Coulomb
Física+ · 16:43
Resolução de item real. O professor Matheus Aguiar resolve o item 91 da 3.ª etapa de 2021 (a partir de 5:56), a razão entre as forças elétrica e gravitacional para duas partículas de 1 C e 1 kg, dividida por 10¹⁸, resposta 134; a descrição do vídeo reproduz o comando do item. É o item desta página na seção “Coulomb encontra Newton” e no exercício q06; resolva antes de assistir e compare o caminho: a distância cancela e sobra k/G.
Duas bexigas eletrizadas no mesmo cabelo se repelem e param com os fios inclinados: a força elétrica equilibra a componente horizontal da tração, F=Ptanθ. Afaste-as ao dobro da distância e a força cai a um quarto.A lei do inverso do quadrado. A mesma carga de prova, três distâncias: dobrar d divide a força por 4, triplicar divide por 9. A curva F×d nunca toca o zero. Diagrama autoral.As forças de um par são sempre iguais em módulo e opostas em sentido, sobre a reta que une as cargas. A carga de +4q e a de −q trocam a mesma força; o que difere é a aceleração de cada uma, se as massas forem diferentes. Diagrama autoral.A mesma lei em dois gráficos. Contra d, uma hipérbole quadrática em que Fd2 é constante (aqui 36×10−5 N·m²). Contra 1/d2, uma reta pela origem cuja inclinação é k∣q1∣∣q2∣: é assim que um experimento confirma o expoente 2. Diagrama autoral.Superposição em triângulo. Sobre um vértice, duas forças iguais a 60° dão resultante F3 na bissetriz. Uma carga no centro de três cargas iguais está em equilíbrio: as três forças se cancelam por simetria. Diagrama autoral.Onde uma terceira carga fica em equilíbrio. Mesmo sinal: entre as duas, mais perto da menor (x=2d/3 da carga 4q). Sinais opostos: fora do segmento, do lado da menor (x=2d da carga 4q). A posição não depende da terceira carga. Diagrama autoral.O pêndulo eletrostático. Três forças que se fecham em um triângulo: a tração é a hipotenusa, o peso é o cateto vertical e a força elétrica é o cateto horizontal, logo F=Ptanθ. Medir θ e a massa é medir a força elétrica. Diagrama autoral.A balança de torção de Coulomb (1785). O fio de prata é uma mola de rotação: o ângulo de torção mede a força. Nas medidas publicadas, reduzir a separação à metade quadruplicou a torção, e reduzi-la a um quarto a multiplicou por 16. Diagrama autoral.O papel é neutro, e mesmo assim é atraído: a caneta eletrizada polariza cada pedacinho, e a face de carga oposta, mais próxima, ganha na lei do inverso do quadrado. A atração vence a repulsão porque 1/d2 favorece quem está perto.As gotas de tinta carregam picocoulombs, a menor escala da tabela de unidades desta página; é por serem tão leves que forças de nanonewtons bastam para desviá-las até o ponto certo do papel.Na água, a força entre o Na⁺ e o Cl⁻ é cerca de 80 vezes menor que no vácuo: a constante dielétrica K≈80 blinda a atração, e o cristal se desfaz. A química em solução é eletrostática enfraquecida.No hidrogênio, a força elétrica entre elétron e próton é de 8×10−8 N e a gravitacional entre eles é 2×1039 vezes menor. É a lei de Coulomb, e não a gravidade, que mantém a matéria coesa.Cada fio de cabelo recebe carga do mesmo sinal e repele os vizinhos: a força de Coulomb, fio a fio, vence o peso de cada um e os afasta. Quanto mais carga, mais arrepiado, porque F∝∣q1∣∣q2∣.A balança de torção de Coulomb (1785): o fio de prata torcido é uma mola de rotação, e o ângulo de torção mede a força. Metade da distância, quatro vezes a torção: 36°, 144°, 575,5°.A força elétrica é 1039 vezes mais forte que a gravidade no átomo, e mesmo assim é a gravidade que segura a Lua: a matéria é neutra, as forças elétricas se cancelam, e a gravidade só atrai e se acumula com a massa.
Rota PAS 3
Eletrostática: força, campo e potencial elétrico · PAS 3
Fontes desta página
Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.
Rota PAS 3 — Eletrostática: força, campo e potencial elétrico · Lei de Coulomb: a força entre duas cargas (conceito, tabela de símbolos, exemplo-guia de 2 µC e 5 µC a 20 cm, lembrete do par ação–reação, itens PAS 3 2012/49, 2021/91, 2016/107 e 108, armadilha 'o quadrado pune em dobro', checagem); Como a banca cobra (histórico da força de Coulomb na 3.ª etapa, item 2020/104 tipo B e a lição do comando 'apenas pela carga qa'); Estratégia (sinal primeiro, módulo depois; unidades antes da fórmula); Treino (T16 e T23)
Recorte por assunto: só a força entre cargas. Carga, quantização e processos de eletrização ficam em carga elétrica e eletrização; vetor campo, linhas de campo e placas ficam em campo elétrico; potencial, energia potencial e equipotenciais ficam em potencial elétrico. A página acrescenta, ausentes do capítulo, a leitura do gráfico F × d, o meio material e a constante dielétrica, o princípio da superposição em linha e em triângulo, o equilíbrio de uma terceira carga, o pêndulo eletrostático, a razão elétrica/gravitacional no átomo de hidrogênio e a história da balança de torção.
Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cebraspe) · PAS 3 2012 (item 49, tipo B, caderno Fraternidade, p. 9), 2016 (itens 107 e 108, caderno Fantasia, p. 16, com a figura da carga em órbita), 2020 Parte 2 (item 104, tipo B, p. 10, com a figura das linhas de campo de qa e qb) e 2021 Parte 2 (item 91, tipo B, p. 10, com a figura das duas cargas de 1 C e 1 kg)
Itens reproduzidos verbatim dos cadernos em texto; gabaritos conferidos nos arquivos GAB (2012/49 = 42 ou 43; 2016/107 C e 108 E; 2020/104 = 180; 2021/91 = 134) e em utils/material/PAS/pesquisa/classificacao-pas3/AAAA.json. As três figuras impressas foram rasterizadas a 130 dpi a partir dos PDFs em utils/material/PAS/provas/ e descritas em texto neutro no enunciado, nomeando todos os rótulos impressos. O item 2020/103 (sinais pelas linhas de campo), do mesmo bloco, é matéria de campo elétrico.