Lei de Coulomb

Guia de estudo · Revisado em 17/09/2026

BNCC · EM13CNT301

Duas bexigas esfregadas no mesmo cabelo e penduradas lado a lado ficam paradas com os fios inclinados, empurradas por algo que não as toca; afaste-as ao dobro da distância e o empurrão cai a um quarto. Que força é essa, que tem a mesma cara da gravidade, é 10³⁹ vezes mais forte que ela dentro do átomo e mesmo assim não é ela que segura a Lua?

O que você vai aprender

  • Enunciar a lei de Coulomb, F = k|q₁||q₂|/d², com k₀ = 9 × 10⁹ N·m²/C² no vácuo, identificar cada símbolo e suas unidades no SI e reconhecer a lei como uma lei do inverso do quadrado da distância entre cargas pontuais.
  • Decidir o sentido da força pelos sinais das cargas (repulsão entre sinais iguais, atração entre sinais opostos), sobre a reta que une as cargas, e usar apenas módulos na fórmula, reconhecendo que as duas cargas trocam forças de mesmo módulo (par de ação e reação) mesmo com cargas muito diferentes.
  • Converter unidades antes de calcular (µC, nC, pC para C; cm e mm para m), situar ordens de grandeza (1 C como carga enorme, 1 µC como carga típica de laboratório) e estimar a força entre cargas comuns sem calculadora.
  • Aplicar as proporcionalidades da lei (dobrar a distância divide a força por 4; dobrar as duas cargas multiplica por 4; trocar o sinal de uma carga não muda o módulo) e ler gráficos de F contra d, reconhecendo a hipérbole quadrática e a reta em F contra 1/d².
  • Explicar, em nível qualitativo, o papel do meio material: a constante eletrostática cai dentro de um dielétrico (k = k₀/ε_r), e a força entre íons na água é dezenas de vezes menor que no vácuo.
  • Aplicar o princípio da superposição somando forças como vetores: cargas alinhadas (soma algébrica com sentido), cargas em triângulo retângulo ou equilátero (componentes, √2 e √3) e cargas em quadrado.
  • Localizar a posição em que uma terceira carga fica em equilíbrio sobre a reta de duas cargas fixas (entre elas, se de mesmo sinal; fora, do lado da menor, se de sinais opostos), e decidir o sinal necessário para que as três fiquem em equilíbrio.
  • Resolver o pêndulo eletrostático (carga suspensa por fio, F = P·tg θ) e situações de equilíbrio com fio ou superfície, montando o triângulo de forças com tração, peso e força elétrica.
  • Comparar a lei de Coulomb com a gravitação universal (mesma forma matemática, constantes 9 × 10⁹ e 6,7 × 10⁻¹¹, duas naturezas de força), calcular a razão F_e/F_g entre elétron e próton (~10³⁹) e entre dois elétrons (~10⁴²), e explicar por que a gravidade domina em escala astronômica apesar disso.
  • Situar a balança de torção de Coulomb (1785), as antecipações de Priestley e Cavendish e o método de medida, e reconhecer os erros que a banca planta: esquecer o quadrado, somar módulos sem vetor, usar o sinal na fórmula do módulo, confundir k com G, achar que a carga maior sofre força maior e não converter centímetros antes de elevar ao quadrado.

Pendure duas bolinhas de isopor por fios de costura, uma ao lado da outra, e encoste em cada uma a mesma caneta de plástico atritada no cabelo. No instante em que a segunda recebe carga, os dois fios abrem em V e assim permanecem, cada bolinha segurada no ar por algo que ninguém vê. Afaste as bolinhas puxando os pontos de suspensão e o V se fecha um pouco; aproxime-os e ele se abre mais; com o passar dos minutos, à medida que a carga escapa para o ar úmido, o V vai se fechando sozinho. A força que mantém o V aberto atua sem contato e segue regras precisas: cresce com a carga de cada bolinha e enfraquece com a distância de um jeito particular. Ao dobro da distância, ela não se reduz à metade, e sim a um quarto; ao triplo, a um nono. É a mesma dependência com a distância que Newton havia encontrado para a gravidade um século antes, e essa coincidência de forma é o fio desta página.

Esta é a página da força entre cargas: a lei de Coulomb, o que cada símbolo quer dizer, como decidir para onde a força aponta, como somar forças quando há três ou quatro cargas, onde uma carga solta fica em paz entre duas outras, como um fio inclinado mede a força e por que a mesma lei que domina o átomo com folga de trinta e nove ordens de grandeza perde para a gravidade quando o assunto é a Lua. No PAS/UnB o tema é da 3.ª etapa e chega quase sempre como conta de tipo B, com as constantes dadas no comando: 2012, 2016, 2020 e 2021 cobraram a força de Coulomb, duas vezes comparada com a gravitação. A página pressupõe a carga elétrica e os processos de eletrização e a soma de vetores. O campo elétrico, que reorganiza esta força em “força por carga”, tem página própria em campo elétrico; a energia dessa interação fica em potencial elétrico; a lei-irmã está em gravitação universal.

Uma força que cai com o quadrado: a lei

Duas cargas pontuais, em repouso, separadas por uma distância dd. Cada uma empurra ou puxa a outra ao longo da reta que as une, e a intensidade dessa força é o que Charles-Augustin de Coulomb mediu em 1785 com uma balança de torção.

Lei de Coulomb

Sejam q1q_1 e q2q_2 duas cargas pontuais no vácuo, a uma distância dd uma da outra. A força elétrica que cada uma exerce sobre a outra tem módulo

F=k0 ∣q1∣ ∣q2∣d2,F = \frac{k_0\,|q_1|\,|q_2|}{d^{2}},

com k0=9×109 N⋅m2/C2k_0 = 9 \times 10^{9}\ \text{N·m}^2/\text{C}^2 (valor mais preciso: 8,99×1098{,}99 \times 10^{9}). A força atua sobre a reta que une as cargas: repulsão entre cargas de mesmo sinal, atração entre cargas de sinais opostos. A fórmula recebe os módulos das cargas; os sinais decidem o sentido, não entram na conta.

símbolo o que é exemplo
FF módulo da força sobre cada carga, em newtons 1,2 N
k0k_0 constante eletrostática do vácuo 9×1099 \times 10^{9} N·m²/C²
∣q1∣\lvert q_1\rvert, ∣q2∣\lvert q_2\rvert módulos das cargas, em coulombs 3×10−63 \times 10^{-6} C e 4×10−64 \times 10^{-6} C
dd distância entre as cargas, em metros 0,30 m (não 30 cm)

Três leituras da fórmula valem mais do que decorá-la.

Inverso do quadrado. A distância aparece elevada ao quadrado no denominador. Dobrou dd, a força cai a um quarto; triplicou, a um nono; dez vezes mais longe, cem vezes mais fraca. A força nunca chega a zero, só enfraquece: em princípio, uma carga em Brasília sente uma carga em Lisboa. A imagem que ajuda é a de uma lanterna: a mesma luz que sai da lâmpada se espalha por uma esfera cada vez maior, e a área da esfera cresce com o quadrado do raio. A força elétrica de uma carga pontual se dilui pelo espaço da mesma maneira.

Uma carga Q fixa à esquerda e três cargas de prova iguais, q, a distâncias d, 2d e 3d. Sobre cada carga de prova, uma seta de força apontando para longe de Q, que encolhe: F, F/4 e F/9. Abaixo, o gráfico da força em função da distância, curva que despenca perto da origem e se achata sem tocar o eixo, com os três pontos marcados.
A lei do inverso do quadrado. A mesma carga de prova, três distâncias: dobrar dd divide a força por 4, triplicar divide por 9. A curva F×dF \times d nunca toca o zero. Diagrama autoral.

Produto das cargas. A força é proporcional a cada carga separadamente. Dobrar uma delas dobra a força; dobrar as duas multiplica por 4. Trocar o sinal de uma delas não muda o módulo em nada: só inverte o sentido, de repulsão para atração.

Par de ação e reação. A força que q1q_1 faz em q2q_2 e a que q2q_2 faz em q1q_1 têm o mesmo módulo e sentidos opostos, ainda que uma das cargas seja um milhão de vezes maior que a outra. É a terceira lei de Newton, a mesma das leis de Newton da 1.ª etapa. O que pode ser diferente é a aceleração de cada corpo, a=F/ma = F/m: um elétron e um próton se atraem com forças iguais, e o elétron, 1 836 vezes mais leve, acelera 1 836 vezes mais.

Exemplo resolvido (a conta básica). Cargas de +3+3 µC e +4+4 µC a 30 cm uma da outra, no vácuo. Sinais iguais: repulsão, decidido antes de qualquer número. Unidades: 3×10−63 \times 10^{-6} C, 4×10−64 \times 10^{-6} C, 0,300{,}30 m. Módulo:

F=9×109×3×10−6×4×10−6(0,30)2=9×109×12×10−120,09=0,1080,09=1,2 N.F = \frac{9 \times 10^{9} \times 3 \times 10^{-6} \times 4 \times 10^{-6}}{(0{,}30)^2} = \frac{9 \times 10^{9} \times 12 \times 10^{-12}}{0{,}09} = \frac{0{,}108}{0{,}09} = 1{,}2\ \text{N}.

Conferência de escala: 109×10−12=10−310^{9} \times 10^{-12} = 10^{-3}, e 9×12=1089 \times 12 = 108, logo o numerador é da ordem de 0,10{,}1 N; dividido por um denominador menor que 1, o resultado sobe para a ordem de 1 N. Faz sentido. Se a carga de +4+4 µC fosse trocada por −4-4 µC, o módulo continuaria 1,2 N, agora de atração. Se a distância dobrasse para 60 cm, a força cairia a 1,2/4=0,31{,}2/4 = 0{,}3 N.

O sinal decide o sentido; a fórmula só recebe módulos

Todo problema de Coulomb tem duas etapas, e a ordem importa. Primeiro, para onde: olhe os sinais. Sinais iguais, cada carga é empurrada para longe da outra; sinais opostos, cada uma é puxada em direção à outra. Desenhe a seta sobre cada carga. Só depois, quanto: substitua os módulos na fórmula.

Três pares de cargas, um por linha. Na primeira, duas cargas positivas com setas de força de mesmo tamanho apontando para fora, uma em cada carga, legenda repulsão. Na segunda, uma positiva e uma negativa com setas de mesmo tamanho apontando uma para a outra, legenda atração. Na terceira, uma carga grande marcada mais 4q e uma pequena marcada menos q, ainda com setas de mesmo tamanho apontando uma para a outra, legenda: forças iguais mesmo com cargas diferentes.
As forças de um par são sempre iguais em módulo e opostas em sentido, sobre a reta que une as cargas. A carga de +4q+4q e a de −q-q trocam a mesma força; o que difere é a aceleração de cada uma, se as massas forem diferentes. Diagrama autoral.

Quem coloca o sinal dentro da fórmula acaba com uma “força negativa” que não significa nada: força é vetor, tem módulo (sempre positivo), direção e sentido. Em alguns livros a lei aparece como F=k q1q2/d2F = k\,q_1 q_2/d^2 com sinal, e o sinal negativo é lido como atração. Funciona para duas cargas, mas atrapalha na hora de somar três: um vetor “negativo” apontando para a esquerda de uma carga é o mesmo que um “positivo” apontando para a direita da outra, e a soma vira uma confusão de sinais. A convenção desta página, que é também a dos itens do PAS (todos pedem o módulo da força), é a mais segura: módulo pela fórmula, sentido pelo desenho.

A carga maior não sofre força maior

“A carga de 4 µC exerce sobre a de 1 µC uma força quatro vezes maior do que a que recebe.” Errado, e é uma armadilha antiga. A fórmula tem o produto ∣q1∣∣q2∣|q_1||q_2|: não existe “força de uma sobre a outra” com módulo diferente da “força da outra sobre a uma”. São o par de ação e reação da terceira lei. Em 2016 a 3.ª etapa gabaritou como certo que “cada um dos planetas do sistema solar exerce sobre o Sol uma força, em módulo, igual à força que o Sol exerce sobre cada um deles”; com cargas, a afirmação equivalente é igualmente certa.

Unidades e ordens de grandeza: o coulomb é enorme

A unidade de carga do SI é o coulomb, e um coulomb é uma quantidade absurda de carga para a eletrostática: são 6,25×10186{,}25 \times 10^{18} elétrons. Duas cargas de 1 C a 1 m de distância se repeliriam com 9×1099 \times 10^{9} N, o peso de novecentas mil toneladas. Nenhum objeto de laboratório guarda um coulomb parado: a carga escaparia pelo ar em faíscas. As cargas reais da eletrostática se medem em submúltiplos:

prefixo valor onde aparece
microcoulomb, µC 10−610^{-6} C esferas de laboratório, problemas escolares
nanocoulomb, nC 10−910^{-9} C bexigas e canetas atritadas (dezenas a centenas de nC)
picocoulomb, pC 10−1210^{-12} C gotas de tinta de impressora, poeira eletrizada

Uma conta de bolso: duas bexigas com 100 nC cada, a 10 cm uma da outra, se repelem com F=9×109×(10−7)2/(0,1)2=9×109×10−14/10−2=9×10−3F = 9 \times 10^{9} \times (10^{-7})^2/(0{,}1)^2 = 9 \times 10^{9} \times 10^{-14}/10^{-2} = 9 \times 10^{-3} N, o peso de um grama. É pouco para levantar uma bexiga, mas o bastante para inclinar o fio dela de forma visível, porque a bexiga pesa poucos gramas. A eletrostática do dia a dia vive nesse regime: forças de milinewtons, cargas de nanocoulombs.

O outro lado da escala é o átomo. A carga elementar é e=1,6×10−19e = 1{,}6 \times 10^{-19} C; no átomo de hidrogênio, elétron e próton estão a cerca de 5,3×10−115{,}3 \times 10^{-11} m, e a força entre eles é

F=9×109×(1,6×10−19)2(5,3×10−11)2=2,3×10−282,8×10−21≈8×10−8 N.F = \frac{9 \times 10^{9} \times (1{,}6 \times 10^{-19})^2}{(5{,}3 \times 10^{-11})^2} = \frac{2{,}3 \times 10^{-28}}{2{,}8 \times 10^{-21}} \approx 8 \times 10^{-8}\ \text{N}.

Oito centésimos de micronewton parecem nada, mas agem sobre um elétron de 9,1×10−319{,}1 \times 10^{-31} kg: a aceleração é F/m≈9×1022F/m \approx 9 \times 10^{22} m/s². É essa força que mantém a matéria coesa; toda a química é lei de Coulomb em ação.

Converta antes de elevar ao quadrado

Quem lança d=20d = 20 cm na fórmula sem converter eleva 20 ao quadrado e obtém 400 no lugar de 0,040{,}04: o denominador fica dez mil vezes maior do que deveria, e a força, dez mil vezes menor. E (2 μC)2(2\ \mu\text{C})^2 não é 4×10−64 \times 10^{-6}: é 4×10−124 \times 10^{-12} C², porque o expoente também dobra. Converta tudo para o SI (coulomb, metro) antes de substituir. O quadrado amplifica qualquer deslize de unidade: um centímetro esquecido vira erro de 10410^{4}.

Dobrou, triplicou, trocou: as proporções e o gráfico

A banca raramente pede a força em newtons. Pede o que acontece com ela quando algo muda, e para isso não é preciso conhecer k0k_0 nem as cargas: basta a forma da lei.

mudança fator na força
distância dobrada (d→2dd \to 2d) ×14\times \frac{1}{4}
distância triplicada (d→3dd \to 3d) ×19\times \frac{1}{9}
distância reduzida à metade (d→d/2d \to d/2) ×4\times 4
uma carga dobrada ×2\times 2
as duas cargas dobradas ×4\times 4
as duas cargas dobradas e a distância dobrada ×1\times 1 (não muda)
uma carga trocada de sinal ×1\times 1 no módulo; sentido invertido
as duas cargas divididas por 100 e a distância dividida por 100 ×1\times 1 (numerador ÷104\div 10^{4}, denominador ÷104\div 10^{4})
uma só carga dividida por 100 e a distância dividida por 100 ×100\times 100 (numerador ÷102\div 10^{2}, denominador ÷104\div 10^{4})

A última linha merece a conta explícita, porque a PUC-Rio a cobrou em 2019 e a resposta surpreende quem vai no reflexo. Com as duas cargas divididas por 100 e a distância dividida por 100, o numerador cai por 10410^{4} e o denominador d2d^2 também cai por 10410^{4}: a força não muda. Com uma só carga dividida por 100 e a distância dividida por 100, o numerador cai por 10210^{2} e o denominador por 10410^{4}: a força fica 100 vezes maior. O erro comum é tratar o dd como se entrasse na primeira potência.

Exemplo resolvido (razão sem números). Duas cargas separadas por dd trocam uma força FF. Uma delas é triplicada e a distância passa a 2d2d. Nova força: F′=k (3q1) q2/(2d)2=34 k q1q2/d2=0,75 FF' = k\,(3q_1)\,q_2/(2d)^2 = \frac{3}{4}\,k\,q_1 q_2/d^2 = 0{,}75\,F. Conferência: o numerador cresceu 3 vezes, o denominador 4 vezes; o saldo é uma força um pouco menor que a original. Se a pergunta fosse “e a distância fosse d/2d/2?”, o denominador cairia a um quarto e a força iria a 3×4=12 F3 \times 4 = 12\,F.

O gráfico de FF contra dd é uma hipérbole quadrática: despenca perto da origem, achata longe dela, nunca toca o eixo horizontal. O jeito de ler: escolha um ponto cotado e use Fd2=constanteF d^2 = \text{constante}. Se o gráfico mostra F=36×10−5F = 36 \times 10^{-5} N em d=1d = 1 m, então em d=2d = 2 m a força é 36/4=936/4 = 9, em 3 m é 36/9=436/9 = 4 e em 4 m é 36/16=2,2536/16 = 2{,}25, tudo em 10−510^{-5} N. Foi exatamente esse gráfico que a UERJ imprimiu em 2022, pedindo a força a 6 mm: F=36×10−5/(6×10−3)2=36×10−5/(36×10−6)=10F = 36 \times 10^{-5}/(6 \times 10^{-3})^2 = 36 \times 10^{-5}/(36 \times 10^{-6}) = 10 N. Note a leitura por trás: Fd2=36×10−5F d^2 = 36 \times 10^{-5} N·m² é o mesmo em qualquer ponto da curva.

Dois gráficos lado a lado. À esquerda, F em unidades de dez elevado a menos cinco newton contra d em metros: curva decrescente com os pontos (1; 36), (2; 9), (3; 4) e (4; 2,25) marcados e as linhas tracejadas até os eixos. À direita, a mesma força contra 1 sobre d ao quadrado: os quatro pontos ficam alinhados sobre uma reta que passa pela origem, com a legenda inclinação igual a k vezes q1 vezes q2.
A mesma lei em dois gráficos. Contra dd, uma hipérbole quadrática em que Fd2F d^2 é constante (aqui 36×10−536 \times 10^{-5} N·m²). Contra 1/d21/d^2, uma reta pela origem cuja inclinação é k∣q1∣∣q2∣k|q_1||q_2|: é assim que um experimento confirma o expoente 2. Diagrama autoral.

Quando o gráfico é dado sem escala, como no item da UEA de 2018, a leitura é por razões: se F2F_2 corresponde a d=a/2d = a/2 e F1F_1 a d=3ad = 3a, então F2/F1=(3a)2/(a/2)2=9a2/(a2/4)=36F_2/F_1 = (3a)^2/(a/2)^2 = 9a^2/(a^2/4) = 36. A força a um sexto da distância é 36 vezes maior.

Há uma segunda forma de traçar, que os físicos preferem: FF contra 1/d21/d^2. A hipérbole vira uma reta pela origem, e a inclinação da reta é k∣q1∣∣q2∣k|q_1||q_2|. Se os pontos experimentais caem numa reta nesse gráfico, o expoente da distância é 2; se o expoente fosse 1,9 ou 2,1, a reta encurvaria. É a maneira moderna de fazer o que Coulomb fez com sua balança.

O meio importa: a constante dielétrica

O valor k0=9×109k_0 = 9 \times 10^{9} N·m²/C² vale para o vácuo, e serve para o ar, cuja diferença é de menos de 0,1%. Dentro de um material isolante a história muda. As moléculas do meio se polarizam ao redor de cada carga (os lados negativos das moléculas se voltam para a carga positiva, e vice-versa), e essa nuvem de cargas induzidas blinda parcialmente a interação. O efeito é resumido por um número sem unidade, a constante dielétrica do meio, KK (também escrita εr\varepsilon_r):

F=k0 ∣q1∣ ∣q2∣K d2,k=k0K.F = \frac{k_0\,|q_1|\,|q_2|}{K\,d^2}, \qquad k = \frac{k_0}{K}.

meio constante dielétrica KK (aprox.)
vácuo 1
ar 1,0006
papel 3
vidro 5 a 10
água 80

A água é o caso que importa. Dois íons que no vácuo se atrairiam com força FF se atraem na água com F/80F/80: é por isso que o sal se dissolve, com o Na⁺ e o Cl⁻ soltando-se um do outro e cada um sendo cercado por moléculas de água. A química em solução aquosa é eletrostática enfraquecida oitenta vezes.

A constante k0k_0 costuma aparecer nos livros escrita de outro jeito, k0=1/(4πε0)k_0 = 1/(4\pi\varepsilon_0), em que ε0=8,85×10−12\varepsilon_0 = 8{,}85 \times 10^{-12} C²/(N·m²) é a permissividade do vácuo. É a mesma constante, só reorganizada para deixar as fórmulas do campo e do capacitor mais limpas; no PAS a constante é fornecida diretamente, como 9×1099 \times 10^{9}, e é assim que ela deve ser usada. A permissividade de um meio é ε=Kε0\varepsilon = K\varepsilon_0: dizer que a água tem K=80K = 80 ou que tem permissividade 80 vezes a do vácuo é a mesma frase.

Papel picado, poeira e a tela do celular

A caneta atritada atrai papel picado neutro porque polariza o papel: o lado do papel mais próximo da caneta fica com carga oposta, o lado distante com carga igual, e o lado próximo, por estar mais perto, ganha na lei do inverso do quadrado. A mesma polarização faz a poeira grudar na tela do celular e na TV: a tela eletrizada polariza cada grão e o atrai. O processo de polarização em si é assunto de carga elétrica e eletrização; o que a lei de Coulomb acrescenta é o motivo de a atração vencer a repulsão: as cargas induzidas de sinal oposto estão mais perto, e 1/d21/d^2 favorece quem está perto.

Mais de duas cargas: superposição é soma de vetores

A lei de Coulomb fala de duas cargas. Com três ou mais, vale o princípio da superposição: a força sobre uma carga é a soma vetorial das forças que cada uma das outras faria sozinha, como se as demais não existissem. Cada par se comporta como se estivesse só; o que muda é que, no fim, é preciso somar setas, não números.

Princípio da superposição

Sobre uma carga qq na presença de cargas q1,q2,…,qnq_1, q_2, \dots, q_n:

F⃗=F⃗1+F⃗2+⋯+F⃗n,\vec F = \vec F_1 + \vec F_2 + \dots + \vec F_n,

em que cada F⃗i\vec F_i tem módulo k∣q∣∣qi∣/di2k|q||q_i|/d_i^2 e o sentido dado pelos sinais de qq e qiq_i. A soma é de vetores: cargas alinhadas somam-se com sinal ao longo da reta; cargas fora da reta exigem componentes ou a regra do paralelogramo.

Em linha. Três cargas sobre uma reta: cada força é para a esquerda ou para a direita, e a soma vira uma soma algébrica com um sentido escolhido como positivo. Exemplo resolvido. A=+4A = +4 µC em x=0x = 0, B=−1B = -1 µC em x=0,30x = 0{,}30 m e C=+1C = +1 µC em x=0,60x = 0{,}60 m. Força sobre BB. De AA: sinais opostos, atração, BB é puxado para a esquerda; módulo 9×109×4×10−6×10−6/0,09=0,036/0,09=0,409 \times 10^{9} \times 4 \times 10^{-6} \times 10^{-6}/0{,}09 = 0{,}036/0{,}09 = 0{,}40 N. De CC: sinais opostos, atração, BB é puxado para a direita; módulo 9×109×10−6×10−6/0,09=0,009/0,09=0,109 \times 10^{9} \times 10^{-6} \times 10^{-6}/0{,}09 = 0{,}009/0{,}09 = 0{,}10 N. Resultante: 0,40−0,10=0,300{,}40 - 0{,}10 = 0{,}30 N, para a esquerda, em direção a AA. Conferência: a carga AA é quatro vezes maior que CC e está à mesma distância, logo sua força é quatro vezes maior; o saldo tinha de apontar para AA.

Em ângulo reto. Duas forças perpendiculares somam-se por Pitágoras: FR=F12+F22F_R = \sqrt{F_1^2 + F_2^2}. Se forem iguais, FR=F2F_R = F\sqrt{2}, na diagonal. É o caso da carga no vértice de um quadrado, sob a ação de duas vizinhas: F2F\sqrt{2} ao longo da diagonal. A carga do vértice oposto, a a2a\sqrt{2} de distância, contribui com F/2F/2 na mesma diagonal, e a resultante sobre um vértice de um quadrado de quatro cargas iguais é F(2+12)≈1,91 FF(\sqrt{2} + \tfrac{1}{2}) \approx 1{,}91\,F, apontando para fora do quadrado.

Em triângulo equilátero. Três cargas iguais +q+q nos vértices de um triângulo de lado aa. Sobre um vértice agem duas forças de mesmo módulo F=kq2/a2F = kq^2/a^2, cada uma apontando para longe de um dos outros vértices; o ângulo entre elas é 60°60°. A resultante está na bissetriz (a reta que sai do vértice pelo centro do triângulo) e vale

FR=2Fcos⁡30°=2F×32=F3.F_R = 2F\cos 30° = 2F \times \frac{\sqrt{3}}{2} = F\sqrt{3}.

Com q=2q = 2 µC e a=20a = 20 cm: F=9×109×4×10−12/0,04=0,036/0,04=0,90F = 9 \times 10^{9} \times 4 \times 10^{-12}/0{,}04 = 0{,}036/0{,}04 = 0{,}90 N, e FR=0,90×1,73≈1,56F_R = 0{,}90 \times 1{,}73 \approx 1{,}56 N, para fora do triângulo. A banca dá 2≈1,4\sqrt{2} \approx 1{,}4 e 3≈1,7\sqrt{3} \approx 1{,}7 no comando quando precisa deles.

À esquerda, três cargas positivas iguais nos vértices de um triângulo equilátero de lado a. No vértice superior, duas setas de força de mesmo tamanho, cada uma na direção que se afasta de um dos vértices da base, formando 60 graus entre si, e a resultante, maior, apontando para cima na vertical, rotulada F raiz de 3. À direita, a mesma construção com uma carga negativa no centro de um triângulo de três positivas: as três forças sobre a carga central apontam para os vértices e têm o mesmo módulo, e a soma é zero.
Superposição em triângulo. Sobre um vértice, duas forças iguais a 60°60° dão resultante F3F\sqrt{3} na bissetriz. Uma carga no centro de três cargas iguais está em equilíbrio: as três forças se cancelam por simetria. Diagrama autoral.

Simetria antes da conta. Uma carga no centro de um triângulo equilátero de cargas iguais sofre três forças de mesmo módulo a 120°120° umas das outras: a resultante é zero, sem conta. Uma carga no centro de um quadrado de cargas iguais, idem. Sempre que uma configuração tem simetria, pergunte primeiro o que a simetria cancela; a FUVEST de 2018 pôs uma carga negativa dentro de um triângulo de três positivas, mas fora do centro, e a simetria só cancelava as componentes horizontais das duas cargas da base: a resposta (0,3 N para cima) vinha da diferença entre a atração da carga do topo, mais perto, e as componentes verticais das duas da base, mais longe.

Onde uma terceira carga fica em paz: o equilíbrio

Fixe duas cargas q1q_1 e q2q_2 sobre uma reta. Existe um ponto dessa reta em que uma terceira carga, qualquer que seja o seu valor ou sinal, não sente força resultante? Existe, e a posição dele não depende da terceira carga: basta que as duas forças sobre ela tenham módulos iguais e sentidos opostos.

Cargas de mesmo sinal. O ponto fica entre elas: ali as duas repulsões (ou as duas atrações, se a terceira carga tiver sinal oposto) apontam em sentidos contrários. E fica mais perto da carga menor, porque a carga menor precisa de uma distância menor para produzir a mesma força.

Exemplo resolvido. q1=+4qq_1 = +4q em x=0x = 0 e q2=+qq_2 = +q em x=dx = d. Ponto PP a uma distância xx de q1q_1, entre as duas:

k⋅4q⋅q3x2=k⋅q⋅q3(d−x)2  ⇒  4x2=1(d−x)2  ⇒  2x=1d−x  ⇒  x=2d3.\frac{k \cdot 4q \cdot q_3}{x^2} = \frac{k \cdot q \cdot q_3}{(d - x)^2} \;\Rightarrow\; \frac{4}{x^2} = \frac{1}{(d-x)^2} \;\Rightarrow\; \frac{2}{x} = \frac{1}{d - x} \;\Rightarrow\; x = \frac{2d}{3}.

O ponto está a 2d/32d/3 de q1q_1 e a d/3d/3 de q2q_2: duas vezes mais perto da carga quatro vezes menor, porque 22=42^2 = 4. Conferência: a razão das distâncias é a raiz quadrada da razão das cargas. A terceira carga q3q_3 cancelou na equação: o ponto é o mesmo para qualquer q3q_3.

Cargas de sinais opostos. Entre elas não há equilíbrio: uma atrai e a outra repele a terceira carga no mesmo sentido. O ponto fica fora do segmento, do lado da carga de menor módulo, onde a proximidade da menor compensa o tamanho da maior. Com q1=+4qq_1 = +4q em x=0x = 0 e q2=−qq_2 = -q em x=dx = d: além de q2q_2, a uma distância xx de q1q_1, 4/x2=1/(x−d)24/x^2 = 1/(x - d)^2 dá 2(x−d)=x2(x - d) = x, logo x=2dx = 2d: o ponto está a dd além da carga menor. Foi esse o item do Cederj de 2025: com a terceira carga a 2d2d de q1q_1 e a dd de q2q_2, do lado de fora, o equilíbrio exige ∣q1∣=4∣q2∣|q_1| = 4|q_2| e sinais opostos, q1=−4q2q_1 = -4q_2.

Duas configurações sobre retas horizontais. Na de cima, cargas mais 4q à esquerda e mais q à direita, separadas por d; um ponto P marcado a dois terços de d a partir da carga maior, com duas setas de força iguais e opostas sobre uma carga de prova ali. Na de baixo, cargas mais 4q e menos q; o ponto P fica à direita da carga negativa, a uma distância d dela, também com duas setas iguais e opostas.
Onde uma terceira carga fica em equilíbrio. Mesmo sinal: entre as duas, mais perto da menor (x=2d/3x = 2d/3 da carga 4q4q). Sinais opostos: fora do segmento, do lado da menor (x=2dx = 2d da carga 4q4q). A posição não depende da terceira carga. Diagrama autoral.

As três em equilíbrio. Uma pergunta mais exigente: qual deve ser q3q_3 para que as três cargas fiquem em equilíbrio, e não só ela? Para as duas cargas fixas de mesmo sinal ficarem paradas, q3q_3 tem de atraí-las com força igual à repulsão mútua: precisa ter sinal oposto ao delas. No caso simétrico, duas cargas +Q+Q separadas por dd e q3q_3 no ponto médio: sobre uma das cargas QQ, a repulsão da outra é kQ2/d2kQ^2/d^2 e a atração de q3q_3, a d/2d/2, é kQ∣q3∣/(d/2)2=4kQ∣q3∣/d2kQ|q_3|/(d/2)^2 = 4kQ|q_3|/d^2. Igualando, ∣q3∣=Q/4|q_3| = Q/4, negativa: q3=−Q/4q_3 = -Q/4. No caso +4q+4q e +q+q, com q3q_3 a 2d/32d/3 da primeira, a mesma conta dá q3=−4q/9q_3 = -4q/9. Esse equilíbrio, aliás, é instável: um empurrão mínimo e o arranjo se desfaz; não existe configuração de cargas em repouso que fique em equilíbrio estável só com forças elétricas (teorema de Earnshaw). É um dos motivos de o átomo clássico não funcionar.

O pêndulo eletrostático: a tangente resolve

Volte às bexigas do começo. Uma carga suspensa por um fio, na presença de outra carga fixa, para inclinada: é o pêndulo eletrostático, e ele é uma balança de força. Sobre a esfera pendurada agem três forças: o peso PP, vertical para baixo; a tração TT do fio, ao longo do fio; e a força elétrica FF, horizontal, apontando para a carga fixa (atração) ou para longe dela (repulsão). Em equilíbrio, a soma é zero.

Equilíbrio de uma carga suspensa

Com o fio a um ângulo θ\theta com a vertical e a força elétrica horizontal:

Tcos⁡θ=P,Tsin⁡θ=F  ⇒  F=P tan⁡θ=mgtan⁡θ.T\cos\theta = P, \qquad T\sin\theta = F \;\Rightarrow\; F = P\,\tan\theta = mg\tan\theta.

Quanto maior a inclinação, maior a força elétrica em relação ao peso: a 45°45° elas são iguais; a 30°30°, F=0,58 PF = 0{,}58\,P; a 60°60°, F=1,73 PF = 1{,}73\,P.

Uma esfera carregada pendurada por um fio inclinado de um ângulo teta com a vertical, presa a um teto. Uma segunda carga fixa à esquerda, sobre a horizontal da esfera. Sobre a esfera, três setas: peso para baixo, tração ao longo do fio para cima e para a direita, e força elétrica horizontal para a direita, afastando-se da carga fixa. Ao lado, o triângulo de forças fechado, com o ângulo teta entre a tração e o peso e a relação F igual a P vezes tangente de teta.
O pêndulo eletrostático. Três forças que se fecham em um triângulo: a tração é a hipotenusa, o peso é o cateto vertical e a força elétrica é o cateto horizontal, logo F=Ptan⁡θF = P\tan\theta. Medir θ\theta e a massa é medir a força elétrica. Diagrama autoral.

Exemplo resolvido. Uma esfera de 2,0 g, carregada, pende de um fio e para a 45°45° da vertical quando uma carga igual à dela é fixada a 10 cm, na mesma horizontal. Use g=10g = 10 m/s². Peso: P=2×10−3×10=0,020P = 2 \times 10^{-3} \times 10 = 0{,}020 N. A 45°45°, tan⁡θ=1\tan\theta = 1, logo F=0,020F = 0{,}020 N. Da lei de Coulomb, com cargas iguais qq a d=0,10d = 0{,}10 m:

9×109 q20,01=0,020  ⇒  q2=2×10−49×109=2,2×10−14  ⇒  q≈1,5×10−7 C=150 nC.\frac{9 \times 10^{9}\,q^2}{0{,}01} = 0{,}020 \;\Rightarrow\; q^2 = \frac{2 \times 10^{-4}}{9 \times 10^{9}} = 2{,}2 \times 10^{-14} \;\Rightarrow\; q \approx 1{,}5 \times 10^{-7}\ \text{C} = 150\ \text{nC}.

Conferência: 150 nC é a ordem de grandeza de uma bexiga bem atritada, e a força de 20 mN é coerente com o peso de 2 g a 45°. A tração do fio é T=P/cos⁡45°=0,020/0,71=0,028T = P/\cos 45° = 0{,}020/0{,}71 = 0{,}028 N, maior que o peso, como deve ser: o fio segura o peso e ainda equilibra a força elétrica.

Duas esferas iguais no mesmo prego. Cada uma a um ângulo θ\theta com a vertical, fios de comprimento LL: a separação é d=2Lsin⁡θd = 2L\sin\theta e, por simetria, cada uma está sujeita a F=Ptan⁡θF = P\tan\theta da outra. Para ângulos pequenos, tan⁡θ≈sin⁡θ≈θ\tan\theta \approx \sin\theta \approx \theta, e a equação kq2/(2Lθ)2=mgθkq^2/(2L\theta)^2 = mg\theta dá θ3=kq2/(4L2mg)\theta^3 = kq^2/(4L^2 mg): a inclinação cresce com a carga elevada a 2/32/3. Dobrar a carga não dobra o ângulo; multiplica-o por 22/3≈1,62^{2/3} \approx 1{,}6.

Tangente, não seno

A relação é F=Ptan⁡θF = P\tan\theta, não Psin⁡θP\sin\theta. A confusão vem de decompor a tração e esquecer que a tração não é conhecida: quem escreve F=Tsin⁡θF = T\sin\theta está certo, mas precisa de T=P/cos⁡θT = P/\cos\theta para fechar, e o resultado é a tangente. Em 2015 a 3.ª etapa pôs uma partícula de 1 000 g suspensa por um fio num campo elétrico uniforme (itens 103 a 105, matéria de campo, não desta página): a figura, numa malha em centímetros, mostrava o fio a 45°45° da vertical; o item que afirmava 30°30° foi gabaritado errado, e o que dava à força elétrica o módulo 9,89{,}8 N, certo, porque F=Ptan⁡45°=PF = P\tan 45° = P. Quem escrevesse F=Psin⁡θF = P\sin\theta acharia 6,96{,}9 N e erraria o item.

Coulomb encontra Newton: mesma forma, mundos diferentes

Ponha as duas leis lado a lado:

Fe=k ∣q1∣ ∣q2∣d2,Fg=G m1 m2d2.F_e = \frac{k\,|q_1|\,|q_2|}{d^2}, \qquad F_g = \frac{G\,m_1\,m_2}{d^2}.

Mesma estrutura: produto de duas “quantidades de fonte” sobre o quadrado da distância, com uma constante universal na frente. As diferenças estão nos detalhes, e são elas que explicam o mundo.

força elétrica força gravitacional
fonte carga elétrica © massa (kg)
constante k0=9×109k_0 = 9 \times 10^{9} N·m²/C² G=6,7×10−11G = 6{,}7 \times 10^{-11} N·m²/kg²
sentido atrai ou repele, conforme os sinais só atrai
depende do meio sim (constante dielétrica) não
pode ser blindada sim (gaiola de Faraday) não
domina em átomos, moléculas, matéria comum planetas, estrelas, galáxias

A razão no átomo. Entre o elétron e o próton do hidrogênio, a distância se cancela na razão e sobra

FeFg=k e2G me mp=9×109×(1,6×10−19)26,7×10−11×9,1×10−31×1,7×10−27=2,3×10−281,0×10−67≈2×1039.\frac{F_e}{F_g} = \frac{k\,e^2}{G\,m_e\,m_p} = \frac{9 \times 10^{9} \times (1{,}6 \times 10^{-19})^2}{6{,}7 \times 10^{-11} \times 9{,}1 \times 10^{-31} \times 1{,}7 \times 10^{-27}} = \frac{2{,}3 \times 10^{-28}}{1{,}0 \times 10^{-67}} \approx 2 \times 10^{39}.

Dois mil trilhões de trilhões de trilhões: a gravidade é irrelevante dentro do átomo, e nenhum item de eletrostática precisa pedir licença para desprezar o peso de um elétron. Entre dois elétrons, a massa menor no denominador faz a razão subir ainda mais: ke2/(Gme2)≈4×1042k e^2/(G m_e^2) \approx 4 \times 10^{42}. Foi esse o item de tipo B de 2012, que pediu “a ordem de grandeza, em potência de 10” dessa razão e aceitou 42 ou 43 como resposta, porque 4×10424 \times 10^{42} fica entre 104210^{42} e 104310^{43} e a regra de arredondamento de ordem de grandeza (o limite é 10≈3,16\sqrt{10} \approx 3{,}16) puxa para 43. Em 2021 a banca simplificou ao máximo: duas cargas de 1 C com 1 kg cada, e a razão é só k/G=9,0×109/6,7×10−11=1,34×1020k/G = 9{,}0 \times 10^{9}/6{,}7 \times 10^{-11} = 1{,}34 \times 10^{20}; dividida por 101810^{18}, como o comando pedia, 134.

Então por que a gravidade governa o céu? Porque a matéria é neutra. Cada próton tem um elétron por perto, as atrações e repulsões elétricas se cancelam quase perfeitamente em qualquer corpo grande, e sobra a gravidade, que só atrai e se acumula com a massa. A Terra e a Lua trocam 2×10202 \times 10^{20} N de atração gravitacional; para a força elétrica igualar isso, bastaria que cada uma tivesse um excesso de carga da ordem de 6×10136 \times 10^{13} C, o que parece muito, mas é cerca de uma parte em 101910^{19} da carga positiva total contida na Terra. A neutralidade da matéria é mantida com essa precisão. A força elétrica é a mais forte das duas por um fator gigantesco e, justamente por isso, se anula: qualquer excesso de carga é rapidamente neutralizado pela própria força que ele cria.

Coulomb como força centrípeta. A força elétrica pode fazer o que a gravitação faz com os planetas: manter uma carga em órbita circular em torno de outra. É o modelo planetário do átomo, e foi o cenário da 3.ª etapa de 2016: uma carga q1q_1 parada e uma carga q2q_2, de massa m2m_2, girando em torno dela com velocidade vv e raio rr, sem gravitação. Para haver movimento circular, é preciso uma força apontando para o centro: a força elétrica tem de ser atrativa, logo as cargas têm sinais opostos (item 107, certo). E a velocidade sai de igualar a força elétrica à resultante centrípeta:

m2v2r=k ∣q1∣ ∣q2∣r2  ⇒  v=k ∣q1∣ ∣q2∣m2 r.\frac{m_2 v^2}{r} = \frac{k\,|q_1|\,|q_2|}{r^2} \;\Rightarrow\; v = \sqrt{\frac{k\,|q_1|\,|q_2|}{m_2\,r}}.

O item 108 propôs ∣v⃗∣=1m2kq1/r|\vec v| = \frac{1}{m_2}\sqrt{k q_1/r}: esqueceu q2q_2, deixou m2m_2 fora da raiz e nem as unidades fecham, errado. Compare com a órbita gravitacional, v=GM/rv = \sqrt{GM/r}: lá a massa do satélite cancela, porque ela é a fonte da força e a inércia ao mesmo tempo; aqui a carga é a fonte e a massa é a inércia, e por isso m2m_2 fica.

Uma balança de torção em 1785: como se mediu

A ideia de que a força elétrica cai com o quadrado da distância circulava antes de Coulomb. Em 1767, Joseph Priestley, químico inglês amigo de Franklin, publicou a observação de que dentro de um recipiente metálico eletrizado não há força sobre uma carga: Newton havia demonstrado que dentro de uma casca de matéria não há gravidade, e isso só acontece se a lei for exatamente do inverso do quadrado; Priestley concluiu que a eletricidade devia seguir a mesma lei. Por volta de 1772, Henry Cavendish fez a medida de forma indireta e engenhosa, com esferas condutoras concêntricas, e concluiu que o expoente era 2 com erro menor que 2%; não publicou, e seus cadernos só foram editados por Maxwell em 1879.

Charles-Augustin de Coulomb, engenheiro militar francês, atacou o problema de frente. Em 1784 ele havia estudado a torção de fios metálicos e mostrado que o torque necessário para torcer um fio é proporcional ao ângulo de torção: um fio fino de prata é uma mola de rotação extremamente sensível. Em 1785 apresentou à Academia de Ciências a balança de torção: uma agulha horizontal isolante suspensa por um fio de prata, com uma pequena esfera de medula de sabugueiro (um material leve) numa ponta; uma segunda esfera igual, fixa, era eletrizada e tocada na primeira, dividindo a carga entre as duas; a repulsão girava a agulha, e Coulomb torcia o topo do fio até trazer as esferas de volta a uma distância escolhida. O ângulo total de torção media a força.

Esquema da balança de torção de Coulomb: um cilindro de vidro; no alto, um botão graduado de onde desce um fio fino de prata; na ponta do fio, uma agulha horizontal com uma esfera pequena numa extremidade e um contrapeso na outra; uma segunda esfera fixa entra pela tampa, ao lado da primeira; uma escala de graus na parede do cilindro. Ao lado, uma tabela com três linhas: separação 36, 18 e 8,5 unidades; torção 36, 144 e 575,5 graus; força relativa 1, 4 e 16.
A balança de torção de Coulomb (1785). O fio de prata é uma mola de rotação: o ângulo de torção mede a força. Nas medidas publicadas, reduzir a separação à metade quadruplicou a torção, e reduzi-la a um quarto a multiplicou por 16. Diagrama autoral.
Três medidas que bastaram

No primeiro memorial de 1785, Coulomb publicou três pontos: com as esferas separadas de 36 unidades da escala, a torção era de 36°36°; a 18 unidades, 144°144°; a 8,5 unidades, 575,5°575{,}5°. Metade da distância, quatro vezes a torção; um quarto da distância (aproximadamente), dezesseis vezes. Foi o bastante para enunciar que a repulsão é “na razão inversa do quadrado das distâncias”. Para a atração, em que a agulha tende a colar na esfera fixa, ele usou um segundo método: fez a agulha oscilar e mediu o período, que depende da força como o de um pêndulo. A unidade de carga do SI, o coulomb, recebeu o nome dele em 1881.

Coulomb também mostrou, no mesmo memorial e nos seguintes, que a força é proporcional ao produto das cargas, tocando a esfera carregada numa esfera igual e neutra para dividir a carga pela metade: a força caía à metade. E mediu a força magnética entre polos de ímãs com o mesmo instrumento, encontrando de novo o inverso do quadrado. Treze anos depois, em 1798, Cavendish usaria uma balança de torção de grandes dimensões para medir GG, “pesando a Terra”, com um fio de torção sustentando duas esferas de chumbo. As duas constantes que abrem esta seção foram medidas com o mesmo tipo de instrumento.

Como a banca pergunta

A força de Coulomb rendeu cinco itens em quatro provas da 3.ª etapa (2012, 2016, 2020 e 2021), sempre em blocos de Física com as constantes escritas no comando. Em 2025, primeira prova da matriz vigente, a eletrostática inteira ficou de fora. Os padrões:

  1. A conta direta, de tipo B. Duas cargas, uma distância, a constante 9×1099 \times 10^{9} dada: 2020/104, cargas de 2×10−42 \times 10^{-4} C e 10−410^{-4} C a 1 m, F=9×109×2×10−8=180F = 9 \times 10^{9} \times 2 \times 10^{-8} = 180 N, marcação 180. A lição estava no comando: “exercida apenas pela carga qaq_a sobre a carga qq”. A figura mostrava três cargas, e quem somou as contribuições respondeu a outra pergunta.
  2. A razão com a gravitação, também tipo B. 2012/49 (dois elétrons, ordem de grandeza da razão, 42 ou 43) e 2021/91 (duas cargas de 1 C e 1 kg, razão dividida por 101810^{18}, 134). A distância cancela; a conta é só com as constantes e com as cargas e massas dadas. O comando manda descartar a parte fracionária: 134,3 vira 134.
  3. Coulomb como centrípeta, itens de julgamento. 2016/107 (sinais opostos para haver órbita, certo) e 2016/108 (fórmula da velocidade com erros plantados, errado). Iguale a força elétrica a mv2/rmv^2/r e confira a fórmula proposta pelas unidades.
  4. A vizinhança. Em 2015 (itens 103 a 105) a força elétrica apareceu num pêndulo sob campo uniforme, com o fio a 45°45° e F=Ptan⁡45°=P=9,8F = P\tan 45° = P = 9{,}8 N; em 2022 (item 88) como F=qEF = qE sobre um elétron, tipo B com resposta 008. São itens de campo elétrico, mas o triângulo de forças e o cuidado com as potências de dez são os desta página.

O que a banca fornece: a constante eletrostática, sempre; a carga e a massa do elétron, quando entram; 2\sqrt{2} e 3\sqrt{3}, quando há triângulo. O que ela não perdoa: centímetro no lugar de metro, sinal dentro da fórmula, e a parte fracionária que não foi descartada na marcação.

Os erros que a prova planta

  1. Esquecer o quadrado. Ao dobro da distância a força fica quatro vezes menor, e não duas; ao triplo, nove vezes menor. É o erro mais cobrado, em todas as bancas.
  2. Centímetro dentro do d2d^2. O quadrado de 30 cm sem conversão é 900, e o de 0,30 m é 0,09: a diferença é um fator 10410^{4} na força. Converta antes de elevar.
  3. Sinal na fórmula do módulo. A fórmula recebe ∣q1∣|q_1| e ∣q2∣|q_2|. O sinal decide atração ou repulsão no desenho; uma “força negativa” não existe.
  4. Somar módulos sem vetor. Com três cargas, as forças se somam como setas: em linha, com sentido; em ângulo, por componentes. Duas forças de 3 N e 4 N perpendiculares dão 5 N, não 7 N.
  5. A carga maior “sofre” mais força. Não: as duas forças do par são iguais (terceira lei). O que difere é a aceleração, se as massas diferem.
  6. Confundir kk com GG. 9×1099 \times 10^{9} é elétrico; 6,7×10−116{,}7 \times 10^{-11} é gravitacional. Vinte ordens de grandeza separam as duas, e é essa diferença que os itens de razão exploram.
  7. (2×10−6)2=4×10−6(2 \times 10^{-6})^2 = 4 \times 10^{-6}. O expoente também dobra: 4×10−124 \times 10^{-12}. Microcoulomb ao quadrado é picocoulomb ao quadrado vezes um milhão, não microcoulomb.
  8. Equilíbrio da terceira carga do lado errado. Mesmo sinal: entre as duas, perto da menor. Sinais opostos: fora, do lado da menor. Nunca perto da maior.
  9. Seno no lugar da tangente. No pêndulo eletrostático, F=Ptan⁡θF = P\tan\theta. Quem usa o seno esquece que a tração é maior que o peso.
  10. Achar que a força chega a zero longe. Ela tende a zero, mas nunca é zero; só pode ser cancelada por outra força elétrica.
  11. Ignorar o comando. “Apenas pela carga qaq_a”, “divida por 101810^{18}”, “despreze a parte fracionária”: cada frase do tipo B é uma instrução. 180, não 360; 134, não 134,3.
  12. Aplicar a fórmula a corpos grandes e próximos. A lei é para cargas pontuais (ou esferas com carga distribuída uniformemente, medindo dd entre os centros). Duas esferas condutoras grandes e muito próximas redistribuem suas cargas por indução e a fórmula deixa de valer com dd entre centros.

O essencial em meia página

  • Lei: F=k0∣q1∣∣q2∣/d2F = k_0|q_1||q_2|/d^2, k0=9×109k_0 = 9 \times 10^{9} N·m²/C² (=1/4πε0= 1/4\pi\varepsilon_0), dd em metros, cargas em coulombs. Sobre a reta que une as cargas: iguais repelem, opostas atraem. Módulos na fórmula, sinal no desenho.
  • Par: forças iguais e opostas sobre as duas cargas, sempre; acelerações diferentes se as massas diferem.
  • Proporções: d→2dd \to 2d: F/4F/4; d→3dd \to 3d: F/9F/9; d→d/2d \to d/2: 4F4F; duas cargas dobradas: 4F4F; tudo dobrado: FF. Gráfico F×dF \times d: hipérbole quadrática, Fd2Fd^2 constante; F×1/d2F \times 1/d^2: reta pela origem.
  • Unidades: 1 C =6,25×1018 e= 6{,}25 \times 10^{18}\,e, carga enorme (duas de 1 C a 1 m: 9×1099 \times 10^{9} N). Laboratório: µC; bexiga: nC; gota de tinta: pC. Elétron–próton no hidrogênio: 8×10−88 \times 10^{-8} N.
  • Meio: F=k0∣q1∣∣q2∣/(Kd2)F = k_0|q_1||q_2|/(K d^2); água K≈80K \approx 80, ar ≈1\approx 1.
  • Superposição: soma vetorial. Em linha: com sinal. Perpendiculares: Pitágoras (F2F\sqrt{2} se iguais). Triângulo equilátero, vértice: F3F\sqrt{3} na bissetriz. Centro de polígono regular de cargas iguais: zero.
  • Equilíbrio da 3.ª carga: mesmo sinal, entre as duas, perto da menor (4q4q e qq: a 2d/32d/3 da maior); sinais opostos, fora, do lado da menor (4q4q e −q-q: a 2d2d da maior). Para as três em equilíbrio, q3q_3 de sinal oposto (−Q/4-Q/4 no ponto médio de duas +Q+Q). Instável.
  • Pêndulo eletrostático: F=Ptan⁡θF = P\tan\theta; T=P/cos⁡θT = P/\cos\theta.
  • Coulomb × Newton: mesma forma; k/G=1,3×1020k/G = 1{,}3 \times 10^{20}; Fe/FgF_e/F_g elétron–próton ≈2×1039\approx 2 \times 10^{39}, dois elétrons ≈4×1042\approx 4 \times 10^{42}. Gravidade domina no céu porque a matéria é neutra. Órbita elétrica: sinais opostos, v=k∣q1∣∣q2∣/(m2r)v = \sqrt{k|q_1||q_2|/(m_2 r)}.
  • História: Priestley 1767 (inferência), Cavendish ~1772 (não publicado), Coulomb 1785 (balança de torção: 36, 18, 8,5 unidades → 36°, 144°, 575,5°).
  • Itens PAS 3: 2012/49 (42 ou 43), 2016/107 © e 108 (E), 2020/104 (180), 2021/91 (134).
  • Vizinhos: processos de eletrização em carga elétrica e eletrização; soma de setas em vetores; força por carga e linhas de campo em campo elétrico; energia da interação em potencial elétrico; a lei-irmã em gravitação universal; terceira lei em leis de Newton.

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Para que serve a LEI DE COULOMB? | ELETROSTÁTICA
Chama o Físico · 11:36
Introdução. Aula de 11 minutos que apresenta a lei de Coulomb como a lei que determina a força elétrica entre cargas pontuais, explica o que cada elemento da fórmula representa (constante, cargas, distância ao quadrado) e, segundo a própria descrição do autor, ensina a não cair nas pegadinhas do tema. Cobre as seções “Uma força que cai com o quadrado: a lei” e “O sinal decide o sentido; a fórmula só recebe módulos” desta página. Bom para assistir antes de ler.
FORÇA ELÉTRICA (LEI DE COULOMB) - Teoria e Exercícios
Felipe Sampaio - Física · 22:25
Aprofundamento. Aula com capítulos marcados na descrição: atração e repulsão (0:00), a lei de Coulomb (1:41), a constante eletrostática (4:03) e dois exercícios (5:53 e 15:06) que o autor descreve como os tipos mais frequentes sobre o assunto. É a construção das seções “Uma força que cai com o quadrado”, “Unidades e ordens de grandeza” e “Dobrou, triplicou, trocou: as proporções e o gráfico”, com a conversão de unidades e as potências de dez feitas passo a passo.
Equilíbrio de um sistema de 3 cargas elétricas
ABC da FÍSICA · 12:39
Aplicação. Resolução comentada da questão da PUC-Rio em que duas cargas +Q e uma carga q no ponto médio devem ficar em equilíbrio, com capítulos na descrição: por que a carga central precisa ser negativa (1:45), o teste do equilíbrio em todo o sistema (5:10), a montagem da lei de Coulomb sobre uma das cargas (8:40) e a resolução final, q = −Q/4 (10:50). É exatamente o caso “As três em equilíbrio” da seção “Onde uma terceira carga fica em paz” desta página, e o exercício resolvido q03 e a questão q18 fazem a mesma conta.
Resolução do PAS 3 UnB 2021 - Gravitação: Lei da Gravitação Universal e Lei de Coulomb
Física+ · 16:43
Resolução de item real. O professor Matheus Aguiar resolve o item 91 da 3.ª etapa de 2021 (a partir de 5:56), a razão entre as forças elétrica e gravitacional para duas partículas de 1 C e 1 kg, dividida por 10¹⁸, resposta 134; a descrição do vídeo reproduz o comando do item. É o item desta página na seção “Coulomb encontra Newton” e no exercício q06; resolva antes de assistir e compare o caminho: a distância cancela e sobra k/G.
Rota PAS 3
Eletrostática: força, campo e potencial elétrico · PAS 3

Fontes desta página

Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.

  • Rota PAS 3 — Eletrostática: força, campo e potencial elétrico · Lei de Coulomb: a força entre duas cargas (conceito, tabela de símbolos, exemplo-guia de 2 µC e 5 µC a 20 cm, lembrete do par ação–reação, itens PAS 3 2012/49, 2021/91, 2016/107 e 108, armadilha 'o quadrado pune em dobro', checagem); Como a banca cobra (histórico da força de Coulomb na 3.ª etapa, item 2020/104 tipo B e a lição do comando 'apenas pela carga qa'); Estratégia (sinal primeiro, módulo depois; unidades antes da fórmula); Treino (T16 e T23)

    Recorte por assunto: só a força entre cargas. Carga, quantização e processos de eletrização ficam em carga elétrica e eletrização; vetor campo, linhas de campo e placas ficam em campo elétrico; potencial, energia potencial e equipotenciais ficam em potencial elétrico. A página acrescenta, ausentes do capítulo, a leitura do gráfico F × d, o meio material e a constante dielétrica, o princípio da superposição em linha e em triângulo, o equilíbrio de uma terceira carga, o pêndulo eletrostático, a razão elétrica/gravitacional no átomo de hidrogênio e a história da balança de torção.

  • Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cebraspe) · PAS 3 2012 (item 49, tipo B, caderno Fraternidade, p. 9), 2016 (itens 107 e 108, caderno Fantasia, p. 16, com a figura da carga em órbita), 2020 Parte 2 (item 104, tipo B, p. 10, com a figura das linhas de campo de qa e qb) e 2021 Parte 2 (item 91, tipo B, p. 10, com a figura das duas cargas de 1 C e 1 kg)

    Itens reproduzidos verbatim dos cadernos em texto; gabaritos conferidos nos arquivos GAB (2012/49 = 42 ou 43; 2016/107 C e 108 E; 2020/104 = 180; 2021/91 = 134) e em utils/material/PAS/pesquisa/classificacao-pas3/AAAA.json. As três figuras impressas foram rasterizadas a 130 dpi a partir dos PDFs em utils/material/PAS/provas/ e descritas em texto neutro no enunciado, nomeando todos os rótulos impressos. O item 2020/103 (sinais pelas linhas de campo), do mesmo bloco, é matéria de campo elétrico.