Você aperta o interruptor e a lâmpada acende no mesmo instante, mas os elétrons do fio se arrastam a décimos de milímetro por segundo. O caderno do PAS pergunta quantos elétrons passam por segundo numa espira com 1 A, se um celular de 50 mA aguenta 50 horas numa bateria de 5 Ah e se a carga se acumula num resistor. O que, afinal, se move dentro de um fio, quanto disso passa, para que lado, e por que dezenas de miliampères num corpo humano importam mais que os 25 A de um chuveiro?
O que você vai aprender
Descrever a corrente elétrica como movimento ordenado de portadores de carga e identificar quem se move em cada meio: elétrons livres nos metais, íons positivos e negativos em soluções eletrolíticas, íons e elétrons em gases ionizados; distinguir o movimento térmico desordenado (sem corrente) da deriva ordenada (corrente).
Definir a intensidade de corrente por i = ΔQ/Δt, usar o ampère (1 A = 1 C/s) e os prefixos mili, micro e quilo, e contar portadores por n = iΔt/e, inclusive em itens de julgamento como o PAS 3 2017/97 (mais de 10¹⁸ elétrons por segundo em 1 A).
Situar ordens de grandeza de corrente do impulso nervoso ao raio (LED, celular, chuveiro, motor de partida, linha de transmissão) e reconhecer que a faixa perigosa para o corpo humano está nos miliampères.
Distinguir o sentido convencional (cargas positivas, do polo positivo ao negativo, do potencial maior ao menor num resistor) do sentido real dos elétrons, ler o sentido da corrente em uma figura invertendo o movimento dos elétrons (PAS 3 2008/74) e reconhecer que um percurso em que o potencial sobe nos resistores é contrário à corrente (PAS 3 2014/112).
Enunciar as condições para uma corrente permanente (portadores, diferença de potencial mantida por um gerador, circuito fechado), tratando tensão e gerador como remissões às páginas de potencial elétrico e de geradores, e aplicar a conservação da carga: a corrente não se gasta, não há acúmulo em nós nem em resistores (PAS 3 2014/113, 2025/80).
Deduzir i = n e A v, estimar a velocidade de deriva em fios domésticos (décimos de milímetro por segundo) e explicar por que a lâmpada acende imediatamente: o campo elétrico se propaga quase à velocidade da luz e move todos os elétrons do circuito ao mesmo tempo.
Diferenciar corrente contínua (sentido fixo, constante ou variável, como a corrente pulsante da campainha do PAS 3 2012/51) de corrente alternada (60 Hz, 120 inversões por segundo, período 1/60 s), interpretar a senoide i = i_max sen(2πft) e o valor eficaz de forma qualitativa, e reconhecer que a rede fornece energia, não elétrons vindos da usina.
Ler o gráfico i × t como a área que dá a carga transportada (retângulos e triângulos), calcular a corrente média, converter miliampère-hora em coulombs (1 mAh = 3,6 C) e obter o tempo de funcionamento de uma bateria por Δt = Q/i (PAS 3 2014/101).
Reconhecer os cinco efeitos da corrente (térmico, magnético, químico, luminoso, fisiológico) com um exemplo e a página que desenvolve cada um, e explicar o choque elétrico pela corrente que atravessa o corpo, pelo caminho e pelo tempo: faixas de miliampères, resistência da pele seca e molhada, fio terra, DR de 30 mA e o papel distinto do disjuntor.
Ligar e interpretar amperímetro (em série, resistência ideal nula) e voltímetro (em paralelo, resistência ideal infinita), prever o que acontece com as leituras em ligações erradas e julgar itens como o PAS 3 2008/70.
Você aperta o interruptor e a lâmpada acende no mesmo instante, a dez metros do quadro de luz. Parece que alguma coisa saiu da tomada e chegou lá correndo. Não saiu. Os elétrons que estavam dentro do fio da lâmpada são os mesmos que já estavam ali antes, e, quando a corrente se estabelece, eles passam a se arrastar a uma velocidade menor que a de um caracol: décimos de milímetro por segundo. O que viaja depressa é o empurrão, o campo elétrico que se propaga pelo fio a uma fração da velocidade da luz e põe todos os elétrons em marcha quase ao mesmo tempo, como uma fila de vagões que sai do lugar inteira quando a locomotiva puxa. O caderno do PAS 3 de 2017 fez a pergunta certa sobre esse rio de partículas: numa espira de motor percorrida por 1 A, passam mais de 1018 elétrons por segundo? Quem sabia o que é um ampère respondeu em uma linha: 1 coulomb por segundo, dividido pela carga de um elétron, dá mais de seis quintilhões deles. Certo.
Esta é a página da corrente elétrica: o que se move dentro de um fio, de uma solução e de um raio; a definição i=ΔQ/Δt e a unidade ampère; a contagem de portadores; o sentido que a Física convencionou antes de conhecer o elétron; a diferença entre a corrente da pilha e a da tomada; o que precisa existir para que uma corrente circule; a velocidade de deriva dos elétrons e por que a lâmpada acende na hora mesmo assim; os efeitos que a corrente produz ao passar; o que ela faz no corpo humano e as regras de segurança que saem dos números; como se mede corrente e tensão sem estragar a medida; e a leitura do gráfico i×t, em que a carga vira área. No PAS/UnB o assunto é da 3.ª etapa, e a banca o cobra pelo conceito: contagem de elétrons (2017/97), tempo de uma bateria (2014/101), sentido convencional (2014/112), conservação da carga num nó e num resistor (2014/113, 2025/80), o que um amperímetro precisa ser para não atrapalhar (2008/70) e para que lado corre a corrente num circuito desenhado (2008/74). A página pressupõe a carga elétrica e a eletrização e a ideia de potencial elétrico. O que vem depois, a relação entre a tensão aplicada e a corrente que passa, é a página de resistência elétrica e leis de Ohm; o calor, a potência e a conta de luz têm página própria em construção, e a geração de energia elétrica explica de onde vem a corrente da tomada.
O que se move: portadores de carga em metais, líquidos e gases
Toda a matéria é feita de cargas, mas nem toda carga pode se mover. Num pedaço de cobre, cada átomo cede um ou dois elétrons da última camada para um “mar” comum: são os elétrons livres, ou elétrons de condução, cerca de 8,5×1028 por metro cúbico, um para cada átomo. Os núcleos e os elétrons das camadas internas ficam presos na rede cristalina e não vão a lugar nenhum. É por isso que, num metal, a corrente é um movimento de elétrons, e só de elétrons: as cargas positivas do fio não se movem. Isolantes como o vidro, a borracha e o plástico seco têm elétrons presos aos seus átomos; sem portadores livres, não há corrente apreciável, o que é exatamente o que se quer da capa de um fio.
Numa solução eletrolítica, água com sal de cozinha ou o eletrólito de uma bateria, os portadores são íons: o Na⁺ e o Cl⁻ da salmoura, o Li⁺ da bateria do celular. Os positivos se movem num sentido e os negativos no sentido oposto, e as duas migrações somam para a mesma corrente. O texto-base do PAS 3 de 2014 descrevia isso ao pé da letra: nas baterias de íons lítio, “os íons Li⁺ migram do anodo para o catodo através de um eletrólito líquido”. A água pura, sem íons dissolvidos, conduz muito mal; a água do banho, com sais, conduz bem, e é essa diferença que faz o chuveiro molhado ser um lugar onde a eletricidade merece respeito.
Num gás, normalmente isolante, a corrente só aparece quando o campo elétrico é forte o bastante para arrancar elétrons das moléculas e criar íons e elétrons livres ao mesmo tempo. É o que acontece dentro de uma lâmpada fluorescente, na faísca da maçaneta em dia seco e no raio, um canal de ar ionizado de um quilômetro pelo qual passam dezenas de milhares de ampères. Nos semicondutores do chip do celular, os portadores são elétrons e as “lacunas” que eles deixam, uma história que fica para a Física moderna. O que interessa aqui é o padrão: corrente é sempre carga em movimento ordenado, seja qual for o portador.
Movimento ordenado, não movimento qualquer. Os elétrons livres de um fio desligado já se movem, e depressa: agitação térmica da ordem de 106 m/s, em todas as direções, colidindo com a rede a cada fração de picossegundo. Como cada direção é tão provável quanto a oposta, a carga que atravessa qualquer seção do fio num sentido é igual à que atravessa no outro, e a corrente é zero. Corrente exige um sentido preferencial, um leve desequilíbrio nesse caos; e quem cria o desequilíbrio é um campo elétrico dentro do condutor.
Portadores de carga. Num metal, só os elétrons livres se movem; sem campo, o movimento é térmico e desordenado e a corrente é nula. Com um campo, os elétrons derivam contra ele e há corrente. Numa solução, íons positivos e negativos migram em sentidos opostos, e as duas migrações contribuem para a mesma corrente. Diagrama autoral.
Corrente é carga por segundo: a definição e o ampère
Imagine um plano imaginário cortando o fio, uma seção transversal. Conte quanta carga atravessa esse plano num certo intervalo de tempo. A razão entre as duas coisas é a corrente.
Intensidade de corrente elétrica
i=ΔtΔQ
ΔQ é a carga (em coulombs, C) que atravessa uma seção do condutor no intervalo Δt (em segundos). A unidade é o ampère (A): 1A=1C/s. Se a corrente varia no tempo, a fórmula dá a corrente média no intervalo; a corrente instantânea é o limite para Δt muito pequeno. A carga é sempre um múltiplo da carga elementar, e=1,6×10−19 C, então
ΔQ=ne⟹n=eiΔt
é o número de elétrons (ou de íons de carga e) que passaram.
símbolo
o que é
exemplo
i
corrente, em ampères
2 A no carregador rápido do celular
ΔQ
carga que atravessou a seção, em coulombs
2 A durante 1 h: 7 200 C
Δt
intervalo de tempo, em segundos
1 h = 3 600 s
e
carga elementar
1,6×10−19 C
n
número de portadores
7 200 C são 4,5×1022 elétrons
Leia a definição de dois jeitos. Como conta: um ampère é um coulomb passando por segundo, e um coulomb são 1/(1,6×10−19)=6,25×1018 elétrons. Uma corrente de 1 A, que parece modesta, é o fluxo de mais de seis bilhões de bilhões de elétrons por segundo através de qualquer seção do fio. Como proporção: dobrar a carga no mesmo tempo dobra a corrente; a mesma carga em metade do tempo também dobra. Prefixos são rotina neste assunto: mili (m) =10−3, micro (µ) =10−6, quilo (k) =103. Um LED de painel consome 20 mA, isto é, 0,020 A; um raio transporta 30 kA, isto é, 30 000 A.
Exemplo resolvido (o item da espira). O PAS 3 de 2017 descreveu uma espira de motor percorrida por 1 A e perguntou se passam por segundo mais de 1018 elétrons. Em 1 s, ΔQ=iΔt=1×1=1 C. Número de elétrons: n=1/(1,6×10−19)=6,25×1018. É mais que 1018: certo. Conferência: 6,25×1018×1,6×10−19=10×10−1=1 C. Fecha.
Exemplo resolvido (a corrente de um feixe). Num tubo de televisão antigo, 2,0×1015 elétrons atingem a tela a cada segundo. Qual é a corrente do feixe? ΔQ=ne=2,0×1015×1,6×10−19=3,2×10−4 C em 1 s, logo i=3,2×10−4 A =0,32 mA. Um número pequeno de ampères, um número enorme de partículas: a diferença entre as duas leituras é o tamanho da carga elementar.
Quem definiu o ampère, e como
A unidade homenageia André-Marie Ampère (1775–1836), que em 1820, semanas depois de Oersted mostrar que um fio com corrente desvia uma bússola, descobriu que dois fios paralelos com corrente se atraem ou se repelem. Essa força foi a definição oficial do ampère de 1948 a 2019: a corrente que, em dois fios paralelos a 1 m, produz 2×10−7 N por metro. Em 2019 o Sistema Internacional inverteu a lógica e fixou o valor da carga elementar, e=1,602176634×10−19 C, exato por definição. Hoje o ampère é, literalmente, “tantos elétrons por segundo”: 1 A corresponde a 1/e≈6,24×1018 cargas elementares por segundo.
Ordens de grandeza: do LED ao raio
Ter os tamanhos na cabeça evita metade dos erros de conta e a maior parte dos erros de julgamento. A tabela usa valores típicos; cada aparelho tem o seu.
onde
corrente típica
impulso elétrico num neurônio
da ordem de nanoampères a microampères
LED indicador de aparelho
10 a 20 mA
lâmpada LED de 9 W na rede de 127 V
cerca de 70 mA
limiar em que um choque se torna perigoso
dezenas de miliampères
celular carregando
1 a 3 A
ferro de passar de 1 200 W em 127 V
cerca de 10 A
chuveiro de 5 500 W em 220 V
25 A
motor de partida de um carro
100 a 300 A
raio (descarga nuvem–solo)
da ordem de 30 000 A, por décimos de milissegundo
linha de transmissão em alta tensão
centenas de ampères
Dois pontos da tabela merecem atenção. O choque perigoso está na faixa dos miliampères, mil vezes abaixo do chuveiro: o corpo é um circuito delicado. E o raio, apesar dos 30 kA, dura tão pouco que a carga total é modesta: 30000×10−4 s são 3 C, o que o celular carrega em segundos. O estrago do raio vem da tensão gigantesca, não da quantidade de carga; a página de potencial elétrico faz essa conta.
O sentido convencional aponta para onde os elétrons não vão
Há um detalhe histórico que produz itens de prova todo ano. Benjamin Franklin, por volta de 1750, decidiu chamar de “positiva” a eletricidade do vidro atritado e de “negativa” a da resina, e imaginou a corrente como um fluido positivo escorrendo do lado onde havia mais para o lado onde havia menos. O elétron só foi identificado em 1897, por J. J. Thomson, e veio com o sinal errado para a convenção: nos metais, o que se move é a carga negativa, e ela vai do polo negativo da pilha para o positivo pelo circuito externo. A Física poderia ter trocado a convenção. Não trocou. Todas as leis já estavam escritas para o fluido de Franklin, e um fluxo de carga negativa para a esquerda produz exatamente os mesmos efeitos externos que um fluxo de carga positiva para a direita.
Sentido convencional e sentido real
O sentido convencional da corrente é o sentido em que se moveriam cargas positivas: do polo positivo para o negativo no circuito externo, isto é, dos pontos de potencial mais alto para os de potencial mais baixo através de um resistor. O sentido real dos elétrons num metal é o oposto. Setas de corrente em diagramas, leis de circuito, regra da mão direita para o campo magnético: tudo usa o sentido convencional. Numa solução, os íons positivos se movem no sentido convencional e os negativos no oposto; a corrente é uma só.
Dois sentidos, uma corrente. O sentido convencional sai do polo positivo e atravessa o resistor do potencial maior para o menor; os elétrons, negativos, fazem o caminho contrário. Todo diagrama e toda lei usam o convencional. Diagrama autoral.
O PAS 3 de 2014 cobrou isso sem uma única conta. O texto-base descrevia uma malha com um resistor e duas baterias com resistência interna, e um gráfico do potencial lido ao longo de um percurso anti-horário que partia do ponto a. O item 112 afirmava que esse sentido de percurso era igual ao sentido convencional da corrente. No gráfico, ao atravessar cada resistência o potencial subia. Ora, a corrente convencional atravessa um resistor do potencial maior para o menor; quem vê o potencial subir ao passar por um resistor está caminhando contra a corrente. O percurso escolhido pela banca, anti-horário, corria ao contrário da corrente convencional: errado. O sentido de percurso é escolha de quem analisa; o sentido da corrente, o circuito decide.
O PAS 3 de 2008 fez a pergunta na outra direção, numa célula fotoelétrica: a luz arranca elétrons da placa P1, que viajam até a placa P2; dela, saem pelo fio até o ponto Y, passam pelo amperímetro e chegam ao ponto X. Elétrons de Y para X significam corrente convencional de X para Y, que era o que o item 74 afirmava: certo. Em 2017 (item 94), a espira do motor trazia os elétrons desenhados em sentido horário e perguntava por qual terminal a corrente convencional entrava: mesma inversão, mesmo veredito. Regra prática para qualquer figura: localize para onde os elétrons vão, inverta, e leia a seta.
"A corrente sai do negativo"
Sai, se você está falando dos elétrons; não sai, se está falando da corrente. Um item que diga “a corrente elétrica convencional sai do polo negativo da bateria” está errado; um que diga “os elétrons saem do polo negativo” está certo. Nos cadernos, “corrente elétrica” sem adjetivo é a convencional. Leia o substantivo antes de julgar.
O que faz a corrente circular: tensão, fonte e caminho fechado
Os elétrons livres de um fio solto sobre a mesa não formam corrente. Para que se movam num sentido, é preciso um campo elétrico dentro do condutor, e um campo elétrico dentro de um condutor significa uma diferença de potencial entre suas extremidades. A página de potencial elétrico constrói essa grandeza como energia por unidade de carga; aqui basta a imagem: a tensão U, em volts, é o “desnível elétrico” entre dois pontos, e as cargas positivas descem esse desnível como a água desce uma ladeira. Tensão, diferença de potencial (ddp) e voltagem: três nomes para uma única grandeza.
Mas um desnível sozinho se esgota. Se você liga um fio entre uma esfera carregada e o chão, a carga escorre, os potenciais se igualam em uma fração de segundo e a corrente morre: foi uma descarga, não uma corrente permanente. Para manter a corrente é preciso algo que continue repondo o desnível, empurrando as cargas de volta “ladeira acima” por dentro de si: um gerador. A pilha faz isso com energia química, a usina com energia mecânica, o painel solar com luz. O que um gerador é por dentro, sua força eletromotriz e sua resistência interna, tem página própria na fila; aqui ele é a bomba d’água do circuito. E, como toda bomba, só funciona num circuito fechado: um caminho condutor contínuo do polo positivo ao negativo. Interruptor aberto, fio partido, lâmpada queimada: sem caminho, a tensão continua nos terminais da fonte, mas a corrente é zero.
Três condições para haver corrente permanente
Portadores livres: um condutor (metal, eletrólito, gás ionizado).
Diferença de potencial entre os extremos do condutor, mantida por um gerador.
Circuito fechado: caminho condutor contínuo pelo qual a carga possa voltar à fonte.
Falta uma, não há corrente. A tomada da parede satisfaz a segunda condição o tempo todo (há 127 V ou 220 V entre seus furos) e não a terceira: nada circula até que alguém ligue um aparelho e feche o caminho.
A analogia da água, com seus limites. Um circuito hidráulico fechado ajuda: a bomba é o gerador, a pressão é a tensão, a vazão em litros por segundo é a corrente em coulombs por segundo, um estrangulamento do cano é um resistor. A analogia acerta no essencial, o que entra sai, a vazão é a mesma em todo cano sem ramificação, e falha num ponto que vale item: a água precisa ser bombeada para dentro de um cano vazio; o fio já vem cheio de elétrons, de modo que a corrente começa em todo o circuito ao mesmo tempo.
A corrente não se gasta. Uma ideia errada muito comum é que a lâmpada “consome corrente”: entraria mais corrente por um terminal do que sai pelo outro. Não. Em regime permanente, a carga que entra em qualquer componente por segundo é igual à que sai; a corrente é a mesma nos dois terminais de uma lâmpada, de um resistor, de um fio. O que a lâmpada consome é energia, transportada pela corrente, não a corrente em si. Isso é a conservação da carga elétrica em ação, e a banca a cobra de dois jeitos. Em 2014 (item 113): “no circuito elétrico fechado, não há acúmulo de carga elétrica em um nó”, certo. Em 2025 (item 80), sobre o circuito do texto-base: “caso as resistências do circuito 1 sejam atravessadas por correntes que transportam cargas elétricas, então haverá um acúmulo de carga nessas resistências”, errado. Transportar carga não é reter carga. Se houvesse acúmulo, o potencial do componente mudaria sem parar e o circuito nunca chegaria ao regime estacionário que o próprio enunciado supõe.
O passarinho no fio
Um pássaro pousa num fio de alta tensão e nada acontece. As duas patas estão no mesmo fio, a poucos centímetros uma da outra: entre elas a diferença de potencial é praticamente nula, porque o fio é um bom condutor e o potencial quase não varia ao longo dele. Sem ddp entre as patas, não há corrente pelo corpo do pássaro. Se ele tocasse ao mesmo tempo o fio e a torre aterrada, fecharia um caminho entre potenciais muito diferentes, e a história acabaria de outro jeito. A regra é a mesma para quem trabalha em linha viva: importa a diferença de potencial entre os dois pontos que o corpo toca, não o potencial de um deles.
Os elétrons andam devagar e a lâmpada acende na hora
Vamos à pergunta da abertura, com números. Considere um fio de cobre de seção A, com n elétrons livres por metro cúbico, todos derivando com a mesma velocidade média v, a velocidade de deriva. Num intervalo Δt, os elétrons que atravessam uma seção são os que estavam a menos de vΔt dela: um cilindro de volume AvΔt, contendo nAvΔt elétrons, cada um com carga e. A carga que passa é ΔQ=neAvΔt, e a corrente é
i=ΔtΔQ=neAv⟹v=neAi.
A dedução de i=neAv: num intervalo Δt, atravessam a seção os elétrons contidos num cilindro de comprimento vΔt. Três velocidades muito diferentes convivem no mesmo fio: a deriva lenta, a agitação térmica rápida e desordenada e o sinal que dispara o movimento em todo o circuito quase instantaneamente. Diagrama autoral.
Exemplo resolvido (o fio da tomada). Fio de cobre de 1,5 mm² (A=1,5×10−6 m²), n=8,5×1028 elétrons/m³, corrente de 1 A.
cinco centésimos de milímetro por segundo. Para o chuveiro, com 25 A num fio de 4 mm²: v=25/(8,5×1028×1,6×10−19×4×10−6)=25/(5,4×104)≈4,6×10−4 m/s, menos de meio milímetro por segundo. Um elétron levaria cerca de seis horas para percorrer os dez metros entre o quadro de luz e o chuveiro. Conferência de ordem de grandeza: ne vale cerca de 1,4×1010 C/m³; para A em milímetros quadrados, v≈7×10−5i/Amm2 m/s. Com i=1 e A=1,5: 4,7×10−5 m/s. Fecha.
Por que a lâmpada acende imediatamente, então? Porque o que se propaga pelo fio ao fechar o interruptor não são elétrons vindos da usina, mas o campo elétrico, um sinal eletromagnético que avança a uma fração considerável da velocidade da luz (cerca de 2×108 m/s num cabo comum). Em dez metros, isso leva 50 bilionésimos de segundo. Todos os elétrons do circuito recebem o empurrão quase ao mesmo tempo e começam a derivar juntos, e os que já estavam no filamento da lâmpada são os primeiros a fazê-la brilhar. A imagem correta é a do cano já cheio de água: abra a torneira lá na frente e a água sai na hora, embora cada gota se mova devagar.
Três velocidades, três coisas diferentes
“Os elétrons viajam à velocidade da luz pelo fio.” Errado: a velocidade da luz (quase) é a do sinal, do campo que se propaga. “Os elétrons andam devagar, logo demoram para chegar à lâmpada.” Errado também, porque não precisam chegar: já estavam lá. E a agitação térmica, de 106 m/s, é rápida mas não transporta carga líquida, porque é desordenada. Corrente é a deriva, a mais lenta das três.
Contínua e alternada: o que muda quando a corrente inverte
Uma pilha tem um polo positivo e um negativo fixos. A corrente que ela produz num circuito tem sempre o mesmo sentido: é corrente contínua (CC, ou DC em inglês). Se, além do sentido, a intensidade também for constante, a corrente é contínua e constante; o gráfico i×t é uma reta horizontal. Baterias, pilhas, painéis solares e a saída dos carregadores de celular fornecem CC.
A tomada da parede é outra coisa. A tensão entre seus furos oscila: cresce, passa por um máximo, cai a zero, inverte, passa por um mínimo, volta a zero, num ciclo que se repete 60 vezes por segundo no Brasil. A corrente num aparelho ligado a ela faz o mesmo: é corrente alternada (CA, ou AC), e o que se inverte periodicamente é o sentido do movimento dos portadores. A grandeza que conta os ciclos por segundo é a frequência, f=60 Hz; o tempo de um ciclo completo é o período, T=1/f=1/60 s ≈16,7 ms. Como a corrente passa por zero duas vezes a cada ciclo, ela inverte o sentido 120 vezes por segundo. Na Europa e em boa parte do mundo a rede é de 50 Hz.
Corrente alternada senoidal
A corrente da rede varia com o tempo como uma senoide:
i(t)=imaxsen(2πft),f=60Hz.
imax é a corrente de pico. A corrente média ao longo de um ciclo é zero, porque metade do tempo ela é positiva e metade negativa, mas o aquecimento que ela produz não é zero: um resistor esquenta tanto com a corrente indo quanto voltando. O valor que mede esse efeito é o valor eficaz, ief=imax/2, a corrente contínua que produziria o mesmo aquecimento. Os “220 V” da tomada e os ampères escritos nos aparelhos são valores eficazes; o pico da tensão de 220 V está em torno de 311 V.
Três formas de corrente no tempo. A pilha dá corrente contínua e constante. A tomada dá alternada, senoidal, com período 1/60 s e valor eficaz imax/2. A campainha do item PAS 3 2012/51 dá uma corrente contínua que liga e desliga: não inverte o sentido, mas não é constante. Diagrama autoral.
Em CA os elétrons vão e voltam: em cada meio ciclo, 1/120 s, um elétron com deriva de 0,1 mm/s anda menos de um micrômetro antes de inverter. Os elétrons da sua lâmpada nunca saem dela; o que a usina fornece é energia, que viaja pelo campo.
Por que a rede é alternada? Porque a corrente alternada nasce naturalmente de um gerador que gira (a tensão de uma espira girando num campo magnético é senoidal) e, sobretudo, porque só a CA pode ter a tensão elevada e abaixada por transformadores, o que permite transmitir energia a centenas de quilômetros com pouca perda. Essa história, incluindo a “guerra das correntes” entre Edison e Tesla no fim do século XIX, está na página de geração de energia elétrica. O que fica aqui é a consequência para a leitura de itens: um transformador só funciona com corrente que varia; ligado a uma pilha, não faz nada.
Corrente que varia sem inverter. Entre a CC constante e a CA existe um terceiro caso: corrente contínua variável, ou pulsante. É o que sai de uma campainha antiga: o texto-base do PAS 3 de 2012 mostrava seu circuito, com a bateria, a bobina em torno de um núcleo de ferro, a barra de ferro e a chapa metálica flexível que fecha e abre o contato. Ligada a chave, a corrente magnetiza o núcleo, a barra é atraída, bate no gongo e afasta a chapa do contato, o que interrompe a corrente; sem corrente, o núcleo desmagnetiza, a chapa volta, o contato fecha, e o ciclo recomeça dezenas de vezes por segundo. O item 51 afirmava que, com a chave permanentemente ligada, “a corrente elétrica no circuito será constante no tempo”: errado, ela liga e desliga o tempo todo. O sentido não inverte (a fonte é uma bateria), mas a intensidade oscila entre um valor e zero.
O gráfico i × t: a carga é a área
Quando a corrente varia no tempo, a definição i=ΔQ/Δt ainda vale para intervalos pequenos, e somar as cargas de todos os intervalos pequenos é calcular a área sob o gráfico de i em função de t. É o mesmo raciocínio do gráfico velocidade × tempo, em que a área é o deslocamento: velocidade é metro por segundo, corrente é coulomb por segundo; a área multiplica pela base em segundos e devolve metros num caso, coulombs no outro.
Carga como área
No gráfico i×t, a carga que atravessa a seção entre t1 e t2 é numericamente igual à área entre a curva e o eixo dos tempos nesse intervalo. Área acima do eixo conta positiva; abaixo, negativa (corrente no sentido oposto). Para corrente constante, a área é um retângulo: ΔQ=iΔt. Para corrente que cresce linearmente de 0 a imax, um triângulo: ΔQ=21imaxΔt, o mesmo que a corrente médiaimax/2 vezes o tempo.
A carga é a área sob o gráfico i×t. Aqui a corrente sobe em 2 s, fica constante em 3 A por 4 s e cai em 2 s: 3+12+3=18 C atravessaram a seção, o equivalente a uma corrente constante de 2,25 A durante os 8 s. Diagrama autoral.
Exemplo resolvido (área em três pedaços). A corrente num fio varia como no gráfico: sobe linearmente de 0 a 3 A nos primeiros 2 s, fica em 3 A de 2 s a 6 s e cai linearmente a zero de 6 s a 8 s. Quanta carga passou, e quantos elétrons?
Triângulo inicial: 21×2×3=3 C. Retângulo: 3×4=12 C. Triângulo final: 21×2×3=3 C. Total: 18 C. Elétrons: 18/(1,6×10−19)=1,1×1020. Conferência: a corrente média foi 18/8=2,25 A, menor que o valor máximo de 3 A e maior que a metade dele, como deve ser para um gráfico que fica no máximo metade do tempo.
A unidade das baterias: o miliampère-hora. Fabricantes não escrevem a carga de uma bateria em coulombs, e sim em ampère-hora (Ah) ou miliampère-hora (mAh): a corrente que ela pode fornecer vezes o tempo. É uma unidade de carga disfarçada: 1Ah=1A×3600s=3600 C, e 1mAh=3,6 C. Uma bateria de celular de 5 000 mAh guarda 18 000 C e, em tese, fornece 5 000 mA por 1 h, ou 500 mA por 10 h, ou 50 mA por 100 h. O tempo de funcionamento é Δt=Q/i.
Exemplo resolvido (o item da bateria Li-Po). O PAS 3 de 2014 mostrava a foto de uma bateria de lítio-polímero com o rótulo “3,7 V 5 Ah 18,5 Wh” e perguntava se um celular que consome 50 mA “poderá funcionar ininterruptamente por 50 horas” ligado a ela. Carga: 5 Ah =5000 mAh. Tempo com 50 mA: Δt=5000/50=100 h. Cem horas é mais que cinquenta, logo ele pode funcionar por 50 h: certo. O item testava duas coisas: saber que Ah é carga, e ler “poderá funcionar por 50 h” como “dura pelo menos 50 h”, não como “dura exatamente 50 h”. Conferência em coulombs: 18000 C a 0,050 A dão 3,6×105 s =100 h. Fecha. Os 18,5 Wh do rótulo são energia, 3,7 V ×5 Ah; para o tempo de funcionamento a uma corrente dada, é a carga que importa.
O que a corrente faz ao passar: cinco efeitos
Ninguém vê a corrente. O que se vê são os efeitos dela sobre a matéria que atravessa, e cada um desses efeitos é uma tecnologia e um capítulo. Aqui vai o mapa; cada porta leva a outra página.
Efeito térmico (efeito Joule). Os elétrons que derivam colidem com os íons da rede e transferem energia a eles; o condutor esquenta. É o chuveiro, o ferro de passar, o filamento da lâmpada incandescente, o fusível que derrete para proteger o circuito e a perda de energia nos fios da rede. Quanto calor sai de uma dada corrente, e a conta de luz que resulta, é assunto da página de potência elétrica; a página de propagação de calor explica o que acontece depois que o calor é gerado.
Efeito magnético. Toda corrente cria um campo magnético em torno de si. Foi a descoberta de Hans Christian Oersted em 1820, a bússola que desvia perto do fio, e o PAS 3 de 2023 (item 106) pediu exatamente o sentido desse desvio. Eletroímãs, motores, alto-falantes, relés, a campainha de 2012 e os transformadores da rede vivem desse efeito. É também o que faz um alicate amperímetro medir a corrente de um fio sem tocá-lo. A física fica na página de magnetismo; o que interessa aqui é o critério: o efeito magnético depende do sentido da corrente, e o campo inverte quando ela inverte; o efeito térmico, ao contrário, não distingue ida de volta.
Efeito químico. Numa solução, a corrente é migração de íons, e nos eletrodos esses íons ganham ou perdem elétrons: é a eletrólise. Da água, produz hidrogênio e oxigênio; de sais de metais, deposita o metal sobre uma peça (galvanoplastia, o “banho de cromo” da torneira); nas baterias recarregáveis, é o que acontece ao carregar. Pela conservação da carga, a massa depositada é proporcional à carga que passou, ou seja, a iΔt; o item 103 do PAS 3 de 2014 fazia essa conta com a bateria de lítio, e é matéria da eletroquímica.
Efeito luminoso. Num gás rarefeito, os elétrons acelerados colidem com átomos e os excitam; ao voltarem ao estado normal, os átomos emitem luz. É o brilho da lâmpada fluorescente, do letreiro de neon e do relâmpago. No LED, a emissão ocorre num semicondutor, com muito menos perda em calor, o que explica por que um LED de 9 W ilumina como uma incandescente de 60 W.
Efeito fisiológico. O corpo humano funciona com eletricidade: o impulso nervoso e a contração muscular são fenômenos eletroquímicos, mediados por íons que atravessam membranas. Uma corrente externa que atravesse o corpo interfere nesse sistema, contraindo músculos que não deveriam contrair, inclusive o coração. É o choque, assunto da próxima seção. Em dose controlada, é também o desfibrilador que reinicia o coração e o marca-passo que o mantém no ritmo, dois circuitos que já foram texto-base do PAS.
A corrente no corpo: por que miliampères importam
O que machuca num choque é a corrente que atravessa o corpo, não a tensão em si. A tensão é a causa; a corrente é o efeito, e é ela que a fisiologia sente. Para uma dada tensão, a corrente depende de quanto o corpo resiste à passagem, e isso varia muito: a pele seca oferece uma resistência da ordem de 100000Ω, a pele molhada ou ferida, de 1000Ω ou menos, e os tecidos internos, úmidos e salgados, conduzem bem. Os mesmos 220 V podem produzir, então, alguns miliampères através de mãos secas, ou centenas de miliampères através de mãos molhadas. A relação quantitativa entre tensão, resistência e corrente é a lei de Ohm, da página de resistência elétrica; aqui ficam os efeitos, que dependem de três coisas: quanta corrente, por onde ela passa e por quanto tempo.
corrente através do corpo (60 Hz, ordem de grandeza)
efeito típico
abaixo de 0,5 mA
imperceptível
1 a 5 mA
formigamento, percepção do choque
10 a 20 mA
contração muscular involuntária; a pessoa pode não conseguir largar o condutor
30 mA
limite de disparo dos dispositivos DR residenciais
a partir de cerca de 40 a 50 mA, por mais de um segundo
risco de fibrilação ventricular, o coração perde o ritmo
acima de 1 A
queimaduras internas, parada cardíaca
Os valores vêm de estudos como os da norma IEC 60479 e são faixas, não fronteiras: crianças, pessoas com o coração fragilizado e contatos prolongados deslocam tudo para baixo. Dois detalhes da tabela explicam as regras de segurança. Primeiro, a faixa mais perigosa não é a maior: correntes de dezenas a centenas de miliampères podem ser mais letais que correntes de vários ampères, porque as pequenas desorganizam o ritmo cardíaco (fibrilação) enquanto as grandes, paradoxalmente, podem parar o coração inteiro, o que às vezes é reversível com reanimação. Segundo, o caminho importa: corrente de uma mão à outra, ou de uma mão ao pé oposto, atravessa o tórax e o coração; de um dedo ao outro da mesma mão, não. Foi por isso que o texto-base do PAS 3 de 2017 descreveu alguém caindo sobre os trilhos de um bonde “com a mão esquerda apoiada sobre um trilho e o pé direito descalço apoiado sobre o outro”: mão esquerda ao pé direito é a diagonal que passa pelo coração. E o PAS 3 de 2015 pediu, num item de resposta construída, que o candidato previsse em qual de duas situações desenhadas a pessoa levaria choque: a resposta passa sempre pela mesma pergunta, existe ddp entre os dois pontos que o corpo toca, e existe caminho fechado?
Faixas de efeito da corrente no corpo humano (ordens de grandeza, 60 Hz) e por que o caminho importa. O DR residencial desarma em 30 mA, abaixo do limiar de fibrilação; o fio terra oferece à corrente de fuga um caminho de baixa resistência que não passa por ninguém. Diagrama autoral.
Daí saem as proteções. O fio terra liga a carcaça metálica dos aparelhos ao solo: se um fio interno encostar na carcaça, a corrente de fuga vai pela terra, um caminho de baixa resistência, em vez de esperar pela mão de alguém. O dispositivo DR (diferencial residual) compara a corrente que entra pelo fio fase com a que volta pelo neutro; se a diferença passar de 30 mA, é sinal de que corrente está escapando por algum outro caminho, talvez um corpo, e ele desarma em milésimos de segundo. O disjuntor comum protege os fios da casa contra correntes altas demais (sobrecarga e curto-circuito), não as pessoas: uma corrente de 100 mA, letal para um ser humano, é insignificante para um disjuntor de 25 A. Por isso a norma brasileira de instalações exige o DR em circuitos de chuveiro e de áreas molhadas, e por isso o chuveiro precisa do fio terra. Como o disjuntor é dimensionado, e o que a potência dos aparelhos tem a ver com isso, é a página de potência elétrica.
"Tensão alta é o que mata"
Nem sempre. Um gerador eletrostático de museu chega a 100 000 V e produz choques inofensivos, porque a carga disponível é minúscula e a corrente dura microssegundos. Uma bateria de carro tem só 12 V e é capaz de fornecer centenas de ampères, mas não dá choque, porque 12 V não vencem a resistência da pele seca. O que decide o dano é a corrente que efetivamente atravessa o corpo e por quanto tempo; a tensão é uma das causas, a resistência do caminho é a outra. Um item que troque a causa pelo efeito (“o perigo do choque é proporcional à tensão da fonte, independentemente da resistência do corpo”) está errado.
Medir corrente e tensão sem mudar o que se mede
Um bom instrumento de medida é aquele que quase não altera o que está medindo. Para corrente e tensão, essa exigência define onde o instrumento é ligado e como ele deve ser por dentro.
O amperímetro mede a corrente que passa por um trecho do circuito. Para isso, a corrente inteira precisa passar através dele: ele é ligado em série, no caminho da corrente, como um trecho a mais do fio. Se ele oferecesse resistência apreciável à passagem, diminuiria a própria corrente que quer medir; por isso o amperímetro ideal tem resistência nula, e os reais têm resistência muito pequena. O PAS 3 de 2008 (item 70) afirmava, sobre o amperímetro de uma célula fotoelétrica, que “uma das exigências para que o amperímetro não interfira na medida é que ele tenha resistência infinita”. Errado: resistência infinita no caminho da corrente é um circuito aberto, corrente zero, medida nenhuma. Infinita é a resistência ideal do voltímetro.
O voltímetro mede a diferença de potencial entre dois pontos. Ele é ligado em paralelo com o componente, um terminal em cada ponto, sem interromper nada. Para não desviar corrente do componente para dentro de si, o voltímetro ideal tem resistência infinita; os reais têm resistência muito alta, de megaohms.
Amperímetro e voltímetro
amperímetro
voltímetro
mede
corrente i, em A
tensão U, em V
ligação
em série com o trecho
em paralelo com o componente
resistência ideal
zero (não reduz a corrente)
infinita (não desvia corrente)
se ligado do jeito errado
em paralelo com a fonte: curto-circuito, o fusível do aparelho queima
em série: abre o circuito, a corrente vai a zero e ele lê a tensão da fonte
Onde cada medidor entra e como deve ser por dentro. O amperímetro é um trecho do caminho e precisa ter resistência quase nula; o voltímetro se encosta aos dois terminais e precisa ter resistência quase infinita. Trocar as posições é o erro que queima o fusível do multímetro. Diagrama autoral.
Na prática, os dois vivem no mesmo aparelho, o multímetro, com uma chave que seleciona a função e a escala. O erro clássico de laboratório é deixar a chave em “corrente” e encostar as pontas nos dois polos de uma fonte, como se fosse medir tensão: o multímetro, agora de resistência quase nula, vira um curto-circuito, e o fusível interno queima. O alicate amperímetro dos eletricistas envolve o fio com uma garra e mede o campo magnético que a corrente cria, sem interromper nada; por isso só funciona em um fio de cada vez, nunca no cabo inteiro, onde os campos da ida e da volta se cancelam.
Exemplo resolvido (interpretar leituras). Num circuito simples, uma pilha alimenta uma lâmpada. Um amperímetro em série marca 0,25 A; um voltímetro em paralelo com a lâmpada marca 3,0 V. Em 2 minutos, quanta carga atravessa a lâmpada, e o que aconteceria com as leituras se o amperímetro fosse trocado por um voltímetro na mesma posição?
Carga: ΔQ=iΔt=0,25×120=30 C, cerca de 1,9×1020 elétrons. Trocando o amperímetro por um voltímetro em série: a resistência quase infinita do voltímetro abre o circuito; a corrente cai a praticamente zero, a lâmpada apaga, o voltímetro em série passa a ler a tensão da pilha (toda a ddp da fonte cai sobre ele) e o voltímetro em paralelo com a lâmpada, agora sem corrente, lê zero. Cada leitura errada é um diagnóstico do erro de ligação.
Como a banca pergunta
A corrente elétrica raramente é o assunto inteiro de um bloco no PAS 3; ela aparece como a primeira pergunta de blocos de circuitos, de eletroquímica e até de magnetismo. Os padrões, com os itens desta página:
Contagem e definição. Elétrons por segundo a partir da corrente (2017/97: 1 A são 6,25×1018 por segundo, “superior a 1018”, certo). Tempo de funcionamento a partir da carga da bateria (2014/101: 5 Ah a 50 mA dão 100 h, “poderá funcionar por 50 h”, certo). A conta é ΔQ=iΔt, e a armadilha é a unidade: mAh é carga, Wh é energia.
Sentido. O sentido convencional através de um resistor vai do potencial maior para o menor; um percurso em que o potencial sobe nos resistores é contrário à corrente (2014/112, errado). Numa figura com elétrons ou íons desenhados, inverta o movimento deles para achar a seta da corrente (2008/74 e 2017/94, certos).
Conservação da carga. Não há acúmulo de carga em nó (2014/113, certo) nem em resistor percorrido por corrente estacionária (2025/80, errado). “Transportar” não é “acumular”.
Medidores pela definição. Amperímetro em série com resistência nula; voltímetro em paralelo com resistência infinita. Trocar as duas é o erro plantado (2008/70, errado).
Corrente no tempo. Uma campainha com a chave ligada não tem corrente constante (2012/51, errado); um transformador não funciona com corrente contínua; a rede é alternada de 60 Hz.
Erros que custam item
“A corrente se gasta na lâmpada.” A corrente é a mesma nos dois terminais; o que se transforma é energia. Não há acúmulo de carga em componente nenhum (2014/113, 2025/80).
“Os elétrons chegam da usina à velocidade da luz.” A deriva é de décimos de milímetro por segundo; o que se propaga quase à velocidade da luz é o campo. E em corrente alternada os elétrons nem sequer saem do lugar.
Carga e corrente trocadas. Coulomb mede quanto; ampère mede quanto por segundo. Um corpo eletrizado parado tem carga e corrente zero. E mAh é carga, não corrente nem energia.
Sentido convencional confundido com o dos elétrons. “A corrente sai do polo negativo” é falso para a corrente convencional (2014/112).
Amperímetro e voltímetro invertidos. Amperímetro em série, resistência nula; voltímetro em paralelo, resistência infinita (2008/70).
“Tensão alta mata.” O dano depende da corrente que atravessa o corpo, do caminho e do tempo; a mesma tensão dá correntes cem vezes diferentes conforme a pele esteja seca ou molhada.
“Corrente contínua é corrente constante.” Contínua é a que não inverte o sentido; pode variar, como a da campainha (2012/51). Constante é a que não varia.
Frequência da rede. 60 Hz no Brasil, 120 inversões de sentido por segundo, período de 1/60 s; os valores de tensão e corrente da rede são eficazes, não de pico.
Tensão sem circuito fechado. A tomada tem 220 V entre os furos o tempo todo e corrente zero enquanto nada está ligado. Tensão é condição necessária para a corrente, não suficiente.
Prefixos. 50 mA são 0,050 A; 30 kA são 30 000 A. Converter antes de substituir na fórmula.
O essencial em meia página
Corrente é carga em movimento ordenado: i=ΔQ/Δt, em ampères; 1 A =1 C/s ≈6,25×1018 elétrons por segundo. Número de portadores: n=iΔt/e, com e=1,6×10−19 C.
Portadores: elétrons livres nos metais; íons positivos e negativos nas soluções; íons e elétrons nos gases ionizados. Sem campo, o movimento é térmico e a corrente é zero.
Sentido convencional: do polo + para o − no circuito externo, do potencial maior para o menor num resistor. Os elétrons vão ao contrário. Diagramas e leis usam o convencional.
Para haver corrente permanente: condutor com portadores, diferença de potencial mantida por um gerador e circuito fechado.
A corrente não se gasta: a mesma corrente entra e sai de cada componente; não há acúmulo de carga em nós nem em resistores em regime estacionário.
Velocidade de deriva: i=neAv; décimos de milímetro por segundo. O sinal se propaga a quase c; por isso a lâmpada acende na hora.
Contínua (pilha) não inverte o sentido, mas pode variar; alternada (tomada) inverte 120 vezes por segundo, f=60 Hz, T=1/60 s, valores eficazes (ief=imax/2).
Gráfico i×t: carga = área. mAh é carga: 1 mAh =3,6 C; tempo de uma bateria =Q/i.
Corpo humano: o que fere é a corrente, em miliampères; depende da tensão, da resistência da pele (seca ∼105Ω, molhada ∼103Ω), do caminho e do tempo. DR desarma em 30 mA; fio terra desvia a fuga; disjuntor protege fios, não pessoas.
Amperímetro: em série, resistência ideal nula. Voltímetro: em paralelo, resistência ideal infinita.
Exercícios temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.
Flashcards temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar os cartões de revisão.
CORRENTE ELÉTRICA | ELETRODINÂMICA | AULA 2 - Professor Boaro
Professor Boaro · 12:54
Introdução. Aula de 13 minutos do professor Marcelo Boaro, a segunda da sua série de eletrodinâmica, dedicada ao conceito de corrente elétrica: o que se move num condutor, a definição i = ΔQ/Δt, o ampère e o sentido convencional. É a construção das seções “O que se move: portadores de carga”, “Corrente é carga por segundo” e “O sentido convencional aponta para onde os elétrons não vão” desta página, no ritmo de quem está vendo o assunto pela primeira vez. Assista antes de ler.
Aula 01 - Corrente Elétrica
Davi Oliveira - Física 2.0 · 27:45
Aprofundamento. Quase meia hora em que o professor, segundo a própria descrição, inicia o estudo da eletrodinâmica “apresentando o conceito de corrente elétrica e suas características”: portadores, intensidade, unidade, sentido, os tipos de corrente (contínua e alternada) e os efeitos. Cobre com mais calma as seções “Contínua e alternada: o que muda quando a corrente inverte” e “O que a corrente faz ao passar: cinco efeitos”, além das definições, e serve para quem quer a aula inteira com exemplos numéricos.
Efeitos da corrente elétrica | químico térmico magnético fisiológico - Mãozinha em Física 118
FISICATOTAL · 17:45
Aplicação. Aula de 18 minutos sobre os efeitos da corrente elétrica, com questões de vestibular resolvidas na descrição, entre elas uma sobre choque elétrico que discute por que a corrente que entra por uma mão e sai pela outra, atravessando o tórax, é a mais perigosa, e por que dedo a dedo da mesma mão é menos grave. É exatamente o argumento das seções “O que a corrente faz ao passar” e “A corrente no corpo: por que miliampères importam” desta página, e o raciocínio pedido pelos itens de choque do PAS (2015/99, 2017/92).
Amperímetro e voltímetro - Eletrodinâmica | Física
Como é bom ser nerd - Pura Física · 19:51
Medição. Segundo a descrição do autor, a aula ensina “como devem ser ligados os instrumentos de medida elétrica (amperímetro e voltímetro) e que características eles devem ter para não interferir no funcionamento do circuito”: série e resistência nula para o amperímetro, paralelo e resistência infinita para o voltímetro. É a seção “Medir corrente e tensão sem mudar o que se mede” desta página e a resposta direta ao item PAS 3 2008/70. Julgue o item antes de assistir.
Como CALCULAR a CORRENTE ELÉTRICA? | ELETRODINÂMICA
Chama o Físico · 18:19
Resolução. Conforme a descrição, a aula discute “a definição e os tipos de corrente elétrica” e ensina “como calcular a corrente elétrica”, com exercícios resolvidos de i = ΔQ/Δt, contagem de elétrons e conversão de unidades. É o treino das seções “Corrente é carga por segundo” e “O gráfico i × t: a carga é a área” e o molde dos itens PAS 3 2017/97 (elétrons por segundo) e 2014/101 (tempo de uma bateria). Resolva os exercícios da página antes e use o vídeo para conferir.
A seção transversal de um condutor é o plano imaginário por onde a corrente é contada: i=ΔQ/Δt é a carga que atravessa esse plano por segundo. Num cabo de cobre como este, cada ampère corresponde a mais de 6×1018 elétrons por segundo, derivando a décimos de milímetro por segundo.Portadores de carga. Num metal, só os elétrons livres se movem; sem campo, o movimento é térmico e desordenado e a corrente é nula. Com um campo, os elétrons derivam contra ele e há corrente. Numa solução, íons positivos e negativos migram em sentidos opostos, e as duas migrações contribuem para a mesma corrente. Diagrama autoral.Dois sentidos, uma corrente. O sentido convencional sai do polo positivo e atravessa o resistor do potencial maior para o menor; os elétrons, negativos, fazem o caminho contrário. Todo diagrama e toda lei usam o convencional; quem vê o potencial subir ao atravessar um resistor caminha contra a corrente (item PAS 3 2014/112). Diagrama autoral.A dedução de i=neAv: num intervalo Δt, atravessam a seção os elétrons contidos num cilindro de comprimento vΔt. Três velocidades muito diferentes convivem no mesmo fio: a deriva lenta (décimos de mm/s), a agitação térmica rápida e desordenada (∼106 m/s) e o sinal que dispara o movimento em todo o circuito quase instantaneamente. Diagrama autoral.Três formas de corrente no tempo. A pilha dá corrente contínua e constante. A tomada dá alternada, senoidal, com f=60 Hz, período 1/60 s e valor eficaz imax/2. A campainha do item PAS 3 2012/51 dá uma corrente contínua que liga e desliga: não inverte o sentido, mas não é constante. Diagrama autoral.A carga é a área sob o gráfico i×t, como o deslocamento é a área sob v×t. Aqui a corrente sobe em 2 s, fica constante em 3 A por 4 s e cai em 2 s: 3+12+3=18 C atravessaram a seção, o equivalente a uma corrente constante de 2,25 A durante os 8 s. Diagrama autoral.Faixas de efeito da corrente no corpo humano (ordens de grandeza, 60 Hz, IEC 60479) e por que o caminho importa. O DR residencial desarma em 30 mA, abaixo do limiar de fibrilação; o fio terra oferece à corrente de fuga um caminho de baixa resistência que não passa por ninguém; o disjuntor protege os fios, não as pessoas. Diagrama autoral.Onde cada medidor entra e como deve ser por dentro. O amperímetro é um trecho do caminho e precisa ter resistência quase nula; o voltímetro se encosta aos dois terminais e precisa ter resistência quase infinita (item PAS 3 2008/70). Trocar as posições é o erro que queima o fusível do multímetro. Diagrama autoral.O raio é corrente elétrica num gás: o ar ionizado vira condutor e cerca de 30 000 A atravessam o canal durante décimos de milissegundo. A carga total é modesta, uns 3 C; a tensão de centenas de milhões de volts é o que torna a descarga devastadora.O rótulo de uma bateria informa a carga em miliampère-hora: 1 mAh são 3,6 C. Uma bateria de 5 000 mAh alimenta 50 mA por 100 horas, a conta do item PAS 3 2014/101; o carregador de 2 A a recarrega em cerca de duas horas e meia.Efeito luminoso da corrente num gás: os elétrons acelerados pelo campo colidem com os átomos do gás rarefeito, que emitem luz ao voltar ao estado normal. Cada gás tem sua cor; a corrente no tubo é transportada por íons e elétrons, não só por elétrons como no metal.As duas patas no mesmo fio estão praticamente no mesmo potencial: sem diferença de potencial entre elas, não há corrente pelo corpo do pássaro. Se ele tocasse o fio e a torre aterrada ao mesmo tempo, fecharia um caminho entre potenciais muito diferentes.Dois protetores, duas funções. O disjuntor desarma com dezenas de ampères e protege os fios contra sobrecarga; o DR compara a corrente da fase com a do neutro e desarma com diferença de 30 mA, abaixo do limiar de fibrilação, protegendo pessoas. O fio verde-amarelo é o terra.Para medir corrente, o amperímetro entra no caminho, em série, com resistência quase nula: toda a corrente que acende a lâmpada passa por dentro dele. Para medir tensão, o mesmo aparelho, na função voltímetro, se encosta aos dois terminais, em paralelo.
Rota PAS 3
Circuitos elétricos: da tomada às leis de Kirchhoff · PAS 3
Fontes desta página
Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.
Rota PAS 3 — Circuitos elétricos: da tomada às leis de Kirchhoff · Antes de começar: dez minutos de aquecimento (ideia 1, corrente é carga por segundo, 1 C ≈ 6 × 10¹⁸ elétrons, a corrente não se gasta); Corrente, resistência e potência: o vocabulário do circuito (conceito i = ΔQ/Δt, sentido convencional, lembrete tensão = ddp = voltagem, item 2014/112 e sua leitura pelo gráfico do potencial); Geradores reais, medidores e o capacitor no circuito (item 2008/70, amperímetro em série com resistência nula); Leia como na prova: o bloco dos circuitos da UFPR (texto-base de 2025 e roteiro de leitura); Como a banca cobra (itens 2025/80 e 2014/113 sobre acúmulo de carga; histórico com 2017/97, 2014/101, 2012/51, 2008/74, 2015/99 e 2017/92 no inventário); Galvani, Volta e o nascimento da corrente elétrica (só a menção à pilha como primeira fonte de corrente contínua)
Recorte por assunto: esta página cobre só a corrente elétrica (natureza, definição, sentido, condições, deriva, CC × CA, gráfico i × t, efeitos, corpo humano e medição). A lei de Ohm, a resistividade e os gráficos U × i ficam em resistência elétrica e leis de Ohm; potência, efeito Joule, kWh e consumo ficam na página de potência elétrica; série e paralelo, geradores reais, leis de Kirchhoff, capacitores e a história de Galvani e Volta têm páginas próprias na fila. A página acrescenta, ausentes do capítulo, os portadores em eletrólitos e gases, o movimento térmico × ordenado, a história da convenção de Franklin e a definição do ampère de 2019, as ordens de grandeza, a dedução de i = n e A v e a velocidade de deriva, a corrente alternada de 60 Hz com valor eficaz qualitativo, a carga como área e o miliampère-hora, os cinco efeitos, os limiares fisiológicos com fio terra e DR, e o uso de amperímetro e voltímetro.
Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cebraspe) · PAS 3 2008 (itens 70 e 74, caderno p. 9, bloco da célula fotoelétrica com as figuras I e II); 2012 (item 51, caderno Fraternidade, p. 9, figura da campainha); 2014 (item 101, caderno Aranha, p. 15, foto da bateria Li-Po; itens 112 e 113, p. 17, gráfico do potencial da malha única); 2017 (itens 94 e 97, caderno Liberdade, liberdade, p. 15, figura da espira do motor, transcrito da imagem do PDF porque o texto extraído desse caderno é cifrado); 2025 (item 80, bloco do circuito 1 da UFPR, itens 80 a 85)
Itens reproduzidos verbatim dos cadernos em texto e conferidos na imagem dos PDFs em utils/material/PAS/provas/ rasterizados a 130 dpi ou mais; gabaritos conferidos nos arquivos GAB (2008: 70 E, 74 C; 2012: 51 E; 2014: 101 C, 112 E, 113 C; 2017: 94 C, 97 C; 2025: 80 E) e em utils/material/PAS/pesquisa/classificacao-pas3/AAAA.json. As figuras impressas (circuito da célula fotoelétrica, campainha, rótulo da bateria 3,7 V 5 Ah 18,5 Wh, gráfico do potencial, espira do motor, circuito 1) foram descritas em texto neutro nos enunciados, nomeando todos os rótulos. Os itens 2015/99 (tipo D) e 2017/92 (anulado) não foram reproduzidos; seus cenários de choque são citados na teoria.