O caderno do PAS mostra duas cargas ligadas por um feixe de linhas curvas e uma seta no meio, e pede o sinal de cada carga sem dar número nenhum. Uma gotícula de óleo negativa fica parada no ar entre duas placas, e a banca pergunta para onde aponta o campo. O que é essa seta que existe em cada ponto do espaço mesmo onde não há carga alguma, como se lê o mapa que ela desenha e por que uma carga negativa vai sempre contra ela?
O que você vai aprender
Explicar o campo elétrico como propriedade do espaço criada pelas cargas (em lugar da ação a distância), definir E = F/q com a carga de prova positiva, identificar a unidade N/C = V/m e reconhecer que o campo em um ponto não depende da carga de prova que o mede.
Decidir o sentido da força sobre uma carga colocada em um campo: no sentido de E se positiva, contra E se negativa; e aplicar F = |q|E a elétrons, prótons e íons, inclusive em itens de tipo B com marcação de três dígitos (PAS 3 2022/88).
Calcular o campo de uma carga pontual, E = k|Q|/d², com direção radial e sentido dado pelo sinal da fonte, converter unidades antes de elevar ao quadrado e aplicar as proporções (dobrar d divide por 4; triplicar, por 9).
Aplicar o princípio da superposição somando campos como vetores: cargas alinhadas (soma com sinal), ponto médio entre cargas iguais (nulo) e opostas (dobro), cargas em ângulo (componentes, √2) e o vetor resultante sobre a perpendicular a um dipolo (PAS 3 2014/118); localizar o ponto de campo nulo entre cargas de mesmo sinal ou fora do segmento se de sinais opostos.
Desenhar e ler linhas de campo com as quatro regras (nascem em +, morrem em −; densidade proporcional a E; nunca se cruzam; número proporcional a |Q|), identificar o sinal e comparar os módulos de cargas por uma figura (PAS 3 2020/103) e interpretar o fluxo por superfícies fechadas como contagem de linhas (PAS 3 2015/89 e 90, 2020/100).
Caracterizar o campo uniforme entre placas paralelas (linhas retas, paralelas e equiespaçadas), usar a relação E = U/d com a distância em metros e a equivalência V/m = N/C (PAS 3 2012/47, 2016/118), deixando a dedução por energia para a página de potencial elétrico.
Descrever o movimento de uma partícula carregada em campo uniforme como aceleração constante a = |q|E/m: movimento retilíneo a partir do repouso e trajetória parabólica quando lançada perpendicularmente às linhas, com o desvio y = ½(|q|E/m)(L/v₀)² (PAS 3 2010/28); reconhecer que forças iguais dão acelerações diferentes para íons de massas diferentes (PAS 3 2010/94).
Resolver o equilíbrio entre força elétrica e peso: a gotícula de Millikan (|q|E = mg, contagem de elétrons, campo para baixo quando a gotícula é negativa, PAS 3 2023/107) e o pêndulo em campo horizontal (F = P·tg θ, PAS 3 2015/103 a 105), julgando o sentido da força antes de traduzir para o campo.
Enunciar o comportamento do campo em condutores em equilíbrio eletrostático (nulo no interior do metal, perpendicular à superfície, mais intenso nas pontas, nulo na cavidade: gaiola de Faraday) e reconhecer as aplicações (carro na tempestade, micro-ondas, cabo blindado), deixando a dedução e o potencial do condutor para a página de potencial elétrico.
Tratar a gravidade como campo (g = P/m, N/kg = m/s², g = GM/d²), comparar campo elétrico e gravitacional (fontes, sinais, blindagem) e evitar os erros que a banca planta: campo dependente da carga de prova, força sobre carga negativa no sentido do campo, linha de campo como trajetória, linhas que se cruzam, N/C confundido com N, distância fora do metro e campo nulo tomado como potencial nulo.
Na carta náutica de uma baía, o mapa de correntes mostra em cada ponto uma seta: comprimento, direção, sentido. Às três da manhã não há barco nenhum na baía, e a seta continua lá, dizendo para onde a água levaria um barco que estivesse naquele ponto e com que força. O caderno da 3.ª etapa de 2020 trouxe um mapa desse tipo, sem água: duas cargas, qa e qb, ligadas por um feixe de linhas curvas, e uma seta E desenhada no eixo entre elas. O item pedia só leitura: as linhas saem de qa e chegam a qb, logo qa é positiva e qb negativa. Quem sabia ler o mapa julgou em dez segundos; quem achava que a seta era a trajetória de alguma coisa errou.
Esta é a página do campo elétrico: a ideia de que uma carga modifica o espaço à sua volta, a definição E=F/q, o campo de uma carga pontual e como ele cai com a distância, a soma de campos de várias cargas e o ponto em que a soma dá zero, as regras para desenhar e ler linhas de campo, o campo uniforme entre duas placas paralelas e a relação E=U/d, o movimento de uma partícula nesse campo (uma cópia elétrica do lançamento de projéteis), o equilíbrio entre força elétrica e peso que Millikan usou para medir a carga do elétron, o que acontece com o campo dentro de um condutor e por que a gravidade também é um campo. No PAS/UnB o assunto é da 3.ª etapa e é o que mais se repete dentro da eletrostática: itens em 2010, 2012, 2014, 2015, 2016, 2020, 2022 e 2023, entre leitura de figura, conta de tipo B e equilíbrio de forças. A página pressupõe a lei de Coulomb, os processos de eletrização e a soma de vetores. O potencial, a energia potencial, as equipotenciais e o trabalho da força elétrica ficam em potencial elétrico; o campo gravitacional, que aparece aqui como comparação, tem casa em gravitação universal.
Uma carga muda o espaço à sua volta
A lei de Coulomb responde “que força uma carga faz sobre outra”. Ela funciona, mas deixa uma pergunta no ar: como a carga Q, parada num canto, “sabe” que há uma carga q a dois metros dela e a empurra sem tocá-la? No século XVIII a resposta era “ação a distância”, uma força que atravessa o vazio instantaneamente, e o próprio Newton achou isso desconfortável para a gravidade. A saída que a Física adotou, com Michael Faraday nos anos 1830 e 1840 e com James Clerk Maxwell nos anos 1860, foi dividir o problema em duas etapas. Primeiro, a carga Q modifica o espaço em volta dela: em cada ponto passa a existir uma grandeza, com módulo, direção e sentido, que chamamos de campo elétrico. Segundo, uma carga q colocada num ponto sente força porque o campo naquele ponto a empurra. Q não age sobre q; Q cria o campo, e o campo age sobre q.
A vantagem prática aparece já no primeiro problema. Se você conhece o campo em um ponto, sabe a força sobre qualquer carga posta ali, sem refazer a conta de Coulomb para cada uma. E a vantagem conceitual aparece depois, fora desta página: o campo pode existir sem carga nenhuma por perto, viajando pelo espaço como onda. A luz é um campo elétrico oscilando junto com um campo magnético. Por isso a Física moderna trata o campo como coisa real, não como truque de cálculo.
Para medir o campo em um ponto, imagine colocar ali uma carga de prova: uma carga positiva pequena, pequena o bastante para não alterar as cargas que criam o campo, e ler a força que ela sente. A razão entre a força e a carga de prova é o campo.
Campo elétrico: força por unidade de carga
O campo elétrico E em um ponto é o vetor tal que a força sobre uma carga q colocada nesse ponto vale
F=qE⟺E=∣q∣F.
Unidade no SI: newton por coulomb (N/C), que é o mesmo que volt por metro (V/m). O sentido de E é o sentido da força sobre uma carga de prova positiva. Uma carga negativa sente força no sentido oposto ao do campo. O campo em um ponto é propriedade do ponto (das cargas que o criam e da posição), não da carga de prova: troque a carga de prova e a força muda, o campo não.
símbolo
o que é
exemplo
E
campo elétrico no ponto, vetor
300 N/C, horizontal, para a direita
q
carga colocada no ponto (com sinal), em coulombs
+2×10−6 C
F
força elétrica sobre q, em newtons
6×10−4 N, para a direita
Leia a definição de dois jeitos. Como conta: um campo de 300 N/C faz 300 N em cada coulomb, logo 6×10−4 N em 2 µC. Como sentido: a carga positiva vai com a seta; a negativa vai contra. Uma carga de −2 µC no mesmo ponto sente os mesmos 6×10−4 N, agora para a esquerda. Nos dois casos o campo é idêntico; a diferença está em quem o sente.
Exemplo resolvido (a leitura da definição). Em um ponto do espaço, uma carga de prova de +5×10−9 C sente força de 2×10−5 N, vertical, para cima. Qual é o campo nesse ponto e que força sentiria ali um elétron?
Campo: E=F/∣q∣=2×10−5/5×10−9=4×103 N/C, vertical, para cima (o sentido da força sobre a carga positiva). Sobre o elétron, F=∣q∣E=1,6×10−19×4×103=6,4×10−16 N, vertical, para baixo, porque a carga é negativa. Conferência: a força ficou 3×1010 vezes menor que a força sobre a carga de prova, e a razão entre as cargas é 5×10−9/1,6×10−19≈3×1010. Fecha.
O campo não depende de quem o mede
“Se a carga de prova dobrar, o campo dobra.” Errado: a força dobra e a carga dobra, a razão fica igual. O campo é criado pelas outras cargas; a carga de prova só o revela. A fórmula E=F/∣q∣ é uma definição, não uma lei que diga que E cresce com q. É o mesmo que dizer que o preço do quilo de arroz não muda quando você leva dois quilos em vez de um.
O campo de uma carga pontual cai com o quadrado
Coloque uma carga de prova q a uma distância d de uma carga pontual Q. A força é a de Coulomb, F=k∣Q∣∣q∣/d2. Divida pela carga de prova e ela desaparece:
Campo de uma carga pontual
A uma distância d de uma carga pontual Q, no vácuo,
E=d2k∣Q∣,k=9×109N⋅m2/C2.
Direção: radial, sobre a reta que liga Q ao ponto. Sentido: para longe de Q se Q é positiva (o campo “nasce” nela); para Q se ela é negativa (o campo “morre” nela). O módulo depende só de ∣Q∣ e de d: cai a um quarto quando d dobra, a um nono quando d triplica, e nunca chega a zero.
O campo de uma carga pontual é radial: sai da positiva, entra na negativa. O módulo cai com o quadrado da distância, E, E/4, E/9. Diagrama autoral.
Exemplo resolvido (o campo e duas cargas de prova). Uma carga Q=+6 µC está fixa. Qual é o campo a 3 m dela, e que força sentem ali uma carga de −2 µC e uma de +2 µC?
E=329×109×6×10−6=95,4×104=6×103N/C,
apontando para longe de Q. A carga de −2 µC sente F=2×10−6×6×103=1,2×10−2 N, paraQ (contra o campo): atração entre sinais opostos, como Coulomb já dizia. A carga de +2 µC sente os mesmos 1,2×10−2 N, para longe de Q: repulsão. Conferência pela lei de Coulomb direta: F=9×109×6×10−6×2×10−6/9=1,2×10−2 N. Mesmo número, dois caminhos.
As proporções. A tabela da lei de Coulomb vale inteira, com uma carga só:
o que muda
o campo fica
d→2d
E/4
d→3d
E/9
d→d/2
4E
Q→2Q
2E
Q→−Q
mesmo módulo, sentido invertido
carga de prova q→2q
E (nada muda)
Ordens de grandeza. A 1 m de uma carga de 1 µC o campo vale 9×103 N/C; a 1 cm, 9×107 N/C. Dentro do átomo de hidrogênio, a 5,3×10−11 m do próton, o campo é de 5×1011 N/C. O ar seco aguenta até cerca de 3×106 V/m antes de virar condutor e produzir uma faísca; é por isso que uma esfera pequena não segura muita carga, e por isso o raio existe. E o campo elétrico natural da atmosfera, num dia de tempo bom, é de uns 100 V/m, apontando para baixo, pequeno demais para que alguém o sinta.
O campo como promessa de força
O campo é uma promessa: se uma carga estiver aqui, a força será esta. Um sensor de tela sensível ao toque mede exatamente isso: o campo entre eletrodos muda quando o dedo, que é um condutor, se aproxima, e o aparelho lê a mudança sem que nada seja tocado. O mesmo princípio está nos sensores de proximidade que apagam a tela do celular quando ele encosta na orelha e nos detectores de fio embutido na parede: eles reagem ao campo, não ao contato.
Várias cargas: os campos se somam como setas
O campo criado por várias cargas em um ponto é a soma vetorial dos campos que cada carga criaria sozinha ali. É o princípio da superposição, o mesmo das forças de Coulomb, e a regra prática é a de vetores: desenhe uma seta por carga, com sentido decidido pelo sinal da fonte, e some.
Superposição. Ponto médio entre cargas iguais: campo nulo. Ponto médio entre cargas opostas: os campos se somam. Sobre a perpendicular a um dipolo: a resultante é paralela ao segmento, da positiva para a negativa (item PAS 3 2014/118). Diagrama autoral.
Ponto médio entre duas cargas de mesmo módulo. Cargas iguais e de mesmo sinal: no ponto médio, os dois campos têm o mesmo módulo e sentidos opostos (cada um aponta para longe da sua carga, se positivas), e a soma é zero. Cargas iguais e de sinais opostos: as duas setas têm o mesmo sentido, saindo da positiva rumo à negativa, e a resultante vale o dobro de cada uma, E=2k∣q∣/d2. Este segundo caso é uma armadilha clássica, porque no mesmo ponto o potencial é nulo; o campo não é. A comparação está na página de potencial elétrico.
Cargas alinhadas. Sobre a reta que passa pelas cargas, cada campo é horizontal, e a soma é algébrica, com sinal. Duas cargas positivas, +4 µC em A e +1 µC em B, a 30 cm uma da outra: onde o campo resultante é nulo? Só pode ser entre elas (fora do segmento os dois campos apontam para o mesmo lado) e mais perto da carga menor. Chamando de x a distância até A:
A 20 cm da carga de 4 µC e a 10 cm da carga de 1 µC. Conferência: 4/0,202=100 e 1/0,102=100. Iguais. Se as cargas fossem de sinais opostos, o ponto de campo nulo ficaria fora do segmento, do lado da carga de menor módulo, exatamente como o ponto de equilíbrio de uma terceira carga na lei de Coulomb. E repare: a posição não depende de nenhuma carga de prova, porque estamos somando campos, não forças.
Cargas em ângulo. Duas cargas iguais +q em (−d,0) e (+d,0), ponto P em (0,d). Cada carga está a d2 de P, então cada campo vale E1=kq/(2d2) e faz 45° com a vertical. As componentes horizontais se cancelam; as verticais se somam: E=2E1cos45°=E12=kq2/(2d2), vertical, para cima. Troque a carga da direita por −q: agora o campo dela em P aponta para a carga, isto é, para baixo e para a direita, enquanto o da carga da esquerda segue apontando no sentido oposto a ela, ou seja, para cima e para a direita. Desta vez são as componentes verticais que se cancelam e as horizontais que se somam, e a resultante fica horizontal, de +q para −q, com o mesmo módulo E12. Foi este o item de tipo C da 3.ª etapa de 2014: das quatro setas oferecidas em P, a certa era a horizontal no sentido de +q para −q. Quem dá à carga negativa um campo que “sai” dela erra o sentido e marca a seta vertical.
Princípio da superposição
E=E1+E2+E3+⋯
Cada parcela é o campo que a carga criaria sozinha, com módulo k∣qi∣/di2 e sentido dado pelo sinal de qi. Em linha: soma com sinal. Perpendiculares: Pitágoras (E2 se iguais). Em ângulo qualquer: componentes. O campo resultante pode ser zero em um ponto sem que nenhuma carga esteja ali: as setas se cancelaram.
Linhas de campo: o desenho tem regras
Para enxergar o campo inteiro de uma vez, Faraday inventou as linhas de força, que hoje chamamos de linhas de campo: curvas desenhadas de modo que, em cada ponto, o campo seja tangente à linha, com o sentido indicado por uma seta. O desenho segue quatro regras, e cada regra é um item de prova possível.
Nascem nas cargas positivas e morrem nas negativas. Uma linha que sai de uma carga positiva vai até uma negativa ou até o infinito; nunca fica solta no meio do espaço nem forma um laço fechado (isso é coisa de campo magnético).
A densidade mede a intensidade. Onde as linhas estão apertadas, o campo é forte; onde se abrem, é fraco. Perto de uma carga pontual as linhas se juntam; longe, se espalham, e o número de linhas por área cai com 1/d2, como o campo.
Nunca se cruzam. Se duas linhas se cruzassem, o campo teria duas direções no mesmo ponto, e a força sobre uma carga ali seria ambígua. Não existe.
O número de linhas que saem de uma carga é proporcional ao módulo dela. Uma carga +2q é desenhada com o dobro de linhas de uma carga +q. É por isso que se pode ler o sinal e comparar os módulos de duas cargas olhando só o desenho.
Quatro mapas. Carga isolada: linhas radiais, para fora se positiva, para dentro se negativa. Dipolo: as linhas nascem em + e morrem em −; no ponto médio os dois campos se somam e E aponta de + para −. Duas positivas: as linhas se repelem e abrem um vazio no ponto médio, onde E=0. Traçado numérico. Diagrama autoral.
Lendo a figura de 2020. O caderno mostrava qa à esquerda e qb à direita, com linhas que saíam de qa e chegavam a qb, e um vetor E sobre o eixo central apontando de qa para qb. O item 103 afirmava que “qa é uma carga elétrica negativa e qb é positiva”. Regra 1: linhas saem da positiva. Saem de qa, logo qa é positiva. O item inverte os papéis: errado. A seta E no eixo confirma: aponta para qb, e o campo aponta para a carga negativa. O item 104, do mesmo bloco, era a conta de Coulomb com as cargas dadas e está na página da lei de Coulomb.
Lendo a figura de 2015. Duas superfícies fechadas, uma esfera e um cubo, cada uma com uma carga positiva idêntica dentro, e as linhas de campo saindo radialmente. O item 90 afirmava que os fluxos de linhas de campo através das duas superfícies são iguais. Pense nas linhas como fios que nascem na carga: todo fio que nasce dentro atravessa a superfície fechada uma vez, seja ela redonda ou quadrada. Mesma carga dentro, mesmo número de fios, mesmo fluxo: certo. É a versão desenhada da lei de Gauss, que não é matéria do ensino médio, mas cuja leitura por contagem de linhas a banca cobrou. O item vizinho, 89, fazia a mesma pergunta com o campo gravitacional da Terra e três esferas de raios crescentes: o fluxo não aumenta com o raio, porque as linhas que atravessam a esfera grande são as mesmas que atravessam a pequena; só ficam mais espalhadas. Errado.
Linha de campo não é trajetória
Uma carga abandonada em repouso começa a se mover ao longo da linha (a força é tangente a ela), mas se a linha for curva a carga não a segue: a inércia a leva para fora da curva, como um carro que sai pela tangente. Só em linhas retas (carga isolada, campo uniforme) a trajetória de uma carga solta do repouso coincide com a linha. E uma carga lançada com velocidade oblíqua ao campo nunca segue linha nenhuma: ela faz uma parábola, como se verá adiante.
Como a figura denuncia o sinal e o módulo. Se de uma carga saem 8 linhas e da vizinha chegam 4, a primeira é positiva com módulo duas vezes o da segunda, e 4 linhas escapam para o infinito. Uma carga negativa isolada: todas as linhas chegam nela, retas e radiais. Duas positivas iguais: as linhas se afastam uma da outra, e entre as cargas fica uma região sem linha nenhuma, ao redor do ponto de campo nulo. Placas paralelas com cargas opostas: linhas retas, paralelas e igualmente espaçadas, da placa positiva para a negativa, que é o assunto da próxima seção.
Campo uniforme entre placas paralelas: a régua elétrica
Conecte os terminais de uma fonte a duas chapas metálicas paralelas: uma delas acumula carga positiva, a outra, negativa. Afastado das bordas, o campo na região entre as chapas não muda de um ponto a outro: a intensidade é a mesma, a direção é perpendicular às placas e o sentido vai da positiva para a negativa. As linhas de campo saem retas, paralelas e igualmente espaçadas. É o campo uniforme, a configuração favorita de laboratórios e de bancas, porque toda conta nele se reduz a uma multiplicação ou a uma divisão.
Campo uniforme. Linhas retas, paralelas e equiespaçadas, da placa positiva para a negativa. A força sobre uma carga é constante: F=∣q∣E, no sentido do campo para q>0, contra ele para q<0. A intensidade é a tensão entre as placas dividida pela distância. Diagrama autoral.
O campo uniforme e a diferença de potencial entre as placas
Entre duas placas paralelas separadas pela distância d e ligadas a uma diferença de potencial U,
E=dU,
com U em volts, d em metros e E em volts por metro. Daí a equivalência de unidades: 1V/m=1N/C, porque 1V=1J/C=1N⋅m/C. Uma carga q posta entre as placas recebe uma força que não varia, F=∣q∣E, puxando-a rumo à placa cujo sinal é contrário ao dela. Por que o campo é a tensão dividida pela distância, e o que isso tem a ver com energia, é a dedução da página de potencial elétrico; aqui basta a relação e a unidade.
Exemplo resolvido (a conta com a unidade certa). Duas placas separadas por 4 cm, com 300 V entre elas. Qual é o campo, e que força age sobre um elétron solto no meio?
Converta antes de dividir: d=0,04 m, logo E=300/0,04=7500 V/m =7500 N/C. Sobre o elétron, F=1,6×10−19×7500=1,2×10−15 N, rumo à placa positiva, no sentido contrário ao do campo. Com d=4 na fórmula sairia E=75 V/m, cem vezes menos: o erro de unidade acontece antes de qualquer física.
Os itens que usaram a relação. Em 2012, o caderno mostrava uma partícula com carga +Q entre duas placas, a de cima positiva e a de baixo negativa, e afirmava que, com 2 cm e 5 V, o campo vale 250 N/C. E=5/0,02=250 V/m =250 N/C: certo; note que o enunciado fornece volts e centímetros e pede a resposta em N/C, conversão de unidade e equivalência V/m = N/C cobradas numa frase só. Em 2016, o capacitor com placas a h=10 mm e 30 V entre elas: o item 118 dizia que o campo é inferior a 1 000 V/m. E=30/0,010=3000 V/m, errado; quem mantém h em milímetros encontra 3 V/m e assina embaixo do item. Em 2024, a mesma conta apareceu em escala de tempestade, com 100 milhões de volts entre nuvem e solo a 1 km: 108/103=105 V/m, e a afirmação de “100 V/m” ficava mil vezes abaixo do valor; esse bloco está na página de potencial elétrico, junto com o para-raios.
O centímetro, o milímetro e o quilômetro
Nenhuma fórmula desta página rende mais armadilhas de unidade do que E=U/d. 2 cm são 0,02 m; 10 mm são 0,010 m; 1 km são 1 000 m. Toda distância entra em metros, sempre, e o erro sai multiplicado ou dividido por 100 ou por 1 000. Converta antes de escrever a fração.
Uma partícula no campo uniforme: o projétil elétrico
Se o campo é o mesmo em todo ponto, a força sobre uma carga é constante, e força constante em Newton significa aceleração constante:
a=mF=m∣q∣E.
Isso torna o campo uniforme uma cópia da gravidade perto do solo, com duas diferenças. A aceleração depende da razão carga/massa da partícula, e não é a mesma para todo mundo: um elétron em 1 000 N/C acelera a 1,76×1014 m/s², um próton, 1 836 vezes mais pesado com a mesma carga, a 9,6×1010 m/s². E o sentido depende do sinal: a positiva acelera no sentido do campo, a negativa, contra.
projétil na gravidade
carga no campo uniforme
força
P=mg, vertical para baixo
F=∣q∣E, paralela às linhas, sentido pelo sinal
aceleração
g, igual para todos os corpos
a=∣q∣E/m, depende de q/m
solta do repouso
cai em linha reta, v=gt, h=gt2/2
anda em linha reta ao longo da linha de campo, v=at, s=at2/2
lançada perpendicular
parábola: x=v0t, y=gt2/2
parábola: x=v0t, y=at2/2
o que ignora
resistência do ar
o peso (desprezível para elétrons e íons)
Solta do repouso. Um elétron abandonado entre as placas do exemplo anterior (E=7500 N/C) acelera a a=1,2×10−15/9,1×10−31≈1,3×1015 m/s², rumo à placa positiva. Para atravessar os 4 cm: s=at2/2⇒t=2×0,04/1,3×1015≈7,8×10−9 s, e chega com v=at≈1,0×107 m/s, uns 3% da velocidade da luz. O peso do elétron, 9×10−30 N, é 1014 vezes menor que a força elétrica; ninguém precisa pedir licença para ignorá-lo.
Lançada paralelamente às placas. Agora a partícula entra com velocidade v0 horizontal, e o campo é vertical. Na horizontal não há força: x=v0t, velocidade constante. Na vertical a força é constante: y=21at2. Eliminando t, y=2v02ax2, uma parábola, a mesma curva do lançamento horizontal de uma bola, com a no lugar de g. O tempo dentro das placas é o tempo de percorrer o comprimento L das placas na horizontal, t=L/v0, e o desvio na saída é
y=21m∣q∣E(v0L)2.
Dobrar a carga dobra o desvio; dobrar a velocidade de entrada divide o desvio por 4; dobrar o comprimento das placas multiplica por 4.
O projétil elétrico. Velocidade horizontal constante, aceleração vertical constante a=∣q∣E/m: a trajetória é uma parábola, como a de uma bola lançada na horizontal. O elétron, negativo, é desviado contra o campo, para a placa positiva. Diagrama autoral.
A impressora de 2010. O caderno da 3.ª etapa de 2010 descreveu a impressora a jato de tinta: gotas de massa 1,5×10−10 kg entram a 20 m/s entre placas defletoras quadradas de lado L=1,7 cm, com campo de 103 N/C, e um computador controla a carga de cada gota. O item de tipo B pedia, em picocoulombs, a diferença de carga entre duas gotas para que elas saiam separadas por 0,9 mm. Tempo entre as placas: t=0,017/20=8,5×10−4 s. Desvio de cada gota: y=21mqEt2, e a diferença entre duas gotas é Δy=21mΔqEt2, logo
Marcação 373. O item é o projétil elétrico inteiro: tempo pela horizontal, desvio pela vertical, e a carga como controle. Nas impressoras reais o mecanismo é esse mesmo, e a resolução da letra vem da precisão com que se dosa a carga de cada gota.
A força é igual, a aceleração não. Em 2010 a banca escondeu um item de Física num bloco de Química sobre o tampão do sangue, com os íons H+ e HCO3−: sob um campo elétrico externo, dizia o item, eles “irão adquirir acelerações com mesmo módulo” e se moverão em sentidos opostos. Sentidos opostos, sim: um é positivo, o outro negativo. Módulos iguais, não: as forças são iguais (mesmo ∣q∣, mesmo E), mas a=F/m, e o bicarbonato tem cerca de 61 vezes a massa do próton. Errado. É o mesmo raciocínio do par de ação e reação na lei de Coulomb: forças iguais, acelerações diferentes.
Millikan: quando a força elétrica segura o peso
Entre 1909 e 1913, Robert Millikan borrifou gotículas de óleo entre duas placas horizontais, eletrizou as gotículas com raios X e ajustou a tensão entre as placas até uma gotícula parar no ar. Parada, a gotícula está em equilíbrio: a força elétrica para cima iguala o peso para baixo,
∣q∣E=mg⟹∣q∣=Emg.
Medindo a massa da gotícula (pela velocidade de queda sem campo) e o campo, Millikan obtinha a carga, e descobriu que todas as cargas eram múltiplos inteiros de 1,6×10−19 C: a carga do elétron. O Nobel veio em 1923. Para esta página, o experimento é o modelo do equilíbrio entre força elétrica e peso, e é o molde de um item que a banca repete.
Dois equilíbrios. Millikan: gotícula negativa parada, ∣q∣E=mg, com o campo apontando **para baixo**, no mesmo sentido do peso. Pêndulo em campo horizontal: três forças que fecham um triângulo, F=Ptanθ; a 45°, a força elétrica iguala o peso (itens PAS 3 2015/103 a 105). Diagrama autoral.
O sentido do campo é o pivô. A gotícula de Millikan é negativa. Para que a força elétrica aponte para cima e segure o peso, o campo tem de apontar para baixo, porque F=qE com q<0 inverte o sentido. Em outras palavras, a placa de cima é a positiva. O item 107 da 3.ª etapa de 2023 afirmou que, para a gotícula ficar em repouso, “é necessário que o vetor campo elétrico tenha sentido oposto ao vetor campo gravitacional”. O campo gravitacional aponta para baixo; o campo elétrico precisa apontar para baixo também. Errado. O item estaria certo para gotículas positivas, e a banca contou com o reflexo “para segurar, campo para cima”. O item vizinho, 108, de tipo C, pedia a conclusão do experimento, a carga como múltiplo inteiro da carga do elétron, e está na página de carga elétrica e eletrização.
Primeiro a força, depois o campo
Sempre que a carga do item for negativa, comece pela força: para onde ela precisa apontar (para cima, se é para sustentar; para o centro, se é para curvar)? Só depois escreva o sentido do campo, que é o inverso. Quem parte direto de “campo para cima” tropeça no Millikan de 2023 e em qualquer item montado sobre ele.
Exemplo resolvido (contando elétrons). Uma gotícula de óleo de massa 4,0×10−15 kg fica parada entre placas horizontais que produzem um campo de 5,0×104 N/C. Com g=10 m/s², quantos elétrons em excesso ela tem?
Peso: P=4,0×10−15×10=4,0×10−14 N. Equilíbrio: ∣q∣=P/E=4,0×10−14/5,0×104=8,0×10−19 C. Elétrons: n=8,0×10−19/1,6×10−19=5. Conferência de sentido: gotícula negativa, força para cima, campo para baixo, placa de cima positiva. Conferência de escala: 5 elétrons em uma gotícula de micrômetros é o tamanho que Millikan de fato media, entre 1 e algumas dezenas.
O pêndulo em campo horizontal. A figura de 2015 trazia uma parede vertical carregada positivamente, um fio preso ao alto dessa parede e, na ponta do fio, uma partícula positiva em repouso, com réguas marcando 3 cm de afastamento horizontal e 3 cm de queda vertical. Massa 1 000 g, carga 9,8×10−4 C, g=9,8 m/s². Três forças na partícula: o peso, para baixo; a força elétrica, horizontal, para longe do plano (o plano positivo repele a carga positiva); a tração, ao longo do fio. Da figura, 3 cm por 3 cm: o fio faz 45° com a vertical, não 30° (item 103, errado). No triângulo de forças, F=Ptanθ, e a 45° a tangente vale 1: F=P=1×9,8=9,8 N (item 104, certo). Por fim, E=F/∣q∣=9,8/9,8×10−4=104 N/C, que é o mesmo que 104 V/m (item 105, certo). O bloco inteiro é o pêndulo eletrostático da lei de Coulomb com o campo no lugar da segunda carga, e a última linha cobra a equivalência de unidades da seção anterior.
A gotícula que não caía
Millikan precisava de uma partícula pequena o bastante para que uma tensão de laboratório a segurasse, e grande o bastante para ser vista ao microscópio. Água evaporava rápido demais; óleo de relógio resolveu. Em uma gotícula típica, de 1 µm de raio e massa da ordem de 4×10−15 kg, o peso é de 4×10−14 N; com uma carga de um só elétron, é preciso um campo de 2,5×105 V/m para segurá-la, o que dá 4 000 V entre placas separadas de 1,6 cm. Millikan mediu milhares de gotículas ao longo de anos e nunca encontrou uma carga que não fosse múltiplo inteiro de e. A quantização da carga, que hoje se enuncia numa linha, é o resultado desse equilíbrio repetido.
Campo e condutores: dentro do metal, zero
Um pedaço de metal tem elétrons livres. Se houver campo dentro do metal, esses elétrons se movem; enquanto se movem, redistribuem carga; a redistribuição cria um campo que se opõe ao original; e o movimento só cessa quando o campo interno se anula. Em equilíbrio eletrostático, portanto, o campo elétrico dentro de um condutor é zero, qualquer que seja a forma dele e qualquer que seja o campo externo. Isso puxa três consequências que a banca cobra em esferas metálicas e que esta página só apresenta, porque a página de potencial elétrico as deduz junto com o potencial do condutor.
Na superfície, o campo é perpendicular. Se houvesse componente do campo ao longo da superfície, os elétrons da superfície se moveriam ao longo dela. Não se movem, logo as linhas de campo chegam ou saem de um condutor sempre em ângulo reto com a superfície. É por isso que as linhas entre duas placas paralelas são perpendiculares às placas.
Nas pontas, o campo é mais forte. A carga em excesso de um condutor se distribui na superfície, e se concentra onde o raio de curvatura é menor. Perto de uma ponta, as linhas se apertam e o campo cresce; é ali que o ar chega primeiro aos 3×106 V/m e vira condutor. O para-raios é uma ponta metálica posta de propósito no alto do prédio, e a página de potencial conta o resto.
Dentro de uma cavidade, o campo externo não entra. Uma caixa metálica fechada, ou mesmo uma grade fina, em equilíbrio num campo externo: as cargas da superfície se arranjam de modo que o campo dentro da cavidade seja nulo. É a blindagem eletrostática, a gaiola de Faraday, demonstrada por ele em 1836 com uma sala forrada de metal onde ele mesmo entrou e não detectou campo nenhum.
Onde a gaiola de Faraday aparece
O carro numa tempestade: a carroceria metálica conduz a descarga pela superfície externa e o interior fica protegido, não pelos pneus de borracha. O forno de micro-ondas: a caixa metálica e a grade da porta mantêm o campo dentro. O cabo blindado do aparelho de som e a malha metálica em volta do cabo de antena: o campo externo não chega ao fio de dentro. O avião atingido por um raio: a fuselagem de alumínio faz a corrente contornar a cabine. Em todos os casos, o mecanismo é o mesmo: campo nulo dentro de um condutor em equilíbrio.
A gravidade também é um campo
Tudo o que esta página disse sobre E vale, palavra por palavra, para a gravidade, trocando carga por massa. A Terra modifica o espaço em volta dela; uma massa m colocada num ponto sente força P=mg; e a razão g=P/m é o campo gravitacional naquele ponto. Perto do solo ele vale 9,8 N/kg, que é o mesmo que 9,8 m/s², e aponta para baixo. Longe da Terra, a uma distância d do centro, g=GM/d2, radial e sempre para dentro, o campo de uma “carga” que só atrai.
campo elétrico
campo gravitacional
fonte
carga Q
massa M
definição
E=F/q
g=P/m
unidade
N/C = V/m
N/kg = m/s²
carga pontual
E=k∣Q∣/d2
g=GM/d2
sentido
sai de +, entra em −
sempre para a massa
linhas
nascem e morrem em cargas
só chegam, nunca saem
uniforme
entre placas paralelas
perto da superfície de um planeta
pode ser blindado
sim (gaiola de Faraday)
não
Foi esta analogia que o caderno de 2012 desenhou lado a lado: na figura I, uma partícula de massa m a uma altura h no campo gravitacional uniforme; na figura II, uma partícula com carga +Q entre duas placas, no campo elétrico uniforme. O item 47 era a conta E=U/d da seção anterior; o item 48, sobre o trabalho independer do caminho nos dois casos, é matéria de potencial elétrico. E em 2020 a banca desenhou linhas de campo vetorial terminando num ponto P e três caminhos fechados em volta dele, perguntando se “fluem mais linhas de forças gravitacionais” através do caminho maior que através do menor. Não fluem: toda linha que termina em P atravessa qualquer curva fechada que envolva P, uma vez cada; o número é o mesmo, seja a curva grande ou pequena. Errado, pelo mesmo motivo da esfera e do cubo de 2015.
Fluxo por contagem de linhas. As linhas que atravessam a esfera grande são as mesmas que atravessam a pequena (PAS 3 2015/89 e 2020/100); esfera ou cubo com a mesma carga dentro, mesmo número de linhas (2015/90). Diagrama autoral.
A diferença que importa está na última linha da tabela. Cargas vêm em dois sinais, e um condutor pode rearranjar as suas para anular um campo externo. Massa só vem em um sinal, e não há “condutor gravitacional”: nenhuma sala blindada protege alguém da gravidade. E a força elétrica entre partículas é 1039 vezes mais forte que a gravitacional, como a lei de Coulomb calcula; é a neutralidade da matéria que deixa a gravidade governar o céu.
Como a banca pergunta
Nenhum outro assunto da eletrostática aparece em tantas provas da 3.ª etapa quanto o campo elétrico: itens em oito edições entre 2010 e 2023, sem conta pesada, com as constantes dadas. Em 2025, primeira prova da matriz vigente, a eletrostática inteira ficou de fora. Os padrões:
Ler a figura. Linhas de campo e sinais (2020/103: linhas saem de qa, logo qa é positiva; o item afirmava o contrário, errado). Vetor resultante em um ponto (2014/118, tipo C: sobre a perpendicular a um dipolo, a resultante é horizontal, de +q para −q). Fluxo por contagem de linhas (2015/90, esfera e cubo com a mesma carga, fluxos iguais, certo; 2015/89 e 2020/100, o fluxo gravitacional não muda com o tamanho da superfície fechada, errados).
A força sobre uma carga no campo, como tipo B. 2022/88: elétron em 5,0×104 N/C, F=1,6×10−19×5,0×104=8,0×10−15 N, dividido por 10−15, marcação 008, com os zeros à esquerda.
O equilíbrio com o peso. Millikan (2023/107: gotícula negativa exige campo para baixo, no mesmo sentido do gravitacional; o item dizia oposto, errado). Pêndulo em campo horizontal (2015/103 a 105: 45°, F=P=9,8 N, E=104 V/m).
O campo uniforme e a tensão.E=U/d com a distância em centímetros ou milímetros (2012/47: 5 V e 2 cm, 250 N/C, certo; 2016/118: 30 V e 10 mm, 3 000 V/m, “inferior a 1 000” errado). O movimento no campo uniforme como tipo B (2010/28: gotas de tinta, 373 pC).
A aceleração de íons. 2010/94: mesma força, massas diferentes, acelerações diferentes, sentidos opostos; o item dizia “mesmo módulo”, errado.
O que a banca fornece: a carga do elétron, a constante eletrostática, g, e a figura. O que ela não perdoa: o sentido da força sobre a carga negativa, a distância fora do metro, e a parte fracionária que não foi descartada na marcação do tipo B.
Os erros que a prova planta
Achar que E depende da carga de prova.E=F/∣q∣ é uma razão; dobrar q dobra F e deixa E igual. O campo é das cargas que o criam.
Pôr a força sobre a carga negativa no sentido do campo.F=qE com q<0 inverte o sentido. É o pivô do Millikan de 2023 e do vetor resultante de 2014.
Achar que o campo de uma carga negativa “sai” dela. Sai da positiva, entra na negativa. No desenho, a seta aponta para a carga negativa.
Confundir linha de campo com trajetória. A linha dá a direção da força; a trajetória depende também da velocidade. Só coincidem em linha reta e partida do repouso.
Cruzar linhas de campo. Não se cruzam nunca: o campo tem um só valor em cada ponto.
Achar que campo nulo implica potencial nulo (ou o contrário). No ponto médio entre +q e −q, E=0 e V=0; entre +q e +q, E=0 e V=0. São grandezas diferentes; a comparação está em potencial elétrico.
Somar campos como números. Fora da reta que une as cargas, os campos têm direções diferentes e se somam por componentes. Dois campos iguais e perpendiculares dão E2, não 2E.
Confundir N/C com N. N/C é unidade de campo (força por carga); N é força. Um campo de 100 N/C não faz 100 N em uma carga qualquer, faz 100 N em cada coulomb.
Deixar a distância em centímetros em E=U/d ou em E=k∣Q∣/d2. 2 cm são 0,02 m; 10 mm são 0,010 m; 1 km são 1 000 m. O erro sai multiplicado por 100 ou por 1 000 (e por 104 dentro do quadrado).
Achar que forças iguais dão acelerações iguais. No mesmo campo, íons de mesma carga sentem a mesma força, mas a=F/m: o mais leve acelera mais (2010/94).
Achar que o fluxo cresce com o tamanho da superfície fechada. As linhas são as mesmas; só se espalham (2015/89, 2020/100). O que conta é a carga (ou a massa) que está dentro.
Esquecer que o campo é nulo dentro de um condutor em equilíbrio. E não confundir o interior do metal com o interior de uma cavidade: no metal o campo é nulo sem exceção; dentro de uma cavidade, só na ausência de carga lá dentro.
O essencial em meia página
Definição:F=qE, E=F/∣q∣, em N/C = V/m. Sentido do campo = sentido da força sobre carga positiva; carga negativa sente força contra o campo. O campo não depende da carga de prova.
Carga pontual:E=k∣Q∣/d2, radial; sai de +, entra em −. d→2d: E/4; d→3d: E/9. Ordens de grandeza: 1 µC a 1 m, 9×103 N/C; ar rompe em 3×106 V/m; tempo bom, 100 V/m para baixo.
Superposição: soma vetorial. Ponto médio de cargas iguais: zero; de cargas opostas: 2k∣q∣/d2, de + para −. Campo nulo entre cargas de mesmo sinal, perto da menor (4q e q a 30 cm: a 20 cm da maior); fora do segmento se sinais opostos. Perpendicular ao dipolo: resultante paralela ao eixo, de + para − (2014/118).
Linhas de campo: tangentes ao campo; nascem em +, morrem em −; densidade ∝E; nunca se cruzam; número ∝∣Q∣. Não são trajetórias. Fluxo por superfície fechada depende só da carga interna (2015/90); não cresce com o raio (2015/89, 2020/100).
Campo uniforme: linhas retas, paralelas, equiespaçadas, de + para −; E=U/d, d em metros (2012/47: 250 N/C; 2016/118: 3 000 V/m); F=∣q∣E constante.
Movimento no campo uniforme:a=∣q∣E/m, constante, depende de q/m. Do repouso: MUV ao longo da linha. Lançada perpendicular: parábola, y=21m∣q∣E(L/v0)2 (2010/28: 373 pC). Mesma força, massas diferentes, acelerações diferentes (2010/94).
Equilíbrio com o peso:∣q∣E=mg. Gotícula negativa parada exige campo para baixo (2023/107, errado ao dizer “oposto ao gravitacional”). Pêndulo em campo horizontal: F=Ptanθ; a 45°, F=P (2015/103 a 105: E, C, C). Julgue a força primeiro.
Condutores em equilíbrio: campo interno nulo; linhas perpendiculares à superfície; campo maior nas pontas; cavidade blindada (gaiola de Faraday). Dedução e potencial do condutor em potencial elétrico.
Gravidade como campo:g=P/m, 9,8 N/kg = m/s², radial para dentro, g=GM/d2; mesma matemática, um só sinal, sem blindagem.
Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.
Flashcards temporariamente indisponíveis
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Campo Elétrico | ELETROSTÁTICA
Chama o Físico · 23:05
Introdução. Aula de 23 minutos que, segundo a descrição do autor, discute o conceito de campo elétrico, a definição matemática e a representação por linhas de força. É a construção das seções “Uma carga muda o espaço à sua volta”, “O campo de uma carga pontual cai com o quadrado” e “Linhas de campo: o desenho tem regras” desta página, com a ideia de carga de prova e o sentido do campo decidido pelo sinal da fonte. Assista antes de ler.
CAMPO ELÉTRICO - Teoria e Exercícios
Felipe Sampaio - Física · 26:37
Aprofundamento. Aula com capítulos marcados na descrição: como representar o campo elétrico (0:00), calculando o campo (3:36), relação entre campo elétrico e força elétrica (5:41), unidade de medida (13:37) e um exercício de campo elétrico resultante (14:58). Cobre com contas passo a passo as seções “Campo elétrico: força por unidade de carga” e “Várias cargas: os campos se somam como setas”, inclusive a soma vetorial em um ponto, que é o molde do item PAS 3 2014/118.
Movimento de Carga em C.E.U. (Campo Elétrico Uniforme)
All Physics · 13:23
Aplicação. O professor resolve uma questão de partícula carregada abandonada em um campo elétrico uniforme e, conforme a descrição, mostra que a força é constante e que a aceleração depende da massa, da carga e do módulo do campo. É a seção “Uma partícula no campo uniforme: o projétil elétrico” desta página, na parte da partícula solta do repouso, e o raciocínio do item PAS 3 2010/94 (mesma força, acelerações diferentes).
Resolução do PAS 3 UnB 2020 - Eletrostática: campo de um dipolo e Lei de Coulomb
Física+ · 12:35
Resolução de item real. O professor Matheus Aguiar resolve os itens 103 (a partir de 4:05) e 104 (5:00) da 3.ª etapa de 2020, com o texto do bloco reproduzido na descrição do vídeo: as linhas de campo entre q_a e q_b e o sinal das cargas, item reproduzido nesta página, na seção “Linhas de campo: o desenho tem regras”, e a força de Coulomb de q_a sobre q, reusada da página de lei de Coulomb. Julgue o item 103 antes de assistir.
Sementes de grama em óleo se alinham com o campo elétrico e desenham as linhas de campo entre dois eletrodos: densas onde o campo é forte, abertas onde é fraco, saindo de um e chegando ao outro sem se cruzar.O campo de uma carga pontual é radial: sai da positiva, entra na negativa. O módulo cai com o quadrado da distância, E, E/4, E/9, e não depende da carga de prova. Diagrama autoral.Superposição. Ponto médio entre cargas iguais: campo nulo. Ponto médio entre cargas opostas: os campos se somam. Sobre a perpendicular a um dipolo: a resultante é paralela ao segmento, da positiva para a negativa (item PAS 3 2014/118). Diagrama autoral.Quatro mapas de linhas de campo, traçados numericamente a partir de E=∑kqir^i/di2. Nascem em +, morrem em −, são densas onde o campo é forte e nunca se cruzam. No dipolo, o campo no ponto médio aponta de + para −; entre duas positivas iguais, é nulo. Diagrama autoral.Campo uniforme entre placas paralelas: linhas retas, paralelas e equiespaçadas, da placa + para a −; E=U/d com d em metros, e 1 V/m =1 N/C. A força sobre uma carga é constante, F=∣q∣E, no sentido do campo para q>0 e contra ele para q<0. Diagrama autoral.O projétil elétrico. Velocidade horizontal constante e aceleração vertical constante a=∣q∣E/m dão uma parábola, como a de uma bola lançada na horizontal. O elétron, negativo, é desviado contra o campo. Desvio na saída: y=21m∣q∣E(v0L)2. Diagrama autoral.Dois equilíbrios. Millikan: gotícula negativa parada, ∣q∣E=mg, com o campo apontando para baixo, no mesmo sentido do peso (item PAS 3 2023/107). Pêndulo em campo horizontal: três forças que fecham um triângulo, F=Ptanθ; a 45°, F=P (itens PAS 3 2015/103 a 105). Diagrama autoral.Fluxo por contagem de linhas. As linhas que atravessam a esfera grande são as mesmas que atravessam a pequena; o fluxo não cresce com o raio (PAS 3 2015/89 e 2020/100). Esfera ou cubo com a mesma carga dentro: mesmo número de linhas, fluxos iguais (PAS 3 2015/90). Diagrama autoral.A carroceria metálica é uma gaiola de Faraday: em equilíbrio, o campo dentro de um condutor é nulo e a descarga contorna o habitáculo pela superfície externa. Não são os pneus que protegem.Gotas de tinta eletrizadas atravessam placas defletoras e são desviadas em parábola: quanto maior a carga da gota, maior o desvio. Foi o item de tipo B da 3.ª etapa de 2010, resposta 373 pC.No aparelho de Millikan, uma gotícula de óleo negativa para no ar quando a força elétrica iguala o peso: ∣q∣E=mg. Para a força apontar para cima, o campo entre as placas aponta para baixo.Cabelos eletrizados com o mesmo sinal se repelem e se alinham com o campo da esfera: cada fio aponta na direção do campo radial, como as linhas que saem de uma carga positiva isolada.Entre as placas, o feixe de elétrons sofre força constante contra o campo e descreve uma parábola, como um projétil lançado na horizontal: velocidade constante ao longo do tubo, aceleração constante na vertical.Entre duas placas paralelas ligadas a uma fonte, o campo é uniforme: E=U/d, com d em metros. Uma esfera eletrizada pendurada entre elas sofre força constante e o fio se inclina, como no pêndulo do PAS 3 2015.
Rota PAS 3
Eletrostática: força, campo e potencial elétrico · PAS 3
Fontes desta página
Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.
Rota PAS 3 — Eletrostática: força, campo e potencial elétrico · Campo elétrico: como uma carga age onde ela não está (conceito F = qE e E = k|Q|/d², figura das linhas de campo do par de cargas opostas, exemplo-guia da carga de +4 µC a 2 m, lembrete da carga de prova, itens PAS 3 2020/103, 2022/88, 2015/103 a 105, 2010/94, 2015/90 e 2014/118, armadilha 'julgue a força primeiro', checagem do elétron em repouso); Campo uniforme entre placas: a ponte E = U/d (conceito, exemplo-guia das placas a 5 cm e 200 V, itens 2012/47, 2016/117 e 118, 2010/28, armadilha do quilômetro, checagem N/C = V/m); Condutores em equilíbrio (as quatro propriedades, só apresentadas aqui); Como a banca cobra (histórico dos itens de campo, item 2023/107 dissecado); Resolvidos no formato da prova (a gotícula equilibrada); Treino T10, T11, T15 e T21
Recorte por assunto: o conceito de campo, o campo de carga pontual, a superposição, as linhas de campo, o campo uniforme como relação E = U/d, o movimento de uma partícula no campo uniforme e o equilíbrio com o peso. O potencial, a energia potencial, as equipotenciais, o trabalho, a dedução de E = U/d por energia, o potencial do condutor, o para-raios e o campo nuvem-solo (2024/40) ficam em potencial elétrico; a força entre duas cargas fica em lei de Coulomb; os processos de eletrização e o item 2023/108 ficam em carga elétrica e eletrização. A página acrescenta, ausentes do capítulo, a história do conceito de campo (Faraday, Maxwell), a tabela de proporções e as ordens de grandeza do campo, o ponto de campo nulo, as quatro regras das linhas de campo, o fluxo por contagem de linhas, a trajetória parabólica com a fórmula do desvio, a comparação com o lançamento de projéteis, a história e a conta do experimento de Millikan, o campo em condutores como remissão e a gravidade como campo.
Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cebraspe) · PAS 3 2010 (itens 28, caderno p. 6, com a figura da impressora, e 94, p. 15, no bloco do tampão do sangue); 2012 (item 47, caderno Fraternidade, p. 9, com as figuras I e II); 2014 (item 118, tipo C, caderno Aranha, p. 19, com a figura e as quatro opções); 2015 (itens 89 e 90, caderno Salgado, p. 13, com as figuras I e II; itens 103 a 105, p. 17, com a figura do plano de cargas e das réguas); 2016 (item 118, caderno Fantasia, p. 20, com a figura do capacitor); 2020 Parte 2 (itens 100 e 103, p. 10, com as figuras do campo vetorial e das linhas de q_a e q_b); 2022 (item 88, p. 12, no bloco do seletor de velocidade); 2023 (item 107, p. 13)
Itens reproduzidos verbatim dos cadernos em texto e conferidos na imagem dos PDFs em utils/material/PAS/provas/ rasterizados a 130 dpi; gabaritos conferidos nos arquivos GAB (2010: 28 = 373, 94 E; 2012: 47 C; 2014: 118 C; 2015: 89 E, 90 C, 103 E, 104 C, 105 C; 2016: 118 E; 2020: 100 E, 103 E; 2022: 88 = 008; 2023: 107 E) e em utils/material/PAS/pesquisa/classificacao-pas3/AAAA.json. As figuras impressas foram descritas em texto neutro nos enunciados, nomeando todos os rótulos. Grafias do caderno mantidas ('Milikan' em 2023, 'Gotas de tintas' em 2010), com (sic) apenas nas resoluções. Reusos por GUID: 2020/104 (lei de Coulomb), 2023/108 (carga elétrica e eletrização), 2015/89 (gravitação universal) e 2012/34 (ondas eletromagnéticas).