Campo elétrico

Guia de estudo · Revisado em 17/09/2026

BNCC · EM13CNT301

O caderno do PAS mostra duas cargas ligadas por um feixe de linhas curvas e uma seta no meio, e pede o sinal de cada carga sem dar número nenhum. Uma gotícula de óleo negativa fica parada no ar entre duas placas, e a banca pergunta para onde aponta o campo. O que é essa seta que existe em cada ponto do espaço mesmo onde não há carga alguma, como se lê o mapa que ela desenha e por que uma carga negativa vai sempre contra ela?

O que você vai aprender

  • Explicar o campo elétrico como propriedade do espaço criada pelas cargas (em lugar da ação a distância), definir E = F/q com a carga de prova positiva, identificar a unidade N/C = V/m e reconhecer que o campo em um ponto não depende da carga de prova que o mede.
  • Decidir o sentido da força sobre uma carga colocada em um campo: no sentido de E se positiva, contra E se negativa; e aplicar F = |q|E a elétrons, prótons e íons, inclusive em itens de tipo B com marcação de três dígitos (PAS 3 2022/88).
  • Calcular o campo de uma carga pontual, E = k|Q|/d², com direção radial e sentido dado pelo sinal da fonte, converter unidades antes de elevar ao quadrado e aplicar as proporções (dobrar d divide por 4; triplicar, por 9).
  • Aplicar o princípio da superposição somando campos como vetores: cargas alinhadas (soma com sinal), ponto médio entre cargas iguais (nulo) e opostas (dobro), cargas em ângulo (componentes, √2) e o vetor resultante sobre a perpendicular a um dipolo (PAS 3 2014/118); localizar o ponto de campo nulo entre cargas de mesmo sinal ou fora do segmento se de sinais opostos.
  • Desenhar e ler linhas de campo com as quatro regras (nascem em +, morrem em −; densidade proporcional a E; nunca se cruzam; número proporcional a |Q|), identificar o sinal e comparar os módulos de cargas por uma figura (PAS 3 2020/103) e interpretar o fluxo por superfícies fechadas como contagem de linhas (PAS 3 2015/89 e 90, 2020/100).
  • Caracterizar o campo uniforme entre placas paralelas (linhas retas, paralelas e equiespaçadas), usar a relação E = U/d com a distância em metros e a equivalência V/m = N/C (PAS 3 2012/47, 2016/118), deixando a dedução por energia para a página de potencial elétrico.
  • Descrever o movimento de uma partícula carregada em campo uniforme como aceleração constante a = |q|E/m: movimento retilíneo a partir do repouso e trajetória parabólica quando lançada perpendicularmente às linhas, com o desvio y = ½(|q|E/m)(L/v₀)² (PAS 3 2010/28); reconhecer que forças iguais dão acelerações diferentes para íons de massas diferentes (PAS 3 2010/94).
  • Resolver o equilíbrio entre força elétrica e peso: a gotícula de Millikan (|q|E = mg, contagem de elétrons, campo para baixo quando a gotícula é negativa, PAS 3 2023/107) e o pêndulo em campo horizontal (F = P·tg θ, PAS 3 2015/103 a 105), julgando o sentido da força antes de traduzir para o campo.
  • Enunciar o comportamento do campo em condutores em equilíbrio eletrostático (nulo no interior do metal, perpendicular à superfície, mais intenso nas pontas, nulo na cavidade: gaiola de Faraday) e reconhecer as aplicações (carro na tempestade, micro-ondas, cabo blindado), deixando a dedução e o potencial do condutor para a página de potencial elétrico.
  • Tratar a gravidade como campo (g = P/m, N/kg = m/s², g = GM/d²), comparar campo elétrico e gravitacional (fontes, sinais, blindagem) e evitar os erros que a banca planta: campo dependente da carga de prova, força sobre carga negativa no sentido do campo, linha de campo como trajetória, linhas que se cruzam, N/C confundido com N, distância fora do metro e campo nulo tomado como potencial nulo.

Na carta náutica de uma baía, o mapa de correntes mostra em cada ponto uma seta: comprimento, direção, sentido. Às três da manhã não há barco nenhum na baía, e a seta continua lá, dizendo para onde a água levaria um barco que estivesse naquele ponto e com que força. O caderno da 3.ª etapa de 2020 trouxe um mapa desse tipo, sem água: duas cargas, qaq_a e qbq_b, ligadas por um feixe de linhas curvas, e uma seta E⃗\vec{E} desenhada no eixo entre elas. O item pedia só leitura: as linhas saem de qaq_a e chegam a qbq_b, logo qaq_a é positiva e qbq_b negativa. Quem sabia ler o mapa julgou em dez segundos; quem achava que a seta era a trajetória de alguma coisa errou.

Esta é a página do campo elétrico: a ideia de que uma carga modifica o espaço à sua volta, a definição E⃗=F⃗/q\vec{E} = \vec{F}/q, o campo de uma carga pontual e como ele cai com a distância, a soma de campos de várias cargas e o ponto em que a soma dá zero, as regras para desenhar e ler linhas de campo, o campo uniforme entre duas placas paralelas e a relação E=U/dE = U/d, o movimento de uma partícula nesse campo (uma cópia elétrica do lançamento de projéteis), o equilíbrio entre força elétrica e peso que Millikan usou para medir a carga do elétron, o que acontece com o campo dentro de um condutor e por que a gravidade também é um campo. No PAS/UnB o assunto é da 3.ª etapa e é o que mais se repete dentro da eletrostática: itens em 2010, 2012, 2014, 2015, 2016, 2020, 2022 e 2023, entre leitura de figura, conta de tipo B e equilíbrio de forças. A página pressupõe a lei de Coulomb, os processos de eletrização e a soma de vetores. O potencial, a energia potencial, as equipotenciais e o trabalho da força elétrica ficam em potencial elétrico; o campo gravitacional, que aparece aqui como comparação, tem casa em gravitação universal.

Uma carga muda o espaço à sua volta

A lei de Coulomb responde “que força uma carga faz sobre outra”. Ela funciona, mas deixa uma pergunta no ar: como a carga QQ, parada num canto, “sabe” que há uma carga qq a dois metros dela e a empurra sem tocá-la? No século XVIII a resposta era “ação a distância”, uma força que atravessa o vazio instantaneamente, e o próprio Newton achou isso desconfortável para a gravidade. A saída que a Física adotou, com Michael Faraday nos anos 1830 e 1840 e com James Clerk Maxwell nos anos 1860, foi dividir o problema em duas etapas. Primeiro, a carga QQ modifica o espaço em volta dela: em cada ponto passa a existir uma grandeza, com módulo, direção e sentido, que chamamos de campo elétrico. Segundo, uma carga qq colocada num ponto sente força porque o campo naquele ponto a empurra. QQ não age sobre qq; QQ cria o campo, e o campo age sobre qq.

A vantagem prática aparece já no primeiro problema. Se você conhece o campo em um ponto, sabe a força sobre qualquer carga posta ali, sem refazer a conta de Coulomb para cada uma. E a vantagem conceitual aparece depois, fora desta página: o campo pode existir sem carga nenhuma por perto, viajando pelo espaço como onda. A luz é um campo elétrico oscilando junto com um campo magnético. Por isso a Física moderna trata o campo como coisa real, não como truque de cálculo.

Para medir o campo em um ponto, imagine colocar ali uma carga de prova: uma carga positiva pequena, pequena o bastante para não alterar as cargas que criam o campo, e ler a força que ela sente. A razão entre a força e a carga de prova é o campo.

Campo elétrico: força por unidade de carga

O campo elétrico E⃗\vec{E} em um ponto é o vetor tal que a força sobre uma carga qq colocada nesse ponto vale

F⃗=q E⃗⟺E=F∣q∣.\vec{F} = q\,\vec{E} \qquad\Longleftrightarrow\qquad E = \frac{F}{|q|}.

Unidade no SI: newton por coulomb (N/C), que é o mesmo que volt por metro (V/m). O sentido de E⃗\vec{E} é o sentido da força sobre uma carga de prova positiva. Uma carga negativa sente força no sentido oposto ao do campo. O campo em um ponto é propriedade do ponto (das cargas que o criam e da posição), não da carga de prova: troque a carga de prova e a força muda, o campo não.

símbolo o que é exemplo
E⃗\vec{E} campo elétrico no ponto, vetor 300 N/C, horizontal, para a direita
qq carga colocada no ponto (com sinal), em coulombs +2×10−6+2 \times 10^{-6} C
F⃗\vec{F} força elétrica sobre qq, em newtons 6×10−46 \times 10^{-4} N, para a direita

Leia a definição de dois jeitos. Como conta: um campo de 300 N/C faz 300 N em cada coulomb, logo 6×10−46 \times 10^{-4} N em 2 µC. Como sentido: a carga positiva vai com a seta; a negativa vai contra. Uma carga de −2-2 µC no mesmo ponto sente os mesmos 6×10−46 \times 10^{-4} N, agora para a esquerda. Nos dois casos o campo é idêntico; a diferença está em quem o sente.

Exemplo resolvido (a leitura da definição). Em um ponto do espaço, uma carga de prova de +5×10−9+5 \times 10^{-9} C sente força de 2×10−52 \times 10^{-5} N, vertical, para cima. Qual é o campo nesse ponto e que força sentiria ali um elétron?

Campo: E=F/∣q∣=2×10−5/5×10−9=4×103E = F/|q| = 2 \times 10^{-5}/5 \times 10^{-9} = 4 \times 10^{3} N/C, vertical, para cima (o sentido da força sobre a carga positiva). Sobre o elétron, F=∣q∣E=1,6×10−19×4×103=6,4×10−16F = |q|E = 1{,}6 \times 10^{-19} \times 4 \times 10^{3} = 6{,}4 \times 10^{-16} N, vertical, para baixo, porque a carga é negativa. Conferência: a força ficou 3×10103 \times 10^{10} vezes menor que a força sobre a carga de prova, e a razão entre as cargas é 5×10−9/1,6×10−19≈3×10105 \times 10^{-9}/1{,}6 \times 10^{-19} \approx 3 \times 10^{10}. Fecha.

O campo não depende de quem o mede

“Se a carga de prova dobrar, o campo dobra.” Errado: a força dobra e a carga dobra, a razão fica igual. O campo é criado pelas outras cargas; a carga de prova só o revela. A fórmula E=F/∣q∣E = F/|q| é uma definição, não uma lei que diga que EE cresce com qq. É o mesmo que dizer que o preço do quilo de arroz não muda quando você leva dois quilos em vez de um.

O campo de uma carga pontual cai com o quadrado

Coloque uma carga de prova qq a uma distância dd de uma carga pontual QQ. A força é a de Coulomb, F=k∣Q∣∣q∣/d2F = k|Q||q|/d^2. Divida pela carga de prova e ela desaparece:

Campo de uma carga pontual

A uma distância dd de uma carga pontual QQ, no vácuo,

E=k ∣Q∣d2,k=9×109 N⋅m2/C2.E = \frac{k\,|Q|}{d^{2}}, \qquad k = 9 \times 10^{9}\ \text{N·m}^2/\text{C}^2.

Direção: radial, sobre a reta que liga QQ ao ponto. Sentido: para longe de QQ se QQ é positiva (o campo “nasce” nela); para QQ se ela é negativa (o campo “morre” nela). O módulo depende só de ∣Q∣|Q| e de dd: cai a um quarto quando dd dobra, a um nono quando dd triplica, e nunca chega a zero.

Duas cargas pontuais, uma positiva à esquerda e uma negativa à direita, cada uma cercada por setas radiais. Na positiva as setas apontam para fora; na negativa, para dentro. Em três pontos alinhados à direita da carga positiva, a distâncias d, 2d e 3d, setas de campo que encolhem: E, E sobre 4 e E sobre 9.
O campo de uma carga pontual é radial: sai da positiva, entra na negativa. O módulo cai com o quadrado da distância, EE, E/4E/4, E/9E/9. Diagrama autoral.

Exemplo resolvido (o campo e duas cargas de prova). Uma carga Q=+6Q = +6 µC está fixa. Qual é o campo a 3 m dela, e que força sentem ali uma carga de −2-2 µC e uma de +2+2 µC?

E=9×109×6×10−632=5,4×1049=6×103 N/C,E = \frac{9 \times 10^{9} \times 6 \times 10^{-6}}{3^{2}} = \frac{5{,}4 \times 10^{4}}{9} = 6 \times 10^{3}\ \text{N/C},

apontando para longe de QQ. A carga de −2-2 µC sente F=2×10−6×6×103=1,2×10−2F = 2 \times 10^{-6} \times 6 \times 10^{3} = 1{,}2 \times 10^{-2} N, para QQ (contra o campo): atração entre sinais opostos, como Coulomb já dizia. A carga de +2+2 µC sente os mesmos 1,2×10−21{,}2 \times 10^{-2} N, para longe de QQ: repulsão. Conferência pela lei de Coulomb direta: F=9×109×6×10−6×2×10−6/9=1,2×10−2F = 9 \times 10^{9} \times 6 \times 10^{-6} \times 2 \times 10^{-6}/9 = 1{,}2 \times 10^{-2} N. Mesmo número, dois caminhos.

As proporções. A tabela da lei de Coulomb vale inteira, com uma carga só:

o que muda o campo fica
d→2dd \to 2d E/4E/4
d→3dd \to 3d E/9E/9
d→d/2d \to d/2 4E4E
Q→2QQ \to 2Q 2E2E
Q→−QQ \to -Q mesmo módulo, sentido invertido
carga de prova q→2qq \to 2q EE (nada muda)

Ordens de grandeza. A 1 m de uma carga de 1 µC o campo vale 9×1039 \times 10^{3} N/C; a 1 cm, 9×1079 \times 10^{7} N/C. Dentro do átomo de hidrogênio, a 5,3×10−115{,}3 \times 10^{-11} m do próton, o campo é de 5×10115 \times 10^{11} N/C. O ar seco aguenta até cerca de 3×1063 \times 10^{6} V/m antes de virar condutor e produzir uma faísca; é por isso que uma esfera pequena não segura muita carga, e por isso o raio existe. E o campo elétrico natural da atmosfera, num dia de tempo bom, é de uns 100 V/m, apontando para baixo, pequeno demais para que alguém o sinta.

O campo como promessa de força

O campo é uma promessa: se uma carga estiver aqui, a força será esta. Um sensor de tela sensível ao toque mede exatamente isso: o campo entre eletrodos muda quando o dedo, que é um condutor, se aproxima, e o aparelho lê a mudança sem que nada seja tocado. O mesmo princípio está nos sensores de proximidade que apagam a tela do celular quando ele encosta na orelha e nos detectores de fio embutido na parede: eles reagem ao campo, não ao contato.

Várias cargas: os campos se somam como setas

O campo criado por várias cargas em um ponto é a soma vetorial dos campos que cada carga criaria sozinha ali. É o princípio da superposição, o mesmo das forças de Coulomb, e a regra prática é a de vetores: desenhe uma seta por carga, com sentido decidido pelo sinal da fonte, e some.

Três painéis. No primeiro, duas cargas positivas iguais e o ponto médio entre elas com duas setas iguais e opostas, resultante zero. No segundo, uma carga positiva e uma negativa iguais e o ponto médio com duas setas iguais que apontam ambas da carga positiva rumo à negativa, resultante 2E. No terceiro, o ponto P sobre a perpendicular ao segmento de uma carga positiva e uma negativa: a seta da positiva aponta para longe dela, a da negativa aponta para ela, as componentes verticais se cancelam e a resultante é horizontal, da positiva para a negativa.
Superposição. Ponto médio entre cargas iguais: campo nulo. Ponto médio entre cargas opostas: os campos se somam. Sobre a perpendicular a um dipolo: a resultante é paralela ao segmento, da positiva para a negativa (item PAS 3 2014/118). Diagrama autoral.

Ponto médio entre duas cargas de mesmo módulo. Cargas iguais e de mesmo sinal: no ponto médio, os dois campos têm o mesmo módulo e sentidos opostos (cada um aponta para longe da sua carga, se positivas), e a soma é zero. Cargas iguais e de sinais opostos: as duas setas têm o mesmo sentido, saindo da positiva rumo à negativa, e a resultante vale o dobro de cada uma, E=2k∣q∣/d2E = 2k|q|/d^2. Este segundo caso é uma armadilha clássica, porque no mesmo ponto o potencial é nulo; o campo não é. A comparação está na página de potencial elétrico.

Cargas alinhadas. Sobre a reta que passa pelas cargas, cada campo é horizontal, e a soma é algébrica, com sinal. Duas cargas positivas, +4+4 µC em AA e +1+1 µC em BB, a 30 cm uma da outra: onde o campo resultante é nulo? Só pode ser entre elas (fora do segmento os dois campos apontam para o mesmo lado) e mais perto da carga menor. Chamando de xx a distância até AA:

k⋅4x2=k⋅1(0,30−x)2  ⇒  2x=10,30−x  ⇒  0,60−2x=x  ⇒  x=0,20 m.\frac{k \cdot 4}{x^{2}} = \frac{k \cdot 1}{(0{,}30 - x)^{2}} \;\Rightarrow\; \frac{2}{x} = \frac{1}{0{,}30 - x} \;\Rightarrow\; 0{,}60 - 2x = x \;\Rightarrow\; x = 0{,}20\ \text{m}.

A 20 cm da carga de 4 µC e a 10 cm da carga de 1 µC. Conferência: 4/0,202=1004/0{,}20^2 = 100 e 1/0,102=1001/0{,}10^2 = 100. Iguais. Se as cargas fossem de sinais opostos, o ponto de campo nulo ficaria fora do segmento, do lado da carga de menor módulo, exatamente como o ponto de equilíbrio de uma terceira carga na lei de Coulomb. E repare: a posição não depende de nenhuma carga de prova, porque estamos somando campos, não forças.

Cargas em ângulo. Duas cargas iguais +q+q em (−d,0)(-d, 0) e (+d,0)(+d, 0), ponto PP em (0,d)(0, d). Cada carga está a d2d\sqrt{2} de PP, então cada campo vale E1=kq/(2d2)E_1 = kq/(2d^2) e faz 45°45° com a vertical. As componentes horizontais se cancelam; as verticais se somam: E=2E1cos⁡45°=E12=kq2/(2d2)E = 2 E_1 \cos 45° = E_1\sqrt{2} = kq\sqrt{2}/(2d^2), vertical, para cima. Troque a carga da direita por −q-q: agora o campo dela em PP aponta para a carga, isto é, para baixo e para a direita, enquanto o da carga da esquerda segue apontando no sentido oposto a ela, ou seja, para cima e para a direita. Desta vez são as componentes verticais que se cancelam e as horizontais que se somam, e a resultante fica horizontal, de +q+q para −q-q, com o mesmo módulo E12E_1\sqrt{2}. Foi este o item de tipo C da 3.ª etapa de 2014: das quatro setas oferecidas em PP, a certa era a horizontal no sentido de +q+q para −q-q. Quem dá à carga negativa um campo que “sai” dela erra o sentido e marca a seta vertical.

Princípio da superposição

E⃗=E⃗1+E⃗2+E⃗3+⋯\vec{E} = \vec{E}_1 + \vec{E}_2 + \vec{E}_3 + \cdots

Cada parcela é o campo que a carga criaria sozinha, com módulo k∣qi∣/di2k|q_i|/d_i^2 e sentido dado pelo sinal de qiq_i. Em linha: soma com sinal. Perpendiculares: Pitágoras (E2E\sqrt{2} se iguais). Em ângulo qualquer: componentes. O campo resultante pode ser zero em um ponto sem que nenhuma carga esteja ali: as setas se cancelaram.

Linhas de campo: o desenho tem regras

Para enxergar o campo inteiro de uma vez, Faraday inventou as linhas de força, que hoje chamamos de linhas de campo: curvas desenhadas de modo que, em cada ponto, o campo seja tangente à linha, com o sentido indicado por uma seta. O desenho segue quatro regras, e cada regra é um item de prova possível.

  1. Nascem nas cargas positivas e morrem nas negativas. Uma linha que sai de uma carga positiva vai até uma negativa ou até o infinito; nunca fica solta no meio do espaço nem forma um laço fechado (isso é coisa de campo magnético).
  2. A densidade mede a intensidade. Onde as linhas estão apertadas, o campo é forte; onde se abrem, é fraco. Perto de uma carga pontual as linhas se juntam; longe, se espalham, e o número de linhas por área cai com 1/d21/d^2, como o campo.
  3. Nunca se cruzam. Se duas linhas se cruzassem, o campo teria duas direções no mesmo ponto, e a força sobre uma carga ali seria ambígua. Não existe.
  4. O número de linhas que saem de uma carga é proporcional ao módulo dela. Uma carga +2q+2q é desenhada com o dobro de linhas de uma carga +q+q. É por isso que se pode ler o sinal e comparar os módulos de duas cargas olhando só o desenho.
Quatro painéis de linhas de campo. Carga positiva isolada: linhas retas saindo radialmente. Carga negativa isolada: linhas retas chegando radialmente. Dipolo, uma positiva e uma negativa de mesmo módulo: linhas curvas que saem da positiva e chegam à negativa, apertadas entre as cargas e abertas longe delas; o campo no ponto médio aponta da positiva para a negativa. Duas cargas positivas iguais: linhas que se afastam uma da outra e deixam uma região vazia no ponto médio, onde o campo é nulo.
Quatro mapas. Carga isolada: linhas radiais, para fora se positiva, para dentro se negativa. Dipolo: as linhas nascem em ++ e morrem em −-; no ponto médio os dois campos se somam e E⃗\vec{E} aponta de ++ para −-. Duas positivas: as linhas se repelem e abrem um vazio no ponto médio, onde E⃗=0⃗\vec{E} = \vec{0}. Traçado numérico. Diagrama autoral.

Lendo a figura de 2020. O caderno mostrava qaq_a à esquerda e qbq_b à direita, com linhas que saíam de qaq_a e chegavam a qbq_b, e um vetor E⃗\vec{E} sobre o eixo central apontando de qaq_a para qbq_b. O item 103 afirmava que “qaq_a é uma carga elétrica negativa e qbq_b é positiva”. Regra 1: linhas saem da positiva. Saem de qaq_a, logo qaq_a é positiva. O item inverte os papéis: errado. A seta E⃗\vec{E} no eixo confirma: aponta para qbq_b, e o campo aponta para a carga negativa. O item 104, do mesmo bloco, era a conta de Coulomb com as cargas dadas e está na página da lei de Coulomb.

Lendo a figura de 2015. Duas superfícies fechadas, uma esfera e um cubo, cada uma com uma carga positiva idêntica dentro, e as linhas de campo saindo radialmente. O item 90 afirmava que os fluxos de linhas de campo através das duas superfícies são iguais. Pense nas linhas como fios que nascem na carga: todo fio que nasce dentro atravessa a superfície fechada uma vez, seja ela redonda ou quadrada. Mesma carga dentro, mesmo número de fios, mesmo fluxo: certo. É a versão desenhada da lei de Gauss, que não é matéria do ensino médio, mas cuja leitura por contagem de linhas a banca cobrou. O item vizinho, 89, fazia a mesma pergunta com o campo gravitacional da Terra e três esferas de raios crescentes: o fluxo não aumenta com o raio, porque as linhas que atravessam a esfera grande são as mesmas que atravessam a pequena; só ficam mais espalhadas. Errado.

Linha de campo não é trajetória

Uma carga abandonada em repouso começa a se mover ao longo da linha (a força é tangente a ela), mas se a linha for curva a carga não a segue: a inércia a leva para fora da curva, como um carro que sai pela tangente. Só em linhas retas (carga isolada, campo uniforme) a trajetória de uma carga solta do repouso coincide com a linha. E uma carga lançada com velocidade oblíqua ao campo nunca segue linha nenhuma: ela faz uma parábola, como se verá adiante.

Como a figura denuncia o sinal e o módulo. Se de uma carga saem 8 linhas e da vizinha chegam 4, a primeira é positiva com módulo duas vezes o da segunda, e 4 linhas escapam para o infinito. Uma carga negativa isolada: todas as linhas chegam nela, retas e radiais. Duas positivas iguais: as linhas se afastam uma da outra, e entre as cargas fica uma região sem linha nenhuma, ao redor do ponto de campo nulo. Placas paralelas com cargas opostas: linhas retas, paralelas e igualmente espaçadas, da placa positiva para a negativa, que é o assunto da próxima seção.

Campo uniforme entre placas paralelas: a régua elétrica

Conecte os terminais de uma fonte a duas chapas metálicas paralelas: uma delas acumula carga positiva, a outra, negativa. Afastado das bordas, o campo na região entre as chapas não muda de um ponto a outro: a intensidade é a mesma, a direção é perpendicular às placas e o sentido vai da positiva para a negativa. As linhas de campo saem retas, paralelas e igualmente espaçadas. É o campo uniforme, a configuração favorita de laboratórios e de bancas, porque toda conta nele se reduz a uma multiplicação ou a uma divisão.

Duas placas horizontais, a de cima positiva e a de baixo negativa, separadas por d e ligadas a uma fonte de tensão U. Entre elas, linhas de campo verticais, retas, paralelas e igualmente espaçadas, apontando para baixo. Uma carga positiva entre as placas com a força para baixo, no sentido do campo, e uma carga negativa com a força para cima, contra o campo. Ao lado, a relação E igual a U sobre d.
Campo uniforme. Linhas retas, paralelas e equiespaçadas, da placa positiva para a negativa. A força sobre uma carga é constante: F=∣q∣EF = |q|E, no sentido do campo para q>0q > 0, contra ele para q<0q < 0. A intensidade é a tensão entre as placas dividida pela distância. Diagrama autoral.
O campo uniforme e a diferença de potencial entre as placas

Entre duas placas paralelas separadas pela distância dd e ligadas a uma diferença de potencial UU,

E=Ud,E = \frac{U}{d},

com UU em volts, dd em metros e EE em volts por metro. Daí a equivalência de unidades: 1 V/m=1 N/C1\ \text{V/m} = 1\ \text{N/C}, porque 1 V=1 J/C=1 N⋅m/C1\ \text{V} = 1\ \text{J/C} = 1\ \text{N·m/C}. Uma carga qq posta entre as placas recebe uma força que não varia, F=∣q∣EF = |q|E, puxando-a rumo à placa cujo sinal é contrário ao dela. Por que o campo é a tensão dividida pela distância, e o que isso tem a ver com energia, é a dedução da página de potencial elétrico; aqui basta a relação e a unidade.

Exemplo resolvido (a conta com a unidade certa). Duas placas separadas por 4 cm, com 300 V entre elas. Qual é o campo, e que força age sobre um elétron solto no meio?

Converta antes de dividir: d=0,04d = 0{,}04 m, logo E=300/0,04=7 500E = 300/0{,}04 = 7\,500 V/m =7 500= 7\,500 N/C. Sobre o elétron, F=1,6×10−19×7 500=1,2×10−15F = 1{,}6 \times 10^{-19} \times 7\,500 = 1{,}2 \times 10^{-15} N, rumo à placa positiva, no sentido contrário ao do campo. Com d=4d = 4 na fórmula sairia E=75E = 75 V/m, cem vezes menos: o erro de unidade acontece antes de qualquer física.

Os itens que usaram a relação. Em 2012, o caderno mostrava uma partícula com carga +Q+Q entre duas placas, a de cima positiva e a de baixo negativa, e afirmava que, com 2 cm e 5 V, o campo vale 250 N/C. E=5/0,02=250E = 5/0{,}02 = 250 V/m =250= 250 N/C: certo; note que o enunciado fornece volts e centímetros e pede a resposta em N/C, conversão de unidade e equivalência V/m = N/C cobradas numa frase só. Em 2016, o capacitor com placas a h=10h = 10 mm e 30 V entre elas: o item 118 dizia que o campo é inferior a 1 000 V/m. E=30/0,010=3 000E = 30/0{,}010 = 3\,000 V/m, errado; quem mantém hh em milímetros encontra 3 V/m e assina embaixo do item. Em 2024, a mesma conta apareceu em escala de tempestade, com 100 milhões de volts entre nuvem e solo a 1 km: 108/103=10510^{8}/10^{3} = 10^{5} V/m, e a afirmação de “100 V/m” ficava mil vezes abaixo do valor; esse bloco está na página de potencial elétrico, junto com o para-raios.

O centímetro, o milímetro e o quilômetro

Nenhuma fórmula desta página rende mais armadilhas de unidade do que E=U/dE = U/d. 2 cm são 0,02 m; 10 mm são 0,010 m; 1 km são 1 000 m. Toda distância entra em metros, sempre, e o erro sai multiplicado ou dividido por 100 ou por 1 000. Converta antes de escrever a fração.

Uma partícula no campo uniforme: o projétil elétrico

Se o campo é o mesmo em todo ponto, a força sobre uma carga é constante, e força constante em Newton significa aceleração constante:

a=Fm=∣q∣ Em.a = \frac{F}{m} = \frac{|q|\,E}{m}.

Isso torna o campo uniforme uma cópia da gravidade perto do solo, com duas diferenças. A aceleração depende da razão carga/massa da partícula, e não é a mesma para todo mundo: um elétron em 1 000 N/C acelera a 1,76×10141{,}76 \times 10^{14} m/s², um próton, 1 836 vezes mais pesado com a mesma carga, a 9,6×10109{,}6 \times 10^{10} m/s². E o sentido depende do sinal: a positiva acelera no sentido do campo, a negativa, contra.

projétil na gravidade carga no campo uniforme
força P=mgP = mg, vertical para baixo F=∣q∣EF = \lvert q \rvert E, paralela às linhas, sentido pelo sinal
aceleração gg, igual para todos os corpos a=∣q∣E/ma = \lvert q \rvert E/m, depende de q/mq/m
solta do repouso cai em linha reta, v=gtv = gt, h=gt2/2h = gt^2/2 anda em linha reta ao longo da linha de campo, v=atv = at, s=at2/2s = at^2/2
lançada perpendicular parábola: x=v0tx = v_0 t, y=gt2/2y = gt^2/2 parábola: x=v0tx = v_0 t, y=at2/2y = at^2/2
o que ignora resistência do ar o peso (desprezível para elétrons e íons)

Solta do repouso. Um elétron abandonado entre as placas do exemplo anterior (E=7 500E = 7\,500 N/C) acelera a a=1,2×10−15/9,1×10−31≈1,3×1015a = 1{,}2 \times 10^{-15}/9{,}1 \times 10^{-31} \approx 1{,}3 \times 10^{15} m/s², rumo à placa positiva. Para atravessar os 4 cm: s=at2/2⇒t=2×0,04/1,3×1015≈7,8×10−9s = at^2/2 \Rightarrow t = \sqrt{2 \times 0{,}04/1{,}3 \times 10^{15}} \approx 7{,}8 \times 10^{-9} s, e chega com v=at≈1,0×107v = at \approx 1{,}0 \times 10^{7} m/s, uns 3% da velocidade da luz. O peso do elétron, 9×10−309 \times 10^{-30} N, é 101410^{14} vezes menor que a força elétrica; ninguém precisa pedir licença para ignorá-lo.

Lançada paralelamente às placas. Agora a partícula entra com velocidade v0v_0 horizontal, e o campo é vertical. Na horizontal não há força: x=v0tx = v_0 t, velocidade constante. Na vertical a força é constante: y=12at2y = \frac{1}{2}at^2. Eliminando tt, y=a2v02x2y = \frac{a}{2v_0^2}x^2, uma parábola, a mesma curva do lançamento horizontal de uma bola, com aa no lugar de gg. O tempo dentro das placas é o tempo de percorrer o comprimento LL das placas na horizontal, t=L/v0t = L/v_0, e o desvio na saída é

y=12 ∣q∣Em(Lv0)2.y = \frac{1}{2}\,\frac{|q|E}{m}\left(\frac{L}{v_0}\right)^{2}.

Dobrar a carga dobra o desvio; dobrar a velocidade de entrada divide o desvio por 4; dobrar o comprimento das placas multiplica por 4.

Duas placas horizontais, a de cima positiva e a de baixo negativa, com campo vertical para baixo entre elas. Um elétron entra pela esquerda com velocidade horizontal e descreve uma parábola que sobe em direção à placa positiva. Em três instantes, o vetor velocidade decomposto: a componente horizontal sempre igual, a vertical crescendo. Ao lado, o desvio y na saída, proporcional ao quadrado do comprimento das placas e inversamente proporcional ao quadrado da velocidade de entrada.
O projétil elétrico. Velocidade horizontal constante, aceleração vertical constante a=∣q∣E/ma = |q|E/m: a trajetória é uma parábola, como a de uma bola lançada na horizontal. O elétron, negativo, é desviado contra o campo, para a placa positiva. Diagrama autoral.

A impressora de 2010. O caderno da 3.ª etapa de 2010 descreveu a impressora a jato de tinta: gotas de massa 1,5×10−101{,}5 \times 10^{-10} kg entram a 20 m/s entre placas defletoras quadradas de lado L=1,7L = 1{,}7 cm, com campo de 10310^{3} N/C, e um computador controla a carga de cada gota. O item de tipo B pedia, em picocoulombs, a diferença de carga entre duas gotas para que elas saiam separadas por 0,9 mm. Tempo entre as placas: t=0,017/20=8,5×10−4t = 0{,}017/20 = 8{,}5 \times 10^{-4} s. Desvio de cada gota: y=12qEmt2y = \frac{1}{2}\frac{qE}{m}t^2, e a diferença entre duas gotas é Δy=12Δq Emt2\Delta y = \frac{1}{2}\frac{\Delta q\,E}{m}t^2, logo

Δq=2m ΔyE t2=2×1,5×10−10×9×10−4103×7,2×10−7≈3,7×10−10 C=373 pC.\Delta q = \frac{2m\,\Delta y}{E\,t^{2}} = \frac{2 \times 1{,}5 \times 10^{-10} \times 9 \times 10^{-4}}{10^{3} \times 7{,}2 \times 10^{-7}} \approx 3{,}7 \times 10^{-10}\ \text{C} = 373\ \text{pC}.

Marcação 373. O item é o projétil elétrico inteiro: tempo pela horizontal, desvio pela vertical, e a carga como controle. Nas impressoras reais o mecanismo é esse mesmo, e a resolução da letra vem da precisão com que se dosa a carga de cada gota.

A força é igual, a aceleração não. Em 2010 a banca escondeu um item de Física num bloco de Química sobre o tampão do sangue, com os íons H+\mathrm{H^{+}} e HCO3−\mathrm{HCO_3^{-}}: sob um campo elétrico externo, dizia o item, eles “irão adquirir acelerações com mesmo módulo” e se moverão em sentidos opostos. Sentidos opostos, sim: um é positivo, o outro negativo. Módulos iguais, não: as forças são iguais (mesmo ∣q∣|q|, mesmo EE), mas a=F/ma = F/m, e o bicarbonato tem cerca de 61 vezes a massa do próton. Errado. É o mesmo raciocínio do par de ação e reação na lei de Coulomb: forças iguais, acelerações diferentes.

Millikan: quando a força elétrica segura o peso

Entre 1909 e 1913, Robert Millikan borrifou gotículas de óleo entre duas placas horizontais, eletrizou as gotículas com raios X e ajustou a tensão entre as placas até uma gotícula parar no ar. Parada, a gotícula está em equilíbrio: a força elétrica para cima iguala o peso para baixo,

∣q∣ E=m g⟹∣q∣=mgE.|q|\,E = m\,g \qquad\Longrightarrow\qquad |q| = \frac{mg}{E}.

Medindo a massa da gotícula (pela velocidade de queda sem campo) e o campo, Millikan obtinha a carga, e descobriu que todas as cargas eram múltiplos inteiros de 1,6×10−191{,}6 \times 10^{-19} C: a carga do elétron. O Nobel veio em 1923. Para esta página, o experimento é o modelo do equilíbrio entre força elétrica e peso, e é o molde de um item que a banca repete.

Dois painéis. À esquerda, uma gotícula de óleo negativa parada entre duas placas horizontais, a de cima positiva e a de baixo negativa; o campo aponta para baixo, o peso aponta para baixo e a força elétrica, de mesmo tamanho, aponta para cima. À direita, um plano vertical de cargas positivas com uma partícula positiva presa a um fio que sai do alto do plano e desce em diagonal; sobre a partícula, o peso para baixo, a força elétrica horizontal para longe do plano e a tração ao longo do fio; o fio faz 45 graus com a vertical e o triângulo de forças ao lado mostra força elétrica igual ao peso.
Dois equilíbrios. Millikan: gotícula negativa parada, ∣q∣E=mg|q|E = mg, com o campo apontando **para baixo**, no mesmo sentido do peso. Pêndulo em campo horizontal: três forças que fecham um triângulo, F=Ptan⁡θF = P\tan\theta; a 45°, a força elétrica iguala o peso (itens PAS 3 2015/103 a 105). Diagrama autoral.

O sentido do campo é o pivô. A gotícula de Millikan é negativa. Para que a força elétrica aponte para cima e segure o peso, o campo tem de apontar para baixo, porque F⃗=qE⃗\vec{F} = q\vec{E} com q<0q < 0 inverte o sentido. Em outras palavras, a placa de cima é a positiva. O item 107 da 3.ª etapa de 2023 afirmou que, para a gotícula ficar em repouso, “é necessário que o vetor campo elétrico tenha sentido oposto ao vetor campo gravitacional”. O campo gravitacional aponta para baixo; o campo elétrico precisa apontar para baixo também. Errado. O item estaria certo para gotículas positivas, e a banca contou com o reflexo “para segurar, campo para cima”. O item vizinho, 108, de tipo C, pedia a conclusão do experimento, a carga como múltiplo inteiro da carga do elétron, e está na página de carga elétrica e eletrização.

Primeiro a força, depois o campo

Sempre que a carga do item for negativa, comece pela força: para onde ela precisa apontar (para cima, se é para sustentar; para o centro, se é para curvar)? Só depois escreva o sentido do campo, que é o inverso. Quem parte direto de “campo para cima” tropeça no Millikan de 2023 e em qualquer item montado sobre ele.

Exemplo resolvido (contando elétrons). Uma gotícula de óleo de massa 4,0×10−154{,}0 \times 10^{-15} kg fica parada entre placas horizontais que produzem um campo de 5,0×1045{,}0 \times 10^{4} N/C. Com g=10g = 10 m/s², quantos elétrons em excesso ela tem?

Peso: P=4,0×10−15×10=4,0×10−14P = 4{,}0 \times 10^{-15} \times 10 = 4{,}0 \times 10^{-14} N. Equilíbrio: ∣q∣=P/E=4,0×10−14/5,0×104=8,0×10−19|q| = P/E = 4{,}0 \times 10^{-14}/5{,}0 \times 10^{4} = 8{,}0 \times 10^{-19} C. Elétrons: n=8,0×10−19/1,6×10−19=5n = 8{,}0 \times 10^{-19}/1{,}6 \times 10^{-19} = 5. Conferência de sentido: gotícula negativa, força para cima, campo para baixo, placa de cima positiva. Conferência de escala: 5 elétrons em uma gotícula de micrômetros é o tamanho que Millikan de fato media, entre 1 e algumas dezenas.

O pêndulo em campo horizontal. A figura de 2015 trazia uma parede vertical carregada positivamente, um fio preso ao alto dessa parede e, na ponta do fio, uma partícula positiva em repouso, com réguas marcando 3 cm de afastamento horizontal e 3 cm de queda vertical. Massa 1 000 g, carga 9,8×10−49{,}8 \times 10^{-4} C, g=9,8g = 9{,}8 m/s². Três forças na partícula: o peso, para baixo; a força elétrica, horizontal, para longe do plano (o plano positivo repele a carga positiva); a tração, ao longo do fio. Da figura, 3 cm por 3 cm: o fio faz 45°45° com a vertical, não 30°30° (item 103, errado). No triângulo de forças, F=Ptan⁡θF = P\tan\theta, e a 45°45° a tangente vale 1: F=P=1×9,8=9,8F = P = 1 \times 9{,}8 = 9{,}8 N (item 104, certo). Por fim, E=F/∣q∣=9,8/9,8×10−4=104E = F/|q| = 9{,}8/9{,}8 \times 10^{-4} = 10^{4} N/C, que é o mesmo que 10410^{4} V/m (item 105, certo). O bloco inteiro é o pêndulo eletrostático da lei de Coulomb com o campo no lugar da segunda carga, e a última linha cobra a equivalência de unidades da seção anterior.

A gotícula que não caía

Millikan precisava de uma partícula pequena o bastante para que uma tensão de laboratório a segurasse, e grande o bastante para ser vista ao microscópio. Água evaporava rápido demais; óleo de relógio resolveu. Em uma gotícula típica, de 1 µm de raio e massa da ordem de 4×10−154 \times 10^{-15} kg, o peso é de 4×10−144 \times 10^{-14} N; com uma carga de um só elétron, é preciso um campo de 2,5×1052{,}5 \times 10^{5} V/m para segurá-la, o que dá 4 000 V entre placas separadas de 1,6 cm. Millikan mediu milhares de gotículas ao longo de anos e nunca encontrou uma carga que não fosse múltiplo inteiro de ee. A quantização da carga, que hoje se enuncia numa linha, é o resultado desse equilíbrio repetido.

Campo e condutores: dentro do metal, zero

Um pedaço de metal tem elétrons livres. Se houver campo dentro do metal, esses elétrons se movem; enquanto se movem, redistribuem carga; a redistribuição cria um campo que se opõe ao original; e o movimento só cessa quando o campo interno se anula. Em equilíbrio eletrostático, portanto, o campo elétrico dentro de um condutor é zero, qualquer que seja a forma dele e qualquer que seja o campo externo. Isso puxa três consequências que a banca cobra em esferas metálicas e que esta página só apresenta, porque a página de potencial elétrico as deduz junto com o potencial do condutor.

Na superfície, o campo é perpendicular. Se houvesse componente do campo ao longo da superfície, os elétrons da superfície se moveriam ao longo dela. Não se movem, logo as linhas de campo chegam ou saem de um condutor sempre em ângulo reto com a superfície. É por isso que as linhas entre duas placas paralelas são perpendiculares às placas.

Nas pontas, o campo é mais forte. A carga em excesso de um condutor se distribui na superfície, e se concentra onde o raio de curvatura é menor. Perto de uma ponta, as linhas se apertam e o campo cresce; é ali que o ar chega primeiro aos 3×1063 \times 10^{6} V/m e vira condutor. O para-raios é uma ponta metálica posta de propósito no alto do prédio, e a página de potencial conta o resto.

Dentro de uma cavidade, o campo externo não entra. Uma caixa metálica fechada, ou mesmo uma grade fina, em equilíbrio num campo externo: as cargas da superfície se arranjam de modo que o campo dentro da cavidade seja nulo. É a blindagem eletrostática, a gaiola de Faraday, demonstrada por ele em 1836 com uma sala forrada de metal onde ele mesmo entrou e não detectou campo nenhum.

Onde a gaiola de Faraday aparece

O carro numa tempestade: a carroceria metálica conduz a descarga pela superfície externa e o interior fica protegido, não pelos pneus de borracha. O forno de micro-ondas: a caixa metálica e a grade da porta mantêm o campo dentro. O cabo blindado do aparelho de som e a malha metálica em volta do cabo de antena: o campo externo não chega ao fio de dentro. O avião atingido por um raio: a fuselagem de alumínio faz a corrente contornar a cabine. Em todos os casos, o mecanismo é o mesmo: campo nulo dentro de um condutor em equilíbrio.

A gravidade também é um campo

Tudo o que esta página disse sobre E⃗\vec{E} vale, palavra por palavra, para a gravidade, trocando carga por massa. A Terra modifica o espaço em volta dela; uma massa mm colocada num ponto sente força P⃗=mg⃗\vec{P} = m\vec{g}; e a razão g⃗=P⃗/m\vec{g} = \vec{P}/m é o campo gravitacional naquele ponto. Perto do solo ele vale 9,8 N/kg, que é o mesmo que 9,8 m/s², e aponta para baixo. Longe da Terra, a uma distância dd do centro, g=GM/d2g = GM/d^{2}, radial e sempre para dentro, o campo de uma “carga” que só atrai.

campo elétrico campo gravitacional
fonte carga QQ massa MM
definição E⃗=F⃗/q\vec{E} = \vec{F}/q g⃗=P⃗/m\vec{g} = \vec{P}/m
unidade N/C == V/m N/kg == m/s²
carga pontual E=k∣Q∣/d2E = k\lvert Q \rvert/d^{2} g=GM/d2g = GM/d^{2}
sentido sai de ++, entra em −- sempre para a massa
linhas nascem e morrem em cargas só chegam, nunca saem
uniforme entre placas paralelas perto da superfície de um planeta
pode ser blindado sim (gaiola de Faraday) não

Foi esta analogia que o caderno de 2012 desenhou lado a lado: na figura I, uma partícula de massa mm a uma altura hh no campo gravitacional uniforme; na figura II, uma partícula com carga +Q+Q entre duas placas, no campo elétrico uniforme. O item 47 era a conta E=U/dE = U/d da seção anterior; o item 48, sobre o trabalho independer do caminho nos dois casos, é matéria de potencial elétrico. E em 2020 a banca desenhou linhas de campo vetorial terminando num ponto PP e três caminhos fechados em volta dele, perguntando se “fluem mais linhas de forças gravitacionais” através do caminho maior que através do menor. Não fluem: toda linha que termina em PP atravessa qualquer curva fechada que envolva PP, uma vez cada; o número é o mesmo, seja a curva grande ou pequena. Errado, pelo mesmo motivo da esfera e do cubo de 2015.

À esquerda, a Terra no centro com linhas de campo gravitacional radiais apontando para dentro e três circunferências concêntricas de raios crescentes: o mesmo número de linhas atravessa cada uma. À direita, uma carga positiva no centro com linhas saindo, envolvida por uma circunferência e por um quadrado: o mesmo número de linhas atravessa as duas curvas fechadas.
Fluxo por contagem de linhas. As linhas que atravessam a esfera grande são as mesmas que atravessam a pequena (PAS 3 2015/89 e 2020/100); esfera ou cubo com a mesma carga dentro, mesmo número de linhas (2015/90). Diagrama autoral.

A diferença que importa está na última linha da tabela. Cargas vêm em dois sinais, e um condutor pode rearranjar as suas para anular um campo externo. Massa só vem em um sinal, e não há “condutor gravitacional”: nenhuma sala blindada protege alguém da gravidade. E a força elétrica entre partículas é 103910^{39} vezes mais forte que a gravitacional, como a lei de Coulomb calcula; é a neutralidade da matéria que deixa a gravidade governar o céu.

Como a banca pergunta

Nenhum outro assunto da eletrostática aparece em tantas provas da 3.ª etapa quanto o campo elétrico: itens em oito edições entre 2010 e 2023, sem conta pesada, com as constantes dadas. Em 2025, primeira prova da matriz vigente, a eletrostática inteira ficou de fora. Os padrões:

  1. Ler a figura. Linhas de campo e sinais (2020/103: linhas saem de qaq_a, logo qaq_a é positiva; o item afirmava o contrário, errado). Vetor resultante em um ponto (2014/118, tipo C: sobre a perpendicular a um dipolo, a resultante é horizontal, de +q+q para −q-q). Fluxo por contagem de linhas (2015/90, esfera e cubo com a mesma carga, fluxos iguais, certo; 2015/89 e 2020/100, o fluxo gravitacional não muda com o tamanho da superfície fechada, errados).
  2. A força sobre uma carga no campo, como tipo B. 2022/88: elétron em 5,0×1045{,}0 \times 10^{4} N/C, F=1,6×10−19×5,0×104=8,0×10−15F = 1{,}6 \times 10^{-19} \times 5{,}0 \times 10^{4} = 8{,}0 \times 10^{-15} N, dividido por 10−1510^{-15}, marcação 008, com os zeros à esquerda.
  3. O equilíbrio com o peso. Millikan (2023/107: gotícula negativa exige campo para baixo, no mesmo sentido do gravitacional; o item dizia oposto, errado). Pêndulo em campo horizontal (2015/103 a 105: 45°, F=P=9,8F = P = 9{,}8 N, E=104E = 10^{4} V/m).
  4. O campo uniforme e a tensão. E=U/dE = U/d com a distância em centímetros ou milímetros (2012/47: 5 V e 2 cm, 250 N/C, certo; 2016/118: 30 V e 10 mm, 3 000 V/m, “inferior a 1 000” errado). O movimento no campo uniforme como tipo B (2010/28: gotas de tinta, 373 pC).
  5. A aceleração de íons. 2010/94: mesma força, massas diferentes, acelerações diferentes, sentidos opostos; o item dizia “mesmo módulo”, errado.

O que a banca fornece: a carga do elétron, a constante eletrostática, gg, e a figura. O que ela não perdoa: o sentido da força sobre a carga negativa, a distância fora do metro, e a parte fracionária que não foi descartada na marcação do tipo B.

Os erros que a prova planta

  1. Achar que EE depende da carga de prova. E=F/∣q∣E = F/|q| é uma razão; dobrar qq dobra FF e deixa EE igual. O campo é das cargas que o criam.
  2. Pôr a força sobre a carga negativa no sentido do campo. F⃗=qE⃗\vec{F} = q\vec{E} com q<0q < 0 inverte o sentido. É o pivô do Millikan de 2023 e do vetor resultante de 2014.
  3. Achar que o campo de uma carga negativa “sai” dela. Sai da positiva, entra na negativa. No desenho, a seta aponta para a carga negativa.
  4. Confundir linha de campo com trajetória. A linha dá a direção da força; a trajetória depende também da velocidade. Só coincidem em linha reta e partida do repouso.
  5. Cruzar linhas de campo. Não se cruzam nunca: o campo tem um só valor em cada ponto.
  6. Achar que campo nulo implica potencial nulo (ou o contrário). No ponto médio entre +q+q e −q-q, E⃗≠0⃗\vec{E} \neq \vec{0} e V=0V = 0; entre +q+q e +q+q, E⃗=0⃗\vec{E} = \vec{0} e V≠0V \neq 0. São grandezas diferentes; a comparação está em potencial elétrico.
  7. Somar campos como números. Fora da reta que une as cargas, os campos têm direções diferentes e se somam por componentes. Dois campos iguais e perpendiculares dão E2E\sqrt{2}, não 2E2E.
  8. Confundir N/C com N. N/C é unidade de campo (força por carga); N é força. Um campo de 100 N/C não faz 100 N em uma carga qualquer, faz 100 N em cada coulomb.
  9. Deixar a distância em centímetros em E=U/dE = U/d ou em E=k∣Q∣/d2E = k|Q|/d^2. 2 cm são 0,02 m; 10 mm são 0,010 m; 1 km são 1 000 m. O erro sai multiplicado por 100 ou por 1 000 (e por 10410^4 dentro do quadrado).
  10. Achar que forças iguais dão acelerações iguais. No mesmo campo, íons de mesma carga sentem a mesma força, mas a=F/ma = F/m: o mais leve acelera mais (2010/94).
  11. Achar que o fluxo cresce com o tamanho da superfície fechada. As linhas são as mesmas; só se espalham (2015/89, 2020/100). O que conta é a carga (ou a massa) que está dentro.
  12. Esquecer que o campo é nulo dentro de um condutor em equilíbrio. E não confundir o interior do metal com o interior de uma cavidade: no metal o campo é nulo sem exceção; dentro de uma cavidade, só na ausência de carga lá dentro.

O essencial em meia página

  • Definição: F⃗=qE⃗\vec{F} = q\vec{E}, E=F/∣q∣E = F/|q|, em N/C == V/m. Sentido do campo == sentido da força sobre carga positiva; carga negativa sente força contra o campo. O campo não depende da carga de prova.
  • Carga pontual: E=k∣Q∣/d2E = k|Q|/d^2, radial; sai de ++, entra em −-. d→2dd \to 2d: E/4E/4; d→3dd \to 3d: E/9E/9. Ordens de grandeza: 1 µC a 1 m, 9×1039 \times 10^3 N/C; ar rompe em 3×1063 \times 10^6 V/m; tempo bom, 100 V/m para baixo.
  • Superposição: soma vetorial. Ponto médio de cargas iguais: zero; de cargas opostas: 2k∣q∣/d22k|q|/d^2, de ++ para −-. Campo nulo entre cargas de mesmo sinal, perto da menor (4q4q e qq a 30 cm: a 20 cm da maior); fora do segmento se sinais opostos. Perpendicular ao dipolo: resultante paralela ao eixo, de ++ para −- (2014/118).
  • Linhas de campo: tangentes ao campo; nascem em ++, morrem em −-; densidade ∝E\propto E; nunca se cruzam; número ∝∣Q∣\propto |Q|. Não são trajetórias. Fluxo por superfície fechada depende só da carga interna (2015/90); não cresce com o raio (2015/89, 2020/100).
  • Campo uniforme: linhas retas, paralelas, equiespaçadas, de ++ para −-; E=U/dE = U/d, dd em metros (2012/47: 250 N/C; 2016/118: 3 000 V/m); F=∣q∣EF = |q|E constante.
  • Movimento no campo uniforme: a=∣q∣E/ma = |q|E/m, constante, depende de q/mq/m. Do repouso: MUV ao longo da linha. Lançada perpendicular: parábola, y=12∣q∣Em(L/v0)2y = \frac{1}{2}\frac{|q|E}{m}(L/v_0)^2 (2010/28: 373 pC). Mesma força, massas diferentes, acelerações diferentes (2010/94).
  • Equilíbrio com o peso: ∣q∣E=mg|q|E = mg. Gotícula negativa parada exige campo para baixo (2023/107, errado ao dizer “oposto ao gravitacional”). Pêndulo em campo horizontal: F=Ptan⁡θF = P\tan\theta; a 45°, F=PF = P (2015/103 a 105: E, C, C). Julgue a força primeiro.
  • Condutores em equilíbrio: campo interno nulo; linhas perpendiculares à superfície; campo maior nas pontas; cavidade blindada (gaiola de Faraday). Dedução e potencial do condutor em potencial elétrico.
  • Gravidade como campo: g⃗=P⃗/m\vec{g} = \vec{P}/m, 9,8 N/kg == m/s², radial para dentro, g=GM/d2g = GM/d^2; mesma matemática, um só sinal, sem blindagem.
  • Itens PAS 3: 2010/28 (373), 2010/94 (E), 2012/47 ©, 2014/118 ©, 2015/89 (E), 2015/90 ©, 2015/103–105 (E, C, C), 2016/118 (E), 2020/100 (E), 2020/103 (E), 2022/88 (008), 2023/107 (E).
  • Vizinhos: a força entre duas cargas em lei de Coulomb; quem se move na eletrização em carga elétrica e eletrização; soma de setas em vetores; potencial, equipotenciais, trabalho e condutores em potencial elétrico; g=GM/d2g = GM/d^2 em gravitação universal; força e aceleração em leis de Newton.

Exercícios temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.

Flashcards temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar os cartões de revisão.

Campo Elétrico | ELETROSTÁTICA
Chama o Físico · 23:05
Introdução. Aula de 23 minutos que, segundo a descrição do autor, discute o conceito de campo elétrico, a definição matemática e a representação por linhas de força. É a construção das seções “Uma carga muda o espaço à sua volta”, “O campo de uma carga pontual cai com o quadrado” e “Linhas de campo: o desenho tem regras” desta página, com a ideia de carga de prova e o sentido do campo decidido pelo sinal da fonte. Assista antes de ler.
CAMPO ELÉTRICO - Teoria e Exercícios
Felipe Sampaio - Física · 26:37
Aprofundamento. Aula com capítulos marcados na descrição: como representar o campo elétrico (0:00), calculando o campo (3:36), relação entre campo elétrico e força elétrica (5:41), unidade de medida (13:37) e um exercício de campo elétrico resultante (14:58). Cobre com contas passo a passo as seções “Campo elétrico: força por unidade de carga” e “Várias cargas: os campos se somam como setas”, inclusive a soma vetorial em um ponto, que é o molde do item PAS 3 2014/118.
Movimento de Carga em C.E.U. (Campo Elétrico Uniforme)
All Physics · 13:23
Aplicação. O professor resolve uma questão de partícula carregada abandonada em um campo elétrico uniforme e, conforme a descrição, mostra que a força é constante e que a aceleração depende da massa, da carga e do módulo do campo. É a seção “Uma partícula no campo uniforme: o projétil elétrico” desta página, na parte da partícula solta do repouso, e o raciocínio do item PAS 3 2010/94 (mesma força, acelerações diferentes).
Resolução do PAS 3 UnB 2020 - Eletrostática: campo de um dipolo e Lei de Coulomb
Física+ · 12:35
Resolução de item real. O professor Matheus Aguiar resolve os itens 103 (a partir de 4:05) e 104 (5:00) da 3.ª etapa de 2020, com o texto do bloco reproduzido na descrição do vídeo: as linhas de campo entre q_a e q_b e o sinal das cargas, item reproduzido nesta página, na seção “Linhas de campo: o desenho tem regras”, e a força de Coulomb de q_a sobre q, reusada da página de lei de Coulomb. Julgue o item 103 antes de assistir.
Rota PAS 3
Eletrostática: força, campo e potencial elétrico · PAS 3

Fontes desta página

Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.

  • Rota PAS 3 — Eletrostática: força, campo e potencial elétrico · Campo elétrico: como uma carga age onde ela não está (conceito F = qE e E = k|Q|/d², figura das linhas de campo do par de cargas opostas, exemplo-guia da carga de +4 µC a 2 m, lembrete da carga de prova, itens PAS 3 2020/103, 2022/88, 2015/103 a 105, 2010/94, 2015/90 e 2014/118, armadilha 'julgue a força primeiro', checagem do elétron em repouso); Campo uniforme entre placas: a ponte E = U/d (conceito, exemplo-guia das placas a 5 cm e 200 V, itens 2012/47, 2016/117 e 118, 2010/28, armadilha do quilômetro, checagem N/C = V/m); Condutores em equilíbrio (as quatro propriedades, só apresentadas aqui); Como a banca cobra (histórico dos itens de campo, item 2023/107 dissecado); Resolvidos no formato da prova (a gotícula equilibrada); Treino T10, T11, T15 e T21

    Recorte por assunto: o conceito de campo, o campo de carga pontual, a superposição, as linhas de campo, o campo uniforme como relação E = U/d, o movimento de uma partícula no campo uniforme e o equilíbrio com o peso. O potencial, a energia potencial, as equipotenciais, o trabalho, a dedução de E = U/d por energia, o potencial do condutor, o para-raios e o campo nuvem-solo (2024/40) ficam em potencial elétrico; a força entre duas cargas fica em lei de Coulomb; os processos de eletrização e o item 2023/108 ficam em carga elétrica e eletrização. A página acrescenta, ausentes do capítulo, a história do conceito de campo (Faraday, Maxwell), a tabela de proporções e as ordens de grandeza do campo, o ponto de campo nulo, as quatro regras das linhas de campo, o fluxo por contagem de linhas, a trajetória parabólica com a fórmula do desvio, a comparação com o lançamento de projéteis, a história e a conta do experimento de Millikan, o campo em condutores como remissão e a gravidade como campo.

  • Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cebraspe) · PAS 3 2010 (itens 28, caderno p. 6, com a figura da impressora, e 94, p. 15, no bloco do tampão do sangue); 2012 (item 47, caderno Fraternidade, p. 9, com as figuras I e II); 2014 (item 118, tipo C, caderno Aranha, p. 19, com a figura e as quatro opções); 2015 (itens 89 e 90, caderno Salgado, p. 13, com as figuras I e II; itens 103 a 105, p. 17, com a figura do plano de cargas e das réguas); 2016 (item 118, caderno Fantasia, p. 20, com a figura do capacitor); 2020 Parte 2 (itens 100 e 103, p. 10, com as figuras do campo vetorial e das linhas de q_a e q_b); 2022 (item 88, p. 12, no bloco do seletor de velocidade); 2023 (item 107, p. 13)

    Itens reproduzidos verbatim dos cadernos em texto e conferidos na imagem dos PDFs em utils/material/PAS/provas/ rasterizados a 130 dpi; gabaritos conferidos nos arquivos GAB (2010: 28 = 373, 94 E; 2012: 47 C; 2014: 118 C; 2015: 89 E, 90 C, 103 E, 104 C, 105 C; 2016: 118 E; 2020: 100 E, 103 E; 2022: 88 = 008; 2023: 107 E) e em utils/material/PAS/pesquisa/classificacao-pas3/AAAA.json. As figuras impressas foram descritas em texto neutro nos enunciados, nomeando todos os rótulos. Grafias do caderno mantidas ('Milikan' em 2023, 'Gotas de tintas' em 2010), com (sic) apenas nas resoluções. Reusos por GUID: 2020/104 (lei de Coulomb), 2023/108 (carga elétrica e eletrização), 2015/89 (gravitação universal) e 2012/34 (ondas eletromagnéticas).