Um ônibus a 72 km/h para em meio segundo; para um passageiro de 80 kg parar junto, algo precisa segurá-lo com 3 200 N, quatro vezes o seu peso. Com airbag e zona de deformação a parada leva dois segundos e a força cai para 800 N. O que o passageiro tinha de perder não mudou um grama: o que mudou foi o tempo. Por quê?
O que você vai aprender
Definir quantidade de movimento por p = m·v, expressá-la em kg·m/s, reconhecer seu caráter vetorial (sinal em linha reta, soma vetorial num sistema) e distingui-la de força e de energia cinética.
Calcular o impulso de uma força constante por I = F·Δt e o de uma força variável pela área com sinal do gráfico F × t, obtendo a força média como a força constante de mesma área, e distinguir impulso (N·s) de trabalho (J).
Enunciar o teorema do impulso, I_res = Δp, deduzi-lo da segunda lei e reconhecer F_res = Δp/Δt como a forma original de Newton, válida inclusive com massa variável; aplicar a exigência de que o impulso é o da força resultante.
Calcular Δp e a força média em inversões de velocidade (bola na parede, raquete, taco), escrevendo velocidades com sinal e somando módulos na inversão.
Explicar por que airbag, cinto, zona de deformação, capacete, colchão e joelho flexionado reduzem a força média ao aumentar o tempo da parada, sem alterar a variação da quantidade de movimento, e resolver o item tipo B do PAS 1 de 2022 sobre a frenagem do ônibus.
Ler gráficos F × t (área = impulso, pico ≠ média, trecho negativo) e v × t (inclinação = aceleração, m·Δv = Δp), reconhecendo que velocidade constante implica impulso resultante nulo.
Enunciar a conservação da quantidade de movimento de um sistema isolado como consequência do teorema do impulso e aplicá-la ao recuo e à explosão a partir do repouso (m₁v₁ = −m₂v₂), identificando o sistema correto e distinguindo conservação de p de conservação de energia cinética.
Usar Ec = p²/2m para comparar corpos de mesma quantidade de movimento e massas diferentes e relacionar impulso (tempo) e trabalho (distância) como dois caminhos para a mesma força média.
Um ônibus a 72 km/h freia e para em meio segundo. Um passageiro de 80 kg, sem cinto, continua a 72 km/h por inércia até encontrar o banco da frente, o vidro ou o chão. Para que ele pare junto com o ônibus, algo tem de segurá-lo com uma força de 3 200 N, quatro vezes o seu peso, durante esse meio segundo. Foi exatamente isso que a prova do PAS 1 de 2022 pediu para calcular, sem escrever a palavra “impulso” em lugar nenhum. Agora troque o cenário: o mesmo passageiro, a mesma velocidade, mas a parada se espalha por dois segundos porque um airbag e uma zona de deformação amortecem o baque. A força cai para 800 N. O que o passageiro tinha de perder não mudou um grama; mudou o tempo em que ele perde.
Essa é a ideia inteira desta página. Todo corpo em movimento carrega uma “quantidade de movimento”, que é massa vezes velocidade; para mudá-la, é preciso força agindo por um tempo, e o produto força vezes tempo se chama impulso. O que se deve pagar (a variação da quantidade de movimento) é fixado pela situação; como se paga (força grande por pouco tempo ou força pequena por muito tempo) é escolha de engenharia. Airbag, cinto, capacete, colchão do salto em altura, o joelho que dobra quando você pula de um muro e a luva do goleiro são a mesma equação em roupas diferentes. E, quando nenhuma força externa age, essa quantidade simplesmente não muda: é a ponte para as colisões, que têm página própria.
Quanto movimento há para deter
Um caminhão de 12 toneladas manobrando a 2,5 m/s e um carro de 1 500 kg a 18 m/s: qual dos dois é mais difícil de parar? A velocidade diz que é o carro; a massa diz que é o caminhão. A física combina os dois numa só grandeza.
Quantidade de movimento (momento linear)
A quantidade de movimento de um corpo de massa m e velocidade v é
p=mv.
É uma grandeza vetorial: aponta para onde a velocidade aponta (a massa é sempre positiva) e, num movimento retilíneo, herda o sinal que se atribui à velocidade. A unidade no SI é o quilograma-metro por segundo, kg⋅m/s, sem nome próprio.
símbolo
leitura
no caminhão
no carro
m
massa, em kg
12 000 kg
1 500 kg
v
velocidade, em m/s
2,5 m/s
18 m/s
p=mv
quantidade de movimento, em kg·m/s
30 000
27 000
O caminhão lento carrega mais quantidade de movimento que o carro rápido, e é por isso que ele é mais difícil de parar. Repare no que a grandeza não é: não é energia (a energia cinética do carro, 21×1500×182=243000 J, é bem maior que a do caminhão, 37 500 J; a última seção desta página mostra por quê), não é força (um corpo em movimento uniforme tem quantidade de movimento e força resultante nula) e não é “velocidade com outro nome” (a massa pesa tanto quanto a velocidade).
Quantidade de movimento é um vetor com o sentido da velocidade. Massa e velocidade pesam igual no produto (o caminhão lento vence o carro rápido); mesma rapidez em sentidos opostos dá quantidades de movimento opostas, e não iguais; e a soma de um sistema é uma soma **vetorial**: 3 e 4 perpendiculares dão 5, não 7. Diagrama autoral.
O caráter vetorial tem duas consequências que a prova cobra. A primeira é o sinal: dois carrinhos de 2 kg vindo um contra o outro a 3 m/s têm a mesma rapidez, mas quantidades de movimento opostas, +6 e −6kg⋅m/s, e a soma dos dois é zero, não 12. Antes de qualquer conta em linha reta, escolha um sentido como positivo e escreva com sinal negativo o que anda ao contrário. A segunda é a soma de um sistema: a quantidade de movimento total de vários corpos é a soma vetorial das quantidades de cada um. Se dois corpos se movem em direções perpendiculares com p1=3 e p2=4kg⋅m/s, o total tem módulo 32+42=5, não 7; se um vem para o norte e outro para o sul com o mesmo módulo, o total é zero. Somar módulos só vale quando todos os vetores apontam para o mesmo lado. A regra de composição é a mesma dos vetores de força e velocidade.
Exemplo resolvido. Um carro de 1 500 kg a 72 km/h. Primeiro converta: 72/3,6=20 m/s. Depois multiplique: p=1500×20=30000kg⋅m/s. Se o carro andasse no sentido contrário ao escolhido como positivo, p=−30000. É esse o montante de movimento que freios, barreira ou airbag terão de zerar, e ele fica decidido antes de se saber como a parada vai acontecer. Conferência de unidade: kg vezes m/s dá kg·m/s; quem esquece a conversão e usa 72 obtém 108 000, com uma unidade híbrida que não existe.
Impulso: força vezes tempo
Para mudar a quantidade de movimento de um corpo é preciso aplicar força. Mas força sozinha não basta: uma força de 10 N aplicada por um centésimo de segundo quase não muda nada; a mesma força por dez segundos muda muito. A grandeza que mede “força acumulada ao longo do tempo” é o impulso.
Impulso de uma força
Se uma força constante F age sobre um corpo durante um intervalo de tempo Δt, seu impulso é
I=FΔt.
É um vetor com a direção e o sentido da força. A unidade é o newton-segundo, N⋅s, que é exatamente a unidade da quantidade de movimento: como 1N=1kg⋅m/s2, então 1N⋅s=1kg⋅m/s. As duas grandezas se medem na mesma unidade porque, como a próxima seção mostra, uma é a variação da outra.
Se a força varia durante o intervalo, o impulso é a área entre o gráfico da força em função do tempo e o eixo dos tempos, com sinal: trechos em que a força aponta no sentido positivo contam positivo; trechos em que aponta contra, negativo. A força médiaFm do intervalo é a força constante que produziria a mesma área: I=FmΔt.
Impulso é área no gráfico F×t. Força constante: retângulo, FΔt. Força que sobe e desce num pulso: área do triângulo, metade de base vezes altura. Os dois pulsos têm o mesmo impulso, 4 N·s; a força **média** do pulso triangular é 20 N, metade do pico de 40 N. Numa colisão real a força de pico é sempre maior que a média que as fórmulas fornecem. Diagrama autoral.
Exemplo resolvido. Numa colisão, a força que uma parede aplica a uma bola cresce de zero até 40 N em 0,1 s e cai de volta a zero nos 0,1 s seguintes. O impulso é a área do triângulo: 21×0,2×40=4N⋅s. A força média nesses 0,2 s é Fm=I/Δt=4/0,2=20 N, metade do pico. Quem usa o pico como se fosse a força do intervalo inteiro obtém 40×0,2=8N⋅s, o dobro do correto. E se, numa segunda fase, a bola recebesse uma força de −10 N (contra o sentido positivo) durante 0,1 s, esse trecho valeria −1N⋅s e o impulso total seria 4−1=3N⋅s.
Impulso não é trabalho
As duas grandezas nascem da mesma força e se confundem por isso. Trabalho é força vezes distância percorrida (área no gráfico F×x), mede-se em joules e muda a energia cinética. Impulso é força vezes tempo de atuação (área no gráfico F×t), mede-se em newton-segundo e muda a quantidade de movimento. Um bloco empurrado por 5 m com 10 N recebe 50 J de trabalho; se esses 5 m levaram 2 s, o impulso foi 20 N·s. Os números são diferentes, as unidades são diferentes e o que cada um altera é diferente. Quando o enunciado dá tempo, pense em impulso; quando dá distância, pense em trabalho.
O teorema do impulso: a segunda lei como Newton a escreveu
Você aprendeu a segunda lei como Fres=ma. Substitua a aceleração pela sua definição, a=Δv/Δt, e multiplique os dois lados pelo tempo:
FresΔt=mΔv=mvf−mvi=Δp.
Do lado esquerdo está o impulso da força resultante; do lado direito, a variação da quantidade de movimento. A igualdade é o teorema do impulso, e ela é a segunda lei de Newton com o tempo passado para o outro lado.
Teorema do impulso
Num intervalo de tempo qualquer, a quantidade de movimento de um corpo varia exatamente do impulso que a força resultante aplicou sobre ele nesse intervalo:
Ires=FresΔt=Δp=pf−pi.
Para força variável, usa-se a força média: FmΔt=Δp. Lida ao contrário, a mesma equação é a segunda lei na forma em que Newton a escreveu nos Principia, em 1687: a força resultante é a taxa de variação da quantidade de movimento,
Fres=ΔtΔp.
Essa forma é mais geral que F=ma: continua válida quando a massa muda, como num foguete que queima combustível.
Duas palavras da definição decidem os itens de prova. A primeira é resultante: o teorema vale para a soma de todas as forças, não para uma força isolada. Se uma caixa em queda é freada por um paraquedas, o impulso que muda sua quantidade de movimento é o da resultante (arrasto menos peso), não o do arrasto sozinho. Só quando uma força domina largamente as outras, como a da parede numa bola que quica em milésimos de segundo, é aceitável identificar o impulso dela com Δp. A segunda palavra é variação: Δp é a quantidade final menos a inicial, como vetores, e não a diferença entre as rapidezes. A seção seguinte trata dela.
Exemplo resolvido (a bola do goleiro). Uma bola de 0,45 kg chega a 20 m/s: p=0,45×20=9kg⋅m/s. Seja qual for a técnica da defesa, as mãos terão de produzir um Δp de módulo 9. Goleiro de mãos travadas: a bola para em 0,1 s e Fm=9/0,1=90 N. Goleiro que acompanha a bola, cedendo os braços para trás: a parada se estende por 0,3 s e Fm=9/0,3=30 N. O tempo triplicou e a força caiu a um terço; o impulso não mudou, 9N⋅s nas duas defesas. Conferência: 90×0,1=30×0,3=9. É a mesma conta que o resto da página vai repetir com outros nomes.
Voltar é pagar dobrado: o sinal na inversão
A bola do goleiro parou. Mas e a bola que bate na parede e volta? Aqui a natureza vetorial de p deixa de ser detalhe e vira o coração da conta. Uma bola de 0,2 kg chega a uma parede a 10 m/s e retorna a 6 m/s. Escolha o sentido de chegada como positivo: vi=+10, vf=−6 m/s. Então
Δp=m(vf−vi)=0,2×(−6−10)=0,2×(−16)=−3,2kg⋅m/s.
O sinal negativo diz que o impulso da parede aponta para longe dela, o que faz sentido: a parede empurra a bola de volta. O módulo, 3,2, é maior que a quantidade de movimento inicial da bola (2,0): para inverter um movimento é preciso primeiro apagá-lo e depois criá-lo no sentido contrário. Se o contato durou 0,04 s, a força média é Fm=3,2/0,04=80 N.
Na inversão, Δp é a soma dos módulos, não a diferença. A bola chega com +2, sai com −1,2; a variação é −1,2−2=−3,2kg⋅m/s, apontando para fora da parede, e o impulso da parede tem esse valor. Quem faz 2−1,2=0,8 obtém um quarto da resposta. Diagrama autoral.
Subtrair módulos é o erro mais caro da página
Δp é pf−picom sinais. Na bola que volta, −1,2−(+2,0)=−3,2, e não 2,0−1,2=0,8. A diferença é um fator quatro na força. O mesmo vale para a velocidade: a variação de velocidade de um corpo que chega a 6 m/s e volta a 4 m/s tem módulo 10 m/s, não 2. Regra prática: se o corpo inverteu o sentido, os módulos se somam; se manteve o sentido (acelerou ou freou sem voltar), os módulos se subtraem.
Exemplo resolvido (o taco e a bola). Uma bola de beisebol de 0,145 kg chega ao taco a 40 m/s e sai no sentido oposto a 50 m/s, após um contato de cerca de 1 milissegundo. Sentido de saída como positivo: vi=−40, vf=+50. Δp=0,145×(50−(−40))=0,145×90≈13kg⋅m/s. Força média: Fm=13/0,001=13000 N, cerca de 1,3 tonelada-força concentrada num ponto do taco, o que explica por que ele vibra na mão e às vezes quebra. Conferência de ordem de grandeza: o peso da bola é 1,45 N; durante o milissegundo do contato, a força do taco é quase dez mil vezes o peso, e por isso ignorar a gravidade nessa conta é legítimo.
Mesmo Δp, outro Δt: a engenharia da parada
Volte ao ônibus da abertura. A variação da quantidade de movimento do passageiro é fixa: Δp=80×20=1600kg⋅m/s, decidida pela massa dele e pela velocidade do ônibus antes da freada. O que resta escolher é o tempo em que essa variação acontece, e a força vem de Fm=Δp/Δt:
como o passageiro para
Δt
Fm=1600/Δt
em pesos do passageiro
contra o painel rígido
0,05 s
32 000 N
40
contra o banco da frente
0,2 s
8 000 N
10
freada do ônibus, com cinto (PAS 2022)
0,5 s
3 200 N
4
cinto + airbag + zona de deformação
2 s
800 N
1
Toda a segurança passiva de um veículo consiste em descer nessa tabela. O cinto distribui a força pelo tronco e faz o passageiro parar junto com o carro, e não depois, contra o painel; o airbag é uma bolsa que se interpõe entre o corpo e o volante e se esvazia enquanto o corpo afunda nela, esticando a parada por dezenas de milissegundos a mais; a zona de deformação da carroceria amassa progressivamente para que o próprio carro leve mais tempo para parar. Nenhum dos três reduz o que deve ser detido. Todos aumentam o tempo.
Mesma área, formatos diferentes. A variação da quantidade de movimento (1 600 N·s) é a área sob a curva, e ela é a mesma nas duas paradas. O airbag não encolhe a área: ele a espalha por um tempo quatro vezes maior, e a altura da curva, que é a força, cai a um quarto. Diagrama autoral.
O airbag não reduz a variação da quantidade de movimento
Afirmação típica de item de treino: “o airbag protege o ocupante porque diminui a variação de quantidade de movimento que o corpo dele sofre na colisão”. Errada. A variação é mΔv, decidida pela massa do ocupante e pela velocidade do veículo antes do choque; com ou sem airbag, o ocupante sai da velocidade do carro e chega a zero. O que o airbag encolhe é a força média, e consegue isso esticando o tempo da parada. Uma versão correta do item diria que, fixado o Δp, força média e duração da interação são inversamente proporcionais: dobrou o tempo, a força caiu à metade.
Exemplo resolvido (PAS 1 2022, item 94, tipo B). “Os freios de um ônibus que viajava a 72 km/h foram acionados pelo motorista por 0,5 s, o que causou desaceleração constante e fez o ônibus parar completamente nesse intervalo de tempo. Supondo que um dos passageiros do ônibus tivesse 80 kg de massa, calcule a força necessária, em N, para que a frenagem do ônibus não o lançasse para frente. Divida o valor encontrado por 10.” Para o passageiro parar junto com o ônibus, sua quantidade de movimento precisa ir de 80×20=1600 a zero em 0,5 s: Fm=1600/0,5=3200 N; dividido por 10, marca-se 320. Conferência pela segunda lei na forma usual: a=20/0,5=40 m/s², F=80×40=3200 N. Os dois caminhos são o mesmo teorema. Quem esquece a conversão de 72 km/h obtém 11 520, um número com quatro dígitos para um caderno de respostas que só aceita três: o tamanho da resposta já avisa que a conta saiu errada.
Exemplo resolvido (ensaio de colisão). Um boneco instrumentado de 65 kg viaja a 90 km/h quando o carro de teste colide com a barreira, e o conjunto cinto–airbag leva seu tronco ao repouso em 0,25 s. A força média passa de 6 000 N? Conversão: 90/3,6=25 m/s. Δp=65×25=1625kg⋅m/s. Fm=1625/0,25=6500 N: sim, passa de 6 000 N, e equivale a dez vezes o peso do boneco. Sem o airbag, com a parada em 0,05 s contra o volante, a força seria 32 500 N, cinquenta vezes o peso.
O joelho dobrado, o capacete e o colchão
Pule de um muro de 1,25 m: você chega ao chão a v=2gh=2×10×1,25=5 m/s. Com 60 kg, sua quantidade de movimento é 300 kg·m/s, e ela tem de ir a zero. Aterrissando de pernas rígidas, a parada leva uns 0,05 s: força média de 6 000 N, dez vezes o seu peso, nos tornozelos e na coluna. Dobrando os joelhos e deixando o corpo descer uns 75 cm, a parada se espalha por cerca de 0,3 s: 1 000 N, menos do dobro do peso. O capacete de ciclista faz o mesmo com a cabeça: a espuma de poliestireno esmaga alguns centímetros e converte um impacto de milissegundos numa parada de dezenas de milissegundos; por isso um capacete que já amassou uma vez deve ser trocado, porque a espuma não volta. O colchão do salto em altura, o piso emborrachado do parquinho, a rede do trapézio e a luva de goleiro seguem a mesma regra: mais tempo, menos força.
Dois gráficos, uma grandeza
A prova gosta de apresentar a informação em gráficos, e há dois que dizem coisas diferentes sobre a mesma grandeza. No gráfico de força em função do tempo, o impulso é a área; no gráfico de velocidade em função do tempo, a variação da quantidade de movimento é a massa vezes a variação de altura da curva, e a força resultante sai da inclinação. Quem confunde os dois lê área onde deveria ler inclinação.
Os dois gráficos da frenagem do ônibus. No v×t, a queda de 20 m/s em 0,5 s dá a aceleração pela inclinação (−40 m/s²) e a variação da quantidade de movimento pela altura (80×(−20)=−1600kg⋅m/s). No F×t, a mesma variação aparece como área do retângulo: −3200×0,5=−1600N⋅s. Diagrama autoral.
Leitura do gráfico v×t. A frenagem do ônibus é uma reta de 20 m/s até zero em 0,5 s. A inclinação da reta é a aceleração, −40 m/s², e a força resultante sobre o passageiro de 80 kg é 80×(−40)=−3200 N. A variação da quantidade de movimento não precisa da aceleração: é m vezes a variação de velocidade lida diretamente no eixo vertical, 80×(0−20)=−1600kg⋅m/s. Se a curva fosse torta em vez de reta, a força instantânea mudaria a cada instante, mas Δp continuaria sendo mΔv entre o começo e o fim: o teorema do impulso não exige força constante.
Leitura do gráfico F×t. A área é o impulso, com sinal. Um trecho abaixo do eixo (força contra o sentido positivo) reduz a quantidade de movimento; um trecho acima aumenta. Se a força de um motor sobre um carrinho de 2 kg vale 6 N nos primeiros 2 s e depois −3 N por 2 s, o impulso total é 12−6=6N⋅s; partindo do repouso, o carrinho termina com p=6, ou seja, v=3 m/s, e no instante t=2 s ele estava a 6 m/s. Um caso especial merece atenção: se a força resultante é nula durante um intervalo, a área é zero e p não muda, ainda que forças individuais estejam agindo.
Exemplo resolvido (PAS 1 2020, item 69). Uma roda gira com velocidade angular constante ω e traciona, por um cabo ideal e uma polia, uma massa de peso P; a roda tem raio R. O item afirmava: “se a massa de peso P for puxada por uma distância igual a 2R, então, durante esse movimento, o impulso sofrido por ela será igual a P⋅ω/2”. Duas leituras derrubam a afirmação. A física: se ω é constante, o cabo sobe com velocidade constante v=ωR, a quantidade de movimento da massa não varia e o impulso da força resultante sobre ela é zero durante todo o trajeto (a tração e o peso se cancelam). A unidade: Pω é newton vezes radiano por segundo, isto é, N/s, e impulso se mede em N·s. Gabarito: errado. Antes de calcular qualquer impulso, pergunte se a velocidade mudou.
Quando o impulso externo é zero: a ponte para as colisões
Até aqui, o corpo era um só e a força vinha de fora. Agora considere um sistema de dois ou mais corpos que interagem entre si: duas bolas que colidem, um canhão e seu projétil, uma estrela que explode. Tudo o que um corpo do sistema faz sobre outro é força interna, e a terceira lei de Newton garante que ela vem acompanhada da sua reação: mesmo módulo, sentido contrário, mesma duração. Os impulsos de cada par, portanto, se anulam na soma. O que um corpo ganha de quantidade de movimento, o outro perde, e o total não se mexe.
Conservação da quantidade de movimento
Quando nenhuma força externa resultante age sobre o sistema, ou quando o impulso dela é desprezível no intervalo considerado (uma colisão de milésimos de segundo, por exemplo), a quantidade de movimento total do sistema se conserva:
ptotal, antes=ptotal, depois.
A conservação é do total, como vetor: as parcelas de cada corpo mudam, e podem mudar muito; a soma delas, não. É consequência direta do teorema do impulso aplicado ao sistema inteiro: impulso externo zero, variação zero.
O caso mais limpo é o recuo. Um sistema parado tem ptotal=0; se ele se separa em duas partes, as duas saem com quantidades de movimento opostas que continuam somando zero: m1v1+m2v2=0, logo m1v1=−m2v2. A parte mais leve sai mais rápido, na proporção inversa das massas. É o canhão que recua ao disparar, o foguete que sobe expelindo gás para baixo, a eolípila de Heron que gira ao soltar vapor pelos tubos, o patinador que empurra o amigo e desliza para trás. O PAS 1 de 2016 (item 96) afirmou que, “se uma estrela em repouso explodir, fragmentando-se em duas partes com massas diferentes, o fragmento de menor massa será ejetado com velocidade maior”: certo, e a razão é exatamente m1v1=m2v2 em módulo. O de 2006 (item 100) disse que a eolípila e o foguete se movem “pelo mesmo princípio, ou seja, da conservação do momento linear na ejeção do vapor d’água”: certo também.
Recuo e explosão: o total continua zero. As quantidades de movimento das partes são iguais em módulo e opostas em sentido; o mais leve sai mais rápido, na proporção inversa das massas. A energia cinética, ao contrário, foi criada do nada aparente (veio da pólvora, do vapor, da estrela): a conservação de p não diz nada sobre energia. Diagrama autoral.
Exemplo resolvido (o canhão). Um canhão de 1 000 kg, livre para rolar, dispara horizontalmente um projétil de 10 kg a 300 m/s. Antes: tudo parado, ptotal=0. Depois: 10×300+1000×vc=0, logo vc=−3 m/s. O canhão recua a 3 m/s, cem vezes mais devagar que o projétil, porque é cem vezes mais pesado. Conferência: 10×300=3000 e 1000×3=3000, iguais em módulo. Agora veja o que não se conservou: a energia cinética antes era zero e depois é 21×10×3002+21×1000×32=450000+4500=454500 J, vindos da pólvora. Repare que o projétil leva 99% da energia e só 50% do módulo da quantidade de movimento: a energia se concentra no corpo mais leve, porque Ec=p2/2m.
A conservação exige que o sistema seja isolado, e a escolha do sistema decide o veredicto. Em 2012 (item 21), a banca descreveu uma bola chutada rasteira que bate na trave e volta, e afirmou que “não haverá conservação do momento linear do sistema bola–terra–trave”. Errado: para a bola sozinha, p muda (a trave a empurra); mas para o sistema que inclui a trave e a Terra à qual ela está fixa, a força da trave é interna, e o total se conserva. A Terra recebe um impulso igual e oposto ao da bola, e sua mudança de velocidade é imperceptível porque sua massa é 6×1024 kg. Em 2016 (item 99, tipo C), a supernova: desprezadas as forças externas, “a quantidade de movimento total do sistema se conserva, sem conservar sua energia cinética total”. As quatro opções eram as quatro combinações possíveis das duas leis; só essa respeita a física, porque a energia cinética de uma explosão aumenta, vinda da energia liberada pela estrela.
Conservação não é "nada se move"
“A quantidade de movimento total se conserva” não significa que cada corpo mantém a sua, nem que o sistema fica parado. Numa explosão, cada fragmento sai de p=0 para um p enorme; a soma é que continua zero. E “houve dissipação de energia, logo o momento não se conservou” é falso: a conservação de p depende só da ausência de forças externas, e não do destino da energia. O que acontece com a energia cinética em cada tipo de colisão, o coeficiente de restituição e o método completo estão na página de colisões; aqui basta saber que a soma vetorial de p fecha sempre que ninguém de fora empurra.
Mesmo p, energias diferentes
Volte ao caminhão de 12 toneladas a 2,5 m/s e ponha ao lado dele o carro do exemplo resolvido da primeira seção, 1 500 kg a 72 km/h (20 m/s): os dois têm exatamente a mesma quantidade de movimento, 30 000 kg·m/s. Têm a mesma energia? Não. Escreva v=p/m na energia cinética:
Ec=21mv2=21m(mp)2=2mp2.
Energia cinética em função da quantidade de movimento
Ec=2mp2.
Para a mesma quantidade de movimento, o corpo mais leve tem mais energia cinética, na proporção inversa das massas. Para a mesma energia cinética, o corpo mais pesado tem mais quantidade de movimento (p=2mEc). As duas grandezas medem coisas diferentes do mesmo movimento: p é o que uma força precisa de tempo para mudar; Ec é o que uma força precisa de distância para mudar.
corpo
m
v
p=mv
Ec=p2/2m
caminhão
12 000 kg
2,5 m/s
30 000 kg·m/s
37 500 J
carro
1 500 kg
20 m/s
30 000 kg·m/s
300 000 J
bala de fuzil
0,01 kg
900 m/s
9 kg·m/s
4 050 J
bola do goleiro
0,45 kg
20 m/s
9 kg·m/s
90 J
O carro tem oito vezes a energia do caminhão com a mesma quantidade de movimento; a bala tem quarenta e cinco vezes a energia da bola com a mesma quantidade de movimento. Parar a bala e parar a bola exigem o mesmo impulso (9 N·s), mas a bala, com a mesma força média, precisa de quarenta e cinco vezes mais distância para parar, e por isso perfura. Impulso e trabalho medem o custo da parada em moedas diferentes: tempo e distância.
Exemplo resolvido (PAS 1 2005, itens 129 e 130). “O aríete, peça cilíndrica de madeira maciça e pesada, era usado como arma de guerra no período medieval. Os soldados, correndo, imprimiam ao aríete uma certa velocidade e o faziam colidir com os portões das fortificações.” O item 129 afirmou que “os portões são danificados na colisão devido à variação da quantidade de movimento do aríete”: certo, porque a força que o aríete aplica ao portão é, pela terceira lei, igual à que o portão aplica ao aríete, e essa é Δp/Δt do aríete. O item 130 deu números: 1 tonelada a 7,2 km/h (2 m/s), o portão cede 20 cm, e pediu a força média dividida por 100. Pelo trabalho: Ec=21×1000×22=2000 J, retirados ao longo de 0,20 m, F=2000/0,20=10000 N, marcação 100. Pelo impulso: Δp=1000×2=2000kg⋅m/s; com desaceleração uniforme, a velocidade média durante a parada é 1 m/s e os 0,20 m levam 0,20/1=0,2 s, logo F=2000/0,2=10000 N. Os dois teoremas dão o mesmo número, como devem: são a mesma segunda lei olhada pela distância e pelo tempo.
Newton nunca escreveu F = ma
Nos Principia (1687), a segunda lei diz que “a mudança de movimento é proporcional à força motriz impressa e se dá na direção da linha reta em que essa força é impressa”. “Movimento”, para Newton, era o produto da massa pela velocidade, o que hoje chamamos de quantidade de movimento; “mudança de movimento” é o nosso Δp. A forma F=ma só apareceu no século seguinte, com Euler. A lei original é a do impulso, e ela sobrevive intacta onde F=ma tropeça: no foguete que perde massa e na relatividade, em que p deixa de ser simplesmente mv, mas F=Δp/Δt continua valendo.
Como a banca pergunta, ano após ano
Nas provas do PAS 1, o impulso e a quantidade de movimento rendem poucos itens por edição, mas voltam com regularidade, quase sempre em uma de quatro formas:
O conceito dito com palavras, num item certo/errado que testa se você sabe o que muda a quantidade de movimento: o aríete que danifica o portão “devido à variação da quantidade de movimento” (2005/129, certo); o impulso sobre uma massa puxada a velocidade constante, que a banca escreveu como Pω/2 e é zero (2020/69, errado).
O tipo B disfarçado: um texto sobre frenagem, um tempo, uma massa, e a pergunta “calcule a força”, sem a palavra impulso (2022/94, resposta 320). O roteiro é sempre o mesmo: converter km/h, montar Δp=mΔv, dividir pelo tempo.
A conservação como afirmação: recuo e explosão (o fragmento mais leve é mais rápido, 2016/96, certo; a eolípila e o foguete, 2006/100, certo), a escolha do sistema (bola–terra–trave, 2012/21, errado) e o item tipo C que cruza as duas leis (supernova, 2016/99: conserva p, não conserva Ec).
A razão entre duas situações com a mesma pessoa em veículos de massas diferentes (2013/93, tipo B, resposta 11), que já é uma conta de colisão e fica para a página vizinha.
O erro plantado costuma ser um de três: trocar a grandeza que o dispositivo reduz (“o airbag reduz a variação da quantidade de movimento”); esquecer que a conservação é do sistema e depende de quem está dentro dele; ou dar um valor com unidade errada, como Pω/2 para um impulso. Quando o item tiver um “porque” ou um “devido a”, julgue a conclusão e a justificativa separadamente.
Os sete erros que a prova planta
Confundir quantidade de movimento com força.p=mv existe mesmo sem força nenhuma (movimento uniforme). A força é o que mudap, e precisa de tempo para isso.
Confundir impulso com trabalho. Impulso é força vezes tempo (N·s) e muda p; trabalho é força vezes distância (J) e muda Ec. Dado o tempo, use impulso; dada a distância, use trabalho.
Subtrair módulos numa inversão. Bola que chega a 10 e volta a 6 tem ∣Δv∣=16, não 4. Escolha o sentido positivo e escreva sinais antes de subtrair.
Esquecer a conversão de km/h. Toda conta desta página é em kg, m e s. Divida por 3,6 antes de multiplicar pela massa; em tipo B, a escala do gabarito costuma denunciar o esquecimento.
Dizer que o airbag reduz Δp. Ele reduz a força média porque aumenta Δt; a variação da quantidade de movimento é decidida pela velocidade do veículo.
Usar o pico do gráfico como força média. O impulso é a área; num pulso triangular, a média é metade do pico.
Achar que “conservação” significa “cada corpo mantém o seu p” ou que “explodiu, logo nada se conserva”. Conserva-se a soma, se não houver força externa; a energia cinética não tem essa garantia.
O essencial em meia página
Quantidade de movimento:p=mv, vetor no sentido da velocidade, em kg·m/s. Massa pesa tanto quanto velocidade. Em linha reta, sinal; em um sistema, soma vetorial (3 e 4 perpendiculares dão 5).
Impulso:I=FΔt para força constante; área com sinal no gráfico F×t para força variável; Fm=I/Δt. Unidade: N·s = kg·m/s.
Teorema do impulso:FresΔt=Δp=m(vf−vi), isto é, Fres=Δp/Δt (a segunda lei de Newton na forma original). Vale para a resultante, e Δp é vetorial.
Inversão de sentido: os módulos se somam. Bola a +10 que volta a −6: Δv=−16 m/s.
Segurança passiva:Δp é fixo; airbag, cinto, zona de deformação, capacete, colchão e joelho dobrado aumentam Δt para reduzir Fm. Ônibus a 72 km/h parando em 0,5 s: 3 200 N num passageiro de 80 kg (PAS 2022/94, marcação 320).
Gráficos:F×t, área = impulso (pico = média); v×t, inclinação = aceleração e mΔv=Δp. Velocidade constante ⇒ impulso da resultante nulo (PAS 2020/69, errado).
Sistema isolado: forças internas se cancelam aos pares; sem força externa, ptotal se conserva. Recuo/explosão a partir do repouso: m1v1=−m2v2, o mais leve sai mais rápido (PAS 2016/96, certo). A escolha do sistema decide (bola–terra–trave conserva; PAS 2012/21, errado). Energia cinética não tem a mesma proteção (supernova, PAS 2016/99). Colisões e coeficiente de restituição: página própria.
Energia:Ec=p2/2m. Mesmo p, o mais leve tem mais energia; parar exige o mesmo impulso, mas distâncias diferentes. Aríete: trabalho e impulso dão os mesmos 10 000 N.
Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.
Flashcards temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar os cartões de revisão.
IMPULSO E QUANTIDADE DE MOVIMENTO - Teoria e Exercícios
Felipe Sampaio - Física · 19:51
Introdução. Em capítulos marcados na descrição, apresenta o impulso de uma força constante, o impulso de força variável pela área do gráfico F×t, o impulso da força resultante, a quantidade de movimento e o teorema do impulso, e fecha com um exercício. São as seções “Quanto movimento há para deter”, “Impulso: força vezes tempo” e “O teorema do impulso” em aula, na mesma ordem da página.
Teorema do Impulso e Quantidade de Movimento
FisicaInterativa.Com · 9:36
Aprofundamento. Vídeo curto dedicado a uma só coisa: a dedução do teorema do impulso a partir da segunda lei de Newton, mostrando que o impulso da força é igual à variação da quantidade de movimento. É a passagem F=ma⇒FΔt=Δp da seção “O teorema do impulso: a segunda lei como Newton a escreveu”, feita no quadro com calma.
IMPULSO | COLISÕES | QUANTIDADE DE MOVIMENTO | RESOLUÇÃO DA PROVA DE FÍSICA | ENEM 2022
Física Master · 9:39
Aplicação. Resolve a questão do ENEM 2022 da barreira de pneus no autódromo: uma barreira que torna a colisão mais demorada reduz a força média sobre o carro, e a barreira da qual o carro volta exige impulso maior que a que o retém. É a seção “O que o airbag faz com o tempo” e a de “Voltar é pagar dobrado” numa questão oficial, com a comparação entre força média e energia dissipada.
Exercícios sobre Impulso e quantidade de movimento
Física com Prof. Júnior · 16:37
Resolução. Exercícios com índice na descrição: uma força de 14 N que altera a quantidade de movimento em 7 kg·m/s (tempo de atuação) e o boxeador que recua para amortecer um soco de 1 500 N em 0,08 s, impulso de 120 N·s, com a relação entre força e tempo para o mesmo impulso. São os cálculos do teorema do impulso e da troca tempo–força das seções centrais da página, em enunciados diferentes dos daqui.
Airbag e zona de deformação não reduzem o Δp que o ocupante precisa perder: esticam o Δt da parada para encolher a força média, Fm=Δp/Δt.Quantidade de movimento é um vetor com o sentido da velocidade. Massa e velocidade pesam igual no produto (o caminhão lento vence o carro rápido); mesma rapidez em sentidos opostos dá quantidades de movimento opostas, e não iguais; e a soma de um sistema é uma soma vetorial: 3 e 4 perpendiculares dão 5, não 7. Diagrama autoral.Impulso é área no gráfico F×t. Força constante: retângulo, FΔt. Força que sobe e desce num pulso: área do triângulo, metade de base vezes altura. Os dois pulsos têm o mesmo impulso, 4 N·s; a força média do pulso triangular é 20 N, metade do pico de 40 N. Numa colisão real a força de pico é sempre maior que a média que as fórmulas fornecem. Diagrama autoral.Na inversão, Δp é a soma dos módulos, não a diferença. A bola chega com +2, sai com −1,2; a variação é −1,2−2=−3,2kg⋅m/s, apontando para fora da parede, e o impulso da parede tem esse valor. Quem faz 2−1,2=0,8 obtém um quarto da resposta. Diagrama autoral.Mesma área, formatos diferentes. A variação da quantidade de movimento (1 600 N·s) é a área sob a curva, e ela é a mesma nas duas paradas. O airbag não encolhe a área: ele a espalha por um tempo quatro vezes maior, e a altura da curva, que é a força, cai a um quarto. Diagrama autoral.Os dois gráficos da frenagem do ônibus. No v×t, a queda de 20 m/s em 0,5 s dá a aceleração pela inclinação (−40 m/s²) e a variação da quantidade de movimento pela altura (80×(−20)=−1600kg⋅m/s). No F×t, a mesma variação aparece como área do retângulo: −3200×0,5=−1600N⋅s. Diagrama autoral.Recuo e explosão: o total continua zero. As quantidades de movimento das partes são iguais em módulo e opostas em sentido; o mais leve sai mais rápido, na proporção inversa das massas. A energia cinética, ao contrário, foi criada do nada aparente (veio da pólvora, do vapor, da estrela): a conservação de p não diz nada sobre energia. Diagrama autoral.A espuma esmaga alguns centímetros e transforma um impacto de milissegundos numa parada de dezenas de milissegundos. Depois de amassar, não volta: o capacete deve ser trocado.Recuo: antes do disparo, ptotal=0; depois, o projétil leva +3000 e o canhão −3000kg⋅m/s. O corpo cem vezes mais pesado sai cem vezes mais devagar.Um milissegundo de contato para inverter 40 m/s em 50 m/s: Δp≈13kg⋅m/s e força média de cerca de 13 000 N, quase dez mil vezes o peso da bola.Ônibus a 72 km/h parando em 0,5 s (PAS 1 2022/94): para um passageiro de 80 kg parar junto, alguma força precisa aplicar 3 200 N, quatro vezes o seu peso.Recuar as mãos estica o tempo da parada de 0,1 s para 0,3 s: o impulso continua 9 N·s, mas a força média cai de 90 N para 30 N.Chegar ao chão a 5 m/s com 60 kg é perder 300 kg·m/s: de pernas rígidas, em 0,05 s, são 6 000 N; dobrando os joelhos por 0,3 s, 1 000 N.A eolípila gira pelo mesmo princípio do foguete (PAS 1 2006/100, certo): o vapor ejetado leva quantidade de movimento num sentido e a esfera recebe a mesma quantidade no sentido oposto.
Rota PAS 1
Colisões, giros e equilíbrio: momentum, movimento circular e fluidos · PAS 1
Fontes desta página
Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.
Rota PAS 1 — Colisões, giros e equilíbrio: momentum, movimento circular e fluidos · Antes de começar: dez minutos de aquecimento (massa e peso, km/h em m/s, grandeza com sentido tem sinal, exemplo-guia do carro de 1 000 kg a 72 km/h); Quantidade de movimento e impulso: o que o airbag faz com o tempo (conceito, tabela de símbolos, exemplo-guia da bola do goleiro, caminhão x carro, item 2022/94, checagem do airbag); Colisões e explosões (conceito de conservação e recuo/explosão, só como ponte); Como a banca cobra (histórico de impulso 2013/93, 2016/99, 2020/69; item 2016/99 supernova); Resolvidos (airbag no ensaio de colisão, 70 kg a 54 km/h em 0,3 s); Banco de treino T1 a T3 e itens 1, 3 e 7 a 9 (cinto 5 000 N por 0,2 s, airbag e Δp, zonas de deformação)
Recorte por assunto: quantidade de movimento, impulso, teorema do impulso, segurança passiva, leitura de gráficos e conservação como ponte. Tipos de colisão, coeficiente de restituição e o item 2013/93 (razão de velocidades da pessoa na moto e no Camaro) ficam na página colisoes. O livro registra que o assunto rende poucos itens por edição; a página amplia com autorais graduados e com a relação Ec = p²/2m, ausente do capítulo.
Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cebraspe) · PAS 1 2005 (itens 129 e 130, aríete), 2006 (item 100, eolípila), 2012 (item 21, bola–terra–trave), 2016 (itens 96 e 99, supernova), 2020 (item 69, roda com polia; fórmula P·ω/2 lida na página 7 do PDF da Parte 2, ilegível no txt), 2022 (item 94, frenagem do ônibus)
Itens reproduzidos verbatim; gabaritos conferidos em utils/material/PAS/pesquisa/classificacao/AAAA.json. Figuras impressas (roda com polia A e massa de peso P; eolípila) descritas em texto neutro no suporte das questões. Os itens 2022/94 (página atrito) e 2005/130 (página trabalho-de-uma-forca) são reusados por GUID; a questão autoral de Δv da bola na parede (página vetores) também.