Uma bola de 3 kg a 2 m/s atinge outra de 1 kg parada. Sem saber a força do choque nem quanto ele durou, você afirma: se grudarem, saem a 1,5 m/s; se a colisão for elástica, a primeira segue a 1 m/s e a segunda a 3 m/s; e a segunda jamais sairá com mais de 6 J. O que se conserva sempre, o que se conserva às vezes, e como isso decide os quatro itens que o PAS pendurou nessa cena?
O que você vai aprender
Explicar por que a quantidade de movimento total de um sistema se conserva numa colisão (forças internas se cancelam aos pares; impulso externo desprezível na janela do choque) e reconhecer que a escolha do sistema decide se há conservação.
Aplicar a receita unidimensional com sinais (eixo, soma antes, soma depois, energia só ao final) a colisões frontais, inclusive as de soma nula em que os corpos ficam parados.
Classificar colisões em elástica, parcialmente elástica e perfeitamente inelástica pelo destino da energia cinética, testando as duas somas quando o enunciado afirma velocidades finais.
Calcular a velocidade comum após uma colisão perfeitamente inelástica por v' = (m₁v₁ + m₂v₂)/(m₁ + m₂) e a energia dissipada por ½·μ·v_rel², reconhecendo que é a perda máxima compatível com a conservação de p.
Deduzir e usar as fórmulas gerais da colisão elástica em uma dimensão a partir da conservação de p e da manutenção da rapidez relativa, e aplicar os casos-limite: massas iguais trocam velocidades; leve contra pesado volta; pesado contra leve lança o leve a quase 2v.
Definir o coeficiente de restituição e = |v_afast|/|v_aprox|, situá-lo entre 0 e 1, calcular a altura de retorno h' = e²h de uma bola que quica e distinguir e (razão de velocidades) de rendimento (razão de energias).
Tratar explosões e recuo como colisões ao contrário (p total nulo, fragmento leve mais rápido e com mais energia, E₁/E₂ = m₂/m₁) e resolver o pêndulo balístico separando a etapa da colisão (p) da etapa da subida (energia).
Resolver colisões em duas dimensões com uma conservação por eixo e ler tabelas, gráficos v × t e fotografias estroboscópicas de velocidades antes e depois, rejeitando dados que violem a conservação de p ou aumentem a energia cinética sem fonte interna.
Uma bola de 3 kg rola a 2 m/s na direção de outra, de 1 kg, parada. Elas se chocam. A prova do PAS 1 de 2022 pendurou quatro itens nessa cena e, em nenhum deles, disse qual era a força do choque, quanto tempo ele durou ou de que material eram as bolas. Mesmo assim, você consegue afirmar com certeza: se as duas saírem grudadas, vão a 1,5 m/s; se a colisão for elástica, a primeira segue a 1 m/s e a segunda dispara a 3 m/s; e em nenhum cenário possível a segunda bola sai com mais de 6 J de energia cinética, porque 6 J é tudo o que havia no sistema antes do choque. Três conclusões firmes sobre um evento do qual você não sabe quase nada.
O que torna isso possível é uma soma que não muda. Durante o choque, as forças que as bolas trocam são enormes, mas são internas ao par e se cancelam aos pares; a soma das quantidades de movimento mv de todos os corpos vale a mesma coisa um instante antes e um instante depois. Essa é a lei de toda colisão. A energia cinética não tem a mesma proteção: pode sobreviver inteira (colisão elástica), pode virar som, calor e amassado (inelástica) ou pode até crescer (explosão). Esta página ensina a usar a soma que não muda para calcular velocidades, a usar a energia para classificar o que aconteceu, a medir o “quique” com o coeficiente de restituição e a estender tudo isso a explosões, ao pêndulo balístico e a colisões em duas dimensões. Ela pressupõe a página de impulso e quantidade de movimento, onde p=mv, o teorema do impulso e o recuo simples já foram apresentados.
Por que a soma não muda: forças internas se cancelam
Considere um sistema: um conjunto de corpos que você escolhe estudar juntos, como as duas bolas. As forças que agem sobre eles se dividem em duas famílias. As internas são as que um corpo do sistema aplica em outro corpo do sistema: a força da bola 1 sobre a bola 2 e a da bola 2 sobre a bola 1. Pela terceira lei de Newton, elas têm o mesmo módulo, sentidos opostos e duram exatamente o mesmo tempo, o tempo do contato. Seus impulsos, portanto, são iguais e opostos: o que a bola 1 perde de quantidade de movimento, a bola 2 ganha, ao centavo. As externas vêm de fora do sistema: o peso, a normal da mesa, o atrito, a mão de alguém. Só elas podem alterar a soma.
Conservação da quantidade de movimento numa colisão
Se a resultante das forças externas sobre um sistema é nula, ou se o impulso dela durante a colisão é desprezível diante dos impulsos internos, a quantidade de movimento total do sistema é a mesma antes e depois:
p1+p2=p1′+p2′,com p=mv,
isto é, m1v1+m2v2=m1v1′+m2v2′. A linha marca “depois”. A igualdade é vetorial: numa linha reta, as velocidades entram com sinal; no plano, vale para cada componente. Ela decorre do teorema do impulso aplicado ao sistema inteiro: impulso externo zero, variação da soma zero. Vale para toda colisão, elástica ou não, com ou sem deformação, com ou sem barulho.
A ressalva “impulso externo desprezível” é o que torna a lei tão útil na prática. Um choque entre bolas dura milésimos de segundo; nesse intervalo, o atrito da mesa, que existe, aplica um impulso minúsculo comparado ao das forças de contato, que são centenas ou milhares de vezes maiores. Por isso se escreve a conservação “imediatamente antes” e “imediatamente depois” do choque: fora dessa janela, o atrito volta a agir e a soma volta a mudar. Foi o que a prova de 2009 (item 81) explorou com uma fotografia estroboscópica de dois corpos que colidiam sobre uma mesa “com baixo atrito, mas não nulo”: a afirmação de que a quantidade de movimento e a energia mecânica do sistema seriam “necessariamente menores” logo após o choque, “mesmo que o choque tenha sido perfeitamente elástico”, é falsa, porque na janela do choque a soma se conserva, e num choque elástico a energia mecânica também.
A soma que não muda e a que muda. Os carrinhos de bagagem do saguão: 40 kg a 3 m/s engatam num de 20 kg parado e o par sai a 2 m/s. A quantidade de movimento total é 120 kg·m/s antes e depois; a energia cinética cai de 180 J para 120 J. Os 60 J que faltam não desapareceram: viraram som, calor e amassado. Diagrama autoral.
A escolha do sistema decide o veredicto, e a banca sabe disso. Uma bola que bate na trave e volta não conserva sua quantidade de movimento: a trave a empurrou. Mas o sistema bola–trave–Terra, sim, porque a força da trave é interna a ele; a Terra recebe um impulso igual e oposto e sua velocidade muda de um valor imperceptível, dividido por 6×1024 kg (PAS 2012, item 21, errado ao negar a conservação). O mesmo raciocínio derrubou um item de 2024 (item 90): no sistema Sol–Terra–telescópio, “o momento total do sistema de três corpos se conserva”, o que é verdade, mas o item completava “e o centro de massa do sistema Sol–Terra permanecerá em repouso”, o que é falso: o telescópio aplica uma força −F sobre o par Sol–Terra, e um subsistema que recebe força externa não mantém a quantidade de movimento nem o centro de massa parado. Só o centro de massa do sistema inteiro se move sem aceleração.
Antes de qualquer conta: o eixo, os sinais e a receita
Quase todo item de colisão do PAS é unidimensional: dois corpos numa mesma reta. A conta é curta, e o único lugar onde ela quebra é o sinal. Um método fixo evita isso.
Escolha o sistema (em geral, os dois corpos que colidem) e confira se as forças externas são desprezíveis na janela do choque.
Escolha um sentido positivo, quase sempre o do primeiro corpo em movimento. Tudo o que anda ao contrário recebe sinal negativo; quem está parado tem velocidade zero.
Escreva a soma antes com sinais: pantes=m1v1+m2v2.
Escreva a soma depois com as incógnitas e iguale. Se os corpos saem grudados, há uma só incógnita e a conta acaba aqui; se saem separados, você precisa de uma segunda informação (colisão elástica, coeficiente de restituição ou uma velocidade final dada).
Só então calcule a energia cinética antes e depois, para classificar a colisão ou para conferir uma afirmação.
Exemplo resolvido (os carrinhos do saguão). Um carrinho de bagagem de 40 kg a 3 m/s bate em outro, de 20 kg, parado; eles engatam. Sentido positivo: o do primeiro. Antes: 40×3+20×0=120kg⋅m/s. Depois, grudados: (40+20)v′=60v′. Logo v′=120/60=2 m/s. Energia cinética antes: 21×40×32=180 J; depois: 21×60×22=120 J. Perderam-se 60 J. Conferência: 60×2=120, a soma fechou; e o resultado está entre 0 e 3 m/s, como a intuição exigia.
Exemplo resolvido (sentidos opostos). Um carrinho de 2 kg a 4 m/s vem de encontro a outro, de 1 kg, a 2 m/s no sentido contrário, e os dois ficam unidos. Positivo para a direita: v1=+4, v2=−2. Antes: 2×4+1×(−2)=8−2=6. Depois: 3v′=6, v′=+2 m/s, para a direita. Quem soma sem sinal escreve 8+2=10 e obtém 3,3 m/s, um número que não existe. Energia: antes 16+2=18 J, depois 21×3×4=6 J; 12 J dissipados.
O sinal negativo é metade da resposta
Numa colisão frontal, a quantidade de movimento de quem vem ao contrário entra com sinal de menos, e a soma pode dar zero. Em 2015 (item 86, tipo C), dois veículos de 1 000 kg e 800 kg colidiram frontalmente, o primeiro a 40 km/h, e a pergunta era a velocidade do segundo para que ambos ficassem parados. Parados depois significa soma nula: 1000×40+800×(−vB)=0, logo vB=50 km/h (opção C). Repare que não foi preciso converter para m/s: numa razão entre velocidades, a unidade cancela. E repare que “ficarem parados” não é regra das colisões em que os corpos grudam; é o caso particular em que as quantidades de movimento iniciais eram opostas e de mesmo módulo.
Três tipos de colisão, uma só lei
A conservação da quantidade de movimento vale sempre. O que distingue uma colisão da outra é o destino da energia cinética, e é ela que dá nome aos tipos.
Classificação das colisões
Com Ec=21mv2 somada sobre os corpos do sistema:
tipo
quantidade de movimento total
energia cinética total
como os corpos saem
elástica
conserva
conserva
separados, com a rapidez relativa de antes
parcialmente elástica (inelástica)
conserva
diminui
separados, mais devagar um em relação ao outro
perfeitamente inelástica
conserva
diminui o máximo possível
grudados, com a mesma velocidade
Nenhuma colisão comum aumenta a energia cinética: isso exigiria uma fonte interna de energia (mola comprimida, explosivo), e aí o processo se chama explosão.
O método que decorre da tabela é sempre o mesmo, e a ordem importa: a quantidade de movimento dá as velocidades; a energia cinética, calculada depois, diz o tipo. Nunca ao contrário. Se um enunciado afirma velocidades finais, teste as duas somas: quando as duas fecham, a afirmação está correta e a colisão foi elástica; quando apenas a de p fecha, a afirmação continua correta, mas houve dissipação; quando nem a de p fecha, a afirmação é falsa antes de qualquer classificação.
Mesmo antes, três depois. A soma das quantidades de movimento é 6 kg·m/s em todos os painéis. A energia cinética é 6 J na colisão elástica, 4,9 J na parcialmente elástica do exemplo (e = 0,5) e 4,5 J quando as bolas grudam, o mínimo compatível com a soma. O PAS 1 de 2022 pendurou quatro itens nessa figura. Diagrama autoral.
Exemplo resolvido (o bloco do PAS 2022). Bola 1, 3 kg a 2 m/s; bola 2, 1 kg em repouso. Antes: p=6kg⋅m/s e Ec=21×3×4=6 J. Item 92: “a energia cinética da primeira bola antes da colisão é inferior a 5 J”: são 6 J, errado. Item 90: grudadas, 6=4v′, v′=1,5 m/s, certo. Item 91: “em uma colisão completamente elástica, a primeira bola teria velocidade igual a 1 m/s e a segunda, igual a 3 m/s”. Teste de p: 3×1+1×3=6, fecha. Teste de Ec: 21×3×1+21×1×9=1,5+4,5=6 J, fecha. Certo, sem fórmula decorada. Item 89: “caso a colisão seja elástica, a energia cinética da segunda bola, após a colisão, será superior a 6,5 J”. Pelo item anterior, Ec2=4,5 J; errado. Mas há um atalho que dispensa a conta: o sistema inteiro tinha 6 J, e nenhuma parte pode ficar com mais do que o todo. Quem enxerga a soma derruba o item antes de qualquer fórmula.
Misturar as duas leis é o erro campeão do tema
“Houve dissipação de energia, logo a quantidade de movimento não se conservou”: falso. A conservação de p depende só da ausência de forças externas relevantes, e vale na colisão mais destrutiva que se possa imaginar. O simétrico também é falso: “a colisão é elástica, logo cada bola sai com a energia com que entrou”. A conservação é da soma, e a soma pode se redistribuir entre as bolas: na colisão elástica do PAS 2022, a bola 1 passou de 6 J para 1,5 J e a bola 2, de 0 para 4,5 J. E a versão que a banca escreveu para julgamento em 2020 (item 93): “para que a colisão seja inelástica, toda a energia cinética deve ser transformada em movimento do conjunto final”. É o contrário: numa colisão inelástica uma fração da energia cinética vira calor, som e deformação; a grandeza que o conjunto final recebe por inteiro é a quantidade de movimento.
Grudar é perder o máximo: a colisão perfeitamente inelástica
Quando os corpos saem juntos, a conservação da quantidade de movimento basta, porque só há uma incógnita:
v′=m1+m2m1v1+m1+m2m2v2,
a média das velocidades ponderada pelas massas (o numerador somado, m1v1+m2v2, é a quantidade de movimento total).
A velocidade final é a média ponderada das velocidades iniciais, com as massas como pesos; por isso fica sempre entre v1 e v2, mais perto da velocidade do corpo mais pesado. E é a velocidade do centro de massa do sistema, que não muda com a colisão.
Quanto se perde ao grudar
Na colisão perfeitamente inelástica, a energia cinética dissipada depende só das massas e da velocidade relativa de aproximação vrel=v1−v2:
ΔEc=21μvrel2,μ=m1+m2m1m2.
A grandeza μ é a massa reduzida do par. A fórmula diz duas coisas úteis: a perda é a maior possível compatível com a conservação de p (qualquer outra colisão dissipa menos), e ela não depende do referencial, só de quão depressa os corpos se aproximavam. Conferência com os carrinhos: μ=40×20/60=13,3 kg, vrel=3 m/s, ΔEc=21×13,3×9=60 J, exatamente o que a conta direta deu.
O PAS gosta desse tipo porque a conta é limpa e o erro plantado é sempre conceitual. Em 2014 (item 74), uma pessoa “pula verticalmente na garupa de uma bicicleta” que anda a v; se a massa dela é igual à soma das massas do ciclista e da bicicleta, a velocidade final é v/2: certo, porque quem pula na vertical não traz quantidade de movimento horizontal, e Mv=2Mv′ dá v′=v/2. É a colisão perfeitamente inelástica disfarçada de cena cotidiana; o “verticalmente” não é enfeite, é a informação de que v2=0 no eixo horizontal.
Exemplo resolvido (PAS 2020, itens 92 a 94). Um bloco A de 2 000 kg desliza sem atrito por uma rampa desde 2,5 m de altura, percorre 10 m num piso horizontal com coeficiente de atrito 0,1 e se une a um bloco B de 4 000 kg, parado, numa colisão perfeitamente inelástica; g=9,8 m/s². Na base da rampa, v2=2×9,8×2,5=49, v=7 m/s. No piso, o atrito desacelera a 0,1×9,8=0,98 m/s²: v2=49−2×0,98×10=29,4, v≈5,4 m/s ao chegar a B. Item 92, “inferior a 7 m/s”: certo. Colisão: 2000×5,4=6000v′, v′≈1,8 m/s. Depois, o par desliza até parar: d=v′2/(2×0,98)=3,3/1,96≈1,7 m. Item 94, “superior a 14 m”: errado. Item 93 é o conceitual visto acima, também errado. Repare na sequência de leis: energia (rampa), trabalho do atrito (piso), quantidade de movimento (choque), trabalho do atrito de novo (parada). Cada trecho tem a sua; a colisão é o único trecho em que a energia não serve.
Exemplo resolvido (PAS 2013, item 93, tipo B). A mesma pessoa, de massa mp, dirige a v ora uma moto de massa 2mp, ora um carro de massa 32mp; em cada caso o veículo se choca com um obstáculo e para, e pede-se a razão entre as velocidades finais da pessoa no carro e na moto. O modelo que a banca quer é o da conservação para o sistema pessoa–veículo, com toda a quantidade de movimento indo para a pessoa: (mp+mv)v=mpv′, logo v′=(1+mv/mp)v. No carro, v′=33v; na moto, 3v. Razão: 33/3=11. Gabarito oficial: 11. É um modelo, não um retrato: no choque real o obstáculo aplica força externa ao veículo e a pessoa é retida pelo cinto; o item pede que se aceite a hipótese enunciada e se faça a conta.
Engates, acoplamentos e a bola que fica na luva
Vagões que engatam, um satélite que atraca na estação, a bola de beisebol que fica na luva, a flecha que se crava no alvo, a gota de chuva que se funde a outra: todas são colisões perfeitamente inelásticas, e em todas a conta é v′=(m1v1+m2v2)/(m1+m2). Um vagão de 20 t a 3 m/s que se acopla a um de 10 t parado sai a 60000/30000=2 m/s, não a 1,5 m/s; a energia que faltou, 21×6667×9=30000 J, é o estrondo do engate e o calor nos amortecedores.
Elástica: duas conservações, um sistema de equações
Na colisão elástica os corpos saem separados, há duas incógnitas, e a segunda equação é a conservação da energia cinética:
Resolver isso com quadrados é lento. Há um caminho curto. Passe para o mesmo lado o que pertence a cada corpo: m1(v1−v1′)=m2(v2′−v2) e m1(v12−v1′2)=m2(v2′2−v22). Fatore os quadrados e divida a segunda pela primeira: v1+v1′=v2′+v2, ou seja,
v2′−v1′=v1−v2.
Na colisão elástica, a rapidez relativa se mantém
Os corpos se afastam depois com a mesma rapidez com que se aproximavam antes: v2′−v1′=−(v2−v1). Essa equação linear substitui a da energia e, junto com a de p, dá as fórmulas gerais da colisão elástica em uma dimensão:
Não é preciso decorá-las: com p e a rapidez relativa você as reconstrói em duas linhas. Mas três casos-limite valem a memória.
Os três casos-limite da colisão elástica com alvo parado. Massas iguais: as velocidades se trocam (bilhar, pêndulo de Newton). Leve contra pesado: o leve volta com a mesma rapidez (bola na parede). Pesado contra leve: o pesado mal sente e o leve sai com quase o dobro da velocidade dele (raquete e bola). Diagrama autoral.
Caso 1, massas iguais (m1=m2). As fórmulas dão v1′=v2 e v2′=v1: os corpos trocam de velocidade. Uma bola de bilhar que acerta outra parada de frente para no lugar e a outra sai com a velocidade da primeira. É também o que explica o pêndulo de Newton: solta-se uma esfera e sai exatamente uma do outro lado, não duas com metade da velocidade, porque duas a v/2 conservariam p mas só metade da energia cinética. A regra vale apenas para massas iguais; aplicá-la a qualquer par é erro.
Caso 2, leve contra pesado parado (m1≪m2, v2=0).v1′≈−v1 e v2′≈0: o leve volta com a mesma rapidez e o pesado não se move de forma perceptível. É a bola na parede da página de impulso, agora explicada: a parede recebe quantidade de movimento 2mv (e a Terra com ela), mas energia cinética quase nula, porque Ec=p2/2M com M enorme.
Caso 3, pesado contra leve parado (m1≫m2, v2=0).v1′≈v1 e v2′≈2v1: o pesado segue quase inalterado e o leve sai com o dobro da velocidade dele. É por isso que a bola de tênis sai da raquete mais rápido do que a raquete se move.
Exemplo resolvido (elástica com massas diferentes). Uma bola de 2 kg a 6 m/s colide elasticamente com outra, de 4 kg, parada. Pelas fórmulas: v1′=(2−4)×6/6=−2 m/s e v2′=2×2×6/6=4 m/s. A bola leve volta a 2 m/s; a pesada segue a 4 m/s. Conferência de p: antes 12; depois 2×(−2)+4×4=−4+16=12. Conferência de Ec: antes 21×2×36=36 J; depois 21×2×4+21×4×16=4+32=36 J. Conferência da rapidez relativa: aproximação 6, afastamento 4−(−2)=6. As três fecham. E o item 91 do PAS 2022 pelas fórmulas: v1′=(3−1)×2/4=1 m/s, v2′=2×3×2/4=3 m/s, os mesmos valores que o teste das duas somas confirmou.
O coeficiente de restituição mede o quique
Entre a colisão elástica (rapidez relativa mantida) e a perfeitamente inelástica (rapidez relativa zero) há todas as intermediárias. Um único número as ordena.
Coeficiente de restituição
e=∣velocidade relativa de aproximac¸a˜o∣∣velocidade relativa de afastamento∣=v1−v2v2′−v1′.
É adimensional e, sem fonte interna de energia, fica entre 0 e 1: e=1 é a colisão elástica; e=0, a perfeitamente inelástica (os corpos não se afastam); 0<e<1, a parcialmente elástica. Para uma bola que cai sobre um piso fixo (o piso não se move: v2=v2′=0), e é simplesmente a razão entre a rapidez de saída e a de chegada, e=v′/v. Como v=2gh e v′=2gh′,
h′=e2h,
a bola volta a uma fração e2 da altura de onde caiu.
O quique em números. Com e=0,8, cada quique devolve 80% da rapidez e 0,82=64% da altura: 2 m, 1,28 m, 0,82 m. No gráfico v×t, a queda é uma reta de inclinação −g, o quique é um salto vertical de −v para +ev, e o tamanho do salto encolhe a cada vez. Diagrama autoral.
A prova cobrou exatamente isso em 2015 (item 87, tipo C): uma bola cai de uma altura h sobre uma superfície de coeficiente de restituição 0,5; desprezada a resistência do ar, ela retorna até h′=0,52h=h/4 (opção B). Quem lê “coeficiente 0,5” como “volta à metade da altura” marca h/2 e erra: o coeficiente divide a velocidade, e a altura depende do quadrado dela.
Exemplo resolvido (a bola de basquete). Uma bola solta de 2,0 m volta a 1,28 m. Então e2=1,28/2=0,64 e e=0,8. No segundo quique ela sobe a 0,64×1,28≈0,82 m; no terceiro, a 0,52 m. A cada quique se perde 1−e2=36% da energia cinética que chegava ao piso: chegou com mgh=0,6×10×2=12 J (bola de 0,6 kg), saiu com 0,64×12=7,7 J. Nenhuma dessas contas pede a força do piso ou o tempo do contato; e resume os dois.
Coeficiente de restituição não é rendimento
Rendimento (η) é razão entre energias; e é razão entre velocidades. A fração de energia cinética que sobrevive ao quique é e2, não e. Uma bola com e=0,5 mantém metade da rapidez e um quarto da energia; a fração dissipada é 75%, não 50%. E e é um número entre 0 e 1 sem unidade: um “coeficiente de restituição de 0,5 m” ou “de 50 J” é sinal de que a grandeza foi trocada.
O coeficiente de restituição também fecha a conta de qualquer colisão unidimensional em que os corpos se separam, elástica ou não: a equação de p e a definição de e formam um sistema linear de duas equações.
Exemplo resolvido (colisão parcialmente elástica). A bola de 2 kg a 6 m/s atinge a de 4 kg parada, agora com e=0,5. Conservação: 12=2v1′+4v2′. Restituição: v2′−v1′=0,5×6=3. Da segunda, v2′=v1′+3; na primeira, 12=2v1′+4v1′+12, logo v1′=0 e v2′=3 m/s: a bola leve para e a pesada segue a 3 m/s. Energia: antes 36 J; depois 21×4×9=18 J. Metade se perdeu. Conferência pela fórmula geral da perda, ΔEc=21μvrel2(1−e2) com μ=8/6 kg: 21×1,33×36×0,75=18 J. Repare que e=0,5 está entre os dois casos já calculados para o mesmo par: com e=1 a leve voltava a 2 m/s, com e=0 o conjunto sairia a 2 m/s, e com e=0,5 a leve para exatamente.
Explosões e recuo: a colisão vista de trás para a frente
Passe o filme de uma colisão perfeitamente inelástica ao contrário: um corpo que se parte em dois. As forças que separam os fragmentos (da pólvora, da mola, do gás) são internas; sem força externa relevante, a soma das quantidades de movimento se conserva, e ela era zero se o corpo estava parado. Os fragmentos saem, portanto, com quantidades de movimento opostas e de mesmo módulo: m1v1=−m2v2. O mais leve é o mais rápido, na proporção inversa das massas; o PAS 1 de 2016 (item 96) afirmou exatamente isso para uma estrela que explode em duas partes, e o item está certo. A energia cinética, ao contrário, aumenta: era zero e passa a ser o que a fonte interna liberou; é o que o item 99 da mesma prova (tipo C) exigiu reconhecer na supernova: conserva-se a quantidade de movimento, não a energia cinética. O recuo do canhão e a eolípila estão resolvidos na página de impulso; aqui vale acrescentar como a energia se reparte.
Na explosão, a energia vai para o mais leve
Se dois fragmentos saem com quantidades de movimento de mesmo módulo p, suas energias cinéticas são E1=p2/2m1 e E2=p2/2m2, logo
E2E1=m1m2.
A energia cinética se divide em proporção inversa às massas: o fragmento mais leve fica com a maior parte. Numa arma, é a bala, não o cano, que leva a energia; num foguete, é o gás expelido que carrega a maior parte da energia do combustível, e por isso motores mais eficientes expelem gás mais rápido e mais leve.
Exemplo resolvido (a granada em dois pedaços). Um corpo de 3 kg em repouso se parte em fragmentos de 1 kg e 2 kg, liberando 600 J de energia cinética. Pela razão inversa das massas, E1/E2=2, logo E1=400 J (o leve) e E2=200 J. Velocidades: v1=2×400/1≈28,3 m/s e v2=2×200/2≈14,1 m/s. Conferência de p: 1×28,3=28,3 e 2×14,1=28,3, iguais em módulo, opostos em sentido. O fragmento leve tem o dobro da velocidade e o dobro da energia, e a mesma quantidade de movimento.
O pêndulo balístico: duas etapas, duas leis
Como medir a velocidade de uma bala antes de existirem cronômetros eletrônicos? Atirando-a num bloco pesado pendurado por fios e medindo a altura a que o bloco sobe. O aparelho, o pêndulo balístico, é o exemplo mais limpo de um princípio que organiza metade dos problemas de mecânica: cada etapa tem a sua lei.
O pêndulo balístico separa o problema em duas etapas com leis diferentes. No cravamento (milésimos de segundo), só p se conserva: mv=(m+M)V. Na subida, só a energia mecânica: 21(m+M)V2=(m+M)gh. Misturar as leis, usando energia no cravamento, dá uma velocidade catorze vezes menor que a verdadeira. Diagrama autoral.
Etapa 1, a colisão. A bala de massa m a velocidade v se crava no bloco de massa M, parado. Dura milésimos de segundo; a tração dos fios e o peso, verticais, não têm impulso horizontal apreciável nesse intervalo. Conservação de p: mv=(m+M)V. A energia cinética não se conserva: a bala rasga madeira, aquece, deforma.
Etapa 2, a subida. O conjunto bloco–bala, a V, sobe em arco até parar a uma altura h. Agora a tração dos fios não realiza trabalho (é perpendicular ao movimento) e só o peso age: conservação da energia mecânica, 21(m+M)V2=(m+M)gh, logo V=2gh. A quantidade de movimento não se conserva nessa etapa: o conjunto para no alto, e quem o freou foi a gravidade, força externa.
Exemplo resolvido. Bala de 10 g, bloco de 2 kg, subida de 20 cm. Etapa 2: V=2×10×0,2=2 m/s. Etapa 1: 0,010×v=2,010×2, logo v=402 m/s. A energia cinética da bala era 21×0,010×4022≈808 J; a do conjunto logo após o cravamento, 21×2,01×4≈4 J. Mais de 99% da energia da bala virou calor e deformação, e é por isso que aplicar conservação de energia à etapa 1 é o erro fatal do problema: 21×0,010×v2=4 J daria v≈28 m/s, uma bala catorze vezes mais lenta que a real. Conferência pela fórmula fechada, v=mm+M2gh=201×2=402 m/s.
Duas dimensões: uma conservação por eixo
Quando os corpos não se movem na mesma reta, a conservação continua valendo, mas como igualdade de vetores: a soma das setas mv antes é a mesma seta depois. Na prática, escolhe-se um par de eixos e escreve-se uma equação para cada um, exatamente como se decompõe uma força em vetores:
Conservar só os módulos não basta: dois corpos com p=3 e p=4 em direções perpendiculares somam um vetor de módulo 5, não 7.
Uma conservação por eixo. No eixo leste–oeste, 20 000 kg·m/s antes e depois; no eixo norte–sul, 15 000. A seta total tem módulo 200002+150002=25000 kg·m/s (o triângulo 3-4-5 escalado), e o par de 2 500 kg sai a 10 m/s, a 37∘ do leste. Diagrama autoral.
Exemplo resolvido (o cruzamento). Um carro de 1 000 kg vai para o leste a 20 m/s e outro, de 1 500 kg, para o norte a 10 m/s; eles colidem no cruzamento e saem grudados. Eixo x (leste): 1000×20+0=20000=2500vx, logo vx=8 m/s. Eixo y (norte): 0+1500×10=15000=2500vy, logo vy=6 m/s. Módulo: 82+62=10 m/s, numa direção com tanθ=6/8=0,75, cerca de 37∘ ao norte do leste. Energia: antes 200000+75000=275000 J; depois 21×2500×100=125000 J; 150 000 J foram para a lataria. Se alguém somasse os módulos, 35000/2500=14 m/s, obteria uma velocidade impossível de justificar em qualquer eixo.
Há um resultado elegante para o caso elástico com massas iguais e alvo parado, o do bilhar: as bolas saem em direções perpendiculares. A prova é curta. Conservação de p com massas iguais: v1=v1′+v2′. Conservação de Ec: v12=v1′2+v2′2. Mas o quadrado do módulo da soma é v1′2+v2′2+2v1′⋅v2′; para as duas igualdades valerem, o produto escalar tem de ser zero, e vetores com produto escalar nulo são perpendiculares. Qualquer jogador de sinuca sabe disso sem saber que sabe.
No PAS, colisões em duas dimensões nunca renderam conta numérica; a única aparição foi conceitual, a colisão lateral da fotografia estroboscópica de 2009 (item 81), em que bastava saber que a soma vetorial se conserva.
Ler tabelas e gráficos de velocidade antes e depois
Muitos itens não pedem para calcular nada: dão as velocidades antes e depois numa tabela, num gráfico ou numa figura e pedem para julgar. O protocolo é o teste das duas somas, sempre nesta ordem: (1) p fecha? Se não, os dados são impossíveis ou há força externa. (2) Ec depois é igual, menor ou maior que antes? Igual: elástica; menor: inelástica; maior: precisa de fonte interna de energia (explosão, mola), senão é impossível. (3) Se quiser o grau, e=(v2′−v1′)/(v1−v2).
Exemplo resolvido (a tabela). Dois carrinhos de 2 kg; o carrinho A chega a 5 m/s e o B está parado. Quatro pares de velocidades finais foram propostos:
proposta
vA′
vB′
p depois
Ec depois
veredicto
I
0
5
0+10=10
0+25=25 J
elástica (e=1): trocaram velocidades
II
2,5
2,5
5+5=10
6,25+6,25=12,5 J
perfeitamente inelástica (e=0)
III
1
4
2+8=10
1+16=17 J
parcialmente elástica, e=3/5=0,6
IV
−1
6
−2+12=10
1+36=37 J
impossível sem fonte de energia
Antes, p=10kg⋅m/s e Ec=25 J. As quatro propostas conservam p; só a energia as distingue. A proposta IV é a armadilha: parece uma colisão em que A “volta”, como uma bola leve numa pesada, mas as massas são iguais e a energia final supera a inicial em 12 J. Só uma mola comprimida entre os carrinhos, liberada no choque, justificaria os números.
Dois retratos da mesma colisão elástica (as bolas do PAS 2022). No gráfico v×t, cada bola muda de velocidade no mesmo instante, e as variações de quantidade de movimento são opostas: 3×(1−2)=−3 e 1×(3−0)=+3. Numa fotografia estroboscópica, a velocidade é o espaçamento entre imagens sucessivas: espaçamento maior, corpo mais rápido. Diagrama autoral.
Leitura do gráfico v×t. Numa colisão, a velocidade de cada corpo muda quase de repente: as curvas têm um degrau no instante do choque e são horizontais antes e depois (se não há atrito). Três leituras: a altura de cada degrau vezes a massa é a variação de quantidade de movimento daquele corpo, e as variações dos dois corpos têm de ser opostas (m1Δv1=−m2Δv2); a inclinação dentro do degrau é a aceleração, enorme e de curta duração; e as velocidades depois dizem o tipo: se coincidem, os corpos grudaram; se a diferença entre elas é igual à de antes, a colisão foi elástica. Nas bolas do PAS 2022, os degraus são de 2→1 (bola de 3 kg) e 0→3 (bola de 1 kg): −3 e +3, a soma fechou; a diferença de velocidades era 2 antes e 3−1=2 depois, elástica.
Leitura da fotografia estroboscópica. Cada imagem é separada da seguinte por um intervalo fixo de tempo (0,3 s no item de 2009). A velocidade é a distância entre imagens dividida por esse intervalo: imagens espaçadas, corpo rápido; imagens juntas, corpo lento; imagens sobrepostas, corpo parado. Depois de uma colisão lateral, as duas trajetórias se abrem, e a soma vetorial das quantidades de movimento, medida com régua e ângulo, continua a mesma da imagem anterior ao choque.
Como a banca pergunta, ano após ano
Colisões e explosões apareceram em nove edições do PAS 1 entre 2009 e 2024 (dezesseis itens, contando os que emprestam a cena a energia e atrito) e são a fonte mais regular de itens do capítulo depois do equilíbrio de corpos extensos. Os formatos:
O bloco pendurado numa figura, com uma cena e três ou quatro itens que cobram a receita inteira: velocidade se grudarem, velocidades se elástica, energia antes e depois, um limiar numérico plantado. Foi assim em 2022 (itens 89 a 92, as duas bolas) e em 2020 (itens 92 a 94, os blocos na rampa, com energia e atrito antes e depois do choque). O item numérico falso costuma errar por pouco (6,5 J quando o máximo é 6; “superior a 14 m” quando são 1,7 m).
O conceito dito com palavras para julgar: “para que a colisão seja inelástica, toda a energia cinética deve ser transformada em movimento do conjunto” (2020/93, errado); “não haverá conservação do momento linear do sistema bola–terra–trave” (2012/21, errado); “a quantidade de movimento e a energia mecânica foram necessariamente menores após o choque, mesmo que perfeitamente elástico” (2009/81, errado); “o fragmento de menor massa será ejetado com velocidade maior” (2016/96, certo); “o momento total se conserva e o centro de massa do sistema Sol–Terra permanecerá em repouso” (2024/90, errado pela segunda metade).
O tipo C de conta curta: colisão frontal com soma nula (2015/86, 50 km/h) e coeficiente de restituição com altura de retorno (2015/87, h/4).
A cena cotidiana que esconde a lei: o pulo vertical na garupa da bicicleta (2014/74, v/2, certo).
O tipo B com razão entre situações: a mesma pessoa na moto e no carro, razão 11 (2013/93). Um tipo B de colisão perfeitamente inelástica de 2021 (item 100) foi anulado.
O cruzamento com energia (2016/99, tipo C): as quatro opções são as quatro combinações de “conserva/não conserva” para p e Ec, e só uma respeita a física.
O erro plantado quase nunca é de conta: é a troca de uma lei pela outra (energia onde cabia quantidade de movimento, ou vice-versa), a leitura de e como fração de altura ou de energia, ou um limiar numérico ligeiramente deslocado. Quando o item tiver “porque”, “uma vez que” ou “para que”, julgue a conclusão e a justificativa separadamente.
Os sete erros que a prova planta
Conservar energia cinética numa colisão inelástica. A energia cinética só se conserva se o enunciado disser “elástica” (ou se você verificar que as duas somas fecham). Grudou, perdeu energia; sempre.
Negar a conservação de p porque houve dissipação. São leis independentes. Sem força externa relevante, a soma de mv fecha na colisão mais violenta.
Esquecer o sinal. Em colisão frontal, um dos corpos tem velocidade negativa. Dois carrinhos iguais a 3 m/s um contra o outro têm ptotal=0, não 12.
Achar que cada corpo conserva a sua quantidade de movimento (ou a sua energia). Conserva-se o total; as parcelas trocam de dono.
Ler e como fração de altura ou de energia.e divide velocidades; a altura de retorno é e2h e a fração de energia mantida é e2. Com e=0,5: um quarto da altura, um quarto da energia.
Aplicar a troca de velocidades a massas diferentes. A troca vale para massas iguais em colisão elástica. Com massas diferentes, use as fórmulas gerais ou p mais rapidez relativa.
Usar uma só lei no pêndulo balístico (ou em qualquer problema de etapas). Colisão: p. Subida ou descida: energia. Trocar as etapas dá uma bala catorze vezes mais lenta.
O essencial em meia página
A lei de toda colisão:m1v1+m2v2=m1v1′+m2v2′, com sinais em linha reta e uma equação por eixo no plano. Vale se o impulso externo na janela do choque for desprezível; a escolha do sistema decide (bola–trave–Terra conserva; PAS 2012/21).
Método: eixo e sinais; soma antes; soma depois; só então energia. p dá as velocidades; Ec diz o tipo.
Grudar:v′=(m1v1+m2v2)/(m1+m2), média ponderada pelas massas. Bolas 3 kg a 2 m/s e 1 kg parada: 1,5 m/s (PAS 2022/90). Garupa: v/2 (PAS 2014/74).
Elástica 1D:v1′=m1+m2(m1−m2)v1+2m2v2, v2′=m1+m2(m2−m1)v2+2m1v1. Massas iguais trocam velocidades; leve em pesado volta com −v; pesado em leve lança o leve a ≈2v. Bolas do PAS 2022: 1 e 3 m/s (item 91, certo; item 89, 4,5 J < 6,5 J, errado).
Restituição:e=∣vafast∣/∣vaprox∣, 0≤e≤1; bola no piso: h′=e2h (e=0,5⇒h/4, PAS 2015/87). e não é rendimento: energia mantida é e2.
Explosão:ptotal=0⇒m1v1=−m2v2; o leve é mais rápido e leva mais energia (E1/E2=m2/m1). Ec aumenta, p se conserva (supernova, PAS 2016/96 e 99).
Pêndulo balístico: cravamento com p (mv=(m+M)V), subida com energia (V=2gh); v=mm+M2gh.
Duas dimensões: uma conservação por eixo; módulos não se somam (20 000 e 15 000 perpendiculares dão 25 000). Massas iguais, elástica, alvo parado: saem a 90∘.
Ler dados: teste as duas somas; p que não fecha é impossível; Ec que cresce exige fonte interna. No v×t, m1Δv1=−m2Δv2.
Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.
Flashcards temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar os cartões de revisão.
IMPULSO, QUANTIDADE DE MOVIMENTO e COLISÕES no PAS 1 - AULA COMPLETA
Canal Exatas · 48:59
Introdução voltada ao PAS 1. Aula completa (teoria até 35:58, depois um item do PAS) que apresenta a conservação da quantidade de movimento e os tipos de colisão e, na parte prática, resolve exatamente o bloco dos blocos na rampa do PAS 1 de 2020 (itens 92 a 94), com energia na rampa, atrito no piso e colisão perfeitamente inelástica. É a seção “Grudar é perder o máximo” e o exemplo resolvido do PAS 2020 desta página, em vídeo.
COLISÕES (CHOQUES) - Entendendo os 3 Tipos
Felipe Sampaio - Física · 20:28
Aprofundamento na classificação. Em capítulos marcados na descrição, define colisão perfeitamente elástica, parcialmente elástica e perfeitamente inelástica, mostra os três casos em simulação (Algodoo), retoma a conservação da quantidade de movimento e fecha com um exercício da Unicamp. É a seção “Três tipos de colisão, uma só lei” com as colisões acontecendo na tela, o que a página só pode desenhar.
Física - Aula 85 - Coeficiente de restituição - Quantidade de Movimento
Física com o BF · 4:34
Aplicação a um só conceito. Resumo teórico curto e direto do coeficiente de restituição como razão entre as velocidades relativas de afastamento e de aproximação, com os valores 1 (elástica) e 0 (perfeitamente inelástica) e o caso intermediário. É a definição da seção “O coeficiente de restituição mede o quique” no quadro, para quem quer ver a fórmula montada antes de aplicar h′=e2h ao item PAS 2015/87.
Resolução de questão oficial. Resolve a questão 25 da EsPCEx 2018: um projétil de 100 g se aloja num bloco de 10 kg suspenso por fios e o conjunto sobe 80 cm; pede-se a velocidade do projétil. É a seção “O pêndulo balístico: duas etapas, duas leis” numa prova real, e a própria descrição do vídeo nomeia as duas leis, conservação da quantidade de movimento no cravamento e da energia mecânica na subida. Confira antes de assistir: V=2×10×0,8=4 m/s e v=(10,1/0,1)×4=404 m/s, a mesma conta do exemplo resolvido da página com outros números.
Massas iguais em colisão quase elástica: a branca para e a vermelha sai com a velocidade que a branca trazia. Quantidade de movimento e energia cinética trocam de dono, mas as somas não mudam.A soma que não muda e a que muda. Os carrinhos de bagagem do saguão: 40 kg a 3 m/s engatam num de 20 kg parado e o par sai a 2 m/s. A quantidade de movimento total é 120 kg·m/s antes e depois; a energia cinética cai de 180 J para 120 J. Os 60 J que faltam não desapareceram: viraram som, calor e amassado. Diagrama autoral.Mesmo antes, três depois. A soma das quantidades de movimento é 6 kg·m/s em todos os painéis. A energia cinética é 6 J na colisão elástica, 4,9 J na parcialmente elástica do exemplo (e=0,5) e 4,5 J quando as bolas grudam, o mínimo compatível com a soma. O PAS 1 de 2022 pendurou quatro itens nessa figura. Diagrama autoral.Os três casos-limite da colisão elástica com alvo parado. Massas iguais: as velocidades se trocam (bilhar, pêndulo de Newton). Leve contra pesado: o leve volta com a mesma rapidez (bola na parede). Pesado contra leve: o pesado mal sente e o leve sai com quase o dobro da velocidade dele (raquete e bola). Diagrama autoral.O quique em números. Com e=0,8, cada quique devolve 80% da rapidez e 0,82=64% da altura: 2 m, 1,28 m, 0,82 m. No gráfico v×t, a queda é uma reta de inclinação −g, o quique é um salto vertical de −v para +ev, e o tamanho do salto encolhe a cada vez. Diagrama autoral.O pêndulo balístico separa o problema em duas etapas com leis diferentes. No cravamento (milésimos de segundo), só p se conserva: mv=(m+M)V. Na subida, só a energia mecânica: 21(m+M)V2=(m+M)gh. Misturar as leis, usando energia no cravamento, dá uma velocidade catorze vezes menor que a verdadeira. Diagrama autoral.Uma conservação por eixo. No eixo leste–oeste, 20 000 kg·m/s antes e depois; no eixo norte–sul, 15 000. A seta total tem módulo 200002+150002=25000 kg·m/s (o triângulo 3-4-5 escalado), e o par de 2 500 kg sai a 10 m/s, a 37∘ do leste. Diagrama autoral.Dois retratos da mesma colisão elástica (as bolas do PAS 2022). No gráfico v×t, cada bola muda de velocidade no mesmo instante, e as variações de quantidade de movimento são opostas: 3×(1−2)=−3 e 1×(3−0)=+3. Numa fotografia estroboscópica, a velocidade é o espaçamento entre imagens sucessivas: espaçamento maior, corpo mais rápido. Diagrama autoral.Colisão perfeitamente inelástica: 40 kg a 3 m/s engatam num carrinho de 20 kg parado e o par sai a 2 m/s. A soma mv fecha (120 kg·m/s antes e depois); a energia cinética cai de 180 J para 120 J.Dois carros iguais a 50 km/h em choque frontal: a quantidade de movimento total é zero, cada um para no ponto de contato e perde a energia de 50 km/h, como se batesse numa parede fixa a 50 km/h, não a 100.Engate de vagões: 20 t a 3 m/s acoplam num vagão de 10 t parado e o conjunto sai a 2 m/s, não a 1,5 m/s. Os 30 000 J que faltam são o estrondo do engate e o calor nos amortecedores.Duas etapas, duas leis: no cravamento só a quantidade de movimento se conserva (mv=(m+M)V); na subida só a energia mecânica (V=2gh). A altura medida na escala dá a velocidade do projétil.O coeficiente de restituição em imagem: cada quique devolve uma fração e da rapidez e e2 da altura. Com e=0,8, de 2 m a bola volta a 1,28 m, depois a 0,82 m.Colisão em duas dimensões: uma conservação por eixo. Um carro de 1 000 kg a 20 m/s para leste e outro de 1 500 kg a 10 m/s para norte saem grudados a 10 m/s, a 37∘ do leste; a diagonal das marcas é a soma vetorial das quantidades de movimento.Por que sai uma esfera, e não duas a meia velocidade? Duas a v/2 conservariam a quantidade de movimento, mas só metade da energia cinética. Massas iguais em colisão elástica trocam velocidades, esfera a esfera.
Rota PAS 1
Colisões, giros e equilíbrio: momentum, movimento circular e fluidos · PAS 1
Fontes desta página
Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.
Rota PAS 1 — Colisões, giros e equilíbrio: momentum, movimento circular e fluidos · Antes de começar: dez minutos de aquecimento (massa e peso, km/h em m/s, grandeza com sentido tem sinal); Colisões e explosões: a soma que não muda (conceito, exemplo-guia dos carrinhos de bagagem 40 kg/20 kg, método p antes e energia depois, itens 2022/90 e 91, 2015/86, 2020/93, armadilha de misturar as duas leis, checagem); Como a banca cobra (histórico de colisões 2009–2024, item 2022/89 com o atalho da energia total, item 2016/99); Estratégia (porta 1: colisão ou explosão); Banco de treino T2 (vagões), T4 (2014/74), T19 (explosão em dois fragmentos), T20 (patinadores) e T21 (2013/93)
Recorte por assunto: conservação da quantidade de movimento aplicada a colisões e explosões, classificação, restituição, pêndulo balístico e duas dimensões. O livro registra profundidade total em 1D e zero itens numéricos em 2D; a página acrescenta as fórmulas gerais da colisão elástica, a massa reduzida e a perda ½μv_rel², o coeficiente de restituição combinado com p, a partição de energia em explosões, o pêndulo balístico e a colisão 2D com componentes, ausentes do capítulo. Impulso, teorema do impulso e força média ficam na página impulso-e-quantidade-de-movimento.
Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cebraspe) · PAS 1 2009 (item 81, fotografia estroboscópica), 2013 (item 93, moto e Camaro), 2014 (item 74, pulo na garupa), 2015 (itens 86 e 87, colisão frontal e coeficiente de restituição), 2020 Parte 2 (itens 92 a 94, blocos na rampa), 2022 (itens 89 a 92, as duas bolas), 2024 (item 90, sistema Sol–Terra–telescópio)
Itens reproduzidos verbatim; gabaritos conferidos nos arquivos GAB e em utils/material/PAS/pesquisa/classificacao/AAAA.json. Figuras impressas (bolas de 2022, rampa e blocos de 2020, fotografia estroboscópica de 2009, forças sobre o telescópio de 2024) descritas em texto neutro no suporte das questões. Os itens 2016/96, 2016/99 e 2012/21 são reusados por GUID da página impulso-e-quantidade-de-movimento. O item 2021/100 (tipo B) foi anulado e não é usado.