O vidro do fogão de indução fica frio enquanto a água ferve na panela; o chip do cartão de ônibus, sem pilha nenhuma, acorda quando chega perto do leitor; o farol da bicicleta antiga só brilha enquanto a roda gira, embora o ímã dentro dele seja o mesmo com a roda parada. Carregador sem fio, fogão, cartão, farol e a usina de Itaipu obedecem a uma única regra: não é o campo magnético que produz corrente, é a MUDANÇA do campo que atravessa um circuito. O que é fluxo magnético, de que três jeitos ele muda, como a lei de Faraday mede a fem induzida, por que a lei de Lenz manda a corrente se opor à variação (e por que isso é conservação de energia), quanto vale a fem de uma barra que corre num campo, e como a banca cobra tudo isso?
O que você vai aprender
Definir o fluxo magnético Φ = BA cos θ (com θ entre o campo e a normal à superfície), usar o weber (1 Wb = 1 T·m²), reconhecer o fluxo máximo (campo atravessando a espira de frente) e nulo (campo rasante) e identificar as três maneiras de variá-lo: mudar B, mudar a área imersa ou girar o circuito.
Descrever as experiências de Faraday de 1831 (anel de ferro com duas bobinas, ímã entrando e saindo de uma bobina, bobina com corrente aproximada de outra) e enunciar o que elas mostraram: só há corrente induzida enquanto o fluxo varia; campo intenso e constante não induz nada.
Aplicar a lei de Faraday, ε = −N ΔΦ/Δt, para calcular a fem média induzida numa bobina de N espiras, a corrente induzida num circuito de resistência R e a fem a partir da inclinação de um gráfico de fluxo (ou de campo) contra o tempo.
Usar a lei de Lenz para determinar o sentido da corrente induzida (fluxo crescendo, campo induzido contrário; fluxo caindo, campo induzido a favor), identificar as faces norte e sul da bobina diante de um ímã que se aproxima ou se afasta, e explicar a lei como consequência da conservação de energia.
Explicar o ímã que cai devagar num tubo de cobre, o freio magnético e as correntes de Foucault, e reconhecer suas aplicações (fogão de indução, frenagem de trens e montanhas-russas, detector de metais) e seus custos (perdas em núcleos de ferro, laminação).
Calcular a fem de movimento ε = BLv de um condutor que cruza linhas de campo, escolher o comprimento certo (o lado que varre as linhas), obter a corrente, a força de frenagem F = B²L²v/R e verificar que a potência mecânica fornecida é igual à potência elétrica dissipada.
Analisar um quadro que entra, atravessa e sai de uma região de campo uniforme: fem só enquanto a área imersa muda, sentido invertido na saída, tempo total com corrente (o item do PAS/UnB de 2019).
Descrever o princípio do gerador: espira girando em campo uniforme tem fluxo Φ = BA cos ωt e fem senoidal de amplitude NBAω, com a fem máxima quando o fluxo é nulo e vice-versa; reconhecer que o alternador, o dínamo e o transformador como máquinas têm página própria.
Reconhecer a indução nas aplicações do dia a dia (carregador sem fio, cartão de aproximação e pedágio, microfone dinâmico, captador de guitarra, lanterna de sacudir, dínamo de bicicleta, placa de indução) e dizer, em cada uma, o que faz o fluxo variar.
Distinguir, em itens da banca, a via de Ampère (corrente, mesmo constante, gera campo) da via de Faraday (variação de fluxo gera fem) e julgar afirmações sobre retroalimentação, campo constante e sentido da corrente induzida.
Encoste a mão no vidro de um fogão de indução ligado, ao lado da panela: o vidro está frio, e a água dentro da panela ferve. Debaixo dele não há chama nem resistência elétrica; há uma bobina percorrida por uma corrente que inverte o sentido dezenas de milhares de vezes por segundo. Tire a panela e o fogão se desliga sozinho; ponha no lugar uma panela de vidro e nada esquenta. No cartão de ônibus, um chip que não tem pilha acorda no instante em que chega perto do leitor e volta a dormir quando se afasta. No carregador sem fio do celular, duas bobinas separadas por milímetros de plástico trocam energia sem que nenhum contato metálico as ligue, e só enquanto a corrente da base oscila. Em Itaipu, vinte turbinas giram eletroímãs do tamanho de uma casa diante de bobinas fixas e abastecem um país; no farol de uma bicicleta antiga, um pequeno ímã gira dentro de uma bobina e a luz dura exatamente o que dura o giro da roda, embora o ímã, parado, seja tão forte quanto em movimento. O que esses aparelhos têm em comum não é um campo magnético intenso: é um campo que muda através de um circuito. Ímã e fio, ambos parados, não produzem corrente alguma, por forte que seja o ímã.
Esta é a página da indução eletromagnética: a descoberta de que campo magnético em variação gera corrente. Ela define o fluxo magnético e os três jeitos de mudá-lo; conta as experiências de Faraday de 1831 e o que elas mostraram; enuncia a lei de Faraday, ε=−NΔΦ/Δt, e ensina a ler a fem num gráfico de fluxo contra o tempo; explica a lei de Lenz, o sentido da corrente induzida e por que ele é conservação de energia, com o ímã que cai devagar num tubo de cobre e as correntes de Foucault do fogão de indução, do freio magnético e do detector de metais; calcula a fem de movimento ε=BLv de uma barra que corre em trilhos, com a força de frenagem e o balanço de potência; resolve o quadro que entra e sai de uma região de campo, cenário dos dois itens do PAS/UnB de 2019; mostra o princípio do gerador, a espira girando e a fem senoidal; e fecha com as aplicações do dia a dia e a leitura das figuras que a banca usa. No PAS/UnB o assunto é da 3.ª etapa e está entre os mais presentes do bloco de magnetismo nas provas recentes: sete itens em seis provas, três deles nas quatro últimas edições, e um dos dois assuntos do bloco com item na prova de 2025, a única sob a matriz vigente. O campo criado por correntes (fio, espira, solenoide) está na página de campo magnético de correntes, que esta pressupõe; a força sobre cargas e fios e o motor têm página própria no bloco; o dínamo, o alternador e o transformador como máquinas, com rendimento e relação de espiras, ficam na página de motores e transformadores, e a página de geração de energia elétrica mostra as usinas. A página também pressupõe o campo magnético e a corrente elétrica.
Antes de Faraday: quatro coisas que a página supõe prontas
Campo magnético é um vetor em cada ponto, desenhado por linhas. As linhas de um ímã saem do polo norte, dão a volta por fora e entram no polo sul; as de um fio circulam em torno dele; as de uma espira a atravessam pelo centro, saindo pela face norte. A densidade das linhas mede o módulo de B, em tesla (T). A página de campo magnético construiu isso.
Corrente gera campo (Oersted, 1820; Ampère). Um fio com corrente constante tem em volta um campo constante; uma bobina com corrente é um ímã de barra, com norte e sul. Esta é a via de Ampère: corrente, mesmo constante, gera campo. A indução é a via de volta, e a banca já cruzou os nomes das duas (2025). A página de campo magnético de correntes é o pré-requisito direto.
Cosseno de ângulos redondos.cos0∘=1, cos60∘=21, cos90∘=0, cos180∘=−1. O fluxo magnético usa o cosseno do ângulo entre o campo e a normal à superfície (a reta perpendicular a ela), e quase toda armadilha de ângulo está em confundir a normal com o plano.
A página é plana, mas o campo atravessa. Um campo que sai do papel em direção a você é desenhado como pontos dentro de círculos, ⊙; um campo que entra é desenhado como cruzes, ⊗. As figuras de indução da banca são regiões cheias de × com um quadro ou uma barra se movendo dentro ou na borda delas.
O fluxo magnético: quanto campo atravessa a espira
Segure um bambolê debaixo de chuva fina, com o chão horizontal e a chuva vertical. Deitado, o bambolê “recolhe” o máximo de gotas por segundo; de pé, nenhuma gota o atravessa; inclinado, uma fração. O número de gotas que atravessa depende de três coisas: da intensidade da chuva, da área do bambolê e do ângulo entre a chuva e o bambolê. O fluxo magnético é exatamente essa contagem com as linhas de campo no lugar das gotas: quantas linhas atravessam a superfície limitada pelo circuito.
Φ=BAcosθ
símbolo
leitura
exemplo
Φ
fluxo magnético através da superfície, em weber
2×10−3 Wb
B
módulo do campo (uniforme sobre a superfície), em tesla
0,2 T
A
área da superfície limitada pelo circuito, em metro quadrado
0,01 m²
θ
ângulo entre B e a normal à superfície
0° (campo de frente)
A unidade é o weber (Wb), em homenagem a Wilhelm Weber: 1Wb=1T⋅m2. Um campo de 1 T atravessando de frente 1 m² dá 1 Wb; na escala escolar, os fluxos são de milésimos de weber, porque os campos são de décimos de tesla e as áreas, de centímetros quadrados.
O fluxo magnético e seus extremos
O fluxo Φ=BAcosθ mede “quanto campo atravessa” a superfície limitada por um circuito. Atinge o valor máximo, BA, com o campo perpendicular ao plano da espira, isto é, paralelo à normal (θ=0, a espira “de frente” para o campo); anula-se com o campo rasante, deitado sobre o plano da espira e perpendicular à normal (θ=90∘); e troca de sinal quando a espira vira de costas (θ=180∘, Φ=−BA). O sinal é só a escolha de qual face chamamos de frente; o que importa é a variação.
O ângulo é a armadilha de fábrica. “A espira faz 30∘ com o campo” não é θ=30∘: se o plano da espira faz 30∘ com B, a normal faz 60∘, e o fluxo é BAcos60∘=BA/2, não BAcos30∘. Antes de calcular, pergunte sempre: o ângulo dado é com o plano ou com a normal? Se a figura mostra o campo atravessando a espira de frente, θ=0; se mostra o campo deslizando ao longo do plano dela, θ=90∘ e o fluxo é zero por mais forte que o campo seja.
O item de 2017 do motor de bonde cobrou exatamente a geometria. A espira retangular do motor gira em torno de uma barra ao longo do eixo y, num campo B=Bz^, para cima; os eixos da figura marcam x^ saindo do papel. O item afirmava que o fluxo através da espira “será máximo quando a espira estiver com os lados menores paralelos ao eixo x”. Com os lados menores ao longo de x (saindo do papel) e os lados maiores ao longo de y, o plano da espira é o plano xy, horizontal, e sua normal é z^, paralela ao campo: θ=0, fluxo máximo. Certo. Na posição desenhada na prova, com os lados menores verticais, o plano da espira contém B e o fluxo é zero.
O fluxo Φ = BA cos θ conta as linhas de campo que atravessam a espira (θ é o ângulo com a normal, não com o plano). Há três jeitos de variá-lo, e cada um é um molde de item: mudar o campo (ímã se aproximando, corrente variando numa bobina vizinha), mudar a área imersa (quadro entrando ou saindo do campo, barra em trilhos) ou girar a espira (o gerador). Diagrama autoral.
Três jeitos de variar o fluxo
Como Φ=BAcosθ tem três fatores, há três maneiras de mudá-lo, e a indução acontece em qualquer uma delas:
Mudar o campo B, com o circuito parado: aproximar ou afastar um ímã, ligar ou desligar a corrente numa bobina vizinha, fazer passar corrente alternada numa bobina ao lado. É o caso do ímã que se aproxima da bobina (2024), do transformador e do carregador sem fio.
Mudar a área imersa A, com o campo fixo: um quadro que entra ou sai de uma região de campo, uma barra que desliza sobre trilhos e alarga o circuito. É o caso do quadro de 2019 e da fem de movimento.
Girar o circuito (mudar θ), com campo e área fixos: a espira de um gerador, a bobina do dínamo da bicicleta. É o princípio de toda usina.
Repare no que não está na lista: campo intenso e constante sobre um circuito parado. Fluxo constante, por maior que seja, não induz nada. Essa frase vale um item por prova.
As experiências de Faraday: o que 1831 mostrou
Depois de Oersted (1820), a pergunta era natural: se corrente produz magnetismo, magnetismo produz corrente? Durante dez anos, vários físicos enrolaram fios em volta de ímãs e não viram nada, porque procuravam uma corrente permanente produzida por um campo permanente. Michael Faraday, no laboratório da Royal Institution, em Londres, achou a resposta em 1831 porque reparou no que acontecia nos instantes de mudança. Três montagens contam a história:
O anel (29 de agosto de 1831). Faraday enrolou duas bobinas separadas num mesmo anel de ferro: uma ligada a uma pilha, com uma chave; a outra ligada a um galvanômetro, sem fonte nenhuma. Ao fechar a chave, a agulha do galvanômetro deu um pulo e voltou ao zero; com a corrente da primeira bobina ligada e constante, nada; ao abrir a chave, outro pulo, para o lado oposto. A corrente na segunda bobina só existia enquanto a corrente da primeira mudava, ou seja, enquanto o campo no anel crescia ou caía. É a indução mútua, e é o transformador em miniatura.
O ímã na bobina (17 de outubro de 1831). Uma bobina oca ligada a um galvanômetro e um ímã de barra na mão. Empurrar o ímã para dentro da bobina: a agulha desvia. Parar o ímã dentro: a agulha volta ao zero. Puxar o ímã para fora: a agulha desvia para o outro lado. Empurrar mais depressa: desvio maior. Trocar o polo: desvios invertidos. Nada tocava a bobina; não havia pilha; a corrente nascia do movimento relativo entre o ímã e a bobina, e tanto faz quem se move. É a figura do item de 2024 e a lanterna de sacudir.
O disco (28 de outubro de 1831). Um disco de cobre girando entre os polos de um ímã, com contatos no eixo e na borda: uma corrente contínua enquanto o disco gira. Foi o primeiro gerador da história, e o único dos três experimentos em que a corrente não é um pulso, porque o disco nunca para de cortar linhas de campo.
Joseph Henry, nos Estados Unidos, observou efeitos parecidos na mesma época, e Heinrich Lenz, em São Petersburgo, enunciou em 1834 a regra do sentido que leva seu nome. A matemática fechada da lei é de 1845, com Franz Neumann. A história completa, de Gilbert a Maxwell, está na página de história da eletricidade; aqui interessa a física que ficou.
As três montagens de Faraday em 1831: o anel de ferro com duas bobinas (corrente induzida só ao ligar e ao desligar a primeira), o ímã que entra e sai de uma bobina (corrente só enquanto há movimento) e o disco girando num campo (corrente contínua enquanto gira). Em todas, o que produz corrente é a variação do fluxo, não o campo. Diagrama autoral.
O que as experiências de Faraday estabeleceram
Sempre que o fluxo magnético através de um circuito muda, surge nele uma força eletromotriz. A fem existe só enquanto o fluxo varia; é tanto maior quanto mais rápida a variação; inverte de sinal quando a variação inverte (ímã entrando ou saindo, chave fechando ou abrindo); e não depende de quem se move, o ímã ou a bobina. Num circuito fechado, essa fem põe uma corrente induzida para circular; num circuito aberto, ela aparece apenas como tensão entre os terminais. Nenhuma pilha é necessária: a energia vem de quem faz o fluxo variar.
A banca julga a frase com o advérbio trocado. Em 2016, depois de uma figura com duas bobinas no mesmo eixo, uma ligada a uma fonte e a outra a uma lâmpada, o item afirmava que “uma corrente elétrica será gerada em uma espira apenas se ela for submetida a um campo magnético constante no tempo”. A experiência diz o inverso: campo constante é justamente o caso em que não há corrente; o que gera corrente é o campo variável. Errado. O “apenas se” é a forma favorita da banca para plantar a inversão.
A lei de Faraday: a fem é a rapidez da variação do fluxo
Faraday mediu desvios; a lei que ficou com seu nome diz quanto vale a fem:
ε=−NΔtΔΦ
símbolo
leitura
exemplo
ε
força eletromotriz induzida, em volt
2 V
N
número de espiras da bobina (cada uma recebe a mesma variação)
200
ΔΦ
variação do fluxo através de uma espira, em weber
10−3 Wb
Δt
intervalo de tempo em que a variação ocorreu, em segundo
0,1 s
Em palavras: a fem é o número de espiras multiplicado pelo quociente entre a variação do fluxo e o tempo que ela levou. O sinal negativo é a lei de Lenz escrita em símbolo (a fem se opõe à variação) e vai ter uma seção própria; para o módulo, a conta é ∣ε∣=N∣ΔΦ∣/Δt. Como 1Wb/s=1V, o weber por segundo é o volt: a unidade confere sozinha.
A lei de Faraday
A fem induzida num circuito é igual, em módulo, à taxa de variação do fluxo magnético através dele: ∣ε∣=NΔΦ/Δt. Dobrou a variação de fluxo no mesmo tempo, dobrou a fem; a mesma variação em metade do tempo, fem dobrada; N espiras em série, N vezes a fem de uma. O que entra na fórmula é a variaçãoΔΦ, não o fluxo Φ: fluxo grande e parado dá fem zero; fluxo pequeno mudando depressa dá fem alta. Com o circuito fechado, de resistência R, a corrente induzida é i=ε/R.
Uma “taxa de variação” responde à pergunta “quanto mudou, por segundo?”; é o mesmo papel que a velocidade desempenha em relação à posição. Se a variação não é uniforme, a fórmula dá a fem média no intervalo; é isso que a banca pede quando diz “determine a fem induzida” num processo que começa e termina.
Exemplo resolvido 1: a bobina e o ímã. Uma bobina de 200 espiras e 20 cm² de área está parada; um ímã é aproximado dela de modo que o campo médio através das espiras, perpendicular ao plano delas, passa de zero a 0,5 T em 0,1 s. Fem média induzida?
Área em metros quadrados: 20cm2=20×10−4m2=2×10−3m2. Fluxo numa espira, no fim: Φ=BA=0,5×2×10−3=10−3 Wb; no começo, zero. Variação: ΔΦ=10−3 Wb. Fem: ∣ε∣=NΔΦ/Δt=200×10−3/0,1=2 V. Se a bobina tem resistência de 4 Ω, a corrente induzida média é 2/4=0,5 A. Conferência: pela unidade, 200×10−3Wb/0,1s=2Wb/s=2 V. E a sanidade: aproximar o ímã duas vezes mais devagar (0,2 s) dá 1 V; parar o ímã, com 0,5 T atravessando a bobina, dá zero.
Exemplo resolvido 2: ler a fem num gráfico de fluxo. O fluxo através de uma espira única cresce de 0 a 0,06 Wb em 0,02 s, fica constante por 0,03 s e cai a zero em 0,01 s. Qual é a fem em cada trecho?
A fem é a inclinação do gráfico de Φ contra t, com o sinal trocado. Trecho 1: ΔΦ/Δt=0,06/0,02=3 Wb/s, fem de 3 V. Trecho 2: fluxo constante, inclinação zero, fem zero, por maior que seja o fluxo (0,06 Wb parados não fazem nada). Trecho 3: ΔΦ/Δt=−0,06/0,01=−6 Wb/s, fem de 6 V com o sinal oposto ao do trecho 1, porque agora o fluxo cai. Conferência: a queda leva metade do tempo da subida (0,01 s contra 0,02 s) para a mesma variação de 0,06 Wb, logo a fem é o dobro: 6 V contra 3 V, fecha.
A fem é a inclinação do gráfico de fluxo contra tempo, com o sinal trocado: subida uniforme, fem constante; patamar, fem zero, por mais alto que seja; queda duas vezes mais rápida, fem duas vezes maior e de sinal oposto. É o molde de item com gráfico. Diagrama autoral.
Com o campo variando e a espira parada, a mesma leitura vale para um gráfico de B contra t: a fem é NA vezes a inclinação. Num item de vestibular de 2019 reusado nesta página, o campo através de uma espira valia 2 T até 1 s, caía em linha reta a 1 T entre 1 s e 2 s e ficava em 1 T até 3 s: a fem é diferente de zero só entre 1 s e 2 s, onde o gráfico tem inclinação; nos patamares, nada, apesar de o campo ser de 2 T num deles.
Fluxo parado, por maior que seja, não induz
Uma espira em repouso dentro de um campo de vários tesla, constante: fem zero. Uma espira num campo de poucos militesla que oscila depressa: fem apreciável. O que entra na lei de Faraday é ΔΦ/Δt, e um fluxo de 1 Wb parado tem ΔΦ=0. Item que diga “a corrente induzida é proporcional ao campo”, “quanto maior o campo, maior a corrente induzida” ou “corrente será gerada apenas se o campo for constante” (2016) está errado. E a fem de uma bobina é N vezes a de uma espira: esquecer o N é o erro de conta mais comum.
A lei de Lenz: a corrente induzida se opõe à mudança
Faraday diz quanto; Lenz diz para que lado. A corrente induzida tem um sentido, e ele não é arbitrário.
A lei de Lenz
A corrente induzida tem o sentido que cria um campo magnético oposto à variação de fluxo que a produziu. Quando o fluxo cresce, o campo induzido aponta no sentido contrário ao do campo externo, freando o crescimento. Quando o fluxo cai, aponta no mesmo sentido, sustentando o que resta. A oposição é à variação, nunca ao campo em si; por isso a mesma bobina ora repele, ora atrai o mesmo ímã.
O molde operacional é o ímã e a bobina. Leve o polo norte de um ímã em direção a uma das extremidades de uma bobina: o fluxo do ímã através dela aumenta; a corrente induzida produz um campo contrário, e a extremidade que encara o ímã se comporta como polo norte, empurrando-o para longe. Recue o ímã: o fluxo diminui; a corrente induzida agora produz campo no mesmo sentido do do ímã, a extremidade se comporta como polo sul e puxa o ímã de volta. Nos dois casos a bobina age contra o movimento, e quem move o ímã sente uma resistência. Trocando o polo que se aproxima, tudo se inverte: sul chegando, a face vira sul e repele.
Para desenhar a corrente, use a regra da mão direita da página de campo magnético de correntes ao contrário: sabendo para que lado o campo induzido deve apontar dentro da bobina (polegar), os dedos dão o sentido da corrente. Face norte de frente para você significa corrente anti-horária vista por você (as linhas saem pela face que você olha); face sul, corrente horária.
A situação do item de 2024 do PAS/UnB, lida com Lenz: ímã chegando, fluxo em alta, corrente induzida com campo contrário, e a extremidade da bobina que encara o ímã se comporta como norte e o empurra para longe. Ímã recuando, fluxo em baixa, campo induzido no mesmo sentido, extremidade comportando-se como sul e puxando o ímã de volta. A energia dissipada pela corrente induzida sai, nos dois casos, do trabalho da mão que move o ímã. Diagrama autoral.
Por que Lenz é conservação de energia
A regra parece arbitrária, e no entanto é a mais fácil de justificar de toda a página. Suponha o contrário de Lenz: a corrente induzida ajudando a variação. Aproximo o ímã, o fluxo cresce, a bobina cria um campo a favor, que faz o fluxo crescer mais, que induz mais corrente, que reforça mais o campo: bastaria um empurrão inicial ínfimo para a corrente disparar por conta própria, sem fonte de energia nenhuma, e a bobina ainda puxaria o ímã, acelerando-o de graça. Seria um moto-perpétuo: energia elétrica aquecendo a bobina e energia cinética no ímã, as duas do nada. Como isso não acontece, a corrente induzida só pode se opor: para aproximar o ímã é preciso fazer força contra a repulsão da bobina, e o trabalho dessa força é exatamente a energia que a corrente induzida dissipa. Lenz é o princípio da conservação da energia aplicado à indução.
A banca já cobrou a versão errada por extenso. Em 2022, o item afirmava que “a variação do fluxo magnético no interior de uma espira faz surgir uma corrente elétrica que retroalimenta a magnitude do campo magnético que a gerou, o que faz que a corrente cresça de forma exponencial”. É a máquina de energia grátis descrita com vocabulário técnico: errado, e sem conta, porque a induzida se opõe. Em 2024, o único item de múltipla escolha de Física da prova pôs um ímã se aproximando de uma bobina de terminais ligados entre si e ofereceu quatro frases: nenhuma corrente porque não há bateria (nega Faraday); corrente cujo campo tende a diminuir o campo do ímã (Lenz); corrente cujo campo tende a aumentar o campo do ímã (a retroalimentação de 2022); corrente sempre no mesmo sentido, aproximando ou afastando (apaga a dependência do sentido). Só a segunda sobrevive.
A induzida se opõe à variação, não ao campo
“A corrente induzida cria um campo contrário ao campo do ímã” só é verdade quando o ímã se aproxima. Quando ele se afasta, o campo induzido tem o mesmo sentido que o do ímã, porque o que a bobina combate é a queda do fluxo. Item que fixe “sempre contrário” ou “sempre no mesmo sentido” está errado; a regra é “contra a mudança”. E a frase de 2022 segundo a qual a corrente induzida “retroalimenta” o campo que a gerou descreve uma máquina de energia grátis: errada antes de qualquer conta.
O ímã que cai devagar no tubo de cobre
Solte um ímã de neodímio dentro de um tubo vertical de cobre, aberto nas duas pontas. O cobre não é magnético; o ímã não gruda na parede; e, mesmo assim, ele desce devagar, como se o tubo estivesse cheio de mel, levando de alguns segundos a dezenas de segundos para percorrer um metro que em queda livre levaria menos de meio segundo (o tempo depende da espessura da parede e da força do ímã). Solte um cilindro de aço do mesmo tamanho e ele cai normalmente. O que segura o ímã é Lenz: cada anel do tubo é uma espira fechada. Nos anéis abaixo do ímã, o fluxo cresce (o ímã chega): a corrente induzida cria um campo que repele o ímã para cima. Nos anéis acima, o fluxo cai (o ímã se afasta): a corrente induzida cria um campo que o atrai para cima. Repelido por baixo e puxado por cima, o ímã é freado até uma velocidade em que a força magnética equilibra o peso. A energia potencial que ele perde não vira energia cinética: vira calor nas correntes do tubo, que esquenta imperceptivelmente. Um tubo de plástico não faz nada, porque não conduz; um tubo de cobre serrado ao longo também quase nada, porque os anéis ficam abertos e a corrente não circula.
O ímã no tubo de cobre: os anéis abaixo repelem (fluxo crescendo), os acima atraem (fluxo caindo), e o ímã desce em velocidade terminal, aquecendo o tubo. As mesmas correntes de Foucault, em chapas e discos, aquecem a panela do fogão de indução, freiam trens e montanhas-russas e denunciam a moeda no detector de metais. Diagrama autoral.
Correntes de Foucault: a indução em chapas e discos
Um condutor maciço, chapa, disco ou panela, não tem “espiras”, mas tem infinitos caminhos fechados. Quando o fluxo através dele varia, correntes induzidas circulam em redemoinhos dentro do metal: são as correntes de Foucault (ou correntes parasitas), estudadas por Léon Foucault na década de 1850. Elas obedecem a Lenz e a Joule ao mesmo tempo: se opõem à variação que as criou e aquecem o metal. Daí as aplicações e os custos:
Fogão de indução. Debaixo do vidro há uma bobina percorrida por corrente alternada de dezenas de milhares de hertz. O campo oscilante atravessa o fundo da panela e induz nele correntes de Foucault intensas, que o aquecem por efeito Joule; o vidro, isolante, não esquenta, só recebe calor da panela. Por isso a panela precisa ter fundo ferromagnético (se o ímã da geladeira gruda, serve): o ferro concentra o fluxo e tem resistividade adequada; panela de alumínio, cobre ou vidro não esquenta.
Freio magnético. Um disco de metal girando entre os polos de um eletroímã é freado sem contato: as correntes de Foucault se opõem ao giro e convertem a energia cinética em calor no disco. Trens de alta velocidade, montanhas-russas e balanças de precisão usam freios assim: não há desgaste de pastilha e a frenagem é tanto mais forte quanto mais rápido o giro. O medidor de energia antigo, com o disco girando atrás do vidro, usava um ímã permanente como freio para que a velocidade do disco fosse proporcional à potência.
Detector de metais. A bobina do aparelho cria um campo oscilante; um objeto metálico enterrado recebe correntes de Foucault, que criam um campo próprio; uma bobina receptora percebe a diferença. No portal do aeroporto, o metal no bolso faz o mesmo.
O custo: perdas no ferro. Num transformador ou num motor, o núcleo de ferro também é condutor e também recebe correntes de Foucault, que aquecem e desperdiçam energia. O remédio é laminar o núcleo: chapas finas de ferro isoladas entre si, empilhadas, que cortam os caminhos das correntes sem atrapalhar o fluxo. O zumbido de um transformador é o som dessas chapas vibrando.
Onde a indução está em casa
No carregador sem fio (padrão Qi), a base tem uma bobina com corrente alternada de dezenas a centenas de quilohertz; a bobina do celular, a poucos milímetros, recebe um fluxo que oscila e induz a fem que carrega a bateria: o anel de Faraday sem o anel. No cartão de aproximação (ônibus, crédito, crachá, NFC a 13,56 MHz), a antena é uma bobina impressa em volta do chip; o leitor cria um campo oscilante e a fem induzida no cartão alimenta o chip, que não tem pilha; as etiquetas de pedágio, por sua vez, já usam rádio de frequência mais alta e antena, não bobina. No microfone dinâmico, um diafragma preso a uma bobina vibra com o som dentro do campo de um ímã: fluxo variando, fem no ritmo da voz. No captador da guitarra elétrica, um ímã magnetiza a corda de aço e uma bobina em volta do ímã “sente” a corda vibrar como fluxo oscilante; corda de náilon não funciona, porque não se imanta. No dínamo da bicicleta e na lanterna de sacudir, o ímã se move e a bobina fica parada. No fogão de indução, a panela é a espira. Em cada um, pergunte “o que faz o fluxo variar?” e a resposta é a física do aparelho.
A fem de movimento: uma barra que corre em trilhos
O caso mais operacional da indução é o segundo jeito de variar o fluxo: a área imersa muda porque um condutor se move dentro do campo. Dois trilhos paralelos, horizontais, separados por uma distância L, ligados numa ponta por um resistor R; uma barra condutora apoiada sobre eles, perpendicular aos trilhos, empurrada com velocidade v; tudo numa região de campo uniforme B perpendicular ao plano dos trilhos. A barra, os trilhos e o resistor formam um circuito fechado cuja área cresce à medida que a barra avança.
Em um tempo Δt a barra anda vΔt e a área do circuito cresce ΔA=LvΔt. Com o campo perpendicular, o fluxo cresce ΔΦ=BΔA=BLvΔt. Pela lei de Faraday:
ε=ΔtΔΦ=ΔtBLvΔt=BLv
A fem de movimento
Um condutor retilíneo de comprimento L que se move com velocidade vcruzando linhas de um campo B, com v, L e B mutuamente perpendiculares, tem entre as pontas uma fem ε=BLv. O L é o comprimento do trecho que varre linhas de campo, não qualquer lado do circuito. Se a barra fecha um circuito de resistência R, a corrente é i=BLv/R; sobre a barra com corrente aparece a força magnética F=BiL=B2L2v/R, que pela lei de Lenz freia a barra; e a potência mecânica necessária para manter v, P=Fv=B2L2v2/R, é exatamente a potência elétrica εi=ε2/R dissipada no resistor.
A mesma fem sai sem falar em fluxo, pela força sobre as cargas da barra: cada elétron livre viaja com a barra a v dentro de B e sente a força magnética qvB, que o empurra ao longo da barra; os elétrons se acumulam numa ponta até que o campo elétrico interno equilibre a força magnética, qE=qvB, e a tensão entre as pontas vale EL=BLv. As duas deduções dão o mesmo resultado, e é bom saber as duas: a de fluxo serve para qualquer circuito, a de força mostra o que empurra as cargas.
Exemplo resolvido 3: a barra, a força e a energia. Trilhos separados por L=0,5 m, campo B=0,2 T para dentro do papel, resistor R=0,1 Ω, barra empurrada a v=3 m/s para a direita. Fem, corrente, força de frenagem e potência?
Fem: ε=BLv=0,2×0,5×3=0,3 V. Corrente: i=ε/R=0,3/0,1=3 A. Força sobre a barra: F=BiL=0,2×3×0,5=0,3 N, para a esquerda, contra o movimento (Lenz: a área cresce, o fluxo para dentro do papel cresce, a corrente induzida circula no sentido anti-horário para criar campo saindo do papel, e sobe pela barra; força de iL×B com corrente para cima e campo para dentro: para a esquerda). Quem empurra a barra precisa aplicar 0,3 N para manter os 3 m/s, e fornece potência P=Fv=0,3×3=0,9 W. Conferência pela eletricidade: εi=0,3×3=0,9 W dissipados no resistor. Fecha: toda a energia mecânica entregue à barra sai em calor no resistor. Solte a barra e ela desacelera sozinha até parar; a força de frenagem é proporcional à velocidade (F=B2L2v/R), e por isso ela nunca para de repente, só vai perdendo velocidade cada vez mais devagar.
A barra em trilhos: a área do circuito cresce, o fluxo (para dentro do papel) cresce, a corrente induzida circula no sentido anti-horário para criar campo saindo do papel, e a força magnética sobre a barra aponta contra a velocidade. A fem vale BLv; a potência mecânica de quem empurra é igual à potência elétrica dissipada. Diagrama autoral.
Qual lado entra em L?
Em ε=BLv, L mede o trecho de condutor que efetivamente varre as linhas de campo, perpendicular à velocidade. Num quadro retangular que entra numa região de campo andando na direção do lado maior, o lado que varre as linhas é o menor, que vai à frente; quem usa o lado maior erra com a fórmula certa. É o degrau do item de 2019: 0,25 m, não 0,80 m. E a velocidade tem de ser perpendicular ao campo: uma barra que se move ao longo das linhas de campo não cruza nenhuma e não tem fem.
O quadro que entra e sai: fem só enquanto a área imersa muda
A banca gosta de um cenário com começo, meio e fim: um quadro retangular de fio que atravessa, em velocidade constante, uma região de campo uniforme perpendicular ao seu plano. O item de 2019 deu os números, e eles merecem ser refeitos passo a passo: quadro de 0,25 m por 0,80 m, velocidade 0,40 m/s na direção do lado maior, região de campo de 0,15 T com 2 m de extensão na direção do movimento, desenhada com cruzes (campo para dentro do papel).
Enquanto entra. O lado da frente, de 0,25 m, cruza as linhas de campo; a área imersa cresce 0,25 × 0,40 = 0,10 m² a cada segundo; o fluxo cresce 0,15 × 0,10 = 0,015 Wb por segundo. Fem: ε=BLv=0,15×0,25×0,40=0,015 V, quinze milivolts, constante durante toda a entrada. A entrada dura 0,80/0,40=2 s. Sentido: o fluxo para dentro do papel cresce; a corrente induzida cria campo para fora do papel, circulando no sentido anti-horário.
Enquanto está todo dentro. Os dois lados menores estão dentro do campo; a área imersa é a área toda e não muda; o fluxo é constante; fem zero, corrente zero, embora o campo atravesse o quadro inteiro. O quadro precisa andar 2−0,80=1,2 m até o lado da frente alcançar a outra borda: 1,2/0,40=3 s sem corrente.
Enquanto sai. A área imersa diminui à mesma taxa; a fem tem o mesmo módulo, 0,015 V, e o sentido invertido (fluxo caindo, campo induzido a favor, corrente horária). Outros 2 s.
Total com corrente: 2 + 2 = 4 s, num percurso que dura 7 s. A opção “5 s” do item era a isca: o tempo que o quadro leva para atravessar a região inteira (2 m dividido por 0,40 m/s), que só serve para quem acha que fluxo constante induz alguma coisa. E o tipo B do mesmo bloco pedia a fem em volt multiplicada por 1 000: 15.
O quadro do PAS/UnB de 2019 em três atos: entrando (fem de 15 mV por 2 s, corrente anti-horária), todo dentro (3 s sem fem, apesar do campo) e saindo (15 mV por 2 s, corrente horária). Há corrente durante 4 dos 7 s de travessia; o lado que varre as linhas é o de 0,25 m. Diagrama autoral.
O princípio do gerador: a espira que gira e a fem senoidal
O terceiro jeito de variar o fluxo é o que sustenta a rede elétrica. Uma espira de área A gira com velocidade angular ω em torno de um eixo no seu plano, dentro de um campo uniforme B perpendicular ao eixo. O ângulo entre a normal da espira e o campo cresce uniformemente, θ=ωt, e o fluxo oscila:
Φ=BAcos(ωt)
O fluxo vai de +BA (campo de frente) a zero (campo rasante) a −BA (espira de costas) e volta, uma vez por volta. A fem é a taxa de variação desse fluxo, e a taxa de variação de um cosseno é um seno: para N espiras,
ε=NBAωsen(ωt),εmax=NBAω
A curva da fem é uma senoide com a mesma frequência da rotação e um quarto de volta atrasada em relação ao fluxo: a fem é máxima quando o fluxo é zero (campo rasante, mas as linhas estão sendo cruzadas o mais depressa possível) e zero quando o fluxo é máximo (campo de frente, mas por um instante o fluxo para de mudar). É a mesma relação entre posição e velocidade num movimento oscilatório. A corrente que sai inverte o sentido a cada meia-volta: é a corrente alternada, e no Brasil a rede oscila a 60 ciclos por segundo, f=60 Hz, ω=2πf≈377 rad/s (uma espira com um só par de polos daria 60 voltas por segundo; os geradores das usinas têm dezenas de pares de polos e giram bem mais devagar para a mesma frequência).
O gerador em uma frase
Espira girando em campo uniforme tem fluxo Φ=BAcosωt e fem ε=NBAωsenωt: alternada, com amplitude proporcional ao número de espiras, ao campo, à área e à velocidade de rotação, e com a fem máxima nos instantes em que o fluxo é nulo. Girar mais depressa aumenta a fem e a frequência. Usina hidrelétrica, termelétrica, nuclear ou eólica: muda apenas a máquina que põe a espira a girar.
Exemplo resolvido 4: o gerador de bancada. Uma bobina de 100 espiras e 100 cm² gira a 60 Hz num campo de 0,2 T. Fem máxima?
A=100cm2=10−2m2; ω=2π×60≈377 rad/s; εmax=NBAω=100×0,2×10−2×377≈75 V. Conferência pela fem média num quarto de volta: de θ=0 a 90∘ o fluxo cai de BA=2×10−3 Wb a zero em T/4=(1/60)/4≈4,2×10−3 s; fem média por espira 2×10−3/4,2×10−3≈0,48 V; vezes 100 espiras, 48 V. A média é menor que o pico de 75 V (a razão 2/π≈0,64 é a de qualquer senoide), e a ordem de grandeza fecha. Para dobrar a fem, dobre N, B, A ou a rotação; o item de 2010 do gerador comercial julgava exatamente essas alavancas e a terceira via de Faraday, manter a bobina fixa e variar o campo.
O princípio do gerador: a espira gira, o fluxo oscila como um cosseno e a fem, como um seno, um quarto de volta atrasada. A fem é máxima quando o fluxo é zero (as linhas estão sendo cruzadas o mais depressa possível) e zero quando o fluxo é máximo. A amplitude é NBAω: mais espiras, mais campo, mais área ou mais rotação. Diagrama autoral.
Daqui em diante é máquina, e máquina tem página própria: o alternador com anéis coletores, o dínamo com comutador que entrega corrente contínua, o motor que é o gerador ao contrário, e o transformador, que é o anel de Faraday industrializado: duas bobinas no mesmo núcleo de ferro, corrente alternada na primária, fluxo oscilante no núcleo, fem induzida na secundária, com as tensões na razão do número de espiras e a potência conservada. Fique com o que é indução pura: transformador só funciona com corrente alternada, porque corrente contínua constante dá fluxo constante e fem zero na secundária; e o efeito de uma bobina sobre a outra, que a experiência do anel mostrou, chama-se indução mútua.
Ler figuras e gráficos: cruzes, ímãs, bobinas e curvas
Metade dos itens de indução se decide numa figura. Os moldes:
Região de cruzes e um quadro ou barra. As cruzes são o campo para dentro do papel; o que importa é se a área imersa está mudando. Quadro parado: nada. Quadro inteiro dentro, andando: nada (2019, opção “5 s”). Quadro com um lado cruzando a borda: fem BLv com L o lado que cruza. Barra em trilhos: a área do circuito cresce ou diminui com a barra. Para o sentido, decida se o fluxo (para dentro) cresce ou cai e aplique Lenz: crescendo, corrente anti-horária (campo induzido para fora); caindo, horária.
Ímã e bobina. Veja qual polo está voltado para a bobina e se ele se aproxima ou se afasta. Aproximando, a face da bobina vira o mesmo polo e repele; afastando, vira o polo oposto e atrai. A corrente é anti-horária vista da face norte. Se a figura marca a corrente e pede o movimento, leia ao contrário. Se a figura mostra duas bobinas lado a lado com uma lâmpada (2016), a lâmpada só acende enquanto a corrente da primeira bobina muda, ou enquanto uma delas se move.
Gráfico de Φ×t ou de B×t. A fem é a inclinação (vezes NA no caso de B). Reta subindo: fem constante negativa (ou positiva, conforme a convenção); patamar: zero; reta descendo: fem de sinal oposto; mais íngreme, maior. Curva senoidal de fluxo: fem senoidal defasada de um quarto de período, máxima nos zeros do fluxo.
A espira do motor ou do gerador. Localize o plano da espira e a direção do campo: plano perpendicular ao campo, fluxo máximo (2017); plano contendo o campo, fluxo zero. Numa espira girando, a fem é máxima na posição de fluxo zero.
Como a banca pergunta
Nas 18 provas da 3.ª etapa de 2008 a 2025, a indução rendeu sete itens em seis provas (2016, 2017, 2019, 2022, 2024 e 2025), nos três formatos: quatro de certo/errado, um de resposta numérica e dois de múltipla escolha. Está entre os assuntos do bloco de magnetismo mais presentes na janela recente: três das quatro últimas provas trouxeram um item de Faraday ou Lenz, e 2025, a única prova sob a matriz vigente, trouxe um. Os moldes:
Variação, não intensidade (2016, item 115). “Corrente será gerada apenas se a espira for submetida a um campo constante no tempo”: errado, é o contrário. A figura das duas bobinas com a lâmpada era cenário, não dado.
Lenz como conservação de energia (2022, item 83; 2024, item 120). A corrente que “retroalimenta” o campo e “cresce de forma exponencial” (errado) e o ímã levado em direção a uma bobina de terminais ligados, com quatro opções em que só “campo induzido que tende a diminuir o campo do ímã” sobrevive (B). Julgamento conceitual puro, sem conta.
O quadro na região de campo (2019, itens 101 e 102). Tipo C: tempo com corrente induzida, 2 s entrando + 2 s saindo = 4 s (B), com a isca dos 5 s da travessia inteira. Tipo B: fem =0,15×0,25×0,40=0,015 V, vezes 1 000, marcação 015; o degrau é escolher o lado de 0,25 m.
O fluxo na espira do motor (2017, item 99). “Fluxo máximo com os lados menores paralelos ao eixo x”: certo, porque nessa posição o plano da espira é perpendicular ao campo. Geometria de Φ=BAcosθ, com o texto-base do bonde partilhado com os itens de corrente e de força.
Ampère contra Faraday (2025, item 86). “Caso as correntes sejam estacionárias, então, conforme a lei da indução de Faraday, elas não gerarão campos magnéticos”: errado. Uma corrente estacionária produz, sim, um campo magnético, constante, e quem o descreve é a lei de Ampère; Faraday cuida do caminho inverso, o fluxo que varia e gera fem. O item pegou o nome de uma lei e colou nele a conclusão (negada) da outra: diante de item que cita uma lei pelo nome, enuncie primeiro o que essa lei de fato afirma.
O padrão é nítido. A banca cobra a exigência de variação (campo constante não induz), o sentido pela lei de Lenz e sua ligação com a energia (a induzida se opõe; a retroalimentação é moto-perpétuo), a fem de movimento com o comprimento certo e a geometria do fluxo. Nas usinas, a mesma física volta como gerador (“girar enormes espiras condutoras em um potente campo magnético, gerando-se corrente elétrica devido à variação de fluxo magnético”, 2025, certo) e como contraste com as correntes não estacionárias que irradiam ondas eletromagnéticas.
Os erros que mais custam item
Dez confusões e a correção de cada uma
“Campo magnético gera corrente.” Gera a variação do fluxo; campo constante atravessando um circuito parado não produz fem nenhuma (2016/115).
“Quanto maior o campo, maior a fem.” A fem é NΔΦ/Δt: depende da rapidez da variação, não do valor do fluxo. Um gráfico com patamar alto tem fem zero no patamar.
“O ângulo do fluxo é com o plano da espira.” É com a normal. Plano a 30° do campo é normal a 60°: cos60∘, não cos30∘. Campo de frente, fluxo máximo; rasante, zero (2017/99).
“A corrente induzida cria campo sempre contrário ao do ímã.” Contrário à variação: ímã se aproximando, contrário; se afastando, a favor. “Sempre no mesmo sentido” também é errado (2024/120, opção D).
“A corrente induzida retroalimenta o campo que a gerou.” É a máquina de energia grátis de 2022/83: viola a conservação de energia. A induzida se opõe.
“Não há corrente porque não há bateria.” A fem induzida dispensa fonte: a energia vem de quem move o ímã (2024/120, opção A).
“Em BLv vale qualquer lado.” Vale o lado que cruza linhas de campo, perpendicular à velocidade: 0,25 m, não 0,80 m (2019/102 dá 15, não 48).
“Há corrente durante toda a travessia.” Só enquanto a área imersa muda: entrando e saindo, não com o quadro inteiro dentro (2019/101 dá 4 s, não 5 s).
“A lei de Faraday diz que corrente constante não gera campo.” Faraday não fala disso; corrente constante gera campo pela lei de Ampère; Faraday é fluxo variável gerando fem (2025/86).
“Esquecer o N” e “fem máxima quando o fluxo é máximo”. A bobina multiplica a fem por N; e no gerador a fem é máxima quando o fluxo é zero, porque é aí que ele muda mais depressa.
O essencial em meia página
Fluxo: Φ=BAcosθ, θ com a normal; weber (1 Wb = 1 T·m²). Máximo de frente (θ=0), zero rasante (θ=90∘). Três jeitos de variar: B (ímã, bobina vizinha), A (quadro entrando, barra em trilhos), θ (gerador).
Faraday (1831): anel com duas bobinas, ímã na bobina, disco. Corrente induzida só enquanto o fluxo varia; mais rápido, maior; inverte quando a variação inverte; tanto faz quem se move.
Lei de Faraday: ∣ε∣=NΔΦ/Δt (fem média); i=ε/R. Gráfico Φ×t: fem = inclinação com sinal trocado; patamar, zero. 200 espiras, 10−3 Wb em 0,1 s → 2 V.
Lenz: a induzida se opõe à variação (não ao campo). Fluxo crescendo, campo induzido contrário; caindo, a favor. Ímã N se aproximando → face N, repele, corrente anti-horária vista do ímã; afastando → face S, atrai. É conservação de energia: a “retroalimentação” é moto-perpétuo (2022).
Foucault: correntes em redemoinho em chapas e discos; fogão de indução (panela ferromagnética), freio magnético, detector de metais, ímã lento no tubo de cobre; custo nos núcleos (laminar).
Fem de movimento: ε=BLv, L = lado que cruza linhas. Barra em trilhos: i=BLv/R, F=B2L2v/R contra o movimento, Pmec=Fv=ε2/R. 0,2 T, 0,5 m, 3 m/s, 0,1 Ω → 0,3 V, 3 A, 0,3 N, 0,9 W.
Quadro de 2019: entra 2 s (15 mV, anti-horária), dentro 3 s (zero), sai 2 s (15 mV, horária): 4 s com corrente; marcação 015.
Gerador: Φ=BAcosωt, ε=NBAωsenωt, εmax=NBAω; fem máxima no fluxo zero; 60 Hz → ω≈377 rad/s. 100 espiras, 0,2 T, 10−2 m², 60 Hz → 75 V de pico.
Aplicações: carregador sem fio, cartão de aproximação, microfone dinâmico, captador de guitarra, lanterna de sacudir, dínamo, fogão de indução, transformador (só CA; indução mútua).
Nomeie a via: corrente (mesmo constante) gera campo = Ampère; fluxo variável gera fem = Faraday (2025/86).
Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.
Flashcards temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar os cartões de revisão.
Indução eletromagnética (e experimentos de Faraday)
Khan Academy Brasil · 11:30
Introdução. Onze minutos e meio em que, segundo a descrição do canal, “vamos aprender como produzir corrente elétrica sem baterias” e “recriar os dois experimentos de Faraday que o permitiram fazer isso”. É a seção “As experiências de Faraday: o que 1831 mostrou” em vídeo: o ímã na bobina e a bobina com corrente, e a conclusão de que só a variação induz. Assista antes de ler a lei de Faraday.
Aprofundamento no fluxo. Vinte e cinco minutos em que, nas palavras da descrição do autor, ele discute “em detalhes o fluxo magnético em espiras e a consequência da variação desse fluxo para a produção de corrente elétrica”. Cobre as seções “O fluxo magnético: quanto campo atravessa a espira” e “Três jeitos de variar o fluxo”, com o ângulo medido em relação à normal, que é a armadilha do item de 2017.
Lei de Lenz - Indução eletromagnética - Eletromagnetismo - Aula 11 - Prof. Marcelo Boaro
Professor Boaro · 30:05
Aprofundamento na lei de Lenz. Trinta minutos da aula seguinte da mesma série; a descrição do autor diz que o vídeo discute “o fluxo magnético em espiras, a consequência da variação desse fluxo para a produção de corrente elétrica” e “também em detalhes a Lei de Lenz”. É a seção “A lei de Lenz: a corrente induzida se opõe à mudança”: o sentido da corrente com o ímã se aproximando e se afastando, que decidiu o item de 2024.
Lei de Indução de Faraday
Laboratório de Física Experimental Básica - UFMG · 9:58
Demonstração. Dez minutos do laboratório de Física Experimental Básica do Departamento de Física da UFMG, com o roteiro do experimento “Lei de Indução de Faraday” linkado na descrição (fisica.ufmg.br/ciclo-basico). É a lei de Faraday medida na bancada: bobinas, ímã, a fem lida enquanto o fluxo varia e zero quando para. Complementa as seções da lei de Faraday e da leitura de gráficos.
PAS 3 | Física | Eletromagnetismo - Indução Eletromagnética | Prova de 2019 - Questão 102
PAS Digital · 6:30
Resolução. Seis minutos e meio com a “resolução da questão 102 da prova do PAS 3 de 2019”, segundo a descrição do canal: é o tipo B da fem de movimento desta página (quadro de 0,25 × 0,80 m a 0,40 m/s em 0,15 T, marcação 015), da seção “O quadro que entra e sai”. Use depois dos exemplos resolvidos e antes de resolver os itens de 2019 na aba de exercícios.
A experiência de Faraday numa bancada: enquanto o ímã se move, o ponteiro desvia; parado o ímã, o ponteiro volta ao zero. É a variação do fluxo, e não o campo, que gera corrente. É o assunto desta página.O fluxo Φ = BA cos θ conta as linhas de campo que atravessam a espira (θ é o ângulo com a normal, não com o plano). Há três jeitos de variá-lo, e cada um é um molde de item: mudar o campo (ímã se aproximando, corrente variando numa bobina vizinha), mudar a área imersa (quadro entrando ou saindo do campo, barra em trilhos) ou girar a espira (o gerador). Diagrama autoral.As três montagens de Faraday em 1831: o anel de ferro com duas bobinas (corrente induzida só ao ligar e ao desligar a primeira), o ímã que entra e sai de uma bobina (corrente só enquanto há movimento) e o disco girando num campo (corrente contínua enquanto gira). Em todas, o que produz corrente é a variação do fluxo, não o campo. Diagrama autoral.A fem é a inclinação do gráfico de fluxo contra tempo, com o sinal trocado: subida uniforme, fem constante; patamar, fem zero, por mais alto que seja; queda duas vezes mais rápida, fem duas vezes maior e de sinal oposto. É o molde de item com gráfico. Diagrama autoral.A situação do item de 2024 do PAS/UnB, lida com Lenz: ímã chegando, fluxo em alta, corrente induzida com campo contrário, e a extremidade da bobina que encara o ímã se comporta como norte e o empurra para longe. Ímã recuando, fluxo em baixa, campo induzido no mesmo sentido, extremidade comportando-se como sul e puxando o ímã de volta. A energia dissipada pela corrente induzida sai, nos dois casos, do trabalho da mão que move o ímã. Diagrama autoral.O ímã no tubo de cobre: os anéis abaixo repelem (fluxo crescendo), os acima atraem (fluxo caindo), e o ímã desce em velocidade terminal, aquecendo o tubo. As mesmas correntes de Foucault, em chapas e discos, aquecem a panela do fogão de indução, freiam trens e montanhas-russas e denunciam a moeda no detector de metais. Diagrama autoral.A barra em trilhos: a área do circuito cresce, o fluxo (para dentro do papel) cresce, a corrente induzida circula no sentido anti-horário para criar campo saindo do papel, e a força magnética sobre a barra aponta contra a velocidade. A fem vale BLv; a potência mecânica de quem empurra é igual à potência elétrica dissipada. Diagrama autoral.O quadro do PAS/UnB de 2019 em três atos: entrando (fem de 15 mV por 2 s, corrente anti-horária), todo dentro (3 s sem fem, apesar do campo) e saindo (15 mV por 2 s, corrente horária). Há corrente durante 4 dos 7 s de travessia; o lado que cruza linhas de campo é o de 0,25 m. Diagrama autoral.O princípio do gerador: a espira gira, o fluxo oscila como um cosseno e a fem, como um seno, um quarto de volta atrasada. A fem é máxima quando o fluxo é zero (as linhas estão sendo cruzadas o mais depressa possível) e zero quando o fluxo é máximo. A amplitude é NBAω: mais espiras, mais campo, mais área ou mais rotação. Diagrama autoral.Dois tubos, dois ímãs soltos ao mesmo tempo: no PVC, queda livre; no cobre, descida lenta. Os anéis do tubo condutor reagem à passagem do ímã com correntes induzidas que, pela lei de Lenz, o freiam.O dínamo da bicicleta: o pneu gira um ímã dentro de uma bobina, o fluxo oscila e a fem induzida acende o farol. Parou a roda, apagou a luz, embora o ímã continue lá.O anel de Faraday sem o anel: uma bobina na base com corrente alternada de dezenas a centenas de quilohertz, outra no celular, e a fem induzida carrega a bateria sem contato elétrico.O captador é um ímã envolto por uma bobina: a corda de aço, imantada, vibra e varia o fluxo na bobina, que induz a fem que vira o som. Corda de náilon não se imanta e não funciona.No fogão de indução, a panela é a espira: o campo oscilante da bobina sob o vidro induz correntes de Foucault no fundo metálico, que esquenta por efeito Joule. O vidro, isolante, continua frio o bastante para o gelo não derreter.O princípio do gerador em escala industrial: polos magnéticos girando diante de bobinas fixas fazem o fluxo oscilar e induzem a corrente alternada de 60 Hz da rede. Mais espiras, mais campo, mais área ou mais rotação, mais fem.
Rota PAS 3
Magnetismo e eletromagnetismo: do ímã à ressonância magnética · PAS 3
Fontes desta página
Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.
Rota PAS 3 — Magnetismo e eletromagnetismo: do ímã à ressonância magnética · Faraday e Lenz: campo em variação gera corrente (conceito: Φ = BA cos θ, lei de Faraday, lei de Lenz, três maneiras de variar o fluxo, fem de movimento BLv; exemplo-guia do quadro de 0,25 × 0,80 m; itens 2019/101, 2022/83; figura da lei de Lenz; armadilha 'intensidade não induz; variação induz'); A força sobre um fio com corrente (só o item 2017/99, o fluxo máximo na espira do motor de bonde); Leia como na prova (item 2025/94, reusado da página de geração); Como a banca cobra (itens 2025/86, 2024/120, 2019/102 e o histórico 'Indução: Faraday e Lenz'); Banco de treino (T9 a T14)
Recorte por assunto: desta seção a página toma a indução eletromagnética inteira (fluxo, Faraday, Lenz, fem de movimento, princípio do gerador). O campo criado por correntes está em campo-magnetico-de-correntes; a força sobre cargas e fios e o motor ficam na página de força magnética; dínamo, alternador e transformador como máquinas (rendimento, relação de espiras, transmissão) ficam na página de motores e transformadores. A página acrescenta, ausentes do capítulo, as três experiências de Faraday de 1831, a leitura de gráficos Φ × t e B × t, o fator N da bobina, a força de frenagem e o balanço de potência da barra em trilhos, o ímã no tubo de cobre, as correntes de Foucault e suas aplicações, a fem senoidal do gerador e as aplicações cotidianas.
Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cebraspe) · PAS 3 2025 (item 86, p. 11 do PDF, bloco dos circuitos 1 e 2 da UFPR); 2024 (item 120, p. 16, tipo C sem figura); 2022 (item 83, p. 12); 2019 (itens 101 e 102, p. 13, figura do quadro de 0,8 × 0,25 m entrando na região de 2 m de campo); 2016 (item 115, caderno Fantasia, p. 20 do PDF, impressa 19, figura I das duas bobinas); 2017 (item 99, caderno Liberdade, p. 16 do PDF, impressa 15, cifrado no texto, transcrito da imagem da figura do motor de bonde)
Itens reproduzidos verbatim dos cadernos em texto e conferidos na imagem dos PDFs em utils/material/PAS/provas/ rasterizados a 130 dpi, figuras a 300 dpi; gabaritos conferidos nos arquivos GAB (2025: 86 E; 2024: 120 B; 2022: 83 E; 2019: 101 B, 102 = 015; 2016: 115 E; 2017: 99 C) e em utils/material/PAS/pesquisa/classificacao-pas3/AAAA.json. As figuras impressas foram descritas em texto neutro, nomeando rótulos e sentidos.