A norma de acessibilidade diz que uma rampa não pode subir mais de 1 metro a cada 12 de avanço, e a prova do PAS transformou isso em três itens sem citar a palavra tangente. Como um ângulo vira uma razão entre dois comprimentos, e como essa razão devolve uma altura, uma distância ou um ângulo que ninguém pode medir diretamente?
O que você vai aprender
Definir seno, cosseno e tangente de um ângulo agudo como razões entre lados do triângulo retângulo e explicar, por semelhança, por que elas não dependem do tamanho do triângulo.
Identificar cateto oposto e cateto adjacente em relação ao ângulo escolhido, e não em relação ao desenho, antes de escrever qualquer razão.
Deduzir a tabela de 30°, 45° e 60° a partir da metade do quadrado e da metade do triângulo equilátero, e usar sen² + cos² = 1, tg = sen/cos e a relação entre ângulos complementares.
Resolver um triângulo retângulo a partir de um lado e um ângulo ou de dois lados, incluindo rampas (inclinação como tangente, NBR 9050), ângulos de elevação e distâncias inacessíveis, com os valores que o enunciado fornece.
Aplicar a lei dos cossenos quando se conhecem dois lados e o ângulo entre eles ou os três lados, lendo o sinal do cosseno, e a lei dos senos quando se conhecem um lado e o ângulo oposto, reconhecendo o caso ambíguo.
Calcular a área de um triângulo por ½ab·sen C e decidir, pelos dados disponíveis, qual ferramenta usar: Pitágoras, razão trigonométrica, lei dos senos ou lei dos cossenos.
Em dezembro de 2023, a prova do PAS 1 reproduziu um trecho da norma de acessibilidade NBR 9050 e sua tabela: uma rampa com desnível entre 20 cm e 80 cm não pode ter inclinação acima de 8,33 %, “1:12”, e a inclinação é definida como i=h/c, a altura do desnível dividida pela projeção horizontal. Três itens saíram dali. Um deles perguntava se, para vencer 40 cm, a projeção horizontal precisaria passar de 4 m. A palavra “tangente” não aparece em lugar nenhum do texto, mas é exatamente dela que se trata: a inclinação de uma rampa é a razão entre o que sobe e o que avança, e essa razão depende só do ângulo que a rampa faz com o chão. Rampa de 12 m de avanço e 1 m de subida ou rampa de 24 m e 2 m: mesmo ângulo, mesma razão, mesma inclinação.
É esse o assunto desta página. Escolha um dos ângulos agudos de um triângulo retângulo: cada quociente entre dois lados fica amarrado a esse ângulo, e não ao tamanho da figura. Esses quocientes têm nome (seno, cosseno, tangente) e uma tabela curta que se deduz em um minuto. Com elas, um ângulo medido com um transferidor e uma distância medida com uma trena devolvem a altura de um prédio, a largura de um rio, o comprimento de uma haste, o ângulo de visada de um satélite. Quando o triângulo não tem ângulo reto, duas leis fazem o mesmo serviço: a lei dos senos e a lei dos cossenos. O teorema de Pitágoras e a semelhança de triângulos entram aqui como ferramentas, e têm páginas próprias; o círculo trigonométrico, os radianos e as funções seno e cosseno ficam para as páginas seguintes.
Por que uma razão entre lados só depende do ângulo
Desenhe um ângulo agudo θ com vértice em A e, sobre um dos lados, marque pontos B1, B2, B3 a distâncias diferentes de A. De cada um deles, baixe a perpendicular ao outro lado do ângulo. Nascem três triângulos retângulos, um dentro do outro, todos com o ângulo θ em A e o ângulo reto no pé da perpendicular. Dois ângulos iguais bastam: os três triângulos são semelhantes (critério AA), e em triângulos semelhantes as razões entre lados correspondentes são iguais. A razão “cateto de frente para θ dividido por hipotenusa” dá o mesmo número nos três triângulos, seja o triângulo do tamanho de uma folha ou do tamanho de um quarteirão.
Esse número é, portanto, uma propriedade do ângulo, não do triângulo. É isso que autoriza dar nome a ele.
Seno, cosseno e tangente de um ângulo agudo
Num triângulo retângulo, escolhido um ângulo agudo θ, chame de hipotenusa o lado oposto ao ângulo reto (o maior), de cateto oposto o lado de frente para θ e de cateto adjacente o cateto que forma θ junto com a hipotenusa. As três razões são:
seno: senθ=hipotenusacateto oposto;
cosseno: cosθ=hipotenusacateto adjacente;
tangente: tgθ=cateto adjacentecateto oposto.
Pense numa rampa com θ no pé: para cada metro percorrido sobre ela, o seno diz quantos metros se ganham em altura e o cosseno quantos se ganham no chão; a tangente compara as duas coisas, altura ganha por metro de chão, e por isso é a medida de quão íngreme a rampa é. Como os catetos são menores que a hipotenusa, 0<senθ<1 e 0<cosθ<1; a tangente pode ser qualquer número positivo.
O mesmo triângulo 3-4-5, dois ângulos, duas listas de razões. Oposto e adjacente são nomes relativos ao ângulo escolhido, não ao desenho: o cateto vertical é oposto a θ e adjacente ao outro ângulo agudo. Diagrama autoral.
No triângulo de catetos 3 e 4 e hipotenusa 5, com θ no vértice entre o cateto 4 e a hipotenusa: senθ=3/5=0,6, cosθ=4/5=0,8, tgθ=3/4=0,75. Troque o ângulo de referência pelo outro ângulo agudo e as razões trocam de lugar: seno 0,8, cosseno 0,6, tangente 4/3. É o cuidado que decide a maior parte dos itens: marque o ângulo na figura antes de escrever a razão, e pergunte “oposto a quem?”.
"O cateto vertical é o oposto"
Não existe cateto oposto em absoluto; existe cateto oposto a um ângulo. Numa rampa, o desnível vertical é oposto ao ângulo do pé da rampa e adjacente ao ângulo do topo. Em 2011, a prova do PAS 2 desenhou um espelho côncavo com o foco em F=(0,2a), a borda em B=(23a,0) e um ângulo α em B, e perguntou se cosα>2/2. Quem tomou α como o ângulo entre FB e o eixo horizontal achou tgα=2a/(23a)=1/3, α=30∘, e marcou certo. Na figura, porém, α estava entre FB e a reta vertical que passa por B: tgα=23a/(2a)=3, α=60∘, cosα=1/2, e o item era errado. A figura manda; o nome do cateto vem depois dela.
Três outras razões aparecem de vez em quando com nome próprio: a secantesecθ=1/cosθ (hipotenusa sobre adjacente), a cossecantecossecθ=1/senθ e a cotangentecotgθ=1/tgθ. Nenhuma delas é um conceito novo: são as mesmas razões invertidas. A prova já as usou como distrator: em 2012, o estádio olímpico de Londres virou um tronco de cone de 30 m de altura; a parede inclinada (a geratriz) formava um ângulo α com a vertical, a borda de cima ficava deslocada b−a na horizontal em relação à de baixo, e o item afirmava 30secα=b−a. No triângulo retângulo da seção, o cateto oposto a α é o horizontal, b−a, e o adjacente é o vertical, 30: a relação certa é 30tgα=b−a. A secante daria a geratriz, não o deslocamento. Item errado.
Três ângulos resolvem quase tudo: a tabela deduzida
Qualquer valor de seno, cosseno ou tangente fora de três ângulos é fornecido pelo enunciado. Esses três, 30∘, 45∘ e 60∘, saem de duas figuras que você sabe desenhar.
A tabela inteira cabe em duas figuras: metade de um quadrado de lado 1 (diagonal 2) e metade de um triângulo equilátero de lado 2 (altura 3). Diagrama autoral.
Metade do quadrado. Um quadrado de lado 1 tem diagonal 12+12=2. A diagonal o divide em dois triângulos retângulos isósceles, com ângulos de 45∘. Para qualquer um dos ângulos de 45∘: oposto 1, adjacente 1, hipotenusa 2. Logo sen45∘=cos45∘=1/2=2/2≈0,707 e tg45∘=1. Tangente 1 significa “sobe tanto quanto avança”: um telhado a 45∘ sobe 1 m a cada metro horizontal.
Metade do triângulo equilátero. Um triângulo equilátero de lado 2 tem três ângulos de 60∘. A altura cai no ponto médio da base, cria dois triângulos retângulos com cateto 1 (metade da base), hipotenusa 2 e cateto maior 22−12=3. O ângulo do topo foi dividido ao meio: 30∘. Para o ângulo de 30∘, o oposto é 1 e o adjacente é 3; para o de 60∘, é o contrário.
Ângulo
seno
cosseno
tangente
30∘
21=0,5
23≈0,866
33≈0,577
45∘
22≈0,707
22≈0,707
1
60∘
23≈0,866
21=0,5
3≈1,732
Os dois irracionais da tabela aparecem de dois jeitos. Quando o item fica na forma exata (ℓ3/2, 23a), nada é aproximado. Quando o item pede um número, o enunciado fornece a aproximação (“assumindo 1,73 como o valor aproximado de 3”, na prova do PAS 1 de 2014), e os valores usuais são 2≈1,4 e 3≈1,7 ou 1,73. Se o enunciado diz “sen60∘=0,85”, ele está arredondando 0,866; use o valor que ele deu, porque o limiar do item foi calibrado com ele.
Repare no que a tabela mostra: o seno cresce com o ângulo (de 0,5 a 0,866), o cosseno decresce e a tangente cresce depressa, passando de 1 em 45∘. Mas o crescimento não é proporcional: dobrar o ângulo de 30∘ para 60∘ leva o seno de 0,5 a 0,866, não a 1. Um cabo de 20 m esticado do topo de um poste até o chão, a 30∘ com o solo, revela um poste de 20×0,5=10 m; a 60∘, o poste teria 20×0,866≈17,3 m, e não 20 m.
Três relações que a tabela já cumpre
Relação fundamental, tangente como quociente e ângulos complementares
Chame a hipotenusa de a e os catetos de b e c, com θ de frente para b. Pitágoras garante b2+c2=a2. Dividindo tudo por a2:
(ab)2+(ac)2=1⟹sen2θ+cos2θ=1.
Dividindo o seno pelo cosseno, a hipotenusa cancela:
cosθsenθ=c/ab/a=cb=tgθ.
E, como os dois ângulos agudos somam 90∘, o cateto oposto a um é o adjacente ao outro:
senθ=cos(90∘−θ),cosθ=sen(90∘−θ),tgθ=tg(90∘−θ)1.
Confira na tabela: 0,52+0,8662=0,25+0,75=1; 0,5/0,866=0,577, que é tg30∘; e sen30∘=cos60∘=0,5. A primeira relação serve para achar o cosseno quando só o seno é dado: se senθ=3/5, então cos2θ=1−9/25=16/25 e cosθ=4/5, sem desenhar nada. A terceira foi um item inteiro em 2014: a prova do PAS 1 desenhou um raio de luz saindo do ponto A, no eixo x, até o ponto B, no eixo y, e definiu α como o ângulo entre AB e a horizontal e β como o ângulo entre AB e o eixo y. Se senα=3/5, então senβ=4/5? Sim: α e β são os dois ângulos agudos do mesmo triângulo retângulo ABO, e o seno de um é o cosseno do outro, cosα=1−9/25=4/5. Item certo.
O seno não acompanha o ângulo na mesma proporção, e seno de soma não é soma de senos
sen60∘=2sen30∘ e sen(30∘+45∘)=sen30∘+sen45∘ (o primeiro vale cerca de 0,966; a soma daria 1,207, maior que 1, o que seno nenhum é). As razões não são proporcionais ao ângulo. Fora dos três ângulos da tabela, o valor vem do enunciado, e as fórmulas de soma de arcos pertencem a outra página. Quando a prova quer uma delas, ela a fornece: em 2016, um item deu tg(A−B)=1+tgA⋅tgBtgA−tgB no próprio texto e pediu só a leitura de dois coeficientes angulares num gráfico.
Um lado e um ângulo devolvem o triângulo inteiro
Resolver um triângulo retângulo é encontrar os lados e os ângulos que faltam a partir dos que se conhecem. Há dois casos, e um roteiro para cada um.
Caso 1: um lado e um ângulo agudo. O outro ângulo agudo é 90∘ menos o dado. Para cada lado que falta, escolha a razão que liga o lado conhecido ao lado procurado: lado procurado oposto e hipotenusa conhecida, seno; adjacente e hipotenusa, cosseno; os dois catetos, tangente. Depois, Pitágoras confere.
Exemplo resolvido 1: a escada. Uma escada de 6 m está apoiada numa parede, fazendo 60∘ com o chão. A que altura ela toca a parede, e a que distância da parede está o pé da escada? Use 3=1,73.
Estratégia: a escada é a hipotenusa; a altura é o cateto oposto ao ângulo de 60∘ (que está no chão); a distância ao pé da parede é o cateto adjacente.
Resolução: altura =6⋅sen60∘=6⋅0,866≈5,2 m (exatamente 33). Distância =6⋅cos60∘=6⋅0,5=3 m.
Conferência:32+5,22=9+27=36=62. Fecha. E a leitura faz sentido: a 60∘ a escada está “em pé”, sobe mais do que avança.
Caso 2: dois lados. Pitágoras dá o terceiro lado. Para o ângulo, calcule a razão correspondente e compare com a tabela ou com os valores fornecidos: a razão vem primeiro, o ângulo depois. Se a razão não está na tabela, o enunciado dá o valor, ou o item só pede uma comparação (“o ângulo é menor que 60∘?”), e aí basta saber em que sentido a razão cresce.
Exemplo resolvido 2: o ângulo da face da pirâmide. Em 2020, a prova do PAS 1 descreveu uma pirâmide reta de base quadrada com lado b=60 m e arestas laterais a=50 m, e afirmou que o ângulo entre uma face lateral e a base é menor que 60∘. Julgue.
Estratégia: o ângulo entre a face e a base é o ângulo, no triângulo retângulo formado pela altura da pirâmide, pelo apótema da base (30 m, metade do lado) e pelo apótema da face (altura do triângulo lateral), no vértice que fica sobre a base. Esse triângulo tem o apótema da face como hipotenusa.
Resolução: a face é um triângulo isósceles de lados 50, 50 e 60; sua altura, baixada ao meio da base, mede 502−302=1600=40 m (é o item vizinho, resolvido na página de Pitágoras). O ângulo φ procurado tem adjacente 30 (apótema da base) e hipotenusa 40 (apótema da face): cosφ=30/40=0,75. Como o cosseno decresce com o ângulo e cos60∘=0,5<0,75, o ângulo φ é menor que 60∘. Item certo.
Conferência:cos45∘≈0,707<0,75, então φ fica até abaixo de 45∘ (cerca de 41∘); a altura da pirâmide, 402−302≈26,5 m, confirma uma face relativamente deitada.
Onde a razão vem primeiro
Em 2025, um item (anulado pela banca, por razões que o gabarito não detalha) colocou um satélite a uma altura h=R(6+2−1) sobre a Terra, com R o raio do planeta, e definiu θ como o ângulo, no satélite, entre a vertical até o centro da Terra e a linha de visada que tangencia o horizonte. A tangente é perpendicular ao raio no ponto de contato, então o triângulo centro–satélite–ponto de tangência é retângulo, com hipotenusa R+h=R(6+2) e cateto oposto a θ igual a R. Logo senθ=6+21=46−2≈0,259, que é o seno de 15∘. Nenhuma tabela traz 15∘; mas, como 0,259 é bem menor que sen30∘=0,5, qualquer item do tipo “o ângulo é inferior a 30∘” se decide pela comparação. Primeiro a razão, depois o ângulo.
A tangente é a inclinação: rampas, telhados e a NBR 9050
Uma rampa que sobe h ao avançar c na horizontal tem inclinação i=h/c, a tangente do ângulo que ela faz com o chão. Engenheiros e normas escrevem essa razão em porcentagem (“8,33 %”) ou na forma “1:12” (um de subida para doze de avanço); as duas dizem a mesma coisa: 1/12≈0,0833=8,33%.
A rampa 1:12 da NBR 9050: a tangente do ângulo com o piso é 1/12≈0,083, e o ângulo mede cerca de 4,8∘. Quanto maior o desnível, mais suave (e mais longa) a rampa exigida. Diagrama autoral a partir da tabela da norma.
Inclinação de uma rampa
i=ch=tgθ,
em que h é o desnível (vertical), c é a projeção horizontal e θ é o ângulo com o piso. O comprimento da rampa é a hipotenusa, h2+c2, sempre um pouco maior que c. Inclinação em porcentagem é 100⋅h/c; “1:n” significa h/c=1/n. A tabela da NBR 9050 (ABNT, 2015), que regulamenta a acessibilidade prevista na Lei 10.098/2000: inclinação máxima de 10% (1:10) para desníveis até 20 cm; 8,33% (1:12) de 20 cm a 80 cm; 6,25% (1:16) de 80 cm a 1,00 m; 5% (1:20) de 1,00 m a 1,50 m.
Graus e porcentagem não são proporcionais, e vale ter uma ideia dos tamanhos: 5% é um ângulo de cerca de 2,9∘; 8,33%, de 4,8∘; 10%, de 5,7∘; 100% é 45∘, e não “vertical”. Uma rampa de 45∘ já é uma escada íngreme; a rampa acessível é quase plana, e é por isso que ela fica comprida.
Exemplo resolvido 3: o comprimento mínimo da rampa. No item de 2023 da abertura, a rampa precisava vencer um desnível de 40 cm. Pela tabela, a inclinação máxima é 8,33%=1/12. O item afirmava que a projeção horizontal c deveria ser superior a 4 m.
Estratégia: inclinação máxima significa h/c≤1/12, ou seja, c≥12h. Unidades iguais antes de qualquer conta.
Resolução:c≥12×0,40=4,8 m. Como 4,8>4, a afirmação se sustenta: certo.
Conferência: quem usa a faixa errada (1:10) acha c≥4,0 m e fica em dúvida no limiar; a faixa certa deixa 80 cm de folga. O outro item do bloco dava c=6 m e h=30 cm e perguntava se a rampa atendia à norma: i=0,30/6=0,05=5%, abaixo dos 8,33% permitidos para 30 cm; atende. Quem esqueceu de converter 30 cm em 0,30 m achou i=5 e concluiu o contrário.
O mesmo raciocínio serve para telhados (um telhado “de 30 %” sobe 30 cm por metro), estradas (a placa de “10 %” numa serra é tgθ=0,1), esteiras e até para a reta num gráfico: o coeficiente angular de uma função afim é a tangente do ângulo que a reta faz com o eixo horizontal. Foi assim em 2016: duas retas r=5t e r=3t (os raios de duas ondas sísmicas em função do tempo) formam um ângulo θ na origem; com a fórmula de tg(A−B) fornecida pelo item, tgθ=1+5⋅35−3=162=0,125, e a afirmação “tgθ<0,1” era falsa. A tangente de cada reta é o coeficiente angular; o resto é conta.
Medir o que não se alcança: alturas e distâncias por ângulos
Ninguém sobe num prédio com uma trena para medir sua altura. Mede-se a distância até a base, mede-se o ângulo de elevação (o ângulo entre a horizontal e a linha de visada até o topo) e a tangente faz o resto. Topógrafos usam um teodolito; em sala de aula, um transferidor com um canudo e um fio de prumo (um clinômetro) resolve.
Altura por ângulo de elevação (não esqueça a altura dos olhos) e largura de um rio por duas medidas na própria margem: um segmento e um ângulo. Diagrama autoral.
Exemplo resolvido 4: a altura do prédio. De um ponto a 40 m da base de um prédio, em terreno plano, uma pessoa cujos olhos estão a 1,6 m do chão vê o topo sob um ângulo de elevação de 30∘. Qual é a altura do prédio? Use 3=1,73.
Estratégia: o triângulo retângulo tem o cateto horizontal 40 (do olho até a vertical do prédio) e o cateto vertical igual à parte do prédio acima dos olhos. Dois catetos, um ângulo: tangente.
Resolução: parte acima dos olhos =40⋅tg30∘=40⋅33=340⋅1,73≈23,1 m. Altura do prédio ≈23,1+1,6=24,7 m.
Conferência: a 30∘ a altura deve ser bem menor que a distância (tangente 0,577): 23 contra 40, coerente. Esquecer os 1,6 m é o erro clássico; a prova costuma dar a altura do observador justamente para ver quem a usa.
Exemplo resolvido 5: a largura do rio. Para medir a largura de um rio sem atravessá-lo, marca-se um ponto A na margem, em frente a uma árvore T na margem oposta (de modo que AT seja perpendicular à margem), caminha-se 50 m ao longo da margem até um ponto B e mede-se, em B, o ângulo entre a margem e a visada até a árvore: 40∘. Dado tg40∘=0,84, qual é a largura?
Estratégia: o triângulo ABT é retângulo em A; a largura AT é o cateto oposto ao ângulo de 40∘ em B, e AB=50 é o adjacente.
Resolução:AT=50⋅tg40∘=50⋅0,84=42 m.
Conferência: a 45∘ a largura seria igual aos 50 m; a 40∘, um pouco menos. 42 m é coerente. Esse é o método de Tales para a pirâmide, com ângulo no lugar da sombra: a semelhança e a trigonometria são a mesma ideia com instrumentos diferentes.
Quando a visada é de cima para baixo (de um mirante para um barco, de um avião para a pista), o ângulo chama-se de depressão, medido a partir da horizontal para baixo. Como a horizontal do observador é paralela ao chão, o ângulo de depressão é igual ao ângulo de elevação visto do outro ponto (alternos internos), e a conta é a mesma.
A haste do Partenon
Em 2018, o PAS 1 reproduziu um mecanismo de obra: uma haste presa ao solo, sustentando uma massa, estabilizada por um cabo, com β o ângulo da haste com o chão. O item: “se a distância entre a extremidade superior da haste e o solo for igual a 10 m e o ângulo β for menor que 30∘, então o comprimento da haste será superior a 20 m”. A altura de 10 m é o cateto oposto a β e a haste é a hipotenusa: L=10/senβ. Com β<30∘, senβ<0,5, e dividir 10 por um número menor que 0,5 dá mais que 20. Certo. A lição: num item com desigualdade, o sentido em que a razão cresce decide, sem valor numérico nenhum.
Mapas, escalas e o triângulo escondido
Num mapa em escala 1:50 000, as distâncias horizontais estão reduzidas, mas os ângulos não: a semelhança preserva ângulos. Por isso dá para medir no mapa o ângulo entre duas estradas e usá-lo na conta real. Já as alturas não estão no mapa: a inclinação de uma estrada entre duas curvas de nível é o desnível real (diferença entre as cotas) dividido pela distância horizontal real (a medida no mapa vezes a escala). Um trecho de 2 cm no mapa 1:50 000 entre as cotas 800 m e 900 m avança 2×50000 cm =1000 m e sobe 100 m: inclinação 0,1=10%, um ângulo de cerca de 5,7∘.
O triângulo retângulo também se esconde dentro de sólidos e de figuras planas. Em 2022, a prova do PAS 1 recortou uma gravura de Escher e afirmou, num triângulo ADE retângulo em E com DAE=30∘ e AD=ℓ, que o segmento AE media ℓ/2. AE é o cateto adjacente ao ângulo de 30∘: AE=ℓcos30∘=ℓ3/2. O que mede ℓ/2 é o cateto oposto, DE=ℓsen30∘. Item errado, e o erro é o da primeira armadilha desta página. Em 2011, na prova do PAS 2, foi um carro subindo uma rampa de ângulo θ: com A=(0,0) no pé, C=(k,0) sob o topo e θ=45∘, a rampa AB é a hipotenusa e AC=k é o adjacente, AB=k/cos45∘=k2≈1,41k, menor que 3k/2. Certo. Com 45∘ dá até para dispensar a tabela: os catetos são iguais, BC=k, e Pitágoras dá AB=k2.
Sem ângulo reto: a lei dos cossenos corrige Pitágoras
Duas estradas saem do mesmo entroncamento formando 120∘ entre si; um carro está a 7 km do entroncamento numa delas e outro a 8 km na outra. A que distância estão um do outro? No triângulo entroncamento–carro–carro nenhum ângulo mede 90∘, de modo que não há hipotenusa nem catetos para encaixar nas razões da seção anterior. Os dados disponíveis, os dois lados e o ângulo que eles formam, são suficientes, desde que Pitágoras receba um termo de correção.
A lei dos cossenos nasce de Pitágoras no triângulo retângulo que a altura cria: a2=(bsenA)2+(c−bcosA)2. Diagrama autoral.
De onde vem. No triângulo ABC, chame de a, b e c os lados opostos aos vértices A, B e C. Baixe a altura h de C sobre o lado AB (ou seu prolongamento). No triângulo retângulo da esquerda, h=bsenA e o pé da altura fica a bcosA de A. No triângulo retângulo da direita, o cateto horizontal é c−bcosA e a hipotenusa é a. Pitágoras:
Em qualquer triângulo, para obter o quadrado de um lado, some os quadrados dos outros dois e desconte o dobro do produto desses dois lados pelo cosseno do ângulo que eles formam (o ângulo oposto ao lado procurado):
É Pitágoras com um termo de correção. Ângulo reto: cos90∘=0, o termo some e volta a2=b2+c2. Ângulo agudo: cosseno positivo, o termo desconta, o lado oposto fica menor que no caso reto. Ângulo obtuso: cosseno negativo, o termo soma, o lado oposto fica maior. Use-a quando conhecer dois lados e o ângulo entre eles (para achar o terceiro lado) ou os três lados (para achar qualquer ângulo).
Para o ângulo obtuso é preciso saber o cosseno de um ângulo acima de 90∘, e a regra é curta: o cosseno de um ângulo obtuso é o oposto do cosseno do seu suplemento, cos(180∘−x)=−cosx; o seno de um ângulo obtuso é igual ao seno do suplemento, sen(180∘−x)=senx, e portanto positivo. Assim, cos120∘=−cos60∘=−0,5, cos135∘=−2/2, cos150∘=−3/2, mas sen120∘=sen60∘=3/2. A justificativa completa está no círculo trigonométrico; aqui basta a regra, e o fato de que todo ângulo interno de triângulo fica entre 0∘ e 180∘, onde o seno nunca é negativo. Quando a conta pede um cosseno fora da tabela, o enunciado o entrega pronto, com sinal e tudo (um item que envolva o ângulo interno do pentágono regular, por exemplo, dirá “cos108∘=−0,31”); a sua parte é copiar o número como está, sem “corrigir” o sinal negativo.
Exemplo resolvido 6: as duas estradas. Lados 7 e 8 com 120∘ entre eles, cos120∘=−0,5.
Resolução:d2=72+82−2⋅7⋅8⋅(−0,5)=49+64+56=169, logo d=13 km.
Conferência: o ângulo é obtuso, então d deve ser maior que a hipotenusa do caso reto, 113≈10,6: 13>10,6, coerente. E o maior lado (13) está de frente para o maior ângulo (120∘). Se o ângulo fosse 60∘, o termo descontaria: 49+64−56=57, d≈7,5 km, menor que 10,6. A conta com ângulo obtuso fechou num quadrado perfeito, e isso é a assinatura dos itens numéricos da banca: raiz suja costuma ser sinal trocado.
Exemplo resolvido 7: o terceiro lado da área desmatada (PAS 2, 2023). O texto-base descrevia uma área desmatada triangular da qual a figura mostrava só um pedaço; no vértice A encontravam-se dois lados, de 60 m e de 100 m, e o enunciado informava cosA=−1/2. O item do tipo B pedia o lado oposto a A.
Estratégia: o que se conhece são os dois lados que se encontram em A e o próprio ângulo A; é o caso da lei dos cossenos, e o cosseno entra na conta com o sinal que o enunciado deu.
Resolução:a2=602+1002−2⋅60⋅100⋅(−1/2)=3600+10000+6000=19600, e a=140 m.
Conferência:cosA=−1/2 é o cosseno de 120∘; os outros dois ângulos somam 60∘, menos que π/2 rad (era o item vizinho, certo), e o seno de 120∘ é 3/2>0 (o outro item vizinho afirmava que era negativo: errado). Quem subtraiu o termo achou 7600, cuja raiz não é inteira: o aviso de que o sinal foi trocado.
Dos três lados ao ângulo. Isolando o cosseno: cosA=2bcb2+c2−a2. O sinal do resultado classifica o ângulo sem tabela: positivo, agudo; zero, reto; negativo, obtuso. No triângulo 5, 5, 8, o ângulo oposto ao lado 8 tem cos=(25+25−64)/50=−0,28, obtuso. Em 2017, a prova do PAS 2 (num caderno impresso em fonte cifrada, o que não mudou a Matemática) descreveu uma camisa com um triângulo isósceles de lados 5 cm, 5 cm e 8 cm que, visto num espelho convexo, continuava isósceles, com a base reduzida à metade e o perímetro mantido: lados 7, 7 e 4. O item afirmava que o cosseno do ângulo oposto à base, no triângulo da imagem, é maior que 0,82: cos=(49+49−16)/(2⋅7⋅7)=82/98≈0,837. Certo.
O obtuso troca o sinal do cosseno, não o do seno
Quando um dos ângulos do triângulo passa de 90∘, seu cosseno fica negativo, e o termo −2bccosA passa a somar. O seno, porém, continua positivo: um ângulo interno de triângulo nunca sai do intervalo de 0∘ a 180∘, e nessa faixa não existe seno negativo. Foi nessa troca que o item 64 do PAS 2 de 2023 apostou, ao afirmar que o seno do ângulo em A era negativo (errado). Outra aposta frequente: aplicar Pitágoras a um triângulo que não tem ângulo reto. Sem o 90∘ garantido pela figura ou pelo texto, a ferramenta é a lei dos cossenos; Pitágoras é o caso particular em que o termo de correção vale zero.
A lei dos senos: lados e senos dos ângulos opostos na mesma proporção
Volte ao triângulo com a altura h baixada de C. Ela pode ser calculada pelos dois triângulos retângulos que cria: h=bsenA e h=asenB. Igualando, bsenA=asenB, isto é, senAa=senBb. Baixando a altura de outro vértice, o terceiro lado entra na mesma igualdade.
A lei dos senos vem da altura calculada de dois jeitos; a constante comum, a/senA=b/senB=c/senC, é o diâmetro 2R da circunferência circunscrita. Diagrama autoral.
Lei dos senos
Em qualquer triângulo,
senAa=senBb=senCc=2R,
em que R é o raio da circunferência que passa pelos três vértices (a circunscrita). Use-a quando conhecer um lado e o ângulo oposto a ele, mais um outro ângulo ou um outro lado. Consequência imediata: o maior dos lados fica sempre de frente para o maior dos ângulos, e o menor para o menor, porque entre 0∘ e 180∘ o seno de um ângulo de triângulo cresce até 90∘ e, para dois ângulos de um mesmo triângulo, o maior deles tem sempre o maior seno.
A igualdade com 2R vem de um fato da circunferência: o ângulo inscrito num diâmetro é reto. Trace o diâmetro BB′; o triângulo BCB′ é retângulo em C, e o ângulo em B′ é igual ao ângulo A porque ambos enxergam o mesmo arco BC. Nesse triângulo retângulo, senA=a/(2R). Esse detalhe raramente é cobrado, mas explica por que o quociente é o mesmo nos três vértices e liga esta página à da circunferência.
Exemplo resolvido 8: um lado e dois ângulos. Num triângulo, dois dos ângulos medem 30∘ e 45∘, e o lado que fica de frente para o de 30∘ mede 8 cm. Com sen45∘=0,7, quanto mede o lado de frente para o de 45∘?
Estratégia: há um par completo, lado de 8 cm com seu ângulo oposto de 30∘, e um segundo ângulo: lei dos senos.
Resolução: a razão comum é sen30∘8=0,58=16; então sen45∘x=16 e x=16⋅0,7=11,2 cm.
Conferência: o ângulo maior (45∘) ficou de frente para o lado maior (11,2 > 8). Coerente. O terceiro ângulo mede 105∘ e seu lado, 16sen105∘=16sen75∘≈15,5 cm, o maior dos três. E a razão 16 é o diâmetro da circunferência circunscrita: R=8 cm.
A prova usou a lei dos senos uma vez, em 2007, disfarçada de mecânica: numa locomotiva, a manivela de comprimento r presa à roda e a biela de comprimento b ligada ao pistão formam, com a horizontal, os ângulos φ (no centro da roda) e θ (no pistão), e o item afirmava rsenφ=bsenθ. Os dois produtos são a altura do pino da manivela acima da linha do pistão, calculada pelos dois triângulos retângulos que essa altura cria. Certo, e é exatamente a dedução da lei dos senos.
O caso ambíguo: quando dois triângulos cabem nos mesmos dados
Dois lados e o ângulo oposto a um deles (dados do tipo LLA) nem sempre determinam um triângulo único. O motivo é o seno: senx=sen(180∘−x), então a lei dos senos devolve um seno, e um seno entre 0 e 1 corresponde a dois ângulos possíveis, um agudo e um obtuso.
Com b=8, A=30∘ e a=5, o compasso centrado em C corta o lado em dois pontos: dois triângulos. Com a=4 (=bsenA), um só, retângulo; com a<4, nenhum; com a≥b, um só. Diagrama autoral.
Exemplo resolvido 9: dois triângulos.b=8, a=5 e A=30∘. Quantos triângulos existem, e quais são os ângulos B possíveis? Use sen53∘=0,8.
Resolução:senB=absenA=58⋅0,5=0,8. Os ângulos com seno 0,8 são 53∘ e 180∘−53∘=127∘. Os dois servem? 30∘+53∘=83∘<180∘, sim; 30∘+127∘=157∘<180∘, sim também. Há dois triângulos: um com B=53∘ e C=97∘, outro com B=127∘ e C=23∘.
Conferência pela figura: a altura de C sobre a reta AB mede bsenA=4; o lado a=5 é maior que 4 e menor que b=8, então o compasso de raio 5 centrado em C corta a reta duas vezes do lado certo. Se a fosse 4, tocaria uma vez (triângulo retângulo em B); se fosse 3, não alcançaria; se fosse 9, maior que b, só um dos cortes ficaria do lado do ângulo.
A regra, para A agudo: a<bsenA, nenhum triângulo; a=bsenA, um (retângulo); bsenA<a<b, dois; a≥b, um. Se A é reto ou obtuso, só existe triângulo quando a>b, e ele é único. É a mesma discussão do caso LLA na página de construções geométricas, agora com a conta no lugar do compasso.
Área sem altura: 21absenC
A área de um triângulo é base vezes altura sobre dois. Se a altura não é dada mas dois lados e o ângulo entre eles são, a altura sai de uma razão: no triângulo com lados a e b formando o ângulo C, a altura relativa ao lado a é bsenC.
Área pelo seno do ângulo entre dois lados
Aˊrea=21absenC=21bcsenA=21acsenB.
Vale para ângulo obtuso também, porque o seno continua positivo. Para dois lados fixos, a área é máxima quando o ângulo entre eles é reto (sen90∘=1), e a fórmula vira a conhecida “metade do produto dos catetos”.
Um terreno triangular com lados de 12 m e 9 m formando 60∘ tem área 21⋅12⋅9⋅0,866≈46,8 m². Com os mesmos lados a 90∘ teria 54 m²; a 30∘, 27 m². Essa fórmula também fecha o cálculo de áreas de figuras planas regulares: um polígono regular de n lados inscrito numa circunferência de raio R é a soma de n triângulos de lados R, R e ângulo central 360∘/n, área total 2nR2sen(360∘/n).
Qual ferramenta usar? Olhe para os dados, não para o desenho
A escolha entre Pitágoras, razão trigonométrica, lei dos senos e lei dos cossenos não é questão de preferência: cada uma pede um conjunto de dados.
O que você conhece
Ferramenta
O que ela devolve
Ângulo reto + dois lados
Pitágoras
terceiro lado; depois, razões para os ângulos
Ângulo reto + um lado + um ângulo agudo
seno, cosseno ou tangente
os outros lados
Dois lados + o ângulo entre eles (LAL)
lei dos cossenos
terceiro lado; área por 21absenC
Três lados (LLL)
lei dos cossenos isolando o cosseno
qualquer ângulo (e o sinal classifica)
Um lado + o ângulo oposto + outro ângulo (ALA ou LAA)
lei dos senos
os outros lados
Dois lados + ângulo oposto a um deles (LLA)
lei dos senos, com o caso ambíguo
o outro ângulo: zero, um ou dois triângulos
Dois sinais de alerta. Ângulo entre dois lados conhecidos não serve na lei dos senos (não há lado oposto conhecido); três ângulos sem lado nenhum dão só a forma, não o tamanho (semelhança). E, antes de qualquer conta, a ordem lado–ângulo elimina afirmações impossíveis: um item que coloque o maior ângulo de frente para o menor lado está errado sem cálculo.
A prova gosta de testar esse “qual lei” antes do número. Em 2011, a molécula da vitamina C virou um pentágono regular com átomos nos vértices. Dois lados e uma diagonal formam ali um triângulo, com um ângulo α em cada extremidade da diagonal; o item perguntou se, conhecidos cosα e a distância ℓ entre dois átomos vizinhos (o lado), seria possível determinar a distância entre o átomo de um vértice e qualquer outro. As distâncias são o lado (já dado) e a diagonal. O triângulo é isósceles de lados ℓ, ℓ e diagonal d, com α em cada extremo da base: a altura baixada do vértice oposto divide a base ao meio, e d/2=ℓcosα, logo d=2ℓcosα. Dados suficientes; item certo. Pela lei dos cossenos daria no mesmo, com o ângulo do topo (108∘=180∘−2α). O item vizinho afirmava que a altura h desse triângulo era metade do lado: h=ℓsenα com α=36∘, e o único ângulo agudo cujo seno é 1/2 é 30∘; errado.
Ler a figura e estimar com a tabela que o enunciado dá
Os itens de trigonometria do PAS vêm quase sempre com uma figura, e, quando a conta precisa de um número fora da tabela, o enunciado o fornece (em 2014: “assumindo 1,73 como o valor aproximado de 3”); os exercícios desta página fazem o mesmo (“considerando sen45∘=0,7”). O protocolo:
Refaça o desenho no rascunho e transfira para ele cada dado do texto: medidas, ângulos, ângulo reto, paralelismos. Ângulo reto não declarado nem desenhado com o símbolo não existe.
Marque o ângulo de referência e nomeie os catetos em relação a ele.
Leia o comando antes do item: os valores fornecidos avisam quais ângulos vão aparecer (3 anuncia 30∘ ou 60∘; 2, 45∘).
Faça a conta com os valores dados, não com os que você sabe de cor. O limiar foi calibrado com eles.
Em limiar com raiz, compare quadrados em vez de extrair: para julgar “57<7,5”, eleve: 7,52=56,25<57, logo 57>7,5.
Quando o enunciado dá uma tabela pequena de senos (por exemplo, de 5∘ em 5∘) e o ângulo pedido não está nela, a monotonia resolve: o seno cresce com o ângulo, então sen37∘ está entre sen35∘ e sen40∘. Para um item de “é superior a”, isso basta. Dois itens de 2014 cobraram exatamente a leitura da figura: num raio de luz que sai de A no eixo x, reflete em B no eixo y e chega a D no eixo x, com α o ângulo entre cada trajetória e a horizontal, se α=60∘ cada trecho é a hipotenusa de um triângulo com o ângulo de 60∘ no chão (alternos internos), AB=AO/cos60∘=2AO e BD=2OD, logo AB+BD=2AD (certo). E se AD=20 m e BO=4 m, por simetria AO=10 m, AB=116≈10,8 m, e senα=4/10,8≈0,37, que não é menor que 0,35 (errado). Nos dois, a figura garante a simetria e o ângulo reto no eixo; a conta é de duas linhas.
Seno vem de um erro de tradução
Os matemáticos indianos chamavam a meia-corda de um arco de jya (“corda de arco”). Em árabe a palavra foi transliterada como jiba, que, escrita sem vogais, se confundiu com jaib, “seio” ou “dobra de roupa”. Ao traduzir para o latim no século XII, Gerardo de Cremona usou sinus, e o nome ficou. A tabela de meias-cordas (o seno, para um raio fixo) já existia no Āryabhaṭīya, tratado indiano do ano 499; a tangente e a cotangente chegaram pelos astrônomos árabes, ligadas ao comprimento da sombra de uma vara, que é exatamente a tangente de um ângulo de elevação.
Os erros que a banca planta
Oposto e adjacente pelo desenho, não pelo ângulo. O espelho de 2011 (ângulo com a vertical) e Escher em 2022 (AE é adjacente, não oposto).
Pitágoras sem ângulo reto. Dois lados e 60∘ entre eles pedem a lei dos cossenos; 72+82 é a resposta para outro triângulo.
Dobrar o ângulo e dobrar o seno.20sen60∘≈17,3, não 20.
Sinal do cosseno trocado. Com cosA<0, o termo −2bccosAsoma; 19600 e não 7600. Raiz suja é o alarme.
Seno negativo em triângulo. Nunca: ângulo interno fica entre 0∘ e 180∘.
Secante no lugar da tangente.secα=1/cosα dá a hipotenusa por unidade de adjacente, não o cateto oposto.
Lei dos senos com o ângulo entre os lados. Sem um par lado–ângulo oposto, ela não tem por onde começar.
Esquecer a altura do observador na altura do prédio, ou esquecer de converter unidades (30 cm e 6 m na mesma razão).
Porcentagem lida como grau. Rampa de 100% é 45∘; 8,33% é menos de 5∘.
Caso ambíguo ignorado. Dois lados e o ângulo oposto a um deles podem dar dois triângulos; “o triângulo” pode não existir ou não ser único.
π/3 lido como número qualquer. Em 2022, “AC=BC e ângulo de π/3 entre eles” era um triângulo equilátero (π/3=60∘; os outros dois ângulos, iguais, somam 120∘): certo. Radianos têm página própria; aqui, π=180∘ basta.
O essencial em meia página
Definições (ângulo agudo θ no triângulo retângulo): senθ=hipotenusaoposto, cosθ=hipotenusaadjacente, tgθ=adjacenteoposto. São razões que só dependem do ângulo (semelhança). Oposto e adjacente são relativos ao ângulo escolhido.
Tabela: 30∘: 21, 23, 33 · 45∘: 22, 22, 1 · 60∘: 23, 21, 3. Sai da metade do quadrado e da metade do equilátero. Seno cresce, cosseno decresce, nada é proporcional ao ângulo.
Rampa: inclinação i=h/c=tgθ; 8,33%=1:12 (NBR 9050, desníveis de 20 a 80 cm); 100% é 45∘.
Alturas e distâncias: ângulo de elevação + distância horizontal → tangente; não esqueça a altura dos olhos. Dois lados → a razão primeiro, o ângulo depois (compare com a tabela).
Lei dos cossenos: a2=b2+c2−2bccosA (dois lados e o ângulo entre eles, ou três lados). Agudo desconta, reto é Pitágoras, obtuso soma. cos(180∘−x)=−cosx; sen(180∘−x)=senx>0.
Lei dos senos: senAa=senBb=senCc=2R (um lado e o ângulo oposto). Maior lado ↔ maior ângulo. LLA: pode dar 0, 1 ou 2 triângulos.
Área: 21absenC.
Na prova: redesenhe, marque o ângulo de referência, use os valores do comando, compare quadrados em limiar com raiz, e desconfie de raiz suja.
Exercícios temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.
Flashcards temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar os cartões de revisão.
SENO, COSSENO E TANGENTE - TRIGONOMETRIA NO TRIÂNGULO RETÂNGULO \Prof. Gis/
Gis com Giz · 29:22
Introdução. A professora Gis define seno, cosseno e tangente como razões entre os lados do triângulo retângulo, insiste em identificar cateto oposto e adjacente em relação ao ângulo escolhido e monta a tabela de 30°, 45° e 60°: são as seções “Por que uma razão entre lados só depende do ângulo” e “Três ângulos resolvem quase tudo” em ritmo de aula, com vários triângulos desenhados no quadro.
Aula 03 - Trigonometria - Aplicações das Razões Trigonométricas no Triângulo Retângulo
Portal da Matemática OBMEP · 12:14
Aplicação. O professor Silvio Freitas (Portal da Matemática, IMPA/OBMEP) resolve problemas de altura e distância com os ângulos notáveis, escolhendo em cada um a razão que liga o lado conhecido ao procurado: é a seção “Medir o que não se alcança: alturas e distâncias por ângulos” e o roteiro “um lado e um ângulo devolvem o triângulo inteiro” aplicados passo a passo.
Aula 04 - Trigonometria - Lei dos Senos
Portal da Matemática OBMEP · 9:05
Mecanismo. Demonstração da lei dos senos a partir da altura do triângulo calculada de dois jeitos, exatamente a dedução da seção “A lei dos senos: cada lado dividido pelo seno do ângulo oposto”. Assista antes de enfrentar o caso ambíguo: a ideia de que o seno devolve o mesmo valor para dois ângulos fica clara quando a dedução está fresca.
Aula 06 - Trigonometria - Lei dos Cossenos
Portal da Matemática OBMEP · 12:40
Aprofundamento. A lei dos cossenos deduzida no triângulo acutângulo com Pitágoras no triângulo retângulo criado pela altura, relacionando o cosseno de um ângulo aos três lados: é a seção “E quando não há ângulo reto? A lei dos cossenos” no quadro, incluindo a leitura do caso reto como Pitágoras.
SENO, COSSENO E TANGENTE COM EXERCÍCIOS PARA PRATICAR - TRIGONOMETRIA NO TRIÂNGULO RETÂNGULO
Gis com Giz · 34:06
Resolução. Uma sequência de exercícios de triângulo retângulo resolvidos do início ao fim (lado desconhecido a partir de um ângulo, ângulo a partir de dois lados, rampas e escadas), com a conferência de qual cateto é oposto e qual é adjacente em cada figura: o treino das seções de resolução de triângulos e de rampas antes dos itens do PAS.
Um ângulo de elevação medido no teodolito e uma distância medida na trena: a tangente devolve a altura que ninguém pode subir para medir.O mesmo triângulo 3-4-5, dois ângulos, duas listas de razões. Oposto e adjacente são nomes relativos ao ângulo escolhido, não ao desenho: o cateto vertical é oposto a θ e adjacente ao outro ângulo agudo. Diagrama autoral.A tabela inteira cabe em duas figuras: metade de um quadrado de lado 1 (diagonal 2) e metade de um triângulo equilátero de lado 2 (altura 3). Diagrama autoral.A rampa 1:12 da NBR 9050: a tangente do ângulo com o piso é 1/12≈0,083, e o ângulo mede cerca de 4,8∘. Quanto maior o desnível, mais suave (e mais longa) a rampa exigida. Diagrama autoral a partir da tabela da norma.Altura por ângulo de elevação (não esqueça a altura dos olhos) e largura de um rio por duas medidas na própria margem: um segmento e um ângulo. Diagrama autoral.A lei dos cossenos nasce de Pitágoras no triângulo retângulo que a altura cria: a2=(bsenA)2+(c−bcosA)2. Diagrama autoral.A lei dos senos vem da altura calculada de dois jeitos; a constante comum, a/senA=b/senB=c/senC, é o diâmetro 2R da circunferência circunscrita. Diagrama autoral.Com b=8, A=30∘ e a=5, o compasso centrado em C corta o lado em dois pontos: dois triângulos. Com a=4 (=bsenA), um só, retângulo; com a<4, nenhum; com a≥b, um só. Diagrama autoral.Sem ângulo reto, Pitágoras não serve como está: a distância entre as duas casas é a lei dos cossenos, e com o ângulo obtuso o termo de correção soma.Escada, parede e chão: o triângulo retângulo mais comum do cotidiano. A altura alcançada é o comprimento da escada vezes o seno do ângulo com o chão.O ângulo entre a face e a base vive num triângulo retângulo escondido: altura, metade do lado e apótema da face. A razão vem primeiro, o ângulo depois.Para medir a largura do rio sem atravessá-lo: um segmento na própria margem, um ângulo de visada até a árvore, uma tangente.A rampa acessível é quase plana: 8,33 % é uma tangente de 1/12, cerca de 4,8°, e por isso ela precisa ser comprida para vencer poucos centímetros.Manivela e biela formam um triângulo que muda a cada instante; a altura do pino, calculada pelos dois lados, é a lei dos senos em pessoa, como a prova do PAS cobrou em 2007.O caso ambíguo: duas escolhas de vértice sobre a mesma semirreta podem produzir triângulos diferentes com os mesmos dois lados conhecidos e o mesmo ângulo oposto a um deles.
Rota PAS 1
Geometria plana: construções, semelhança, trigonometria e áreas · PAS 1
Fontes desta página
Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.
Rota PAS 1 — Geometria plana: construções, semelhança, trigonometria e áreas · Quanto sobe uma rampa? Pitágoras e as razões trigonométricas; E quando não há ângulo reto? Leis dos senos e dos cossenos; Como a banca cobra este capítulo (O histórico); Resolvidos (Túnel na montanha); Banco de treino T12–T15, T19, T23
Recorte por assunto: só as razões trigonométricas e as duas leis. Pitágoras, semelhança, ângulos e áreas do mesmo capítulo pertencem às páginas teorema-de-pitagoras, teorema-de-tales-e-semelhanca, angulos-e-poligonos e areas-de-figuras-planas.
Rota PAS 2 — Trigonometria: do triângulo ao fenômeno periódico · Seno, cosseno e tangente: o que um ângulo diz sobre um triângulo; Leis do seno e do cosseno: o triângulo sem ângulo reto; Como a banca cobra (O histórico); Resolvidos (lei dos cossenos — limiar); Banco de treino T1–T4, T6
Radianos, círculo trigonométrico e funções seno e cosseno do mesmo capítulo ficam para as páginas ciclo-trigonometrico e funcoes-trigonometricas.
Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cebraspe) · PAS 1: 2010 (item 108), 2011 (itens 46 e 47), 2014 (itens 88, 90 e 92), 2016 (item 76), 2018 (item 85), 2020 (item 67), 2022 (item 96), 2023 (itens 96 a 98), 2025 (item 49, anulado); PAS 2: 2007 (item 23), 2009 (item 24), 2010 (item 18), 2011 (itens 90, 96 e 98), 2012 (item 93), 2017 (item 110), 2022 (item 103), 2023 (itens 63 a 65)
Itens reproduzidos verbatim; gabaritos conferidos nos GAB.txt e nas classificações pesquisa/classificacao/AAAA.json e classificacao-pas2/AAAA.json.
Cadernos em PDF (figuras dos itens) · Páginas renderizadas a 130–400 dpi para conferir as figuras: raio de luz (PAS 1 2014), pentágono da vitamina C (2011), sismógrafo (2016), haste do Partenon (2018), pirâmide (2020), Escher (2022), satélite (2025); locomotiva (PAS 2 2007), serradores de Debret (2009), morcego (2010), espelho côncavo e rampa 4×4 (2011), estádio de Londres (2012), espelho convexo (2017, caderno cifrado), Cartier-Bresson (2022), área desmatada (2023)
Toda figura impressa foi descrita em texto neutro no campo text das questões, com todos os rótulos.