Proteínas e enzimas

Guia de estudo · Revisado em 02/10/2026

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A clara do ovo fica branca na frigideira e não volta atrás; a gelatina com abacaxi fresco não endurece, e com abacaxi cozido endurece; a batata crua faz a água oxigenada espumar, e a cozida não. O que essas três cenas dizem sobre a forma de uma proteína e sobre o que uma enzima faz?

O que você vai aprender

  • Descrever a estrutura geral de um aminoácido (amina, carboxila, hidrogênio e radical) e justificar por que toda proteína contém nitrogênio.
  • Definir aminoácido essencial, citar que são nove para o ser humano e explicar, pelos aminoácidos limitantes, por que arroz e feijão se completam.
  • Escrever a formação da ligação peptídica por desidratação e calcular ligações, moléculas de água, massa molar de um peptídeo e número de sequências possíveis (20ⁿ).
  • Distinguir as estruturas primária, secundária, terciária e quaternária, dizer o que mantém cada uma e explicar como a troca de um aminoácido altera a hemoglobina na anemia falciforme.
  • Associar cada função das proteínas (estrutural, transporte, defesa, hormonal, contração, catálise, reserva) a pelo menos um exemplo, sem tratar toda proteína como enzima.
  • Definir desnaturação, listar seus agentes (calor, pH, álcool, sais, agitação), diferenciá-la da hidrólise e reconhecer casos reversíveis e irreversíveis.
  • Explicar o que uma enzima faz (reduz a energia de ativação, é específica, não é consumida) e o que não faz (não fornece energia, não muda produtos nem equilíbrio), usando o gráfico de energia.
  • Comparar os modelos chave-fechadura e encaixe induzido, com o que cada um explica e onde cada um falha.
  • Ler e interpretar curvas de atividade em função da temperatura, do pH e da concentração de substrato, identificando ótimo, desnaturação e saturação.
  • Relacionar cofatores, coenzimas e vitaminas hidrossolúveis, associar B1, B3 e C às carências clássicas e corrigir a ideia de que vitamina fornece energia.
  • Diferenciar inibição competitiva de não competitiva e reversível de irreversível, com exemplos de medicamentos e venenos.
  • Analisar experimentos com enzimas identificando variável, controles e o que os dados permitem e não permitem concluir.

Quebre um ovo na frigideira quente. A clara, líquida e transparente, fica branca e firme em menos de um minuto, e nenhuma geladeira a faz voltar ao que era. Prepare duas gelatinas iguais e ponha abacaxi fresco em uma e abacaxi em calda na outra: a primeira amanhece líquida, a segunda endurece. Pingue água oxigenada em uma batata crua cortada e em uma batata cozida: a crua espuma, a cozida não.

Nas três cenas, nada foi acrescentado nem retirado das moléculas envolvidas. A clara crua e a clara cozida têm os mesmos aminoácidos, na mesma ordem. A batata cozida tem a mesma catalase da crua. O que mudou foi a forma. Uma proteína é um fio longo de aminoácidos dobrado de um jeito preciso, e é a forma dobrada que trabalha. O calor da frigideira desdobra as proteínas da clara. O calor da fervura desdobra a bromelina do abacaxi, a enzima que cortava as proteínas da gelatina. O calor do cozimento desdobra a catalase da batata, a enzima que decompunha a água oxigenada.

Esta página explica de que são feitas as proteínas, como a sequência de aminoácidos decide a forma e a forma decide a função, o que é desnaturar e por que isso é diferente de digerir, o que uma enzima faz e o que ela não faz, como temperatura, pH, concentração de substrato e inibidores alteram a velocidade de uma reação catalisada, e que papel têm as vitaminas do complexo B e a vitamina C nesse funcionamento. A fabricação das proteínas a partir do DNA está em DNA, RNA e síntese proteica; a origem genética da anemia falciforme, em mutações; a digestão das proteínas ao longo do tubo digestório, em sistema digestório; os açúcares e as gorduras, em carboidratos e lipídios; as enzimas das vias de obtenção de energia, em fermentação e respiração celular.

Aminoácidos: vinte unidades com a mesma planta e um radical diferente

Três ideias sustentam a página inteira.

Monômero e polímero. Muitas moléculas grandes dos seres vivos são cadeias de unidades repetidas. A unidade é o monômero; a cadeia, o polímero. No amido, a unidade é a glicose. Na proteína, a unidade é o aminoácido.

Desidratação e hidrólise. Ligar duas unidades libera uma molécula de água. Separar duas unidades ligadas consome uma molécula de água. Digerir uma proteína é fazer hidrólises em série.

Catalisador. Um catalisador acelera uma reação química e sai dela como entrou. Não é reagente e não é gasto.

Toda proteína, da clara do ovo à hemoglobina do sangue, é feita de aminoácidos. As proteínas dos seres vivos usam vinte tipos, e todos têm a mesma planta: um carbono central, chamado carbono alfa, ligado a quatro grupos.

H2N−CHR−COOH\mathrm{H_2N{-}CHR{-}COOH}

  • um grupo amina (−NH2\mathrm{-NH_2}), que contém nitrogênio;
  • um grupo carboxila (−COOH\mathrm{-COOH}), de caráter ácido;
  • um átomo de hidrogênio;
  • um radical ®, a única parte que muda de um aminoácido para outro.

O nome vem dos dois grupos fixos: amina e ácido. Na glicina, o menor dos vinte, o radical é um átomo de hidrogênio. Na alanina, é um grupo −CH3\mathrm{-CH_3}. Na cisteína e na metionina, o radical contém enxofre. Na lisina, termina em um segundo grupo amina. É o radical que dá a cada aminoácido o seu comportamento: alguns têm afinidade pela água (hidrofílicos), outros a evitam (hidrofóbicos); alguns têm carga elétrica, outros não. Essas diferenças vão decidir, mais adiante, como a cadeia se dobra.

Guarde a composição. Carboidratos e gorduras são feitos de carbono, hidrogênio e oxigênio. Os aminoácidos têm, além desses três, nitrogênio, sempre, por causa do grupo amina; dois deles têm também enxofre. Em média, cerca de 16 % da massa de uma proteína é nitrogênio, e é da proteína que vem quase todo o nitrogênio que um animal ingere. Por isso os laboratórios estimam o teor de proteína de um alimento medindo o nitrogênio da amostra e multiplicando o resultado por 6,25, que é 100÷16100 \div 16. As plantas não comem proteína: retiram o nitrogênio do solo, na forma de sais, e com ele fabricam os próprios aminoácidos. É a razão de o N estar na sigla dos fertilizantes NPK. O ciclo desse elemento está em ciclos biogeoquímicos.

O PAS 1 de 2025 cobrou exatamente essa ligação, no item 82: “O nitrogênio (N) dos fertilizantes contribui para a síntese de proteínas nas plantas porque os aminoácidos (base das proteínas) contêm nitrogênio.” Certo. A frase tem um efeito (o fertilizante contribui para a síntese de proteínas) e uma causa (aminoácidos contêm nitrogênio). As duas partes são verdadeiras, e a segunda explica a primeira.

Aminoácido

Aminoácido é a molécula que tem um carbono central ligado a um grupo amina (−NH2\mathrm{-NH_2}), a um grupo carboxila (−COOH\mathrm{-COOH}), a um hidrogênio e a um radical R. As proteínas usam vinte aminoácidos, que diferem só no radical. Todo aminoácido contém C, H, O e N; cisteína e metionina contêm também S. Critério para itens: uma frase que negue o nitrogênio dos aminoácidos, ou que chame de aminoácido a unidade de um carboidrato, está errada.

Dois painéis. No da esquerda, a planta comum dos vinte aminoácidos: um círculo central, o carbono alfa, ligado a uma caixa azul H2N, o grupo amina, a uma caixa vermelha COOH, o grupo carboxila, a um H em cima e a uma caixa laranja R embaixo, o radical, a parte que muda; abaixo, três radicais: glicina, R igual a H; alanina, R igual a CH3; cisteína, R igual a CH2–SH, com enxofre; e a frase todo aminoácido tem C, H, O e N. No painel da direita, dois aminoácidos lado a lado, com os radicais R1 e R2; uma elipse tracejada vermelha marca o OH da carboxila do primeiro e o H da amina do segundo; uma seta verde para baixo, rotulada síntese por desidratação, leva ao dipeptídeo, em que as caixas verdes C=O e N–H estão unidas por um traço grosso verde, a ligação peptídica, mais uma gota azul de H2O, de 18 gramas por mol. Uma faixa na base lembra que uma cadeia de n aminoácidos tem n menos 1 ligações peptídicas e n menos 1 águas, e que, com k cadeias, são n menos k ligações.
A planta comum dos aminoácidos e a ligação que os une. O grupo amina de um aminoácido reage com a carboxila do outro; o carbono de um fica ligado ao nitrogênio do seguinte, e os átomos que sobram saem como água. A hidrólise faz o caminho inverso. Esquema fora de escala. Diagrama autoral.

Essencial não quer dizer melhor

As células humanas fabricam onze dos vinte aminoácidos a partir de outras moléculas. Os outros nove precisam vir prontos da alimentação: histidina, isoleucina, leucina, lisina, metionina, fenilalanina, treonina, triptofano e valina. São os aminoácidos essenciais. Os onze restantes são os não essenciais, ou naturais.

A palavra engana. Essencial não significa mais importante nem de melhor qualidade. Os vinte são igualmente necessários para montar uma proteína: se um faltar, a montagem para naquele ponto. Essencial descreve apenas o que o corpo não sintetiza. A lista também não é a mesma para todos os seres vivos: as plantas fabricam os vinte.

Uma observação sobre números. Livros mais antigos contam oito aminoácidos essenciais para adultos. A histidina entrou na lista depois que experimentos publicados em 1975 mostraram que adultos privados de histidina na dieta também apresentam sinais de carência. Hoje a contagem usada pelos órgãos de saúde é nove. Há ainda aminoácidos que o corpo fabrica em quantidade insuficiente em certas fases, como doenças graves, e que por isso são chamados de condicionalmente essenciais.

Carne, ovo, leite e derivados fornecem os nove essenciais em proporção próxima da que o corpo usa. O PAS 1 de 2014 afirmou, no item 63: “Carne, ovo e leite são alimentos que fornecem aminoácidos essenciais, que não são sintetizados pelas células humanas.” Certo, nas duas partes: os alimentos citados fornecem esses aminoácidos, e a definição de essencial está correta.

Por que arroz com feijão se completam

Os alimentos vegetais também têm os nove aminoácidos essenciais, em proporções diferentes. Em cada alimento, o aminoácido essencial que aparece em menor quantidade em relação à necessidade humana é o aminoácido limitante: é ele que acaba primeiro. Nos cereais, como arroz, trigo e milho, o limitante é a lisina. Nas leguminosas, como feijão, lentilha e grão-de-bico, o limitante é a metionina.

O que falta em um grupo sobra no outro. O feijão é rico em lisina; o arroz tem mais metionina. Juntos, fornecem os nove em quantidade adequada. O nome disso é complementação. A combinação não precisa acontecer no mesmo prato: o que conta é a variedade de fontes ao longo do dia.

alimento (100 g) proteína (g) aminoácido limitante
arroz, tipo 1, cozido 2,5 lisina
feijão-carioca, cozido 4,8 metionina
lentilha, cozida 6,3 metionina
ovo de galinha, cozido 13,3 nenhum
queijo minas frescal 17,4 nenhum
peito de frango, sem pele, grelhado 32,0 nenhum

Os teores de proteína são da Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TACO, 4.ª edição, Unicamp, 2011). A coluna de proteína diz quanto há. Ela não diz quais aminoácidos estão ali, e a qualidade de uma refeição depende das duas informações.

Exemplo resolvido: quanta proteína há no prato. Um almoço tem 150 g de arroz cozido, 100 g de feijão-carioca cozido e um ovo cozido de 50 g. (a) Quanta proteína há no prato? (b) Quanta energia vem dessa proteína? © O relatório conjunto da OMS, da FAO e da Universidade das Nações Unidas, de 2007, fixa em 0,83 g de proteína por quilograma de massa corporal por dia o nível seguro de ingestão para adultos saudáveis. Que fração dessa referência o almoço cobre para um adulto de 60 kg? (d) O prato tem os nove aminoácidos essenciais?

(a) Arroz: 1,5×2,5=3,751{,}5 \times 2{,}5 = 3{,}75 g. Feijão: 4,84{,}8 g. Ovo: 0,5×13,3=6,650{,}5 \times 13{,}3 = 6{,}65 g. Total: 3,75+4,8+6,65=15,23{,}75 + 4{,}8 + 6{,}65 = 15{,}2 g.

(b) Cada grama de proteína fornece cerca de 4 kcal: 15,2×4≈6115{,}2 \times 4 \approx 61 kcal.

© Referência diária: 0,83×60=49,80{,}83 \times 60 = 49{,}8 g. Fração: 15,2÷49,8≈0,3115{,}2 \div 49{,}8 \approx 0{,}31, perto de um terço.

(d) Sim. O ovo, sozinho, já fornece os nove. Sem ele, o arroz e o feijão ainda os fornecem, em quantidade menor, porque a lisina do feijão cobre a falta do arroz e a metionina do arroz cobre a falta do feijão.

Conferência: um terço da referência em uma das três refeições principais é uma ordem de grandeza razoável. Se a conta desse 3 % ou 300 %, haveria erro de vírgula. O valor de 0,83 g/kg é uma referência para populações de adultos saudáveis. Crianças, adolescentes, gestantes, atletas e pessoas doentes têm necessidades diferentes, e a avaliação de uma dieta individual cabe a nutricionistas e médicos.

Proteína vegetal não é proteína que não serve

A frase “o feijão não tem aminoácidos essenciais” está errada: ele os tem, com a metionina em menor proporção. A frase “proteína incompleta é inútil” confunde um alimento isolado com a alimentação. E a frase “aminoácido essencial é o mais importante” confunde o que o corpo não fabrica com o que o corpo mais usa. Em item de prova, procure a definição: essencial é o que as células humanas não sintetizam.

Ligação peptídica: cada união libera uma molécula de água

Dois aminoácidos se unem quando a carboxila de um reage com a amina do outro. O grupo −OH\mathrm{-OH} da carboxila e um H da amina saem juntos, como uma molécula de água, e o carbono de um aminoácido fica ligado ao nitrogênio do seguinte. Essa ligação covalente C–N é a ligação peptídica. A reação é uma síntese por desidratação, a mesma que une as glicoses do amido.

aminoaˊcido1+aminoaˊcido2→dipeptıˊdeo+H2O\text{aminoácido}_1 + \text{aminoácido}_2 \rightarrow \text{dipeptídeo} + \mathrm{H_2O}

A reação inversa é a hidrólise: uma molécula de água entra, e a ligação se desfaz. É o que as proteases do tubo digestório fazem com as proteínas da comida.

A cadeia que resulta tem duas pontas diferentes: uma termina em um grupo amina livre, a outra em uma carboxila livre. Entre as pontas, os radicais ficam pendurados para fora do eixo, como as contas de formatos diferentes de um colar.

Os nomes acompanham o tamanho. Dois aminoácidos formam um dipeptídeo; três, um tripeptídeo; poucos, um oligopeptídeo; muitos, um polipeptídeo. A palavra proteína costuma ser reservada para um ou mais polipeptídeos dobrados em uma forma definida e com função. O limite entre peptídeo e proteína é uma convenção, e os tamanhos variam muito: o hormônio ocitocina tem 9 aminoácidos; a insulina, 51, em duas cadeias; a hemoglobina, 574, em quatro cadeias; a titina, uma proteína elástica das fibras musculares, cerca de 34 mil em uma cadeia só.

Ligação peptídica

Ligação peptídica é a ligação covalente entre o carbono da carboxila de um aminoácido e o nitrogênio da amina do aminoácido seguinte. Forma-se por desidratação (sai uma molécula de água por ligação) e desfaz-se por hidrólise (entra uma molécula de água por ligação). Critério para contas: uma cadeia linear de nn aminoácidos tem n−1n - 1 ligações peptídicas e envolve n−1n - 1 moléculas de água. Uma proteína com nn aminoácidos distribuídos em kk cadeias tem n−kn - k ligações peptídicas.

Exemplo resolvido: ligações, águas e massa de um peptídeo. Um tripeptídeo é formado por glicina, alanina e serina, nessa ordem. As massas molares dos três aminoácidos livres são 75, 89 e 105 g/mol, e a da água, 18 g/mol. (a) Quantas ligações peptídicas há na cadeia? (b) Quantas moléculas de água foram liberadas na montagem? © Qual é a massa molar do tripeptídeo?

(a) Três aminoácidos em fila: 3−1=23 - 1 = 2 ligações. (b) Uma água por ligação: 2 moléculas. © Some os aminoácidos e retire as águas: 75+89+105−2×18=269−36=23375 + 89 + 105 - 2 \times 18 = 269 - 36 = 233 g/mol.

Conferência pelo caminho inverso: a hidrólise completa de 1 mol do tripeptídeo consome 2 mol de água, e 233+36=269233 + 36 = 269 g é a soma das massas dos três aminoácidos livres. Somar 75, 89 e 105 e parar em 269 é o erro que esquece a água.

Exemplo resolvido: uma cadeia ou várias. A insulina humana tem 51 aminoácidos em duas cadeias, uma de 21 e outra de 30, presas entre si por pontes dissulfeto. Quantas ligações peptídicas ela tem?

Conte por cadeia: (21−1)+(30−1)=20+29=49(21 - 1) + (30 - 1) = 20 + 29 = 49. A fórmula n−1n - 1 vale para cada cadeia. Para a molécula inteira, vale n−kn - k: 51−2=4951 - 2 = 49. As pontes dissulfeto que unem as duas cadeias não são ligações peptídicas. Para a hemoglobina, com 574 aminoácidos em quatro cadeias, a conta é 574−4=570574 - 4 = 570. Responder 50 para a insulina ou 573 para a hemoglobina é tratar a proteína como uma cadeia única.

Exemplo resolvido: quantas sequências. Com os vinte aminoácidos, quantos tripeptídeos diferentes podem existir?

Cada posição pode ser ocupada por qualquer um dos vinte, e a ordem importa: 20×20×20=203=8 00020 \times 20 \times 20 = 20^3 = 8\,000. Para uma cadeia de nn aminoácidos, são 20n20^n sequências possíveis. Para uma proteína pequena, de 100 aminoácidos, 2010020^{100} é um número com 131 algarismos. Os seres vivos usam uma fração mínima dessas possibilidades. A consequência prática é outra: duas proteínas com os mesmos aminoácidos, nas mesmas quantidades, são proteínas diferentes se a ordem for diferente. Glicina–alanina e alanina–glicina são dois dipeptídeos distintos, porque a ponta amina fica em aminoácidos diferentes.

Quatro níveis de estrutura: a sequência decide a forma

A cadeia de aminoácidos não fica esticada. Ela se dobra assim que é montada, e a descrição do dobramento usa quatro níveis.

Estrutura primária é a sequência de aminoácidos: quais são e em que ordem. É mantida pelas ligações peptídicas, que são covalentes e fortes. A sequência é determinada pelo gene que codifica a proteína.

Estrutura secundária é o arranjo regular de trechos da cadeia. Os dois arranjos mais comuns são a alfa-hélice, em que a cadeia se enrola como um fio de telefone antigo, e a folha beta (ou folha pregueada), em que trechos da cadeia ficam lado a lado, em zigue-zague. Os dois são mantidos por ligações de hidrogênio entre o grupo C=O de uma ligação peptídica e o grupo N–H de outra. Os radicais não participam dessas ligações.

Estrutura terciária é a forma tridimensional da cadeia inteira, com suas hélices e folhas dobradas umas sobre as outras. Aqui quem decide são os radicais. Radicais hidrofóbicos se juntam no interior da molécula, longe da água. Radicais com cargas opostas se atraem. Radicais polares fazem ligações de hidrogênio. E dois radicais de cisteína, mesmo distantes na sequência, podem se unir por uma ligação covalente entre seus átomos de enxofre, a ponte dissulfeto.

Estrutura quaternária é a associação de duas ou mais cadeias polipeptídicas em uma proteína funcional. A hemoglobina tem quatro cadeias, duas alfa e duas beta. A catalase também tem quatro. Nem toda proteína tem estrutura quaternária: muitas funcionam com uma cadeia só.

nível o que descreve o que o mantém
primária sequência de aminoácidos ligações peptídicas (covalentes)
secundária alfa-hélice e folha beta ligações de hidrogênio entre grupos da cadeia principal
terciária dobramento tridimensional de uma cadeia interações entre radicais: hidrofóbicas, de carga, ligações de hidrogênio e pontes dissulfeto
quaternária união de duas ou mais cadeias as mesmas interações da terciária, entre cadeias diferentes

Com exceção das ligações peptídicas e das pontes dissulfeto, tudo o que segura a forma de uma proteína são interações fracas. Cada uma, sozinha, cede com facilidade. Milhares delas, somadas, mantêm a forma estável na temperatura e no pH em que a proteína trabalha. Essa fragilidade tem duas consequências. Uma é útil: a proteína pode mudar ligeiramente de forma quando outra molécula se liga a ela, e é assim que a hemoglobina prende e solta o oxigênio. A outra é o assunto da próxima seção: fora da faixa de temperatura e de pH adequada, a forma se desfaz.

Quatro quadros lado a lado, ligados por setas. Primária, em azul: oito círculos coloridos em fila, com as abreviações Gly, Ala, Ser, Val, Lys, Cys, Leu e Glu, unidos por traços; legenda: sequência de aminoácidos, mantida por ligações peptídicas. Secundária, em verde: uma linha enrolada em espiral, a alfa-hélice, e três fitas em zigue-zague com pontas de seta, a folha beta; traços azuis pontilhados indicam as ligações de hidrogênio entre grupos da cadeia principal. Terciária, em laranja: uma cadeia única dobrada sobre si mesma, com uma ponte marcada S–S ligando dois pontos distantes; legenda: interações entre radicais e pontes dissulfeto entre cisteínas. Quaternária, em roxo: quatro massas arredondadas encaixadas, duas rotuladas alfa e duas rotuladas beta; legenda: hemoglobina, quatro cadeias. Uma faixa na base diz que o gene determina a sequência, a sequência determina a forma e a forma determina a função, e avisa que o esquema está fora de escala.
Do fio à molécula funcional. A estrutura primária é a ordem dos aminoácidos; a secundária, o enrolamento em hélice ou o arranjo em folha de trechos da cadeia; a terciária, o dobramento da cadeia inteira; a quaternária, a reunião de várias cadeias. Só a primária é mantida por ligações peptídicas. Esquema fora de escala. Diagrama autoral.

Pela forma final, as proteínas costumam ser separadas em dois grupos. As globulares são compactas, em geral solúveis em água, e incluem as enzimas, a hemoglobina e os anticorpos. As fibrosas são alongadas, insolúveis, e formam fios e fibras: o colágeno, com três cadeias enroladas entre si, e a queratina do cabelo.

A sequência contém a informação da forma

Em 1961, o bioquímico Christian Anfinsen e colaboradores publicaram um experimento com a ribonuclease, uma enzima pequena, de 124 aminoácidos e quatro pontes dissulfeto. Eles desfizeram a forma da enzima com ureia e com um reagente que rompe pontes dissulfeto. A enzima desdobrada não tinha atividade. Quando os reagentes foram retirados, a cadeia voltou a se dobrar sozinha, as pontes se refizeram nas posições corretas e a atividade reapareceu. Nenhuma outra molécula orientou o redobramento. A conclusão, que rendeu a Anfinsen o Prêmio Nobel de Química de 1972, é que a sequência de aminoácidos contém a informação necessária para a forma tridimensional.

Daí vem a cadeia de raciocínio que organiza o assunto: o gene determina a sequência, a sequência determina a forma, a forma determina a função.

Um aminoácido trocado: a hemoglobina S

A consequência mais conhecida dessa cadeia é a anemia falciforme. A cadeia beta da hemoglobina tem 146 aminoácidos. Na hemoglobina S, o sexto deles, um ácido glutâmico, está trocado por uma valina. O ácido glutâmico tem radical com carga e afinidade pela água; a valina tem radical hidrofóbico. Essa única troca cria, na superfície da molécula, um ponto que gruda em outras moléculas de hemoglobina quando o oxigênio está baixo. As moléculas se empilham em fibras longas e rígidas, que deformam a hemácia e lhe dão o formato de foice. Hemácias em foice duram menos e passam com dificuldade pelos vasos mais finos.

A diferença química entre a hemoglobina normal e a hemoglobina S foi identificada por Vernon Ingram em 1957. A troca do aminoácido resulta da troca de uma base no gene da cadeia beta, e o PAS 3 de 2022 partiu dela no item 61: “A mutação que ocorreu na segunda posição do códon no gene da cadeia beta da hemoglobina no ancestral africano levou à alteração de um único aminoácido na proteína codificada por esse gene.” Certo. O mecanismo da mutação e a herança da doença estão em mutações e em leis de Mendel. Aqui interessa a lição sobre proteínas: 1 aminoácido em 146 mudou, e a função mudou.

Nem toda troca tem esse efeito. Uma substituição entre aminoácidos de radicais parecidos, em uma região que não participa do dobramento nem da função, pode passar despercebida. O efeito depende de qual aminoácido entra, de qual sai e de onde isso acontece.

Hemoglobina S não é hemoglobina desnaturada

Na anemia falciforme, a mudança está na estrutura primária: a sequência é outra, desde a fabricação da proteína. Na desnaturação, a sequência é a mesma e a forma se perde depois, por ação do ambiente. Um item que chame a hemoglobina S de proteína desnaturada troca os dois conceitos.

O que as proteínas fazem: sete funções e um nutriente de reserva

As proteínas são a família de moléculas com mais funções diferentes na célula. A tabela reúne as que a escola e as provas cobram.

função o que a proteína faz exemplos
estrutural sustenta, dá resistência ou elasticidade colágeno (pele, tendões, ossos, cartilagens); queratina (cabelo, unhas, camada externa da pele)
transporte carrega substâncias hemoglobina (oxigênio no sangue); proteínas de membrana que deixam passar íons e glicose
defesa reconhece e marca invasores anticorpos
regulação hormonal leva um sinal de um órgão a outro insulina e glucagon (controle da glicose no sangue)
contração e movimento desliza e encurta a célula actina e miosina (músculo)
catálise acelera reações químicas enzimas: amilase, pepsina, lactase, catalase
reserva nutritiva guarda aminoácidos para um embrião ou filhote ovalbumina (clara do ovo); caseína (leite); proteínas das sementes

Três comentários evitam generalizações erradas.

Nem todo hormônio é proteína. A insulina e o glucagon são. Os hormônios sexuais e o cortisol são esteroides, da família dos lipídios. O assunto continua em sistema endócrino.

As proteínas de membrana e os anticorpos têm páginas próprias: membrana plasmática e transportes e vacinas e soros. O PAS 3 de 2022 pediu a função de transporte em uma frase direta, no item 63: “A hemoglobina é a molécula à qual se liga o oxigênio, para que este seja transportado aos tecidos do organismo.” Certo.

Proteína também fornece energia, cerca de 4 kcal por grama, o mesmo valor dos carboidratos. A célula recorre aos aminoácidos como combustível quando faltam carboidratos e gorduras ou quando a ingestão de proteína excede o uso. O corpo humano não mantém um estoque de proteína equivalente ao glicogênio ou à gordura: as proteínas do corpo estão em uso, como estrutura, enzima ou transportador. As proteínas de reserva da tabela existem em ovos, leite e sementes, onde alimentam um organismo em formação.

O trigo dá um exemplo de proteína de reserva que a cozinha transformou em estrutura. A farinha contém gliadina e glutenina, proteínas de reserva da semente. Hidratadas e sovadas, elas se ligam em uma rede elástica, o glúten, que estica sem romper e retém o gás carbônico produzido pelas leveduras na massa. O PAS 1 de 2023 afirmou, no item 46: “Nos pães feitos com farinha de trigo, o glúten forma uma rede de proteínas que proporciona elasticidade à massa.” Certo. O glúten é proteína, e não carboidrato. Também não é enzima: a rede segura o gás por uma propriedade mecânica, sem catalisar reação alguma. A fermentação que produz o gás está em fermentação.

Toda enzima é proteína, mas nem toda proteína é enzima

A catálise é uma das sete funções da tabela. Colágeno, queratina, hemoglobina, anticorpos, actina e glúten são proteínas e não catalisam reações. Uma frase que atribua a qualquer proteína o papel de catalisador, ou que reduza as proteínas à construção de músculos, está errada pela generalização.

Desnaturação: a proteína perde a forma e guarda a sequência

Desnaturação é a perda da forma tridimensional de uma proteína, com perda da função, sem quebra das ligações peptídicas. As estruturas secundária, terciária e quaternária se desfazem. A primária permanece: os aminoácidos são os mesmos, na mesma ordem.

O que se rompe são as interações fracas que seguravam o dobramento. Qualquer fator que as perturbe pode desnaturar.

agente o que faz com a proteína exemplo
calor aumenta a agitação das moléculas, e as interações fracas cedem ovo cozido; hortaliças escaldadas antes do congelamento
ácidos e bases mudam as cargas dos radicais, e as atrações entre cargas deixam de existir peixe que fica opaco no suco de limão; leite que talha ao azedar
álcool desfaz interações que mantêm a cadeia dobrada clara de ovo que fica branca quando coberta com álcool
sais em concentração muito alta alteram as cargas e a camada de água em torno da proteína proteínas que se agregam e precipitam em soluções muito salgadas
agitação mecânica expõe as cadeias à interface com o ar clara batida em neve

O ovo. A clara é uma solução de proteínas em água. A ovalbumina responde por pouco mais da metade delas. Quando a clara é aquecida, as primeiras proteínas perdem a forma pouco acima de 60 °C, e a clara começa a ficar opaca. A ovalbumina resiste mais e desnatura por volta de 80 °C. As cadeias abertas expõem radicais hidrofóbicos que estavam escondidos, grudam umas nas outras e formam uma rede que retém a água. O líquido transparente vira um sólido branco. Nenhuma ligação peptídica foi rompida.

O leite. O leite fresco tem pH perto de 6,7. Quando bactérias fermentam a lactose e produzem ácido lático, o pH cai. Perto de 4,6, a caseína, principal proteína do leite, perde as cargas negativas que mantinham suas partículas afastadas umas das outras. As partículas se agregam em coágulos, e o leite talha. O mesmo acontece quando se pinga limão ou vinagre no leite. O agente aqui é o pH, e não o calor. A caseína é uma proteína com pouca estrutura dobrada, e é por isso que o leite pode ser fervido sem talhar: o que o ácido desfaz é a dispersão das partículas, por alterar as cargas.

O cabelo. O fio de cabelo é feito de queratina, e sua forma é mantida por dois tipos de ligação entre as cadeias: ligações de hidrogênio, fracas e numerosas, e pontes dissulfeto, covalentes. A água e o calor do secador ou da chapinha rompem as ligações de hidrogênio, o fio assume a forma em que é seco e, na próxima lavagem, volta ao que era. Os alisamentos e os permanentes químicos rompem as pontes dissulfeto e deixam que elas se refaçam com o fio em outra posição. A mudança dura até o fio crescer.

O álcool. O etanol desorganiza a forma das proteínas, e esse efeito é parte da explicação de sua ação antisséptica: proteínas de bactérias e de vírus desnaturadas deixam de funcionar.

À esquerda, um quadro com a proteína nativa: doze círculos coloridos, numerados de 1 a 12 e unidos por traços, enrolados em um novelo compacto; legenda: cadeia dobrada, tem forma e função. Duas setas saem do quadro. A de cima, vermelha, rotulada calor, pH, álcool, leva ao quadro Desnaturação: os mesmos doze círculos, na mesma ordem e ainda unidos, formam uma fila ondulada e aberta; o texto diz que a forma se perde, as ligações peptídicas continuam, não há consumo de água e o processo pode ser reversível. A seta de baixo, roxa, rotulada protease mais água, leva ao quadro Hidrólise, digestão: os círculos aparecem separados em sete pedaços, alguns com três, dois ou um círculo, com seis gotas azuis de H2O acima, uma sobre cada corte; o texto diz que as ligações peptídicas se rompem, sobram peptídeos menores e aminoácidos livres, e cada ligação desfeita consome uma molécula de água. Uma faixa na base dá exemplos de cada processo e avisa que o esquema está fora de escala.
Dois modos de acabar com a função de uma proteína. Na desnaturação, as interações que seguravam o dobramento cedem e a cadeia se abre, com a sequência intacta. Na hidrólise, uma protease rompe ligações peptídicas, e a cadeia é cortada. Esquema fora de escala. Diagrama autoral.

Desnaturar não é digerir

Os dois processos acabam com a função da proteína, e é fácil trocar um pelo outro.

desnaturação hidrólise (digestão)
o que se rompe interações fracas (e, em alguns tratamentos, pontes dissulfeto) ligações peptídicas
estrutura primária preservada desfeita
produto a mesma cadeia, desdobrada peptídeos menores e aminoácidos livres
consome água? não sim, uma molécula por ligação
agente calor, pH, álcool, sais enzimas (proteases); ácidos ou bases fortes a quente

No estômago humano acontecem as duas coisas, em sequência. O ácido clorídrico desnatura as proteínas do alimento, o que expõe as ligações peptídicas. A pepsina, uma protease, hidrolisa parte dessas ligações. A desnaturação ajuda a digestão; não a substitui.

Por isso o ovo cozido não perde valor como fonte de aminoácidos em relação ao ovo cru. A sequência está intacta, e as proteases vão cortá-la do mesmo jeito. O cozimento ainda elimina microrganismos que o ovo cru pode conter.

Reversível ou irreversível

A desnaturação pode ser desfeita em alguns casos. A ribonuclease de Anfinsen se redobrou quando os reagentes foram retirados. A pepsina fica inativa quando o pH sobe para 6,5 e pode ser reativada se o meio voltar a ficar ácido; acima de pH 8, a perda é definitiva. Nesses casos, a cadeia desdobrada continua solta em solução e reencontra a forma.

Na clara cozida, isso não acontece. As cadeias abertas se agregam umas às outras, e o emaranhado não se desfaz quando a temperatura cai. O resfriamento devolve as condições, e não a forma. A regra prática para itens: a desnaturação por calor intenso é, em geral, irreversível; uma frase que afirme que toda desnaturação é reversível, ou que toda é irreversível, está errada pelo absoluto.

A proteína não morre

Proteínas e enzimas não são seres vivos: não têm célula, não se reproduzem, não têm metabolismo. Dizer que o calor “mata” a enzima é linguagem figurada que leva a erro. A palavra certa é desnaturar: a molécula perde a forma. E desnaturar não é quebrar ligações peptídicas: uma frase que diga que o calor converte a proteína em aminoácidos livres descreve a hidrólise.

Exemplo resolvido: desnaturação ou hidrólise? Classifique o que acontece com as proteínas em cada situação.

I. Um pedaço de carne é deixado por duas horas em suco de abacaxi fresco e fica macio. O abacaxi fresco contém bromelina, uma protease. Ela corta ligações peptídicas das proteínas da carne. Hidrólise.

II. Filés de peixe cru ficam opacos e firmes depois de uma hora em suco de limão. Não há enzima na receita; o agente é a acidez. As proteínas do peixe perdem a forma e se agregam, como na clara cozida. Desnaturação por pH.

III. A clara de um ovo é batida até virar neve. A agitação desdobra parte das proteínas, que se reorganizam em torno das bolhas de ar. Desnaturação mecânica.

IV. No intestino delgado, a tripsina atua sobre as proteínas do alimento. A tripsina é uma protease. Hidrólise.

V. Um cubo de batata é fervido por cinco minutos e deixa de fazer a água oxigenada espumar. A catalase da batata perdeu a forma com o calor. Seus aminoácidos continuam ligados na mesma ordem. Desnaturação por calor.

O critério é uma pergunta só: as ligações peptídicas foram rompidas? Se há protease, ou ácido forte a quente por muito tempo, sim. Se há só calor, mudança de pH, álcool ou agitação, o que se perdeu foi a forma.

Enzimas: catalisadores que baixam a energia de ativação e saem inteiros

A água oxigenada da farmácia é uma solução de peróxido de hidrogênio. O peróxido se decompõe em água e gás oxigênio, e essa reação libera energia:

2 H2O2→2 H2O+O22\,\mathrm{H_2O_2 \rightarrow 2\,H_2O + O_2}

Mesmo assim, um frasco fechado dura meses. Uma reação que libera energia não acontece necessariamente depressa. Para reagir, as moléculas precisam primeiro passar por um estado em que ligações estão distorcidas ou parcialmente rompidas, e chegar a esse estado custa energia. Esse custo inicial é a energia de ativação (EaE_a). Em um gráfico de energia ao longo do caminho da reação, ela aparece como um morro entre os reagentes e os produtos. Na temperatura ambiente, poucas moléculas têm, a cada instante, energia para passar pelo morro, e a reação anda devagar.

Há dois modos de acelerar. Um é aquecer: mais moléculas passam a ter a energia necessária. A célula não pode usar esse recurso sem destruir as próprias proteínas. O outro é oferecer à reação um caminho com um morro mais baixo. Quem faz isso é o catalisador, e os catalisadores dos seres vivos são as enzimas.

Sobre a batata crua, a decomposição do peróxido leva segundos. A batata tem catalase, e cada molécula de catalase decompõe milhões de moléculas de peróxido por segundo. A espuma é o gás oxigênio que escapa. A mesma enzima existe nas células humanas, e é por isso que a água oxigenada espuma sobre um ferimento.

Gráfico com energia no eixo vertical e caminho da reação no eixo horizontal, sem escala. Duas curvas partem do mesmo patamar, rotulado reagentes, 2 H2O2, sobem, passam por um pico e descem até um patamar mais baixo, rotulado produtos, 2 H2O mais O2. A curva vermelha contínua, sem enzima, tem o pico alto; a curva verde tracejada, com enzima, a catalase, tem o pico bem mais baixo. Uma seta dupla vermelha, à esquerda, vai do patamar dos reagentes até a altura do pico maior: energia de ativação sem enzima. Uma seta dupla verde, no centro, vai do patamar dos reagentes até o pico menor: energia de ativação com enzima. Uma seta dupla azul, à direita, mede a distância entre o patamar dos reagentes e o dos produtos: energia liberada, igual nos dois casos. Uma faixa na base diz que, com o morro mais baixo, mais moléculas reagem a cada instante e a reação fica mais rápida.
O que a enzima muda e o que ela não muda, na decomposição da água oxigenada. O pico da curva é a energia de ativação: menor com a catalase. O patamar dos reagentes, o dos produtos e a diferença entre eles são os mesmos nas duas curvas. Eixos sem escala. Diagrama autoral.

O gráfico mostra o que a enzima muda e o que ela não muda.

  • Muda a energia de ativação: o morro fica mais baixo, e a reação fica mais rápida.
  • Não muda a energia dos reagentes nem a dos produtos. A energia liberada pela reação é a mesma, com ou sem enzima.
  • Não muda o equilíbrio da reação. A enzima acelera a ida e a volta na mesma proporção; o sistema chega mais depressa ao mesmo ponto final.
  • Não torna possível uma reação que não ocorreria sem ela. A enzima acelera reações que já são possíveis.
  • Não fornece energia. O que ela reduz é o custo inicial. A energia que a célula usa vem das reações, e não do catalisador.
  • Não é consumida. Ao fim de cada ciclo, a enzima está intacta e pronta para o próximo.

O ciclo de trabalho de uma enzima se escreve assim, com E para a enzima, S para o substrato e P para o produto:

E+S⇌ES→E+P\mathrm{E + S \rightleftharpoons ES \rightarrow E + P}

O substrato é a molécula sobre a qual a enzima age. Ele se liga à enzima e forma o complexo enzima-substrato (ES). A reação acontece, os produtos se soltam, e a enzima reaparece do lado direito da equação, igual ao que era do lado esquerdo.

Enzima

Enzima é um catalisador biológico, quase sempre uma proteína, que acelera uma reação específica ao reduzir a energia de ativação. Não altera os reagentes, os produtos, a energia liberada nem o equilíbrio, e não é consumida: uma mesma molécula de enzima catalisa a reação muitas vezes. Critério para itens: confira as duas propriedades que a prova inverte, a de não ser consumida e a de ser sensível a temperatura e pH.

Os nomes das enzimas costumam terminar em -ase e indicar o substrato ou o tipo de reação: amilase (hidrolisa amido), lactase (lactose), sacarase (sacarose), lipase (lipídios), protease (proteínas), celulase (celulose), catalase (decompõe o peróxido de hidrogênio), DNA polimerase (monta a cadeia de DNA). Algumas enzimas digestivas, descritas antes de a regra existir, conservam nomes antigos: pepsina, tripsina e ptialina, outro nome da amilase salivar.

A natureza das enzimas foi discutida por décadas. Em 1926, James Sumner cristalizou a urease, enzima do feijão-de-porco que decompõe a ureia, e mostrou que os cristais eram de proteína. O resultado lhe valeu parte do Prêmio Nobel de Química de 1946. A regra tem uma exceção conhecida: algumas moléculas de RNA também catalisam reações. São as ribozimas, e sua descoberta rendeu o Nobel de Química de 1989 a Thomas Cech e Sidney Altman. Em provas do ensino médio, a frase “as enzimas são proteínas” é tratada como certa; a frase “toda molécula com atividade catalítica nos seres vivos é proteína” não resiste às ribozimas.

Sítio ativo e especificidade: da chave-fechadura ao encaixe induzido

Na superfície dobrada da enzima existe uma cavidade, o sítio ativo. Sua forma e os radicais de aminoácidos que a revestem combinam com uma molécula ou com um grupo pequeno de moléculas parecidas. O substrato entra no sítio ativo, interações fracas o prendem na posição certa, e os radicais da cavidade distorcem as ligações do substrato ou trocam cargas com elas. É essa atuação que reduz a energia de ativação. Os produtos, com outra forma, deixam de se encaixar bem e se soltam.

Os aminoácidos que formam o sítio ativo podem estar distantes na sequência. É o dobramento que os aproxima. Por isso a perda da forma acaba com a atividade mesmo com a sequência intacta: desdobrada a cadeia, a cavidade deixa de existir.

Duas imagens descrevem o encaixe.

Chave-fechadura. Proposta pelo químico Emil Fischer em 1894: o substrato é a chave, o sítio ativo é a fechadura, e só a chave certa entra. A imagem explica bem a especificidade e o fato de a enzima não se gastar, como a fechadura não se gasta ao ser aberta. O limite da imagem é a rigidez. Uma fechadura não muda de forma, e uma enzima muda.

Encaixe induzido. Proposto por Daniel Koshland em 1958: o sítio ativo não é um molde pronto. Ao receber o substrato, a enzima ajusta sua forma em torno dele, como uma luva que se molda à mão, e esse ajuste posiciona os radicais que fazem a catálise. O modelo explica por que moléculas parecidas com o substrato podem se ligar sem reagir, e é o modelo aceito hoje. Seu limite como imagem: a luva não faz nada com a mão, e a enzima transforma o substrato.

Três quadros em sequência, ligados por setas. No primeiro, uma enzima verde com um entalhe em V na parte de cima, o sítio ativo; acima dele, uma peça laranja com ponta em V, o substrato, e uma seta para baixo; ao lado, uma molécula roxa arredondada com a legenda outra molécula, não encaixa. No segundo, as bordas do entalhe se fecharam em torno do substrato, formando o complexo enzima-substrato; um traço vermelho tracejado no meio do substrato tem a legenda ligação tensionada, menor energia de ativação. No terceiro, a enzima voltou à forma inicial, com a legenda mesma enzima, intacta, e duas peças laranja menores, os produtos, se afastam. Uma seta verde tracejada volta do terceiro quadro ao primeiro, com a frase a mesma molécula de enzima recomeça com outro substrato. Uma faixa na base resume os dois modelos: chave-fechadura, de Fischer, 1894, e encaixe induzido, de Koshland, 1958, e avisa que o esquema está fora de escala.
Um ciclo de catálise. O substrato se encaixa no sítio ativo, a enzima se ajusta em torno dele e tensiona a ligação que vai reagir, os produtos se soltam e a enzima volta ao estado inicial. Nada do que entra na reação fica preso à enzima. Esquema fora de escala. Diagrama autoral.

A especificidade tem consequências diretas. A lactase hidrolisa a lactose e não toca na sacarose. A amilase corta as ligações do amido e não as da celulose, embora os dois sejam polímeros de glicose, como explica a página de carboidratos. A catalase não age sobre proteínas nem sobre amido. A especificidade varia de grau: algumas enzimas aceitam um único substrato; outras, como as proteases digestivas, aceitam muitas proteínas diferentes, porque reconhecem um tipo de ligação e não a molécula inteira.

A enzima não é gasta, e a espuma que para não prova o contrário

Ponha um cubo de batata crua em água oxigenada: a espuma cresce e, depois de alguns minutos, para. A explicação tentadora é que a enzima acabou. O teste é simples: escorra o líquido e ponha água oxigenada nova sobre o mesmo cubo. A espuma volta. O que acabou foi o substrato. O PAS 1 de 2025 escreveu o erro no item 79: “As enzimas, que são insensíveis a variações de temperatura ou pH, são consumidas durante as reações enzimáticas que ocorrem nos alimentos ao longo do período de armazenamento.” Errado duas vezes: enzimas são sensíveis a temperatura e pH, e não são consumidas.

Temperatura: a curva sobe pela agitação e cai pela desnaturação

A velocidade de uma reação catalisada por enzima depende da temperatura por dois efeitos que atuam em sentidos opostos.

O primeiro vale para qualquer reação química. Moléculas mais quentes se movem mais depressa, colidem mais vezes e com mais energia. Enzima e substrato se encontram com mais frequência, e a velocidade aumenta.

O segundo vale para as proteínas. A partir de certa temperatura, as interações fracas que seguram a forma da enzima cedem, o sítio ativo se desfaz e o substrato deixa de se encaixar. É a desnaturação.

O resultado é uma curva assimétrica: sobe aos poucos, atinge um máximo e cai de modo abrupto. A temperatura do máximo é a temperatura ótima. Muitas enzimas humanas têm o ótimo perto de 37 °C, a temperatura do corpo. Enzimas de outros organismos têm outros valores. As de bactérias que vivem em fontes termais funcionam acima de 70 °C, e uma delas, a polimerase da bactéria Thermus aquaticus, é usada na técnica de PCR justamente por resistir ao calor.

Os dois lados da curva não são equivalentes.

  • Abaixo do ótimo, a enzima está inteira e trabalha devagar. O efeito é reversível: aquecida de volta, ela retoma a velocidade. Frio não desnatura.
  • Acima do ótimo, a enzima perde a forma. O efeito costuma ser irreversível: resfriada, ela não recupera a atividade.
Dois gráficos lado a lado, com atividade em porcentagem do máximo no eixo vertical. No da esquerda, o eixo horizontal é a temperatura, de 0 a 100 graus Celsius. A curva verde contínua, enzima humana, sobe devagar a partir de 0 grau, atinge o máximo perto de 37 graus e cai de forma abrupta, chegando a quase zero por volta de 55 graus; ao lado da subida está escrito frio: lenta e intacta, reversível, e ao lado da queda, calor: desnatura. A curva âmbar tracejada, enzima de bactéria de fonte termal, tem a mesma forma, com o máximo perto de 75 graus. No gráfico da direita, o eixo horizontal é o pH, de 0 a 14, e há três curvas em forma de sino: laranja contínua, pepsina, estômago, com máximo em pH 2; verde tracejada, amilase salivar, boca, com máximo em pH 7; azul contínua, tripsina, intestino delgado, com máximo perto de pH 8. Uma faixa na base diz que o ótimo é o valor do eixo horizontal sob o ponto mais alto da curva e que as curvas são esquemáticas.
As duas curvas que as provas cobram. Com a temperatura, a atividade sobe pela agitação das moléculas e cai pela desnaturação, o que dá uma curva assimétrica. Com o pH, a atividade cai dos dois lados do ótimo, e o ótimo acompanha o meio em que a enzima atua. Curvas esquemáticas. Diagrama autoral.

Essa assimetria explica duas técnicas de conservação de alimentos. A geladeira e o congelador reduzem a velocidade das enzimas do próprio alimento e das enzimas dos microrganismos. Não as destroem: fora da geladeira, as reações recomeçam, e é por isso que a cadeia de frio não pode ser interrompida. O branqueamento, um banho rápido de água fervente dado às hortaliças antes do congelamento, desnatura as enzimas do vegetal que causariam escurecimento e perda de sabor. O ENEM de 2024 usou a mesma ideia em uma questão sobre milho recém-colhido: mergulhadas em água fervente por alguns minutos, as espigas mantêm o sabor doce, porque a enzima que converteria os açúcares do grão em amido é desnaturada pelo calor.

A curva também explica o risco das temperaturas corporais muito altas. A febre que acompanha as infecções é uma resposta regulada do organismo e, sem tratamento, raramente passa de 40,6 °C. O perigo está nas temperaturas extremas, como as da insolação. Temperatura acima de 40 °C com confusão mental ou convulsões é uma emergência, e o dano ao cérebro por temperatura elevada, em geral, só ocorre acima de 42 °C. Uma das explicações para esse dano é a desta página: nessa faixa, proteínas das células começam a perder a forma. A avaliação de uma febre e a decisão de tratá-la cabem a profissionais de saúde.

Quanto mais quente, mais rápido: só até o ótimo

“A velocidade das reações enzimáticas aumenta com a temperatura” é verdade em um trecho da curva e falso no outro. Depois do ótimo, mais calor significa menos atividade. O erro oposto também aparece: dizer que o frio desnatura a enzima. Frio desacelera, e o efeito desaparece quando a temperatura volta. Um item que fale em refrigeração que destrói as enzimas de modo irreversível está errado.

Uma ressalva sobre os gráficos. As curvas de livro são esquemáticas. O valor exato do ótimo medido em laboratório depende do tempo do ensaio: em um ensaio curto, a enzima aguenta temperaturas que a desnaturariam em um ensaio longo. A forma da curva (subida, pico, queda) é o que se cobra.

Exemplo resolvido: a temperatura foi aplicada antes ou durante? Uma turma manteve cubos iguais de batata crua por 15 minutos em água a cinco temperaturas. Depois, deixou todos os cubos voltarem à temperatura da sala, cobriu cada um com água oxigenada e mediu a altura da espuma após 2 minutos. Os dados são ilustrativos, construídos para o exercício.

tratamento prévio do cubo altura da espuma (cm)
5 °C 3,3
25 °C 3,4
40 °C 3,5
60 °C 0,6
100 °C 0,0

Um grupo concluiu que a temperatura ótima da catalase é 40 °C. Outro, que o frio não afeta a enzima. O que os dados permitem dizer?

Veja primeiro o desenho. A reação foi medida sempre na temperatura da sala. O que variou foi o tratamento anterior. O experimento testa se a enzima resiste a cada temperatura, e não a velocidade da reação em cada temperatura.

A primeira conclusão não se sustenta. Os valores de 5, 25 e 40 °C são praticamente iguais, e nenhuma medida foi feita com a reação ocorrendo a 40 °C. Não há como localizar um ótimo.

A segunda conclusão precisa ser reescrita. Os dados mostram que 15 minutos a 5 °C não deixam efeito duradouro: a enzima volta a trabalhar normalmente. Eles não mostram a velocidade a 5 °C, que seria menor.

O que a série permite afirmar: o aquecimento a 60 °C reduz a atividade de forma duradoura, e a fervura a elimina. A desnaturação da catalase da batata, nessas condições, começa em alguma temperatura entre 40 e 60 °C.

Conferência: se o efeito do calor fosse só o de acelerar ou desacelerar, todos os cubos, medidos na mesma temperatura, dariam a mesma espuma. A diferença que sobra depois do tratamento é a marca de uma mudança permanente na enzima.

pH: cada enzima no meio em que trabalha

O pH mede a acidez de um meio. O valor 7 é neutro; abaixo de 7, o meio é ácido; acima, básico. A escala e seu significado químico estão em água e sais minerais.

Vários radicais de aminoácidos ganham ou perdem carga elétrica conforme o pH. Como as cargas participam do dobramento e da ligação com o substrato, mudar o pH muda a forma do sítio ativo e a capacidade de catálise. Cada enzima tem um pH ótimo, em que a atividade é máxima, e a atividade cai dos dois lados dele. Em valores extremos, a enzima desnatura.

O pH ótimo acompanha o lugar em que a enzima atua. O tubo digestório humano oferece três casos.

enzima onde atua pH do meio pH ótimo aproximado substrato
amilase salivar (ptialina) boca perto de 7 cerca de 7 amido
pepsina estômago entre 1,5 e 3,5 cerca de 2 proteínas
tripsina intestino delgado levemente básico, entre 7 e 8 cerca de 8 proteínas

A sequência tem consequências. A amilase salivar começa a hidrolisar o amido na boca e para de funcionar quando o bolo alimentar se mistura ao suco gástrico, ácido demais para ela. A pepsina trabalha no estômago e fica inativa quando o conteúdo chega ao intestino, onde o bicarbonato do suco pancreático eleva o pH. Medidas com pepsina humana mostram atividade máxima em pH 2 e nenhuma atividade em pH 6,5 ou mais. A tripsina, produzida pelo pâncreas, assume a digestão das proteínas no meio básico do intestino. Duas enzimas com o mesmo tipo de substrato, pepsina e tripsina, têm ótimos em pontos opostos da escala. O percurso completo está em sistema digestório.

O PAS 1 de 2015 cobrou a leitura de gráficos de atividade em função do pH em um item de múltipla escolha, o 79. O caderno trazia quatro curvas de enzimas hipotéticas. A enzima I tinha curva em forma de sino entre pH 5 e 11, com máximo em 8. A enzima II subia de zero, em pH 4, até o máximo em pH 7 e ficava no máximo até pH 10. A enzima III já tinha cerca de 70 % de atividade em pH 1, atingia o máximo em pH 2 e caía até zero em pH 6. A enzima IV mantinha atividade máxima constante entre pH 4 e 8. A opção correta era a D: “A maior atividade enzimática detectada para a enzima III ocorre com um valor de pH 2, sendo esse, portanto, o valor do seu pH ótimo.” As outras três opções contradiziam os gráficos: diziam que a enzima I sofre pouca influência do pH (a curva dela vai de zero ao máximo e volta a zero), que a enzima IV é inibida na faixa analisada (ela está sempre no máximo) e que a enzima II não sofre influência do pH (ela sobe de zero ao máximo entre 4 e 7). O item se resolve anotando, para cada curva, onde está o máximo e se a linha sobe, desce ou fica plana.

Temperatura ótima e pH ótimo

Temperatura ótima e pH ótimo são os valores em que a atividade de uma enzima é máxima, nas condições do ensaio. Não existe um valor único para todas as enzimas: cada uma tem os seus, relacionados ao meio em que atua. Exemplos: pepsina, pH 2; amilase salivar, pH 7; tripsina, pH 8; enzimas humanas, em geral, perto de 37 °C; enzimas de bactérias de fontes termais, acima de 70 °C. Leitura de gráfico: o ótimo é a abscissa do ponto mais alto da curva.

Concentração de substrato e de enzima: por que a velocidade tem teto

Mantenha fixos a quantidade de enzima, a temperatura e o pH, e aumente a concentração de substrato. No começo, a velocidade cresce quase na mesma proporção: há sítios ativos vazios, e mais substrato significa mais encontros. Depois, cada aumento rende menos. Por fim, a velocidade se aproxima de um valor máximo e para de crescer. Nesse ponto, todas as moléculas de enzima estão ocupadas a cada instante. A enzima está saturada.

A comparação com os caixas de um supermercado ajuda. Com poucos clientes, cada cliente novo é atendido na hora, e o número de atendimentos por minuto cresce com o número de clientes. Quando todos os caixas estão ocupados, clientes a mais só aumentam a fila. O número de atendimentos por minuto passa a depender do número de caixas.

Daí sai a segunda regra. Com substrato em excesso, a velocidade é proporcional à concentração de enzima: o dobro de enzima dá o dobro da velocidade máxima. O teto sobe, e continua sendo um teto.

Dois gráficos de velocidade, no eixo vertical, contra concentração de substrato, no eixo horizontal, de 0 a 64 unidades arbitrárias. No da esquerda, intitulado mesma enzima, em duas quantidades, a curva verde contínua sobe depressa no início, vai se curvando e se aproxima de uma linha pontilhada na altura 100, com a legenda enzima saturada, teto 100; sete pontos marcam os valores da tabela do texto. A curva azul tracejada tem a mesma forma e se aproxima da linha 200, com a legenda dobro de enzima, teto 200. No gráfico da direita, intitulado com inibidor, mesma quantidade de enzima, há três curvas: a verde contínua, sem inibidor, tende ao teto 100; a roxa tracejada, inibidor competitivo, sobe mais devagar e se aproxima do mesmo teto com mais substrato; a vermelha pontilhada, inibidor não competitivo, tende a um teto mais baixo, de 50. Uma faixa na base explica que, no teto, todos os sítios ativos estão ocupados a cada instante, e que as curvas e os valores são ilustrativos.
A velocidade de uma reação catalisada cresce com a concentração de substrato e se aproxima de um teto, quando a enzima está saturada. Dobrar a enzima dobra o teto. O inibidor competitivo é vencido por excesso de substrato; o não competitivo baixa o teto. Curvas ilustrativas. Diagrama autoral.

Exemplo resolvido: ler uma curva de saturação. A tabela mostra a velocidade inicial de uma reação, em unidades arbitrárias, para concentrações crescentes de substrato, com a mesma quantidade de enzima em todos os tubos. Os valores são ilustrativos.

concentração de substrato 1 2 4 8 16 32 64
velocidade 20 33 50 67 80 89 94

(a) O que acontece com a velocidade quando a concentração dobra de 1 para 2? E de 32 para 64? (b) Para que valor a velocidade tende? © O que aconteceria com a tabela se a quantidade de enzima fosse dobrada?

(a) De 1 para 2, a velocidade vai de 20 a 33, um aumento de 65 %. De 32 para 64, vai de 89 a 94, um aumento de cerca de 6 %. O mesmo fator de aumento no substrato rende cada vez menos.

(b) Os valores se aproximam de 100 sem alcançá-lo. Esse é o teto, a velocidade máxima para essa quantidade de enzima.

© Todos os valores dobrariam: cerca de 40, 67, 100, 133, 160, 178 e 188, com teto de 200. A forma da curva seria a mesma.

Conferência: a metade do teto, 50, é atingida na concentração 4. Em uma curva de saturação, dobrar a concentração a partir desse ponto não leva ao teto: leva a 67. Quem lê a curva como uma reta espera 100 e erra.

A curva de saturação derruba duas ideias de uma vez. Mais substrato não significa reação cada vez mais rápida, sem limite. E a parada no crescimento não indica que a enzima foi gasta ou desnaturada: indica que está toda ocupada.

Cofatores, coenzimas e vitaminas: as peças que completam a enzima

Muitas enzimas só funcionam com a ajuda de um componente que não é proteína. O nome geral desse componente é cofator.

  • Alguns cofatores são íons de metais: magnésio, zinco, ferro, cobre. A catalase, por exemplo, tem um átomo de ferro em cada um dos quatro sítios ativos.
  • Outros são moléculas orgânicas pequenas, as coenzimas. As mais citadas são o NAD+\mathrm{NAD^+} e o FAD, que transportam elétrons nas reações da respiração celular, e a coenzima A.

A parte proteica, sozinha, tem a sequência correta e a forma quase correta, e não catalisa. Com o cofator no lugar, o sítio ativo fica completo. Alguns livros usam os termos apoenzima, para a parte proteica, e holoenzima, para o conjunto ativo.

As vitaminas pertencem a esse grupo. Vitaminas são compostos orgânicos de que o organismo precisa em quantidades pequenas, da ordem de miligramas ou microgramas por dia, e que ele não sintetiza, ou sintetiza em quantidade insuficiente. A lógica é a mesma dos aminoácidos essenciais. Elas se dividem em dois grupos pela solubilidade. As hidrossolúveis são as do complexo B e a vitamina C. As lipossolúveis são A, D, E e K, tratadas na página de lipídios.

As vitaminas hidrossolúveis têm um papel em comum: são coenzimas ou matéria-prima de coenzimas.

vitamina coenzima ou papel carência clássica
B1 (tiamina) forma o pirofosfato de tiamina, coenzima de enzimas do metabolismo dos carboidratos beribéri: fraqueza, alterações nos nervos e no coração
B2 (riboflavina) forma o FAD lesões na boca e na pele
B3 (niacina) forma o NAD+\mathrm{NAD^+} pelagra: lesões de pele, diarreia e alterações mentais
B9 (ácido fólico) coenzima da síntese de componentes do DNA anemia; na gestação, associada a defeitos na formação do sistema nervoso do embrião
B12 (cobalamina) coenzima de reações ligadas à formação das hemácias e à manutenção dos nervos anemia e lesão de nervos
C (ácido ascórbico) cofator de enzimas que dão ao colágeno sua forma final escorbuto: sangramento das gengivas, má cicatrização

Dois comentários sobre a tabela. A vitamina B12 existe naturalmente em alimentos de origem animal e não em vegetais, a não ser nos fortificados. E a tiamina é hidrossolúvel e sensível ao calor: parte dela se perde quando o arroz é lavado e quando a água do cozimento é descartada.

A história do beribéri mostra o raciocínio. Na década de 1890, em Batávia, hoje Jacarta, o médico holandês Christiaan Eijkman procurava o micróbio que se supunha causar a doença. Ele observou que galinhas alimentadas com arroz polido desenvolviam sintomas parecidos com os do beribéri e que se recuperavam com arroz integral. Em 1897, publicou os resultados e concluiu que a película do grão continha uma substância que combatia a doença; para ele, era um antídoto contra uma toxina do arroz polido. Foi seu colaborador Gerrit Grijns quem, em 1901, propôs a leitura que prevaleceu: a doença vinha da falta de um nutriente que o polimento retirava. A substância, isolada décadas depois, é a tiamina, a vitamina B1. Eijkman dividiu o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 1929. A ideia de que uma doença pode ser causada por algo que falta, e não por algo que entra, nasceu desses experimentos e da releitura deles.

O beribéri não ficou no passado. Um guia do Ministério da Saúde, de 2012, registra casos notificados a partir de 2006 no Maranhão e no Tocantins e, em 2008, em Roraima. O documento associa a deficiência a dietas baseadas em arroz polido ou farinha de mandioca, pobres em tiamina, e aponta o consumo excessivo de álcool entre os fatores de risco.

Vitamina não fornece energia

Vitaminas não são oxidadas para produzir ATP e não têm valor calórico. O que algumas fazem é completar as enzimas que extraem energia dos carboidratos e das gorduras. Sem a coenzima, a enzima para, e a produção de energia cai. Com a coenzima em excesso, a enzima não trabalha mais depressa do que seu teto. O PAS 1 de 2011 pôs o erro em um texto sobre a alimentação dos marinheiros das caravelas, no item 37: “Na dieta dos marinheiros, não constavam vitaminas, excelentes fontes diretas de calorias, o que provocava déficit calórico no organismo dos marinheiros e doenças.” Errado: o que a falta de vitamina C causava era o escorbuto, e não déficit de calorias.

Sobre suplementos, a página se limita ao mecanismo. O excesso de vitaminas hidrossolúveis tende a ser eliminado na urina, e o de lipossolúveis se acumula no organismo, o que pode causar intoxicação. A decisão de suplementar é assunto de consulta com médico ou nutricionista.

Inibidores: remédios e venenos que param uma enzima

Um inibidor é uma substância que se liga a uma enzima e reduz sua atividade. A inibição não é um defeito: é um dos modos pelos quais a célula regula o próprio metabolismo, e é o mecanismo de muitos medicamentos e venenos.

Os inibidores se classificam pelo lugar em que se ligam.

Inibição competitiva. O inibidor se parece com o substrato e se liga ao sítio ativo, sem reagir. Enquanto ele está ali, o substrato não entra. Inibidor e substrato disputam o mesmo lugar, e a disputa depende das quantidades. Aumentar muito a concentração de substrato desloca o inibidor, e a velocidade máxima acaba sendo alcançada.

Inibição não competitiva. O inibidor se liga a outro ponto da enzima, fora do sítio ativo, e essa ligação deforma a molécula ou trava seu funcionamento. O substrato ainda pode se ligar, mas a catálise não acontece. Aumentar o substrato não resolve, porque não há disputa pelo mesmo lugar. O efeito aparece no gráfico como um teto mais baixo.

Três quadros com a mesma enzima verde, que tem um entalhe em V no alto, o sítio ativo. No primeiro, sem inibidor, uma peça laranja marcada S, o substrato, está encaixada no entalhe; o texto diz que o substrato ocupa o sítio ativo e é transformado em produto. No segundo, inibição competitiva, uma peça roxa marcada I, de base igual à do substrato e topo arredondado, ocupa o entalhe; o substrato está do lado de fora, com uma seta tracejada que aponta para o sítio e a legenda lugar ocupado; o texto diz que o inibidor se parece com o substrato e disputa o sítio ativo, que mais substrato desloca o inibidor, e dá o exemplo das sulfas. No terceiro, inibição não competitiva, uma peça vermelha marcada I está encaixada na lateral direita da enzima, e o entalhe do alto aparece mais raso e estreito, com a legenda sítio ativo deformado; o substrato, acima, não se encaixa; o texto diz que o inibidor se liga a outro ponto e muda a forma da enzima, que mais substrato não resolve, e dá o exemplo da retroalimentação. Uma faixa na base distingue inibidores reversíveis, como o ibuprofeno, de irreversíveis, como a aspirina e a penicilina.
Dois lugares para um inibidor. O competitivo ocupa o sítio ativo, e o substrato só entra quando ele sai; por isso, substrato em excesso reduz o efeito. O não competitivo se liga fora do sítio ativo e muda a forma da enzima; o excesso de substrato não desfaz o efeito. Esquema fora de escala. Diagrama autoral.

Uma segunda classificação, independente da primeira, separa os inibidores reversíveis, que se ligam e se soltam, dos irreversíveis, que se prendem à enzima por ligação covalente e a inutilizam. A célula só recupera a atividade fabricando enzima nova.

substância enzima afetada como age consequência
sulfas (antibióticos) enzima bacteriana da síntese de ácido fólico competitiva: a sulfa se parece com o substrato natural a bactéria para de se multiplicar; as células humanas, que não fabricam ácido fólico, não são afetadas por esse mecanismo
ibuprofeno ciclo-oxigenase (COX), que produz prostaglandinas inibidor reversível menos prostaglandinas, menos dor, febre e inflamação
aspirina ciclo-oxigenase (COX) irreversível: transfere um grupo acetila a um aminoácido da enzima mesmo efeito; nas plaquetas, dura enquanto a plaqueta existir
penicilina enzimas que montam a parede celular das bactérias liga-se a essas enzimas e as inativa a parede fica fraca, e a bactéria em crescimento se rompe
captopril enzima conversora da angiotensina competitiva menor produção de um hormônio que contrai os vasos; a pressão arterial cai
fomepizol álcool desidrogenase do fígado competitiva usado em intoxicação por metanol: impede a formação dos produtos tóxicos
organofosforados (inseticidas) acetilcolinesterase, que desfaz o neurotransmissor acetilcolina inativam a enzima de modo duradouro o neurotransmissor se acumula; contrações, secreções e risco de morte
cianeto citocromo c oxidase, enzima da última etapa da respiração celular liga-se ao ferro da enzima a célula deixa de usar o oxigênio e de produzir ATP

O captopril tem história brasileira. Em 1965, o farmacologista Sérgio Ferreira, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, descreveu no veneno da jararaca um conjunto de peptídeos que aumentavam o efeito da bradicinina, substância que dilata os vasos. Esses peptídeos inibiam a enzima conversora da angiotensina, e serviram de modelo para o desenho do captopril e de uma classe inteira de medicamentos contra a hipertensão.

Em todos os casos da tabela, a lógica é a especificidade ao contrário. Uma enzima reconhece o substrato pela forma; uma molécula com a forma adequada pode ocupar o lugar dele. Um bom antibiótico é o que inibe uma enzima que a bactéria tem e as células humanas não têm.

A própria célula usa a inibição para se regular. Em muitas vias metabólicas, o produto final se liga à primeira enzima da via, em um ponto fora do sítio ativo, e reduz sua atividade. Quando o produto sobra, a via desacelera; quando falta, a via retoma. É a inibição por retroalimentação: reversível e, como o inibidor se liga fora do sítio ativo, do tipo não competitivo. Os bioquímicos a descrevem como regulação alostérica.

Nenhuma informação desta seção substitui orientação profissional. Os mecanismos explicam por que os remédios funcionam; dose, indicação e risco são assunto de médicos e farmacêuticos.

Enzimas na cozinha, na lavanderia e na indústria

Quando uma transformação química acontece depressa em temperatura ambiente e em meio quase neutro, há boa chance de uma enzima estar envolvida.

  • O pão que adoça na boca. A amilase da saliva hidrolisa o amido em açúcares menores, de sabor doce. Um pedaço de pão mastigado por um minuto fica adocicado.
  • O leite sem lactose. A indústria acrescenta lactase ao leite. A enzima hidrolisa a lactose em glicose e galactose antes do consumo. O leite continua tendo açúcares, e é levemente mais doce.
  • O amaciante de carne. A papaína do mamão e a bromelina do abacaxi são proteases. Elas hidrolisam parte das proteínas da carne, que fica mais macia. Os amaciantes em pó contêm essas enzimas.
  • A gelatina com abacaxi. A gelatina é colágeno parcialmente hidrolisado. Ao esfriar, suas cadeias se enlaçam em uma rede que retém a água. A bromelina do abacaxi fresco corta as cadeias, e a rede não se forma. No abacaxi cozido ou em calda, a bromelina foi desnaturada, e a gelatina endurece. Um gel de ágar, que é polissacarídeo de algas, endurece mesmo com abacaxi fresco, porque a protease não tem o que cortar.
  • O sabão em pó com enzimas. Esses produtos contêm proteases, lipases e amilases produzidas por microrganismos e selecionadas para funcionar em meio básico. Elas hidrolisam as proteínas, as gorduras e o amido das manchas em fragmentos que a água leva. O rótulo recomenda água fria ou morna porque, em água muito quente, as enzimas desnaturam.
  • A água oxigenada que espuma. No ferimento, no fígado cru e na batata crua, a catalase das células decompõe o peróxido de hidrogênio em água e gás oxigênio.
  • A maçã que escurece. Quando a fruta é cortada, uma enzima do próprio tecido, a polifenol oxidase, entra em contato com o oxigênio do ar e com compostos da célula, e a reação produz pigmentos escuros. Suco de limão retarda o escurecimento: a acidez afasta o meio do pH ótimo da enzima, e a vitamina C do suco desfaz os primeiros produtos da oxidação. Cobrir a fruta com filme plástico reduz o contato com o oxigênio. A água fervente desnatura a enzima.
  • O queijo. O coalho contém quimosina, uma protease que corta a caseína em um ponto específico. O corte faz as partículas de caseína se agregarem, e o leite coagula sem precisar azedar.

A indústria usa enzimas pelos mesmos motivos que as células: são específicas, funcionam em condições brandas e não são gastas. Os microrganismos são a principal fonte das enzimas de uso industrial, e é possível modificá-los geneticamente para que produzam a enzima desejada.

Enzima engolida é proteína digerida

Um anúncio promete que cápsulas de lipase “digerem a gordura acumulada”, ou que colágeno em pó “vai direto para a pele”. O raciocínio desta página permite avaliar as duas frases. Enzimas e colágeno são proteínas. Proteína ingerida é desnaturada pelo ácido do estômago e hidrolisada pelas proteases; o que o intestino absorve são aminoácidos e peptídeos muito pequenos, e não a molécula inteira. É por isso que a insulina, que também é proteína, é aplicada por injeção. Uma enzima engolida só pode agir dentro do tubo digestório, sobre o alimento, enquanto não for digerida. O colágeno engolido vira aminoácidos, como qualquer outra proteína da dieta, e a pele fabrica o próprio colágeno a partir dos aminoácidos disponíveis.

Exemplo resolvido: a gelatina, o abacaxi e os controles. Uma turma preparou quatro potes iguais de gelatina ainda líquida e acrescentou: (1) nada; (2) uma colher de abacaxi fresco picado; (3) uma colher de abacaxi fresco fervido por cinco minutos e resfriado; (4) uma colher de abacaxi em calda. Depois de quatro horas na geladeira, a gelatina estava firme nos potes 1, 3 e 4 e líquida no pote 2. Um grupo concluiu que o abacaxi tem uma substância que impede a gelatina de endurecer e que o calor destrói essa substância. Outro grupo objetou que a diferença do pote 4 poderia ser causada pelo açúcar da calda. Avalie.

Identifique as peças. A variável que o experimentador muda é o tratamento do abacaxi. A variável medida é a gelatina endurecer ou não. O pote 1 é o controle: mostra que a gelatina, sozinha, endurece.

A primeira parte da conclusão se apoia na comparação entre os potes 1 e 2, que diferem só pela presença do abacaxi fresco. A segunda se apoia na comparação entre 2 e 3: a mesma fruta, na mesma quantidade, com a fervura como única diferença.

O pote 4 não decide nada, e a objeção procede. O abacaxi em calda difere do fresco em duas coisas ao mesmo tempo: foi aquecido e está em açúcar. Uma comparação com duas diferenças não permite atribuir o resultado a uma delas. O teste que responde à objeção é um pote 5, com abacaxi fresco mais a mesma quantidade de açúcar da calda. Se ele ficar líquido, o açúcar não é a causa.

Um limite a registrar: o experimento mostra que algo no abacaxi fresco impede o endurecimento e é inativado pelo calor. Ele é compatível com a explicação de que esse algo é uma protease, mas não a prova sozinho. Uma previsão que testa a explicação: com gel de ágar no lugar da gelatina, o abacaxi fresco não deve impedir o endurecimento.

Como ler gráficos e tabelas de experimentos com enzimas

Quatro gráficos aparecem em provas sobre o assunto. Para cada um, vale saber a forma esperada e a frase que a explica.

gráfico forma por que
energia × caminho da reação duas curvas com mesmo início e mesmo fim; a da enzima tem o morro mais baixo a enzima reduz a energia de ativação e não altera a energia de reagentes e produtos
velocidade × temperatura sobe, atinge um pico e cai de modo abrupto agitação molecular na subida; desnaturação na queda
velocidade × pH sino em torno do pH ótimo, em posição diferente para cada enzima as cargas dos radicais dependem do pH
velocidade × concentração de substrato sobe e se aproxima de um teto saturação dos sítios ativos

Antes de julgar qualquer afirmação sobre um gráfico, leia os eixos. Um eixo vertical com “atividade (% do máximo)” compara cada enzima com ela mesma: duas curvas que chegam a 100 % não têm, por isso, a mesma velocidade absoluta. Um eixo vertical com “quantidade de produto” mede outra coisa, e a inclinação da curva é que dá a velocidade.

Em tabelas de experimento, procure três coisas.

  1. O que foi variado. Um bom experimento muda uma coisa de cada vez. Se dois tubos diferem em temperatura e em pH, a diferença de resultado não pode ser atribuída a nenhum dos dois.
  2. Os controles. Um tubo sem enzima mostra se a reação ocorre sozinha. Um tubo com enzima fervida mostra se o efeito depende da forma da proteína. Um tubo sem substrato mostra se o indicador reage com outra coisa.
  3. Quando o fator foi aplicado. Aquecer a enzima antes da medida testa a resistência. Aquecer durante a medida testa a velocidade.

Exemplo resolvido: cinco tubos com amilase. Cinco tubos receberam 5 mL de solução de amido. Depois de 15 minutos, cada um recebeu três gotas de lugol, que fica azul-escuro na presença de amido e castanho na ausência dele. Os resultados são os esperados para o desenho, apresentados para exercício.

tubo acrescentado ao amido temperatura cor com lugol
1 água 37 °C azul-escuro
2 saliva 37 °C castanho
3 saliva fervida e resfriada 37 °C azul-escuro
4 saliva 0 °C (banho de gelo) azul-escuro
5 saliva com gotas de ácido clorídrico (pH 2) 37 °C azul-escuro

(a) O que cada comparação mostra? (b) O que aconteceria se o tubo 4 fosse passado para 37 °C por 15 minutos? E o tubo 3?

(a) Tubos 1 e 2: o amido não desaparece sozinho em 15 minutos; com saliva, desaparece. Algo na saliva acelera a hidrólise do amido. Tubos 2 e 3: a fervura acaba com o efeito, o que é esperado para uma enzima desnaturada. Tubos 2 e 4: no gelo, o amido não foi hidrolisado no tempo do ensaio. Tubos 2 e 5: em pH 2, a amilase salivar não funciona.

(b) No tubo 4, a amilase está intacta. Aquecido a 37 °C, ele deve passar a castanho em um novo teste: o frio só tinha reduzido a velocidade. No tubo 3, a enzima foi desnaturada pela fervura, e o tubo deve continuar azul-escuro. Essa diferença entre os tubos 3 e 4 é a diferença entre irreversível e reversível.

Conferência: o tubo 1 é indispensável. Sem ele, um resultado castanho no tubo 2 poderia ser atribuído ao próprio lugol ou ao tempo. E um limite: o lugol mostra que o amido sumiu, e não em que ele se transformou. Para afirmar que o produto é um açúcar, seria preciso outro teste, como o de Benedict, descrito em carboidratos.

Como a prova cobra: oito itens reais do PAS

Esta página cita oito itens reais do PAS: cinco da 1.ª etapa sobre proteínas e enzimas (2014, item 63; 2015, item 79; 2023, item 46; 2025, itens 79 e 82), um da 1.ª etapa sobre vitaminas (2011, item 37) e dois da 3.ª etapa sobre a hemoglobina (2022, itens 61 e 63). Cinco estão certos, dois estão errados e um é de múltipla escolha.

item o que afirma gabarito onde está a decisão
PAS 1 2014, 63 carne, ovo e leite fornecem aminoácidos essenciais, não sintetizados pelas células humanas C definição de essencial
PAS 1 2023, 46 o glúten forma uma rede de proteínas que dá elasticidade à massa C glúten é proteína
PAS 1 2025, 82 o nitrogênio dos fertilizantes contribui para a síntese de proteínas porque os aminoácidos contêm nitrogênio C composição do aminoácido; causa correta
PAS 3 2022, 61 a mutação alterou um único aminoácido da cadeia beta da hemoglobina C uma troca na sequência
PAS 3 2022, 63 a hemoglobina é a molécula à qual se liga o oxigênio C função de transporte
PAS 1 2015, 79 (múltipla escolha) a enzima III tem atividade máxima em pH 2, seu pH ótimo opção D leitura do pico da curva
PAS 1 2025, 79 enzimas insensíveis a temperatura e pH, consumidas nas reações E duas propriedades invertidas
PAS 1 2011, 37 vitaminas como fontes diretas de calorias E vitamina não fornece energia

Nos itens certos, a frase afirma uma propriedade correta com o vocabulário preciso: rede de proteínas, aminoácidos essenciais, contêm nitrogênio. Nos dois errados, a cena é plausível e uma propriedade foi invertida. No item de 2025, o erro está em parte dentro de uma oração entre vírgulas (“que são insensíveis a variações de temperatura ou pH”), que o leitor apressado aceita de passagem. Leia as orações intercaladas como afirmações separadas.

Exemplo resolvido: julgar quatro afirmações. Julgue cada uma como certa ou errada.

I. A desnaturação de uma proteína pelo calor rompe as ligações peptídicas entre seus aminoácidos, o que a converte em aminoácidos livres. A primeira oração descreve a hidrólise, e não a desnaturação. Na desnaturação, a sequência fica intacta. Errada.

II. Febres muito altas são perigosas, entre outros motivos, porque a temperatura corporal elevada pode alterar a forma tridimensional de enzimas e comprometer a atividade catalítica delas. A frase é longa, e cada parte confere: temperatura elevada, perda de forma, perda de atividade. A expressão “entre outros motivos” evita o absoluto. Certa.

III. Como são catalisadores biológicos, as enzimas digestivas não têm especificidade: a amilase da saliva acelera a hidrólise do amido, das proteínas e dos lipídios. Ser catalisador não implica ser inespecífico. A amilase age sobre o amido, e só sobre ele. Errada.

IV. A refrigeração reduz a velocidade das reações enzimáticas de deterioração dos alimentos sem desnaturar as enzimas, de modo que, de volta à temperatura ambiente, essas reações voltam a ocorrer. Frio desacelera e não desnatura; o efeito é reversível. Certa.

O roteiro para itens sobre enzimas tem três perguntas. A frase diz que a enzima é consumida, fornece energia ou muda o resultado da reação? Se diz, está errada. A frase trata frio e calor como equivalentes? Se trata, está errada. A frase chama de desnaturação o que é hidrólise, ou de enzima o que é proteína estrutural? Confira a definição antes de marcar.

Doze erros clássicos

  1. “A enzima é consumida na reação.” Catalisador não é reagente. A enzima sai intacta e recomeça. A reação para quando o substrato acaba.
  2. “A enzima fornece energia para a reação.” Ela reduz a energia de ativação. A energia liberada ou absorvida pela reação é a mesma com ou sem enzima.
  3. “A enzima muda os produtos ou o equilíbrio.” Ela só muda a velocidade com que o mesmo resultado é alcançado.
  4. “A enzima morre com o calor.” Enzima não é ser vivo. O calor a desnatura: ela perde a forma.
  5. “Desnaturar é quebrar ligações peptídicas.” Desnaturar é perder a forma, com a sequência preservada. Quem rompe ligações peptídicas é a hidrólise.
  6. “Quanto mais quente, mais rápido, sempre.” Só até a temperatura ótima. Depois dela, a enzima desnatura e a velocidade despenca.
  7. “O frio desnatura as enzimas.” O frio reduz a velocidade, de modo reversível.
  8. “Toda enzima tem ótimo em pH 7.” Cada enzima tem o seu: pepsina perto de 2, tripsina perto de 8.
  9. “Toda proteína é enzima.” Colágeno, queratina, hemoglobina, anticorpos e glúten são proteínas sem função catalítica.
  10. “Proteína só serve para músculo.” Estrutura, transporte, defesa, regulação, movimento, catálise e reserva.
  11. “Vitamina dá energia.” Vitaminas não têm valor calórico. Várias são coenzimas de reações que liberam energia de outros nutrientes.
  12. “Aminoácido essencial é o mais importante” e “proteína vegetal não tem aminoácidos essenciais.” Essencial é o que o corpo não sintetiza. Os alimentos vegetais os contêm, em proporções diferentes, e se complementam.

O essencial em meia página

  • Aminoácido: carbono central ligado a amina, carboxila, hidrogênio e radical R. São vinte; todos têm nitrogênio. Essenciais são os nove que as células humanas não sintetizam. Cereais têm pouca lisina; leguminosas, pouca metionina; arroz com feijão se completam.
  • Ligação peptídica: une a carboxila de um aminoácido à amina do seguinte, com saída de uma água. Cadeia de nn aminoácidos: n−1n - 1 ligações e n−1n - 1 águas. Com kk cadeias: n−kn - k ligações. Sequências possíveis: 20n20^n.
  • Estrutura: primária (sequência), secundária (alfa-hélice e folha beta, por ligações de hidrogênio), terciária (dobramento da cadeia, por interações entre radicais e pontes dissulfeto), quaternária (várias cadeias). A sequência decide a forma; a forma decide a função. Na hemoglobina S, um aminoácido trocado na cadeia beta muda o comportamento da molécula.
  • Funções: estrutural (colágeno, queratina), transporte (hemoglobina), defesa (anticorpos), hormonal (insulina), contração (actina e miosina), catálise (enzimas), reserva (ovalbumina, caseína). Glúten é rede de proteínas. Proteína fornece 4 kcal/g.
  • Desnaturação: perda da forma por calor, pH, álcool, sais ou agitação, com a sequência preservada. Pode ser reversível; por calor intenso, em geral é irreversível. Hidrólise rompe ligações peptídicas e consome água.
  • Enzima: catalisador biológico, quase sempre proteína. Reduz a energia de ativação; não é consumida; não altera reagentes, produtos, energia liberada nem equilíbrio. Tem sítio ativo e é específica. Modelos: chave-fechadura (Fischer, 1894) e encaixe induzido (Koshland, 1958). Nomes em -ase.
  • Temperatura: a velocidade sobe até o ótimo e cai por desnaturação. Frio desacelera (reversível); calor excessivo desnatura (em geral irreversível). pH: ótimo próprio de cada enzima (pepsina 2, amilase salivar 7, tripsina 8).
  • Substrato: a velocidade cresce e se aproxima de um teto, a saturação. Com substrato em excesso, a velocidade é proporcional à quantidade de enzima.
  • Cofatores e coenzimas completam o sítio ativo. As vitaminas hidrossolúveis (complexo B e C) são coenzimas ou seus precursores e não fornecem energia. Carências: beribéri (B1), pelagra (B3), escorbuto ©.
  • Inibidores: o competitivo disputa o sítio ativo e é vencido por excesso de substrato; o não competitivo se liga a outro ponto e reduz o teto. Sulfas, ibuprofeno, aspirina, penicilina, captopril, organofosforados e cianeto agem sobre enzimas.
  • Na prova: confira se a frase respeita as duas propriedades das enzimas (não consumidas; sensíveis a temperatura e pH) e se não troca desnaturação por hidrólise, enzima por proteína estrutural ou vitamina por fonte de energia.

Exercícios temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.

Flashcards temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar os cartões de revisão.

PROTEÍNAS, aminoácidos e desnaturação (ENEM) - Bioquímica - Vídeo Aula - Luix Nascimento Biologia
Luix Nascimento Biologia · 34:06
Introdução às proteínas. Em 34 minutos, a aula percorre as funções das proteínas, os aminoácidos e a ligação peptídica, as estruturas primária, secundária, terciária e quaternária, a relação entre forma e função e a desnaturação, com capítulos marcados na descrição (funções aos 2:33, aminoácidos e ligação peptídica aos 7:50, estruturas aos 15:10, desnaturação aos 23:45). Cobre as seções “Aminoácidos: vinte unidades com a mesma planta e um radical diferente”, “Quatro níveis de estrutura” e “Desnaturação”. Uma ressalva: o capítulo de 28:45 a 31:10 apresenta a anemia falciforme como “exemplo de desnaturação”. Isso é um erro conceitual: na hemoglobina S a sequência de aminoácidos é outra, por mutação, e a proteína está dobrada; desnaturação é perda de forma com a sequência preservada. Veja o box “Hemoglobina S não é hemoglobina desnaturada” antes de assistir a esse trecho.
Enzimas - Aula 07 - Módulo 1 - Bioquímica - Prof. Guilherme
Prof. Guilherme Goulart - Biologia · 32:38
Aprofundamento em enzimas. Aula de 33 minutos cujo roteiro, listado na descrição, é o mesmo desta página: definição e características das enzimas, modelo chave-fechadura, atividade em função da temperatura, do pH e da concentração de substrato, cofatores e coenzimas, inibidores competitivos e não competitivos. Corresponde às seções “Enzimas: catalisadores que baixam a energia de ativação”, “Temperatura”, “pH”, “Concentração de substrato e de enzima”, “Cofatores, coenzimas e vitaminas” e “Inibidores”. Assista depois de ler e desenhe você mesmo as quatro curvas.
Aula Prática - Reação da ENZIMA CATALASE com a água oxigenada no interior dos PEROXISSOMOS
Marco Antônio Silva · 10:44
Aplicação. Em 11 minutos, uma aula prática mostra a catalase do fígado bovino decompondo a água oxigenada e, com limão entre os materiais, discute a sensibilidade da enzima ao pH e à temperatura, o experimento das seções “Enzimas: catalisadores que baixam a energia de ativação” e “Como ler gráficos e tabelas de experimentos com enzimas”. Antes de cada tubo, pause e preveja se a espuma vai aparecer; depois pergunte o que acabou quando a espuma para, e qual tubo serve de controle.
RESOLUÇÃO DE EXERCICIOS - PROTEÍNAS - ENEM - BIO LÓGICA!
BIO LÓGICA · 12:41
Resolução de questões. Em 13 minutos, três questões do ENEM, com os enunciados reproduzidos na descrição e minutagem: um antibiótico que inibe a síntese proteica bacteriana (0:07), anti-inflamatórios como inibidores das enzimas COX-1 e COX-2 (3:17) e fatores que alteram a rapidez de reações na preparação e conservação de alimentos (8:05). Use depois das seções “Inibidores” e “Como a prova cobra”: resolva cada questão antes de ouvir a resolução e confira se usou o vocabulário da página, especificidade, inibidor e desnaturação.
Rota PAS 1
Bioquímica da vida: compostos, enzimas e fermentação · PAS 1

Fontes desta página

Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.

  • Rota PAS 1 — Bioquímica da vida: compostos, enzimas e fermentação · Antes de começar: dez minutos de aquecimento (monômero e polímero, catalisador, quilocalorias por grama); Proteínas: a forma decide a função (aminoácidos, essenciais, desnaturação, glúten, item 2023/46); Enzimas: os catalisadores que o calor desmonta (sítio ativo, especificidade, temperatura e pH, conservação de alimentos); Leia como na prova (itens 2025/79 e 82); Como a banca cobra este capítulo (histórico: 2014/63, 2015/79, 2023/46, 2025/79 e 82); Resolvido da gelatina com abacaxi; Exercícios 3, 8, 13, 15 e 16; Banco de treino T12 a T17

    Recorte por assunto: só proteínas, enzimas e vitaminas hidrossolúveis. Água e sais, carboidratos, lipídios, respiração e fermentação, do mesmo capítulo, ficam nas páginas próprias. A página acrescenta, ausentes do capítulo: níveis de estrutura, ligação peptídica com contas, energia de ativação, encaixe induzido, saturação, cofatores e coenzimas, inibidores e a leitura de experimentos.

  • Rota PAS 3 — Citologia e bioquímica: a célula em funcionamento · De que a vida é feita: as quatro famílias de compostos orgânicos (proteínas como polímeros de aminoácidos; enzimas e energia de ativação; hemoglobina e a troca de um aminoácido)

    Fonte do enquadramento das proteínas entre as quatro famílias. O capítulo não reproduz item real da 3.ª etapa com tema principal em proteínas ou enzimas.

  • Rota PAS 3 — Genética e biotecnologia: a letra que muda tudo · Banco de treino: item real PAS 3 2022/61 (mutação no gene da cadeia beta da hemoglobina e troca de um único aminoácido)

    Item citado na teoria em trecho literal; o tema dele é da página de mutações, e ele não virou questão desta página.

  • Rota PAS 3 — Histologia e fisiologia humana: o corpo em rede · Item real PAS 3 2022/63 (a hemoglobina é a molécula à qual se liga o oxigênio)

    Item citado na teoria como exemplo da função de transporte; pertence à página de fisiologia.

  • Biologia EM1 — Capítulo 4: A química da vida II (proteínas, enzimas, vitaminas e ácidos nucleicos) · Vinte letras, infinitas palavras: aminoácidos e proteínas; A forma é a função: estrutura e desnaturação; Enzimas: o catalisador que volta inteiro; Temperatura, pH e inibidores: as condições da enzima; Enzimas na cozinha, na lavanderia e na farmácia; Vitaminas: as peças que faltam; exercícios 9 a 16 e Rumo ao ENEM

    Fonte da estrutura das seções de aminoácidos, desnaturação, energia de ativação, curvas e vitaminas. Os números foram reconferidos em fontes primárias (TACO, MedlinePlus, PubChem, UniProt, Crossref, Nobel Prize, Ministério da Saúde); onde o capítulo diverge delas, a página segue a fonte primária. A seção de ácidos nucleicos do capítulo pertence à página de DNA, RNA e síntese proteica.

  • Biologia EM1 — Bloco PAS do Capítulo 4 (itens reais com textos-base) · Texto-base I (PAS 1 2025) e itens 79 e 82; Texto-base II (PAS 1 2023) e item 46; Texto-base III (PAS 1 2014) e item 63; item do tipo C de 2015 (item 79), com a descrição dos quatro gráficos; gabarito comentado

    Fonte dos textos-base integrais e dos comandos dos cinco itens reais desta página. O item 2021/69 (plasmídeos), do mesmo bloco, pertence à página de teoria celular.

  • Biologia EM1 — Respostas do Capítulo 4 · Checagens 1 a 7; exercícios 9, 12, 14, 15 e 16; questões do ENEM de 2023 e 2024

    Conferência de gabaritos e de distratores.