Primeira lei da Termodinâmica
Kuadro Oficial
Revise a relação entre calor trocado, trabalho e variação de energia interna, comparando a convenção de sinais com a usada no guia.
Guia de estudo · Revisado em 07/09/2026
Como calor e trabalho alteram a energia interna?
A primeira lei da termodinâmica expressa conservação de energia. Ela não afirma que todo aquecimento vem de calor: um sistema também pode ganhar energia por trabalho. Escolher o sistema e uma convenção de sinais antes de calcular evita trocar compressão por expansão ou tratar calor como uma propriedade armazenada no gás.
Para um sistema fechado, desprezando variações de energia cinética e potencial macroscópicas, escreveremos . Q é positivo quando o sistema recebe calor; W é positivo quando o sistema realiza trabalho sobre a vizinhança. U é sua energia interna.
Outra convenção pode escrever ΔU=Q+W, desde que W signifique trabalho recebido. As duas são compatíveis quando se redefine o sinal do trabalho. Nesta página manteremos sempre trabalho realizado pelo sistema, para não mudar o sentido no meio do cálculo.
Se o gás recebe 500 J de calor e realiza 200 J de trabalho, sua energia interna aumenta 300 J. Se cede 100 J enquanto recebe 250 J de trabalho de compressão, temos Q=−100 J e W=−250 J; logo ΔU=150 J. É possível aquecer mesmo cedendo calor, dependendo do trabalho recebido.
A variação de U depende dos estados inicial e final. Já Q e W dependem da trajetória: são maneiras de transferir energia, não conteúdos do estado. Em um ciclo completo, o sistema volta ao mesmo estado e ΔU=0, mas pode ter recebido calor líquido e realizado trabalho líquido.
Para uma quantidade fixa de gás ideal de composição fixa, a energia interna depende da temperatura. No modelo monoatômico, , segundo a referência usual, e . Outros gases têm capacidades térmicas diferentes; não se aplica esse coeficiente a todo gás.
Em uma transformação quase estática, com pressão do gás bem definida e equilíbrio mecânico aproximado, o trabalho de expansão é . A área sob a curva p×V dá seu módulo; o sentido da trajetória dá o sinal. Expandir significa dV positivo e comprimir, negativo.
Se a pressão permanece em Pa enquanto o volume cresce de 1 L para 3 L, J. Caso Q=700 J, a energia interna cresce 300 J. O litro precisa ser convertido em metro cúbico.
Em processos irreversíveis, o trabalho na fronteira deve ser calculado com a pressão externa apropriada; não se inventa uma curva de estados de equilíbrio internos quando ela não existe. Na expansão livre para o vácuo, essa pressão externa é nula e o trabalho de expansão é zero, apesar de o volume final aumentar.
Na isocórica, o volume não varia. Se o único trabalho considerado é o de expansão/compressão, W=0 e ΔU=Q. Um recipiente rígido com um agitador, porém, pode receber outro tipo de trabalho: a condição de volume constante não proíbe todos os mecanismos mecânicos.
Na isotérmica de gás ideal com n fixo, ΔU=0. Se houver expansão quase estática com trabalho positivo, o gás precisa receber calor igual a esse trabalho. Temperatura constante não significa isolamento térmico.
Na adiabática, Q=0. Uma compressão com W negativo aumenta U e, no gás ideal, a temperatura. Uma compressão rápida pode ser aproximadamente adiabática se a transferência térmica for pequena na escala de tempo do processo; rapidez sozinha não substitui a verificação dessa hipótese.
Se um processo completo apresenta Q=300 J e W=300 J, então ΔU=0. Para o gás ideal considerado, as temperaturas inicial e final são iguais. Não se conclui que a temperatura permaneceu constante em todos os instantes: ela pode ter aumentado e depois diminuído.
Uma transformação isotérmica exige temperatura constante ao longo de todo o percurso. Essa distinção entre valor final igual e grandeza constante também aparece nos ciclos: o gás retorna à temperatura inicial, embora possa ter atravessado etapas de aquecimento e resfriamento.
Um ciclo retangular entre volumes 1 e 3 L e pressões 100 e 300 kPa tem área kPa·L, ou 400 J. Percorrido no sentido horário, fornece trabalho líquido positivo; no sentido contrário, recebe esse trabalho. Como ΔU=0, o calor líquido tem o mesmo valor algébrico do trabalho líquido.
Um sistema fechado não troca matéria com a vizinhança, mas pode trocar energia por calor ou trabalho. Um sistema isolado não troca nem matéria nem energia. Um recipiente com gás e pistão móvel pode ser fechado mesmo enquanto recebe calor e empurra o pistão.
Em motores reais, admissão e escape envolvem entrada e saída de massa. Analisar o motor inteiro como se a mesma amostra de gás ficasse presa para sempre exige um modelo idealizado, não uma identificação literal. Para sistemas abertos, o balanço precisa incluir a energia transportada pela matéria que atravessa a fronteira.
Também é necessário decidir se a energia potencial do pistão, a energia cinética do conjunto ou outros mecanismos de trabalho fazem parte do problema. A fórmula ΔU=Q−W usada nesta página pressupõe que variações macroscópicas relevantes já foram excluídas ou contabilizadas separadamente. Em um experimento com pás agitadoras, por exemplo, há trabalho mecânico mesmo que o volume do recipiente não varie.
Considere um gás ideal monoatômico que vai do estado A, com p=100 kPa e V=1 L, ao estado B, com p=300 kPa e V=3 L. O produto pV passa de 100 J para 900 J. Como , a variação de energia interna é J, independentemente da trajetória.
No primeiro caminho, o gás é aquecido a volume constante até 300 kPa e depois expande isobaricamente até 3 L. A primeira etapa não realiza trabalho de fronteira; a segunda fornece 300·2=600 J. Logo o calor total recebido é Q=ΔU+W=1800 J.
No segundo caminho, ele expande primeiro a 100 kPa até 3 L e só depois é aquecido a volume constante até 300 kPa. Agora o trabalho é 100·2=200 J e o calor total é 1400 J. Estados extremos iguais produziram a mesma ΔU, mas trabalhos e calores diferentes. A diferença de 400 J entre os trabalhos é a área do retângulo entre as duas trajetórias.
Se a transformação quase estática seguir o segmento retilíneo que une A a B no diagrama, a pressão média ao longo do volume será 200 kPa. O trabalho será 200·2=400 J e o calor recebido, 1600 J. Essa média das pressões é válida porque o gráfico é uma reta; não se aplica automaticamente a uma curva qualquer.
Para uma quantidade fixa de gás ideal e capacidades aproximadamente constantes, escreve-se , em que Cv é a capacidade térmica molar a volume constante. Num processo isocórico com apenas trabalho de fronteira, W=0 e .
Na isobárica, . A primeira lei fornece . Portanto para o gás ideal. Aquecer a pressão constante exige energia também para expandir o gás, além de aumentar U.
Para gás ideal monoatômico no modelo usual, e . A razão γ=Cp/Cv vale 5/3. Para gases com mais graus de liberdade, esses valores diferem e podem variar com a temperatura. Não confunda capacidades molares, medidas em J/(mol·K), com calor específico por massa ou com a capacidade térmica total nCv.
Aqueça 2 mol de gás ideal monoatômico em 100 K, adotando R=8,31 J/(mol·K). A variação de energia interna é 2493 J. A volume constante, Q=2493 J. A pressão constante, o trabalho é 1662 J e o calor é 4155 J. A diferença entre os calores coincide com o trabalho adicional, conferindo a primeira lei.
Numa isotérmica quase estática de n mol de gás ideal, p=nRT/V. Integrar o trabalho entre Vi e Vf fornece . Se Vf>Vi, o logaritmo é positivo e há expansão; se Vf<Vi, é negativo e há compressão.
Para 1 mol a 300 K expandindo reversivelmente de 10 L para 20 L, com R=8,31 e ln2≈0,693, o trabalho é aproximadamente 1728 J. Como ΔU=0, o gás recebe aproximadamente 1728 J de calor. O quociente Vf/Vi é adimensional: os dois volumes podem estar em litros porque a unidade se cancela na razão.
Fazer o mesmo gás ocupar o dobro do volume por expansão livre adiabática é outro caminho. Nesse caso Q=0 e W=0, logo ΔU=0 e a temperatura final do gás ideal coincide com a inicial. O resultado final não torna a expansão livre reversível, nem permite usar a fórmula logarítmica de trabalho.
Numa etapa adiabática reversível com apenas trabalho p dV, a primeira lei diferencial é . Substituindo p=nRT/V e dividindo por nCvT, resulta .
Com Cv constante e R/Cv=γ−1, integrar fornece . Combinando com pV=nRT, obtém-se . Essas relações dependem da reversibilidade e da hipótese de capacidade constante; Q=0 isoladamente não basta para justificá-las.
O trabalho também pode ser obtido por ou . Na expansão reversível, a temperatura cai e W é positivo. Na compressão, a temperatura aumenta e W é negativo. A bomba de bicicleta exemplifica qualitativamente a compressão com pequena troca de calor durante uma etapa rápida; atrito e troca posterior de energia podem participar do aquecimento observado no dispositivo inteiro.
No ciclo retangular ilustrado, a expansão a 300 kPa de 1 para 3 L entrega 900−300=600 J. A compressão a 100 kPa de 3 para 1 L recebe 200 J, ou W=−200 J na convenção adotada. As etapas verticais têm trabalho de fronteira zero. O saldo é 400 J.
Não se deve concluir que o calor recebido da fonte quente foi apenas 400 J. Esse é o calor líquido: energia recebida menos energia rejeitada ao longo da volta. Para calcular rendimento, é necessário identificar as parcelas de calor em cada trecho. Confundir calor líquido com calor recebido faria parecer que qualquer ciclo possui rendimento de 100%.
A primeira lei determina ΔU; ela não determina sozinha a direção espontânea do processo. Na expansão livre de um gás ideal em recipiente rígido isolado, já vimos Q=W=ΔU=0, mas o processo não é reversível: remover a divisória não é desfeito espontaneamente por uma concentração de todo o gás em metade do recipiente. A entropia permite avaliar essa diferença, desenvolvida na segunda lei.
Para resolver um item que combina as duas leis, mantenha os cálculos separados. Num tanque rígido, 1 kg de gás ideal resfria de 1000 K para 300 K, com calor específico por unidade de massa constante kJ/(kg·K). Como não há trabalho de expansão, kJ. O sinal negativo indica energia cedida como calor, não “quantidade negativa de energia armazenada”.
A variação de entropia dessa amostra é kJ/K, usando a expressão isocórica de gás ideal com cv constante. O valor negativo não viola a segunda lei, pois o tanque troca calor com a vizinhança: ele é fechado à matéria, mas não isolado termicamente. A entropia total do conjunto exige informações sobre essa vizinhança. O calor se calcula com diferença de temperaturas; aqui a entropia se calcula com logaritmo de uma razão absoluta. São grandezas distintas, embora participem da mesma transformação.
A primeira lei confere o balanço energético, mas não estabelece sozinha quais processos são possíveis espontaneamente ou qual rendimento uma máquina pode atingir. Essas restrições pertencem à segunda lei.
Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.
Não foi possível consultar os cartões de revisão.
Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.
Adaptados conservação, Q positivo recebido, W positivo realizado, energia interna de gás ideal, sistemas fechados/isolados e processos isocórico, isobárico, isotérmico e adiabático. Exemplos com compressão e resfriamento conferidos. Acrescentadas expansão livre e distinção de condição adiabática reversível para evitar aplicar pV^gamma constante universalmente.
Adaptados trabalho assinado, área sob curva, orientação de ciclo, ΔU nula no retorno sem temperatura constante no percurso. Gráficos quantitativos mostram retângulo de 400 J, três trajetórias com 600/200/400 J, isoterma integrada e ciclo Otto com as funções da fonte. Balanços e derivação da adiabática explicitam hipóteses.
Estratégias foram distribuídas entre leitura de dados, escolha de fronteira, sinais, área, Kelvin, unidades de potência e distinção entre eficiência e COP. As questões foram selecionadas no banco central por leitura completa; não foi criado um simulado local copiando a ordem de todos os itens da seção.
Métodos de calor/trabalho/rendimento e as aplicações de motor e central térmica foram incorporados com verificações de conservação. O cálculo histórico específico de geração nuclear em GWh não foi reproduzido número a número; a conversão entre energia e potência e o limite térmico estão explicados com outros valores. Exercícios centrais adicionais cobrem essas habilidades sem prometer transcrição integral dos resolvidos.