Diagrama de fases
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Leia regiões e fronteiras no plano pressão–temperatura e compare essa representação com a curva de aquecimento.
Guia de estudo · Revisado em 07/09/2026
Por que a mesma substância pode mudar de fase em temperaturas diferentes?
Uma substância pode mudar de estado físico sem mudar de identidade química. Água sólida, líquida e vapor continuam sendo água; o que muda é a organização e o comportamento coletivo das moléculas. Para prever qual fase é estável, não basta conhecer a temperatura: pressão e composição também importam. A leitura de diagramas de fases complementa os balanços de energia estudados em calorimetria.
Fusão é a passagem de sólido para líquido; solidificação é o caminho inverso. Vaporização leva líquido a vapor, enquanto condensação leva vapor a líquido. Sublimação liga diretamente sólido e vapor; a passagem inversa também é chamada deposição ou ressublimação.
Esses nomes descrevem estados inicial e final, não uma quantidade fixa de energia. O calor latente específico depende da substância, da transição e das condições. Para a fusão de massa m com L constante, o módulo da energia é . A fusão absorve energia; a solidificação libera energia para a vizinhança nas mesmas condições de referência.
A evaporação acontece na superfície do líquido e pode ocorrer abaixo da temperatura de ebulição. Moléculas deixam o líquido, e a taxa líquida depende também do vapor presente no ambiente e das condições de transporte. Não é necessário que toda a água de uma poça esteja a 100 °C para ela diminuir.
Na ebulição, bolhas de vapor podem se formar e crescer no interior do líquido quando as condições de pressão permitem. No modelo de equilíbrio, a temperatura de ebulição corresponde àquela em que a pressão de vapor se iguala à pressão externa relevante. Assim, 100 °C não é uma temperatura universal de ebulição da água: é uma aproximação para pressão próxima de uma atmosfera.
Na faixa usual da curva líquido–vapor, aumentar a pressão eleva a temperatura de ebulição. Em uma montanha, a menor pressão atmosférica permite ebulição a temperatura menor que ao nível do mar. Uma panela pressurizada mantém água líquida a temperaturas mais altas antes da ebulição correspondente.
Isso não permite afirmar automaticamente que o total de energia necessário para evaporar uma amostra sempre cai com a altitude. O balanço depende da temperatura inicial, da massa, das propriedades térmicas nas condições consideradas e dos estados finais escolhidos. Temperatura de ebulição menor e energia total menor são afirmações diferentes.
Cada região de um diagrama de equilíbrio representa uma fase estável. As curvas representam coexistência de duas fases, e o encontro de três fronteiras é o ponto triplo. Ao escolher uma pressão e aquecer, percorre-se uma linha horizontal no gráfico: os cruzamentos indicam transições possíveis nessa pressão.
A curva líquido–vapor termina no ponto crítico. Acima das condições críticas, a distinção entre líquido e gás deixa de ser aquela separação de duas fases; não se deve prolongar indefinidamente a linha de ebulição. Abaixo da pressão do ponto triplo, uma trajetória de aquecimento pode passar de sólido a vapor sem atravessar uma região líquida estável.
Perto das condições usuais, o gelo comum ocupa maior volume que a mesma massa de água líquida. Sua fronteira de fusão tem inclinação negativa no diagrama pressão–temperatura: nessa faixa, aumentar a pressão reduz a temperatura de fusão. A conclusão não deve ser estendida a todos os tipos de gelo ou a pressões arbitrárias; a água possui outras estruturas sólidas. As formulações de referência distinguem explicitamente essas curvas. NIST: equilíbrio entre fases do gelo.
O diagrama ilustrativo deve ser lido pela posição relativa das fronteiras, não como tabela numérica. Uma reta de fusão inclinada para a esquerda representa qualitativamente esse comportamento do gelo comum; não fornece, sozinha, o valor da pressão necessário para alterar a temperatura em certo número de graus.
Durante a fusão em equilíbrio de uma substância pura a pressão fixa, duas fases podem coexistir com temperatura constante. Fundir 200 g de gelo a 0 °C, adotando L=80 cal/g, exige 16 000 cal ou 16 kcal. Se forem fornecidas apenas 8000 cal, sem perdas e sem aquecimento prévio necessário, fundem 100 g; os outros 100 g permanecem sólidos.
Um líquido também pode permanecer temporariamente abaixo de sua temperatura de solidificação, em estado super-resfriado metastável. Isso não cria uma nova região líquida de equilíbrio: a formação inicial de cristais pode estar retardada. As propriedades desse líquido metastável são tratadas separadamente pela IAPWS.
Considere inicialmente uma substância pura sólida, em uma pressão maior que a do ponto triplo. Um aquecimento isobárico pode cruzar primeiro a fronteira sólido–líquido e, depois, a fronteira líquido–vapor. O percurso corresponde a aquecer o sólido, fundir, aquecer o líquido, vaporizar e aquecer o vapor. A curva de temperatura por energia, nessas condições, apresenta duas mudanças de fase separadas por uma etapa líquida.
Se a pressão fixada estiver abaixo da pressão do ponto triplo, o caminho horizontal não atravessa a região líquida de equilíbrio: ao cruzar a fronteira sólido–vapor, acontece sublimação. A ausência de líquido não significa ausência de energia transferida. O processo exige energia para a transformação, segundo o calor latente de sublimação nas condições consideradas.
Um terceiro caminho mantém temperatura e reduz pressão. Partindo da região líquida, pode-se alcançar a curva de coexistência líquido–vapor e provocar vaporização. Para manter a temperatura durante essa transformação, o balanço energético precisa permitir a transferência necessária. Reduzir a pressão, retirar calor e baixar a temperatura não são operações equivalentes, embora possam ocorrer juntas em um dispositivo real.
Imagine 100 g de gelo a −10 °C que devem terminar como água líquida a 80 °C, a pressão de aproximadamente 1 atm. Adote c do gelo igual a 0,5 cal/(g·°C), c da água igual a 1 cal/(g·°C) e L de fusão igual a 80 cal/g. Aquecer o gelo até 0 °C requer 500 cal; fundir exige 8000 cal; aquecer a água até 80 °C exige 8000 cal. O total é 16 500 cal, ou 16,5 kcal.
As três parcelas representam processos diferentes. Aplicar uma única expressão mcΔT desde −10 °C até 80 °C apagaria a fusão e atribuiria um calor específico único a duas fases. Também seria incorreto adicionar o calor de vaporização: a amostra termina líquida a 80 °C, não como vapor.
Se a potência útil de aquecimento fosse constante e igual a 100 cal/s, o primeiro trecho duraria 5 s, a fusão duraria 80 s e o último trecho duraria 80 s. O total seria 165 s. A duração do patamar, portanto, mede energia latente apenas quando se conhece a potência útil. Em um gráfico de temperatura por tempo com potência variável ou perdas importantes, o comprimento horizontal sozinho não fornece mL.
Durante uma transição em equilíbrio, a quantidade de energia determina a massa transformada. Se 300 g de gelo já estão a 0 °C e recebem 12 000 cal, sob as hipóteses anteriores, fundem g. A fração líquida é 150/300=0,50. Restam 150 g de gelo, e a temperatura continua em 0 °C enquanto há coexistência nas condições fixadas.
Se a mesma amostra recebe 30 000 cal, fundi-la completamente consome 24 000 cal. Sobram 6000 cal para aquecer os 300 g de água: ΔT=6000/(300·1)=20 °C. O estado final é água a 20 °C. O roteiro é comparar a energia disponível com a energia necessária para completar cada etapa e só então avançar à seguinte.
Na solidificação, o raciocínio se inverte. Solidificar 150 g de água a 0 °C libera 12 000 cal nas mesmas condições. Essa energia precisa ser recebida por outro sistema ou removida do conjunto. Uma mudança espontânea pode liberar energia sem aumentar a temperatura da própria amostra durante o patamar.
A presença de um patamar bem definido pode ser compatível com uma transição de substância pura a pressão constante, mas não constitui uma prova universal de pureza. Algumas misturas apresentam comportamentos especiais, e muitas misturas mudam de fase em intervalos de temperatura porque a composição das fases se altera durante o processo.
Um líquido com soluto não volátil não possui necessariamente a mesma temperatura de ebulição do solvente puro à mesma pressão. Durante a evaporação, a concentração pode mudar. Esse é um motivo físico para não transferir automaticamente o desenho da água pura a qualquer solução. A página de propriedades coligativas desenvolve esse efeito sem substituir a necessidade de informar pressão e composição.
No aquecimento a pressão externa constante, parte da energia transferida pode estar associada ao trabalho de expansão. A primeira lei separa as contribuições: ΔU=Q−W. Para um sistema fechado com apenas trabalho de pressão–volume, o calor a pressão constante corresponde à variação de entalpia, definida por H=U+pV.
Assim, o calor latente de vaporização tabelado a determinada pressão não deve ser interpretado sempre como aumento de energia interna apenas. Vaporizar costuma envolver uma variação grande de volume e trabalho contra a vizinhança. A conta Q=mL continua válida nas condições de tabela, mas seu significado energético completo inclui essa distinção.
A inclinação da fronteira de fusão pode ser relacionada à diferença de volume entre as fases. Na forma de Clapeyron, , com L por unidade de massa e Δv a diferença entre volumes específicos das fases final e inicial. Para fusão usual, L é positivo. No gelo comum, o líquido ocupa menor volume específico que o sólido, logo Δv é negativo e a inclinação também é negativa.
Esse raciocínio ajuda a compreender o regelo: pressão pode favorecer fusão local do gelo comum e, ao ser aliviada, permitir solidificação. Entretanto, uma demonstração com fio não depende apenas de pressão; transporte de energia e condições térmicas também importam. Não é correto concluir que qualquer fio, em qualquer temperatura, atravessa gelo somente por pressão.
Super-resfriamento evidencia outro limite da leitura de equilíbrio. A transição pode depender da formação de um núcleo inicial da nova fase. Um líquido pode persistir abaixo da fronteira de solidificação até ocorrer nucleação; a liberação de energia na cristalização pode então elevar sua temperatura. O diagrama de fases estáveis indica o estado favorecido no equilíbrio, não o tempo necessário para alcançá-lo.
Na coexistência reversível à temperatura absoluta T e pressão fixas, a energia latente também permite calcular a variação de entropia: , com sinal positivo quando a substância recebe o calor latente e negativo quando o cede no caminho inverso. A unidade é J/K ou cal/K, conforme a energia utilizada. A temperatura deve estar em kelvins; dividir por 0 °C não faz sentido nessa expressão.
Por exemplo, 2 kg de gelo a aproximadamente 273 K recebem cal para fundir, usando Lf=80 cal/g. Sua variação de entropia é cal/K. No processo inverso, congelar a mesma massa nas mesmas condições dá aproximadamente −586 cal/K para a água. A entropia da substância pode diminuir; para avaliar a segunda lei, é necessário somar a variação da vizinhança. Entropia não é energia e não tem unidade de calor: a divisão por temperatura faz parte de sua definição termodinâmica operacional.
O diagrama p×T usual descreve fases de uma substância pura em equilíbrio. Uma superfície molhada exposta ao ar envolve uma mistura de gases: a pressão parcial do vapor de água importa para a evaporação, e não apenas a pressão atmosférica total. Ar que remove vapor pode sustentar a evaporação mesmo quando a água está muito abaixo de sua temperatura de ebulição. A área exposta, a circulação do ar e a umidade influenciam a taxa; não transformam a evaporação em ebulição.
A mesma distinção evita uma generalização sobre gelo: sublimação superficial pode ocorrer em ar seco, mesmo que a pressão total esteja acima da pressão do ponto triplo da água. Na liofilização industrial, controlar baixas pressões e fornecer energia permite remover água congelada por sublimação; isso não significa que toda ocorrência natural do fenômeno siga um caminho de equilíbrio de uma substância pura no mesmo diagrama. Ao interpretar uma questão, identifique se p significa pressão total externa, pressão parcial de vapor ou pressão de coexistência.
Misturas e processos com pressão variável não precisam apresentar o mesmo patamar de uma substância pura em equilíbrio a pressão constante. Identifique composição, pressão e caminho antes de concluir qual fase existe ou qual energia foi transferida.
Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.
Não foi possível consultar os cartões de revisão.
Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.
Complementa B29 com aquecimento em três etapas, fração fundida, patamares condicionais e entropia de fusão. Gráfico autoral usa 100 g de −10 °C a 80 °C, com 16,5 kcal; não se declara reprodução de todos os valores e exercícios da seção original de calorimetria.
Adaptados os seis caminhos, equilíbrio de fases, ponto triplo/crítico, pressão de vapor e ebulição, comportamento do gelo Ih e metastabilidade. Diagrama p–T refeito e curva de vapor baseada em dados NIST. A fotografia de panela não foi reproduzida; seu mecanismo está explicado. Não se repetem a generalização sobre energia de ebulição em altitude nem a explicação universal do fio de nylon: regelo recebeu hipóteses explícitas e referência institucional. Mantêm-se pendentes apenas a correspondência um a um com todos os recursos/exercícios da fonte e eventual análise experimental específica do fio.