Dilatação térmica

Guia de estudo · Revisado em 07/09/2026

Por que um furo aumenta quando a chapa se expande?

O que você vai aprender

  • Calcular expansão sob hipóteses explícitas.
  • Relacionar coeficientes no modelo isotrópico.
  • Distinguir expansão real e aparente.

A dilatação térmica descreve como dimensões mudam quando a temperatura varia. O fenômeno aparece em juntas de pontes, peças encaixadas e líquidos em recipientes. Resolver esses problemas exige distinguir crescimento absoluto e relativo, escolher o coeficiente adequado e verificar se o corpo pode se expandir livremente. Uma dimensão maior após aquecimento não significa que o material ganhou massa.

O modelo linear e suas condições

Para uma barra com comprimento inicial L₀, usa-se ΔL=L0αΔT\Delta L=L_0\alpha\Delta T. O comprimento final é L=L0+ΔL=L0(1+αΔT)L=L_0+\Delta L=L_0(1+\alpha\Delta T). O coeficiente linear α tem unidade K⁻¹ ou °C⁻¹; as diferenças de temperatura têm o mesmo valor nas duas escalas.

Esse modelo trata α como aproximadamente constante no intervalo e supõe variações pequenas, com αΔT1|\alpha\Delta T|\ll1. Muitos materiais expandem ao aquecer em intervalos usuais, mas existem exceções e dependência com direção ou temperatura. A fórmula não autoriza extrapolar indefinidamente um coeficiente tabelado.

Uma escultura e a ordem de grandeza

Uma escultura de mármore mede 2,5 m e tem α=9×1069\times10^{-6} °C⁻¹. Para um aquecimento uniforme de 20 °C, a variação é 2,59×10620=4,5×1042{,}5\cdot9\times10^{-6}\cdot20=4{,}5\times10^{-4} m, ou 0,45 mm. Ela cresce menos de 1 mm.

A deformação relativa é ΔL/L0=1,8×104\Delta L/L_0=1{,}8\times10^{-4}, isto é, 0,018%. Já o comprimento final é 2,50045 m. Trocar comprimento final por variação ou esquecer que um metro contém mil milímetros produz respostas de outra ordem de grandeza.

Área e volume em um material isotrópico

Se a expansão é igual em todas as direções, cada dimensão recebe o fator 1+αΔT1+\alpha\Delta T. Para uma placa livre, A/A0=(1+αΔT)2A/A_0=(1+\alpha\Delta T)^2. Desprezando termos quadráticos pequenos, ΔAA0(2α)ΔT\Delta A\approx A_0(2\alpha)\Delta T.

Analogamente, V/V0=(1+αΔT)3V/V_0=(1+\alpha\Delta T)^3 leva a ΔVV0(3α)ΔT\Delta V\approx V_0(3\alpha)\Delta T. Assim, os coeficientes superficial e volumétrico satisfazem β≈2α e γ≈3α nesse modelo isotrópico de primeira ordem. Não são identidades universais para materiais anisotrópicos ou grandes variações.

Para o mármore do exemplo, ΔV/V039×10620=5,4×104\Delta V/V_0\approx3\cdot9\times10^{-6}\cdot20=5{,}4\times10^{-4}, ou 0,054%. A variação relativa de volume é aproximadamente três vezes a relativa de comprimento, não três vezes o comprimento em metros.

O furo também aumenta

Imagine preencher o furo de uma chapa com um disco do mesmo material, perfeitamente ajustado. Se o conjunto aquece uniformemente e se expande livremente, todas as distâncias aumentam na mesma proporção. Retirar o disco imaginário não muda a expansão geométrica da borda do furo.

Portanto, com α positivo, o diâmetro do furo aumenta. Um furo de 10 mm, em material de α=2×1052\times10^{-5} °C⁻¹, sob ΔT=100 °C, ganha 0,02 mm de diâmetro. A conclusão supõe temperatura uniforme e ausência de restrições que deformem a chapa; não se deve imaginar cada ponto avançando simplesmente “para dentro”.

Folgas e corpos impedidos de expandir

Uma barra de 10 m com α=1,2×1051{,}2\times10^{-5} °C⁻¹, aquecida em 50 °C, teria dilatação livre de 6 mm. Uma folga pode acomodar esse crescimento. Se as extremidades estiverem impedidas de se afastar, surgem esforços mecânicos, e a deformação real não é necessariamente a dilatação livre calculada.

Em duas barras diante de uma mesma abertura, o fechamento da folga pode envolver a soma das expansões de ambas. É necessário examinar quais extremidades estão fixas. Lâminas bimetálicas ilustram outra situação: materiais ligados com coeficientes diferentes tendem a alongar-se de modo diferente, produzindo curvatura.

Dilatação real e aparente de líquidos

Um líquido aquecido dentro de um frasco compete com a expansão da capacidade do próprio recipiente. Se ambos começam com o mesmo volume e atingem a mesma variação de temperatura, o aumento aparente é aproximadamente ΔVap=V0(γliqγrec)ΔT\Delta V_{ap}=V_0(\gamma_{liq}-\gamma_{rec})\Delta T.

Se o coeficiente volumétrico do recipiente é um centésimo do do líquido, a diferença é 0,99γliq0{,}99\gamma_{liq}. Para V₀=1000 mL, γ do líquido=10310^{-3} °C⁻¹, γ do recipiente=10510^{-5} °C⁻¹ e ΔT=20 °C, o líquido cresce 20 mL, a capacidade cresce 0,2 mL e o excesso é 19,8 mL, se o recipiente estava inicialmente cheio.

Não misture coeficientes

Um coeficiente linear do vidro não deve ser subtraído diretamente de um coeficiente volumétrico do líquido. Primeiro determine o coeficiente da grandeza comparada e confira as hipóteses de expansão uniforme e livre.

Exercícios temporariamente indisponíveis

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Rota PAS 2
Termologia: temperatura, calor e calorimetria · PAS 2

Fontes desta página

Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.

  • Rota PAS 2 — Termologia · Dilatação: quanto cresce o que esquenta?

    Adaptação conceitual e quantitativa com hipóteses explícitas; cobertura e lacunas registradas separadamente.