Uma vara de 2 m faz sombra de 0,8 m e, ao lado, a torre da caixa-d'água faz sombra de 7,2 m; um quadro de 8,80 m por 4,60 m vira uma reprodução de 22 cm de largura; um mapa 1:5 000 000 separa Natal do atol das Rocas por alguns centímetros. Como medir o que não se alcança usando só uma razão, e por que a área não obedece à mesma razão que o comprimento?
O que você vai aprender
Distinguir razão, proporção e diferença, ler escalas 1:n nos dois sentidos (papel para o real e real para o papel) com a conversão de unidades correta, e interpretar razões como a inclinação h/c das rampas da NBR 9050.
Enunciar o teorema de Tales, montar a proporção entre segmentos que estão entre as mesmas paralelas, resolver o feixe completando a medida que falta e explicar a demonstração por áreas (ou por divisão em partes iguais).
Definir figuras semelhantes (ângulos iguais e lados proporcionais), reconhecer ampliação, redução e congruência pela razão k, e ler a escala de mapas, plantas, maquetes e reproduções como razão de semelhança.
Reconhecer triângulos semelhantes pelos critérios AA, LAL e LLL, escrever a correspondência de vértices na ordem correta a partir dos ângulos iguais e montar a proporção só com lados correspondentes.
Aplicar o teorema fundamental da semelhança (paralela a um lado) e a base média, e resolver as configurações clássicas: sombra e estaca, visada de topos com altura do observador, borboleta com paralelas e triângulos encaixados.
Relacionar a razão de semelhança k com perímetros (k), áreas (k²) e volumes (k³), aplicando-a a escalas e a itens de área de reprodução como o tipo B de 2023 do PAS, e evitar o erro de aplicar k onde vale k².
Seguir o protocolo do item de geometria da banca: redesenhar a figura com todos os dados, caçar ângulos iguais, escrever a correspondência antes da fração, decidir entre k e k² e calcular até o limiar.
Quantos metros tem a torre da caixa-d’água do condomínio? Ninguém precisa subir nela. Basta fincar uma vara de 2 m no gramado ao lado e medir duas sombras ao mesmo tempo: a da vara dá 0,8 m, a da torre dá 7,2 m. Como o Sol está longe demais para que seus raios se abram, eles chegam paralelos, e cada objeto vertical forma com a própria sombra um triângulo retângulo com o mesmo ângulo de inclinação: duas cópias da mesma forma, uma pequena e uma grande. A altura da vara é 2/0,8=2,5 vezes a sua sombra; a altura da torre é, portanto, 2,5×7,2=18 m. Em dezembro de 2023, a prova do PAS 1 deu as medidas de A última ceia (4,60 m por 8,80 m) e pediu a área de uma reprodução de 22 cm de largura “na mesma proporção” do original; em 2025, pediu quantos centímetros separam Natal do atol das Rocas num mapa 1:5 000 000. As três perguntas são a mesma: duas figuras com a mesma forma têm todas as medidas de comprimento na mesma razão.
Esta página é sobre essa ideia e o que sai dela: o teorema de Tales (paralelas fatiam transversais em segmentos proporcionais), a semelhança de figuras e de triângulos (quando vale, como reconhecer, em que ordem escrever), a razão k e o que ela faz com perímetros (k), áreas (k2) e volumes (k3), e as configurações que a prova repete: sombra e estaca, “borboleta”, escala de mapa e maquete, reprodução de obra. Os ângulos entre paralelas, que a semelhança usa como hipótese, estão em Ângulos e polígonos; o triângulo retângulo e suas relações métricas, que são semelhança com outro nome, ficam para Teorema de Pitágoras e Trigonometria no triângulo.
Razão é divisão; proporção é igualdade de razões
Antes de qualquer triângulo, três palavras precisam estar limpas.
Razão, proporção, grandezas proporcionais
A razão entre duas medidas é o quociente: 6 para 4 é 6/4=1,5. Uma proporção é a igualdade de duas razões, ba=dc, e nela vale a propriedade fundamental ad=bc (multiplicar em cruz). Duas grandezas são diretamente proporcionais quando o quociente entre elas é constante: dobra uma, dobra a outra. Quando um enunciado pede que largura e altura fiquem “na mesma proporção”, ele está fixando esse quociente, e não a distância entre os dois números: um retângulo de 8 por 6 e outro de 4 por 2 têm lados que diferem igualmente em 2, mas 8/6=4/2, e por isso não guardam a mesma proporção; já 8 por 6 e 4 por 3 guardam, porque 8/6=4/3.
A escala de um mapa, de uma planta ou de uma maquete é uma razão entre o desenho e o objeto. Numa maquete 1:200, cada centímetro medido no modelo corresponde a 200 cm (2 m) da construção, seja qual for a unidade escolhida, contanto que seja a mesma dos dois lados da razão; um muro que ocupa 6 cm na maquete tem 6×200=1200 cm =12 m na obra. No sentido inverso, do real para o papel, divide-se: 267 km em escala 1:5 000 000 são 26700000 cm/5000000=5,34 cm (o item 95 do PAS 2025, resposta B). A conta que mais derruba candidato não é a divisão, é a conversão de unidade antes dela: quilômetro para centímetro são cinco zeros (1 km=100000 cm).
A norma de acessibilidade NBR 9050, que a prova de 2023 transcreveu, escreve inclinações como razões: uma rampa “1:12” sobe 1 unidade a cada 12 de avanço horizontal, e i=h/c=1/12≈8,33%. Quanto menor o segundo número, mais íngreme a rampa: 1:10 é mais inclinada que 1:20. Um item afirmava que os valores 1:10, 1:12, 1:16 e 1:20 indicam que, quanto mais alto o desnível, maior deve ser a razão h/c: é o contrário, e o item era E.
Uma razão com nome próprio, que a prova usa como pretexto para conta de proporção: dois segmentos (ou dois números) estão em razão áurea quando o quociente do maior pelo menor é φ=21+5, a raiz positiva de φ2=φ+1. Com 5≈2,236, φ≈1,618. Não há teoria nova: em 2017, a prova disse que o Sol e a Lua de uma pintura de Frida Kahlo tinham diâmetros em razão áurea, deu 14 cm para o Sol e perguntou se a Lua passava de 9 cm (14/φ≈8,65, E); no item seguinte, afirmou que dividir os dois números pelo mesmo valor preserva a razão áurea (C: b/ca/c=ba). Em 2018 e 2024, o mesmo φ voltou no Partenon e nas torres de Reims, sempre com 5 dado no comando.
Tales: paralelas fatiam transversais na mesma proporção
Teorema de Tales
Se um feixe de retas paralelas é cortado por duas retas transversais, os segmentos determinados sobre uma transversal são proporcionais aos segmentos correspondentes da outra. Com paralelas r∥s∥t cortando u em A,B,C e v em D,E,F (nessa ordem):
BCAB=EFDE,ACAB=DFDE,ACBC=DFEF.
As três proporções dizem a mesma coisa; escolha a que usa as medidas que o enunciado deu. O que não vale é comparar um pedaço de u com um pedaço de v que não esteja entre as mesmas paralelas.
Teorema de Tales: as paralelas r, s e t cortam as transversais u e v em segmentos proporcionais. Cada segmento de u é comparado com o segmento de v que está entre as *mesmas* paralelas: AB com DE, BC com EF. Diagrama autoral.
Exemplo resolvido 1: completar o feixe. Na figura, AB=4, BC=6 e DE=10. Quanto vale EF?
Estratégia: nomear os pontos e dizer entre quais paralelas cada segmento está. AB e DE ficam entre r e s; BC e EF, entre s e t.
Resolução:BCAB=EFDE⇒64=EF10⇒4⋅EF=60⇒EF=15.
Conferência: pela razão com o total, AB/AC=4/10=0,4 e DE/DF=10/25=0,4. Fecha. Repare que a transversal v é “esticada” em relação a u pelo fator 10/4=2,5, e 6×2,5=15: o teorema de Tales é, no fundo, um fator único aplicado a todos os pedaços.
Por que é verdade. Há duas demonstrações que valem conhecer, porque as duas voltam em outros teoremas. A primeira usa áreas e cabe em um triângulo. Tome um triângulo ADC com B sobre o lado AC e E sobre o lado AD, com BE∥CD. Os triângulos ABE e CBE têm a mesma altura relativa às bases AB e BC (a distância de E à reta AC), então [CBE][ABE]=BCAB. Do mesmo modo, [DBE][ABE]=EDAE. Mas [CBE]=[DBE], porque os dois triângulos têm a mesma base BE e a mesma altura, já que C e D estão na mesma paralela a BE. Logo BCAB=EDAE: é Tales. A segunda demonstração é a que Euclides usa nos casos comensuráveis: dividir AB em m partes iguais e BC em n partes iguais do mesmo tamanho, traçar paralelas por todos os pontos de divisão e observar que elas cortam v em segmentos também iguais entre si (dois trapézios com lados paralelos iguais e o mesmo ângulo são congruentes); então DE e EF ficam divididos em m e n partes iguais, e a razão é a mesma m/n. Para segmentos incomensuráveis (razão irracional), o argumento se completa por aproximação, que é o que a demonstração por áreas dispensa.
Uma consequência com nome próprio, só para reconhecer: o teorema da bissetriz interna diz que a bissetriz de um ângulo de um triângulo divide o lado oposto em segmentos proporcionais aos lados adjacentes (DCBD=ACAB para a bissetriz de A^ que chega em D). Prova-se com uma paralela à bissetriz e Tales. A prova do PAS não o cobrou em vinte anos; fica aqui como parente.
Mesma forma, outro tamanho: o que é semelhança
Figuras semelhantes e razão de semelhança
Duas figuras são semelhantes quando têm a mesma forma: existe uma correspondência entre seus pontos que mantém todos os ângulos iguais e multiplica todos os comprimentos pela mesma constantek>0, a razão de semelhança. Para polígonos: ângulos correspondentes iguais e lados correspondentes proporcionais (as duas condições; um retângulo 2 por 1 e um quadrado têm os mesmos ângulos e não são semelhantes; um quadrado e um losango de 60° têm lados proporcionais e não são semelhantes). Se k>1 a segunda figura é uma ampliação; se 0<k<1, uma redução; se k=1, as figuras são congruentes (semelhança é a congruência que esqueceu o tamanho). Todo par de círculos é semelhante; todo par de quadrados também; dois retângulos, só se tiverem a mesma razão entre os lados.
A escala é a razão de semelhança entre o desenho e o objeto. Uma foto ampliada “sem deformar” é semelhante à original; uma foto esticada só na largura não é, e é isso que a prova de 2023 chamou de “mesma proporção entre largura e altura”. A homotetia é o nome da transformação que produz figuras semelhantes a partir de um centro: cada ponto P vai para P′ na reta OP, com OP′=k⋅OP. É a lanterna que projeta a sombra ampliada de uma mão na parede, e é o que uma copiadora faz ao ampliar 141% (o fator 2 que leva A4 a A3, mantendo a proporção da folha).
Quando dois triângulos são semelhantes: AA, LAL, LLL
Para polígonos em geral é preciso conferir ângulos e lados. Para triângulos, basta menos, porque o terceiro ângulo é forçado pela soma 180° e a forma fica rígida com poucos dados.
Critérios de semelhança de triângulos
AA (ângulo-ângulo): dois ângulos de um triângulo respectivamente iguais a dois ângulos do outro. É o critério que aparece em 9 de cada 10 itens: sombras (ângulo reto + ângulo do sol), paralelas (correspondentes e alternos internos), ângulo comum a dois triângulos encaixados.
LAL (lado-ângulo-lado): dois pares de lados proporcionais e o ângulo entre eles igual.
LLL (lado-lado-lado): os três pares de lados proporcionais.
Em qualquer dos três, a razão entre um par de lados correspondentes é a razão de semelhança k, e valem aa′=bb′=cc′=k.
ABC∼DEF com A↔D, B↔E, C↔F. Os arcos marcam os ângulos iguais; o lado que fica *entre* dois ângulos marcados corresponde ao lado entre os mesmos dois arcos no outro triângulo. Razão k=9/6=6,75/4,5=9,75/6,5=1,5. Diagrama autoral.
A ordem dos vértices carrega a informação. Escrever ABC∼DEF diz que A corresponde a D, B a E, C a F; logo AB corresponde a DE, BC a EF e AC a DF. O jeito seguro de achar a correspondência é pelos ângulos: o lado oposto ao ângulo de um arco corresponde ao lado oposto ao ângulo de um arco. Quando a figura vem “de cabeça para baixo” ou espelhada, a impressão visual engana; os ângulos não.
O teorema fundamental da semelhança é Tales dentro do triângulo: uma reta paralela a um lado de um triângulo, cortando os outros dois lados, determina um triângulo semelhante ao original. Se DE∥BC com D em AB e E em AC, então ADE∼ABC (AA: ângulo A^ comum e ângulos correspondentes iguais nas paralelas), e ABAD=ACAE=BCDE. É daqui que vem a base média: marque o ponto médio de dois lados de um triângulo e ligue-os; o segmento obtido fica paralelo ao terceiro lado e tem metade do comprimento dele, porque o triângulo pequeno que ele recorta é semelhante ao original com k=21. Um triângulo de perímetro 36 cm tem o triângulo dos pontos médios com perímetro 18 cm, e área um quarto da original.
Exemplo resolvido 2: descobrir a correspondência antes de montar a conta. Um triângulo tem lados 5, 7 e 9. Outro triângulo, semelhante a ele, tem o maior lado medindo 13,5. Quanto medem os outros dois?
Estratégia: em triângulos semelhantes, o maior lado corresponde ao maior lado (está oposto ao maior ângulo), o menor ao menor.
Resolução:k=13,5/9=1,5. Os outros lados medem 5×1,5=7,5 e 7×1,5=10,5.
Conferência: o perímetro do segundo, 7,5+10,5+13,5=31,5, é 1,5×21, o perímetro do primeiro vezes k. Quem faz 13,5/5 ou 13,5/7 monta a proporção com lados que não se correspondem, e a conta não fecha em nenhuma conferência.
Comprimentos vão com k, áreas com k², volumes com k³
O que a razão de semelhança faz com cada grandeza
Se duas figuras são semelhantes com razão k (da primeira para a segunda):
todo comprimento multiplica por k: lados, alturas, medianas, diagonais, raios, perímetros;
toda área multiplica por k2;
todo volume (para sólidos semelhantes) multiplica por k3.
A razão entre as áreas é o quadrado da razão entre os comprimentos: AA′=k2=(ℓℓ′)2. No sentido inverso, a razão de comprimentos é a raiz quadrada da razão de áreas.
Com k=2, cabem 4 quadrados pequenos no grande e 8 cubos pequenos no grande: área ×k2, volume ×k3. O perímetro, que é soma de comprimentos, vai só com k. Diagrama autoral.
O porquê está na fórmula de qualquer área: ela é um produto de duas dimensões lineares. Se base e altura multiplicam por k, o produto b⋅h multiplica por k⋅k. Um triângulo semelhante com razão 3 tem lados triplicados, perímetro triplicado e área nove vezes maior. A prova de 2009 testou exatamente isso no azulejo de Athos Bulcão: um triângulo pequeno dentro de um quadrado, e a afirmação de que sua área era 1/32 da área do azulejo; a conta com os lados dava 1/16, e o item era E.
Aplicar k onde vale k² (e não dividir por 2 onde vale dividir por 4)
“Razão de semelhança 3, então a área é 3 vezes maior” é o erro mais rentável para a banca em geometria. Numa planta 1:100, um centímetro de papel representa um metro de chão, e a tentação é dizer que um centímetro quadrado representa 100 cm²; representa 1002=10000 cm², ou seja, um metro quadrado inteiro. Base média: o triângulo dos pontos médios tem perímetro pela metade (k=1/2) e área um quarto (k2=1/4). E no sentido inverso: uma pizza com o dobro da área não tem o dobro do diâmetro, tem 2≈1,41 vez o diâmetro.
Exemplo resolvido 3: a planta 1:100. Na planta de um apartamento, desenhada em escala 1:100, a sala aparece como um retângulo de 6 cm por 4,5 cm. Quantos metros quadrados tem a sala de verdade?
Estratégia: há dois caminhos independentes, e a resposta só está segura quando os dois coincidem: converter cada lado para a medida real e multiplicar, ou multiplicar a área medida no papel por k2.
Resolução (pelos lados):6×100=600 cm =6 m; 4,5×100=450 cm =4,5 m; área =6×4,5=27 m². Resolução (pela área): no papel, 6×4,5=27 cm²; real =27×1002=27×10000=270000 cm² =27 m² (porque 1 m² =10000 cm²).
Conferência: os dois caminhos fecham em 27 m², e há um bônus de leitura: em 1:100 cada centímetro quadrado do papel é exatamente um metro quadrado de piso. Quem multiplica os 27 cm² por 100 encontra 2 700 cm² =0,27 m², área de um tapete de porta, não de uma sala: a ordem de grandeza denuncia o erro antes de qualquer conferência.
Escala é semelhança com nome de mapa: a planta 1:100 é uma redução com k=1/100. Do papel para o chão, comprimentos ×100 e áreas ×10000 (um centímetro quadrado de papel, um metro quadrado de piso); do chão para a maquete 1:200, áreas ÷40000. Diagrama autoral.
O k3 dos volumes é a ponte para a geometria espacial: duas pirâmides semelhantes com alturas na razão 2 têm volumes na razão 8, e um tronco de pirâmide cuja base menor tem metade do lado da maior tem altura igual à metade da altura da pirâmide inteira (foi o item 50 do PAS 2013, sobre a Pirâmide da Lua de Teotihuacan: h=2h1, C). Em 2017, a mesma Pirâmide da Lua (altura 42 m, base de 1 600 m², logo lado 40 m) ganhou uma irmã semelhante com a base da Pirâmide do Sol (lado 225 m): k=225/40, altura 42k≈236 m, e a razão altura/lado da base se conserva (1,05 nas duas), enquanto altura/área da base não, porque a área vai com k2 (item 58, tipo C).
Sombra e estaca: a altura que ninguém sobe para medir
A anedota que acompanha o nome do teorema: no século VI a.C., Tales de Mileto teria calculado a altura da Grande Pirâmide sem escalá-la, fincando uma estaca ao lado e comparando, num mesmo momento, a sombra da estaca com a sombra do monumento. Como os raios de sol chegam praticamente paralelos, o ângulo que eles fazem com o solo é um só, para a estaca e para a pirâmide; cada um dos dois triângulos tem um ângulo reto e esse mesmo ângulo de inclinação, o que basta para a semelhança por AA.
Raios paralelos, mesmo ângulo α com o chão: os dois triângulos retângulos são semelhantes e SH=sh. Na pirâmide, a sombra "útil" é medida a partir do centro da base (metade do lado mais a sombra visível), porque a altura sai do centro. Diagrama autoral.
Proporção da sombra
Objetos verticais no mesmo terreno plano, no mesmo instante:
sombra1altura1=sombra2altura2.
Cada razão compara um objeto consigo mesmo (a altura dele sobre a sombra dele). A alternativa legítima é comparar os dois objetos entre si, altura1/altura2=sombra1/sombra2, que é a mesma igualdade depois de multiplicar em cruz. O que não existe é a fração que junta a altura de um com a sombra do outro.
Exemplo resolvido 4: item de limiar com sombra. No pátio de uma escola, um mastro de 1,5 m de altura lança uma sombra de 0,9 m; no mesmo instante, o bloco de salas de aula, no mesmo piso nivelado, lança uma sombra de 15 m. Julgue: a altura do bloco é superior a 24 m.
Estratégia: o mastro fornece a razão altura/sombra do momento; o bloco obedece à mesma razão.
Resolução:1,5/0,9=5/3; H=35×15=25 m. Como 25>24: Certo.
Conferência:25/15=5/3, igual a 1,5/0,9. A folga sobre o limiar é de um metro, confortável; se fosse de centímetros, a conta mereceria ser refeita antes de marcar. Quem inverte um dos lados, 1,5/15=0,9/H, encontra H=9 m e julga errado um item certo.
A mesma figura aparece deitada: largura de um rio. Da margem, mira-se uma árvore na outra margem e marcam-se estacas formando dois triângulos com um ângulo comum e um par de paralelas (ou dois ângulos retos); a largura inacessível sai da proporção com as distâncias medidas na margem acessível. Aparece também com visada de topos: em 2010, a prova pôs uma pessoa de 1,70 m olhando alinhados o topo de um monólito de 4,3 m e o topo de outro de 9 m, em Stonehenge, e pediu a distância até o mais alto. A linha de visada é a transversal; as alturas acima dos olhos (4,3−1,7=2,6 e 9−1,7=7,3) são os catetos verticais dos dois triângulos semelhantes, e as distâncias horizontais estão na mesma razão 7,3/2,6≈2,8. A altura do observador sempre se subtrai: quem esquece os 1,70 m monta a proporção errada.
A “borboleta” e os triângulos encaixados
Duas configurações respondem pela maioria dos itens de semelhança “crua”, sem sombra nem escala.
A "borboleta": com AB∥CD, os alternos internos são iguais e os ângulos em O são opostos pelo vértice, então OAB∼ODC (AA). A correspondência é O→O, A→D, B→C: OA vai com OD, OB com OC, AB com CD. Diagrama autoral.
Na borboleta, dois segmentos paralelos são ligados por duas “diagonais” que se cruzam. Os ângulos em O são opostos pelo vértice (iguais) e os ângulos em A e D são alternos internos (iguais): AA. A correspondência é a que cruza: o vértice A do triângulo de cima corresponde ao vértice D do de baixo, porque os dois estão na mesma diagonal. Na figura, OD/OA=CD/AB=10/6, logo OD=3×10/6=5; e OC/OB vale a mesma razão 5/3. É a geometria de um par de trilhos vistos de uma passarela, de um espelho plano (imagem e objeto) e da câmara escura, em que o tamanho da imagem invertida está na razão das distâncias ao furo.
Nos triângulos encaixados, uma paralela a um lado corta os outros dois (teorema fundamental) ou dois triângulos compartilham um ângulo e têm um par de lados paralelos ou perpendiculares. A pergunta que resolve o item é: quais dois ângulos são iguais, e por quê? Sem paralela declarada, sem ângulo reto declarado e sem ângulo comum, não há AA, e o desenho “parecer” semelhante não vale nada. O item 57 do PAS 2021 fez essa pegadinha numa pirâmide: dois triângulos retângulos, OAB com catetos 1 e φ, e ABC com catetos φ e 1; como as razões entre os catetos (φ e φ) são diferentes, não são semelhantes, e o item era E. Dois triângulos retângulos só são semelhantes se os catetos estiverem na mesma razão (LAL com o ângulo reto) ou se compartilharem um ângulo agudo (AA).
O triângulo retângulo é o caso em que a semelhança rende mais: a altura relativa à hipotenusa divide o triângulo em dois outros, cada um semelhante ao original (os três têm o ângulo reto e compartilham um agudo). Daí saem as relações métricas h2=mn, b2=am, c2=an e, somando as duas últimas, o teorema de Pitágoras. Essa trilha tem página própria: Teorema de Pitágoras. E as razões trigonométricas são semelhança batizada: tome duas ladeiras que formam o mesmo ângulo com a horizontal, uma curta e uma longa; os triângulos retângulos que elas definem são semelhantes, de modo que o quociente entre o desnível vencido e o deslocamento horizontal não depende do tamanho da ladeira, só do ângulo. Esse quociente recebe o nome de tangente, em Trigonometria no triângulo.
Onde a semelhança trabalha sem avisar
O GPS do celular mostra uma barra de escala; a planta do apartamento na imobiliária vem em 1:50 ou 1:100; a maquete do arquiteto, em 1:200; a foto ampliada para o porta-retratos 10 × 15 tem a mesma proporção 2:3 do sensor da câmera, e a foto 20 × 25 (proporção 4:5) corta a imagem, porque não é semelhante. A rampa acessível da NBR 9050 é uma razão h/c; o desenho técnico do mecânico é uma redução; o zoom da tela é uma homotetia com centro no ponto que os dedos apertam. Em todos, o teste é o mesmo: a razão entre os comprimentos correspondentes é uma só.
Ler a figura como a banca escreve
O item de geometria do PAS vem pendurado numa obra ou numa foto (Stonehenge em 2010, o azulejo de Athos Bulcão em 2009, a Pirâmide da Lua em 2013, A última ceia em 2023, o Templo Mayor em 2025), e o texto dá tudo o que a figura precisa. Protocolo em cinco passos:
Copie a figura para o rascunho, em tamanho que caiba escrever em cima, e transfira para ela cada informação do enunciado: comprimentos, ângulos, retas declaradas paralelas, pontos médios, pontos “alinhados”. Se um dado do texto não encontrou lugar no desenho, falta algo na leitura: em geometria, a banca não gasta frase com dado supérfluo.
Cace os ângulos iguais: paralelas (correspondentes, alternos), ângulo comum, ângulos retos, opostos pelo vértice. Ache dois e você tem AA.
Escreva a correspondência de vértices na ordem (ABC∼DEF) antes de qualquer fração; só então monte a proporção com lados que se correspondem.
Decida se a pergunta é sobre comprimento ou área e aplique k ou k2.
Faça a conta até o fim e compare com o limiar do item; um limiar calibrado perto do valor real (o 3 570 m² de 2025, o 40 m de 2010) pune quem estima.
Quando o item é do tipo B (resposta numérica), ele encadeia semelhança e área: em 2023, a razão altura/largura de A última ceia é 4,60/8,80=46/88; a altura da reprodução de 22 cm de largura é 22×46/88=11,5 cm; a área é 22×11,5=253 cm². Quem subtraiu em vez de dividir (“a altura é 4,20 m menor que a largura”) não fechou o gabarito.
Os erros que a banca planta
Montar a proporção com lados não correspondentes. No azulejo de 2009, os triângulos ABE e DCB eram semelhantes (os dois retângulos isósceles), mas a proporção afirmada, AB/BC=BE/BD, comparava cateto com hipotenusa de um lado e hipotenusa com cateto do outro: E. A correspondência sai dos ângulos, não da posição no papel.
Achar que perímetro e área escalam igual. Perímetro é comprimento: vai com k. Área vai com k2. Área 1/32 do azulejo, quando os lados davam 1/16: E.
Confundir Tales com semelhança quando não há paralela. Tales exige o feixe de paralelas; sem elas, as razões dos segmentos não são iguais. Dois triângulos com um lado comum e “cara de semelhantes” não são nada até que dois ângulos iguais sejam apontados.
Usar diferença em vez de razão. “Mesma proporção” é o mesmo quociente. Reprodução de 22 cm de largura de um quadro 8,80 × 4,60 tem altura 22×46/88=11,5 cm, não 22−4,2.
Inverter a razão no meio do caminho. Da figura pequena para a grande, k=1,5; da grande para a pequena, 2/3. Escolha uma direção e mantenha até o fim.
Esquecer a altura do observador. Na visada de topos, subtraia a altura dos olhos de todas as alturas antes de montar a proporção.
Esquecer a conversão de unidades na escala. 267 km são 2,67×107 cm; 1 m² são 10 000 cm²; 1 km² são 1 000 000 m² (100 hectares).
Ler “1:12” como uma rampa mais íngreme que “1:10”. Quanto maior o denominador, mais suave a rampa: 1/12<1/10.
O essencial em meia página
Razão é quociente; proporção é igualdade de razões (ad=bc); escala é razão de semelhança (1:n significa k=1/n do real para o desenho). Manter a proporção entre duas medidas é conservar o quociente delas, nunca a diferença.
Tales: paralelas cortam transversais em segmentos proporcionais, BCAB=EFDE, sempre entre as mesmas paralelas. Demonstra-se por áreas ([CBE]=[DBE]) ou por divisão em partes iguais.
Semelhança: ângulos iguais e lados proporcionais; razão k; k=1 é congruência. Triângulos: AA, LAL, LLL. A ordem ABC∼DEF diz quem corresponde a quem.
Teorema fundamental: paralela a um lado gera triângulo semelhante; base média = metade do lado, paralela a ele; triângulo dos pontos médios tem k=1/2 e área 1/4.
Escalas de grandeza: comprimentos e perímetros ×k; áreas ×k2; volumes ×k3. Planta 1:100: comprimentos ×100, áreas ×10000 (1 cm² de papel = 1 m² de piso).
Sombra: SH=sh (raios paralelos, mesmo instante, terreno plano). Visada de topos: subtraia a altura dos olhos.
Triângulo retângulo: a altura cria dois triângulos semelhantes ao original; daí Pitágoras e as relações métricas; razões trigonométricas são semelhança com nome.
Protocolo: redesenhe, cace ângulos iguais, escreva a correspondência, decida k ou k2, faça a conta até o limiar.
Exercícios temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.
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Teorema de Tales - Professora Angela
Professora Angela Matemática · 5:38
Introdução. Em cinco minutos, enuncia o teorema de Tales (feixe de paralelas cortado por duas transversais gera segmentos proporcionais) e resolve um exemplo completando a medida que falta: é a seção “Tales: paralelas fatiam transversais na mesma proporção” para quem está vendo o feixe pela primeira vez.
Geometria Plana: Semelhança de Triângulos (Aula 9)
Professor Ferretto | ENEM e Vestibulares · 40:31
Aprofundamento. Aula longa de teoria e exercícios sobre semelhança de triângulos: definição, casos de semelhança, correspondência de vértices e montagem da proporção com lados correspondentes. Cobre as seções “Mesma forma, outro tamanho” e “Quando dois triângulos são semelhantes: AA, LAL, LLL”, com a ordem dos vértices que a banca cobra.
Semelhança de figuras e razão entre suas áreas
Matemática do aluno - Prof. Rodrigo Ribeiro · 13:27
Aplicação. Mostra o que caracteriza figuras semelhantes, como achar a constante de semelhança k e por que a razão entre as áreas é k2, com dois exemplos no fim: é a seção “Comprimentos vão com k, áreas com k2, volumes com k3” e a armadilha da escala 1:50.
Semelhança de triângulos no ENEM | Questões Resolvidas
Escola de Números com Thyago Araujo · 25:51
Resolução. Itens reais do ENEM resolvidos em ritmo de prova, a começar pela rampa do hospital de 2009 (2,2 m de altura; 3,2 m percorridos para subir 0,8 m): triângulos encaixados, sombra e rampas, o treino das seções “Medir o que não se alcança” e “A borboleta e os triângulos encaixados”.
Tales mediu a pirâmide sem subir nela: no mesmo instante, a razão altura/sombra da estaca é a da pirâmide. Raios paralelos, mesmo ângulo, triângulos semelhantes: H/S=h/s.Teorema de Tales: as paralelas r, s e t cortam as transversais u e v em segmentos proporcionais. Cada segmento de u é comparado com o segmento de v que está entre as mesmas paralelas: AB com DE, BC com EF. Diagrama autoral.ABC∼DEF com A↔D, B↔E, C↔F. Os arcos marcam os ângulos iguais; o lado entre dois ângulos marcados corresponde ao lado entre os mesmos dois arcos no outro triângulo. Razão k=1,5. Diagrama autoral.Com k=2, cabem 4 quadrados pequenos no grande e 8 cubos pequenos no grande: área ×k2, volume ×k3. O perímetro, soma de comprimentos, vai só com k. Diagrama autoral.Escala é semelhança com nome de mapa: a planta 1:100 é uma redução com k=1/100. Do papel para o chão, comprimentos ×100 e áreas ×10000 (um centímetro quadrado de papel, um metro quadrado de piso); do chão para a maquete 1:200, áreas ÷40000. Diagrama autoral.Raios paralelos, mesmo ângulo α com o chão: os dois triângulos retângulos são semelhantes e SH=sh. Na pirâmide, a sombra útil é medida a partir do centro da base, porque a altura sai do centro. Diagrama autoral.A borboleta: com AB∥CD, alternos internos iguais e ângulos opostos pelo vértice em O dão OAB∼ODC (AA). A correspondência cruza: A↔D, B↔C; OD=3⋅10/6=5. Diagrama autoral.Maquete 1:200: comprimentos divididos por 200, áreas por 2002=40000. Uma fachada de 80 m² vira 20 cm² de acrílico.Planta e sala são figuras semelhantes, e a escala é o k entre elas. Em 1:100, um centímetro de papel responde por um metro de parede; um centímetro quadrado, por 1002=10000 cm², um metro quadrado inteiro de piso.A borboleta ao vivo: duas paralelas e duas transversais que se cruzam. Alternos internos iguais e ângulos opostos pelo vértice: os dois triângulos são semelhantes, com correspondência cruzada.Medir a largura do rio sem atravessá-lo: estacas na margem acessível formam um triângulo semelhante ao que tem a árvore como vértice. A largura sai da proporção.Poste de 7,5 m com sombra de 3 m; pessoa de 1,80 m com sombra de 0,72 m: nos dois, a altura é 2,5 vezes a sombra. Dois triângulos retângulos com o mesmo ângulo do Sol, semelhantes por AA.
Rota PAS 1
Geometria plana: construções, semelhança, trigonometria e áreas · PAS 1
Fontes desta página
Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.
Rota PAS 1 — Geometria plana: construções, semelhança, trigonometria e áreas · Abertura (poste e sombra, planta 1:50); aquecimento (ideia 5: razão, proporção e escala; exemplo-guia da planta 1:50); 'Tales e semelhança: como medir o que não se alcança' (haste e poste, conceito de Tales e AA, k e k², base média, figura da sombra, escala é semelhança aplicada, razão áurea, item 2024/49, armadilha k × k² e proporção × diferença, checagem áreas 4); 'Como a banca cobra' (histórico, item 2023/43 tipo B, protocolo do item de geometria); resolvido 'Sombra e semelhança'; exercícios N1 (haste de 2 m e árvore; planta 1:50); banco de treino T8, T11, T16–T18, T21 e T24
Recorte por assunto: razão, proporção, escala, Tales e semelhança. Ângulos entre paralelas, construções com régua e compasso, Pitágoras, razões trigonométricas, áreas e circunferência do mesmo capítulo pertencem às páginas angulos-e-poligonos, construcoes-geometricas, teorema-de-pitagoras, trigonometria-no-triangulo e areas-de-figuras-planas.
Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cespe/Cebraspe) · PAS 1 2009 (itens 106, 107 e 108, azulejo de Athos Bulcão), 2010 (item 119, anéis de Stonehenge), 2013 (item 50, Pirâmide da Lua), 2017 (itens 49 e 50, razão áurea na pintura de Frida Kahlo; item 58 tipo C, pirâmide semelhante à da Lua), 2018 (item 84, Partenon), 2021 (item 57, pirâmide áurea), 2023 (item 43 tipo B, A última ceia; itens 96, 97 e 98, rampas da NBR 9050), 2025 (item 95 tipo C, escala 1:5 000 000); item 2024/49 reutilizado por GUID da página funcao-quadratica
Itens reproduzidos verbatim; gabaritos conferidos nos GAB oficiais e em utils/material/PAS/pesquisa/classificacao/AAAA.json. As figuras dos itens 2013/50 e 2021/57 foram lidas na imagem do PDF do caderno (utils/material/PAS/provas/) e descritas em texto neutro com todas as medidas; o item 2010/118 (monólitos e observador) depende de distância só legível na figura e entrou como variante autoral com números do Rota PAS 1 (T11). Os itens 2017/49, 50 e 58 foram transcritos da imagem do caderno FRIDA (pdftoppm, p. 8 e 10), porque o txt de 2017 está cifrado; nenhum deles depende de figura.