Uma sala em L, a seção de um templo em forma de trapézio, um losango dentro de um retângulo, um desmatamento numa malha de 100 m: nenhuma dessas figuras vem com fórmula pronta. Como calcular a superfície de qualquer figura decompondo-a em partes conhecidas, e por que dobrar o lado não dobra a área?
O que você vai aprender
Definir área como contagem de quadrados-padrão, usar as unidades m², cm², km² e hectare e converter entre elas elevando o fator de comprimento ao quadrado (1 m² = 10 000 cm²; 1 ha = 10 000 m²; 1 km² = 100 ha).
Deduzir por reconfiguração, a partir do retângulo, as áreas do paralelogramo, do triângulo (base × altura / 2, dois lados e seno, equilátero), do trapézio e do losango, identificando a altura como distância perpendicular e não como lado inclinado.
Calcular a área de polígonos regulares como perímetro × apótema / 2 e a do hexágono regular como seis triângulos equiláteros.
Calcular áreas do círculo, do setor (fração do ângulo), da coroa (diferença de círculos) e do segmento circular (setor menos triângulo), com a aproximação de π fornecida.
Resolver figuras compostas e regiões hachuradas por decomposição, complementação e recorte-e-cola, e conferir o resultado por um segundo caminho ou por uma cota.
Calcular áreas em malha quadriculada e no plano cartesiano (bases e alturas por subtração de coordenadas) e aplicar escalas de plantas e mapas, em que a área real é n² vezes a do papel.
Aplicar a razão k² entre áreas de figuras semelhantes, distinguir área de perímetro como grandezas independentes e ler itens reais do PAS/UnB (2010/105, 2012/27 e 29, 2013/75, 2014/86 e 91, 2019/46, 2021/20, 2022/95, 2024/81 e 98, 2025/25; PAS 2 2007/24; PAS 3 2019/80) identificando a figura, os dados e o limiar.
O pedreiro precisa orçar o piso de uma sala em L: seria um retângulo de 6 m por 4 m, não fosse o canto de 3 m por 2 m que a parede do banheiro tomou. Nenhum livro traz uma “fórmula do L”, e ele não sente falta dela. Pode imaginar o retângulo inteiro e descontar o canto (24−6=18); pode serrar o L num corte vertical e somar dois retângulos (3×4+3×2=18); pode serrar na horizontal (3×2+6×2=18). Três contas, um só resultado, e cada conta serve de prova real das outras. Em 2025, a prova do PAS 1 pediu a área da seção transversal do Templo Mayor, um trapézio de que se conheciam a altura, o lado de cima e os dois ângulos da base, com o limiar a 2,5% do valor real. Em 2013, a área de um losango inscrito num retângulo de 16 cm por 12 cm, com o limiar a 1 cm² do valor. Em 2010, a área de um desmatamento desenhado em malha quadriculada de 100 m. Em 2019, a soma das áreas de duas faces trapezoidais do Teatro Nacional. Nenhuma dessas figuras vem com a fórmula pronta; todas se resolvem recortando e recolando pedaços conhecidos.
Esta página é sobre isso: o que área mede e em que unidade, de onde vêm as fórmulas do retângulo ao segmento circular, como decompor uma figura sem fórmula, o que acontece com a área quando a figura é ampliada, e onde a banca planta os erros. Os ângulos e polígonos e o teorema de Pitágoras, que fornecem as alturas, têm páginas próprias; a semelhança e a trigonometria no triângulo entram como ferramentas; os volumes são o passo seguinte.
Área é contar quadrados: o conceito e as unidades
Medir a área de uma figura é dizer quantas vezes um quadrado-padrão cabe nela. Se o quadrado tem 1 m de lado, a unidade é o metro quadrado (m²); se tem 1 cm, o centímetro quadrado (cm²). Um retângulo de 6 m por 4 m recebe 4 fileiras de 6 quadrados de 1 m: 24 m². Toda a teoria das áreas é a arte de contar esses quadrados quando eles não cabem inteiros, ou quando a figura não é um retângulo.
Unidades de área e a conversão "ao quadrado"
Como a área tem duas dimensões, o fator de conversão de comprimento entra duas vezes:
1m=100cm, logo 1m2=100×100=10000cm2;
1km=1000m, logo 1km2=1000000m2;
1m2=100dm2, e 1dm2=100cm2: cada degrau da escada de prefixos vale 100, não 10.
Unidades agrárias: 1 hectare (ha) = 10 000 m², o quadrado de 100 m de lado; 1 km² = 100 ha; 1 are = 100 m². Na prova de 2021, 246 600 pés de eucalipto a 1 200 pés por hectare pediam 246600/1200=205,5 ha =2055000m2=2,055km2; o item era de múltipla escolha e a resposta certa ficava entre 1,8 km² e 2,1 km². Quem converteu hectare para km² dividindo por 1 000 (e não por 100) errou de fator 10. A regra geral das grandezas e unidades é a mesma: converta o comprimento e eleve o fator ao quadrado.
Duas observações ajudam a não se perder. Área não é perímetro: o perímetro é o contorno, medido em metros; a área é o interior, medida em metros quadrados. E área não depende da posição: girar, transladar ou refletir a figura não muda quantos quadrados cabem nela. É esse segundo fato que autoriza tudo o que vem a seguir.
Retângulo e quadrado: a origem de todas as fórmulas
Um retângulo de base b e altura h tem área b⋅h, porque são h fileiras de b quadrados. O quadrado de lado ℓ é o caso b=h: área ℓ2, e é daí que vem o nome “elevar ao quadrado”. Quando b e h não são inteiros, a fórmula continua valendo (um retângulo de 2,5 m por 1,2 m tem 3 m²), o que se vê subdividindo o quadrado-padrão em quadradinhos menores.
Repare no que acontece ao dobrar o lado do quadrado: de ℓ para 2ℓ, a área vai de ℓ2 para 4ℓ2. Dobrou o lado, dobrou o perímetro, mas a área quadruplicou. Isso não é uma curiosidade do quadrado; é a regra de toda figura, como a seção sobre semelhança mostra. Guarde desde já: comprimento anda com k, área anda com k2.
Recortar e recolar: paralelogramo, triângulo, trapézio e losango
Todas as fórmulas seguintes nascem do retângulo por reconfiguração: cortar um pedaço da figura e recolá-lo em outro lugar não muda a área.
Do retângulo ao paralelogramo (recorte à esquerda, recole à direita) e ao triângulo (metade de um paralelogramo). A altura é a distância perpendicular entre a base e o lado oposto, nunca o lado inclinado. Diagrama autoral.
Paralelogramo. Corte o triângulo retângulo de uma ponta e encaixe-o na outra: sobra um retângulo de mesma base b e mesma altura h. Área b⋅h. A altura é a distância entre os dois lados paralelos, medida perpendicularmente; o lado inclinado é sempre maior que ela.
Triângulo. Duas cópias do mesmo triângulo, uma girada de 180∘, encaixam-se num paralelogramo de base b e altura h. O triângulo é a metade: 2b⋅h. Qualquer lado serve de base, desde que a altura seja a relativa a ele, isto é, a perpendicular baixada do vértice oposto. Dois triângulos de mesma base e mesma altura têm a mesma área, mesmo que tenham formas diferentes; e triângulos de mesma altura têm áreas proporcionais às bases. Foi isso que a prova de 2014 perguntou: com E no eixo x entre O e D e ED=32OD, os triângulos BDE e BEO têm a mesma altura (BO) e bases ED e EO=31OD, logo a área de BDE é o dobro da de BEO. Item C.
Trapézio. Com bases paralelas B (maior) e b (menor) e altura h, a diagonal corta o trapézio em dois triângulos de mesma altura h e bases B e b. Somando: 2Bh+2bh=2(B+b)h. Outra leitura: duas cópias do trapézio, uma invertida, formam um paralelogramo de base B+b e altura h; o trapézio é a metade.
Losango. As diagonais d1 e d2 de um losango são perpendiculares e cortam-se ao meio. O retângulo de lados d1 e d2 formado por elas contém o losango, e os quatro triângulos de fora são congruentes aos quatro de dentro. Logo o losango é a metade do retângulo: 2d1d2. A fórmula vale para qualquer quadrilátero cujas diagonais sejam perpendiculares, como a “pipa”.
Trapézio como dois triângulos de mesma altura; losango como metade do retângulo das diagonais. Duas fórmulas, uma ideia: cortar em triângulos e somar, ou completar um retângulo e tomar a metade. Diagrama autoral.
A corrente de fórmulas, cada uma saindo da anterior
figura
área
de onde vem
retângulo
b⋅h
h fileiras de b quadrados
quadrado
ℓ2
retângulo com b=h
paralelogramo
b⋅h
o triângulo cortado de um lado encaixa do outro
triângulo
2bh
duas cópias formam um paralelogramo
triângulo equilátero
4ℓ23
altura 2ℓ3, por Pitágoras
triângulo com lados a, b e ângulo γ entre eles
21absenγ
bsenγé a altura
trapézio (bases B, b)
2(B+b)h
dois triângulos de mesma altura
losango (diagonais d1, d2)
2d1d2
metade do retângulo das diagonais
polígono regular (perímetro p, apótema a)
2p⋅a
n triângulos de base ℓ e altura a
círculo de raio r
πr2
π≈3,14, quase sempre fornecido pela prova
Quando só os três lados são conhecidos, a fórmula de Heron dá a área direto: com s=2a+b+c, A=s(s−a)(s−b)(s−c). Na prova ela raramente compensa: em geral há um ângulo reto escondido ou uma altura que sai por Pitágoras. Lados 13, 14 e 15: s=21, A=21⋅8⋅7⋅6=7056=84; o mesmo resultado sai baixando a altura 12 sobre o lado 14.
Exemplo resolvido 1: o trapézio dado por ângulos. Uma seção transversal tem a forma de um trapézio de altura 42 m, topo de 50 m e ângulos da base de 60∘ e 45∘. Calcule a área, com 3≈1,7.
Estratégia: falta a base maior. Baixe as duas alturas a partir das pontas do topo: o trapézio vira um retângulo de 50 por 42 e dois triângulos retângulos de altura 42, um com ângulo de 60∘ e outro com 45∘. A tangente dá as bases dos triângulos.
Resolução: no triângulo de 60∘, tg60∘=x42, então x=342=3423=143≈23,8 m. No de 45∘, tg45∘=1, então y=42 m. Base maior: 50+23,8+42=115,8 m. Área: 2(115,8+50)⋅42=82,9⋅42=3481,8 m².
Conferência: por decomposição, 50⋅42+223,8⋅42+242⋅42=2100+499,8+882=3481,8. Fechou. É a conta do item 25 do PAS 2025, que afirmava “superior a 3.570 m²”: E, por menos de 90 m². Estimar de cabeça não decide um limiar a 2,5%; a conta completa, sim.
A altura não é o lado inclinado, e dividir por 2 não é opcional
Três erros respondem por boa parte das áreas erradas. Usar o lado oblíquo como altura: num paralelogramo de lados 8 e 5 com altura 4 relativa ao lado 8, a área é 8×4=32, não 8×5=40; só no retângulo o lado é a altura. Esquecer o meio: triângulo e losango são metades de paralelogramo e de retângulo; quem escreve d1d2 para o losango de diagonais 6 e 8 acha 48 em vez de 24. Somar as bases do trapézio sem dividir por 2, ou dividir só uma delas. A conferência é sempre a mesma: a área da figura tem de ser menor que a do retângulo que a contém.
Polígonos regulares: perímetro vezes apótema sobre dois
Um polígono regular de n lados, ligado ao centro, vira n triângulos congruentes de base ℓ (o lado) e altura a, o apótema, distância do centro a cada lado. Área total: n⋅2ℓ⋅a=2p⋅a, com p=nℓ o perímetro. Enfileirar os triângulos, alternando ponta para cima e ponta para baixo, monta um paralelogramo de base p/2 e altura a: a mesma conta, vista como recorte-e-cola.
Todo polígono regular é uma roda de triângulos iguais: área =2p⋅a. No hexágono os triângulos são equiláteros, e o apótema é a altura 2ℓ3. Diagrama autoral.
O caso mais cobrado é o hexágono regular, porque os seis triângulos são equiláteros (ângulo central 360∘/6=60∘, dois lados iguais ao raio): área 6⋅4ℓ23=23ℓ23. Um ladrilho hexagonal de 20 cm de lado tem 23⋅400⋅1,73≈1038 cm², pouco mais de um décimo de metro quadrado. No quadrado, o apótema é ℓ/2 e a fórmula devolve ℓ2; no triângulo equilátero, o apótema é um terço da altura.
Círculo, setor, coroa e segmento
O círculo de raio r tem área πr2 e contorno 2πr. Uma maneira de ver a área: corte o círculo em muitos setores finos e enfileire-os alternados, como os triângulos do polígono regular; o “paralelogramo” resultante tem base πr (metade do contorno) e altura r. O número π≈3,14 é quase sempre fornecido pela prova (em 2010, o item da órbita do satélite CBERS não o deu, e 3,14 era a aproximação esperada); não use mais casas do que o comando dá.
As partes do círculo
Setor circular de ângulo central θ (a fatia de pizza): fração 360∘θ do círculo, área 360∘θπr2; o arco correspondente mede 360∘θ2πr. Um quarto de volta é um quarto da área e um quarto do contorno.
Coroa circular entre os raios R e r (o anel): diferença de dois círculos, π(R2−r2)=π(R−r)(R+r).
Segmento circular (a região entre uma corda e o arco): setor menos o triângulo isósceles de lados r, r e ângulo θ, ou seja, 360∘θπr2−21r2senθ. Com θ=90∘ e r=6: 436π−18=9π−18≈10,3.
Dois círculos são sempre semelhantes: raios na razão k, contornos na razão k, áreas na razão k2.
Tudo nasce de πr2: a fração da volta dá o setor; a diferença de dois círculos dá a coroa; setor menos triângulo dá o segmento. Diagrama autoral.
Exemplo resolvido 2: o canteiro com chafariz. Um canteiro quadrado de 10 m de lado tem no centro um chafariz circular de 3 m de raio, cercado por um passeio em forma de coroa circular de 1 m de largura. O resto é grama. Calcule a área do passeio e a da grama, com π=3,14.
Estratégia: três figuras encaixadas: quadrado (100 m²), círculo externo do passeio (raio 3+1=4 m) e chafariz (raio 3 m). Passeio = coroa; grama = quadrado menos círculo externo.
Resolução: coroa: π(42−32)=3,14×7=21,98 m². Grama: 100−3,14×16=100−50,24=49,76 m².
Conferência: chafariz 3,14×9=28,26; somando as três regiões, 28,26+21,98+49,76=100. Fechou no quadrado. Quem calcula a coroa como π(4−3)2=3,14 m² erra por um fator 7: a coroa de 1 m de largura em torno de um círculo de 3 m é muito mais que um círculo de 1 m de raio.
π(R − r)² não é a coroa, e o setor precisa da fração certa
A área da coroa é πR2−πr2, diferença de dois círculos; π(R−r)2 é a área de um círculo cujo raio é a largura do anel, outra figura. Em 2007, na 2.ª etapa, a prova pediu a largura mínima d de um anel externo de roda cuja área devia ser pelo menos igual à do círculo interno de raio r: π[(r+d)2−r2]≥πr2 dá (r+d)2≥2r2, d≥(2−1)r≈0,41r; o item afirmava “no mínimo 2r” e era E. No setor, o erro clássico é o sentido do arco: em 2024, o trajeto do telescópio James Webb de L4 até a Terra no sentido anti-horário cobria 360∘−60∘=300∘ da órbita, e não os 60∘ do arco curto; a razão pedida deu 35π≈5,23, resposta 523, e quem tomou o arco curto achou 104.
Decompor vale mais que decorar: figuras compostas e hachuradas
A figura da prova quase nunca é uma das dez da tabela. É um L, um trapézio com um semicírculo em cima, um quadrado com um círculo dentro, uma coroa cortada por um ângulo, uma região hachurada entre curvas. Não existe fórmula para cada uma; existe um protocolo com três movimentos.
Decomposição: corte a figura em pedaços conhecidos, ao longo de segmentos que a própria figura sugere (alturas, diagonais, prolongamentos de lados), e some.
Complementação: complete a figura até um retângulo ou um círculo, calcule a figura grande e subtraia as sobras. A região hachurada é quase sempre “figura grande menos figura pequena”.
Recorte-e-cola: mova um pedaço para onde ele fecha uma figura conhecida. Quatro quartos de círculo nos cantos de um quadrado são um círculo inteiro; duas metades de segmento circular fazem um segmento.
A sala em L por três caminhos: completar e subtrair, cortar na vertical, cortar na horizontal. Os três dão 18 m², e cada um confere os outros. O perímetro do L (20 m) é o mesmo do retângulo 6 × 4 completo, que tem 24 m²: área e perímetro não andam juntos. Diagrama autoral.
Exemplo resolvido 3: a região entre quatro quartos de círculo. Num quadrado de 10 cm de lado, traçam-se quatro arcos de circunferência de raio 5 cm, cada um centrado num vértice, ligando os pontos médios dos lados adjacentes. Calcule a área da região central, fora dos quatro arcos, com π=3,14.
Estratégia: complementação com recorte-e-cola. Cada arco delimita um quarto de círculo de raio 5 no canto; os quatro quartos, juntos, são um círculo inteiro de raio 5. Região central = quadrado menos esse círculo.
Resolução:102−π⋅52=100−78,5=21,5 cm².
Conferência: a região central tem de ser positiva e menor que o quadrado (é), e os quatro quartos de círculo, com 78,5 cm², ocupam pouco mais de três quartos do quadrado, o que bate com o desenho: dois arcos vizinhos se encontram exatamente no ponto médio do lado comum, e a região central é a estrela de quatro pontas que sobra entre eles. Se a conta desse negativo, os raios estariam errados.
Na malha quadriculada, o mesmo protocolo vira contagem. Em 2010, o polígono do desmatamento tinha vértices em A=(1,2), B=(6,6), C=(8,2), D=(10,2), E=(9,0), F=(4,0) e G=(2,2), em quadrados de 100 m. A reta y=2 corta a região em um triângulo ABC acima (base AC=7, altura 4, área 14) e um trapézio GDEF abaixo (bases 8 e 5, altura 2, área 13): 27 quadrados, ou 27×10000=270000 m². O item afirmava “superior a 290.000 m²”: E, por dois quadradinhos.
O polígono do item 105 do PAS 2010, cortado pela linha y=2: triângulo em cima, trapézio embaixo, 27 quadrados de 1 ha. Com bordas curvas, a área fica entre a contagem dos quadradinhos inteiros e a dos inteiros mais os cortados. Diagrama autoral.
Área na malha, no plano cartesiano e no mapa
Malha quadriculada. Conte os quadradinhos inteiros (I) e os cortados pela borda (P). A área está entre I e I+P; a estimativa usual é I+P/2. Se a figura é um polígono de vértices na malha, não estime: decomponha em retângulos, triângulos e trapézios com lados na malha, como no exemplo do desmatamento. Multiplique pela área de um quadradinho só no final; se ele tem 100 m de lado, cada um vale 10000 m² =1 ha.
Plano cartesiano. Vértices em coordenadas dão bases e alturas por subtração: o triângulo A=(1,1), B=(7,1), C=(4,6) tem base AB=6 (mesma ordenada) e altura 6−1=5 (diferença de ordenadas até C), área 15. Quando nenhum lado é horizontal nem vertical, complete o retângulo que contém o triângulo e subtraia os três triângulos retângulos dos cantos, ou use a fórmula do “cadarço” (determinante), que a página de distâncias na geometria analítica desenvolve.
Plantas, mapas e escalas. Uma escala 1:n reduz cada comprimento por n e cada área por n2. Na planta 1:50, uma sala desenhada com 8 cm por 6 cm mede 4 m por 3 m: 12 m², e não 48/50. O caminho seguro é converter os comprimentos antes de multiplicar; o atalho é multiplicar a área do papel por n2: 48cm2×2500=120000cm2=12m2. Em 2023, a prova pediu a área de uma reprodução de A última ceia (4,60 m por 8,80 m) com 22 cm de largura: a altura acompanha a proporção, 22×8,804,60=11,5 cm, e a área é 22×11,5=253 cm².
Onde a área é a pergunta
Piso, tinta, grama e telhado são comprados por m². Uma lata que cobre 10 m² por demão pinta uma parede de 4 m por 2,5 m descontadas as janelas; a porta e a janela saem por complementação.
Terrenos rurais são anunciados em hectares e alqueires; 1 ha = 10 000 m². Um “sítio de 5 ha” tem 50 000 m², o quadrado de cerca de 224 m de lado.
Pizzas e bolos: o tamanho é o diâmetro, mas o que se come é a área. Uma pizza de 30 cm tem π⋅152≈707 cm²; duas de 20 cm têm 2⋅π⋅102≈628 cm². Uma grande rende mais que duas pequenas.
Índice de Gini: a desigualdade de renda é uma razão de áreas. Na curva de Lorenz, G=S1+S2S1: a região entre a diagonal da igualdade e a curva, medida como fração do triângulo inteiro. Quanto mais perto de 0, mais igual a distribuição; quanto mais perto de 1, mais concentrada. Em 2024, a prova trouxe um bloco inteiro sobre isso: três itens pediam áreas de triângulos e trapézios sob a curva, e o quarto perguntava se Gini próximo de zero indica menos desigualdade: C. Curva poligonal significa triângulos e trapézios, isto é, decomposição.
Semelhança: k nos lados, k2 nas áreas
Se duas figuras são semelhantes com razão k entre comprimentos correspondentes, a razão entre suas áreas é k2. O quadrado de lado 2 contém quatro quadrados de lado 1; o triângulo ampliado com k=3 contém nove cópias do original. A regra vem da fórmula: qualquer área é “comprimento vezes comprimento”, e cada comprimento foi multiplicado por k. Vale para círculos (π(kr)2=k2πr2), para polígonos, para figuras irregulares, para mapas.
Dobrar o lado quadruplica a área; triplicar, multiplica por 9. E quatro figuras com o mesmo perímetro 24 têm áreas 36, 32, 20 e 24: comparar contornos não decide nada sobre áreas. Diagrama autoral.
Duas consequências aparecem na prova. Ampliar 50% (k=1,5) multiplica a área por 2,25, ou seja, aumenta 125%, não 50%. E dobrar a área exige k=2≈1,41 nos comprimentos: uma pizza com o dobro da área de uma de 30 cm tem cerca de 42 cm de diâmetro, não 60. Na direção contrária, o triângulo dos pontos médios de um triângulo qualquer é semelhante ao original com k=1/2 e tem um quarto da área, não a metade; num azulejo de Athos Bulcão da prova de 2009, um triângulo construído sobre metades e quartos das diagonais do quadrado ocupava 1/16 da área, e o item que dizia 1/32 era E. A semelhança tem página própria; aqui basta a regra do quadrado.
Área e perímetro não andam juntos
Cerque um quadrado de lado 6 e um triângulo de lados 6, 8 e 10: a cerca é a mesma, 24, e as áreas são 36 e 24. Com os mesmos 24 de perímetro, um retângulo pode ter área 36 (6 × 6), 32 (8 × 4) ou 20 (10 × 2); entre eles, o quadrado é o de maior área, e é por isso que, em 2019, na 3.ª etapa, um terreno cercado com 100 m de cerca aberto para o rio rendia mais área como semicírculo (πr=100, r≈31,85, área ≈1592 m²) do que como retângulo (50 m por 25 m, 1 250 m²). Concluir área a partir de perímetro, ou vice-versa, é inferência inválida, e a banca escreve itens exatamente assim: em 2012, um item comparava perímetros de dois retângulos do campo de futebol (“maior que três vezes”) e o vizinho pedia uma área; quem misturou as duas grandezas errou os dois.
Ler a figura como a banca desenha
O item de área do PAS vem pendurado numa obra, num mapa, numa planta: o trapézio é a seção de um templo, o losango está inscrito num retângulo, as faces são de um teatro, o polígono é um desmatamento, o quadrilátero é uma face de cubo numa gravura de Escher. O protocolo:
Identifique a figura e anote cada dado que o enunciado oferece: comprimentos, ângulos, pares de lados paralelos, “ponto médio”, “inscrito”, “regular”. Em 2013, a figura marcava os vértices do losango nos pontos médios dos lados do retângulo de 16 por 12 (8 + 8 e 6 + 6), o que já dizia que as diagonais do losango mediam 16 e 12: área 216⋅12=96 cm², e o item “inferior a 95 cm²” era E por 1 cm².
Escolha o caminho: fórmula direta, decomposição ou complementação. Em 2019, as faces B e C do Teatro Nacional eram trapézios de bases 25 e 45 com altura 35, e bases 38 e 100 com altura 65: 270⋅35+2138⋅65=1225+4485=5710; dividido por 10, 571.
Procure a altura, que raramente está desenhada. Baixe-a; ela sai por Pitágoras ou por uma razão trigonométrica (seno do ângulo entre dois lados, tangente do ângulo da base).
Resolva até o fim e compare com o limiar (“superior a”, “inferior a”). A banca coloca o limiar perto do valor: 95 contra 96, 3 570 contra 3 482, 290 000 contra 270 000. Estimativa não decide.
Confira com um segundo caminho ou com uma cota: a figura tem de caber no retângulo que a contém, e o resultado tem de estar na unidade pedida.
Um caso em que a leitura da figura é a questão inteira: em 2022, num recorte de Metamorphosis I de Escher, o quadrilátero ABCD era uma face de cubo em perspectiva, um losango com AD=ℓ e ângulo de 60∘ em A (porque DA^E=30∘ e BA^E=90∘). Área do losango com lado ℓ e ângulo 60∘: ℓ⋅ℓ⋅sen60∘=23ℓ2. A fórmula “lado vezes lado vezes seno” é a mesma do triângulo, dobrada.
Os erros que a banca planta
Perímetro no lugar de área. Um mede contorno, em m; o outro mede interior, em m². Mesmo perímetro não significa mesma área.
Lado inclinado como altura. A altura é perpendicular à base. Paralelogramo de lados 8 e 5 com altura 4: área 32, não 40.
Esquecer o /2 do triângulo, do losango e do trapézio, ou dividir só uma das bases.
“Dobrei o lado, dobrou a área.” Não: a área quadruplica. Ampliar 50% aumenta a área em 125%.
Converter unidade uma vez só.1m2=10000cm2, não 100; 1km2=100 ha, não 10. Na escala 1:50, a área real é 2500 vezes a do papel.
π(R−r)2 para a coroa. É π(R2−r2).
Fração errada do setor. O ângulo é a fração de 360∘; e o arco pedido pode ser o longo, não o curto.
Usar π com mais casas do que o comando, ou não usar o 3 fornecido. O limiar do item foi calibrado com a aproximação dada.
Achar que a figura sem fórmula não tem solução. Tem: decompor, completar, recortar e colar.
O essencial em meia página
Área é quantos quadrados-padrão cabem na figura; unidade ao quadrado, conversão ao quadrado (1 m² =104 cm²; 1 ha =104 m²; 1 km² =100 ha).
Origem: retângulo b⋅h. Paralelogramo b⋅h (recorte-e-cola); triângulo 2bh (metade); trapézio 2(B+b)h (dois triângulos); losango 2d1d2 (metade do retângulo das diagonais); polígono regular 2p⋅a; equilátero 4ℓ23; dois lados e ângulo, 21absenγ.
Figura sem fórmula: decomponha, complete e subtraia, ou recorte e recole. Malha: conte e decomponha; coordenadas: bases e alturas por subtração.
Semelhança: comprimentos ×k, áreas ×k2. Escala 1:n multiplica áreas por n2.
Área e perímetro são independentes. Compare cada um por si.
Na prova: marque os dados, ache a altura, resolva até o fim com a aproximação fornecida, compare com o limiar, confira por um segundo caminho.
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ÁREA DE FIGURAS PLANAS | GEOMETRIA PLANA | POLÍGONOS E CÍRCULO
Gis com Giz · 7:49
Introdução. Em menos de oito minutos, a professora Gis percorre as áreas do quadrado, retângulo, triângulo, triângulo equilátero, paralelogramo, losango, trapézio e círculo, com um exemplo numérico para cada: é a tabela “A corrente de fórmulas” das seções “Retângulo e quadrado” e “Recortar e recolar” em voz alta, para quem precisa fixar as fórmulas antes de entender de onde vêm.
COMO DEMONSTRAR A FÓRMULA DA ÁREA DO TRAPÉZIO?
Apótema - Ítalo Renan · 6:25
Mecanismo. Uma demonstração completa da fórmula 2(B+b)h a partir do triângulo, sem nada decorado: é a passagem “Trapézio” da seção “Recortar e recolar”, em que a diagonal corta o trapézio em dois triângulos de mesma altura, feita no quadro com as letras. Serve de modelo para demonstrar as outras fórmulas da tabela pelo mesmo método.
ÁREA DO CÍRCULO | COROA CIRCULAR | SETOR E SEGMENTO
Dicasdemat Sandro Curió · 15:14
Aprofundamento. As quatro figuras da seção “Círculo, setor, coroa e segmento” numa só aula: círculo, coroa (diferença de dois círculos), setor (fração do círculo pelo ângulo) e segmento (setor menos triângulo), com exercícios resolvidos. Assista antes dos itens do anel da locomotiva (PAS 2 2007) e do arco de 300° do James Webb (PAS 2024).
Questões do Enem - Áreas de figuras planas
O Monstro da Matemática · 19:36
Resolução. Sequência de questões do ENEM sobre áreas em ritmo de prova, com figuras compostas, regiões hachuradas e escalas: é o protocolo das seções “Decompor vale mais que decorar” e “Ler a figura como a banca desenha” aplicado a itens reais, o treino que falta depois de entender as fórmulas.
Área é contar quadrados: o piso da sala em L não tem fórmula, mas tem ladrilhos. Complete o retângulo e subtraia o canto, ou corte em dois retângulos: 6×4−3×2=18 m².Do retângulo ao paralelogramo (recorte à esquerda, recole à direita) e ao triângulo (metade de um paralelogramo). A altura é a distância perpendicular entre a base e o lado oposto, nunca o lado inclinado. Diagrama autoral.Trapézio como dois triângulos de mesma altura (2(B+b)h); losango como metade do retângulo das diagonais (2d1d2). Duas fórmulas, uma ideia: cortar em triângulos e somar, ou completar um retângulo e tomar a metade. Diagrama autoral.Todo polígono regular é uma roda de triângulos iguais: área =2p⋅a, perímetro vezes apótema sobre dois. No hexágono os triângulos são equiláteros e o apótema é a altura 2ℓ3. Diagrama autoral.Tudo nasce de πr2: a fração da volta dá o setor, a diferença de dois círculos dá a coroa (π(R2−r2), nunca π(R−r)2), setor menos triângulo dá o segmento. Diagrama autoral.A sala em L por três caminhos: completar e subtrair, cortar na vertical, cortar na horizontal. Os três dão 18 m², e cada um confere os outros. O perímetro do L (20 m) é o mesmo do retângulo 6 × 4 completo, que tem 24 m²: área e perímetro não andam juntos. Diagrama autoral.O polígono do item 105 do PAS 2010 em malha de 100 m, cortado pela linha y=2: triângulo em cima (14), trapézio embaixo (13), 27 quadrados de 1 ha =270000 m². O item dizia “superior a 290.000 m²” e era Errado por dois quadradinhos. Diagrama autoral.Figuras semelhantes: comprimentos ×k, áreas ×k2 (dobrar o lado quadruplica a área). E quatro figuras com o mesmo perímetro 24 têm áreas 36, 32, 20 e 24: comparar contornos não decide nada sobre áreas. Diagrama autoral.Uma volta da roda avança o contorno desenrolado no chão, πd: com 26 polegadas (66 cm) de diâmetro, cerca de 2,07 m, o item 86 do PAS 2014. Comprimento anda com r; área do disco, com r2.A fatia é um setor circular: fração 360∘θ do círculo, tanto em área quanto em contorno. Oito fatias iguais têm 45° cada e um oitavo de πr2.O hexágono regular é seis triângulos equiláteros: área 23ℓ23, ou perímetro vezes apótema sobre dois. Entre os polígonos regulares que ladrilham o plano, é o que cerca mais área com menos cera.A seção transversal do Templo Mayor no PAS 2025: trapézio de altura 42 m, topo 50 m e ângulos da base de 60° e 45°. Baixe as alturas e a figura vira um retângulo e dois triângulos retângulos: área ≈3482 m², abaixo do limiar de 3 570 do item.Área em malha: conte os quadradinhos inteiros e os cortados, ou decomponha o polígono em triângulos e trapézios. Na escala 1:n, cada cm² do papel vale n2 cm² reais: em 1 : 50, 2 500.Três regiões encaixadas: o quadrado, o círculo externo do passeio e o chafariz. O passeio é uma coroa circular, π(R2−r2), nunca π(R−r)2; a grama é o quadrado menos o círculo externo.
Rota PAS 1
Geometria plana: construções, semelhança, trigonometria e áreas · PAS 1
Fontes desta página
Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.
Rota PAS 1 — Geometria plana: construções, semelhança, trigonometria e áreas · 'Área: decompor vale mais que decorar' (sala em L, corrente de reconfigurações, trapézio estilo Templo Mayor, índice de Gini como razão de áreas, item PAS 2013/75, armadilha perímetro × área); 'Circunferência: o que uma volta de roda mede' (comprimento, arco, setor, semelhança de círculos, itens PAS 2014/86 e 2024/98); 'Leia como na prova: o bloco do Templo Mayor' (texto-base e item 2025/25)
Recorte por assunto: áreas, unidades e partes do círculo. Ângulos, paralelas e ladrilhamento da mesma parte ficam em angulos-e-poligonos; Pitágoras, semelhança e razões trigonométricas entram só como ferramenta para achar alturas; volumes ficam em volume-de-prismas-e-cilindros.
Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cebraspe) · PAS 1 2010 (itens 105 e 109), 2012 (itens 27 e 29), 2013 (item 75), 2014 (itens 86 e 91), 2019 (item 46), 2021 (item 20, tipo C), 2022 (item 95, tipo C), 2024 (itens 81 e 98), 2025 (item 25); PAS 2 2007 (item 24); PAS 3 2019 (item 80). Reusados por GUID: PAS 1 2009/108 e 2010/119 e 2023/43 (página teorema-de-tales-e-semelhanca)
Itens reproduzidos verbatim; gabaritos conferidos em utils/material/PAS/pesquisa/classificacao/AAAA.json, classificacao-pas2/ e classificacao-pas3/. Figuras impressas descritas de forma neutra e completa no texto de suporte.
Cadernos oficiais do PAS/UnB em PDF (figuras lidas na página impressa) · 2022-PAS1-Prova.pdf, página 11 (figura I de Escher: quadrilátero ABCD, item 95); 2014-PAS1-Prova.pdf, página 15 (figura da reflexão do raio de luz e a relação ED = 2/3 OD do item 91); 2007-PAS2-Prova.pdf, página 6 (roda da locomotiva com anel externo, item 24)
Figuras que a extração em texto não reproduz; descritas no texto de suporte das questões correspondentes.