Dilatação térmica

Guia de estudo · Revisado em 16/09/2026

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Por que a tampa de metal do pote solta com um jato de água quente, por que o trilho tem uma fresta a cada barra e por que, ao aquecer uma chapa furada, o furo aumenta em vez de fechar?

O que você vai aprender

  • Explicar qualitativamente por que os sólidos dilatam ao serem aquecidos (vibração maior em torno de um potencial assimétrico: a distância média entre átomos cresce) e reconhecer que dilatar é afastar átomos, não aumentar seu tamanho.
  • Calcular a dilatação linear ΔL = L₀αΔT em qualquer unidade coerente, interpretar α como fração por grau (°C⁻¹ = K⁻¹, ordem de grandeza 10⁻⁵) e usar uma tabela de coeficientes para comparar materiais (invar, pirex, vidro, aço, concreto, cobre, alumínio, chumbo).
  • Deduzir β = 2α e γ = 3α a partir de (1 + αΔT)² e (1 + αΔT)³, estimar o tamanho do termo desprezado e aplicar ΔA = A₀βΔT e ΔV = V₀γΔT a chapas, cúpulas e sólidos de qualquer forma.
  • Justificar que furos, cavidades e o interior de recipientes dilatam como se fossem do material que os cerca, e aplicar isso a tampa e pote, anel e eixo e ao encaixe por interferência térmica.
  • Explicar a função de frestas em trilhos, juntas de dilatação em pontes e da folga dos cabos elétricos, estimar a tensão térmica σ = EαΔT em uma barra presa e decidir para que lado erra um instrumento de medida que dilatou.
  • Descrever o funcionamento da lâmina bimetálica (curva para o lado do metal de menor α) e do termostato mecânico, e reconhecer que dois metais de mesmo α não a fazem funcionar.
  • Distinguir dilatação real e aparente de um líquido em um recipiente (γ_ap = γ_líq − γ_frasco, com γ_frasco = 3α), calcular o volume que transborda de um frasco cheio, ler γ em um gráfico V × T e aplicar ao termômetro de mercúrio e ao tanque de gasolina.
  • Descrever a dilatação anômala da água entre 0 e 4 °C (densidade máxima a 4 °C), explicar por que os lagos congelam na superfície e distinguir esse fenômeno do aumento de volume na solidificação.
  • Explicar o choque térmico e por que o vidro borossilicato (pirex) resiste onde o vidro comum estala, e ler gráficos L × T (inclinação = L₀α) e tabelas de α em suas várias notações, inclusive a conversão da variação de temperatura de °F para °C.
  • Resolver e julgar itens no estilo do PAS/UnB: item de limiar (superior/inferior a), tipo B com fração multiplicada por potência de dez, razão entre dilatações em direções distintas, dilatação aparente e leitura de figura.

A tampa de metal do pote de palmito não sai. Você vira o pote sob a torneira de água quente por dez segundos, tenta de novo, e ela gira. Ninguém forçou nada: a tampa cresceu. Cresceu pouco, uns centésimos de milímetro, mas cresceu mais do que a boca de vidro que ela aperta, e a folga que apareceu foi o suficiente. O mesmo fenômeno explica a fresta entre as barras do trilho, a junta dentada no meio da pista da ponte, o fio de alta tensão que pende mais no verão e o termostato do ferro de passar, que liga e desliga sozinho. E explica um fato que parece errado na primeira vez em que se ouve: quando uma chapa com um furo é aquecida, o furo aumenta.

Esta página é sobre o quanto as coisas crescem quando esquentam, e por quê. A conta é uma só, ΔL=L0 α ΔT\Delta L = L_0\,\alpha\,\Delta T, e vale para comprimento, área e volume com um ajuste no coeficiente. O resto é saber onde ela se aplica: em barras, em chapas furadas, em frascos que crescem junto com o líquido que contêm, em lâminas de dois metais que se curvam e numa exceção que sustenta a vida nos lagos gelados, a água entre 0 °C e 4 °C. O que é temperatura, o que é calor e como se mede um e outro têm página própria, temperatura e calor; quanto calor custa aquecer alguma coisa é calorimetria; o que acontece quando a substância muda de fase é mudanças de estado físico. Aqui, só o tamanho.

Por que quase tudo cresce quando esquenta

Um sólido é uma multidão de átomos presos uns aos outros por forças elétricas, cada um vibrando em torno de uma posição de equilíbrio. Temperatura mais alta é vibração mais ampla. Se a vibração fosse perfeitamente simétrica, indo tão longe para a esquerda quanto para a direita, o átomo oscilaria mais, mas em torno do mesmo ponto, e o sólido não mudaria de tamanho. Não é o que acontece. A força entre dois átomos vizinhos é assimétrica: aproximá-los além da distância de equilíbrio custa muita energia (as nuvens eletrônicas se repelem com violência), enquanto afastá-los custa menos (a atração enfraquece devagar). A “mola” que liga os átomos é dura na compressão e mole na tração.

Com mais energia de vibração, o átomo avança pouco para o lado duro e muito para o lado mole. A posição média se desloca para longe do vizinho. Cada par de átomos se afasta uma fração minúscula; multiplicada pelos bilhões de pares que cabem em um centímetro, a fração vira um comprimento medível. É isso que a prova de 2007 da 2.ª etapa quis testar com duas figuras de um trilho em escala atômica: na figura “dilatada”, o desenhista tinha aumentado o tamanho dos átomos e mantido a aresta da célula; o item, que dizia que aquela figura representava o trilho dilatado, estava errado. Dilatar é aumentar a distância entre os átomos, não o átomo.

O modelo em uma frase

Sólidos dilatam porque a energia potencial entre átomos vizinhos é assimétrica em torno do equilíbrio: a repulsão de curto alcance cresce mais depressa que a atração de longo alcance. Vibrando com mais energia, cada átomo passa mais tempo do lado “longe”, a distância média entre vizinhos aumenta e o corpo inteiro cresce. Materiais com ligações mais rígidas (diamante, quartzo, invar) dilatam menos; metais moles (chumbo, zinco) dilatam mais. O coeficiente α\alpha é a versão macroscópica dessa assimetria.

Dilatação linear: três fatores e um coeficiente minúsculo

Três grandezas controlam o acréscimo de comprimento de uma barra aquecida, e nenhuma delas surpreende. A primeira é o comprimento de partida: cada metro da barra ganha o seu próprio pedaço, de modo que uma barra de 30 m ganha trinta vezes mais que uma de 1 m. A segunda é a variação de temperatura: aquecer 40 °C rende o dobro de aquecer 20 °C. A terceira é o material, que responde ao calor com uma sensibilidade própria: o alumínio estica o dobro do aço, e o vidro fica atrás dos dois.

Dilatação linear

ΔL=L0 α ΔTouL=L0 (1+α ΔT)\Delta L = L_0\,\alpha\,\Delta T \qquad\text{ou}\qquad L = L_0\,(1 + \alpha\,\Delta T)

L0L_0 é o comprimento inicial (em qualquer unidade: ΔL\Delta L sai na mesma), ΔT=Tfinal−Tinicial\Delta T = T_{\text{final}} - T_{\text{inicial}} é a variação de temperatura e α\alpha é o coeficiente de dilatação linear, próprio do material. A unidade de α\alpha é “por grau”: °C⁻¹ (ou K⁻¹; são iguais, porque uma variação de 1 °C é uma variação de 1 K). A ordem de grandeza é 10−510^{-5} °C⁻¹: cada metro cresce cerca de 10 micrômetros por grau, ou 1 milímetro a cada 100 °C. A fração ΔL/L0=α ΔT\Delta L/L_0 = \alpha\,\Delta T é a dilatação relativa, sem unidade, e não depende do tamanho do corpo. Se o corpo esfria, ΔT<0\Delta T < 0 e ΔL<0\Delta L < 0: a mesma fórmula descreve a contração.

material α\alpha (10⁻⁶ °C⁻¹) quanto cresce 1 m com ΔT\Delta T = 100 °C
quartzo fundido 0,5 0,05 mm
invar (liga Fe–Ni) 1,2 0,12 mm
vidro pirex (borossilicato) 3,3 0,33 mm
vidro comum 9 0,9 mm
mármore 5 a 12 (o PAS usa 9) 0,9 mm
aço, ferro, concreto 12 1,2 mm
cobre 17 1,7 mm
latão 19 1,9 mm
alumínio 24 2,4 mm
zinco 26 2,6 mm
chumbo 29 2,9 mm

Duas leituras da tabela valem item. Primeiro, aço e concreto têm praticamente o mesmo α\alpha: é por isso que o concreto armado funciona (se o aço crescesse muito mais que o concreto, cada verão racharia a estrutura). Segundo, o vidro comum e o pirex diferem por quase três vezes, e essa diferença é o que decide se a travessa vai ao forno ou estala.

Painel esquerdo: uma barra horizontal de comprimento L zero à temperatura T zero e, abaixo, a mesma barra mais quente, mais comprida, com o acréscimo delta L destacado na ponta direita e a expressão delta L igual a L zero vezes alfa vezes delta T. Painel direito: gráfico do comprimento L em função da temperatura T, com duas retas crescentes que partem do mesmo L zero em T zero; a inclinação está marcada como L zero vezes alfa, e a reta do alumínio é duas vezes mais inclinada que a do aço, para barras de mesmo comprimento inicial; um triângulo tracejado indica delta L sobre delta T.
A barra cresce ΔL=L0 α ΔT\Delta L = L_0\,\alpha\,\Delta T, na ponta e em cada pedaço. No gráfico L×TL \times T a dilatação é uma reta: a **inclinação** vale L0 αL_0\,\alpha, e o ponto em que a reta cruza T=0T = 0 dá L0L_0. Duas barras de mesmo L0L_0 e inclinações diferentes são de materiais diferentes. Diagrama autoral.

Exemplo resolvido (a fresta do trilho). Uma barra de trilho de aço tem 30 m às 5 h da manhã, a 10 °C. Ao meio-dia, sob o sol, o aço chega a 50 °C. Quanto ela cresceu? ΔT=40\Delta T = 40 °C, α=1,2×10−5\alpha = 1{,}2 \times 10^{-5} °C⁻¹: ΔL=30×1,2×10−5×40=1,44×10−2\Delta L = 30 \times 1{,}2 \times 10^{-5} \times 40 = 1{,}44 \times 10^{-2} m =14,4= 14{,}4 mm. Conferência pela regra da tabela: 1 m de aço cresce 1,2 mm por 100 °C; 30 m por 40 °C crescem 30×1,2×0,4=14,430 \times 1{,}2 \times 0{,}4 = 14{,}4 mm. É a fresta que a ferrovia deixa entre barras; sem ela, o trilho empena.

Exemplo resolvido (o coeficiente a partir da medida). Um fio de 1 m foi aquecido em 100 °C e ficou com 1 001 mm. Qual é o α\alpha do material? α=ΔLL0 ΔT=0,001 m1 m×100 °C=1×10−5\alpha = \dfrac{\Delta L}{L_0\,\Delta T} = \dfrac{0{,}001\ \text{m}}{1\ \text{m} \times 100\ \text{°C}} = 1 \times 10^{-5} °C⁻¹. Repare que ΔL\Delta L e L0L_0 precisam estar na mesma unidade antes da divisão (1 mm e 1 m, ou 1 mm e 1 000 mm); a prova de 2014 da 2.ª etapa pediu exatamente este número, multiplicado por 10710^7 para virar uma marcação de três dígitos: 100.

A unidade sai com o comprimento inicial

ΔL\Delta L nasce na unidade de L0L_0. Uma escultura de 2,5 m com α=9×10−6\alpha = 9 \times 10^{-6} °C⁻¹ e ΔT=20\Delta T = 20 °C cresce 2,5×9×10−6×20=4,5×10−42{,}5 \times 9 \times 10^{-6} \times 20 = 4{,}5 \times 10^{-4} metros, que são 0,45 mm, e não 4,5 mm. O item de 2021 da 2.ª etapa dizia “superior a 1 mm”: errado. A banca gosta do item de limiar (dá L0L_0, α\alpha, ΔT\Delta T e afirma “maior que tanto”); a conta é curta e a armadilha está na vírgula.

Área e volume: por que 2α e 3α

Uma chapa quadrada de lado L0L_0 aquecida em ΔT\Delta T vira um quadrado de lado L0(1+αΔT)L_0(1 + \alpha\Delta T). A área nova é

A=L02 (1+αΔT)2=A0 (1+2αΔT+α2ΔT2).A = L_0^2\,(1 + \alpha\Delta T)^2 = A_0\,\left(1 + 2\alpha\Delta T + \alpha^2\Delta T^2\right).

Olhe o tamanho dos termos. Com α∼10−5\alpha \sim 10^{-5} e ΔT∼100\Delta T \sim 100 °C, αΔT∼10−3\alpha\Delta T \sim 10^{-3} e α2ΔT2∼10−6\alpha^2\Delta T^2 \sim 10^{-6}: o último termo é mil vezes menor que o do meio. Desprezando-o, A≈A0(1+2αΔT)A \approx A_0(1 + 2\alpha\Delta T), isto é, a área cresce com um coeficiente duas vezes o linear. Para o volume, o cubo (1+αΔT)3=1+3αΔT+3α2ΔT2+α3ΔT3(1 + \alpha\Delta T)^3 = 1 + 3\alpha\Delta T + 3\alpha^2\Delta T^2 + \alpha^3\Delta T^3 dá, pelo mesmo argumento, V≈V0(1+3αΔT)V \approx V_0(1 + 3\alpha\Delta T).

Dilatação superficial e volumétrica

ΔA=A0 β ΔT,β=2αΔV=V0 γ ΔT,γ=3α\Delta A = A_0\,\beta\,\Delta T,\quad \beta = 2\alpha \qquad\qquad \Delta V = V_0\,\gamma\,\Delta T,\quad \gamma = 3\alpha

Valem para sólidos isotrópicos (mesmo α\alpha em todas as direções) e para variações em que αΔT≪1\alpha\Delta T \ll 1, que é sempre o caso escolar. As três frações são fáceis de lembrar: ΔL/L0=αΔT\Delta L/L_0 = \alpha\Delta T, ΔA/A0=2αΔT\Delta A/A_0 = 2\alpha\Delta T, ΔV/V0=3αΔT\Delta V/V_0 = 3\alpha\Delta T. A área de qualquer figura e o volume de qualquer sólido obedecem à mesma regra, não só quadrados e cubos: toda dimensão linear cresce pelo mesmo fator, e área é produto de duas dimensões, volume de três.

Esse “β=2α\beta = 2\alpha é uma aproximação” rendeu um item bonito em 2011: uma régua com um buraco retangular, dilatando com x=x0(1+αΔT)x = x_0(1 + \alpha\Delta T) e y=y0(1+αΔT)y = y_0(1 + \alpha\Delta T). A área final do buraco, x0y0(1+αΔT)2x_0 y_0 (1 + \alpha\Delta T)^2, é uma função quadrática de ΔT\Delta T; o item que afirmava isso estava certo. A aproximação β=2α\beta = 2\alpha é o que sobra dessa parábola quando se joga fora o termo em α2\alpha^2.

Exemplo resolvido (a escultura, dois itens de uma vez). A mesma escultura de mármore de 2,5 m (α=9×10−6\alpha = 9 \times 10^{-6} °C⁻¹) sofre ΔT=20\Delta T = 20 °C. Já vimos que a altura cresce 0,45 mm. Qual é a variação relativa de volume? ΔV/V0=3αΔT=3×9×10−6×20=5,4×10−4\Delta V/V_0 = 3\alpha\Delta T = 3 \times 9 \times 10^{-6} \times 20 = 5{,}4 \times 10^{-4}; vezes 10510^5, 54, que foi a marcação do item tipo B de 2021. Conferência: a fração de volume tem de ser três vezes a de comprimento, e ΔL/L0=9×10−6×20=1,8×10−4\Delta L/L_0 = 9 \times 10^{-6} \times 20 = 1{,}8 \times 10^{-4}; três vezes isso é 5,4×10−45{,}4 \times 10^{-4}. Quem usa α\alpha em vez de 3α3\alpha marca 18; quem multiplica pela altura marca outra coisa, e a fração não tem L0L_0.

Exemplo resolvido (a cúpula de aço). Um depósito de carvão é coberto por uma semiesfera de aço com 60 m de raio (α=11×10−6\alpha = 11 \times 10^{-6} °C⁻¹). Num dia em que a temperatura varia 20 °C, a área da cúpula varia quanto? Área da semiesfera: A0=2πr2=2×3,14×3 600≈22 600A_0 = 2\pi r^2 = 2 \times 3{,}14 \times 3\,600 \approx 22\,600 m². β=2α=22×10−6\beta = 2\alpha = 22 \times 10^{-6} °C⁻¹. ΔA=22 600×22×10−6×20≈9,9\Delta A = 22\,600 \times 22 \times 10^{-6} \times 20 \approx 9{,}9 m². O item de 2015 afirmava “inferior a 5 m²”: errado. O limiar não foi sorteado: com α\alpha no lugar de 2α2\alpha a conta devolve 5,0 m², o próprio número da afirmação, e quem esqueceu o fator 2 fica sem saber para que lado marcar.

O furo cresce: cavidades dilatam como se fossem do material

Pegue uma chapa de alumínio com um furo redondo no meio e aqueça. Toda distância entre dois pontos da chapa aumenta pelo fator (1+αΔT)(1 + \alpha\Delta T): a distância entre dois cantos, entre um canto e a borda do furo e também entre dois pontos opostos da borda do furo. Essa última distância é o diâmetro do furo. Logo, o furo aumenta. Não há como escapar: se todas as distâncias crescem na mesma proporção, a chapa aquecida é uma cópia ampliada da chapa fria, furo incluído.

Uma segunda maneira de ver é imaginar o disco que preencheria o furo, feito do mesmo material. Chapa inteira aquecida cresce em todos os pontos; o disco imaginário cresce junto e continua encaixado; retirando-o, o furo tem o tamanho do disco crescido. Um furo, uma cavidade ou o interior de um frasco dilatam como se fossem feitos do material que os cerca. Vale para o volume interno de uma garrafa, para a boca de um pote e para o anel que precisa entrar num eixo.

Duas chapas quadradas lado a lado, cada uma com um furo circular no centro. A da esquerda, fria, tem lado L zero e furo de diâmetro d zero. A da direita, quente, é ligeiramente maior em todas as direções, com lado L zero vezes um mais alfa delta T e o furo também maior, com diâmetro d zero vezes o mesmo fator; setas radiais partem do centro do furo e mostram que todos os pontos, inclusive os da borda do furo, se afastam do centro. Um quadro lateral mostra o disco imaginário que preencheria o furo crescendo pelo mesmo fator.
A chapa quente é uma cópia ampliada da chapa fria: cada distância, inclusive o diâmetro do furo, é multiplicada por (1+α ΔT)(1 + \alpha\,\Delta T). O disco que preencheria o furo cresceria exatamente na mesma proporção. A ampliação do desenho é exagerada; na chapa real, com αΔT∼10−3\alpha\Delta T \sim 10^{-3}, o olho não veria nada. Diagrama autoral.
Tampa e pote, anel e eixo

A tampa de aço (α=12×10−6\alpha = 12 \times 10^{-6}) sobre a boca de vidro (α=9×10−6\alpha = 9 \times 10^{-6}) do pote, com 80 mm de diâmetro, aquecida em 60 °C: a tampa cresce 80×12×10−6×60=0,05880 \times 12 \times 10^{-6} \times 60 = 0{,}058 mm; a boca de vidro, 0,0430{,}043 mm. Diferença: uns 15 micrômetros, o suficiente para vencer o atrito da rosca. E há um segundo efeito: o metal conduz calor muito melhor que o vidro, então nos primeiros segundos sob a água quente a tampa já esquentou e o vidro quase não; a folga nesse instante é maior que a da conta em equilíbrio. Na oficina o mesmo princípio monta rolamentos e engrenagens: aquece-se o anel (o furo cresce) ou resfria-se o eixo, encaixa-se, e ao voltar à temperatura ambiente as peças ficam presas com força, sem parafuso. É o encaixe por interferência térmica, e o anel de Gravesande das aulas de laboratório é a demonstração: a esfera que passa justa pelo anel a frio não passa depois de aquecida.

"O metal se expande para dentro do furo"

Frase errada que aparece em item e em prova de escola: “a chapa aquecida cresce para todos os lados, e a borda do furo, crescendo para o lado de dentro, estreita a abertura”. Todo ponto da chapa se afasta de todo outro ponto; a borda do furo se afasta do centro do furo. O diâmetro aumenta. Se o furo encolhesse, um anel aquecido ficaria mais apertado no eixo, e a oficina faz o contrário há duzentos anos.

Frestas, folgas e fios frouxos: a engenharia da dilatação

Uma barra livre dilata em paz. Uma barra presa nas duas pontas não pode crescer e, em vez de comprimento, ganha tensão: o material é comprimido como se alguém o apertasse com a força necessária para desfazer a dilatação. A ordem de grandeza assusta. Um trilho de aço impedido de dilatar com ΔT=40\Delta T = 40 °C sofre uma tensão σ=E α ΔT=2,0×1011×1,2×10−5×40≈9,6×107\sigma = E\,\alpha\,\Delta T = 2{,}0 \times 10^{11} \times 1{,}2 \times 10^{-5} \times 40 \approx 9{,}6 \times 10^{7} Pa, quase 100 MPa, uns 40% do que o aço comum suporta antes de deformar de modo permanente (EE é o módulo de elasticidade do aço). Como o trilho é comprido e fino, ele não espera chegar lá: flamba, sai da linha em forma de S. As ferrovias resolvem isso de duas formas: frestas entre barras curtas, ou trilhos contínuos soldados e ancorados com força nos dormentes, instalados a uma temperatura de referência para que a tensão nunca passe do limite nem no verão nem no inverno.

Pontes e viadutos usam a junta de dilatação: a fresta dentada que você sente no carro ao passar. Uma ponte de 1 km de concreto (α=12×10−6\alpha = 12 \times 10^{-6}) com ΔT=30\Delta T = 30 °C entre a noite de inverno e a tarde de verão muda de comprimento em 1 000×12×10−6×30=0,361\,000 \times 12 \times 10^{-6} \times 30 = 0{,}36 m: 36 cm que precisam caber em algum lugar, e cabem nas juntas, repartidos ao longo da estrutura. Calçadas de concreto têm as ripas de madeira ou os cortes a cada poucos metros pelo mesmo motivo; sem eles, as placas se erguem umas contra as outras.

Os fios de alta tensão fazem o caminho contrário. Um cabo de alumínio de 100 m entre dois postes (α=24×10−6\alpha = 24 \times 10^{-6}) fica 100×24×10−6×30=7,2100 \times 24 \times 10^{-6} \times 30 = 7{,}2 cm mais comprido quando a temperatura sobe 30 °C, e 7 cm a mais num vão de 100 m viram uma barriga (a flecha) visivelmente maior. Por isso os cabos são instalados frouxos: um cabo esticado no verão poderia não ter comprimento para o inverno e se romperia ou arrancaria o isolador ao contrair. O fio “pendendo mais no verão” não é descuido, é a folga de projeto.

O instrumento que dilata mede menos

Uma trena de aço graduada a 18 °C, usada num dia de 38 °C, está mais comprida que quando foi marcada: cada “metro” gravado nela agora mede um pouco mais que um metro. Um fio que ocupe exatamente esse “metro” da trena tem, na verdade, mais que um metro, e o vendedor que cobra por metro lido entrega mais fio do que cobra. A prova de 2014 afirmou que haveria “lucro adicional”: errado, é prejuízo. A regra: instrumento que cresce subestima a medida; instrumento que encolhe superestima. Pergunte sempre “quem dilatou: a régua ou o objeto?”. A diferença é pequena (1,2×10−5×20=0,024%1{,}2 \times 10^{-5} \times 20 = 0{,}024\%), mas o item não pergunta quanto, pergunta para que lado.

Lâmina bimetálica: dois metais, uma curva, um termostato

Rebite uma tira de latão (α=19×10−6\alpha = 19 \times 10^{-6}) sobre uma tira de aço (α=12×10−6\alpha = 12 \times 10^{-6}) de mesmo comprimento, à temperatura ambiente. Aqueça. O latão quer ficar mais comprido que o aço, mas está preso a ele ao longo de toda a extensão; a única saída é a tira curvar, com o latão por fora (o lado convexo, mais longo) e o aço por dentro. Esfrie abaixo da temperatura de montagem e ela curva para o outro lado. A curvatura é pequena, mas numa tira comprida e fina a ponta se desloca milímetros, e milímetros bastam para abrir ou fechar um contato elétrico.

Três estados de uma lâmina formada por duas tiras coladas, uma de latão em cima e uma de aço embaixo. À esquerda, na temperatura de montagem, a lâmina está reta e toca um contato elétrico. No centro, aquecida, a lâmina se curva para baixo, com o latão do lado externo mais longo e o aço do lado interno; a ponta se afastou do contato e o circuito aparece aberto. À direita, resfriada, a lâmina se curva para cima, com o latão do lado interno. Uma legenda indica que a lâmina curva para o lado do metal que dilata menos.
Dois metais presos um ao outro não podem dilatar de modo diferente sem curvar: a lâmina se encurva para o lado do metal de **menor** α\alpha quando aquecida. No termostato, a ponta abre o contato quando a temperatura sobe (o aquecedor desliga) e o fecha quando cai (religa). Diagrama autoral.

É o termostato mecânico do ferro de passar, da chapinha, do afogador automático do carro antigo, do disjuntor térmico que desarma quando a corrente esquenta demais. Regular a temperatura é ajustar a distância do contato: quanto mais longe, mais a lâmina precisa curvar, mais quente o ferro fica antes de desligar. A mesma lâmina, enrolada em espiral com um ponteiro na ponta, é o termômetro de mostrador redondo dos fornos e das churrasqueiras: mais temperatura, mais espiral se desenrola, mais o ponteiro gira. Em item de prova, o que se cobra é o sentido da curva (para o lado do metal que dilata menos) e o fato de que a lâmina só funciona porque os dois α\alpha são diferentes: duas tiras do mesmo metal aqueceriam retas.

Líquidos: o frasco também cresce

Líquido não tem forma própria, então só faz sentido falar da sua dilatação volumétrica, com um coeficiente γ\gamma que é dado direto, sem passar por α\alpha. E os líquidos dilatam muito mais que os sólidos: γ\gamma da ordem de 10−410^{-4} a 10−310^{-3} °C⁻¹, dez a cem vezes o 3α3\alpha típico de um sólido. Mercúrio, 1,8×10−41{,}8 \times 10^{-4}; água a 20 °C, 2,1×10−42{,}1 \times 10^{-4}; glicerina, 5×10−45 \times 10^{-4}; gasolina e álcool, perto de 1×10−31 \times 10^{-3} °C⁻¹.

Aí entra a sutileza. Todo líquido está dentro de um recipiente, e o recipiente também dilata. Se um frasco de vidro cheio até a borda vai ao sol, o que transborda não é toda a dilatação do líquido: o vidro abriu um pouco de espaço. O que se vê é a dilatação aparente; a do líquido sozinho é a real.

Dilatação real e aparente

ΔVaparente=ΔVlıˊquido−ΔVfrasco⟹γap=γlıˊq−γfrasco\Delta V_{\text{aparente}} = \Delta V_{\text{líquido}} - \Delta V_{\text{frasco}} \qquad\Longrightarrow\qquad \gamma_{\text{ap}} = \gamma_{\text{líq}} - \gamma_{\text{frasco}}

com γfrasco=3α\gamma_{\text{frasco}} = 3\alpha do material do recipiente (a cavidade dilata como o material). O que transborda de um frasco cheio é V0 γap ΔTV_0\,\gamma_{\text{ap}}\,\Delta T. Como γlıˊq\gamma_{\text{líq}} costuma ser dez ou mais vezes maior que γfrasco\gamma_{\text{frasco}}, a correção é pequena, mas é exatamente ela que a banca cobra: em 2020, um item dizia que, se o γ\gamma da terebintina fosse 100 vezes o do vidro, a dilatação aparente seria 0,99 γ V ΔT0{,}99\,\gamma\,V\,\Delta T. Certo: γ−γ/100=0,99 γ\gamma - \gamma/100 = 0{,}99\,\gamma.

Três frascos de vidro em sequência. O primeiro, frio, está cheio de líquido exatamente até a borda, com volume V zero. O segundo mostra o que aconteceria se só o líquido dilatasse: o líquido sobe acima da borda numa altura marcada como dilatação real. O terceiro mostra a situação verdadeira: o frasco também cresceu um pouco, a borda subiu, e o líquido transbordado, marcado como dilatação aparente, é menor que a dilatação real; a diferença entre as duas está indicada como a dilatação do frasco. Abaixo, a equação gama aparente igual a gama do líquido menos gama do frasco.
Parte da dilatação do líquido fica escondida dentro do frasco, que também cresceu: o que escorre pela borda é **menos** do que o líquido ganhou de volume, ΔVap=ΔVlıˊq−ΔVfrasco\Delta V_{\text{ap}} = \Delta V_{\text{líq}} - \Delta V_{\text{frasco}}. Para medir o γ\gamma real de um líquido, é preciso conhecer o do frasco. Diagrama autoral.

Exemplo resolvido (quanto transborda). Um frasco de vidro comum (α=9×10−6\alpha = 9 \times 10^{-6} °C⁻¹, logo γfrasco=2,7×10−5\gamma_{\text{frasco}} = 2{,}7 \times 10^{-5} °C⁻¹) está cheio até a borda com 1 000 cm³ de terebintina (γ=9×10−4\gamma = 9 \times 10^{-4} °C⁻¹) e aquece 20 °C. Dilatação real do líquido: 1 000×9×10−4×20=181\,000 \times 9 \times 10^{-4} \times 20 = 18 cm³. Dilatação do frasco: 1 000×2,7×10−5×20=0,541\,000 \times 2{,}7 \times 10^{-5} \times 20 = 0{,}54 cm³. Transborda 18−0,54≈17,518 - 0{,}54 \approx 17{,}5 cm³. Conferência: γap=9×10−4−0,27×10−4=8,73×10−4\gamma_{\text{ap}} = 9 \times 10^{-4} - 0{,}27 \times 10^{-4} = 8{,}73 \times 10^{-4}, e 1 000×8,73×10−4×20=17,51\,000 \times 8{,}73 \times 10^{-4} \times 20 = 17{,}5 cm³. Bate. O γ\gamma da terebintina, aliás, foi dado na prova de 2020 por um gráfico V×TV \times T: 1 000 cm³ a 0 °C, 1 090 cm³ a 100 °C, logo γ=901 000×100=9×10−4\gamma = \dfrac{90}{1\,000 \times 100} = 9 \times 10^{-4} °C⁻¹, e o item que afirmava esse valor estava certo.

Termômetro de mercúrio e tanque de gasolina

O termômetro de líquido funciona porque γlıˊq≫γvidro\gamma_{\text{líq}} \gg \gamma_{\text{vidro}} e porque um bulbo largo empurra o líquido para um tubo estreito, que amplifica. Bulbo de 500 mm³ de mercúrio (γap≈1,8×10−4−0,27×10−4≈1,5×10−4\gamma_{\text{ap}} \approx 1{,}8 \times 10^{-4} - 0{,}27 \times 10^{-4} \approx 1{,}5 \times 10^{-4}): cada grau expulsa 500×1,5×10−4=0,075500 \times 1{,}5 \times 10^{-4} = 0{,}075 mm³; num capilar de 0,2 mm de diâmetro (área ≈0,031\approx 0{,}031 mm²), isso é uma coluna de 0,075/0,031≈2,40{,}075/0{,}031 \approx 2{,}4 mm por grau, legível a olho nu. O mesmo γ\gamma grande explica dois avisos do posto de gasolina. Um: não encher o tanque até a boca num dia quente, porque a gasolina (γ≈10−3\gamma \approx 10^{-3} °C⁻¹) dilata 1% a cada 10 °C e vaza pelo respiro. Dois: 50 litros abastecidos às 15 h de um dia de 35 °C têm menos massa (menos combustível de fato) do que 50 litros às 6 h a 20 °C: uns 0,75 L a menos, 1,5%. O litro que se compra é volume; o que o motor queima é massa.

A água desobedece entre 0 e 4 °C

Quase todo líquido dilata ao esquentar. A água também, de 4 °C para cima. Mas entre 0 °C e 4 °C ela faz o contrário: contrai ao ser aquecida e dilata ao ser resfriada. A densidade da água líquida, por isso, passa por um máximo a cerca de 4 °C (3,98 °C, mais precisamente): 999,97999{,}97 kg/m³. A 0 °C, ainda líquida, ela tem 999,84 kg/m³; a 10 °C, 999,70; a 20 °C, 998,2. As diferenças são pequenas (décimos de por mil), mas o sinal invertido entre 0 e 4 °C muda o destino dos lagos.

Gráfico da densidade da água líquida em quilogramas por metro cúbico em função da temperatura de 0 a 10 graus Celsius. A curva sobe de 999,84 a 0 grau até um máximo de 999,97 a cerca de 4 graus e depois desce até 999,70 a 10 graus. A região de 0 a 4 graus está sombreada e marcada como comportamento anômalo: aquecer contrai. Um painel lateral mostra um lago em corte no inverno: uma camada de gelo na superfície, logo abaixo água a 0 grau, e no fundo água a 4 graus, a mais densa, com peixes; setas indicam que a água resfriada abaixo de 4 graus fica na superfície em vez de afundar.
A densidade da água tem máximo a 4 °C. Resfriando de 10 °C para 4 °C, a água fica mais densa e afunda; de 4 °C para 0 °C, fica **menos** densa e permanece na superfície, onde congela. O fundo do lago se estabiliza a 4 °C e não congela: é o que mantém peixes vivos sob o gelo. Diagrama autoral.

O mecanismo é molecular. As moléculas de água se ligam por pontes de hidrogênio, e a estrutura mais “arrumada” dessas ligações, a do gelo, é aberta, com mais espaço vazio do que a desordem do líquido. Perto de 0 °C, mesmo ainda líquida, a água começa a formar grupos de moléculas com essa arrumação aberta; resfriar um pouco mais aumenta a fração desses grupos e o volume cresce. De 4 °C para cima, a agitação térmica desfaz os grupos e vence: a água passa a se comportar como qualquer líquido.

Consequências da dilatação anômala

Num lago que esfria no inverno, a água da superfície perde calor para o ar, fica mais densa e afunda, trocando de lugar com água mais quente vinda de baixo; o lago inteiro esfria por convecção até chegar a 4 °C. A partir daí, a água da superfície que esfria abaixo de 4 °C fica menos densa e não afunda mais: permanece em cima, chega a 0 °C e congela. O gelo se forma na superfície, e como é isolante e menos denso ainda (917 kg/m³), flutua e protege a água de baixo, que fica a 4 °C o inverno todo. Se a água se comportasse como os outros líquidos, os lagos congelariam de baixo para cima e, nos climas frios, por inteiro.

Dilatação anômala não é "o gelo flutua"

Dois fatos vizinhos, dois mecanismos. A dilatação anômala é o comportamento da água líquida entre 0 e 4 °C: aquecer contrai. O gelo flutuar é consequência da mudança de estado: ao solidificar, a água aumenta de volume em cerca de 9% (de 999,84 para 917 kg/m³), e isso é a página de mudanças de estado físico, não dilatação térmica. A garrafa que estoura no congelador é o segundo fenômeno; o lago que congela por cima precisa dos dois. E o item que disser “a água tem densidade máxima a 0 °C” está errado: é a 4 °C.

Vidro que estala: tensões térmicas e o pirex

Uma travessa de vidro comum que sai do forno e recebe um jato de água fria estala. Por quê, se ela é um corpo só e “dilata igual em toda parte”? Porque não dilata igual ao mesmo tempo. O vidro conduz calor mal: a superfície molhada esfria e contrai em segundos, enquanto o interior continua quente e grande. A camada externa, que quer encolher, é impedida pela massa interna, e fica sob tração; vidro não aguenta tração, e trinca. É o choque térmico, e o que o decide é o produto α ΔT\alpha\,\Delta T entre a superfície e o interior.

Daí o pirex. O vidro borossilicato tem α=3,3×10−6\alpha = 3{,}3 \times 10^{-6} °C⁻¹, quase um terço do vidro comum (9×10−69 \times 10^{-6}): para a mesma diferença de temperatura entre a superfície e o miolo, a deformação a acomodar é três vezes menor e a tensão também. Por isso a travessa de pirex vai do forno à pia e a de vidro comum não, e por isso vidraria de laboratório é de borossilicato. O quartzo fundido (0,5×10−60{,}5 \times 10^{-6}) vai ainda mais longe: pode sair vermelho da chama e mergulhar em água. Do outro lado, materiais diferentes colados um ao outro criam tensão mesmo aquecendo devagar: o esmalte que descasca da panela, a solda que trinca numa placa eletrônica e a obturação dentária que precisa ter α\alpha parecido com o do dente são o mesmo problema da lâmina bimetálica, só que indesejado.

O relógio que atrasa no verão e a liga que quase não dilata

O pêndulo de um relógio de parede tem período T=2πL/gT = 2\pi\sqrt{L/g}. Se a haste de aço fica 10 °C mais quente, cresce uma fração αΔT=1,2×10−4\alpha\Delta T = 1{,}2 \times 10^{-4}, e o período cresce metade disso, 6×10−56 \times 10^{-5}: em um dia de 86 400 s, o relógio atrasa uns 5 segundos. Foi para acabar com esse atraso que o suíço Charles-Édouard Guillaume desenvolveu, em 1896, o invar, liga de ferro com 36% de níquel cujo α\alpha é dez vezes menor que o do aço; o trabalho lhe valeu o Nobel de Física de 1920, e o invar segue em pêndulos, instrumentos de medida e tanques de gás liquefeito. Os relojoeiros antigos, sem invar, compensavam com uma haste de dois metais que se curvava e encurtava o pêndulo na medida certa: uma lâmina bimetálica a serviço da hora certa.

Como ler o gráfico L × T e a tabela de α

A relação L=L0(1+αΔT)L = L_0(1 + \alpha\Delta T) é uma reta no gráfico de LL contra TT: L=L0+(L0α) (T−T0)L = L_0 + (L_0\alpha)\,(T - T_0). Duas leituras:

  • Inclinação da reta =L0 α= L_0\,\alpha (em m/°C, por exemplo). Não é α\alpha: para tirar α\alpha, divida a inclinação por L0L_0. Duas barras com a mesma inclinação e L0L_0 diferentes são de materiais diferentes; duas barras de mesmo material e L0L_0 diferentes têm inclinações proporcionais aos comprimentos.
  • Onde a reta cruza a temperatura de referência (T0T_0, muitas vezes 0 °C) está L0L_0. Cuidado com gráficos que começam o eixo vertical longe de zero: a reta parece “subir muito”, mas a variação relativa continua da ordem de 10−310^{-3}.

Exemplo resolvido (duas retas, um material?). Num gráfico, a barra A vai de 2,000 m a 0 °C a 2,0024 m a 100 °C; a barra B, de 1,000 m a 1,0024 m no mesmo intervalo. As retas têm a mesma inclinação, 2,4×10−52{,}4 \times 10^{-5} m/°C. Mesmo material? Não: αA=2,4×10−5/2,000=1,2×10−5\alpha_A = 2{,}4 \times 10^{-5}/2{,}000 = 1{,}2 \times 10^{-5} °C⁻¹ (aço), αB=2,4×10−5/1,000=2,4×10−5\alpha_B = 2{,}4 \times 10^{-5}/1{,}000 = 2{,}4 \times 10^{-5} °C⁻¹ (alumínio). Conferência: 1 m de alumínio por 100 °C cresce 2,4 mm, e 2 m de aço por 100 °C crescem 2×1,2=2,42 \times 1{,}2 = 2{,}4 mm. Bate. A inclinação mistura L0L_0 e α\alpha; o material está só no α\alpha.

Na tabela, α\alpha costuma vir como “12×10−612 \times 10^{-6} °C⁻¹”, “1,2×10−51{,}2 \times 10^{-5} K⁻¹” ou “12 µm/(m·°C)”. São o mesmo número. °C⁻¹ e K⁻¹ são idênticos porque a fórmula usa variação de temperatura, e ΔT\Delta T em kelvin é igual a ΔT\Delta T em Celsius. Só a escala Fahrenheit muda o valor: uma variação de 1 °C é 1,8 °F, logo um α\alpha “por °F” é o “por °C” dividido por 1,8. Se o enunciado der ΔT\Delta T em °F com α\alpha em °C⁻¹, converta a variação (ΔT°C=ΔT°F/1,8\Delta T_{\text{°C}} = \Delta T_{\text{°F}}/1{,}8) antes de multiplicar, e nunca converta a temperatura absoluta, só a diferença.

Gráfico de barras horizontais com o coeficiente de dilatação linear de nove materiais em unidades de dez elevado a menos seis por grau Celsius, do menor para o maior: quartzo fundido 0,5; invar 1,2; pirex 3,3; vidro comum 9; aço e concreto 12; cobre 17; latão 19; alumínio 24; chumbo 29. As barras de aço e concreto têm o mesmo comprimento e estão destacadas com a legenda de que o concreto armado depende dessa igualdade; as barras de pirex e vidro comum estão ligadas por uma chave com a razão de quase três vezes.
Coeficientes de dilatação linear típicos, em 10−610^{-6} °C⁻¹. Aço e concreto empatam (por isso o concreto armado não racha a cada verão); pirex e vidro comum diferem por quase três vezes (por isso um vai ao forno e o outro estala); alumínio dilata o dobro do aço (por isso a tampa de alumínio solta com água quente). Diagrama autoral.

Como a banca pergunta

Em dezenove provas da 2.ª etapa (2007 a 2025), a dilatação apareceu em onze itens, distribuídos em sete anos: 2007, 2011, 2014, 2015, 2016, 2020 e 2021, quase sempre em pares pendurados num mesmo texto-base. O perfil é estável. No tipo A, a banca fornece L0L_0, α\alpha e ΔT\Delta T e compara o resultado com um limiar: “superior a 1 mm” (2021), “inferior a 5 m²” (2015), “mais de 280 micrômetros” (2016); a conta cabe em uma linha, e o valor de corte foi escolhido para deixar do lado errado quem usa α\alpha onde devia usar 2α2\alpha ou quem erra a vírgula da unidade. O item tipo B pede o próprio coeficiente (α\alpha a partir de ΔL\Delta L, L0L_0 e ΔT\Delta T, 2014) ou uma fração (ΔV/V0\Delta V/V_0, 2021), sempre multiplicada por uma potência de dez para virar três dígitos. Os conceituais giram em torno de quatro ideias: o furo e a cavidade que dilatam como o material (2011), a dilatação aparente do líquido no frasco (2020), o instrumento que dilata e mede errado (2014) e o que é, afinal, dilatar em escala atômica (2007). O gráfico V×TV \times T de 2020 e a régua com fórmulas impressas de 2011 mostram que a banca gosta de dar a informação em figura e cobrar a leitura.

Nas 1.ª e 3.ª etapas, dilatação não foi cobrada em vinte anos de provas: é assunto da 2.ª etapa, no código de termologia da matriz. Quando vier, virá com termologia ao lado (calor específico, mudança de fase, condução), e o primeiro trabalho é separar o item de dilatação dos vizinhos: procure α\alpha, γ\gamma, “coeficiente”, “dilata”, “varia de comprimento”.

Os erros que a prova planta

  • “O furo diminui, porque o metal se expande para dentro dele.” Toda distância da chapa cresce, inclusive o diâmetro do furo. Cavidades dilatam como se fossem do material que as cerca.
  • “A área usa α\alpha.” Área usa β=2α\beta = 2\alpha; volume usa γ=3α\gamma = 3\alpha. Os limiares dos itens (5 m² em 2015, 1 mm em 2021) foram escolhidos de modo que o esquecimento do 2 ou do 3 leve à marcação oposta à correta.
  • “2,5 m com α=9×10−6\alpha = 9 \times 10^{-6} e ΔT=20\Delta T = 20 °C crescem 4,5 mm.” Crescem 4,5×10−44{,}5 \times 10^{-4} m, que são 0,45 mm. ΔL\Delta L sai na unidade de L0L_0.
  • “Coeficiente em K⁻¹ é diferente de coeficiente em °C⁻¹.” São iguais: a fórmula usa ΔT\Delta T, e uma variação de 1 K é uma variação de 1 °C. Só °F exige conversão, e da variação (÷1,8\div 1{,}8), nunca da temperatura.
  • “A razão entre as dilatações em xx e em yy é αx/αy\alpha_x/\alpha_y.” É (x0αx)/(y0αy)(x_0\alpha_x)/(y_0\alpha_y): os comprimentos iniciais não desaparecem. Pelo mesmo motivo, uma barra feita de dois trechos não tem α\alpha igual à soma dos dois; tem ΔL=(L1α1+L2α2) ΔT\Delta L = (L_1\alpha_1 + L_2\alpha_2)\,\Delta T, uma média ponderada pelos comprimentos.
  • “A trena que dilata mede a mais.” Mede a menos: cada divisão ficou maior que o valor gravado, então o objeto parece menor do que é. Quem vende por metro lido entrega mais do que cobra.
  • “O que transborda do frasco cheio é a dilatação do líquido.” É a dilatação aparente, ΔVlıˊq−ΔVfrasco\Delta V_{\text{líq}} - \Delta V_{\text{frasco}}; o frasco abriu espaço. Com γfrasco=γ/100\gamma_{\text{frasco}} = \gamma/100, transborda 0,99 γVΔT0{,}99\,\gamma V\Delta T.
  • “A água tem densidade máxima a 0 °C” / “a água sempre dilata ao esquentar”. Máximo de densidade a 4 °C; entre 0 e 4 °C, aquecer contrai. E o gelo flutuar é mudança de estado (+9% de volume ao solidificar), não dilatação.
  • “A lâmina bimetálica curva para o lado do metal que dilata mais.” Curva para o lado do que dilata menos: o metal mais longo fica por fora da curva.
  • “Na figura dilatada, os átomos ficam maiores.” Dilatar é aumentar a distância entre os átomos, não o tamanho deles (2007).

O essencial em meia página

  • Por quê: a força entre átomos é assimétrica (dura na compressão, mole na tração); com mais vibração, a distância média entre vizinhos cresce. Dilatar = afastar átomos.
  • Linear: ΔL=L0 α ΔT\Delta L = L_0\,\alpha\,\Delta T; L=L0(1+αΔT)L = L_0(1 + \alpha\Delta T). α\alpha em °C⁻¹ = K⁻¹, ordem 10−510^{-5} (≈ 1 mm por metro por 100 °C). ΔL\Delta L na unidade de L0L_0. Fração ΔL/L0=αΔT\Delta L/L_0 = \alpha\Delta T não depende do tamanho.
  • Tabela (10−610^{-6} °C⁻¹): quartzo 0,5 · invar 1,2 · pirex 3,3 · vidro 9 · mármore ~9 · aço = concreto 12 · cobre 17 · latão 19 · alumínio 24 · chumbo 29.
  • Área e volume: β=2α\beta = 2\alpha, γ=3α\gamma = 3\alpha, de (1+αΔT)2≈1+2αΔT(1 + \alpha\Delta T)^2 \approx 1 + 2\alpha\Delta T (termo α2ΔT2\alpha^2\Delta T^2 mil vezes menor). Área exata do furo é quadrática em ΔT\Delta T (PAS 2011).
  • Furo e cavidade dilatam como o material que os cerca: o furo aumenta; tampa de metal solta com água quente; anel aquecido entra no eixo.
  • Engenharia: barra presa gera tensão σ=EαΔT\sigma = E\alpha\Delta T (~100 MPa no aço com ΔT=40\Delta T = 40 °C) → frestas em trilhos, juntas em pontes (1 km, 30 °C → 36 cm), cabos frouxos (100 m de Al, 30 °C → 7 cm). Instrumento que dilata subestima a medida (trena, PAS 2014).
  • Bimetálica: dois α\alpha diferentes presos → curva para o lado do metal que dilata menos; termostato abre o contato quando aquece; termômetro de espiral.
  • Líquidos: só γ\gamma, dado direto, 10–100× o dos sólidos (Hg 1,8×10−41{,}8 \times 10^{-4}; água 2,1×10−42{,}1 \times 10^{-4}; gasolina ~10−310^{-3}). γap=γlıˊq−γfrasco\gamma_{\text{ap}} = \gamma_{\text{líq}} - \gamma_{\text{frasco}}, γfrasco=3α\gamma_{\text{frasco}} = 3\alpha; transborda V0γapΔTV_0\gamma_{\text{ap}}\Delta T (PAS 2020: 0,99 γVΔT0{,}99\,\gamma V\Delta T). Gráfico V×TV \times T: γ=ΔV/(V0ΔT)\gamma = \Delta V/(V_0\Delta T).
  • Água: densidade máxima a 4 °C (999,97 kg/m³); entre 0 e 4 °C aquecer contrai. Lago esfria por convecção até 4 °C; depois a água mais fria fica em cima e congela na superfície; fundo a 4 °C. Gelo flutuar (917 kg/m³) é mudança de estado, não dilatação.
  • Tensão térmica e vidro: choque térmico = superfície e interior a temperaturas diferentes; tensão ∝ αΔT\alpha\Delta T; pirex (3,33{,}3) suporta o que o vidro comum (99) não.
  • Gráfico L×TL \times T: reta; inclinação =L0α= L_0\alpha (não α\alpha); L0L_0 onde cruza T0T_0. Mesma inclinação ≠ mesmo material.
  • Itens PAS 2: 2007/27 (E), 2011/81 (E) e 82 ©, 2014/107 (E) e 108 (100), 2015/101 (E), 2016/101 (E), 2020/107 © e 109 ©, 2021/49 (E) e 56 (54). Limiar + tipo B, quase sempre em par; zero itens na 1.ª e na 3.ª etapa.
  • Vizinhos: temperatura, escalas e equilíbrio em temperatura e calor; Q=mcΔTQ = mc\Delta T em calorimetria; gelo, vapor e o +9% ao congelar em mudanças de estado físico; condução no vidro e no metal em propagação de calor; densidade e flutuação em hidrostática; unidades e ordens de grandeza em grandezas físicas e unidades.

Exercícios temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.

Flashcards temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar os cartões de revisão.

Dilatação Térmica - Brasil Escola
Brasil Escola Oficial · 14:37
Introdução. Aula de 15 minutos cuja descrição anuncia o roteiro: “você entenderá por que os materiais sofrem dilatações e contrações térmicas” e “será discutido o conceito de dilatação linear”. É o par de seções “Por que quase tudo cresce quando esquenta” e “Dilatação linear: três fatores e um coeficiente minúsculo” desta página, com a fórmula ΔL=L0 α ΔT\Delta L = L_0\,\alpha\,\Delta T apresentada do zero. Assista antes de ler, para chegar à tabela de coeficientes com o vocabulário pronto.
DILATAÇÃO TÉRMICA DOS SÓLIDOS - TERMOLOGIA - Aula 3 - Prof Boaro
Professor Boaro · 22:40
Aprofundamento. Terceira aula da playlist de termologia do canal, 23 minutos; a descrição registra o conteúdo: “discuto em detalhes com vcs a dilatação térmica dos sólidos: a dilatação linear, a dilatação superficial e a dilatação volumétrica”. Cobre a seção “Área e volume: por que 2α e 3α” e a leitura de β=2α\beta = 2\alpha, γ=3α\gamma = 3\alpha, com o cuidado de unidades que a banca cobra nos itens de limiar (PAS 2015/101 e 2021/49). Veja depois de ler a demonstração de (1+αΔT)2(1 + \alpha\Delta T)^2 na página.
TD03.4 - Dilatação térmica - Anomalia da água
Edward Física · 8:30
Aplicação. Aula de 8 minutos dedicada à exceção da página: a descrição do autor explica que “a água sofre uma pequena anomalia no intervalo de 0 a 4 ºC: em vez de expandir, sofre contração”, que a razão é analisada “olhando para as estruturas cristalinas do gelo” (marcador 4:52) e que se discute “qual influência isso tem na manutenção da vida marinha nos invernos rigorosos”. É a seção “A água desobedece entre 0 e 4 °C”, com o gráfico de densidade e o lago que congela por cima.
Dilatação Térmica (Linear) - Aula 03 Exercícios de Aprofundamento
Davi Oliveira - Física 2.0 · 27:31
Resolução. Aula de 27 minutos em que, segundo a descrição, o professor resolve “alguns exercícios para aprofundarmos alguns conceitos sobre dilatação linear”. Use como treino de conta e de unidade depois dos exercícios numéricos de dilatação linear desta página (a fresta do trilho, a barra de alumínio, a barra com variação em °F): os erros que a banca planta (ΔL na unidade de L0L_0, coeficiente a partir da medida, variação de temperatura em outra escala) aparecem em problemas trabalhados passo a passo.
Rota PAS 2
Termologia: temperatura, calor e calorimetria · PAS 2

Fontes desta página

Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.

  • Rota PAS 2 — Termologia: temperatura, calor e calorimetria · Abertura (trilho, junta da ponte e tampa do pote); Antes de começar: dez minutos de aquecimento (ideia 5, dobrar a causa dobra o efeito, coeficientes em potência de dez; quadro O que cai daqui, linha Dilatação térmica; radar do capítulo); Dilatação: quanto cresce o que esquenta (conceito ΔL = L₀αΔT, tabela α/β/γ, exemplo do trilho de 30 m, Na prova com os itens 2021/49 e 56, 2014/107 e 108, 2011/81 e 82, 2015/101, 2020/107, armadilha dos três esquecimentos, checagem do furo); Como a banca cobra (histórico dos itens de dilatação 2007–2021); Síntese (parágrafo Dilatação); Banco de treino (T2, T11, T12, T13)

    Recorte por assunto: a fórmula linear, β = 2α e γ = 3α, furo e dilatação aparente, os itens reais e as três armadilhas. A página acrescenta o modelo microscópico (assimetria do potencial), a demonstração explícita de 2α e 3α com estimativa do termo desprezado, a tabela ampliada de coeficientes, a tensão térmica σ = EαΔT e a flambagem de trilhos, cabos elétricos frouxos, o instrumento que dilata, a lâmina bimetálica e o termostato, o termômetro de mercúrio e o tanque de gasolina com números, a dilatação anômala da água e suas consequências nos lagos, o choque térmico e o pirex, a leitura de gráficos L × T e a conversão de ΔT em °F, ausentes do capítulo. Temperatura e escalas, calorimetria, mudanças de fase e transmissão de calor do mesmo capítulo ficam nas páginas vizinhas.

  • Cadernos oficiais do PAS/UnB — 2.ª etapa (Cebraspe) · PAS 2 2007 (item 27, átomos do trilho dilatado), 2011 (itens 81 e 82, régua com buraco retangular), 2014 (itens 107 e 108, fio de 1 m e trena da loja), 2015 (item 101, cúpula semiesférica do depósito de carvão), 2016 (item 101, fio que encolhe 15 µm por grau), 2020 (itens 107 e 109, terebintina no frasco de vidro e gráfico V × T), 2021 (itens 49 e 56, O rapto de Prosérpina, de Bernini)

    Onze itens reais reproduzidos verbatim, com textos-base como impressos e figuras descritas de forma neutra; gabaritos conferidos nos arquivos AAAA-PAS2-GAB.txt e as páginas com figura conferidas nas imagens dos PDFs em utils/material/PAS/provas/. A 1.ª e a 3.ª etapas não trouxeram item de dilatação térmica em vinte anos de provas classificadas.

  • Classificação editorial dos itens do PAS 2 (2007–2025) · Itens com tema de dilatação térmica: 2007.json (27), 2011.json (81, 82), 2014.json (107, 108), 2015.json (101), 2016.json (101), 2020.json (107, 109), 2021.json (49, 56)

    Usada para localizar os itens e confirmar tipo, gabarito e contexto (figura, texto-base, obra do PAS).