O cometa Halley passou em 1986 e volta em 2061; Marte, a 1,5 vez a distância da Terra ao Sol, leva quase dois anos para dar a volta; um planeta de outra estrela some da vista a cada 385 dias e por isso sabemos a que distância ele orbita. Como a forma e o tamanho de uma órbita fixam a velocidade em cada trecho e o tempo de uma volta, e por que a mesma proporção serve para planetas, satélites, luas e cometas, mas só em torno do mesmo astro?
O que você vai aprender
Identificar os elementos da elipse usados na órbita (semieixo maior, focos, distância focal, excentricidade e = c/a) e calcular periélio e afélio como a(1 − e) e a(1 + e), reconhecendo a órbita circular como o caso e = 0.
Enunciar a primeira lei de Kepler com o Sol em um foco, não no centro, e aplicá-la a planetas, cometas, luas e satélites artificiais, distinguindo a excentricidade das estações do ano.
Enunciar a segunda lei (áreas iguais em tempos iguais), concluir que a velocidade e a aceleração são máximas no periélio e mínimas no afélio, usar v_p r_p = v_a r_a e reconhecer a lei como conservação do momento angular de uma força central.
Enunciar a terceira lei, T²/a³ = K para o mesmo corpo central, e resolvê-la por razões e proporções em anos e UA (planeta a 4 UA → 8 anos), inclusive a partir de períodos em dias e de tabelas de planetas.
Deduzir T² = (4π²/GM) r³ igualando gravitação e força centrípeta para a órbita circular, explicar por que a constante depende só da massa do corpo central e por que a massa do corpo orbitante cancela, e usar a lei como balança para a massa do Sol ou de uma estrela.
Aplicar a mesma constante a satélites da Terra e às luas de Júpiter, julgando itens que comparam órbitas em torno de corpos centrais diferentes ou que restringem a lei aos planetas.
Ler órbitas de cometas e de transferência (Halley, Terra–Marte) com as três leis, obtendo semieixo maior, excentricidade, período e razão de velocidades a partir de periélio e afélio, e reconhecer que a energia da órbita depende só de a.
Descrever o método do trânsito de exoplanetas (curva de luz, período, profundidade) e usar a terceira lei com a massa da estrela para estimar a distância planeta–estrela, explicando por que a distância da estrela até nós não entra na conta.
Marte anda para a frente no céu durante meses, freia, recua algumas semanas e volta a avançar. Foi para explicar esse laço que Ptolomeu empilhou círculos sobre círculos, e foi tentando encaixar Marte em círculos que Kepler desistiu deles: com os dados de Tycho Brahe na mão, a melhor órbita circular ainda errava a posição do planeta em 8 minutos de arco, um quarto do diâmetro da Lua, e Kepler sabia que Tycho não errava tanto. Em 1609 ele publicou a resposta: a órbita é uma elipse, o Sol está num foco, e o planeta anda mais depressa quando está mais perto do Sol. Dez anos depois veio a terceira peça, a que amarra o tamanho da órbita ao tempo de uma volta: elevado ao quadrado, o período cresce como o cubo do semieixo maior.
Essas três frases descrevem tudo que orbita: os oito planetas, o cometa Halley que passou em 1986 e volta em 2061, as quatro luas que Galileu viu em Júpiter, o satélite de TV a 36 000 km de altura, os planetas de outras estrelas que a sonda Kepler detectou pela sombra que fazem ao cruzar o disco da estrela. E são frases que a prova cobra com proporções, sem G: um planeta a 4 UA do Sol leva 8 anos para dar a volta; um satélite com um quarto do raio tem um oitavo do período; a distância Sol–Marte sai do período de 684 dias. Esta página constrói as três leis, deduz a terceira a partir da gravitação de Newton e mostra onde cada uma vale e onde a prova arma a cilada. A força que curva a órbita, F=GMm/r2, e os satélites em órbita circular (velocidade, geoestacionário, GPS) estão na página vizinha gravitação universal; a aceleração centrípeta vem do movimento circular uniforme. Aqui essas ideias entram só pelo nome.
Antes das leis: o que é uma elipse
Uma elipse é o que sai quando você prende as duas pontas de um barbante em dois pregos, estica o barbante com a ponta do lápis e gira. Os pregos são os focos; a soma das distâncias de qualquer ponto da curva aos dois focos é constante (o comprimento do barbante). Se os dois pregos estiverem no mesmo lugar, sai uma circunferência: o círculo é a elipse de focos coincidentes.
Os elementos da elipse que a órbita usa
Semieixo maiora: metade do comprimento da elipse, do centro à ponta mais distante. É o “tamanho” da órbita e é ele que entra na terceira lei.
Semieixo menorb: metade da largura.
Distância focalc: do centro a cada foco; c2=a2−b2.
Excentricidadee=c/a, número entre 0 e 1 que mede o quanto a elipse é achatada: e=0 é a circunferência (focos no centro), e perto de 1 é uma elipse muito alongada.
Para um planeta com o Sol no foco F1: o ponto mais próximo do Sol é o periélio, a rp=a−c=a(1−e); o mais distante é o afélio, a ra=a+c=a(1+e). A soma rp+ra=2a é o eixo maior inteiro. Para satélites da Terra os nomes são perigeu e apogeu; para uma estrela qualquer, periastro e apoastro.
A elipse que a órbita usa: o Sol ocupa **um foco**, não o centro. Periélio a a(1−e), afélio a a(1+e), e a soma das distâncias de qualquer ponto aos dois focos vale 2a. A circunferência é o caso e=0, com os focos no centro. Diagrama autoral.
Exemplo resolvido (os dois extremos). Uma órbita tem a=10 UA e e=0,2. Então c=ea=2 UA, rp=10−2=8 UA e ra=10+2=12 UA. Conferência: rp+ra=20=2a. A distância do Sol ao outro foco, vazio, é 2c=4 UA. Repare que a distância média entre planeta e Sol, tomada sobre os dois extremos, é (8+12)/2=10=a: por isso as tabelas chamam a de “distância média ao Sol”.
As órbitas dos planetas são quase circulares, e é por isso que os livros as desenham redondas sem grande erro: a Terra tem e=0,017, Vênus 0,007, Marte 0,093, Mercúrio 0,206. Para a Terra, c=0,017×1,496×108 km =2,5 milhões de km: o Sol fica 2,5 milhões de km fora do centro da órbita, e a distância Terra–Sol oscila entre 147,1 milhões de km (periélio, início de janeiro) e 152,1 milhões (afélio, início de julho). Já os cometas exageram: Halley tem e=0,967.
Na prova. A 2.ª etapa de 2009 deu as excentricidades de Urano (0,0047) e de Netuno (0,0086) e as distâncias médias ao Sol, 2,87×109 km e 4,5×109 km, e afirmou que “a distância entre o Sol e o outro foco da elipse é menor para a órbita de Urano que para a de Netuno”. A distância entre os focos é 2c=2ea: Urano, 2×0,0047×2,87×109=2,7×107 km; Netuno, 2×0,0086×4,5×109=7,7×107 km. Certo. Duas contas de multiplicar, e a definição de excentricidade no meio.
Primeira lei: o Sol num foco, não no centro
Primeira lei de Kepler (lei das órbitas)
Cada planeta descreve, em torno do Sol, uma órbita elíptica, com o Sol ocupando um dos focos da elipse. O outro foco está vazio.
A frase tem duas metades e a prova testa as duas. A primeira, “elíptica”, derruba os círculos de Ptolomeu e de Copérnico; a segunda, “num dos focos”, derruba a versão preguiçosa da lei, que põe o Sol no centro da elipse. Se o Sol estivesse no centro, periélio e afélio seriam iguais e não haveria estação do ano em que a Terra está mais perto do Sol. Há: 3,3% mais perto em janeiro. A diferença é pequena porque e é pequeno, e é justamente por ser pequena que a órbita da Terra parece um círculo desenhado por alguém que errou a posição do centro.
A lei vale para o que orbita o Sol, planetas, asteroides e cometas, e vale igual para o que orbita qualquer outro corpo: a Lua em torno da Terra, as luas de Júpiter, um satélite artificial, um planeta em torno de outra estrela. Newton mostrou por que: uma força atrativa que cai com 1/r2 produz, para um corpo preso, exatamente uma elipse com o centro atrator no foco. A elipse não é uma coincidência de dados; é a assinatura geométrica do inverso do quadrado.
"O Sol está no centro da elipse"
Está no foco. O centro da elipse é um ponto vazio, a c=ea do Sol. Item que troque foco por centro, ou que diga que a distância planeta–Sol é constante numa órbita elíptica, está errado. E a versão certa não é “a Terra fica mais perto do Sol no verão”: o periélio é em janeiro, verão no hemisfério sul e inverno no norte; as estações vêm da inclinação do eixo da Terra, não da excentricidade.
Plutão entra na frente de Netuno
Plutão tem e=0,249 e a=39,5 UA: periélio a 39,5×0,751=29,7 UA, afélio a 49,3 UA. Netuno está a 30,1 UA. Perto do periélio, portanto, Plutão fica mais perto do Sol do que Netuno, e foi o que aconteceu entre 1979 e 1999. Não colidem porque as órbitas estão inclinadas uma em relação à outra e porque os períodos travam numa razão 3:2 (Netuno dá três voltas enquanto Plutão dá duas). Uma elipse alongada é o bastante para um planeta “de fora” passar por dentro da órbita do vizinho.
Segunda lei: áreas iguais em tempos iguais
Observe a Terra em janeiro e em julho. Em janeiro ela está mais perto do Sol e anda a 30,3 km/s; em julho, mais longe, a 29,3 km/s. Kepler não tinha velocímetro; tinha posições de Marte em datas conhecidas, e notou que a régua certa não era o arco percorrido, e sim a área varrida pelo segmento que liga o planeta ao Sol.
Segunda lei de Kepler (lei das áreas)
O segmento que une o Sol ao planeta varre áreas iguais em intervalos de tempo iguais. A razão área varrida por tempo, a velocidade areolar, é constante ao longo da órbita.
Consequência: perto do Sol, onde o segmento é curto, o planeta precisa percorrer um arco longo para varrer a mesma área, logo anda mais depressa; longe do Sol, anda mais devagar. A velocidade é máxima no periélio e mínima no afélio. Nesses dois pontos, e só neles, a velocidade é perpendicular ao segmento Sol–planeta, e vale
vprp=vara⟹vavp=rpra=1−e1+e.
Segunda lei: os dois setores têm a **mesma área** e foram varridos no **mesmo tempo**. Perto do Sol o segmento é curto e o arco tem de ser longo, o planeta corre; longe, o segmento é longo e o arco curto, o planeta se arrasta. No periélio e no afélio, vprp=vara. Diagrama autoral.
Exemplo resolvido (a razão de velocidades). Na órbita de a=10 UA e e=0,2 da seção anterior, rp=8 e ra=12 UA: vp/va=12/8=1,5. O planeta passa pelo periélio 50% mais rápido do que pelo afélio. Para a Terra, (1+0,017)/(1−0,017)=1,035: 30,3 contra 29,3 km/s, os números do início da seção. Para o cometa Halley, (1+0,967)/(1−0,967)=60: 54,6 km/s ao rasar o Sol, 0,9 km/s lá no afélio, mais lento que um carro na estrada.
Por que a lei vale. A gravidade puxa o planeta sempre ao longo do segmento Sol–planeta: é uma força central. Uma força central não tem braço em relação ao Sol, não produz torque, e por isso o momento angular do planeta em relação ao Sol, L=mv⊥r, não muda. A área varrida por segundo é 21rv⊥, ou seja, L/2m: constante. A lei das áreas é a conservação do momento angular vestida de geometria. Não é preciso mais que isso aqui; a página de colisões trata da conservação da quantidade de movimento linear, a irmã dessa lei.
Na prova. A 3.ª etapa de 2019, num bloco sobre satélites, afirmou que “o módulo da aceleração centrípeta sobre o satélite será máximo no afélio e mínimo no periélio de sua órbita”. Errado, e pelo avesso: a aceleração é GM/r2, maior onde r é menor, isto é, no periélio. No periélio o satélite está mais rápido e mais acelerado; no afélio, mais lento e menos acelerado. A banca escreveu os dois nomes e trocou a ordem.
"Mais rápido no afélio" e "velocidade constante"
Duas versões do mesmo erro. Numa órbita elíptica a velocidade muda: máxima no periélio, mínima no afélio, e o que se conserva é a velocidade areolar, não a linear. Só na órbita circular (e=0) a velocidade é constante em módulo, e aí a segunda lei vira o movimento circular uniforme. Se um item disser que o planeta percorre arcos iguais em tempos iguais numa elipse, está errado; áreas iguais, sim.
Terceira lei: o quadrado do período, o cubo do semieixo
Kepler levou dez anos para achar a terceira lei, e ela é a única das três que compara planetas diferentes. A pergunta era simples: por que Saturno, a 9,5 UA, leva 29,5 anos para dar a volta, e a Terra, a 1 UA, leva 1 ano? Nem T∝a (daria 9,5 anos), nem T∝a2 (daria 90). A resposta é T∝a3/2: 9,51,5=29,3.
Terceira lei de Kepler (lei dos períodos)
Para todos os corpos que orbitam o mesmo corpo central, período ao quadrado e semieixo maior ao cubo guardam entre si uma razão constante:
a3T2=K(a mesma constante para todos eles).
Em unidades de anos e UA, para o Sol, K=1: T2=a3. Órbita maior, período maior, e mais que proporcionalmente: dobrar a multiplica T por 23/2=22≈2,8; quadruplicar a multiplica T por 8. Na órbita circular, a é o próprio raio.
planeta
a (UA)
T (anos)
a3
T2
T2/a3
Mercúrio
0,387
0,241
0,0580
0,0581
1,00
Vênus
0,723
0,615
0,378
0,378
1,00
Terra
1,000
1,000
1,000
1,000
1,00
Marte
1,524
1,881
3,540
3,538
1,00
Júpiter
5,203
11,86
140,9
140,7
1,00
Saturno
9,54
29,46
868
868
1,00
Urano
19,19
84,0
7 066
7 056
1,00
Netuno
30,07
164,8
27 189
27 159
1,00
A última coluna é a lei: oito planetas, oito distâncias, oito períodos, um único número. Uma unidade astronômica (UA) é a distância média Terra–Sol, 1,496×108 km, 8,3 minutos-luz; usar UA e anos é o que faz K valer 1 para o Sol e transforma a terceira lei em conta de cabeça. (Um ano-luz são 63 000 UA: as distâncias às estrelas não entram nesta conta, e a seção dos exoplanetas explica por que a lei funciona lá do mesmo jeito.)
A terceira lei em escala log-log: logT=23loga, uma reta de inclinação 3/2 que passa por todos os planetas. Um corpo a 4 UA cai sobre a reta em T=8 anos; Plutão, a 39,5 UA, em 248 anos. Diagrama autoral.
Exemplo resolvido (planeta a 4 UA).T2=a3=43=64, logo T=8 anos. Sem calculadora: 43/2=(4)3=23=8. É o padrão da prova: escolher números cujo cubo e cuja raiz saem inteiros. Guarde os pares que fecham: a=4⇒T=8; a=9⇒T=27; a=1/4⇒T=1/8; a=16⇒T=64.
Exemplo resolvido (PAS 3 2013, item 74). “Considerando que o período de translação de Marte na órbita solar é de 684 dias, infere-se, a partir das Leis de Kepler derivadas da teoria da gravitação, que a distância entre o Sol e Marte é maior que três vezes a distância entre o Sol e a Terra.” Em anos, T=684/365=1,87; T2=3,51; a3=3,51, e como 1,53=3,375 e 1,63=4,1, a≈1,52 UA. Uma vez e meia a distância da Terra, não três. Errado. Quem pensou “T≈2 anos, então a≈2 UA” já erraria por excesso e ainda ficaria abaixo de 3; quem confundiu T2=a3 com a=T2 acharia 3,5 UA e marcaria certo. O item foi desenhado para separar quem sabe onde ficam o quadrado e o cubo.
Exemplo resolvido (razões, sem K). Dois satélites da Terra, S1 com raio r e S2 com raio 4r. Da mesma constante, T22/T12=(4r/r)3=64, T2=8T1. Se S1 é o satélite rasante, com 84 minutos a r=6400 km, S2 leva 11,2 horas a r=25600 km: praticamente a órbita do GPS (26 600 km, 12 h). Conferência de sentido: mais alto, mais demorado; a razão saiu maior que 1. A constante nunca foi calculada.
T ∝ a e o raio no lugar do semieixo
A lei não é linear: T2∝a3, logo T∝a3/2. Dobrar a distância não dobra o período, multiplica por 2,8. E o que entra é o semieixo maior, a metade do eixo comprido da elipse. Numa órbita circular, a é o raio, e é por isso que os itens de satélite usam r; numa elíptica, usar o raio no periélio ou uma distância qualquer dá errado. Para um satélite da Terra em órbita circular, r é medido do centro da Terra, r=R+h, nunca só a altitude (a página de gravitação tem a armadilha inteira).
De onde vem a constante: Newton fecha a conta
Kepler achou T2/a3 constante e não sabia por quê. Newton soube. Para uma órbita circular, a única força é a gravitação, e ela faz o papel da força centrípeta que o movimento circular uniforme exige. É a dedução mais curta e mais cobrada da gravitação inteira.
A terceira lei deduzida da gravitação
Tome um corpo de massa m que descreve uma circunferência de raio r ao redor de um astro central de massa M. A gravitação faz o papel da força centrípeta:
r2GMm=mrv2⟹v2=rGM.
Em uma volta o corpo percorre 2πr em um tempo T, logo v=2πr/T. Substituindo:
T24π2r2=rGM⟹T2=GM4π2r3.
A constante de Kepler é K=GM4π2: depende só da massa do corpo central. A massa m do corpo que orbita cancelou na primeira linha. Para a elipse o resultado é o mesmo com a no lugar de r; a demonstração exige mais, mas a fórmula não muda.
Três leituras dessa fórmula valem mais do que decorá-la.
A constante é uma ficha do corpo central. Para o Sol, K⊙=4π2/(6,67×10−11×1,99×1030)=2,97×10−19 s²/m³; para a Terra, KT=4π2/(6,67×10−11×5,97×1024)=9,9×10−14 s²/m³; para Júpiter, 318 vezes mais massivo que a Terra, KJ=KT/318=3,1×10−16 s²/m³. Corpo central mais pesado, constante menor, períodos mais curtos para o mesmo raio. E como m cancelou, um grão de poeira e um satélite de 5 toneladas na mesma órbita têm o mesmo período.
Ela pesa o corpo central. Vire a fórmula: M=4π2a3/(GT2). Com o período e a distância de qualquer coisa que orbite um astro, você obtém a massa do astro. Com a Terra (a=1,496×1011 m, T=3,156×107 s): M⊙=39,5×3,35×1033/(6,67×10−11×9,96×1014)=2,0×1030 kg. Foi assim que se pesou o Sol, Júpiter (pelas luas), a Terra (pela Lua) e, hoje, as estrelas que têm planetas.
Ela contém a órbita circular da gravitação. Da primeira linha, v=GM/r: velocidade fixada pelo raio, independente da massa do satélite, mais alto mais lento. É a fórmula que a página de gravitação universal explora para o geoestacionário e o GPS; aqui ela só passou.
Na prova. A 3.ª etapa de 2016 mostrou a órbita da Terra com periélio e afélio marcados e afirmou que “a constante de proporcionalidade da terceira lei de Kepler, aplicada na situação da figura apresentada, pode ser definida como G⋅M4π2, em que M é a massa do Sol e G, a constante de gravitação universal”. Certo, e é exatamente a linha final da dedução. O item ao lado, no mesmo bloco, lembrava que planeta e Sol trocam forças de mesmo módulo: par de ação e reação, também certo.
Exemplo resolvido (o período da Lua).r=3,84×108 m, KT=9,9×10−14 s²/m³: T2=9,9×10−14×(3,84×108)3=9,9×10−14×5,66×1025=5,6×1012, T=2,37×106 s =27,4 dias. O calendário lunar diz 27,3. A conta fecha com a mesma constante que fixa a Estação Espacial em 92 minutos.
Mesma constante só para o mesmo corpo central
A terceira lei compara órbitas em torno do mesmo astro. Essa condição é a mais esquecida e a mais cobrada. Tudo que orbita a Terra cai sobre uma reta T2×r3; tudo que orbita Júpiter cai sobre outra reta, 318 vezes mais inclinada; tudo que orbita o Sol, sobre uma terceira. Misturar um satélite da Terra com uma lua de Júpiter na mesma proporção dá um número sem sentido.
em torno da Terra
r (km)
T
em torno de Júpiter
r (km)
T
órbita rasante
6 400
84 min
Io
421 700
1,77 d
Estação Espacial
6 800
92 min
Europa
671 000
3,55 d
GPS
26 600
12 h
Ganimedes
1 070 000
7,15 d
geoestacionário
42 200
24 h
Calisto
1 883 000
16,7 d
Lua
384 400
27,3 d
Duas famílias, duas constantes. Os satélites da Terra compartilham KT=4π2/GMT; as luas de Júpiter compartilham KJ=4π2/GMJ, 318 vezes menor porque Júpiter é 318 vezes mais massivo. Dentro de cada família, T2/r3 é o mesmo número; entre famílias, não. Diagrama autoral.
Exemplo resolvido (luas de Júpiter). Europa e Io: rE/rI=671000/421700=1,59; (1,59)3/2=1,59×1,26=2,01; TE=2,01×1,77=3,55 dias. Bate. Ganimedes e Io: rG/rI=2,54, 2,541,5=4,05, TG=7,2 dias. Bate de novo. Galileu viu as quatro em janeiro de 1610 e as acompanhou noite após noite; os períodos que ele mediu já obedeciam à lei que Kepler publicaria em 1619, e era o mesmo sistema solar em miniatura que Kepler precisava para acreditar que a lei era geral.
Exemplo resolvido (PAS 1 2011, item 64). “O raio da órbita de um satélite geoestacionário é 12,4% do raio da órbita lunar”, com o período lunar tomado como 27 dias. Mesmo corpo central, a Terra: (rgeo/rLua)3=(Tgeo/TLua)2=(1/27)2, logo rgeo/rLua=(1/27)2/3=(1/3)2=1/9=11,1%. Errado. O número 27 foi escolhido porque 327=3; a banca deixa a raiz cúbica pronta e testa se você a enxerga.
E o que a lei não exige. Ela não exige que o corpo seja um planeta: vale para cometas, asteroides, satélites artificiais, luas, planetas de outras estrelas e, com a correção de massa, para estrelas duplas. Não exige órbita circular: vale para qualquer elipse, com a. Exige só que o corpo central seja o mesmo e que o corpo que orbita tenha massa desprezível diante dele; quando as duas massas são comparáveis, M vira M+m e a constante muda um pouco (para a Terra e a Lua, 1,2%; para o Sol e Júpiter, 0,1%).
Constante da Terra em Júpiter
“Io está a 422 000 km de Júpiter, quase a distância da Lua à Terra (384 000 km); logo dá uma volta em cerca de um mês, como a Lua”: errado. Distância quase igual, corpo central 318 vezes mais massivo: T2 cai 318 vezes, T cai 318≈18 vezes. Com a constante da Terra, 422 000 km dariam 31 dias; com a de Júpiter, dão os 1,77 dias de Io. A proporção T12/T22=r13/r23 só pode ser escrita entre dois corpos que orbitam o mesmo astro. Se os astros centrais forem diferentes, a razão das massas entra: T12/T22=(r13/r23)(M2/M1).
Cometas e órbitas de transferência: a elipse em ação
Os planetas quase não deixam ver a elipse; os cometas a exibem. O cometa Halley tem a=17,8 UA e e=0,967: periélio a 17,8×0,033=0,59 UA, entre as órbitas de Mercúrio e Vênus; afélio a 17,8×1,967=35 UA, além de Netuno. Terceira lei: T=17,81,5=75 anos; as passagens reais oscilam entre 75 e 76 anos porque Júpiter e Saturno perturbam a órbita. Segunda lei: vp/va=35/0,59=60; a 54,6 km/s no periélio, a menos de 1 km/s no afélio. O cometa passa meses perto do Sol, quando é visível, e décadas se arrastando na parte externa da órbita. Última passagem pelo periélio: 9 de fevereiro de 1986. Próxima: julho de 2061.
Halley: a=17,8 UA, e=0,967, T=75 anos. As marcas de tempo mostram a segunda lei: o cometa atravessa o sistema solar interno em meses e passa décadas além de Saturno. Sessenta vezes mais rápido no periélio que no afélio. Diagrama autoral.
Exemplo resolvido (o período pela geometria). Um cometa tem periélio a 1 UA e afélio a 15 UA. Semieixo maior: a=(1+15)/2=8 UA. Excentricidade: e=c/a=(8−1)/8=0,875. Período: T=81,5=8×2,83=22,6 anos. Velocidades: vp/va=15. Conferência: rp=a(1−e)=8×0,125=1 UA. Fecha.
As sondas espaciais usam a mesma elipse como estrada. Para ir da Terra a Marte gastando o mínimo de combustível, a sonda entra numa órbita de transferência: uma elipse com o Sol no foco, periélio na órbita da Terra (1 UA) e afélio na órbita de Marte (1,52 UA). O semieixo maior é a média, a=1,26 UA; o período da elipse completa, 1,261,5=1,42 anos; a viagem é meia volta, 0,71 ano, uns 8,5 meses. É o tempo que as sondas de Marte levam, e o motivo de as janelas de lançamento se repetirem a cada 26 meses: Marte precisa estar no lugar certo quando a sonda chegar ao afélio. A terceira lei, de novo, e sem G.
Órbita de transferência Terra–Marte: uma elipse com o Sol no foco, periélio a 1 UA e afélio a 1,52 UA. a=1,26 UA, T=1,42 anos, meia volta em 8,5 meses. Marte tem de estar 44° à frente na partida para estar no afélio na chegada. Diagrama autoral.
Uma última palavra sobre energia, só para ligar as páginas. A energia mecânica de um corpo em órbita elíptica vale E=−GMm/2a: depende só do semieixo maior. Duas órbitas com o mesmo a têm a mesma energia e o mesmo período, por mais diferentes que sejam as excentricidades; e ao longo da elipse a energia cinética cresce no periélio exatamente o que a potencial diminui, a conservação de energia da página energia aplicada ao céu. Para subir de órbita, a sonda precisa ganhar energia (a órbita maior é menos negativa) e, ao chegar, estará mais lenta.
Exoplanetas: a terceira lei a 1 400 anos-luz
Desde 1995 sabemos que outras estrelas têm planetas; hoje são mais de 5 000 confirmados. Não os vemos: a estrela ofusca tudo. A sonda Kepler, da NASA, lançada em 2009, achou mais de 2 600 deles por um método que é pura segunda e terceira lei aplicadas à luz.
O método do trânsito e a terceira lei
Quando um planeta passa em frente à sua estrela, ele bloqueia uma fração minúscula do disco e o brilho medido cai um pouco, de 0,01% a 1%, por algumas horas. A queda se repete a cada volta: o intervalo entre duas quedas é o períodoT do planeta. A profundidade da queda dá o tamanho do planeta em relação à estrela. E a terceira lei dá a distância: conhecendo a massa M da estrela (pela sua cor e brilho), a3=GMT2/4π2. Em unidades solares, a3=MT2 com a em UA, T em anos e M em massas do Sol.
Método do trânsito: cada passagem do planeta pela frente da estrela produz uma queda de brilho; o intervalo entre quedas é o período, a profundidade dá o tamanho e a terceira lei, com a massa da estrela, dá a distância a. É a técnica da sonda Kepler, cobrada na 3.ª etapa de 2017. Diagrama autoral.
Exemplo resolvido (Kepler-452b). O planeta faz a estrela Kepler-452 piscar a cada 385 dias, T=1,054 ano. A estrela tem 1,04 massa solar. a3=1,04×1,0542=1,155, a=1,05 UA. Quase a distância Terra–Sol, em torno de uma estrela quase igual ao Sol: foi por isso que a NASA o chamou de “primo da Terra” em 2015. A estrela está a 1 400 anos-luz de nós, e essa distância não entrou na conta: a terceira lei relaciona o planeta ao seu sol, não a nós.
Exemplo resolvido (TRAPPIST-1e). Estrela anã com 0,09 massa solar; o planeta e transita a cada 6,1 dias, T=0,0167 ano. a3=0,09×0,01672=2,5×10−5, a=0,029 UA, 4,4 milhões de km, treze vezes mais perto da estrela do que Mercúrio do Sol. Só não é uma fornalha porque a estrela é fraca. A constante mudou porque o corpo central mudou: K=1/M em unidades solares, onze vezes maior que a do Sol.
Na prova. A 3.ª etapa de 2017 descreveu a sonda Kepler (“a passagem de um planeta em frente a uma estrela produz uma pequena alteração periódica no brilho captado pelo fotômetro”) e afirmou que “os dados obtidos por meio da técnica usada pela sonda Kepler permitem calcular o período de todos os planetas que orbitam a estrela, e não apenas o período do planeta observado”. A banca gabaritou certo, e a leitura que fecha é a terceira lei: o período e a distância do planeta observado fixam T2/a3 para aquela estrela, e a constante vale para todos os planetas do sistema; conhecida a distância de outro planeta, seu período sai da mesma proporção. O item ao lado, tipo B, pedia g na superfície de um planeta pela densidade, e está na página de gravitação.
Kepler-16b, o planeta de dois sóis
A sonda Kepler achou em 2011 um planeta que orbita duas estrelas ao mesmo tempo, a 229 dias de período, num sistema em que as duas estrelas giram uma em torno da outra a cada 41 dias. Para um planeta assim, o “corpo central” é o par de estrelas, e a massa que entra em K=4π2/GM é a soma das duas. A lei continua valendo; só a ficha do corpo central mudou. Quem viu Star Wars conhece a cena do pôr do sol duplo em Tatooine; a NASA fez a piada primeiro.
Como as leis nasceram dos dados de Marte
A história inteira, de Ptolomeu a Newton, com datas, instrumentos e o protocolo de anacronismo que a banca cobra, está na página história da astronomia. Aqui só o essencial de como as três leis vieram ao mundo, porque explica o que elas são.
Tycho Brahe passou vinte anos, de 1576 a 1597, medindo posições de planetas a olho nu com instrumentos gigantes, antes da luneta, e chegou a uma precisão de um a dois minutos de arco, dez vezes melhor que qualquer catálogo anterior. Ao morrer, em 1601, deixou os dados nas mãos do seu assistente, Johannes Kepler. Kepler pegou Marte, o planeta cujo laço no céu era mais rebelde, e tentou por anos ajustar uma órbita circular excêntrica. A melhor delas errava a posição de Marte em 8 minutos de arco. Um astrônomo anterior teria absorvido o erro; Kepler escreveu que “sobre esses 8 minutos construiremos uma reforma da astronomia inteira”, porque confiava que Tycho não errava 8 minutos. Trocou o círculo pela elipse, e a elipse fechou. Publicou a primeira e a segunda leis na Astronomia Nova (1609); a terceira, em Harmonices Mundi (1619), depois de procurar durante uma década a proporção entre distâncias e períodos.
Kepler descreveu; não explicou. Em 1687, no Principia, Newton mostrou que uma força central proporcional a 1/r2 produz necessariamente as três leis: elipses com o centro atrator no foco (primeira), conservação do momento angular (segunda) e T2=4π2a3/GM (terceira). O caminho também foi inverso: foi a terceira lei de Kepler que disse a Newton que a força devia cair com o quadrado da distância. Se T2∝r3 e a centrípeta é 4π2r/T2, então a força vai com r/r3=1/r2.
Na prova. Em 2009 a 2.ª etapa montou um item de epistemologia sobre Kepler: no seu tempo “houve o rompimento com o postulado proposto por filósofos da Antiguidade Clássica de que os movimentos dos astros ocorriam em circunferências”, e a retomada neopitagórica da harmonia matemática da natureza serviria de base para esse rompimento. Certo: Kepler procurava harmonias numéricas e foi essa confiança na matemática exata que o fez levar a sério os 8 minutos. Datas, autores e instrumentos, com a luneta que Kepler não usou para as leis e Galileu usou para Júpiter, ficam para a página de história.
Como a banca pergunta
Kepler aparece no PAS por três portas, e cada uma tem um padrão.
Terceira lei como proporção. O item dá dois períodos ou duas distâncias e pede a razão da outra grandeza, com números que fecham: (1/27)2/3=1/9 (2011/64), (1/4)3/2=1/8 (PAS 3 2019/95), 684 dias ⇒1,5 UA, não 3 (PAS 3 2013/74), “mesma altura, mesmo período” (2025/45). Escreva T12/T22=a13/a23 e olhe se os corpos orbitam o mesmo astro.
A constante e a dedução.K=4π2/GM com M do corpo central (PAS 3 2016/110); a massa do satélite cancela (2025/45 a 47); a velocidade vai com M da Terra (2025/47).
Geometria e leitura da elipse. Sol no foco, distância entre focos 2ea (PAS 2 2009/97); velocidade e aceleração máximas no periélio (PAS 3 2019/96, errado por dizer afélio); a sonda Kepler e o método do trânsito (PAS 3 2017/119); a ruptura com os círculos (PAS 2 2009/94). A banca gosta de imprimir a elipse com periélio e afélio marcados e de pendurar dois ou três itens nela.
Quando o gráfico aparece, é T2 contra a3 (uma reta pela origem, inclinação K) ou logT contra loga (uma reta de inclinação 3/2). Tabela de planetas com a e T: calcule T2/a3 para dois deles e veja que dá o mesmo. Se der diferente, ou os corpos centrais são diferentes ou a tabela tem erro proposital.
O texto-base costuma ser uma notícia ou uma obra da lista: a sonda Kepler (2017), o telescópio James Webb (2024), a corrida espacial (2025), a órbita da Terra com periélio e afélio (2016), Marte e os modelos do céu (2013). Os dados de G, M e R vêm no comando, e a maioria dos itens não precisa deles.
Os erros que a prova planta
Sol no centro da elipse. Está no foco, a c=ea do centro. O outro foco está vazio.
“Mais rápido no afélio.” Máxima velocidade e máxima aceleração são no periélio, onde r é menor. A 3.ª etapa de 2019 trocou os dois de lugar.
Velocidade constante em órbita elíptica. O que se conserva é a velocidade areolar (áreas iguais em tempos iguais), não a linear. Só na órbita circular a velocidade é constante em módulo.
T∝a (ou T∝a2). É T2∝a3: dobrar a multiplica T por 2,8; quadruplicar multiplica por 8. Marte a 1,52 UA leva 1,88 anos, não 1,52.
Raio no lugar do semieixo maior. Na elipse entra a, metade do eixo maior, (rp+ra)/2. Só na órbita circular a=r.
A mesma constante para corpos centrais diferentes.K=4π2/GM muda com a massa do astro central: Terra, Júpiter e Sol têm constantes diferentes. Só compare órbitas em torno do mesmo corpo.
“A lei vale só para planetas.” Vale para cometas, asteroides, luas, satélites artificiais e exoplanetas: para qualquer corpo de massa pequena em órbita de um corpo central.
Altura no lugar do raio. Para satélites da Terra, r=R+h, medido do centro. 800 km de altitude é r=7200 km.
Achar que a massa do satélite altera o período. Ela cancela: T depende só de a e de M. Dois satélites na mesma órbita têm o mesmo período, qualquer que seja a massa (2025/45, certo).
Pensar que as estações do ano vêm da excentricidade. O periélio é em janeiro; verão e inverno vêm da inclinação do eixo da Terra, não da distância ao Sol.
O essencial em meia página
Elipse: semieixo maior a, distância focal c, excentricidade e=c/a (0≤e<1; e=0 é o círculo). Periélio rp=a(1−e), afélio ra=a(1+e), rp+ra=2a. Distância entre focos 2c=2ea.
1.ª lei: órbita elíptica, Sol num foco. Terra e=0,017 (147 e 152 milhões de km); Halley e=0,967.
2.ª lei: áreas iguais em tempos iguais; velocidade areolar constante; mais rápido no periélio, mais lento no afélio; vprp=vara, vp/va=(1+e)/(1−e). É a conservação do momento angular (força central).
3.ª lei:T2/a3=K para o mesmo corpo central. Em anos e UA, T2=a3 para o Sol: a=4⇒T=8; a=9⇒T=27; a=1/4⇒T=1/8. Marte: 1,52 UA, 1,88 anos. T∝a3/2, nunca T∝a.
Dedução:GMm/r2=mv2/r, v=2πr/T⇒T2=(4π2/GM)r3. K=4π2/GM depende só da massa do corpo central; m cancela. Vira balança: M=4π2a3/GT2 (Sol: 2×1030 kg).
Mesmo corpo central: satélites da Terra (KT=9,9×10−14 s²/m³; rasante 84 min, GPS 12 h, geo 24 h, Lua 27,3 d) numa reta; luas de Júpiter (KJ=KT/318; Io 1,77 d, Europa 3,55 d, Ganimedes 7,15 d, Calisto 16,7 d) em outra. Vale para cometas, luas, satélites, exoplanetas, não só planetas.
Cometas e transferências: Halley a=17,8 UA, T=75 anos, vp/va=60, volta em 2061. Terra–Marte: elipse com a=1,26 UA, T=1,42 anos, viagem de meia volta em 8,5 meses. E=−GMm/2a depende só de a.
Exoplanetas: trânsito dá T (intervalo entre quedas de brilho) e tamanho (profundidade); 3.ª lei com a massa da estrela dá a: a3=MT2 em unidades solares. Kepler-452b: 385 dias, 1,05 UA.
História mínima: Tycho mede (1576–1597, sem luneta); Kepler ajusta Marte, 8 minutos de arco derrubam o círculo; Astronomia Nova 1609 (1.ª e 2.ª), Harmonices Mundi 1619 (3.ª); Newton 1687 deduz as três de 1/r2.
Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.
Flashcards temporariamente indisponíveis
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Leis de Kepler - Brasil Escola
Brasil Escola Oficial · 11:04
Introdução. Aula de 11 minutos que apresenta as três leis de Kepler em sequência, partindo da dúvida do século XVII sobre quem gira em torno de quem e chegando à elipse com o Sol no foco, à lei das áreas e à lei dos períodos. É o percurso das seções “Primeira lei: o Sol num foco, não no centro”, “Segunda lei: áreas iguais em tempos iguais” e “Terceira lei” desta página. Bom para assistir antes de ler.
Dedução da Terceira Lei de Kepler | Bizus de Astronomia (Olimpíadas)
Rapadura Cósmica · 7:09
Aprofundamento. Sete minutos dedicados só à dedução da terceira lei a partir da lei da gravitação universal e da força centrípeta, no ritmo das olimpíadas de astronomia: iguala GMm/r2 a mv2/r, troca v por 2πr/T e chega a T2=(4π2/GM)r3. É exatamente a seção “De onde vem a constante: Newton fecha a conta”, inclusive a leitura de que a constante depende só da massa do corpo central e de que a massa do satélite cancela.
DETECTANDO EXOPLANETAS
astroaline · 8:40
Aplicação. Vídeo de 8 minutos, com capítulos marcados na descrição (Trânsito planetário, Efeito Doppler, Velocidade radial, Magnificação, Imageamento), sobre as quatro técnicas de detecção de planetas de outras estrelas. O capítulo do trânsito é a seção “Exoplanetas: a terceira lei a 1 400 anos-luz”: a queda periódica de brilho que dá o período e, com a massa da estrela, a distância. A autora lista as referências (The Planetary Society, Universe Today) na descrição.
ENEM - AS 3 LEIS DE KEPLER E PRINCIPAIS LUAS DE JÚPITER - Exercícios Resolvidos
Exatas com Francisco Medeiros · 16:59
Resolução. Aula de 17 minutos que revisa as três leis e resolve exercícios de vestibular sobre as quatro luas galileanas de Júpiter (Io, Europa, Ganimedes e Calisto), usando T2/a3 constante entre corpos que orbitam o mesmo planeta. É a aplicação da seção “Mesma constante só para o mesmo corpo central” e da tabela das luas de Júpiter; resolva antes os exercícios de razão da página e confira o método.
Um cometa mostra o que os planetas escondem: a elipse alongada, o Sol num foco e a corrida no periélio. O Halley tem e=0,967, passa pelo periélio a 55 km/s e pelo afélio a menos de 1 km/s; T=17,83/2=75 anos, e volta em 2061.A elipse que a órbita usa: o Sol ocupa um foco, não o centro. Periélio a a(1−e), afélio a a(1+e), soma das distâncias aos focos igual a 2a. A circunferência é o caso e=0. Diagrama autoral.Segunda lei: os dois setores têm a mesma área e foram varridos no mesmo tempo. Perto do Sol o planeta corre; longe, se arrasta. No periélio e no afélio, vprp=vara. Diagrama autoral.A terceira lei em escala log-log: logT=23loga, uma reta de inclinação 3/2 que passa por todos os planetas. Um corpo a 4 UA cai sobre a reta em T=8 anos; Plutão, a 39,5 UA, em 248 anos. Diagrama autoral.Duas famílias, duas constantes. Os satélites da Terra compartilham KT=4π2/GMT; as luas de Júpiter compartilham KJ, 318 vezes menor porque Júpiter é 318 vezes mais massivo. Dentro de cada família, T2/r3 é o mesmo número; entre famílias, não. Diagrama autoral.Halley: a=17,8 UA, e=0,967, T=75 anos. As marcas de tempo mostram a segunda lei: meses dentro da órbita da Terra, décadas além de Saturno. Sessenta vezes mais rápido no periélio que no afélio. Diagrama autoral.Órbita de transferência Terra–Marte: elipse com o Sol no foco, periélio a 1 UA e afélio a 1,52 UA. a=1,26 UA, T=1,42 anos, meia volta em 8,5 meses. Marte precisa estar 44° à frente na partida. Diagrama autoral.Método do trânsito: cada passagem do planeta pela frente da estrela produz uma queda de brilho; o intervalo entre quedas é o período, a profundidade dá o tamanho e a terceira lei, com a massa da estrela, dá a distância a. Cobrado na 3.ª etapa de 2017. Diagrama autoral.O laço de Marte no céu: foi tentando encaixar esse movimento em círculos que Kepler esbarrou num erro de 8 minutos de arco e trocou o círculo pela elipse. Sem os vinte anos de medidas de Tycho Brahe, o erro passaria despercebido.Antes da luneta: Tycho Brahe mediu posições de planetas por vinte anos com instrumentos assim, chegando a 1 ou 2 minutos de arco. Foram esses números que Kepler herdou em 1601 e que não deixaram Marte caber num círculo.Método do trânsito: quando o planeta passa em frente à estrela, o brilho cai um pouco, e o intervalo entre quedas é o período. Com a massa da estrela, a terceira lei dá a distância: Kepler-452b, 385 dias, 1,05 UA de uma estrela quase igual ao Sol.A estrada até Marte é meia elipse com o Sol no foco: periélio na órbita da Terra, afélio na de Marte, a=1,26 UA. A terceira lei dá o período, 1,42 ano, e a viagem, meia volta, dura 8,5 meses. As janelas de lançamento se repetem a cada 26 meses.Io, Europa, Ganimedes e Calisto, que Galileu viu em 1610: um sistema solar em miniatura. Seus períodos, 1,77, 3,55, 7,15 e 16,7 dias, obedecem à mesma razão T2/a3, e essa razão é 318 vezes menor que a dos satélites da Terra, porque Júpiter é 318 vezes mais massivo.Dois pregos e um barbante: os pregos são os focos, o barbante esticado garante que a soma das distâncias aos dois focos é constante (2a). Aproxime os pregos e sai um círculo; afaste-os e a elipse se alonga. O Sol fica num prego, não no meio.Montagem ilustrativa, sem escala angular. Em janeiro a Terra está no periélio, 147 milhões de km do Sol; em julho, no afélio, 152 milhões. A diferença, 3,3%, vem da excentricidade e=0,017. As estações não vêm daí: vêm da inclinação do eixo da Terra. O periélio cai no verão do hemisfério sul e no inverno do norte.
Rota PAS 1
Do chão ao cosmos: gravitação, astronomia e o século da física · PAS 1
Fontes desta página
Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.
Rota PAS 1 — Do chão ao cosmos: gravitação, astronomia e o século da física · Antes de começar: dez minutos de aquecimento (proporção inversa, raiz e razões, volta completa v = 2πr/T); Órbitas: cair sem parar (gravitação igual à centrípeta, T² = 4π²r³/GM como terceira lei de Kepler na forma de Newton, tabela de razões r → 2r, 4r, 9r); Geoestacionário e GPS (a terceira lei fixa a altura de cada um); Do geocentrismo a Newton (linha mestra: Kepler 1609 e 1619 com os dados de Tycho Brahe, elipses e T² ∝ r³; Newton 1687 deduz as elipses); Leia como na prova (bloco 2025/42–51, item 45); Resolvidos (razão de velocidades orbitais tipo B); Exercícios e Banco de treino (itens 12, 16, T14, T21 a T23: terceira lei por proporção, Kepler e Tycho)
Recorte por assunto: as três leis de Kepler, elementos da elipse, dedução da constante e uso por proporções. O capítulo trata a terceira lei só como consequência da órbita circular e menciona as duas primeiras na linha do tempo; a página acrescenta a geometria da elipse, a lei das áreas com v_p r_p = v_a r_a, a tabela T²/a³ dos planetas, o gráfico log-log, a constante como ficha do corpo central (Terra, Júpiter, Sol), as luas de Júpiter, cometas e órbitas de transferência, exoplanetas pelo método do trânsito e itens da 2.ª e da 3.ª etapa (2009, 2013, 2016, 2017, 2019). Gravitação, g, satélites circulares, geoestacionário e GPS ficam na página gravitacao-universal; a cronologia dos modelos do céu, na página historia-da-astronomia; marés, na página mares.
Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cebraspe) · PAS 1 2011 (item 64, raio geoestacionário e lunar), 2025 (item 45, mesma altura, mesmo período); PAS 2 2009 (itens 94 e 97, Kepler e a ruptura com os círculos; excentricidades de Urano e Netuno); PAS 3 2013 (item 74, distância Sol–Marte pelo período de 684 dias), 2016 (item 110, constante 4π²/GM com a figura da órbita da Terra), 2017 (item 119, sonda Kepler e método do trânsito), 2019 (itens 95 e 96, período e raio; aceleração no periélio e no afélio)
Itens reproduzidos verbatim dos cadernos em texto; gabaritos conferidos nos arquivos GAB e em utils/material/PAS/pesquisa/classificacao[-pas2|-pas3]/AAAA.json. O caderno da 3.ª etapa de 2017 está cifrado no texto e o texto-base do item 119 foi lido na imagem do PDF em utils/material/PAS/provas/. A figura impressa de 2016 (órbita elíptica da Terra com o Sol, periélio e afélio, fonte if.ufrgs.br) foi descrita em texto neutro no suporte da questão. Os itens 2011/64, 2025/45, 2019/95, 2019/96 e 2009/94 são reutilizados por GUID das páginas gravitacao-universal e historia-da-astronomia.