Verminoses

Guia de estudo · Revisado em 02/10/2026

BNCC · EM13CNT310

Quatro crianças da mesma escola têm vermes diferentes: um entrou pela pele do pé, outro pela pele na água do riacho, um foi engolido como ovo e outro veio escondido na carne malpassada. Por que ferver a água de beber protegeria só uma delas, e como a porta de entrada de cada verme decide a medida que previne a doença?

O que você vai aprender

  • Definir verminose como doença causada por helminto e explicar por que verme não é um grupo natural, situando cada parasito humano em Platyhelminthes ou Nematoda pelos caracteres do corpo (cavidade, sistema digestório, revestimento, sexos).
  • Distinguir hospedeiro definitivo de intermediário pelo critério da reprodução sexuada, ciclo monoxênico de heteroxênico, e vetor de hospedeiro intermediário e de veículo, aplicando os termos ao caramujo, ao porco, ao Culex e à água.
  • Identificar, para cada verminose da tabela, a forma infectante e a porta de entrada (boca com fezes, boca com carne, pele a partir do solo ou da água, picada) e deduzir a medida de prevenção que ataca essa porta.
  • Narrar o ciclo da Taenia solium pelos dois caminhos e explicar por que a ingestão de cisticercos causa teníase e a ingestão de ovos causa cisticercose, inclusive por autoinfecção e em quem não come carne.
  • Narrar o ciclo do Schistosoma mansoni (ovo, miracídio, caramujo Biomphalaria, cercária, penetração pela pele, adultos nas veias do intestino, ovos retidos no fígado) e resolver uma figura numerada do ciclo pelas cinco perguntas.
  • Explicar o trajeto pulmonar das larvas de Ascaris e dos ancilostomídeos, relacionar a cápsula bucal do ancilostomídeo à anemia do amarelão e o tempo de embrionamento do ovo de Ascaris ao papel do solo na transmissão.
  • Caracterizar tricuríase, estrongiloidíase (autoinfecção e hiperinfecção em imunossuprimidos) e enterobiose (ovos na pele anal, mãos e roupa de cama, tratamento de toda a casa).
  • Descrever a filariose linfática como a única verminose brasileira transmitida por vetor, com o Culex, as microfilárias de periodicidade noturna, o linfedema de instalação lenta e a validação da eliminação no Brasil em 2024, e julgar itens que lhe atribuam a via hídrica.
  • Reconhecer larva migrans cutânea, toxocaríase e hidatidose como verminoses de cães e gatos em que o ser humano não completa o ciclo, e deduzir que a prevenção passa pelo tratamento dos animais.
  • Justificar por que antibiótico não trata verminose, por que as campanhas de desparasitação escolar se repetem e por que não há vacina contra verminoses, nomeando albendazol, praziquantel, ivermectina e dietilcarbamazina.
  • Ler dados de prevalência, positividade e incidência (inquérito nacional em escolares, Programa de Controle da Esquistossomose, estimativas da OMS) e fazer as contas de proporção e de escala que os itens numéricos pedem.
  • Reconhecer os erros clássicos (teníase igual a cisticercose, caramujo como agente ou vetor, esquistossomose e filariose pela água de beber, verme como filo, lombriga como platelminto, oxiúro por doce, antibiótico para verme) e a correção de cada um.

Numa escola pública de um município do interior de Alagoas, a equipe do posto de saúde recolhe, num mesmo dia, amostras de fezes de uma turma inteira. Os resultados chegam uma semana depois. Um menino que brinca descalço no quintal tem ovos de ancilostomídeo e uma anemia que a professora já notava no cansaço e na palidez. Uma menina que ajuda a mãe a lavar roupa no riacho tem ovos de Schistosoma mansoni, e uma colega que nunca entrou no riacho tem ovos de lombriga, que vieram na mão suja e no legume mal lavado. O irmão mais velho de outro aluno comeu carne de porco de abate caseiro no churrasco de junho e descobriu, meses depois, que eliminava anéis de uma tênia nas fezes. Quatro doenças, quatro vermes, e nenhum dos quatro entrou pelo mesmo caminho: um atravessou a pele do pé, outro atravessou a pele na água, um foi engolido como ovo, outro foi engolido como larva escondida na carne. Ferver a água de beber protegeria uma das quatro crianças. É por isso que, em verminoses, o nome da doença importa menos que a resposta a uma pergunta: por onde o parasito entrou. Esta página ensina a responder essa pergunta para cada verme que importa no Brasil, e a transformar a resposta em medida de prevenção.

A página começa pelo que é um verme e por que a palavra esconde dois filos sem parentesco próximo; passa pelo vocabulário que decide qualquer ciclo (hospedeiro definitivo e intermediário, forma infectante, porta de entrada); organiza as verminoses brasileiras numa tabela por via de transmissão; e então dedica uma seção a cada ciclo que a prova desenha ou descreve: teníase e cisticercose, esquistossomose, as geo-helmintíases (ascaridíase, ancilostomose, tricuríase, estrongiloidíase), a enterobiose, a filariose e os vermes de cães e gatos. Fecha com o tratamento e as campanhas, com a leitura de ciclos em esquema e de dados de prevalência, com os erros que os itens exploram e com o resumo. Os assuntos vizinhos têm páginas próprias: os parasitos unicelulares em protozoários e protozooses, as bacterioses de veiculação hídrica em bactérias, o parasitismo como relação ecológica em relações ecológicas, a hierarquia de reino, filo e classe em taxonomia e sistemática, a resposta imune e a diferença entre vacina e soro em vacinas e soros, e o saneamento como política pública em saneamento e saúde coletiva.

Verme não é um grupo: dois filos com um modo de vida em comum

Verminose (ou helmintíase) é a doença causada por um helminto, palavra que a parasitologia usa para animais parasitos de corpo alongado e mole, sem patas, popularmente chamados de vermes. O termo descreve uma forma de corpo e um modo de vida, não um parentesco. Os helmintos que adoecem pessoas pertencem a dois filos distintos do reino Animalia, separados por centenas de milhões de anos de evolução: Platyhelminthes (platelmintos, os vermes achatados) e Nematoda (nematódeos ou nematelmintos, os vermes cilíndricos). Uma tênia está mais distante de uma lombriga do que um ser humano está de um peixe. Por isso “os vermes” não formam um grupo natural, do mesmo modo que “os micróbios” não formam um: é uma gaveta de conveniência, e a frase de prova que trate verme como filo, classe ou reino está errada antes de dizer qualquer outra coisa. O critério de grupo natural, o que é um clado e por que Protista também não é um, estão em taxonomia e sistemática.

O que os dois filos compartilham é o parasitismo: a relação em que um organismo vive à custa de outro, o hospedeiro, prejudicando-o sem matá-lo de imediato. A ecologia dessa relação, com a diferença entre parasito e predador e entre endoparasito e ectoparasito, está em relações ecológicas. Aqui interessa o que o parasitismo fez com o corpo dos vermes: redução ou perda de órgãos que o hospedeiro torna desnecessários, ganchos e ventosas para fixação, cutícula ou tegumento resistente às enzimas digestivas, e uma produção de ovos de dezenas a centenas de milhares por dia, porque a chance de um ovo chegar ao próximo hospedeiro é mínima.

Platelmintos: achatados, acelomados, com o tubo digestório pela metade ou sem ele

Os platelmintos têm o corpo achatado dorsoventralmente, como uma fita, e não têm celoma (são acelomados): entre a parede do corpo e o intestino há um tecido maciço, o parênquima. Não têm sistema circulatório nem respiratório; é o achatamento que permite às células trocar gases e nutrientes por difusão. O sistema digestório, quando existe, é incompleto: uma única abertura serve de boca e de ânus. Três classes aparecem no ensino médio. Turbellaria: as planárias, de vida livre em água doce, conhecidas pela regeneração (cortada ao meio, uma planária vira duas) e por serem hermafroditas; são o grupo de referência quando a prova pede um platelminto de vida livre. Trematoda: os vermes-foliáceos, parasitos com ventosas, de que o Schistosoma é o exemplo brasileiro; têm sistema digestório incompleto e ciclos com um molusco como hospedeiro intermediário. Cestoda: as tênias, parasitos intestinais em forma de fita, sem sistema digestório algum: absorvem nutrientes já digeridos pelo hospedeiro através do tegumento, por toda a superfície do corpo. O corpo de uma tênia tem um escólex (a “cabeça”, com ventosas e às vezes ganchos, que serve só para fixação), um colo e uma fileira de segmentos, as proglótides, cada uma com um aparelho reprodutor completo, masculino e feminino.

Nematódeos: cilíndricos, pseudocelomados, com tubo digestório completo e cutícula

Os nematódeos têm o corpo cilíndrico, afilado nas pontas, revestido por uma cutícula espessa que o protege das enzimas digestivas do hospedeiro e que o verme troca várias vezes ao crescer (as mudas). Têm uma cavidade corporal, o pseudoceloma, cheia de líquido, que funciona como esqueleto hidrostático. O tubo digestório é completo, com boca numa ponta e ânus na outra. Na maioria das espécies os sexos são separados (dioicos), com dimorfismo sexual: a fêmea da lombriga é maior que o macho, e o macho tem a cauda recurvada. Os nematódeos parasitos do ser humano (lombriga, ancilostomídeos, oxiúro, Trichuris, Strongyloides, filárias) são dioicos; o caso particular é o Strongyloides stercoralis, cuja geração parasita, no intestino, é formada só por fêmeas que se reproduzem por partenogênese, enquanto a geração de vida livre, no solo, tem machos e fêmeas.

A tabela resume o que separa os dois filos no nível em que a prova pergunta. A zoologia completa de cada filo, com os sistemas de órgãos, a embriologia e os grupos de vida livre, fica para as páginas de zoologia dos invertebrados; aqui entra só o necessário para entender por que cada verme parasita como parasita.

Platelmintos (Platyhelminthes) Nematódeos (Nematoda)
forma do corpo achatado, em fita ou folha cilíndrico, afilado nas pontas
cavidade corporal nenhuma (acelomados) pseudoceloma
sistema digestório incompleto (uma abertura) ou ausente (cestódeos) completo (boca e ânus)
revestimento tegumento que absorve nutrientes cutícula resistente, trocada em mudas
sexos hermafroditas (tênias, planárias); Schistosoma é exceção, dioico separados (dioicos), com dimorfismo
circulação e respiração ausentes; difusão pelo corpo achatado ausentes; difusão pelo líquido do pseudoceloma
parasitos humanos Taenia solium, T. saginata, Schistosoma mansoni, Echinococcus Ascaris, Ancylostoma, Necator, Enterobius, Trichuris, Strongyloides, Wuchereria, Toxocara
vida livre planárias (Turbellaria) a maioria das espécies: solo, água, decompositores; Caenorhabditis elegans
Quadro com dois painéis lado a lado. À esquerda, em verde, o filo Platyhelminthes: um corte transversal achatado sem cavidade, com o parênquima preenchendo o espaço entre a parede e o intestino, e três desenhos esquemáticos com nome: uma planária de vida livre, uma tênia com escólex, colo e proglótides, e um casal de Schistosoma com a fêmea alojada no canal do macho. À direita, em azul, o filo Nematoda: um corte transversal circular com a cutícula, a musculatura e o pseudoceloma em torno do intestino, e três desenhos: uma lombriga com fêmea maior e macho de cauda recurvada, um ancilostomídeo com cápsula bucal e um oxiúro pequeno. Sob cada painel, uma lista com cavidade corporal, sistema digestório, revestimento e sexos. Uma faixa inferior diz que verme não é um grupo natural e que os desenhos estão fora de escala.
Os dois filos que a palavra verme esconde. À esquerda, platelmintos: corpo achatado sem cavidade, sistema digestório incompleto ou ausente, hermafroditas (o Schistosoma é a exceção dioica). À direita, nematódeos: corpo cilíndrico com cutícula e pseudoceloma, tubo digestório completo, sexos separados. Os cortes transversais mostram por que a difusão basta para o corpo achatado e por que o cilindro precisa de um líquido interno. Fora de escala: uma tênia adulta mede metros; um oxiúro, cerca de um centímetro. Diagrama autoral.

O PAS 2 de 2017 pediu, num item discursivo construído sobre uma tirinha em que cavaleiros Jedi cortados ao meio se regeneravam como planárias, as categorias taxonômicas do organismo (reino Animalia, filo Platyhelminthes, classe Turbellaria), sua característica marcante (a regeneração, base de uma reprodução assexuada por fragmentação) e dois parasitos do mesmo filo. A resposta esperada para a última parte é o par desta página: a tênia e o Schistosoma. O item pertence à página de taxonomia e sistemática e está reproduzido lá; aqui vale a lição de que a planária de vida livre e os dois grandes parasitos brasileiros compartilham o filo, e de que o aluno que sabe o filo de cada verme responde sem hesitar quando a prova pergunta por parentesco.

O vocabulário que resolve qualquer ciclo

Todo ciclo de vida de um parasito, por mais nomes que carregue, se lê com seis termos. Quem os domina resolve a maior parte dos itens antes de chegar ao detalhe biológico.

Seis termos para ler um ciclo

Hospedeiro definitivo é o organismo em que o parasito atinge a forma adulta e se reproduz sexuadamente. Hospedeiro intermediário é o que abriga formas larvais ou de reprodução assexuada, sem o adulto. O critério é a reprodução sexuada, não o tamanho, a importância médica nem a posição na figura: na esquistossomose o ser humano é o definitivo e o caramujo é o intermediário; na teníase o ser humano é o definitivo e o porco ou o boi é o intermediário; na hidatidose o cão é o definitivo e o ser humano, quando se infecta, é um intermediário acidental. Ciclo monoxênico é o que se completa num único hospedeiro, com uma fase livre no ambiente (lombriga, ancilostomídeos, oxiúro, Trichuris); ciclo heteroxênico exige dois ou mais hospedeiros (tênias, Schistosoma, filárias). Forma infectante é o estágio capaz de iniciar a infecção no ser humano: ovo (lombriga, oxiúro, Trichuris, cisticercose), larva no solo (ancilostomídeos, Strongyloides), larva na água (cercária do Schistosoma), larva na carne (cisticerco da teníase) ou larva no inseto (filária). Porta de entrada é o caminho pelo qual essa forma entra: boca (via fecal-oral ou carne), pele (solo ou água) ou picada de vetor. Vetor é o animal que transporta ativamente o parasito até o hospedeiro, em geral um inseto que pica: o Culex da filariose. O caramujo da esquistossomose não é vetor: ele não transporta nada até ninguém, é o hospedeiro intermediário em que a larva se multiplica. Água e alimento contaminados não são vetores: são veículos.

A consequência prática desses termos é a regra que organiza a página inteira: a prevenção eficaz ataca a porta de entrada real. O que entra pela boca com fezes se previne com esgoto, água tratada e mãos lavadas; o que entra pela carne se previne com inspeção sanitária e cozimento; o que atravessa a pele a partir do solo se previne com calçado e esgoto; o que atravessa a pele na água se previne com esgoto e com a não exposição a coleções de água com caramujos; o que vem por picada se previne com o controle do inseto. Uma medida pode ser correta em si e inútil para a doença a que foi atribuída, e esse é um molde de item errado que a prova já usou neste assunto: o PAS 2 de 2021 juntou ferver a água com ancilostomose e filariose (item 77, gabarito E, comentado na seção sobre a filariose).

Quadro com quatro colunas coloridas, cada uma com três caixas ligadas por setas para baixo. Coluna verde, pela boca com fezes: ovos de Ascaris, Trichuris, Enterobius e de Taenia solium (cisticercose), com prevenção por esgoto, água tratada, mãos e alimentos lavados. Coluna laranja, pela boca com carne: cisticercos na carne de porco (Taenia solium) ou de boi (Taenia saginata), com prevenção por inspeção sanitária e cozimento. Coluna azul, pela pele: larvas de ancilostomídeos e de Strongyloides no solo, cercárias de Schistosoma na água, larvas de ancilostomídeos de cães e gatos na areia, com prevenção por calçado, esgoto, não entrar em água com caramujos e vermifugar os animais. Coluna vermelha, pela picada: larvas de Wuchereria bancrofti no mosquito Culex, com prevenção por controle do mosquito, telas e mosquiteiro. Uma faixa inferior diz que a prevenção ataca a porta real e que ferver a água só protege da coluna da esquerda.
As quatro portas de entrada das verminoses e a medida que fecha cada uma. A mesma espécie pode ocupar duas colunas com duas doenças diferentes: a Taenia solium entra como cisticerco na carne (teníase) e como ovo com fezes (cisticercose). Ferver a água age só na coluna da esquerda; calçado age só na coluna da pele; telas e inseticida, só na coluna da picada. Diagrama autoral.

Exemplo resolvido: cinco pessoas, cinco portas. Num mesmo posto de saúde, cinco diagnósticos: (1) um pedreiro que trabalha descalço em obra sem esgoto, com anemia e ovos de ancilostomídeo nas fezes; (2) uma criança vegetariana com crises convulsivas e cistos no cérebro, identificados como cisticercos de Taenia solium; (3) um pescador de açude com ovos de Schistosoma mansoni; (4) um homem que elimina anéis de tênia nas fezes e come carne bovina malpassada; (5) um morador de bairro sem esgoto do Recife com inchaço persistente da perna e microfilárias no sangue colhido à meia-noite. Para cada um, qual foi a forma infectante, por onde entrou e que medida coletiva teria evitado a infecção?

(1) Larva filarioide no solo, penetração pela pele do pé; esgoto para não contaminar o solo e calçado para não expor a pele. (2) Ovo de T. solium engolido com alimento, água ou mão contaminados com fezes de alguém com teníase; a criança nunca comeu carne, e não precisava: a cisticercose entra pela via fecal-oral, e a medida é saneamento e higiene, além de tratar os portadores de tênia adulta. (3) Cercária na água do açude, penetração pela pele; esgoto para que os ovos não cheguem à água e proteção de quem trabalha nela. (4) Cisticerco na carne bovina, ingestão; o adulto é a T. saginata, e a medida é inspeção da carne e cozimento. (5) Larva de Wuchereria bancrofti depositada na pele pela picada do Culex; controle do mosquito e tratamento em massa da população, não tratamento da água.

Conferência. Nenhuma das cinco medidas é ferver a água de beber, e nenhuma das cinco pessoas se infectou bebendo água. Das cinco portas, duas são a boca (com fezes e com carne), duas são a pele (solo e água) e uma é a picada. Se a resposta a qualquer caso tivesse sido “tratar a água”, a porta estaria trocada.

As verminoses do Brasil numa tabela

A tabela abaixo é o núcleo da página. Cada linha é uma doença; as colunas são as perguntas que um item de prova faz: quem causa, de que filo é, o que entra, por onde entra, quem mais participa do ciclo, qual é o sinal marcante e o que previne. Leia a coluna da via antes da coluna da prevenção, porque a segunda só está certa se combinar com a primeira.

doença agente (filo) forma infectante porta de entrada outro hospedeiro ou vetor sinal marcante prevenção
teníase (solitária) Taenia solium (porco), T. saginata (boi); Platyhelminthes, Cestoda cisticerco (larva) na carne malpassada boca porco ou boi (intermediário) proglótides nas fezes; sintomas leves inspeção e cozimento da carne
cisticercose Taenia solium; Cestoda ovo em água, alimento ou mão com fezes boca (fecal-oral) o ser humano faz o papel do porco cistos em músculo, olho e cérebro; convulsões (neurocisticercose) saneamento, higiene, tratar portadores de tênia
esquistossomose (barriga-d’água) Schistosoma mansoni; Platyhelminthes, Trematoda cercária na água doce pele, em contato com a água caramujo Biomphalaria (intermediário) fígado e baço aumentados, ascite nas formas graves esgoto, não entrar em água com caramujos
ascaridíase (lombriga) Ascaris lumbricoides; Nematoda ovo embrionado (após semanas no solo) boca (fecal-oral) nenhum (monoxênico) tosse na fase pulmonar; obstrução intestinal nas infecções maciças esgoto, água tratada, lavar mãos e alimentos
ancilostomose (amarelão) Ancylostoma duodenale, Necator americanus; Nematoda larva filarioide no solo pele (pés), também boca para A. duodenale nenhum (monoxênico) anemia por perda de sangue no intestino calçado, esgoto
tricuríase Trichuris trichiura; Nematoda ovo embrionado boca (fecal-oral) nenhum diarreia com sangue e prolapso retal nas infecções maciças esgoto, higiene
estrongiloidíase Strongyloides stercoralis; Nematoda larva no solo; autoinfecção pele; também larvas que reinfectam o próprio hospedeiro nenhum hiperinfecção grave em imunossuprimidos calçado, esgoto, tratar antes de imunossupressão
enterobiose (oxiuríase) Enterobius vermicularis; Nematoda ovo (mãos, roupa de cama, poeira) boca; autoinfecção nenhum; não depende de solo coceira anal noturna tratar toda a casa, unhas curtas, lavar roupa de cama
filariose linfática (elefantíase) Wuchereria bancrofti; Nematoda larva no mosquito picada do Culex quinquefasciatus mosquito (vetor) linfedema, hidrocele, elefantíase após anos controle do mosquito, telas, tratamento em massa
larva migrans cutânea (bicho-geográfico) Ancylostoma de cães e gatos; Nematoda larva na areia ou solo úmido pele cão e gato (hospedeiros definitivos) trilha serpiginosa que avança na pele e coça vermifugar animais, calçado, areia protegida
toxocaríase Toxocara canis, T. cati; Nematoda ovo em solo com fezes de cão ou gato boca cão e gato (definitivos) larva migrans visceral ou ocular em crianças vermifugar animais, cobrir caixas de areia, lavar mãos
hidatidose (equinococose cística) Echinococcus granulosus; Cestoda ovo em fezes de cão boca cão (definitivo), ovelha (intermediário); ser humano é intermediário acidental cistos no fígado e no pulmão vermifugar cães, não dar vísceras cruas a cães

Duas observações sobre a tabela. Primeira: só uma linha tem vetor (a filariose), e só uma tem a água como meio de penetração ativa (a esquistossomose); todas as outras entram pela boca ou pela pele a partir do solo. Segunda: três linhas têm o ser humano fora do seu papel habitual, como hospedeiro intermediário (cisticercose, hidatidose) ou como beco sem saída em que o verme não completa o ciclo (larva migrans cutânea, toxocaríase). Nesses casos o verme adulto vive em outro animal, e a prevenção passa por tratar esse animal.

Teníase e cisticercose: a mesma tênia, duas doenças, decididas pelo que se engole

A Taenia solium é um cestódeo cujo adulto vive no intestino delgado humano, e só nele: o ser humano é o único hospedeiro definitivo. O verme adulto mede metros e é formado por um escólex com quatro ventosas e uma coroa de ganchos, um colo que gera segmentos sem parar e uma fileira de centenas de proglótides. As proglótides mais velhas, na cauda, são grávidas: cada uma guarda dezenas de milhares de ovos. Elas se soltam e saem nas fezes, inteiras ou já rompidas. A Taenia saginata, a tênia do boi, tem o mesmo plano, sem ganchos no escólex, e pode ser ainda mais longa.

O ciclo normal tem dois caminhos encadeados. Primeiro caminho, o do porco: onde não há esgoto, fezes humanas com ovos chegam ao chão e à água; o porco criado solto engole os ovos; no intestino dele a larva (oncosfera) atravessa a parede, cai na circulação e se aloja nos músculos, onde vira um cisticerco, uma vesícula de alguns milímetros com um escólex invaginado dentro, visível na carne como a “canjiquinha”. O porco é o hospedeiro intermediário. Segundo caminho, o da carne: uma pessoa come essa carne crua ou malpassada, o cisticerco sobrevive à digestão, o escólex evagina, se fixa na parede do intestino delgado e, em cerca de dois meses, há uma tênia adulta eliminando proglótides. Isso é a teníase. Os sintomas costumam ser leves (desconforto abdominal, alteração do apetite), e muita gente só descobre a infecção ao ver os anéis nas fezes. Com a T. saginata o ciclo é o mesmo, trocando o porco pelo boi.

A cisticercose é o que acontece quando o ser humano ocupa o lugar do porco. Se uma pessoa engole ovos de T. solium, com água, verdura, mão ou alimento contaminados com fezes de alguém que tem teníase, a oncosfera atravessa o intestino e forma cisticercos nos músculos, sob a pele, no olho e no sistema nervoso central. Aí está a gravidade: a neurocisticercose causa crises convulsivas, dor de cabeça crônica, hidrocefalia, e é, segundo a Organização Mundial da Saúde, a causa evitável mais frequente de epilepsia no mundo, responsável por cerca de 30 % dos casos de epilepsia nas regiões endêmicas onde pessoas e porcos soltos convivem. Repare no que a cisticercose não exige: comer carne de porco. Uma pessoa vegetariana pode ter cisticercose. E repare no que ela exige: ovos de T. solium, nunca de T. saginata, cujos ovos não infectam pessoas. Repare, por fim, que quem tem teníase por T. solium pode se dar cisticercose, por autoinfecção: ovos das próprias fezes levados à boca por mãos mal lavadas.

Teníase não é cisticercose, e a carne só causa uma delas

A frase “quem come carne de porco malpassada pega cisticercose” está errada: pega teníase, porque o que vem na carne é a larva (cisticerco), e a larva vira adulto no intestino. A frase “a cisticercose é causada por um verme adulto que se fixa no cérebro com as ventosas” está errada: o que chega ao cérebro é a larva, que fica alojada numa vesícula no tecido, sem se fixar por ventosas; as ventosas e os ganchos são do escólex do adulto, e o adulto só vive no intestino. O PAS 2 de 2013 testou esse ponto no item 85, “A Taenia solium é um endoparasita cujas ventosas lhe permitem fixar-se no sistema nervoso central humano, causando, assim, a cisticercose”, gabarito E: o item colou o órgão de fixação de um estágio no destino do outro. A regra de decisão: localize o que foi ingerido. Cisticerco na carne, teníase; ovo com fezes, cisticercose.

Esquema do ciclo da Taenia solium em forma de anel com dois ramos. No alto, uma silhueta humana com o intestino marcado, rotulada hospedeiro definitivo, onde vive a tênia adulta, desenhada como fita com escólex de ventosas e ganchos. Uma seta marrom desce para as fezes com proglótides grávidas e ovos. Dali saem duas setas. A seta verde, à esquerda, vai a um porco rotulado hospedeiro intermediário, em cujos músculos se formam cisticercos, e segue, como carne malpassada, de volta ao intestino humano, fechando o ciclo da teníase. A seta vermelha, à direita, vai de ovos em água, verduras e mãos a uma segunda silhueta humana rotulada cisticercose, com cistos marcados no músculo, no olho e no cérebro, e termina num beco sem saída, sem retornar ao ciclo. Caixas indicam a medida de prevenção em cada seta: cozimento e inspeção na carne, saneamento e higiene nos ovos. Uma nota diz que os ovos de Taenia saginata não causam cisticercose humana.
Dois caminhos a partir das mesmas fezes. À esquerda, o ciclo completo: ovo, porco, cisticerco na carne, adulto no intestino humano (teníase). À direita, o desvio em que a pessoa engole o ovo e faz o papel do porco (cisticercose): a larva se aloja nos tecidos e o ciclo não se fecha. Cozinhar a carne corta o ramo da esquerda; esgoto e mãos lavadas cortam os dois, porque impedem os ovos de circular. Diagrama autoral.

O diagnóstico da teníase é pelo exame de fezes (ovos e proglótides); o tratamento usa praziquantel ou niclosamida em dose única, e a tênia eliminada deve ter o escólex identificado, porque a T. solium obriga a investigar cisticercose. A neurocisticercose exige tratamento especializado, com antiparasitários combinados a corticoides e anticonvulsivantes, porque a destruição dos cistos inflama o cérebro. A prevenção, no entanto, é a mesma da tabela: carne inspecionada e cozida contra a teníase; esgoto, água tratada, higiene e tratamento das pessoas com tênia contra a cisticercose. O porco criado solto em área sem esgoto é o elo que une as duas.

Esquistossomose: o ciclo que a prova desenha

A esquistossomose mansônica, chamada no Brasil de xistose, doença dos caramujos ou barriga-d’água, é causada pelo trematódeo Schistosoma mansoni. É a única verminose brasileira de ciclo heteroxênico com um molusco, e a única em que a forma infectante atravessa a pele a partir da água. É também um ciclo que a prova já mostrou em figura numerada, com perguntas sobre quem é cada número (PAS 2 de 2016, item 62). Vale aprender o ciclo com os nomes de cada estágio, na ordem.

O ciclo do Schistosoma mansoni em nove passos
  1. Ovos nas fezes. Uma pessoa infectada elimina ovos de S. mansoni (com um espinho lateral característico). Sem esgoto, as fezes chegam a riachos, lagoas, açudes e valas de água doce.
  2. Miracídio. Na água, o ovo eclode e libera o miracídio, larva ciliada que nada por algumas horas à procura de um caramujo.
  3. Caramujo. O miracídio penetra um caramujo de água doce do gênero Biomphalaria (no Brasil, principalmente B. glabrata, B. tenagophila e B. straminea): é o hospedeiro intermediário.
  4. Multiplicação assexuada. Dentro do caramujo, o miracídio vira esporocisto, e os esporocistos geram, por reprodução assexuada, milhares de larvas. Esse é o motivo de o caramujo ser intermediário: nele há multiplicação, mas não há sexo.
  5. Cercária. Cerca de quatro semanas depois, o caramujo libera na água as cercárias, larvas de cauda bifurcada que nadam e sobrevivem algumas horas. A cercária é a forma infectante para o ser humano.
  6. Penetração pela pele. Em contato com a água, a cercária atravessa ativamente a pele de quem pesca, lava roupa, toma banho ou atravessa o riacho, em minutos; pode causar coceira no local (dermatite cercariana). A cauda fica para fora; o corpo, agora chamado esquistossômulo, entra na circulação.
  7. Migração e maturação. O esquistossômulo passa pelos pulmões e chega ao fígado, onde amadurece. Os adultos são dioicos: a fêmea, fina, vive alojada no canal ginecóforo do macho, que a abraça.
  8. Adultos nas veias. Os casais migram para as veias do sistema porta, junto ao intestino (veias mesentéricas), onde vivem anos e a fêmea põe centenas de ovos por dia. O ser humano é o hospedeiro definitivo: nele ocorre a reprodução sexuada.
  9. Dois destinos para o ovo. Parte dos ovos atravessa a parede do intestino e sai nas fezes, fechando o ciclo. Parte é arrastada pelo sangue até o fígado, onde fica retida e provoca inflamação (granulomas). É esse ovo retido, não o verme, que causa a doença grave.

A fase inicial pode passar despercebida ou dar febre, mal-estar, diarreia e tosse, entre duas e seis semanas após o contato, segundo o Ministério da Saúde; a maioria dos infectados é assintomática. A forma crônica grave vem de anos de ovos retidos no fígado: fibrose, obstrução do fluxo de sangue pelo fígado (hipertensão portal), baço aumentado, varizes no esôfago que podem sangrar e acúmulo de líquido no abdome, a ascite, que dá o nome popular barriga-d’água. O Ministério da Saúde registra que não há transmissão de pessoa a pessoa nem autoinfecção: sem o caramujo, não há novo caso. O diagnóstico é pelo exame de fezes (técnica de Kato-Katz), e o tratamento é praziquantel em dose única, gratuito no SUS, com internação e cirurgia reservadas às formas graves.

Esquema circular do ciclo do Schistosoma mansoni, com os estágios numerados de um a nove em sentido horário. No alto, uma silhueta humana rotulada hospedeiro definitivo, com o fígado e as veias do intestino marcados, onde está desenhado um casal de vermes adultos, a fêmea dentro do canal do macho. Uma seta marrom leva às fezes com ovos de espinho lateral, e dali à água, em azul-claro na metade inferior da figura. Na água, o ovo eclode em miracídio ciliado, que entra num caramujo Biomphalaria rotulado hospedeiro intermediário, com a nota multiplicação assexuada, cerca de quatro semanas. Do caramujo saem cercárias de cauda bifurcada, e uma seta azul leva à pele de uma perna dentro da água, com a nota penetração ativa, forma infectante. Da pele, a seta sobe por pulmões e fígado até as veias do intestino, fechando o anel. Uma caixa lateral mostra o segundo destino do ovo, retido no fígado, com granuloma, fibrose e ascite. Caixas verdes marcam onde cada medida corta o ciclo: esgoto entre as fezes e a água; não entrar na água entre a cercária e a pele; praziquantel no adulto.
O ciclo do Schistosoma mansoni com os nove passos numerados. Dois hospedeiros, duas larvas que nadam: o miracídio infecta o caramujo; a cercária infecta a pessoa. A doença grave vem dos ovos que ficam no fígado (caixa à direita), não do verme adulto. O esgoto corta o ciclo antes da água; evitar o contato com a água corta antes da pele; o praziquantel age no adulto. Diagrama autoral.

Onde está a esquistossomose no Brasil. O Ministério da Saúde estima cerca de 1,5 milhão de pessoas vivendo em áreas de risco e registra transmissão em 19 unidades da federação. As áreas endêmicas, com transmissão em grandes extensões, são Alagoas, Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Paraíba, Sergipe, Espírito Santo e Minas Gerais (com predominância no norte e nordeste do estado); em Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás e Distrito Federal a transmissão é focal. A distribuição acompanha a do caramujo e a falta de esgoto: Nordeste e Sudeste concentram os casos. O Programa de Controle da Esquistossomose (PCE) faz inquéritos de fezes e trata os positivos nas áreas endêmicas; entre 2009 e 2019 foram cerca de 9,87 milhões de exames de rotina, com 423 mil positivos, e a positividade caiu de 5,20 % em 2009 para 3,22 % em 2019, com média de 4,29 % no período. No mundo, a OMS estimou que ao menos 253,7 milhões de pessoas precisavam de tratamento preventivo em 2024, em 79 países com transmissão, e sua meta para 2030 é a eliminação da esquistossomose como problema de saúde pública em todos os países endêmicos. O Brasil está entre os países em que o controle de longo prazo, com tratamento e saneamento, reduziu a doença.

Como a prova cobrou. O PAS 2 de 2016 (item 62, tipo C) apresentou uma figura numerada do ciclo: ser humano no topo, verme adulto, ovo, miracídio, caramujo e duas formas larvais na água, e pediu a opção correta. Das quatro, três costuravam pedaços do ciclo da Taenia no do Schistosoma: “endoparasita da classe Cestoda e da espécie Taenia solium”, “ovos embrionados ricos em cisticercos” formados no intestino do caramujo, “proglótides grávidas” liberadas nas fezes e ingeridas pelo caramujo. A única opção que descreve o Schistosoma é a que diz que “a forma infectante é representada pela larva indicada na figura pelo número 6, denominada cercária, que é capaz de penetrar ativamente na pele do hospedeiro humano” (gabarito C). O item está reproduzido nos exercícios desta página. O método: antes de ler as opções, identifique o dono do ciclo pelos elementos da figura (caramujo e água dizem Schistosoma; porco e carne diriam Taenia) e rejeite toda opção que traga vocabulário do outro verme. O PAS 1 de 2020 (item 80) foi direto ao ponto da prevenção: “Tratamento da água e melhorias nas condições de saneamento básico são medidas consideradas de prevenção à esquistossomose”, gabarito C, porque os ovos chegam à água pelas fezes, e o esgoto tratado corta o ciclo antes do caramujo. Repare na diferença entre tratar a água do riacho, que não é o que o item diz, e tratar o esgoto e abastecer água segura, que evita tanto a contaminação da coleção de água quanto a necessidade de usá-la para lavar roupa e tomar banho.

Por que a água do açude não fica segura só porque não se vê caramujo

Caramujos Biomphalaria têm concha achatada, de poucos centímetros, e vivem na vegetação das margens, no fundo e em valas de drenagem; cercárias são microscópicas e sobrevivem horas na água, e podem estar a metros do caramujo que as liberou. Ninguém reconhece a olho uma coleção de água segura. Em área endêmica, a orientação de saúde pública é evitar o contato com a água doce natural e, para quem depende dela para trabalhar, usar botas e luvas, além de tratar os positivos e levar esgoto às comunidades. A barriga-d’água dos adultos do Nordeste de décadas atrás era o resultado de infecções repetidas desde a infância; a queda da positividade de 5,20 % para 3,22 % em dez anos é o efeito combinado de tratamento e saneamento, não de um ou de outro.

Geo-helmintíases: ovo no solo, larva no solo

Geo-helmintíases (ou helmintíases transmitidas pelo solo) são as verminoses cujo ciclo passa obrigatoriamente pelo solo: o ovo eliminado nas fezes precisa de dias ou semanas no chão quente e úmido para se tornar infectante, ou para eclodir e dar uma larva que infecta. A OMS agrupa quatro espécies sob esse nome, porque se diagnosticam pelo mesmo exame de fezes e respondem aos mesmos medicamentos: a lombriga (Ascaris lumbricoides), o tricocéfalo (Trichuris trichiura) e os dois ancilostomídeos (Necator americanus e Ancylostoma duodenale); o Strongyloides stercoralis é tratado à parte, por exigir outro diagnóstico e outro remédio. Juntas, são as infecções mais comuns do mundo: a OMS estima cerca de 1,5 bilhão de pessoas infectadas, 24 % da população mundial, concentradas nas comunidades mais pobres das regiões tropicais, e calcula que mais de 650 milhões de crianças em idade escolar vivem em áreas de transmissão intensa. Um fato organiza tudo o que vem a seguir: esses vermes não se multiplicam dentro da pessoa. Cada verme adulto no intestino veio de um ovo ou de uma larva que entrou do ambiente; a carga de vermes de uma criança mede quantas vezes ela se expôs ao solo contaminado, e a reinfecção depois do tratamento depende só de o solo continuar contaminado. A exceção é o Strongyloides, que se multiplica no hospedeiro por autoinfecção.

Ascaridíase. A lombriga é o maior nematódeo intestinal humano: a fêmea mede de 20 a 35 cm, o macho de 15 a 30 cm, e uma fêmea põe cerca de 200 mil ovos por dia. Os ovos saem nas fezes sem embrião e precisam de 18 dias a algumas semanas no solo úmido e sombreado para embrionar; só então são infectantes, o que significa que fezes frescas não transmitem a doença e que o elo é sempre o solo, a verdura adubada ou regada com água contaminada, a água não tratada ou a mão da criança que brincou no chão. Engolido o ovo, a larva eclode no intestino delgado, mas não fica ali: atravessa a parede, cai na circulação, passa pelo fígado e pelo coração e chega aos pulmões, onde rompe os alvéolos, sobe pela traqueia, é deglutida e só então volta ao intestino delgado para virar adulto. Esse trajeto pelos pulmões é chamado nos livros brasileiros de ciclo de Loss, e explica a tosse, a febre e o quadro de pneumonia com eosinófilos (síndrome de Löffler) que pode aparecer semanas antes de qualquer verme no intestino. De dois a três meses após a ingestão, a fêmea começa a pôr ovos; os adultos vivem de um a dois anos. A maioria das infecções é leve, mas cargas grandes em crianças causam desnutrição, dor abdominal e, no extremo, obstrução intestinal por um novelo de vermes, além de migrações para a vesícula e o pâncreas.

Ancilostomose. O amarelão é causado por dois nematódeos pequenos, de cerca de um centímetro: Necator americanus, responsável por mais de 80 % das infecções no Brasil segundo o Ministério da Saúde, e Ancylostoma duodenale. Os ovos saem nas fezes, eclodem no solo e as larvas, após duas mudas, viram larvas filarioides infectantes, que ficam à espera na superfície do chão úmido. A porta de entrada é a pele: a larva atravessa a pele dos pés de quem anda descalço (ou das mãos de quem trabalha a terra), cai na circulação, passa pelos pulmões, sobe pela traqueia, é deglutida e se fixa no intestino delgado, com a cápsula bucal armada de dentes (Ancylostoma) ou de placas cortantes (Necator). Ali o verme rasga a mucosa e suga sangue, e cada verme faz isso por um ano ou mais. O sinal da doença é a anemia por deficiência de ferro, que se instala ao longo de semanas e meses, com palidez (daí amarelão), cansaço, falta de ar e, em crianças, atraso de crescimento; a OMS destaca o peso dessa perda de sangue em meninas adolescentes e gestantes. O A. duodenale também infecta por via oral, com larvas ingeridas, mas a via cutânea é a principal, e é ela que a prevenção ataca: calçado para não expor a pele e esgoto para não contaminar o solo.

O Jeca Tatu e o amarelão

No artigo “Urupês”, publicado em 1914 no jornal O Estado de S. Paulo e reunido em 1918 no livro de mesmo nome, Monteiro Lobato criou o Jeca Tatu, o caipira paulista retratado como apático, de cócoras, sem vontade de trabalhar. Nos anos seguintes, com a campanha pelo saneamento rural, o próprio Lobato passou a explicar o personagem pela doença, não pelo caráter: o Jeca era um homem com amarelão, anêmico de tanto perder sangue para os vermes que entraram pelos pés descalços, e com a maleita e outras doenças que o remédio e o saneamento resolveriam. A reinterpretação virou campanha de higiene, e o nome “doença do Jeca Tatu” ficou como sinônimo popular da ancilostomose. A lição que a biologia confirma: o cansaço do amarelão é a anemia, e a anemia é a conta de centenas de vermes sugando sangue por meses.

Esquema comparando dois ciclos monoxênicos que convergem no pulmão. Duas colunas à esquerda: na verde, Ascaris lumbricoides, o ovo eliminado nas fezes passa dezoito dias a semanas no solo até embrionar, é ingerido com alimento, água ou mãos, e a larva eclode no intestino delgado. Na azul, ancilostomídeos, o ovo eclode no solo, a larva muda duas vezes até a larva filarioide e penetra a pele do pé descalço. As duas setas seguem para o centro, onde uma silhueta humana mostra a circulação, o coração, os pulmões com a nota larvas rompem os alvéolos, a traqueia com a nota sobem e são deglutidas, e o intestino delgado, onde os adultos vivem: a lombriga de vinte a trinta e cinco centímetros, pondo duzentos mil ovos por dia; o ancilostomídeo de um centímetro, fixado na mucosa e sugando sangue. Uma caixa inferior compara sintomas: tosse na fase pulmonar nos dois; obstrução intestinal na lombriga; anemia ferropriva no amarelão. Outra caixa compara prevenção: higiene, água tratada e esgoto na lombriga; calçado e esgoto no amarelão.
Duas portas, um só trajeto. A lombriga entra pela boca como ovo e o ancilostomídeo entra pela pele como larva, mas os dois passam pelos pulmões, sobem pela traqueia e são deglutidos antes de se instalar no intestino delgado. A fase pulmonar explica a tosse das duas doenças; a cápsula bucal do ancilostomídeo explica a anemia. Diagrama autoral.

Tricuríase. O Trichuris trichiura, de corpo em chicote, entra pela boca como ovo embrionado, igual à lombriga, mas sem passagem pelos pulmões: a larva eclode e os adultos se fixam na mucosa do intestino grosso, no ceco e no cólon. Infecções leves são silenciosas; as maciças, em crianças, dão diarreia com muco e sangue, anemia e, no quadro mais característico, prolapso retal, quando a irritação da mucosa provoca o reflexo de evacuar mesmo sem fezes. A prevenção é a da ascaridíase: esgoto, água tratada, mãos e alimentos lavados. No último inquérito nacional de prevalência em escolares, realizado pelo Ministério da Saúde entre 2010 e 2015 em 197 564 estudantes, a tricuríase apareceu em 5,41 % dos examinados, a ascaridíase em 6,00 % e a ancilostomose em 2,73 %, com as maiores prevalências no Norte e no Nordeste.

Estrongiloidíase. O Strongyloides stercoralis é um nematódeo minúsculo com um ciclo que foge à regra. As larvas infectantes do solo penetram a pele e fazem o trajeto pulmonar; no intestino delgado, só há fêmeas, que põem ovos por partenogênese; as larvas eclodem ainda no intestino e saem nas fezes, onde podem ou se tornar infectantes ou dar origem a uma geração de vida livre no solo, com machos e fêmeas. A diferença decisiva: algumas larvas se tornam infectantes antes de sair do corpo e atravessam a parede do intestino ou a pele ao redor do ânus, reiniciando a infecção sem passar pelo ambiente. Essa autoinfecção faz do Strongyloides o único geo-helminto que se multiplica dentro do hospedeiro, mantém a infecção por décadas e, quando a imunidade cai (corticoides em dose alta, transplante, HIV, certos tratamentos de câncer), produz a síndrome de hiperinfecção, em que milhões de larvas se disseminam pelo corpo, com alta letalidade. Por isso se investiga e trata a estrongiloidíase antes de iniciar tratamentos imunossupressores. O medicamento é a ivermectina; o albendazol das campanhas escolares pouco faz contra ele, o que explica por que a OMS o separa dos outros três.

Enterobiose: o verme que não precisa de solo

O oxiúro, Enterobius vermicularis, é um nematódeo de cerca de um centímetro que vive no intestino grosso. Seu ciclo é o mais simples e o mais doméstico de todos: a fêmea grávida migra à noite até o ânus e põe milhares de ovos na pele ao redor, e os ovos se tornam infectantes em poucas horas, sem precisar do solo. A coceira noturna faz a criança coçar; os ovos ficam sob as unhas e nos dedos, vão para a boca (autoinfecção), para os lençóis, para o pijama, para a poeira do quarto e para os brinquedos, onde resistem por até duas semanas, e dali para outras pessoas da casa e da escola. É a verminose mais comum em países com saneamento, justamente porque não depende de esgoto: depende de mãos, unhas e roupa de cama. O diagnóstico não é o exame de fezes comum, e sim a fita adesiva transparente aplicada à pele anal pela manhã, que recolhe os ovos. O tratamento precisa alcançar toda a casa, com repetição em duas semanas, junto com unhas curtas, banho ao acordar e lavagem frequente de lençóis e roupas. Nada disso tem relação com doces: a crença de que oxiúro “vem de açúcar” confunde a coceira, que o açúcar não causa, com a origem do verme, que é sempre um ovo engolido.

Filariose linfática: a única verminose brasileira com vetor

A filariose linfática, ou elefantíase, é causada pelo nematódeo Wuchereria bancrofti, responsável por cerca de 90 % dos casos no mundo segundo a OMS. Ao contrário de todas as outras verminoses desta página, ela não passa por fezes, solo, água nem carne: passa por um mosquito. No Brasil e nas Américas, o vetor é o Culex quinquefasciatus, o pernilongo ou muriçoca comum das cidades, que se cria em água parada e suja, inclusive em esgoto a céu aberto e fossas. O ciclo: o mosquito, ao picar uma pessoa infectada, ingere microfilárias (larvas minúsculas) do sangue; no mosquito elas amadurecem em larvas infectantes em cerca de duas semanas; na próxima picada, as larvas são depositadas na pele e penetram pelo orifício da picada; migram para os vasos linfáticos, onde se tornam adultos de alguns centímetros que vivem de seis a oito anos e, acasalados, produzem milhões de microfilárias, que circulam no sangue. No Brasil, as microfilárias têm periodicidade noturna: ficam nos capilares profundos de dia e aparecem no sangue periférico à noite, com pico entre 23 h e 1 h, o mesmo horário de maior atividade do Culex; por isso o exame de sangue para o diagnóstico é colhido à meia-noite.

A maioria das infecções não dá sintomas visíveis, mas os adultos já lesam os vasos linfáticos. Ao longo de anos, a obstrução da drenagem linfática leva ao linfedema (inchaço persistente de pernas, braços, mamas), à hidrocele (acúmulo de líquido na bolsa escrotal) e, nas formas avançadas, à elefantíase, com espessamento da pele e deformidade permanente. Nada disso acontece “logo após a infecção”: são quadros de instalação lenta, e a infecção costuma ser adquirida na infância. O tratamento usa dietilcarbamazina, e a estratégia de eliminação da OMS é o tratamento em massa anual de toda a população das áreas endêmicas, somado ao controle do mosquito (telas, mosquiteiros, saneamento das coleções de água suja).

O Brasil eliminou a filariose como problema de saúde pública. Inquéritos dos anos 1950 encontraram focos em 11 cidades de seis estados; o tratamento dos casos e das populações reduziu a transmissão até restar, nas décadas recentes, apenas a Região Metropolitana do Recife (Recife, Olinda, Jaboatão dos Guararapes e Paulista). O último caso confirmado de transmissão foi em 2017, e em setembro de 2024 a OPAS/OMS validou a eliminação da filariose linfática como problema de saúde pública no Brasil. Nas Américas restam endêmicos a República Dominicana, a Guiana e o Haiti; a vigilância brasileira continua, inclusive para casos importados.

Ferver a água contra uma doença de mosquito e outra de pé descalço

O PAS 2 de 2021 trouxe, num bloco sobre saneamento e diarreia, o item 77: “Verminoses como a ancilostomose e a filariose apresentam sintomas logo após a infecção, sendo um deles a diarreia, e uma forma eficaz de prevenção consiste em ferver a água antes de ingeri-la e lavar as mãos com frequência.” Gabarito E, e por três falhas independentes. Primeira: nenhuma das duas entra pela boca (a ancilostomose entra pela pele a partir do solo; a filariose, pela picada do Culex), logo ferver a água e lavar as mãos não tocam a via de nenhuma. Segunda: nenhuma dá sintomas logo após a infecção; a anemia do amarelão leva semanas a meses, o linfedema da filariose leva anos. Terceira: a diarreia, que o texto-base sobre saneamento sugeria, não é o sinal de nenhuma das duas. O item veste uma recomendação de higiene correta em si com duas doenças a que ela não se aplica. A defesa é a tabela: recupere a porta de cada doença citada antes de julgar a medida.

Esquema do ciclo da Wuchereria bancrofti em dois painéis ligados por setas. À esquerda, no painel do ser humano, uma silhueta com os vasos linfáticos da perna destacados, onde vivem os vermes adultos por seis a oito anos, e o sangue com microfilárias, com a nota periodicidade noturna, pico entre vinte e três e uma hora. À direita, no painel do mosquito, um Culex quinquefasciatus com a nota cria-se em água parada e suja, dentro do qual as microfilárias amadurecem em larvas infectantes em cerca de duas semanas. Uma seta vermelha vai do sangue humano ao mosquito, rotulada o mosquito ingere microfilárias ao picar, e outra volta do mosquito à pele humana, rotulada larvas depositadas na picada penetram a pele. Abaixo, uma linha do tempo mostra infecção na infância, anos sem sinais visíveis, linfedema, hidrocele e elefantíase. Caixas verdes marcam a prevenção: controle do mosquito, telas e mosquiteiro, tratamento em massa. Uma nota diz que a doença não passa por água de beber, fezes nem solo.
A filariose é a única verminose brasileira transmitida por vetor. O mosquito Culex leva as microfilárias de uma pessoa a outra; os adultos vivem nos vasos linfáticos por anos antes de qualquer inchaço. Ferver a água de beber não entra em nenhuma seta deste ciclo. Diagrama autoral.

Vermes de cães e gatos: quando o ser humano é um beco sem saída

Três verminoses chegam às pessoas a partir de animais domésticos, e nas três o ser humano não é o hospedeiro em que o verme completa o ciclo. Na larva migrans cutânea, o bicho-geográfico, larvas de ancilostomídeos de cães e gatos (Ancylostoma braziliense e A. caninum), eliminadas como ovos nas fezes dos animais em areia de praia, tanques de areia e quintais úmidos, penetram a pele de quem se deita ou pisa descalço ali. Como a espécie não é humana, a larva não consegue entrar na circulação: fica presa na pele, cavando um túnel que avança cerca de um centímetro por dia e desenha na pele a trilha serpiginosa que deu o nome popular, com coceira intensa; a infecção se resolve sozinha em semanas a meses, mais depressa com antiparasitário. Na toxocaríase, ovos de Toxocara canis (cão) e T. cati (gato), presentes no solo contaminado com fezes dos animais, são engolidos por crianças que brincam na terra; as larvas eclodem, atravessam o intestino e vagam pelos órgãos (larva migrans visceral) ou alcançam o olho (larva migrans ocular, com perda de visão), sem jamais virar adultos. Na hidatidose (equinococose cística), o cão é o hospedeiro definitivo do cestódeo Echinococcus granulosus; a ovelha, o intermediário habitual; o ser humano que engole ovos de fezes de cão vira um intermediário acidental, com cistos hidáticos que crescem por anos no fígado e nos pulmões. A prevenção das três passa pelo mesmo lugar: vermifugar cães e gatos, recolher as fezes, cobrir caixas de areia, não dar vísceras cruas a cães, manter animais fora de praias e áreas de recreação, e lavar as mãos.

Tratamento, campanhas e por que ainda não há vacina

Verminose se trata com anti-helmíntico, nunca com antibiótico. Antibióticos atacam estruturas da célula bacteriana (parede de peptidoglicano, ribossomos procarióticos) que um animal não tem; um verme é um organismo multicelular eucarionte, com células parecidas com as nossas. Os anti-helmínticos exploram diferenças mais sutis: o albendazol e o mebendazol desmontam os microtúbulos do verme e o impedem de absorver glicose; o praziquantel abre canais de cálcio no tegumento dos platelmintos, paralisando tênias e esquistossomos; a ivermectina paralisa nematódeos como o Strongyloides e as larvas da larva migrans; a dietilcarbamazina age nas microfilárias da filariose. O nome de cada remédio basta no ensino médio; o que a prova testa é a lógica: remédio certo para o grupo certo, e remédio nenhum substitui a prevenção, porque o tratamento cura a pessoa e a reinfecção continua disponível no solo ou na água.

É sobre essa lógica que se montam as campanhas de desparasitação em massa. Como os geo-helmintos não se multiplicam na pessoa e o albendazol é barato, seguro e pode ser dado por quem não é profissional de saúde (a OMS cita professores), a estratégia mundial é tratar periodicamente todas as crianças em idade escolar das áreas endêmicas, sem exame prévio, para reduzir a carga de vermes e os danos de nutrição e crescimento. Em 2021, segundo a OMS, mais de 500 milhões de crianças receberam o tratamento nos países endêmicos, 62 % das que estavam em risco. No Brasil, o espaço institucional dessas ações é o Programa Saúde na Escola, criado em 2007 pela articulação dos ministérios da Saúde e da Educação, que leva à escola pública ações de prevenção e atenção à saúde, entre elas a avaliação e o tratamento das verminoses junto com a atenção primária. A campanha trata a criança; a prevalência só cai de forma duradoura quando o esgoto, a água tratada e o calçado cortam a reinfecção, e é por isso que a OMS descreve o controle como três pernas: tratamento periódico, educação em saúde e saneamento. O eixo coletivo, com os indicadores de incidência e prevalência e as políticas de água e esgoto, é o assunto de saneamento e saúde coletiva.

Não existe vacina em uso contra nenhuma verminose humana. Desenvolvê-las é difícil por razões que a biologia dos vermes explica: cada parasito passa por vários estágios, cada um com antígenos próprios, e os helmintos são especialistas em modular e silenciar a resposta imune do hospedeiro, com o qual convivem por anos. A resposta natural contra vermes é a resposta do tipo Th2, com anticorpos IgE e eosinófilos, a mesma que, dirigida contra pólen ou ácaros, produz as alergias; ela limita a infecção, mas raramente a elimina, e não impede a reinfecção. Há candidatas em ensaios clínicos, inclusive contra ancilostomídeos, com estudos em Minas Gerais; por ora, a prevenção depende de saneamento, hábitos e tratamento. O funcionamento de uma vacina e a diferença entre imunização ativa e passiva estão em vacinas e soros.

Como ler um ciclo de vida em esquema: cinco perguntas

A figura de um ciclo pode ter dez números, setas curvas e nomes em latim, e ainda assim se resolve com cinco perguntas feitas sempre na mesma ordem.

As cinco perguntas
  1. Quem é o agente? Identifique o verme pelos elementos que não enganam: caramujo e água dizem Schistosoma; porco, boi e carne dizem Taenia; mosquito diz Wuchereria; solo e pé descalço dizem ancilostomídeo ou Strongyloides; ovo que embriona no solo e larva que passa pelo pulmão dizem Ascaris.
  2. Onde ocorre a reprodução sexuada? Esse é o hospedeiro definitivo. Nas verminoses em que o ser humano é o hospedeiro habitual (teníase, esquistossomose, geo-helmintíases, enterobiose, filariose), é o ser humano; nas verminoses de cães e gatos (hidatidose, toxocaríase, larva migrans cutânea) é o cão ou o gato, e a pessoa entra como intermediário acidental ou beco sem saída. Nas protozooses o definitivo pode ser o mosquito (malária) ou o gato (toxoplasmose), e esse contraste está em protozoários e protozooses.
  3. Qual é a forma que infecta o ser humano? Ovo, larva no solo, cercária, cisticerco ou larva no mosquito. É a seta que chega à pessoa.
  4. Por onde ela entra? Boca, pele ou picada. A resposta decide a prevenção.
  5. Que seta interromper? A medida de prevenção é a que apaga uma seta do desenho: esgoto apaga a seta das fezes para o ambiente; cozimento apaga a da carne para a boca; calçado apaga a do solo para a pele; controle do mosquito apaga a da picada; tratar o doente apaga a saída de ovos.

Exemplo resolvido: a figura numerada de 2016. Uma figura mostra o ciclo de um parasito com sete números: no topo, um ser humano (7); dentro dele, um verme adulto (1); abaixo, um ovo (2); na água, uma larva ciliada (3); um caramujo (4); e duas formas larvais na água (5 e 6). Quatro opções afirmam, respectivamente, que se trata de um cestódeo da espécie Taenia solium; que no intestino do hospedeiro intermediário (4) se formam ovos embrionados ricos em cisticercos; que a forma infectante é a larva 6, a cercária, que penetra ativamente a pele; e que nas fezes humanas saem proglótides grávidas ingeridas pelo hospedeiro 4. Qual está correta?

Pergunta 1: caramujo mais água mais larva ciliada é o Schistosoma mansoni, trematódeo; a primeira opção, que o chama de cestódeo e de Taenia solium, cai. Pergunta 2: o adulto (1) está dentro do ser humano (7), logo o ser humano é o definitivo e o caramujo (4) é o intermediário; no caramujo há multiplicação assexuada de larvas, não ovos nem cisticercos, e a segunda opção cai, com vocabulário de tênia (cisticercos) num ciclo de Schistosoma. Pergunta 3: a forma que chega à pele humana é a larva 6, a cercária, e a terceira opção descreve exatamente isso. Pergunta 4: pele, em contato com a água, o que a terceira opção também afirma (“penetrar ativamente na pele”). A quarta opção cai duas vezes: Schistosoma não tem proglótides (é um trematódeo, não um cestódeo), e o caramujo é infectado pelo miracídio que sai do ovo na água, não por ingerir fezes. Resposta: a terceira opção, que foi o gabarito C do item 62 do PAS 2 de 2016.

Conferência. Pergunta 5, por segurança: as medidas que apagam setas desse desenho são esgoto (entre 2 e a água) e não entrar na água (entre 6 e 7), e nenhuma opção falou em cozinhar carne, o que confirma que o ciclo é de água e não de carne. A opção correta é a única cujo vocabulário pertence inteiramente ao Schistosoma.

Como ler os dados: prevalência, positividade e escala

Verminose é assunto de inquérito: a saúde pública decide onde tratar e onde levar esgoto a partir de porcentagens de exames positivos, e a prova gosta de pedir a conta. Três cuidados resolvem a maior parte dos itens. Primeiro, prevalência é a proporção de pessoas infectadas num grupo examinado num dado momento; positividade é a mesma ideia aplicada aos exames de um programa; incidência conta casos novos num período, em geral por 100 mil habitantes. Segundo, uma porcentagem só se compara com outra se as populações forem comparáveis: escolares examinados num inquérito nacional não são a população brasileira. Terceiro, antes de dividir, veja a escala dos números: ovos por dia, exames por década, crianças por campanha.

Dois gráficos de barras lado a lado. À esquerda, prevalência de geo-helmintíases em 197 564 escolares examinados no inquérito nacional de 2010 a 2015: ascaridíase 6,00 por cento, tricuríase 5,41 por cento e ancilostomose 2,73 por cento, em barras verdes, azul e laranja, com os valores escritos sobre as barras e a nota de que as maiores prevalências estão no Norte e no Nordeste. À direita, positividade para Schistosoma mansoni nos exames de rotina do Programa de Controle da Esquistossomose em áreas endêmicas: 5,20 por cento em 2009 e 3,22 por cento em 2019, em duas barras roxas, com uma linha tracejada marcando a média do período de 4,29 por cento e a nota de 9,87 milhões de exames e 423 mil positivos. O eixo vertical vai de zero a oito por cento nos dois gráficos. Fonte indicada: Ministério da Saúde.
Dois conjuntos de números do Ministério da Saúde. À esquerda, o que o inquérito nacional de 2010 a 2015 encontrou nas fezes de escolares: a lombriga e o Trichuris, que entram pela boca, acima do amarelão, que entra pela pele. À direita, a queda da positividade da esquistossomose nos exames do programa de controle entre 2009 e 2019. Porcentagens de escolares examinados não são porcentagens do país. Diagrama autoral.

Exemplo resolvido: do inquérito à campanha. No inquérito nacional de 2010 a 2015, 197 564 escolares foram examinados; a ascaridíase apareceu em 6,00 % dos examinados, a tricuríase em 5,41 % e a ancilostomose em 2,73 %. (a) Quantas vezes a ascaridíase foi mais frequente que a tricuríase nesse grupo, e como as duas se comparam com a ancilostomose? (b) Um município com 4 000 escolares, onde um inquérito local encontrou prevalência de ascaridíase igual à nacional, decide tratar todas as crianças em vez de só as positivas: quantas crianças serão tratadas sem estar infectadas, e por que a decisão ainda faz sentido?

(a) 6,00/5,41≈1,116{,}00 / 5{,}41 \approx 1{,}11: a ascaridíase foi cerca de 11 % mais frequente que a tricuríase, uma diferença pequena entre duas verminoses que entram pela mesma porta, a boca; a ancilostomose, que entra pela pele, ficou em menos da metade de qualquer uma das duas (6,00/2,73≈2,26{,}00 / 2{,}73 \approx 2{,}2). (b) Com 6 % de prevalência, o esperado é 0,06×4 000=2400{,}06 \times 4\,000 = 240 crianças infectadas e 3 7603\,760 não infectadas, que receberiam albendazol sem precisar. A decisão faz sentido porque examinar 4 000 crianças custa mais que tratá-las, o remédio é seguro e barato, o exame de fezes único deixa de detectar parte dos infectados, e o objetivo da campanha não é curar 240 crianças, mas derrubar a quantidade de ovos que a escola inteira devolve ao solo, o que protege também as 3 760. A OMS recomenda exatamente isso onde a prevalência passa de certos limiares; abaixo deles, o tratamento volta a ser individual.

Conferência. Os 240 casos esperados são 6 % de 4 000, e 6 % é a prevalência nacional em escolares, que o enunciado mandou usar; se o município fosse do Norte ou do Nordeste, onde as prevalências foram maiores, o número real tenderia a ser maior. E a conta do remédio só vale porque a ascaridíase não se multiplica na pessoa: tratar hoje zera a carga, e o que acontece amanhã depende do solo.

Exemplo resolvido: a escala dos ovos. Uma fêmea de Ascaris põe cerca de 200 mil ovos por dia e vive de um a dois anos. Numa comunidade sem esgoto em que dez crianças têm, cada uma, duas fêmeas adultas, quantos ovos chegam ao ambiente por dia, e quantos em um ano?

Por dia: 10×2×200 000=4 000 00010 \times 2 \times 200\,000 = 4\,000\,000 de ovos, quatro milhões. Em um ano: 4 000 000×365≈1,46×1094\,000\,000 \times 365 \approx 1{,}46 \times 10^{9}, quase um bilhão e meio de ovos de vinte vermes. A conta explica por que a lombriga é a verminose mais comum do mundo, por que um único portador sem fossa contamina um quintal inteiro e por que a prevenção age no esgoto, e não na sorte de cada ovo: basta uma fração minúscula deles embrionar e ser engolida para manter a infecção circulando.

Conferência. A ordem de grandeza bate com a estimativa de 800 a 900 milhões de pessoas infectadas no mundo: um parasito que produz ovos aos milhões por hospedeiro por mês não precisa de nenhum vetor para se manter, só de fezes no chão.

Erros clássicos que a prova explora

Cada frase abaixo é um item em potencial, e cada uma tem uma correção de uma linha.

  1. “Teníase e cisticercose são a mesma doença.” Mesma espécie, duas doenças: cisticerco na carne dá teníase (adulto no intestino); ovo com fezes dá cisticercose (larvas nos tecidos). O item 85 do PAS 2 de 2013 trocou os estágios.
  2. “Quem come carne de porco malpassada pega cisticercose.” Pega teníase. Cisticercose vem de ovos, inclusive por autoinfecção de quem tem a tênia, e pode atingir quem nunca comeu carne.
  3. “O caramujo é o agente (ou o vetor) da esquistossomose.” O agente é o Schistosoma mansoni; o caramujo Biomphalaria é o hospedeiro intermediário, onde a larva se multiplica. Vetor transporta picando; caramujo não pica.
  4. “Esquistossomose se pega bebendo água contaminada.” A cercária atravessa a pele de quem entra na água. Ferver a água de beber não protege quem lava roupa no riacho; esgoto e não exposição protegem.
  5. “Filariose se pega pela água ou pela falta de higiene.” É transmitida pela picada do Culex. A única medida de saneamento que ajuda é a que reduz os criadouros do mosquito. O item 77 do PAS 2 de 2021 juntou ferver a água com filariose e ancilostomose: errado.
  6. “Verminose se pega só por água e comida.” Ancilostomose, estrongiloidíase, esquistossomose e larva migrans entram pela pele; filariose entra pela picada.
  7. “Verme é um filo (ou uma classe) de animais.” São dois filos sem parentesco próximo, Platyhelminthes e Nematoda; a palavra descreve a forma, não a origem.
  8. “Lombriga é platelminto.” É nematódeo, cilíndrica, com tubo digestório completo. Platelmintos são a tênia, o Schistosoma e a planária.
  9. “A tênia tem boca e intestino.” Cestódeos não têm sistema digestório; absorvem nutrientes pelo tegumento. O escólex fixa, não come.
  10. “O ser humano é hospedeiro intermediário da esquistossomose porque adoece mais.” Definitivo é onde há reprodução sexuada; os adultos acasalam nas veias humanas. Tamanho e sofrimento não definem o papel.
  11. “Oxiúro vem de doce.” Vem de ovo engolido, levado pelas mãos a partir da pele anal, dos lençóis e da poeira. O açúcar não cria vermes.
  12. “Verminose é doença de criança.” As crianças têm mais carga por se expor mais ao solo, mas pescadores, lavadeiras, agricultores e trabalhadores de obra são os casos típicos de esquistossomose e ancilostomose. A idade muda a exposição, não a biologia.
  13. “Antibiótico trata verminose.” Trata bacteriose. Verminose se trata com anti-helmíntico (albendazol, praziquantel, ivermectina).
  14. “Depois de tratada, a criança não pega mais.” Não há imunidade duradoura nem vacina; se o solo continua contaminado, a reinfecção recomeça. Por isso as campanhas se repetem e o saneamento é a medida de fundo.
  15. “Fezes frescas transmitem lombriga.” Os ovos de Ascaris precisam de semanas no solo para embrionar; o elo é o ambiente, não o contato direto.
  16. “Giardíase é verminose.” É protozoose, causada por um eucarionte unicelular; a diferença está em protozoários e protozooses.

O essencial em meia página

Verminose é doença causada por helminto, animal parasito de dois filos sem parentesco próximo: Platyhelminthes (achatados, acelomados, sistema digestório incompleto ou ausente, hermafroditas; tênias, Schistosoma, planárias) e Nematoda (cilíndricos, pseudocelomados, tubo digestório completo, cutícula, dioicos; lombriga, ancilostomídeos, oxiúro, Trichuris, Strongyloides, filárias). Verme não é grupo natural.

Seis termos resolvem qualquer ciclo: hospedeiro definitivo (reprodução sexuada; o ser humano em quase todas), intermediário (larvas: porco, boi, caramujo), ciclo monoxênico (um hospedeiro: geo-helmintos, oxiúro) ou heteroxênico (tênias, Schistosoma, filária), forma infectante (ovo, larva no solo, cercária, cisticerco, larva no mosquito), porta de entrada (boca, pele, picada) e vetor (quem transporta picando; o Culex é vetor, o caramujo não). A prevenção ataca a porta real: esgoto e higiene para o que entra com fezes; cozimento para o que entra com carne; calçado para o solo; não entrar na água para a cercária; controle do mosquito para a picada.

Tabela mínima. Teníase: cisticerco na carne de porco (T. solium) ou de boi (T. saginata), adulto no intestino; cisticercose: ovos de T. solium com fezes, larvas em músculo, olho e cérebro (epilepsia), também por autoinfecção; cozimento previne uma, saneamento previne a outra. Esquistossomose: ovo nas fezes, miracídio, caramujo Biomphalaria (multiplicação assexuada), cercária penetra a pele na água, adultos nas veias do intestino, ovos retidos no fígado dão a barriga-d’água; endêmica no Nordeste, Espírito Santo e Minas Gerais; esgoto e não exposição; praziquantel. Ascaridíase: ovo embriona semanas no solo, larva passa pelo pulmão (ciclo de Loss), fêmea de 20 a 35 cm põe 200 mil ovos por dia; obstrução intestinal. Ancilostomose: larva do solo pela pele do pé, pulmão, intestino, suga sangue, anemia (amarelão, Jeca Tatu); calçado e esgoto; Necator domina no Brasil. Tricuríase: ovo, intestino grosso, prolapso retal. Estrongiloidíase: pele, autoinfecção, hiperinfecção em imunossuprimidos, ivermectina. Enterobiose: ovos na pele anal à noite, mãos, roupa de cama, tratar a casa toda; não vem de doce. Filariose: W. bancrofti, picada do Culex, adultos nos vasos linfáticos, microfilárias noturnas, linfedema e elefantíase após anos; Brasil validado pela OPAS/OMS em setembro de 2024 como livre do problema de saúde pública. Larva migrans cutânea, toxocaríase e hidatidose: vermes de cão e gato em que o ser humano é beco sem saída ou intermediário acidental; vermifugar os animais.

Geo-helmintíases: 1,5 bilhão de infectados no mundo (OMS); os vermes não se multiplicam na pessoa (exceto Strongyloides); desparasitação em massa de escolares com albendazol, no Brasil via Programa Saúde na Escola, mais saneamento e educação. Não há vacina contra verminose; antibiótico não trata. Leitura de ciclo: quem é o agente, onde há sexo, qual forma infecta, por onde entra, que seta cortar. Leitura de dados: prevalência é proporção de examinados, incidência é casos novos por população, e porcentagem de escolares não é porcentagem do país.

Exercícios temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.

Flashcards temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar os cartões de revisão.

Verminoses - Biologia - Ensino Médio
Canal Futura · 10:04
Introdução. Aula de televisão educativa, em linguagem de ensino médio, que apresenta as verminoses como o grupo de doenças causadas por vermes parasitas e percorre os principais exemplos. Corresponde às seções “Verme não é um grupo” e “As verminoses do Brasil numa tabela”. Assista antes de ler e, a cada doença citada, anote em que coluna da tabela ela entra: boca com fezes, boca com carne, pele ou picada.
Esquistossomose - Unidade 1 - Ciclo de Vida do Schistosoma mansoni (Produção IAM/Fiocruz-PE)
Fiocruz Pernambuco Ensino · 3:16
Aprofundamento. Animação curta produzida pelo Instituto Aggeu Magalhães (Fiocruz Pernambuco) para um curso sobre esquistossomose, mostrando o ciclo completo do Schistosoma mansoni: ovo, miracídio, caramujo, cercária, penetração pela pele e adultos nas veias. É a seção “Esquistossomose: o ciclo que a prova desenha”. Pause a cada estágio e diga o número correspondente na figura dos nove passos desta página; ao final, confira em que ponto o esgoto corta o ciclo e em que ponto a cercária encontra a pessoa.
Teníase e Cisticercose (Verminoses) - Aula 11 Módulo VI: Zoologia | Prof. Guilherme
Prof. Guilherme Goulart - Biologia · 15:41
Aplicação. Aula que separa teníase (ingestão de cisticercos na carne de porco ou de boi, adulto no intestino) de cisticercose (ingestão de ovos de Taenia solium, larvas nos tecidos e no sistema nervoso), com os hospedeiros intermediários de cada espécie. É a seção “Teníase e cisticercose: a mesma tênia, duas doenças, decididas pelo que se engole”. Depois de assistir, julgue de novo o item 85 do PAS 2 de 2013 reproduzido na página e explique com as palavras do vídeo por que ele está errado.
QUESTÃO ENEM 2019: A esquistossomose (barriga-d'água) caracteriza-se pela inflamação do fígado e do baço
Biolução · 12:11
Resolução de questão. O professor resolve a questão do ENEM 2019 sobre a esquistossomose, cujo enunciado descreve o contágio pelas larvas liberadas na água pelo caramujo Biomphalaria e pergunta sobre uma vacina em desenvolvimento. É a seção “Tratamento, campanhas e por que ainda não há vacina” lida junto com o ciclo. Resolva antes de assistir: identifique no enunciado o hospedeiro intermediário, a forma infectante e a porta de entrada, e só então compare com a resolução.
Rota PAS 2
Protozoários, fungos, verminoses e políticas de saúde · PAS 2

Fontes desta página

Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.

  • Rota PAS 2 — Protozoários, fungos, verminoses e políticas de saúde · Antes de começar: dez minutos de aquecimento (papéis do ciclo, portas de entrada, ovo, larva e cisticerco); Verminoses: a porta de entrada decide tudo (conceito, tabela das verminoses, exemplo da família que cria porcos, figura das quatro portas, Na prova com os itens 2013/85, 2016/62 e 2017/29, armadilha de ferver a água, checagem); Leia como na prova (item 2021/77 com leitura anotada); Como a banca cobra (2016/62 transcrito com a descrição da figura); Resolvidos (teníase ou cisticercose; cada doença, sua alavanca); Exercícios 4, 5, 6, 8, 9, 10 e 14; Banco de treino T4, T5, T8 e T9

    Fonte principal e recorte da página. Protozoários, fungos e políticas de saúde do mesmo capítulo ficam nas páginas próprias; os itens 2019/36, 2021/76, 2017/29 e 2020/78 pertencem a outras páginas e entram por GUID. Dados externos conferidos em 3/10/2026 (não estão no repositório): Ministério da Saúde, Esquistossomose (https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/e/esquistossomose: 1,5 milhão de pessoas em áreas de risco, 19 unidades da federação, estados endêmicos, SISPCE 2009–2019 com 9 867 120 exames, 423 117 casos, positividade de 5,20 % a 3,22 %, incubação de 2 a 6 semanas, sem autoinfecção, praziquantel), Geo-Helmintíase (https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/g/geo-helmintiase: Inpeg 2010–2015 com 197 564 escolares, 2,73 % de ancilostomíase, 6,00 % de ascaríase, 5,41 % de tricuríase, mais de 80 % das infecções por Necator americanus, prolapso retal na tricuríase) e Filariose Linfática (https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/f/elefantiase: Culex quinquefasciatus, periodicidade noturna com pico entre 23 h e 1 h, foco restrito a Recife, Olinda, Jaboatão dos Guararapes e Paulista, último caso confirmado em 2017, dietilcarbamazina). OMS, fact sheets Soil-transmitted helminth infections (1,5 bilhão de infectados, 24 % da população mundial, 654 milhões de crianças em idade escolar em áreas de transmissão intensa, ovos precisam de cerca de 3 semanas no solo, os vermes não se multiplicam no hospedeiro exceto Strongyloides, mais de 500 milhões de crianças tratadas em 2021 ou 62 % das em risco, albendazol e mebendazol administráveis por professores), Schistosomiasis (253,7 milhões precisando de tratamento preventivo em 2024, 79 países, meta de eliminação como problema de saúde pública em todos os países endêmicos) e Lymphatic filariasis (Wuchereria bancrofti em 90 % dos casos, adultos vivem 6 a 8 anos, Culex, Anopheles e Aedes como vetores, Brasil entre os 21 países que eliminaram a doença como problema de saúde pública) e Taeniasis/cysticercosis (neurocisticercose como causa evitável mais frequente de epilepsia, 30 % dos casos em áreas endêmicas, adulto em cerca de 8 semanas, praziquantel e niclosamida). OPAS, Filariose linfática (https://www.paho.org/pt/topicos/filariose-linfatica: validação do Brasil em setembro de 2024; República Dominicana, Guiana e Haiti ainda endêmicos). CDC DPDx, Ascariasis (fêmea de 20 a 35 cm e macho de 15 a 30 cm, cerca de 200 mil ovos por dia, 18 dias a semanas para embrionar, 2 a 3 meses até a postura, adultos vivem 1 a 2 anos). MedlinePlus, Ascariasis (800 a 900 milhões de infectados; pneumonia eosinofílica), Hookworm, Pinworms (ovos resistem até 2 semanas em superfícies; tratar toda a casa), Strongyloidiasis (autoinfecção e hiperinfecção em imunossuprimidos), Whipworm, Creeping eruption (larvas de ancilostomídeos de cães e gatos, cerca de 1 cm por dia) e Tapeworm infection. Frontiers in Immunology, 2020, Soil-Transmitted Helminth Vaccines: Are We Getting Closer? (dificuldades das vacinas: múltiplos estágios e modulação da imunidade). Wikipédia em português, Urupês e Jeca Tatu (artigo de 1914 em O Estado de S. Paulo; livro de 1918; adesão de Lobato à campanha sanitária).

  • Rota PAS 2 — Resoluções do Banco de treino · T4 (variante de 2016/62), T5 (portas trocadas), T8 (2021/77, três falhas), T9 (profilaxia cruzada)

    Conferência do gabarito E do item 2021/77 e dos padrões de erro usados como modelo das questões autorais.

  • Rota PAS 2 — Gabarito do Banco de treino · T4 C, T5 E, T8 E, T9 A

    Gabarito do item real 2021/77 (T8 = E), que o enunciado do capítulo não traz na linha.

  • Rota PAS 2 — Resoluções dos exercícios · Itens 4 (teníase), 5 (filariose e ancilostomose), 6 (cercária), 8 (calçados), 9 (ingestão de ovos de Schistosoma), 10 (hospedeiro intermediário) e 14 (autoinfecção na cisticercose)

    Padrões de erro e caso-limite da autoinfecção.

  • Rota PAS 2 — Sistemática, taxonomia, vírus e bactérias · Item 2017/29 (planária: reino Animalia, filo Platyhelminthes, classe Turbellaria; tênia e Schistosoma como parasitos do mesmo filo); cladograma com a lombriga em Nematoda

    Coerência da classificação; o item pertence à página de taxonomia e é reusado por GUID.

  • Biologia EM1 — Capítulo 12: Cerrado, impactos, conservação e saúde · Saúde pública é ecologia: água, esgoto e um mosquito (esquistossomose prevenida por saneamento; tabela de agente, vetor ou veículo e reservatório com o caramujo como hospedeiro intermediário)

    Base da distinção vetor, veículo e hospedeiro intermediário aplicada à esquistossomose.

  • Biologia EM1 — Bloco PAS do Capítulo 12 · Texto-base IX (PAS 1 2020, itens 78, 79 e 80) e gabarito comentado (11 C)

    Fonte do item real PAS 1 2020/80 (saneamento como prevenção da esquistossomose), reproduzido verbatim; o item 78 pertence à página de protozoários e é reusado por GUID.