Propagação de calor

Guia de estudo · Revisado em 16/09/2026

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Por que a maçaneta de metal parece gelada e a madeira da mesma porta parece morna, se as duas estão à mesma temperatura; por que o aquecedor fica no chão e o ar-condicionado no teto; e como o calor do Sol chega até aqui atravessando 150 milhões de quilômetros de vazio?

O que você vai aprender

  • Distinguir condução, convecção e radiação por um critério único (a energia passa por matéria parada, por matéria em movimento ou por onda eletromagnética, sem meio) e identificar o mecanismo dominante em cada trecho de uma situação real (panela, usina de helióstato, garrafa térmica).
  • Explicar o mecanismo microscópico da condução (vibração da rede cristalina e elétrons livres nos metais), classificar materiais em condutores, maus condutores e isolantes por ordem de grandeza da condutividade k e reconhecer que os isolantes práticos são ar parado aprisionado.
  • Aplicar a lei de Fourier Φ = kAΔT/L em regime estacionário, com unidades coerentes (mm² → m², °F → °C), para calcular fluxo, espessura ou condutividade; interpretar o gráfico linear T × x, o gradiente ΔT/L e a resistência térmica de camadas em série.
  • Explicar por que corpos à mesma temperatura produzem sensações térmicas diferentes (a pele mede fluxo, não temperatura) e julgar itens que atribuem a sensação à capacidade térmica em vez da condutividade.
  • Descrever a convecção natural pela variação de densidade e pelo empuxo, justificar a posição de aquecedores, aparelhos de ar-condicionado e congeladores, explicar a brisa marítima e a inversão térmica e reconhecer que a convecção não ocorre em sólidos nem no vácuo.
  • Caracterizar a radiação térmica como onda eletromagnética emitida por todo corpo, única a atravessar o vácuo; relacionar cor e acabamento a absorção, emissão e reflexão (albedo); e ler qualitativamente a lei de Stefan–Boltzmann (P ∝ T⁴) e a lei de Wien (λ_max T = constante) em curvas de corpo negro.
  • Analisar a garrafa térmica como síntese dos três bloqueios (vácuo, superfícies espelhadas, tampa e apoios isolantes) e julgar afirmações que trocam a função de cada parte.
  • Explicar o efeito estufa em estufas de vidro e na atmosfera (transparência ao visível, opacidade ao infravermelho; CO₂, vapor d'água e metano absorvem e reemitem, não refletem), distinguir o efeito natural (+33 °C) de sua intensificação e reconhecer que o vidro não é bom isolante térmico.
  • Explicar o isolamento térmico de casas e roupas (ar parado, camadas, vidro duplo), a sensação térmica com o vento (convecção forçada) e desmontar as frases erradas 'o casaco esquenta' e 'o frio entra'.
  • Resolver e julgar itens no estilo do PAS/UnB: tipo A conceitual decidido por um verbo (absorver × refletir, conduzir × irradiar), item de limiar com a lei de Fourier, tipo B com conversão de unidades e leitura de figuras com setas de fluxo e curvas de emissão.

A porta está fechada há horas numa sala a 22 °C. Você encosta a mão na maçaneta de metal e ela parece gelada; encosta na madeira, logo ao lado, e ela parece morna. Um termômetro encostado nas duas marcaria o mesmo número. No mesmo quarto, o aquecedor fica no chão e o ar-condicionado fica perto do teto, e ninguém inverte os dois. E, do lado de fora, o Sol esquenta o rosto depois de atravessar 150 milhões de quilômetros em que não há ar, água nem pedra para carregar energia alguma. Três cenas, três maneiras distintas de a energia térmica ir do mais quente para o mais frio.

Esta página é sobre esses três caminhos: condução, convecção e radiação. O primeiro trabalho é aprender a distingui-los por um critério que não falha (a energia passa por matéria parada, por matéria em movimento ou sem matéria nenhuma?); o segundo é dominar a única fórmula do assunto, a lei de Fourier para a condução, com sua tabela de condutividades; o terceiro é reconhecer os três mecanismos escondidos na garrafa térmica, no casaco de lã, na brisa da praia e no efeito estufa. O que é temperatura e o que é calor têm página própria, temperatura e calor; quanta energia um corpo precisa receber para esquentar é calorimetria; o que acontece quando ele muda de fase é mudanças de estado físico; o quanto cresce ao esquentar é dilatação térmica. Aqui, só o caminho que a energia percorre.

Três caminhos, um só sentido

Calor é energia em trânsito por diferença de temperatura, e o trânsito tem sempre o mesmo sentido: do corpo mais quente para o mais frio, até o equilíbrio térmico. O que muda de uma situação para outra é o veículo. Na condução, cada partícula repassa agitação à vizinha e permanece no lugar: o cabo de uma frigideira de ferro vai esquentando a partir da chapa sem que um átomo sequer do cabo se desloque. Na convecção, a matéria aquecida sai do lugar e carrega a energia junto: a água do fundo da panela sobe, a de cima desce, e a panela inteira acaba fervendo. Na radiação, o percurso pode ser vazio de matéria, porque a energia viaja como onda eletromagnética: é assim que a Terra recebe o calor do Sol.

O critério que separa os três

Condução: a energia avança por repasse entre partículas vizinhas, e nenhuma porção de matéria muda de lugar; exige um meio material e domina nos sólidos. Convecção: porções inteiras de fluido se deslocam levando a energia dentro de si; exige um líquido ou gás livre para circular, e não existe em sólidos nem no vácuo. Radiação: energia em ondas eletromagnéticas, sem meio; é a única que atravessa o vácuo, e todo corpo com temperatura acima do zero absoluto a emite o tempo todo. Diante de um item, pergunte: o calor está viajando por matéria parada, por matéria em movimento ou por onda? A resposta é o nome do mecanismo.

pergunta condução convecção radiação
precisa de meio material? sim sim (fluido) não
a matéria se desloca? não sim não há matéria
onde domina sólidos (metais) líquidos e gases vácuo, gases transparentes, grandes distâncias
exemplo colher na panela; maçaneta fria aquecedor no chão; brisa marítima; panela fervendo Sol; fogueira no rosto; lâmpada incandescente
o que a bloqueia isolante (ar parado, lã, isopor), espessura impedir a circulação (vácuo, tampa, ar preso em bolsas) superfície espelhada ou clara (reflete); opacidade

Num objeto real os três costumam trabalhar juntos. Numa panela no fogão, a chama aquece o fundo por radiação e pelo contato com os gases quentes, o fundo de metal conduz para a água, e a água circula por convecção até ferver por igual. A prova gosta desse tipo de cenário: em 2012, a 2.ª etapa descreveu uma usina de helióstato, e os três mecanismos estavam lá, um em cada etapa: os espelhos concentram no receptor a luz do Sol (radiação); o sal fundido aquecido é bombeado por tubulações até um gerador de vapor (matéria em movimento: convecção); nas paredes do trocador, a energia passa do sal para a água através do metal (condução). O item que dizia que a usina empregava os três processos estava certo.

Três painéis lado a lado. No primeiro, condução: uma barra de metal com uma ponta na chama e a outra segurada por uma mão; dentro da barra, fileiras de partículas fixas vibrando, com a vibração maior perto da chama, e uma seta de energia que percorre a barra sem que as partículas saiam do lugar. No segundo, convecção: uma panela sobre a chama, com o líquido subindo no centro, aquecido, e descendo pelas bordas, mais frio, formando duas correntes fechadas indicadas por setas curvas; uma legenda diz que são porções de fluido em movimento que transportam a energia. No terceiro, radiação: o Sol à esquerda emitindo ondas que atravessam um espaço vazio marcado como vácuo até chegar à Terra à direita; nenhuma partícula no caminho.
O critério que separa os três mecanismos: na condução a matéria fica parada e só a energia viaja; na convecção a própria matéria aquecida se desloca; na radiação não há matéria no caminho. Diagrama autoral.

Condução: a energia passa de vizinho a vizinho

Um sólido é uma multidão de átomos presos por forças elétricas, cada um vibrando em torno de uma posição fixa. Encoste a ponta de uma barra na chama: os átomos daquela ponta passam a vibrar com mais amplitude, empurram os vizinhos, que empurram os seus vizinhos, e a agitação se propaga pela barra sem que átomo nenhum troque de lugar. Nos metais há um segundo veículo, muito mais rápido: os elétrons livres, os mesmos que conduzem a corrente elétrica. Eles se movem pelo metal inteiro, colidem com a rede, recolhem energia na região quente e a soltam na região fria. Por isso os bons condutores de eletricidade são, em geral, bons condutores de calor, e por isso o metal conduz dezenas ou centenas de vezes melhor que o vidro, a madeira ou o plástico, que só contam com a vibração da rede.

A grandeza que mede essa facilidade é a condutividade térmica kk, em watt por metro por kelvin, W/(m·K). Vale comparar ordens de grandeza, porque é isso que decide o item:

material kk (W/(m·K)) classe
prata 430 condutor excelente
cobre 400 condutor excelente
alumínio 240 (a prova de 2023 usou 250) condutor excelente
aço comum 50 condutor
aço inoxidável 15 condutor fraco
gelo 2,2 mau condutor
concreto 1,0 mau condutor
vidro comum 0,8 mau condutor
tijolo 0,7 mau condutor
água (parada) 0,6 mau condutor
madeira 0,15 isolante
lã, cortiça 0,04 isolante
isopor (EPS) 0,03 isolante
ar parado 0,026 isolante
vácuo 0 não conduz

Duas leituras. Primeiro, entre o cobre e o ar há um fator de 15 000: a mesma parede, se fosse de ar parado, deixaria passar quinze mil vezes menos calor que se fosse de cobre. Segundo, a maior parte dos isolantes práticos, lã, isopor, cortiça, penas, cobertor, é ar preso em bolsas pequenas demais para circular. O que isola não é a fibra: é o ar parado que ela aprisiona. E o vidro, que muita gente chama de isolante por “não parecer metal”, está mais perto do concreto do que da lã: conduz vinte vezes mais que ela. Essa confusão custou um item em 2011, como veremos na seção sobre o efeito estufa.

Gráfico de barras horizontais em escala logarítmica da condutividade térmica em watts por metro por kelvin de doze materiais, do maior para o menor: cobre 400, alumínio 240, aço 50, aço inox 15, gelo 2,2, concreto 1,0, vidro 0,8, água 0,6, madeira 0,15, lã 0,04, isopor 0,03 e ar parado 0,026. As barras dos metais estão em um tom, as dos maus condutores em outro e as dos isolantes em um terceiro; uma chave liga cobre e ar com a razão de cerca de quinze mil vezes; outra liga vidro e lã com a razão de vinte vezes.
Condutividades térmicas em escala logarítmica: cada divisão maior do eixo é um fator 10. Entre o cobre e o ar parado há mais de quatro ordens de grandeza; o vidro fica com os maus condutores, não com os isolantes. Diagrama autoral.

A lei de Fourier: quatro grandezas e uma fração

Quanto calor por segundo atravessa uma parede? A intuição acerta as quatro dependências. Passa mais calor por uma parede grande do que por uma pequena (área); passa mais quando a diferença de temperatura entre as faces é maior; passa mais num material de condutividade alta; e passa menos quanto mais espessa a parede. Joseph Fourier juntou tudo em 1822:

Lei de Fourier (condução em regime estacionário)

Φ=QΔt=k A ΔTL\Phi = \frac{Q}{\Delta t} = \frac{k\,A\,\Delta T}{L}

Φ\Phi (lê-se “fi”) é o fluxo de calor, ou taxa de transferência: energia por unidade de tempo, em watt (1 W = 1 J/s). kk é a condutividade do material, AA é a área da face atravessada, ΔT\Delta T é a diferença de temperatura entre as duas faces e LL é a espessura (a distância que o calor percorre). Vale em regime estacionário: as temperaturas das faces já não mudam, a parede não está mais acumulando energia, e o que entra por uma face sai pela outra. Nessa condição a temperatura cai linearmente ao longo da espessura, e a razão ΔT/L\Delta T/L é o gradiente de temperatura. Alguns livros escrevem ee para a espessura e φ\varphi para o fluxo; a prova de 2023 escreveu H2H_2.

A fórmula tem uma leitura por grandeza. Dobrar a área dobra o fluxo. Dobrar a diferença de temperatura dobra o fluxo. Dobrar a espessura corta o fluxo pela metade. Trocar tijolo por lã de vidro divide o fluxo por vinte. E repare no que não está na fórmula: nem a massa da parede, nem o seu calor específico, nem a temperatura absoluta das faces, só a diferença. O calor específico diz quanto a parede esquenta ao receber energia; a condutividade diz quanto ela deixa passar. São perguntas diferentes, e a banca já as misturou de propósito.

Painel esquerdo: uma placa retangular de espessura L vista em corte, com a face esquerda a temperatura T quente e a face direita a temperatura T fria; setas paralelas atravessam a placa da esquerda para a direita representando o fluxo de calor fi, e a área A da face está indicada. Abaixo da placa, a fórmula fi igual a k A delta T sobre L. Painel direito: gráfico da temperatura T em função da posição x dentro da placa, de zero a L, com uma reta decrescente que vai de T quente a T fria; a inclinação está marcada como delta T sobre L, o gradiente; uma segunda reta, tracejada e menos inclinada, mostra uma placa duas vezes mais espessa com a mesma diferença de temperatura e metade do fluxo.
Em regime estacionário, a temperatura cai em linha reta dentro da parede e o fluxo Φ=kA ΔT/L\Phi = kA\,\Delta T/L é o mesmo em qualquer fatia. Uma parede duas vezes mais espessa, com a mesma diferença de temperatura, tem gradiente pela metade e deixa passar metade do calor por segundo. Diagrama autoral.

Exemplo resolvido (concreto contra isopor). Compare dois fechamentos de 1 m² entre um quarto a 24 °C e a rua a 4 °C, logo ΔT=20\Delta T = 20 °C. O primeiro é uma parede de concreto de 20 cm, k=1,0k = 1{,}0 W/(m·K): Φ=1,0×1×20/0,20=100\Phi = 1{,}0 \times 1 \times 20/0{,}20 = 100 W. O segundo é uma placa de isopor de 5 cm, k=0,03k = 0{,}03 W/(m·K): Φ=0,03×1×20/0,05=12\Phi = 0{,}03 \times 1 \times 20/0{,}05 = 12 W. Com um quarto da espessura, a placa transmite pouco mais de um décimo do calor, porque o kk do isopor é 33 vezes menor que o do concreto (33/4≈833/4 \approx 8, e 100/12≈8100/12 \approx 8). Conferência pela leitura da fórmula: uma parede de concreto de 40 cm levaria a 50 W; 2 m² dela, a 200 W. E note o que o isopor faz e o que não faz: ele não gera frio nem calor; apenas reduz a quantidade de energia que atravessa por segundo.

Exemplo resolvido (o dissipador do fotoemissor, PAS 2 2023). Um dissipador de alumínio (k=250k = 250 W/(m·K)) recebe calor de uma face quadrada de 5 mm × 5 mm a 25 °C e precisa levá-lo, através de uma espessura de 1,5 mm, até uma face que deve ficar abaixo de 10 °C. Área: A=5×10−3×5×10−3=25×10−6A = 5 \times 10^{-3} \times 5 \times 10^{-3} = 25 \times 10^{-6} m². Espessura: L=1,5×10−3L = 1{,}5 \times 10^{-3} m. ΔT=15\Delta T = 15 °C. Φ=250×25×10−6×15/(1,5×10−3)=62,5\Phi = 250 \times 25 \times 10^{-6} \times 15/(1{,}5 \times 10^{-3}) = 62{,}5 W. O item afirmava que o dissipador precisaria garantir uma taxa superior a 62,5 W, e estava certo: 62,5 W é o fluxo exato quando a face fria está a 10 °C; para mantê-la abaixo de 10 °C, a diferença de temperatura tem de ser maior que 15 °C e o fluxo, maior que 62,5 W. A conta fechou redonda, sinal de que a unidade foi bem tratada (milímetro ao quadrado vira 10−610^{-6} m², não 10−310^{-3}). O item seguinte dizia que, para aumentar a taxa, bastaria aumentar a espessura: errado, a espessura está no denominador.

Exemplo resolvido (a espessura do tanque de sal, PAS 2 2012, tipo B). Um tanque cilíndrico de raio 1,5 m e altura 2,0 m guarda sal fundido a 1 049 °F; a parte externa da parede está a 15 °C. Que espessura, em mm, a parede de uma liga com k=0,12k = 0{,}12 W/(m·K) deve ter para que o fluxo pelas laterais não passe de 10 kW? Área lateral: A=2πrh=2×3,14×1,5×2,0=18,84A = 2\pi r h = 2 \times 3{,}14 \times 1{,}5 \times 2{,}0 = 18{,}84 m². Temperatura do sal em Celsius: (1 049−32)/1,8=565(1\,049 - 32)/1{,}8 = 565 °C; ΔT=565−15=550\Delta T = 565 - 15 = 550 °C. Isolando a espessura na lei de Fourier: L=kA ΔT/Φ=0,12×18,84×550/10 000=0,1243L = kA\,\Delta T/\Phi = 0{,}12 \times 18{,}84 \times 550/10\,000 = 0{,}1243 m =124= 124 mm. Foi a marcação oficial: 124. Repare que a conversão de °F para °C entrou de verdade na conta, e que “fluxo máximo de 10 kW” pede a espessura mínima: mais grossa, passa menos.

Espessura no denominador, calor específico em lugar nenhum

Dois erros que a banca já cobrou com gabarito E. (1) “Para aumentar a taxa de condução, basta aumentar a espessura” (2023): a espessura divide; engrossar o caminho diminui o fluxo. (2) “O calor que flui do magma até a superfície depende da diferença de temperatura e do calor específico das rochas” (2007): a primeira metade está certa, a segunda troca a grandeza. O fluxo depende de kk, AA, ΔT\Delta T e LL; o calor específico não aparece na lei de Fourier. Um terceiro, de 2018: “a velocidade da transmissão independe da diferença de temperatura” nega justamente o motor do fenômeno, Φ∝ΔT\Phi \propto \Delta T; sem diferença de temperatura não há fluxo nenhum.

Quando o calor atravessa várias camadas em série (vidro, ar, vidro; reboco, tijolo, reboco), o mesmo fluxo passa por todas, e cada camada oferece uma resistência térmica R=L/(kA)R = L/(kA), que se soma como resistores em série: Φ=ΔTtotal/(R1+R2+… )\Phi = \Delta T_{\text{total}}/(R_1 + R_2 + \dots). É a física da janela de vidro duplo. Um vidro de 4 mm tem, por metro quadrado, R=0,004/0,8=0,005R = 0{,}004/0{,}8 = 0{,}005 m²·K/W. Uma lâmina de ar de 12 mm entre dois vidros, se o ar ficasse parado, teria R=0,012/0,026=0,46R = 0{,}012/0{,}026 = 0{,}46 m²·K/W, noventa vezes mais que o vidro. Na prática a camada de ar circula um pouco e o ganho é menor, mas a lição fica: numa parede em camadas, quem manda é a camada de maior resistência, e ela é quase sempre a de ar (ou de gás nobre, ou de vácuo) e não a de vidro.

Por que o metal parece mais frio se está na mesma temperatura

Volte à maçaneta da abertura. Maçaneta e madeira estão há horas na mesma sala: mesma temperatura, 22 °C. A sua mão está a uns 35 °C. Ao tocar, há um fluxo de calor da mão para o objeto, e o que a pele sente não é a temperatura do objeto, é a taxa com que ele drena energia da pele. O metal, com kk centenas de vezes maior que o da madeira, retira calor depressa e a pele esfria de verdade nos primeiros segundos; a madeira retira devagar e a pele quase não muda. Os sensores da pele não são termômetros: o que eles registram é a velocidade com que a energia entra ou sai, e por isso dois objetos à mesma temperatura podem dar sensações opostas.

O mesmo raciocínio vale ao contrário. Num carro parado ao sol, o volante de plástico e a fivela metálica do cinto estão à mesma temperatura, uns 60 °C; a fivela queima e o volante só incomoda, porque o metal transfere energia à pele muito mais rápido. E numa sauna a 90 °C o ar não queima, porque o ar conduz mal; o banco de metal a 90 °C queimaria.

Pés no piso frio e a toalha molhada

De madrugada, o piso de cerâmica parece gelado e o tapete, morno, à mesma temperatura. A cerâmica conduz bem melhor que a fibra do tapete (que é ar preso), e drena o calor do pé mais rápido. A prova de 2016 da 2.ª etapa levou essa comparação ao caderno, com metal e concreto, e plantou a causa errada: “o metal parece mais frio que o concreto porque a capacidade térmica do metal é maior”. Errado: a sensação vem da condutividade, não da capacidade térmica, que diz quanto o corpo esquenta ao receber calor e nada diz sobre a rapidez da troca. Observação certa, explicação errada: item errado.

Um experimento clássico, que a banca usou em 2013, deixa isso visível: cinco bastões metálicos idênticos em forma e tamanho, cada um com uma esfera de gelo presa na ponta, aquecidos pela mesma chama na outra ponta. As esferas caem uma depois da outra. Se a geometria e a diferença de temperatura são as mesmas, a única coisa que pode diferir é kk: os bastões são de metais diferentes. Quanto maior o kk, maior o fluxo que chega à ponta fria e mais cedo o gelo termina de derreter; a ordem das quedas é, portanto, a ordem decrescente das condutividades, da esfera do melhor condutor à do pior. Um item que dizia que a última a cair estava no bastão de maior taxa de transmissão invertia a ordem: errado. E um terceiro item, que lia a fórmula ao contrário (k=ΦL/(A ΔT)k = \Phi L/(A\,\Delta T), logo, com Φ\Phi, LL e AA fixos, kk proporcional a 1/ΔT1/\Delta T), estava certo.

Convecção: o fluido leva a energia consigo

Aqueça o fundo de uma panela de água. A água encostada no fundo esquenta por condução, dilata e fica menos densa que a água fria acima. Menos densa num fluido é sinônimo de empuxo maior que o peso: essa porção sobe, e água fria, mais densa, desce para ocupar o lugar e ser aquecida por sua vez. Forma-se uma corrente de convecção, um circuito fechado em que matéria quente sobe, esfria em cima, desce pelas bordas e volta ao fundo. É a mesma física da hidrostática: o que sobe é o que ficou menos denso que a vizinhança.

Daí duas regras de engenharia doméstica. O aquecedor fica embaixo: o ar que ele aquece sobe, espalha-se pelo teto, esfria, desce pelas paredes e volta; se estivesse no teto, o ar quente ficaria lá em cima e o chão continuaria frio. O ar-condicionado fica em cima: o ar frio que ele produz é mais denso e desce sozinho, varrendo a sala. Pelo mesmo motivo o congelador ficava na parte de cima das geladeiras antigas (o ar frio desce e resfria as prateleiras de baixo), o vapor sai por cima da panela e a fumaça da fogueira sobe.

Corte de uma sala com um aquecedor junto ao chão à esquerda e um aparelho de ar-condicionado junto ao teto à direita. Do aquecedor sai uma corrente de ar quente, em tom quente, que sobe pela parede, percorre o teto, esfria, desce pela parede oposta e volta pelo chão, formando um circuito fechado indicado por setas. Do ar-condicionado sai uma corrente de ar frio, em tom frio, que desce diretamente para o chão e se espalha, com setas para baixo. Uma legenda em cada lado explica: o ar quente é menos denso e sobe; o ar frio é mais denso e desce.
O aquecedor vai embaixo e o ar-condicionado vai em cima porque a convecção só funciona num sentido: fluido aquecido fica menos denso e sobe; fluido resfriado fica mais denso e desce. Invertidos, o ar quente ficaria preso no teto e o ar frio, no chão. Diagrama autoral.
Convecção natural e forçada

Na convecção natural, o movimento nasce da diferença de densidade e do empuxo: quente sobe, frio desce. A gravidade continua apontando para baixo; o que sobe é o fluido menos denso, empurrado pelo fluido mais denso que desce. Na convecção forçada, um ventilador ou uma bomba movimentam o fluido: a ventoinha do computador, o radiador do carro, a bomba de água do aquecimento solar, o vento na pele. Em ambos os casos o transporte de energia exige transporte de matéria, o que descarta a convecção em sólidos e no vácuo.

A brisa marítima é convecção em escala de quilômetros. De dia, a areia esquenta muito mais depressa que a água (calor específico bem menor, e a energia solar fica concentrada numa camada fina). O ar sobre a terra aquece, dilata, sobe; o ar mais frio que estava sobre o mar escoa ao nível do solo para ocupar o lugar: o vento sopra do mar para a terra. À noite a areia esfria antes que a água e o circuito inverte, com a brisa terrestre soprando da terra para o mar. As correntes marítimas, os ventos alísios, o magma que sobe no manto da Terra e a granulação da superfície do Sol são o mesmo mecanismo em escalas maiores.

"O ar quente sobe porque a gravidade inverte"

Item de 2021 da 1.ª etapa, a partir da música Chuva, de Jaloo: “o ar quente sobe porque a força gravitacional, nesse caso, tem o sentido de baixo para cima”. Errado, e é bom saber dizer por quê. A gravidade puxa o ar quente para baixo como puxa tudo; ele sobe porque o ar frio ao redor, mais denso, é puxado com mais força por unidade de volume e desce, empurrando-o para cima. É o empuxo de Arquimedes, com a gravidade apontando para onde sempre apontou. Pelo mesmo motivo, “ar quente sobe” não contradiz a mecânica newtoniana nem precisa de Aristóteles e seus elementos.

A convecção também explica por que uma cidade amanhece com o ar sujo em certas madrugadas de inverno. Normalmente o ar é mais quente perto do solo e esfria com a altitude, e por isso o ar da superfície sobe, levando poluentes e dispersando-os. Na inversão térmica, uma camada de ar frio fica presa junto ao solo, com ar mais quente por cima: o ar de baixo, mais denso, não tem para onde subir, a convecção para, e a fumaça fica retida na camada baixa. Um item da 3.ª etapa de 2024 afirmou o contrário, que a inversão ocorre quando as camadas baixas estão mais quentes e que isso aumenta a dispersão dos poluentes: duas inversões de sentido no mesmo item, gabarito E.

Radiação: energia que viaja sem meio

Aproxime a mão de uma lâmpada incandescente acesa, pelo lado, sem tocar. O calor chega na hora, e não veio por condução (o ar conduz mal) nem por convecção (o ar quente sobe, e a mão está ao lado). Veio como onda eletromagnética, a mesma família da luz visível, do rádio e dos raios X: energia que se propaga sem precisar de matéria e que, ao ser absorvida por um corpo, vira agitação térmica. Uma parte dessa radiação você vê (o filamento amarelo); a maior parte está no infravermelho, invisível ao olho e sensível na pele. É onda eletromagnética; aqui interessa o que ela transporta.

Todo corpo com temperatura acima do zero absoluto emite radiação térmica, o tempo todo, em todas as direções: você, a parede, o gelo. E todo corpo também absorve a radiação que chega dos vizinhos. O que se chama “esfriar por radiação” é emitir mais do que se recebe; o corpo mais quente sai perdendo nesse balanço, e é assim que o calor vai, mais uma vez, do quente para o frio, agora sem tocar em nada. No vácuo é o único mecanismo possível: um item de 2015 sobre um motor Stirling “em uma região de vácuo perfeito” dizia que a troca de energia com o exterior se daria por condução. Errado: sem partículas não há condução nem convecção; só radiação.

Quanto um corpo irradia

A potência que uma superfície de área AA emite cresce muito depressa com a temperatura absoluta: P=σ ε A T4P = \sigma\,\varepsilon\,A\,T^{4}, a lei de Stefan–Boltzmann, com σ=5,67×10−8\sigma = 5{,}67 \times 10^{-8} W/(m²·K⁴) e ε\varepsilon a emissividade (0 a 1) da superfície. Dobrar a temperatura absoluta multiplica a emissão por 24=162^4 = 16. A radiação se distribui por muitos comprimentos de onda, com um pico que se desloca para ondas mais curtas quando a temperatura sobe: λmax⁡ T=2,9×10−3\lambda_{\max}\,T = 2{,}9 \times 10^{-3} m·K, a lei do deslocamento de Wien. O Sol, a 5 800 K, tem o pico em 500 nm (visível); o corpo humano, a 310 K, em 9,4 µm (infravermelho); um ferro em brasa começa a brilhar vermelho perto de 800 K. Para esta página bastam as leituras qualitativas: mais quente emite muito mais e em ondas mais curtas.

A cor e o acabamento da superfície decidem a segunda metade da história. A radiação que chega a um corpo é repartida em três parcelas que somam o total: refletida, absorvida e transmitida. Superfícies escuras e foscas absorvem a maior parte do que recebe (e, por uma simetria que Kirchhoff demonstrou, também emitem mais quando quentes); superfícies claras, polidas ou espelhadas refletem a maior parte e emitem pouco. A fração refletida chama-se albedo. É por isso que a placa fotovoltaica é escura (item certo de 2024: “devem ser escuras para aumentar a absorção da radiação solar, o que diminui a reflexão”), que telhados brancos combatem as ilhas de calor urbanas (item certo de 2022, que atribuía a esses telhados um albedo maior), que o carro preto esquenta mais ao sol e que o interior da garrafa térmica é espelhado. A física idealiza o caso-limite num objeto chamado corpo negro: uma superfície que não reflete nem transmite nada, absorvendo cem por cento do que incide sobre ela, e cuja emissão depende apenas da própria temperatura. Estrelas se comportam quase assim, e é por isso que a cor de uma estrela revela quão quente ela é; a curva de emissão do corpo negro para três temperaturas já foi impressa duas vezes na 3.ª etapa (2013 e 2021), sempre com a mesma pergunta: quanto maior a temperatura, menor o comprimento de onda do máximo. Certo, nas duas vezes.

Exemplo resolvido (ordens de grandeza da radiação). Quanto uma pessoa irradia? Pele a 33 °C (306 K) num quarto a 20 °C (293 K), área de uns 1,5 m² exposta, emissividade da pele próxima de 1. Emissão líquida por metro quadrado: σ (T4−Tamb4)=5,67×10−8×(3064−2934)=5,67×10−8×(8,77−7,37)×109≈79\sigma\,(T^4 - T_{\text{amb}}^4) = 5{,}67 \times 10^{-8} \times (306^4 - 293^4) = 5{,}67 \times 10^{-8} \times (8{,}77 - 7{,}37) \times 10^{9} \approx 79 W/m². Vezes 1,5 m²: cerca de 120 W, a ordem de grandeza do metabolismo de uma pessoa em repouso. É por isso que uma sala cheia de gente esquenta e que uma câmera térmica enxerga pessoas no escuro. Segundo exemplo, da 2.ª etapa de 2012: a intensidade da radiação solar cai com o quadrado da distância, I=P/(4πd2)I = P/(4\pi d^{2}). Um planeta a 4R4R do Sol recebe 1/161/16 da intensidade que a Terra recebe a RR; para receber a mesma, a potência do Sol teria de ser 16P16P. Terceiro: um filamento levado de 1 500 K a 3 000 K dobra a temperatura e passa a emitir 24=162^4 = 16 vezes mais, com o pico se deslocando de 1,91{,}9 µm (infravermelho) para 0,970{,}97 µm, já na borda do visível: o filamento passa de vermelho-escuro a branco-amarelado.

A garrafa térmica: os três bloqueios num só objeto

A garrafa térmica é a aula inteira em corte. Ela não produz frio nem calor; só atrasa as três formas de troca entre o líquido e o ambiente.

Corte longitudinal de uma garrafa térmica. Uma ampola interna de parede dupla contém o líquido quente; entre as duas paredes da ampola há um espaço marcado como vácuo, que bloqueia condução e convecção; as duas superfícies internas voltadas para o vácuo são espelhadas, com setas de radiação sendo refletidas de volta para o líquido; no topo, uma tampa de plástico ou cortiça fecha a boca e impede a saída do ar quente e do vapor; a ampola se apoia na carcaça externa por poucos pontos de contato, feitos de material isolante, e há uma camada de ar entre a ampola e a carcaça. Legendas apontam cada elemento para o mecanismo que ele bloqueia.
Cada parte da garrafa bloqueia um mecanismo: o vácuo entre as paredes não conduz nem convecciona; as superfícies espelhadas refletem a radiação de volta; a tampa fecha o caminho da convecção e da evaporação; os apoios isolantes reduzem a condução pela estrutura. Nenhuma garrafa é perfeita: por isso o café esfria em algumas horas. Diagrama autoral.
  • Vácuo entre as duas paredes da ampola: sem matéria, não há condução nem convecção. É o bloqueio mais importante.
  • Paredes espelhadas voltadas para o vácuo: a radiação infravermelha que o líquido quente emite é refletida de volta, e a que vem de fora é refletida para fora. Espelho bloqueia radiação, não convecção; um item que atribua à superfície espelhada a função de impedir a convecção está errado.
  • Tampa: fecha a boca da ampola e impede que o ar quente e o vapor escapem por cima, o caminho da convecção e da evaporação.
  • Apoios de material isolante entre a ampola e a carcaça, o menor número e a menor área possíveis: cada ponto de contato é uma ponte de condução.

Ainda assim o café esfria, porque nenhum vácuo é perfeito, a tampa conduz um pouco e os apoios existem. A garrafa multiplica o tempo de troca; não o zera. O mesmo desenho, em escala industrial, é o dos tanques criogênicos de nitrogênio líquido e dos criostatos de laboratório, e a mesma lógica orienta o telescópio espacial James Webb, que trabalha à sombra de um escudo de cinco camadas espelhadas para bloquear a radiação do Sol.

Efeito estufa: transparente ao visível, opaco ao infravermelho

A repartição refletido/absorvido/transmitido não depende só do material: depende também do tipo de radiação. O vidro comum é quase transparente à luz visível e quase opaco ao infravermelho térmico (o de comprimento de onda em torno de 10 µm, que os corpos à temperatura ambiente emitem). Uma estufa de plantas usa isso: a luz do Sol atravessa o vidro e é absorvida pelo solo e pelas plantas, que esquentam e passam a emitir infravermelho; esse infravermelho não atravessa o vidro de volta com a mesma facilidade, é absorvido pelo vidro e parcialmente reemitido para dentro. Além disso, o vidro fecha a estufa e impede que o ar aquecido escape por convecção, o que, nas estufas reais, é uma parcela grande do efeito. O resultado é um interior mais quente que o exterior.

Foi exatamente aí que a prova de 2011 plantou a armadilha, num aquecedor solar feito de latas de alumínio enfileiradas numa caixa de metal pintada de preto e vedada com vidro: “é adequado porque os corpos escuros absorvem a maior parte da radiação neles incidente, e o vidro, por ser bom isolante térmico, evita perdas de calor para o meio externo”. O trecho sobre os corpos escuros está correto; o que derruba o item é a justificativa dada para o vidro. Vidro não é bom isolante térmico (k=0,8k = 0{,}8 W/(m·K), vinte vezes o da lã). O papel que ele cumpre no aquecedor é outro, e triplo: é transparente à luz que chega, fecha a caixa de modo que o ar aquecido não escape, e absorve parte do infravermelho que as latas quentes emitem, devolvendo uma fração para dentro. Explicação errada, item errado.

Esquema do efeito estufa na atmosfera. À esquerda, o Sol emite setas de radiação visível, em tom claro, que atravessam a camada da atmosfera e chegam ao solo; uma parte é refletida de volta ao espaço pelas nuvens e pelo solo, marcada como albedo, cerca de trinta por cento. O solo aquecido emite setas de infravermelho, em tom escuro e ondulado, para cima; uma parte atravessa a atmosfera e escapa ao espaço; outra parte é absorvida por moléculas de gás carbônico, vapor de água e metano desenhadas na camada atmosférica e reemitida em todas as direções, com metade das setas voltando para o solo. Ao lado, um pequeno termômetro compara a temperatura média da Terra sem atmosfera, menos dezoito graus Celsius, e com atmosfera, mais quinze graus Celsius.
A atmosfera, como o vidro da estufa, é transparente ao visível que chega do Sol e parcialmente opaca ao infravermelho que a superfície devolve: CO₂, vapor d'água e metano capturam esse infravermelho (**absorção**) e o devolvem em direções aleatórias (**reemissão**), de modo que uma fração retorna ao solo. Sem esse efeito a Terra teria média de −18 °C; com ele, +15 °C. Diagrama autoral.

A atmosfera faz com a Terra o que o vidro faz com a estufa, com uma diferença importante: na atmosfera não há “tampa” para a convecção, e o que retém o infravermelho são gases específicos. O nitrogênio e o oxigênio, que são 99% do ar, são transparentes ao infravermelho térmico. O vapor d’água, o dióxido de carbono, o metano e o óxido nitroso, presentes em frações pequenas, o absorvem e o reemitem em todas as direções, metade para baixo. O balanço muda: a superfície recebe a luz do Sol e o infravermelho que a atmosfera devolve, e se estabiliza numa temperatura mais alta. Sem atmosfera, a Terra, com o albedo atual de cerca de 0,30, teria temperatura média em torno de −18 °C (255 K); a média real é de cerca de +15 °C (288 K). Os 33 °C de diferença são o efeito estufa natural, e sem ele não haveria água líquida nem vida como a conhecemos.

Efeito estufa natural e sua intensificação

O efeito estufa é um fenômeno natural e necessário: gases minoritários da atmosfera absorvem o infravermelho emitido pela superfície e reemitem parte dele para baixo, mantendo o planeta uns 33 °C mais quente do que estaria sem atmosfera. A intensificação do efeito estufa é outra coisa: a queima de combustíveis fósseis e o desmatamento aumentaram a concentração de CO₂ de cerca de 280 ppm, antes da Revolução Industrial, para mais de 420 ppm hoje, e a de metano também; mais gás absorvedor, mais infravermelho retido, temperatura média em alta e geleiras em recuo. O verbo certo é absorver (e reemitir): dizer que o CO₂ “reflete” a radiação, como fez um item de 2024 com gabarito E, descreve outro fenômeno. E o vapor d’água é gás de efeito estufa, o mais abundante deles: um item de 2025 que o negava também recebeu E. Nada disso tem a ver com a camada de ozônio, que filtra ultravioleta e é um problema ambiental diferente.

Isolar é atrasar, não aquecer

“O casaco esquenta” é uma frase errada que a prova adora. O casaco não é fonte de calor: ele reduz a perda de calor que o próprio corpo produz, uns 100 W em repouso. A lã, as penas, o velo sintético, o isopor e o cobertor funcionam todos do mesmo jeito: aprisionam ar em bolsas minúsculas. O ar tem k=0,026k = 0{,}026 W/(m·K), um dos menores que existem, mas só isola se ficar parado; livre, ele circula e leva o calor por convecção. A fibra existe para impedir a circulação. Por isso um casaco molhado não isola (a água, com kk vinte e três vezes maior, substitui o ar nas bolsas), por isso várias camadas finas aquecem mais que uma grossa (mais interfaces com ar parado) e por isso o edredom de penas, quase todo ar, é tão eficiente.

Casas, janelas e o vento na pele

Uma casa perde calor no inverno (ou ganha no verão) pelo telhado, pelas paredes e, sobretudo, pelas janelas, cujos vidros simples têm resistência térmica quase nula. As soluções são todas leitura da lei de Fourier e do bloqueio da convecção: telhas sobre um forro com uma camada de ar entre eles, paredes duplas com câmara de ar ou lã de vidro, janelas de vidro duplo com ar ou argônio no meio, e cortinas, que criam uma bolsa de ar parado. No frio extremo, o iglu funciona porque a neve compactada é cheia de ar (k≈0,2k \approx 0{,}2 W/(m·K)) e a cúpula fecha a convecção: dentro, com o calor dos ocupantes e de uma lamparina, a temperatura fica dezenas de graus acima da de fora. E o vento? Ele não muda a temperatura do ar, mas troca a camada de ar aquecido que envolve a pele por ar frio, sem parar: convecção forçada. Por isso a sensação térmica cai com o vento, e por isso o ventilador refresca (acelera a convecção e a evaporação do suor) sem esfriar o ar da sala em um décimo de grau.

"O frio entra pela janela"

Frio não é coisa que entra: é ausência relativa de energia térmica. O que acontece na janela aberta é calor saindo, por convecção do ar quente que escapa e do ar frio que entra em seu lugar, e, com a janela fechada, por condução através do vidro (que absorve o infravermelho da sala e o reemite para fora). A frase “fechar a janela para o frio não entrar” funciona na prática e erra na física; num item, o sentido do fluxo é sempre do quente para o frio.

Como ler tabelas, setas e gráficos de fluxo

Os itens de transmissão de calor raramente pedem conta longa; pedem leitura. Um roteiro em cinco passos:

  1. Nomeie o mecanismo pelo critério (matéria parada, matéria em movimento, onda). Quando o enunciado atribui a um mecanismo a descrição que pertence a outro (“se for por convecção, a transferência seria por radiação eletromagnética”, 2023), o julgamento leva dez segundos: errado.
  2. Cheque o sentido das setas: calor vai do quente para o frio. Numa figura com setas de fluxo, a origem é a face de maior temperatura. Numa corrente de convecção, a seta para cima está do lado aquecido.
  3. Localize as quatro grandezas da lei de Fourier e veja qual o item está mexendo: área e ΔT\Delta T no numerador (aumentam o fluxo), espessura no denominador (diminui), kk no numerador (material). Se o item cita massa, calor específico ou temperatura absoluta, desconfie: não são grandezas da fórmula.
  4. Numa tabela de kk, compare ordens de grandeza, não decimais: metal (centenas) ≫ pedra e vidro (unidade) ≫ isolantes (centésimos). Um item que chame vidro de bom isolante, ou que ponha o aço inox perto do cobre, está errado.
  5. Num gráfico T×xT \times x em regime estacionário, a reta indica condução uniforme; a inclinação é o gradiente ΔT/L\Delta T/L, e, para o mesmo fluxo, a camada de menor kk tem inclinação maior (cai mais temperatura em menos espessura). Num gráfico de emissão de corpo negro, a curva de maior temperatura é a mais alta e a que tem o pico mais à esquerda (menor comprimento de onda).

E o item de limiar (“taxa superior a 62,5 W”): faça a conta, compare com o número do item e leia o “superior/inferior” com atenção ao contexto. Em 2023, a conta deu exatamente 62,5 W e o gabarito foi C porque a face fria precisava ficar abaixo de 10 °C, o que exige fluxo maior. A banca não escolhe o número do limiar por acaso.

Como a banca cobra este assunto

Transmissão de calor está na 2.ª etapa desde 2007 e é, com a calorimetria, o assunto mais constante do capítulo de termologia: 2007 (itens 12 e 37), 2011 (94), 2012 (60 e 65), 2013 (103 a 105), 2015 (90), 2016 (99, sensação térmica), 2018 (76), 2022 (59), 2023 (103 a 105) e 2024 (48 e 53). O formato dominante é o tipo A conceitual, decidido por um verbo: absorver ou refletir, conduzir ou irradiar, matéria parada ou em movimento. A conta, quando vem, é a lei de Fourier com unidades em milímetro (2023) ou uma conversão de °F (2012, tipo B, resposta 124). Nas outras etapas o assunto aparece cruzado com outras disciplinas: na 1.ª, o ar quente que sobe (2021) e o CO₂ que retém infravermelho (2025); na 3.ª, a curva do corpo negro e a lei de Wien (2013 e 2021) e a inversão térmica (2024). O texto-base é quase sempre um pretexto (uma obra de arte, uma usina, uma música, uma fibra óptica); o item é a física.

Os erros que a prova planta

  • “O metal é mais frio que a madeira.” Estão à mesma temperatura; o metal drena calor da mão mais depressa porque tem kk maior. Sensação térmica é fluxo, não temperatura. E a causa é a condutividade, não a capacidade térmica (2016).
  • “Para aumentar a condução, aumente a espessura.” A espessura está no denominador: engrossar diminui o fluxo (2023).
  • “O fluxo depende do calor específico do material.” Depende de kk, AA, ΔT\Delta T e LL. Calor específico é outra pergunta (2007).
  • “A transmissão independe da diferença de temperatura.” ΔT\Delta T é o motor: sem diferença, sem fluxo (2018).
  • “No vácuo, a troca é por condução.” No vácuo só há radiação (2015).
  • “Convecção é radiação eletromagnética”, ou qualquer troca de rótulos. Na convecção há fluido se deslocando; na radiação pode não haver matéria nenhuma no caminho (2023).
  • “Convecção ocorre em sólidos.” Não: as partículas de um sólido não circulam.
  • “O ar quente sobe porque a gravidade aponta para cima.” A gravidade aponta para baixo; o ar frio, mais denso, desce e empurra o quente para cima (2021, 1.ª etapa).
  • “Na inversão térmica as camadas baixas estão mais quentes e os poluentes se dispersam mais.” É o contrário duas vezes: camada fria embaixo, convecção travada, poluentes retidos (2024, 3.ª etapa).
  • “Vidro é bom isolante térmico.” k=0,8k = 0{,}8 W/(m·K), vinte vezes o da lã. O vidro da estufa funciona por deixar passar o visível, reter o infravermelho e barrar a convecção (2011).
  • “O CO₂ reflete a radiação.” Absorve e reemite. Refletir é outro fenômeno (2024). E o vapor d’água também é gás de efeito estufa (2025).
  • “Efeito estufa é o problema”; o problema é a intensificação. O efeito natural mantém a Terra 33 °C mais quente e é condição da vida (2021, 1.ª etapa: o derretimento das geleiras é acentuado pela intensificação, item certo).
  • “O casaco esquenta” / “o frio entra”. O casaco reduz a saída do calor do corpo; o frio não entra, o calor sai.
  • “A superfície espelhada da garrafa térmica impede a convecção.” Espelho bloqueia radiação; quem bloqueia convecção é o vácuo e a tampa.
  • “Corpo mais quente emite só em comprimentos de onda menores.” A curva inteira sobe quando TT sobe, em cada comprimento de onda (T4T^4 no total); o que migra para as ondas curtas é apenas a posição do máximo (Wien).

O essencial em meia página

  • Critério: condução = energia passa por matéria parada (sólidos; metais pelos elétrons livres); convecção = matéria se move (só fluidos; quente sobe porque fica menos denso); radiação = onda eletromagnética, sem meio (única no vácuo). Sentido sempre do quente para o frio.
  • Lei de Fourier: Φ=kA ΔT/L\Phi = kA\,\Delta T/L em watts, regime estacionário, perfil T×xT \times x linear. Área e ΔT\Delta T multiplicam; espessura divide; kk é do material. Não entram massa, calor específico nem temperatura absoluta. Camadas em série: R=L/(kA)R = L/(kA) somam; a camada de ar manda.
  • Tabela de kk (W/(m·K)): cobre 400 · alumínio 240 · aço 50 · inox 15 · gelo 2,2 · concreto 1 · vidro 0,8 · tijolo 0,7 · água 0,6 · madeira 0,15 · lã 0,04 · isopor 0,03 · ar parado 0,026 · vácuo 0. Cobre/ar ≈ 15 000; vidro/lã = 20.
  • Contas da banca: parede de concreto 20 cm, 1 m², ΔT\Delta T 20 → 100 W; isopor 5 cm → 12 W. Fotoemissor 2023: 250×25×10−6×15/1,5×10−3=62,5250 \times 25 \times 10^{-6} \times 15/1{,}5 \times 10^{-3} = 62{,}5 W (C, “superior a”). Tanque 2012: L=0,12×18,84×550/10 000=124L = 0{,}12 \times 18{,}84 \times 550/10\,000 = 124 mm.
  • Sensação térmica é fluxo: metal e madeira à mesma temperatura; o metal parece frio porque drena calor mais rápido (kk), não por capacidade térmica (2016/99 E). Bastões 2013: primeira esfera a cair = maior kk.
  • Convecção: aquecedor embaixo, ar-condicionado em cima, congelador em cima; brisa marítima do mar para a terra de dia (areia esquenta antes); gravidade não inverte (2021/30 E); inversão térmica = camada fria embaixo, sem convecção, poluição retida (2024/44 E); vento e ventilador = convecção forçada; não existe em sólidos nem no vácuo.
  • Radiação: todo corpo emite; P=σεAT4P = \sigma\varepsilon AT^4 (dobrar TT → 16×); Wien λmax⁡T=2,9×10−3\lambda_{\max}T = 2{,}9 \times 10^{-3} m·K (Sol 500 nm; corpo humano 9,4 µm); escuro/fosco absorve e emite mais, claro/espelhado reflete (albedo); placa solar escura (2024/48 C), telhado branco (2022/59 C); intensidade ∝1/d2\propto 1/d^2 (2012/83: 4R4R → 16P16P); pessoa irradia ~100 W; vácuo → só radiação (2015/90 E).
  • Garrafa térmica: vácuo bloqueia condução e convecção; espelho bloqueia radiação; tampa bloqueia convecção e evaporação; apoios isolantes. Atrasa, não zera.
  • Efeito estufa: vidro e atmosfera transparentes ao visível, opacos ao infravermelho térmico (~10 µm); CO₂, vapor d’água, metano absorvem e reemitem (não refletem: 2024/53 E; vapor é gás estufa: 2025/52 E); N₂ e O₂ não. Natural: −18 °C → +15 °C (+33 °C). Intensificação: 280 → 420+ ppm de CO₂. Vidro não é isolante (2011/94 E). Ozônio é outro assunto.
  • Isolamento: isolante = ar parado aprisionado (lã, penas, isopor, cobertor); casaco não esquenta, reduz a perda; molhado não isola; camadas; vidro duplo; frio não entra, calor sai.
  • Leitura: nomeie o mecanismo, cheque o sentido das setas, localize as quatro grandezas, compare ordens de grandeza de kk, leia inclinação em T×xT \times x e posição do pico na curva de corpo negro; no limiar, faça a conta e leia o “superior/inferior” no contexto.
  • Vizinhos: temperatura, equilíbrio e escalas em temperatura e calor; Q=mc ΔTQ = mc\,\Delta T em calorimetria; calor latente e evaporação em mudanças de estado físico; densidade e empuxo em hidrostática; espectro e infravermelho em ondas eletromagnéticas; o tamanho que cresce em dilatação térmica.

Exercícios temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.

Flashcards temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar os cartões de revisão.

Propagação de calor: Condução, convecção e radiação
Frequência Cortes · 14:22
Introdução. Aula 24 de Física do Ensino Médio do programa de educação da Fundação Roberto Marinho (teleaula), 14 minutos; a descrição anuncia o roteiro: “Alguns materiais são condutores de calor; outros, ao contrário, são isolantes. Você vai conhecer as formas de propagação de calor, chamadas de condução, convecção e radiação.” É a seção “Três caminhos, um só sentido” e a tabela de condutores e isolantes desta página, com cenas do cotidiano. Assista antes de ler, para chegar ao critério de distinção com os três nomes já no lugar.
PROPAGAÇÃO DE CALOR - CONVECÇÃO E IRRADIAÇÃO - TERMOLOGIA - Aula 11 - Prof. Boaro
Professor Boaro · 23:35
Aprofundamento. Aula 11 da playlist de termologia do canal, 23 minutos; a descrição registra o conteúdo: “discuto em detalhes com vcs os conceitos fundamentais de CONVECÇÃO e IRRADIAÇÃO”. Cobre as seções “Convecção: o fluido leva a energia consigo” e “Radiação: energia que viaja sem meio” desta página: densidade e empuxo, aquecedor embaixo e ar-condicionado em cima, brisa marítima, cor e absorção, vácuo. Veja depois de ler a lei de Fourier, para fechar os dois mecanismos que não têm fórmula na prova mas decidem a maior parte dos itens conceituais.
Física em Foco - Garrafa Térmica
Central de Concursos · 4:32
Aplicação. Vídeo curto, 4 minutos e meio, em que, segundo a descrição, o professor Marcelo Lanfranchi responde “Como funciona uma garrafa térmica?”: parede dupla com vácuo, superfícies espelhadas e tampa, cada uma contra um mecanismo. É a seção “A garrafa térmica: os três bloqueios num só objeto” desta página, o cenário que a banca usa para trocar a função das partes (espelho contra radiação, vácuo contra condução e convecção). Bom para ver o objeto real depois do diagrama em corte.
Lei de Fourier + 3 Exercícios Clássicos | Condução Térmica
Física e Exercício · 25:18
Resolução. Aula de 25 minutos com, segundo a descrição do autor, “abordagem teórica da Lei de Fourier + resolução passo a passo de 3 exercícios clássicos de física para aplicar a lei de Fourier na transferência de calor através do mecanismo de condução térmica”, exercícios “comumente abordados nos livros didáticos de física do ensino médio e do ensino superior”. Use como treino de conta e de unidade depois da seção “A lei de Fourier: quatro grandezas e uma fração” e dos exemplos do fotoemissor (62,5 W) e do tanque de sal (124 mm): os erros que a banca planta (espessura no numerador, mm² tratado como 10⁻³ m², °F sem converter) aparecem em problemas trabalhados passo a passo.
Rota PAS 2
Termologia: temperatura, calor e calorimetria · PAS 2

Fontes desta página

Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.

  • Rota PAS 2 — Termologia: temperatura, calor e calorimetria · Antes de começar: dez minutos de aquecimento (ideia 4, potência é energia por segundo; quadro O que cai daqui, linha Condução, convecção e radiação; radar do capítulo); Condução, convecção e radiação: por onde o calor viaja (conceito com Φ = kAΔT/e e tabela de símbolos, exemplo das paredes de tijolo e lã de vidro, Na prova com os itens 2023/103–105, 2013/103–105, 2012/60, 2015/90, 2007/37, 2024/48, 2022/59, 2011/94 e 2007/12, armadilha dos nomes trocados e do casaco, checagem); Como a banca cobra (histórico de transmissão de calor, itens 2018/76 e 2023/105); Resolvidos — A maçaneta gelada; Síntese (parágrafo Transmissão); Banco de treino (T17 garrafa térmica, T19 brisa marítima)

    Recorte por assunto: os três mecanismos com o critério de distinção, a lei de Fourier com a tabela de condutividades, os itens reais e as armadilhas. A página acrescenta o mecanismo microscópico da condução (rede e elétrons livres), a tabela ampliada de k em escala logarítmica, a resistência térmica de camadas em série e a janela de vidro duplo, o item tipo B do tanque de sal (2012/65, com a conversão de °F), a convecção natural e forçada com brisa marítima e inversão térmica, a lei de Stefan–Boltzmann e a lei de Wien em nível qualitativo com a estimativa da radiação do corpo humano, a garrafa térmica em corte, o efeito estufa natural e sua intensificação com os números da Terra (−18 °C → +15 °C, 280 → 420 ppm), o isolamento de casas e roupas e a leitura de tabelas e gráficos, ausentes do capítulo. Temperatura e escalas, dilatação, calorimetria e mudanças de fase do mesmo capítulo ficam nas páginas vizinhas.

  • Rota PAS 2 — Óptica e luz: interação luz-matéria (albedo e efeito estufa) · Conceito refletida + absorvida + transmitida = 1, albedo, vidro e atmosfera transparentes ao visível e opacos ao infravermelho; exemplo da laje branca, da telha e da placa fotovoltaica; Como a banca cobra (itens 2024/48 e 2024/53)

    Usado para a seção sobre cor, albedo e efeito estufa e para o julgamento 'absorver, não refletir' do item 2024/53.

  • Rota PAS 3 — Física moderna: radiação térmica e a lei de Wien · Radiação térmica e a lei de Wien: a cor do que está quente (conceito λ_max T = 2,9 × 10⁻³ m·K, menção a Stefan–Boltzmann, corpo negro; itens PAS 3 2013/107 e 2021/94; armadilha pico × total)

    Fonte das leituras qualitativas de corpo negro e da lei de Wien e dos dois itens da 3.ª etapa com o gráfico de emissão para três temperaturas.

  • Cadernos oficiais do PAS/UnB (Cebraspe) · PAS 2: 2007 (itens 12 e 37), 2011 (94), 2012 (60, 65 e 83), 2013 (103 a 105), 2015 (90), 2016 (99), 2018 (76), 2022 (59), 2023 (103 a 105), 2024 (48 e 53); PAS 1: 2021 (30 e 34), 2025 (52 e 53); PAS 3: 2013 (107), 2021 (94), 2024 (44)

    Itens reais reproduzidos verbatim, com textos-base como impressos e figuras descritas de forma neutra; gabaritos conferidos nos arquivos AAAA-PASn-GAB.txt e as páginas com figura conferidas nas imagens dos PDFs em utils/material/PAS/provas/ (2007 p. 5, 2011 p. 16, 2012 p. 12, 2013 PAS 2 p. 15, 2013 PAS 3 p. 15, 2022 p. 9, 2023 p. 15, 2021 PAS 3 Parte 2 p. 11). O tipo B 2012/65 foi refeito: 124 mm.

  • Classificação editorial dos itens do PAS (2005–2025) · Itens com tema de transmissão de calor, radiação térmica, efeito estufa e convecção: 2007.json (12, 37), 2011.json (94), 2012.json (60, 65, 83), 2013.json (103, 104, 105), 2015.json (90), 2016.json (99), 2018.json (76), 2022.json (59), 2023.json (103, 104, 105), 2024.json (48, 53); e, nas pastas irmãs classificacao/ (PAS 1: 2021/30, 2025/53) e classificacao-pas3/ (2013/107, 2021/94, 2024/44)

    Usada para localizar os itens e confirmar tipo, gabarito e contexto (figura, texto-base, obra do PAS).