Tecidos humanos

Guia de estudo · Revisado em 02/10/2026

BNCC · EM13CNT202BNCC · EM13CNT207

Um arranhão de unha arde mas não sangra; um corte de papel, meio milímetro mais fundo, sangra e dói; o ombro queimado de sol descama uma semana depois; uma cartilagem de joelho lesada demora meses para se refazer, e um osso quebrado solda em semanas. Em poucos milímetros de pele estão os quatro tecidos de que todo órgão é feito. Como reconhecer cada um pela organização das células e pela matriz entre elas, e por que o serviço de um órgão sai dessa combinação?

O que você vai aprender

  • Situar célula, tecido, órgão e sistema na escada de níveis e explicar por que a pele é um órgão e a epiderme, um tecido.
  • Identificar os quatro tecidos básicos pela organização das células, pela quantidade de matriz extracelular e pela presença de vasos, aplicando a regra de que a forma segue a função.
  • Classificar um epitélio de revestimento pelo número de camadas e pela forma das células superficiais, reconhecendo o pseudoestratificado, o queratinizado e o de transição, e explicar polaridade, lâmina basal, avascularidade e renovação.
  • Distinguir junção oclusiva, desmossomo, hemidesmossomo e junção comunicante pelo serviço de cada uma, e julgar frases que trocam estrutura e função, como o item 111 do PAS 3 de 2023.
  • Diferenciar glândulas exócrinas, endócrinas e mistas pelo destino da secreção, e descrever a célula caliciforme e o par muco e cílios do epitélio respiratório.
  • Descrever a matriz do tecido conjuntivo (fibras colágenas, elásticas e reticulares; substância fundamental) e distinguir frouxo, denso modelado e não modelado, adiposo, cartilaginoso (hialina, elástica, fibrosa) e ósseo, explicando por que a cartilagem regenera mal e o osso é um tecido vivo em remodelação.
  • Caracterizar o sangue como conjuntivo de matriz líquida, descrever hemácias, leucócitos (granulócitos e agranulócitos) e plaquetas, e fazer contas de hemograma: hematócrito, conversão entre microlitro e litro, renovação diária de hemácias.
  • Comparar os músculos estriado esquelético, estriado cardíaco e liso por estriações, número e posição dos núcleos, controle, localização e capacidade de regeneração, sem confundir estriado com voluntário.
  • Descrever a estrutura do neurônio (dendritos, corpo celular, axônio, bainha de mielina e nódulos) e as funções das células da glia, deixando a fisiologia do impulso para a página de sistema nervoso.
  • Descrever epiderme (camadas e os quatro tipos celulares), derme e hipoderme, com os anexos, e relacionar cada função da pele (barreira, termorregulação, sensação, vitamina D, defesa) à estrutura responsável, como nos itens 112 de 2023 e 39 de 2025 do PAS 3.
  • Explicar queimaduras por grau e pela regra dos nove, o câncer de pele não melanoma e o melanoma com os números do INCA, e a diferença entre regeneração e reparo por cicatriz.
  • Aplicar as cinco perguntas de leitura de uma micrografia ou de um esquema para identificar o tecido e a estrutura apontada sem confundir localização com identidade.

Um arranhão de unha no antebraço arde, mas não sangra. Um corte de papel, meio milímetro mais fundo, sangra e dói. Uma tarde de sol forte em Brasília deixa o ombro vermelho e quente, e uma semana depois a pele descama em lâminas finas. Um tornozelo torcido incha em minutos; uma cartilagem de joelho lesada demora meses para se refazer, e às vezes não se refaz. Um osso quebrado, ao contrário, solda em semanas e volta a aguentar o peso do corpo. Cada uma dessas cenas é um tecido respondendo do seu jeito: o arranhão ficou na epiderme, que não tem vasos; o corte chegou à derme, onde estão os capilares e as terminações nervosas; o sol matou células da base da epiderme, e o descamar é a reposição delas; a cartilagem não tem vasos e se repara devagar; o osso é um tecido vivo, irrigado e em reforma permanente. Em poucos milímetros de pele cabem os quatro materiais de que todo órgão do corpo é feito, e saber reconhecer cada um pela organização das células e pela matriz que fica entre elas é o que esta página ensina.

A página começa pela escada célula, tecido, órgão e sistema e pela regra que organiza tudo: a forma de um tecido segue a sua função. Depois percorre os quatro tecidos pelo traço que identifica cada um: o epitelial, de células justapostas e sem vasos, que reveste e forma glândulas; o conjuntivo, de células espalhadas numa matriz abundante, que pode ser fibrosa, gordurosa, firme, mineralizada ou líquida, e por isso inclui tendão, gordura, cartilagem, osso e sangue; o muscular, de células que encurtam, em três versões; e o nervoso, de neurônios e células da glia. Dedica uma seção ao sangue com os números do hemograma, outra à pele como o órgão em que os quatro tecidos se veem ao mesmo tempo, com suas funções, suas lesões e o câncer de pele, e outra à renovação dos tecidos e às células-tronco. Termina com um método para ler uma micrografia ou um esquema em cinco perguntas, os itens reais do PAS comentados e os erros que a prova planta. O que cada sistema faz com esses tecidos fica nas páginas próprias: a condução do impulso e a sinapse em sistema nervoso, os hormônios em sistema endócrino, o coração e os vasos em sistema cardiovascular, as trocas gasosas em sistema respiratório, a digestão em sistema digestório e a defesa com memória em vacinas e soros. A célula por dentro está em organelas celulares; a divisão que renova os tecidos, em mitose e meiose; as células-tronco e o câncer, em núcleo e ciclo celular; o colágeno e a queratina como proteínas, em proteínas e enzimas.

Quatro materiais bastam para montar qualquer órgão

O corpo é uma escada de quatro degraus. A célula é a unidade viva: um queratinócito da pele, uma fibra muscular, um neurônio. Células parecidas, que se diferenciaram do mesmo modo e trabalham juntas na mesma tarefa, formam um tecido, e o tecido inclui o que essas células produzem e depositam entre si. Tecidos diferentes montados numa estrutura com função própria formam um órgão: o estômago tem um forro que secreta (epitelial), uma parede que contrai (muscular), nervos que coordenam (nervoso) e uma armação com vasos que sustenta e irriga tudo (conjuntivo). Órgãos que cooperam numa função grande formam um sistema: boca, esôfago, estômago, intestinos, fígado e pâncreas são o sistema digestório. Quando um item diz que a pele é um órgão, está no terceiro degrau; quando diz sistema imunológico, está no quarto. A escada continua para cima, de organismo a população e ecossistema, em níveis de organização, e começa, para baixo, na teoria celular.

A histologia, o estudo dos tecidos, reconhece nos animais quatro tecidos básicos: epitelial, conjuntivo, muscular e nervoso. Todo órgão é uma combinação deles. O que separa um tecido do outro não é a função isolada, porque proteger, por exemplo, é serviço tanto da epiderme (epitélio) quanto do osso do crânio (conjuntivo). O que separa é a organização: como as células estão dispostas, quanto material existe entre elas, se há vasos, se as células têm uma forma e uma especialização reconhecíveis. Essa organização obedece a uma regra única, válida para toda a página: a forma segue a função. Um tecido que precisa barrar a passagem de substâncias tem células coladas umas às outras; um tecido que precisa resistir a tração tem fibras de colágeno alinhadas; um tecido que precisa encurtar tem células cheias de proteínas contráteis; um tecido que precisa transmitir sinal a distância tem células com prolongamentos longos. Ler um tecido é ler a forma e deduzir o serviço.

tecido como as células estão matriz extracelular vasos serviço exemplos
epitelial justapostas, em lâminas ou em glândulas, apoiadas numa lâmina basal quase nenhuma não (avascular) reveste, protege, absorve, secreta epiderme, forro do intestino, glândulas
conjuntivo espalhadas, afastadas umas das outras abundante: fibras e substância fundamental, que pode ser gel, mineral ou líquida sim, em regra (cartilagem é exceção) sustenta, preenche, une, defende, transporta, armazena derme, tendão, gordura, cartilagem, osso, sangue
muscular alongadas, cheias de actina e miosina pouca, com conjuntivo em volta das fibras sim, muito contrai e gera força e calor músculo do bíceps, parede do coração, parede do intestino
nervoso com prolongamentos longos, acompanhadas pela glia pouca sim recebe, integra e transmite sinais encéfalo, medula espinhal, nervos
Tecido, matriz extracelular e a pergunta que decide

A matriz extracelular é tudo o que fica entre as células de um tecido: fibras de proteína (colágeno, elastina), um gel de açúcares e proteínas (a substância fundamental), minerais (no osso) ou um líquido (no sangue). As células a produzem e a ela se prendem. A pergunta que abre qualquer classificação é a quantidade de matriz: quase nenhuma, com células coladas, é epitélio; muita, com células espalhadas, é conjuntivo. Pouca matriz não significa nenhuma: entre as células de um epitélio há uma fina camada de adesão, e entre as fibras musculares há conjuntivo. E muita matriz não significa que as células estejam sempre distantes: no tecido adiposo, os adipócitos ficam quase encostados, e ele continua conjuntivo, porque tem fibras e vasos entre as células e porque nasce da mesma origem embrionária dos outros conjuntivos, o mesoderma. O critério é o conjunto da organização, não uma única pista.

Quadro com quatro painéis, um para cada tecido básico. Epitelial: fileira de células azuis justapostas sobre uma linha que representa a lâmina basal, sem vasos. Conjuntivo: poucas células laranja espalhadas entre fibras onduladas, com um vaso vermelho atravessando. Muscular: fibras alongadas vermelhas com estriações e núcleos na periferia. Nervoso: neurônio roxo com corpo celular, dendritos ramificados e um axônio longo, acompanhado de pequenas células da glia. Em cada painel, a legenda indica quanta matriz há, se há vasos e qual é o serviço.
Os quatro tecidos pelo traço que decide a etiqueta. Células coladas e sem vasos: epitelial. Células espalhadas numa matriz abundante: conjuntivo. Células alongadas e contráteis: muscular. Células com prolongamentos longos: nervoso. A quantidade de matriz é a primeira pergunta; a forma das células, a segunda. Esquema fora de escala. Diagrama autoral.

Os quatro tecidos nascem dos três folhetos do embrião. O ectoderma forma a epiderme e o sistema nervoso; o mesoderma forma os conjuntivos (incluindo osso e sangue) e os músculos; o endoderma forma o revestimento do tubo digestório e das glândulas anexas. O epitélio é o único dos quatro que pode vir de qualquer um dos três folhetos, porque revestir é um serviço de que todo órgão precisa. Essa origem explica uma curiosidade útil na prova: a derme e a hipoderme (conjuntivos) e os músculos eretores do pelo (muscular) são do mesoderma, enquanto a epiderme que fica logo acima deles é do ectoderma. Um órgão é sempre uma montagem de tecidos de origens diferentes.

Tecido epitelial: células coladas, sem vasos, com um lado para fora

O epitélio é o tecido das superfícies. Reveste tudo o que dá para o mundo exterior (a pele, o forro da boca, do nariz, dos pulmões, do tubo digestório, da bexiga) e tudo o que dá para dentro de um vaso ou de uma cavidade (o interior do coração e dos vasos, as membranas que envolvem pulmões e intestinos). E forma as glândulas, que são epitélios dobrados para dentro e especializados em secretar. Cinco traços o identificam.

Células justapostas. As células estão coladas umas às outras, com quase nenhuma matriz entre elas, presas por junções. É o traço que separa o epitélio de todos os outros tecidos à primeira vista.

Apoio numa lâmina basal. A lâmina basal é uma camada fina de proteínas e açúcares, produzida pelas próprias células epiteliais, que separa o epitélio do conjuntivo que fica embaixo e o prende a ele. Não é uma fileira de células: é matriz. Junto com uma camada produzida pelo conjuntivo, forma a membrana basal.

Polaridade. Toda célula epitelial tem um lado apical, voltado para a superfície livre ou para o interior do órgão, e um lado basal, voltado para a lâmina basal. Os dois lados são diferentes: as microvilosidades que absorvem nutrientes no intestino e os cílios que varrem o muco nas vias respiratórias ficam no lado apical; as junções que prendem a célula à lâmina basal ficam no lado basal.

Avascular. Nenhum vaso sanguíneo atravessa a lâmina basal. Oxigênio e nutrientes chegam por difusão a partir dos capilares do conjuntivo vizinho, e é por isso que um epitélio nunca é muito espesso e que um arranhão só na epiderme não sangra. Os epitélios têm, em compensação, terminações nervosas.

Renovação alta. Como as células da superfície se desgastam, descamam ou morrem, a camada basal se divide por mitose o tempo todo. A epiderme se renova em cerca de quatro semanas; o forro do intestino, em poucos dias. Essa renovação é o conteúdo do item 50 do PAS 1 de 2014 (células epiteliais em envelhecimento substituídas por mitose) e está detalhada em mitose e meiose.

Três junções, três serviços

As células epiteliais se prendem por estruturas de membrana com funções distintas, e a prova cobra exatamente a dupla estrutura e serviço. A junção oclusiva (ou de oclusão) é um cinto que sela o espaço entre células vizinhas perto do lado apical: nada passa entre as células, só através delas. É o que faz do forro do intestino uma barreira seletiva e da bexiga um reservatório que não vaza. O desmossomo é uma placa de adesão: proteínas de uma célula se enlaçam com as da vizinha, e filamentos de queratina ancoram a placa por dentro. Serve para resistir a tração e atrito, e por isso é abundante na epiderme e no músculo cardíaco. O hemidesmossomo é metade de um desmossomo, e prende a célula à lâmina basal. A junção comunicante (gap) é um canal entre os citoplasmas de duas células, por onde passam íons e moléculas pequenas: é o que faz as células do coração baterem juntas. Oclusiva veda; desmossomo adere; comunicante conecta.

Duas células epiteliais lado a lado, em corte, apoiadas numa lâmina basal. Entre elas, de cima para baixo: uma junção oclusiva desenhada como um cinto que fecha a fenda perto do lado apical, com uma seta barrada indicando que nada passa entre as células; um desmossomo desenhado como duas placas unidas por filamentos, com filamentos de queratina ancorados dentro de cada célula; e uma junção comunicante desenhada como canais que ligam os dois citoplasmas, com uma seta de íons passando. Na base, hemidesmossomos prendem as células à lâmina basal. Cada junção tem o seu verbo: veda, adere, conecta.
Cada junção tem um serviço. A oclusiva veda o espaço entre as células; o desmossomo adere uma célula à outra contra a tração; a junção comunicante conecta os citoplasmas; o hemidesmossomo prende à lâmina basal. O item 111 do PAS 3 de 2023 deu ao desmossomo o serviço da oclusiva (bloquear o transporte entre células) e foi marcado errado. Esquema fora de escala. Diagrama autoral.

Classificar um epitélio de revestimento: camadas e forma

A classificação escolar cruza duas perguntas. Quantas camadas de células há entre a lâmina basal e a superfície: uma só é simples; duas ou mais é estratificado. Que forma têm as células da camada superficial: achatadas são pavimentosas (ou escamosas); tão altas quanto largas são cúbicas; mais altas que largas são colunares (ou prismáticas). O nome junta as duas respostas, e a forma segue a função.

epitélio onde está o que a forma permite
simples pavimentoso alvéolos pulmonares, forro dos vasos (endotélio), cápsula dos glomérulos renais camada finíssima: difusão e filtração rápidas
simples cúbico túbulos renais, ductos de glândulas, superfície do ovário células com citoplasma suficiente para secretar e absorver
simples colunar estômago e intestinos (com microvilosidades e células caliciformes) absorção e secreção em grande escala
pseudoestratificado colunar ciliado traqueia e brônquios, com células caliciformes cílios varrem o muco com partículas e microrganismos para a faringe
estratificado pavimentoso não queratinizado boca, esôfago, vagina resiste a atrito em superfície úmida
estratificado pavimentoso queratinizado epiderme resiste a atrito e seca, impermeabiliza, barra microrganismos
de transição bexiga e ureteres muda de forma quando a bexiga enche

Duas armadilhas de leitura. No epitélio pseudoestratificado, os núcleos aparecem em alturas diferentes e sugerem várias camadas, mas todas as células tocam a lâmina basal: é simples, com células de alturas diferentes. Contar fileiras de núcleos não é contar camadas. E queratinizado descreve a camada superficial de células mortas e cheias de queratina, não o tecido inteiro: na epiderme, as camadas profundas estão vivas e se dividindo.

Grade de seis quadros em duas linhas e três colunas, cada um com células desenhadas em corte sobre uma linha de lâmina basal. Linha de cima, epitélios simples: pavimentoso, com células achatadas; cúbico, com células quadradas; colunar, com células altas e microvilosidades no topo. Linha de baixo, epitélios estratificados: pavimentoso não queratinizado, com várias camadas e células achatadas vivas na superfície; pavimentoso queratinizado, com uma camada superficial de escamas mortas sem núcleo; e, no último quadro, um pseudoestratificado ciliado, com núcleos em alturas diferentes mas todas as células tocando a base, cílios no topo e uma célula caliciforme. Cada quadro traz um exemplo de localização.
Duas perguntas classificam qualquer epitélio de revestimento: quantas camadas (simples ou estratificado) e que forma tem a célula da superfície (pavimentosa, cúbica ou colunar). O pseudoestratificado parece ter camadas, mas todas as células tocam a lâmina basal. No queratinizado, só a superfície é morta. Esquema fora de escala. Diagrama autoral.

Epitélio glandular: a secreção sai por um duto ou vai para o sangue

Uma glândula é um epitélio especializado em produzir e liberar substâncias. A distinção que a prova cobra é o destino da secreção. A glândula exócrina lança o produto numa superfície ou numa cavidade, quase sempre por um duto: as sudoríparas despejam suor na superfície da pele; as sebáceas, a oleosidade no folículo do pelo; as salivares, a saliva na boca; as mamárias, o leite; as glândulas do estômago, o suco gástrico; o pâncreas, as enzimas digestivas no intestino. A glândula endócrina não tem duto: libera hormônios no líquido entre as células, de onde eles passam aos capilares e viajam pelo sangue até as células que têm receptor para eles. Tireoide, hipófise, suprarrenais e as ilhotas do pâncreas são endócrinas; o que cada hormônio faz está em sistema endócrino. O pâncreas é glândula mista: exócrino nos ácinos que fabricam enzimas, endócrino nas ilhotas que fabricam insulina e glucagon. Muitos livros escolares tratam o fígado também como misto (bile por duto; glicose e proteínas do plasma direto para o sangue), embora esses produtos não sejam hormônios. Uma glândula endócrina com duto não existe; a frase que lhe atribui um é errada.

A glândula mais simples é uma célula só: a célula caliciforme, espalhada entre as células do intestino e das vias respiratórias, produz e libera muco direto na superfície, sem duto. Por dentro, ela é o retrato de uma célula secretora: retículo rugoso e complexo de Golgi desenvolvidos, vesículas de secreção acumuladas no lado apical. A lógica dessas organelas, e por que retículo rugoso e Golgi desenvolvidos denunciam uma célula secretora, está em organelas celulares. No epitélio respiratório, caliciformes e células ciliadas trabalham em dupla: o muco prende poeira e microrganismos, e os cílios o empurram até a faringe, onde é engolido. É o mecanismo que o item 42 do PAS 3 de 2024 trocou por peristaltismo, e o que a poluição do ar e a fumaça do cigarro paralisam; o resto fica em sistema respiratório.

Quatro glândulas da pele e do leite

As sudoríparas são tubos enovelados na derme com um duto que sobe até a superfície. As écrinas, espalhadas pelo corpo todo e muito densas nas palmas, plantas e testa, produzem o suor aquoso que resfria o corpo ao evaporar; as apócrinas, nas axilas e na virilha, desembocam nos folículos dos pelos e só funcionam a partir da puberdade. O cheiro do suor vem das bactérias que o decompõem, não do suor em si. As sebáceas ficam presas aos folículos dos pelos e liberam o sebo, uma mistura oleosa que lubrifica pele e cabelo e os impermeabiliza; ficam mais ativas na puberdade, e o folículo entupido de sebo é a base da acne. As mamárias são sudoríparas modificadas que produzem leite sob comando hormonal. As salivares produzem a saliva, com água, muco e a amilase que começa a digerir o amido na boca. Todas são exócrinas: produto por duto, para fora.

Tecido conjuntivo: poucas células, muita matriz, e a matriz decide tudo

O conjuntivo é o oposto exato do epitélio: células espalhadas, afastadas umas das outras, numa matriz extracelular abundante que as próprias células fabricam. É o tecido que une os outros (prende a epiderme ao músculo, o músculo ao osso), que sustenta (cartilagem, osso), que preenche os espaços, que defende (nele circulam as células do sistema imune), que transporta (sangue) e que armazena (gordura). Como a matriz pode ser mole, fibrosa, firme, mineralizada ou líquida, o conjuntivo é o tecido mais variado dos quatro, e tudo o que o sangue, o tendão, a cartilagem e o osso têm em comum é o padrão de células espalhadas em matriz. A matriz tem dois componentes.

Fibras. As colágenas são as mais abundantes: feixes de colágeno, a proteína mais comum do corpo, resistentes a tração como cordas. Estão no tendão, na derme, no osso, na cartilagem. As elásticas, de elastina, esticam e voltam: ficam na parede das artérias, no pulmão, na orelha externa, na pele jovem. As reticulares são colágeno fino em rede, que serve de armação para órgãos moles como fígado, baço, linfonodos e medula óssea. A vitamina C é necessária para que o colágeno adquira a forma final, e a sua falta, o escorbuto, enfraquece gengivas, vasos e a cicatrização; o colágeno e a queratina como proteínas estruturais estão em proteínas e enzimas.

Substância fundamental. Um gel de água, açúcares longos e proteínas que preenche o espaço entre as fibras, deixa passar nutrientes por difusão e funciona como amortecedor. No osso, esse gel é substituído por minerais; no sangue, por um líquido, o plasma.

As células mais comuns são os fibroblastos, que fabricam as fibras e a substância fundamental; é por eles que uma cicatriz se forma. Junto deles vivem adipócitos (armazenam gordura), macrófagos (fagocitam invasores e restos), mastócitos (liberam histamina na alergia e na inflamação), plasmócitos (produzem anticorpos) e leucócitos de passagem. Na cartilagem, as células se chamam condrócitos; no osso, osteócitos. O sufixo -blasto indica a célula jovem que fabrica matriz (fibroblasto, condroblasto, osteoblasto); -cito, a célula madura cercada por ela.

Mapa em árvore dos tecidos conjuntivos. No alto, o tronco conjuntivo, com a legenda células espalhadas e matriz abundante. Dele saem três ramos. Propriamente dito: frouxo, com fibras soltas e muitas células, e denso, modelado como no tendão, com fibras paralelas, e não modelado como na derme, com fibras em todas as direções. De sustentação: cartilaginoso, matriz firme e sem vasos, nos tipos hialina, elástica e fibrosa, e ósseo, matriz mineralizada com vasos. Especiais: adiposo, com adipócitos cheios de gordura, e sanguíneo, com matriz líquida, o plasma, e hemácias, leucócitos e plaquetas. Em cada folha da árvore, um exemplo e a palavra que descreve a matriz.
Uma família, uma regra: células espalhadas numa matriz que as próprias células produzem. O que muda de um ramo para outro é a matriz: fibrosa e solta no frouxo, fibrosa e densa no tendão e na derme, firme na cartilagem, mineralizada no osso, gordurosa no adiposo, líquida no sangue. Esquema fora de escala. Diagrama autoral.

Propriamente dito: frouxo e denso

O conjuntivo frouxo tem fibras soltas, muita substância fundamental e muitas células: preenche espaços, acompanha os vasos e fica logo abaixo de todo epitélio, trazendo os capilares que o nutrem. É onde acontece a inflamação: os vasos dilatam, líquido e leucócitos saem para a matriz, e a região incha, esquenta e dói. O conjuntivo denso tem feixes grossos de colágeno e poucas células. Quando as fibras correm paralelas, ele é denso modelado e resiste a tração numa só direção: tendões (músculo a osso) e ligamentos (osso a osso). Quando as fibras se cruzam em todas as direções, é denso não modelado e resiste a tração em qualquer sentido: a derme, a cápsula dos órgãos. Tendões e ligamentos têm pouca irrigação e cicatrizam devagar, o que explica por que uma lesão de tendão incomoda por meses.

Adiposo: reserva, isolamento e um hormônio

O tecido adiposo é conjuntivo em que a maior parte do volume são adipócitos, células quase totalmente ocupadas por uma gota de gordura que empurra o núcleo para a borda. Armazena energia na forma mais compacta que existe (os lipídios rendem mais do que o dobro da energia dos carboidratos por grama, em lipídios), isola contra o frio e amortece: forma a hipoderme, envolve rins e coração, acolchoa as palmas e as plantas. Também é um órgão endócrino: os adipócitos secretam leptina, hormônio que circula em quantidade proporcional à gordura corporal e sinaliza ao encéfalo saciedade, de modo que o corpo sabe quanto estoque tem. Recém-nascidos e mamíferos que hibernam têm gordura marrom, de adipócitos com muitas mitocôndrias que queimam lipídio para produzir calor em vez de ATP, descrita em respiração celular.

Cartilaginoso: firme, sem vasos, e por isso lento para se refazer

A cartilagem tem matriz firme e elástica, rica em colágeno e em açúcares que retêm água, e condrócitos presos em cavidades chamadas lacunas. É avascular: tudo chega aos condrócitos por difusão, a partir do pericôndrio, a camada de conjuntivo denso que a envolve, ou, na cartilagem das articulações, que não tem pericôndrio, a partir do líquido sinovial. Por isso cresce devagar, cicatriza mal e não se regenera depois de uma lesão de joelho como a pele se regenera depois de um corte. Há três tipos. A hialina, a mais comum, de aparência vítrea, cobre as extremidades dos ossos nas articulações (reduz atrito e amortece), forma o nariz, as cartilagens da traqueia e dos brônquios e as costelas junto ao esterno, e constitui o molde do esqueleto do embrião e as placas de crescimento dos ossos longos, que fecham no fim da adolescência. A elástica, com fibras elásticas, dobra e volta: orelha externa e epiglote. A fibrosa, com feixes grossos de colágeno, aguenta compressão e tração: discos entre as vértebras, meniscos do joelho, sínfise púbica. A hérnia de disco é o deslocamento do centro gelatinoso de um disco intervertebral através do anel de fibrocartilagem.

Ósseo: tecido vivo, mineralizado, em reforma permanente

O osso é conjuntivo cuja matriz foi mineralizada: fibras de colágeno servem de armação para cristais de fosfato de cálcio (hidroxiapatita). O mineral dá dureza; o colágeno, flexibilidade. Sem colágeno, o osso quebraria como giz; sem mineral, dobraria como borracha. Os osteoblastos fabricam matriz nova; quando ficam presos nela, viram osteócitos, que ocupam lacunas e se comunicam por canalículos finos; os osteoclastos, células grandes e multinucleadas derivadas de monócitos do sangue, dissolvem matriz velha. O equilíbrio entre os dois é a remodelação: o esqueleto é refeito ao longo da vida, reforçado onde há carga e desfeito onde não há. É por isso que exercício com peso aumenta a densidade óssea, que um membro engessado perde massa óssea e que a fratura solda: osteoblastos depositam matriz nova no calo. É também por isso que o osso funciona como reserva de cálcio: quando o sangue precisa, osteoclastos liberam o mineral, sob comando hormonal.

O osso compacto forma a parte externa e densa dos ossos, organizado em cilindros concêntricos em torno de canais com vasos e nervos; o osso esponjoso, interno, é uma trama de traves com espaços preenchidos por medula óssea vermelha, onde nascem todas as células do sangue. Diferentemente da cartilagem, o osso é muito vascularizado, e a membrana que o reveste, o periósteo, traz vasos, nervos e as células que o reparam. Na osteoporose, a reabsorção supera a formação, as traves afinam e o osso quebra com traumas pequenos; cálcio na dieta, vitamina D (necessária para absorver o cálcio no intestino) e carga mecânica são os fatores de proteção com base no tecido.

Osso não é material morto, cartilagem não tem vasos

Duas frases erradas que a prova pode plantar e a histologia derruba. “O osso é um tecido inerte, de sustentação.” Errado: tem células vivas (osteoblastos, osteócitos, osteoclastos), vasos, nervos, se remodela, repara fraturas e guarda cálcio. “A cartilagem, ricamente vascularizada, se regenera depressa.” Errado nas duas partes: a cartilagem é avascular, nutrida por difusão, e por isso cicatriza devagar. A mesma lógica vale para o epitélio: avascular, mas de renovação rápida, porque a camada basal se divide e os capilares do conjuntivo estão logo abaixo. Vascularização e velocidade de renovação são perguntas diferentes.

Sangue: o conjuntivo de matriz líquida, com os números do hemograma

O sangue é tecido conjuntivo porque tem células espalhadas numa matriz produzida fora delas e porque nasce, como os outros conjuntivos, do mesoderma. A diferença é que a matriz é líquida: o plasma, 55 % do volume em média, feito de 92 % de água, proteínas (albumina, que segura água dentro dos vasos; globulinas, entre elas os anticorpos; fibrinogênio, que vira a rede do coágulo), sais, nutrientes, gases e hormônios. Os 45 % restantes são os elementos figurados: hemácias, leucócitos e plaquetas. O sangue é cerca de 8 % da massa do corpo, uns 5 litros num adulto. Separado numa centrífuga, forma três camadas: plasma em cima, uma película esbranquiçada de leucócitos e plaquetas no meio (menos de 1 %) e as hemácias no fundo. A fração de hemácias é o hematócrito.

elemento quantos por microlitro tamanho núcleo vida serviço
hemácias (eritrócitos) 4 a 6 milhões 7 a 8 µm, disco bicôncavo não (nos mamíferos) cerca de 120 dias transportar O₂ pela hemoglobina; parte do CO₂
leucócitos (glóbulos brancos) 4 500 a 11 000 8 a 20 µm sim horas a anos, conforme o tipo defesa
plaquetas (trombócitos) 150 000 a 400 000 2 a 4 µm, fragmentos não (fragmentos de megacariócito) cerca de 10 dias iniciar a coagulação

Os valores de referência seguem a enciclopédia MedlinePlus (hemácias: 4,2 a 5,7 milhões/µL em homens, 3,8 a 5,1 em mulheres; leucócitos 4 500 a 11 000/µL; plaquetas 150 000 a 400 000/µL; hematócrito 37 a 48 % em homens, 34 a 43 % em mulheres) e variam um pouco entre laboratórios.

Hemácias. São discos bicôncavos de 7 a 8 µm, sem núcleo e sem mitocôndrias nos mamíferos: perderam as organelas ao amadurecer na medula, para abrir espaço a cerca de 300 milhões de moléculas de hemoglobina, cada uma capaz de prender quatro moléculas de O₂. A forma de disco dá mais superfície de troca por volume do que uma esfera e permite dobrar para atravessar capilares mais finos que a própria célula. Sem núcleo, a hemácia não se divide nem se repara: vive uns 120 dias e é retirada de circulação por macrófagos do baço e do fígado, que reaproveitam o ferro. O item 60 do PAS 3 de 2022 cobrou exatamente a ausência de núcleo na hemácia madura, e a consequência disso para o ciclo celular está em núcleo e ciclo celular. Sem mitocôndrias, a hemácia vive de fermentação lática, como mostra fermentação. A hemoglobina S, da anemia falciforme, deforma a hemácia em foice quando o oxigênio falta; a herança está em mutações. O que acontece com uma hemácia em água destilada ou em soro concentrado está em membrana plasmática.

Leucócitos. Têm núcleo, saem dos vasos para os tecidos e se dividem em dois grupos pela presença de grânulos visíveis ao microscópio. Os granulócitos têm núcleo lobulado: neutrófilos (50 a 70 % dos leucócitos, os primeiros a chegar numa infecção bacteriana, fagocitam e morrem formando o pus), eosinófilos (1 a 4 %, contra vermes e nas alergias) e basófilos (menos de 1 %, liberam histamina e heparina). Os agranulócitos têm núcleo arredondado ou em forma de rim: linfócitos (20 a 40 %; B produzem anticorpos, T coordenam a defesa e matam células infectadas) e monócitos (2 a 8 %, que viram macrófagos nos tecidos). A contagem de cada tipo, o leucograma, é o pedaço do hemograma que o médico lê para suspeitar de infecção bacteriana (neutrófilos altos), viral (linfócitos altos) ou alergia e verminose (eosinófilos altos). O que cada leucócito faz na resposta imune está em vacinas e soros.

Plaquetas. Não são células: são fragmentos de citoplasma de uma célula gigante da medula, o megacariócito, envoltos por membrana. Aderem ao vaso lesado, formam um tampão e disparam a cascata que transforma o fibrinogênio do plasma em fibrina, a rede do coágulo. A linfa é o outro conjuntivo líquido: líquido que saiu dos capilares para os tecidos, recolhido pelos vasos linfáticos, filtrado nos linfonodos e devolvido ao sangue, rica em linfócitos e sem hemácias.

Todas as células do sangue nascem na medula óssea vermelha a partir de uma célula-tronco hematopoética, em um processo chamado hematopoese. A medula produz mais de 2 milhões de hemácias por segundo. É essa capacidade que o transplante de medula aproveita, e o cadastro de doadores, o REDOME, está em núcleo e ciclo celular. Os grupos sanguíneos ABO e Rh são proteínas e açúcares na membrana das hemácias, e a genética deles está em leis de Mendel.

À esquerda, um tubo de ensaio após centrifugação com três camadas rotuladas: plasma, amarelo-claro, cerca de 55 por cento, no alto; uma faixa fina esbranquiçada de leucócitos e plaquetas, menos de 1 por cento; e hemácias, vermelhas, cerca de 45 por cento, no fundo, com a palavra hematócrito ao lado. À direita, as células desenhadas em escala relativa: hemácia como disco bicôncavo de 7 a 8 micrômetros sem núcleo; neutrófilo com núcleo roxo em lobos; eosinófilo com núcleo em dois lobos e grânulos alaranjados (com a linha do basófilo ao lado); linfócito com núcleo grande e redondo; monócito, o maior, com núcleo em forma de rim; e plaquetas como fragmentos pequenos. Ao lado de cada tipo, o tamanho, a faixa de contagem por microlitro, a vida média e o serviço.
O sangue num tubo e ao microscópio. Centrifugado, separa-se em plasma (matriz), uma película de leucócitos e plaquetas e o pacote de hemácias, cuja fração é o hematócrito. As células estão em escala relativa entre si: a hemácia de 7 a 8 µm é a régua para medir as outras. Contagens de referência segundo a enciclopédia MedlinePlus. Diagrama autoral.
Como ler um hemograma, com conta

Um hemograma traz contagens por microlitro (µL) ou por litro. Como 1 L = 10610^6 µL, converter é multiplicar por um milhão: 5 milhões de hemácias por µL são 5×106×106=5×10125 \times 10^{6} \times 10^{6} = 5 \times 10^{12} por litro, e 7 000 leucócitos por µL são 7×1097 \times 10^{9} por litro. Em 5 litros de sangue há, portanto, cerca de 2,5×10132{,}5 \times 10^{13} hemácias, 25 trilhões, o que bate com a estimativa de Sender, Fuchs e Milo (2016) de que hemácias são cerca de 84 % das células do corpo. Se cada uma vive 120 dias, a medula repõe por dia 2,5×1013/120≈2×10112{,}5 \times 10^{13} / 120 \approx 2 \times 10^{11} hemácias, 200 bilhões, ou uns 2,4 milhões por segundo. O hematócrito é a fração de hemácias: numa amostra de 10 mL com 4,2 mL de hemácias depois de centrifugada, o hematócrito é 42 %. Um hematócrito baixo com hemácias pequenas sugere anemia por falta de ferro; um hematócrito alto pode ser desidratação (menos plasma) ou excesso de produção. A conta é simples; o que a prova cobra é não trocar µL por L nem porcentagem por contagem.

Tecido muscular: três versões de uma célula que encurta

Toda célula muscular é alongada e cheia de duas proteínas em filamentos, a actina (fina) e a miosina (grossa), que deslizam uma sobre a outra gastando ATP; o deslizamento encurta a célula, e a célula encurtada puxa o que estiver preso a ela. Os filamentos ficam organizados em unidades repetidas, os sarcômeros, e nas fibras em que os sarcômeros estão alinhados lado a lado o microscópio mostra faixas claras e escuras: as estriações. O sinal para contrair é a entrada de íons cálcio no citoplasma, que libera os sítios de ligação da actina; sem ATP, a miosina fica presa à actina, e é por isso que o corpo enrijece horas depois da morte. A estrutura das proteínas contráteis está em proteínas e enzimas; o ATP vem da respiração celular quando há oxigênio e da fermentação lática no esforço intenso. O músculo em contração também libera calor: o tremor de frio é músculo esquelético contraindo só para aquecer.

estriado esquelético estriado cardíaco liso
onde preso aos ossos; diafragma; língua; músculos da face parede do coração parede de vísceras ocas (tubo digestório, bexiga, útero, brônquios), vasos, íris, eretor do pelo
célula fibra muito longa, cilíndrica, com muitos núcleos na periferia célula curta, ramificada, um ou dois núcleos centrais, unida às vizinhas por discos intercalares célula fusiforme, um núcleo central, sem estriações
estriações sim sim não
controle voluntário (nervos motores) involuntário; ritmo próprio, modulado por nervos e hormônios involuntário (sistema nervoso autônomo e hormônios)
contração rápida, forte, cansa rítmica, contínua, não cansa lenta, prolongada, econômica
regeneração limitada (células satélites) praticamente nenhuma: infarto deixa cicatriz boa: as células se dividem

Estriado esquelético. Cada fibra é uma célula gigante com dezenas de núcleos, resultado da fusão de muitas células embrionárias. Preso aos ossos por tendões, movimenta o corpo sob comando consciente e é cerca de 40 % da massa de um adulto. As fibras não são todas iguais: as lentas (vermelhas, cheias de mitocôndrias e de mioglobina) usam respiração aeróbica e resistem à fadiga, servindo à postura e à maratona; as rápidas (brancas, com mais glicogênio) usam glicólise e fermentação, produzem força alta por pouco tempo e cansam depressa, servindo ao salto e ao tiro de 100 m. Todo músculo mistura os dois tipos. Treinar aumenta o tamanho das fibras (hipertrofia), não o seu número; a hiperplasia, o aumento do número de células, é típica do músculo liso, como o do útero na gravidez. A dor que aparece um ou dois dias depois de um treino forte não é ácido lático acumulado, que é removido em horas: são microlesões das fibras e a inflamação que as repara, como fermentação explica.

Estriado cardíaco. Exclusivo do coração. As células são curtas, ramificadas e unidas pelos discos intercalares, que contêm desmossomos (para que as células não se separem a cada batida) e junções comunicantes (para que a onda elétrica passe de uma célula à outra e o coração contraia como uma unidade). Um grupo de células marca-passo dispara sozinho, em ritmo próprio; nervos e hormônios só aceleram ou freiam. É estriado como o esquelético e involuntário como o liso: a estriação diz respeito à organização dos filamentos, não ao controle. As células quase não se dividem, e por isso a área morta num infarto vira cicatriz de conjuntivo, que não contrai; o resto está em sistema cardiovascular.

Liso. Células fusiformes, com um núcleo central e filamentos sem o alinhamento que produz estriações. Formam camadas na parede de órgãos ocos e de vasos: empurram o alimento pelo tubo digestório (peristaltismo), esvaziam a bexiga, apertam ou alargam as artérias, ajustam o diâmetro da pupila e arrepiam o pelo no frio. A contração é lenta, prolongada e gasta pouca energia, o que convém a um tecido que trabalha o dia inteiro sem descanso. Não obedece à vontade.

Três painéis lado a lado. Esquerda, estriado esquelético: fibras longas e cilíndricas com estriações transversais e vários núcleos achatados na periferia, com a legenda voluntário, preso aos ossos. Centro, estriado cardíaco: células curtas e ramificadas com estriações, um núcleo central e linhas escuras marcadas como discos intercalares nas junções entre células, legenda involuntário, só no coração, ritmo próprio. Direita, liso: células fusiformes sem estriações, com um núcleo central cada, legenda involuntário, vísceras e vasos. Abaixo dos painéis, uma linha compara controle, estriações e número e posição dos núcleos.
Três músculos, três perguntas: tem estriações, quantos núcleos e onde estão, obedece à vontade. O cardíaco é a combinação que a prova explora, estriado e involuntário, e os discos intercalares são a sua marca exclusiva. Esquema fora de escala. Diagrama autoral.
Estriado não é sinônimo de voluntário

A tentação é colar “estriado” em “voluntário” e “liso” em “involuntário”. A tabela tem três linhas, não duas: o cardíaco é estriado e involuntário. O coração não é músculo esquelético, não está preso a osso e não espera ordem; e o diafragma, que é esquelético e estriado, trabalha sem que se pense nele, mas pode ser comandado (prender a respiração). O critério para “estriado” é a organização dos sarcômeros; o critério para “voluntário” é o tipo de nervo que comanda. Confira os dois separadamente.

Tecido nervoso: a célula que conduz e as células que a sustentam

O tecido nervoso tem dois tipos de célula. O neurônio é a unidade que recebe, integra e transmite sinais. Tem um corpo celular, com o núcleo e as organelas; dendritos, prolongamentos curtos e ramificados que recebem os sinais; e um axônio, prolongamento único e longo (até um metro, do tronco ao pé), que leva o impulso até a célula seguinte, um músculo ou uma glândula. O sinal percorre o neurônio sempre em mão única: dendrito, corpo celular, axônio. Muitos axônios são envolvidos pela bainha de mielina, camadas de membrana lipídica enroladas que isolam o fio e são interrompidas de espaço em espaço pelos nódulos de Ranvier; o impulso salta de nódulo em nódulo, e por isso a condução é mais rápida nos axônios mielinizados. A substância branca do encéfalo e da medula é branca por causa da mielina; a cinzenta é feita de corpos celulares. Os neurônios maduros, em regra, não se dividem.

As células da glia são mais numerosas que os neurônios e não são coadjuvantes passivas. Os astrócitos sustentam, nutrem, regulam a composição do líquido em volta dos neurônios e formam a barreira entre o sangue e o encéfalo; os oligodendrócitos fabricam a mielina no sistema nervoso central, e as células de Schwann, nos nervos periféricos; a micróglia são células de defesa que fagocitam restos e invasores; as células ependimárias revestem as cavidades cheias de líquido. Uma doença como a esclerose múltipla, em que a mielina é destruída, mostra o que a glia faz: sem o isolamento, o impulso se perde ou atrasa.

Esta página para na estrutura. Como o impulso se forma e viaja (um fenômeno eletroquímico de íons sódio e potássio, não “puramente elétrico”, como o item 95 do PAS 3 de 2025 tentou afirmar), como a sinapse transmite o sinal por neurotransmissores e como os sentidos convertem luz e som em impulso estão em sistema nervoso. Fica registrada uma ressalva de cautela: o encéfalo adulto humano forma neurônios novos de forma muito limitada e em regiões específicas. Em 1998, Eriksson e colaboradores descreveram neurônios novos no hipocampo de adultos (publicado na Nature Medicine); em 2018, Sorrells e colaboradores, na Nature, não encontraram neurogênese detectável no hipocampo adulto, e no mesmo ano Boldrini e colaboradores, na Cell Stem Cell, relataram que ela persiste. A conclusão prudente, em nível escolar, é que o neurônio maduro não se divide, que a reposição é escassa e localizada, e que uma lesão de medula ou um AVC deixam sequelas porque o tecido nervoso regenera mal.

A pele: um órgão com os quatro tecidos em três andares

A pele é o maior órgão do corpo: cerca de 16 % da massa de um adulto e 1,5 a 2 m² de área. Em poucos milímetros, empilha os quatro tecidos. A epiderme é epitélio; a derme é conjuntivo com vasos, nervos, músculo liso e glândulas; a hipoderme, abaixo, é conjuntivo frouxo e adiposo. Há livros que chamam a hipoderme de terceira camada da pele e livros que a tratam como tecido subcutâneo, associado à pele mas fora dela; a prova usa as duas convenções, e o que importa é saber o que há em cada andar.

Epiderme. Epitélio estratificado pavimentoso queratinizado, sem vasos, com quatro camadas na maior parte do corpo e cinco nas palmas e plantas, onde a pele é mais grossa. Da base para a superfície: a camada basal, uma fileira de células cúbicas sobre a lâmina basal, que se dividem por mitose sem parar; a espinhosa, de várias fileiras de células presas por desmossomos, que começam a fabricar queratina; a granulosa, onde as células se enchem de grânulos e morrem; a lúcida, transparente, só na pele grossa; e a córnea, de escamas mortas, achatadas, sem núcleo e cheias de queratina, que descamam. Uma célula nasce na base e cai da superfície em cerca de quatro semanas. Os queratinócitos são as células dessa esteira e fabricam a queratina, a proteína fibrosa que dá dureza e impermeabilidade à pele, ao cabelo e às unhas. Entre eles vivem três células de outros serviços: os melanócitos, na camada basal, que produzem a melanina e a repassam aos queratinócitos vizinhos, onde o pigmento se acumula como um guarda-sol sobre o núcleo e absorve radiação ultravioleta; as células de Langerhans, na camada espinhosa, sentinelas do sistema imune que capturam antígenos e os apresentam aos linfócitos; e as células de Merkel, na camada basal, receptores de tato fino ligados a terminações nervosas, abundantes nas pontas dos dedos.

Derme. Conjuntivo com tudo o que a epiderme não tem. A camada papilar, superior, é frouxa e se projeta em papilas para dentro da epiderme, aumentando a área de contato e levando os capilares que nutrem o epitélio por difusão; nas pontas dos dedos, o desenho das papilas é a impressão digital. A camada reticular, mais espessa, é conjuntivo denso não modelado, com feixes de colágeno em todas as direções e fibras elásticas: é ela que dá à pele resistência e elasticidade, e é a perda de elastina com a idade e com o sol que produz rugas. Na derme ficam os vasos sanguíneos e linfáticos, as terminações nervosas livres (dor, temperatura) e os receptores encapsulados de tato e vibração, os folículos dos pelos com os músculos eretores, as glândulas sudoríparas e sebáceas. Um corte que sangra chegou à derme; uma tatuagem é tinta depositada na derme, onde fica retida (em boa parte dentro de macrófagos), e por isso não descama com a epiderme.

Hipoderme. Conjuntivo frouxo e tecido adiposo, que isola, amortece, armazena energia e prende a pele aos músculos e ossos. É onde entram as injeções subcutâneas, como a de insulina.

Corte esquemático da pele em três faixas horizontais. No alto, a epiderme, azul-clara, com as camadas rotuladas da base para a superfície: basal, espinhosa, granulosa e córnea; na camada basal, melanócitos escuros com prolongamentos e uma célula de Merkel; na espinhosa, uma célula de Langerhans; a legenda diz epitélio, sem vasos, renovação em cerca de quatro semanas. No meio, a derme, rosada, com a camada papilar ondulada sob a epiderme e a reticular mais espessa, contendo um capilar vermelho, uma terminação nervosa roxa com um receptor encapsulado, um folículo piloso com o pelo saindo pela superfície, a glândula sebácea presa ao folículo, o músculo eretor do pelo e uma glândula sudorípara enovelada com o duto subindo até um poro. Embaixo, a hipoderme, amarela, com adipócitos arredondados. Cada estrutura tem uma etiqueta com a célula ou o tecido e o serviço.
A pele em corte: epitélio em cima (avascular, com queratinócitos, melanócitos, Langerhans e Merkel), conjuntivo no meio (vasos, nervos, glândulas, folículos e músculo liso) e adiposo embaixo. Cada etiqueta liga uma estrutura ao seu serviço, que é o que o bloco de 2023 do PAS 3 cobrou. Esquema fora de escala. Diagrama autoral.

O que a pele faz: barreira, termostato, sensor, fábrica de vitamina D e sentinela

Barreira. A camada córnea, com queratina e lipídios entre as escamas, impede a perda de água e a entrada de microrganismos, de substâncias e de parte da radiação. O suor contém peptídeos antimicrobianos e o sebo ajuda a manter a superfície ácida, o que dificulta bactérias. A melanina absorve ultravioleta antes que ele atinja o DNA das células vivas da base.

Termorregulação. No calor, as glândulas sudoríparas écrinas produzem suor, cuja evaporação retira calor da pele, e as arteríolas da derme dilatam para que o sangue leve o calor do interior até a superfície (a vermelhidão de quem corre). No frio, os vasos contraem e o calor fica dentro; os músculos eretores arrepiam os pelos, e a gordura da hipoderme isola. Mesmo sem suar de forma perceptível, o corpo perde cerca de 500 mL de água por dia pela pele; numa atividade intensa no calor, o suor pode chegar a 0,7 a 1,5 litro por hora, o que explica a sede e a necessidade de reposição de água e sais.

Sensação. A derme e a epiderme são cheias de terminações nervosas e receptores: tato leve, pressão, vibração, temperatura, dor. A pele é o maior órgão sensorial em área, e os receptores se concentram nas pontas dos dedos e nos lábios. A conversão do estímulo em impulso e a via até o encéfalo estão em sistema nervoso.

Vitamina D. Sob a radiação ultravioleta B, as células da epiderme convertem um derivado do colesterol em vitamina D₃, que o fígado e os rins ativam. A vitamina D é necessária para absorver o cálcio do intestino, e por isso a falta de sol prolongada está ligada a ossos fracos; o papel dos lipídios na dieta está em lipídios.

Defesa com sentinelas. A pele é a primeira linha do sistema imunológico não só como parede: as células de Langerhans capturam antígenos que atravessam a epiderme e os levam aos linfócitos, e os macrófagos e mastócitos da derme respondem a qualquer invasor que passe. Por isso a pele conta como parte do sistema imune, e não só como obstáculo, como mostra vacinas e soros.

Dois itens reais cobram a ficha de funções, e os dois são certos. O item 112 do PAS 3 de 2023, “são funções da pele, entre outras, a regulação da temperatura corporal e a proteção contra microrganismos”, é a ficha literal. O item 39 do PAS 3 de 2025, pendurado num fragmento de Sociedade do cansaço, de Byung-Chul Han, afirma que a pele é um dos principais órgãos sensoriais, que permite reconhecer outra pessoa pelo tato quando visão e audição faltam, e que está “diretamente envolvida na proteção contra a entrada de organismos patógenos, podendo ser considerada parte integrante do sistema imunológico”. As três partes conferem: órgão sensorial (receptores da derme), reconhecimento pelo tato (consequência direta), parte do sistema imune (barreira mais células de Langerhans). Quem hesitou achou que sistema imune são só anticorpos e linfócitos; as barreiras fazem parte dele.

Melanina, cor da pele e protetor solar

Pessoas de pele escura produzem mais melanina do que pessoas de pele clara. O que varia é quanta melanina os melanócitos produzem, de que tipo (a eumelanina, preta ou castanha, e a feomelanina, avermelhada) e como ela se distribui nos queratinócitos, e isso é controlado por vários genes de efeito somado: a cor da pele é uma herança poligênica, de variação contínua, explicada em leis de Mendel. O bronzeado é a resposta dos melanócitos à radiação: mais pigmento sobre os núcleos. Pele escura tem mais proteção natural contra o ultravioleta, mas não imunidade: o INCA aponta a exposição solar excessiva como principal fator de risco do câncer de pele e recomenda, para todos, evitar o sol das 10h às 16h, procurar sombra, usar chapéu, roupa e óculos com proteção, e aplicar protetor solar. A radiação que a melanina não absorve liga quimicamente bases vizinhas do DNA, e o reparo nem sempre dá conta, como mutações mostra. Ao mesmo tempo, a melanina reduz a síntese de vitamina D; e esse equilíbrio entre proteção e síntese é uma das explicações propostas para a variação da cor da pele humana com a latitude de origem das populações.

Quando a pele falha: queimaduras, câncer de pele e cicatriz

Queimaduras se classificam pela profundidade, e a histologia explica cada grau. A de primeiro grau atinge só a epiderme: vermelhidão, dor e edema, sem bolha, e descamação em 4 a 6 dias, como a queimadura de sol comum. A de segundo grau atinge a epiderme e parte da derme: forma bolhas, dói (as terminações nervosas estão vivas) e se refaz em 7 a 21 dias a partir da camada basal que sobrou e dos folículos. A de terceiro grau destrói a epiderme, a derme e estruturas mais profundas: a superfície fica branca ou enegrecida e sem dor, porque as terminações nervosas morreram, e a pele não se refaz sozinha, porque não restou camada basal; precisa de enxerto, uma lâmina fina de pele retirada de outra região da própria pessoa. Para medir a extensão, os serviços de emergência usam a regra dos nove: num adulto, cabeça e pescoço valem 9 % da superfície corporal, cada braço 9 %, cada perna 18 %, a frente do tronco 18 %, as costas 18 % e o períneo 1 %; a palma da mão da própria pessoa, com os dedos, vale cerca de 1 % e serve para áreas pequenas. A cartilha do Ministério da Saúde para o tratamento de emergência das queimaduras usa essa regra e os três graus. Uma queimadura de segundo grau que cubra as duas pernas inteiras, por exemplo, atinge 36 % da superfície, e a reposição de líquidos passa a ser a prioridade, porque a barreira contra a perda de água sumiu nessa área.

Câncer de pele. Como a epiderme se renova o tempo todo, as suas células estão em divisão, e a radiação ultravioleta danifica o DNA justamente delas. Os dois cânceres mais comuns nascem dos queratinócitos: o carcinoma basocelular, da camada basal, e o espinocelular, da camada espinhosa; juntos são o câncer de pele não melanoma, de crescimento lento e raramente fatal, mas capaz de destruir a região em que cresce. O melanoma nasce dos melanócitos, é muito menos comum e muito mais perigoso, porque se espalha; o sinal de alerta é uma pinta assimétrica, de borda irregular, de cor variada, com mais de 6 mm ou que mudou. A Estimativa 2026 do INCA projeta, para o Brasil, cerca de 263 mil casos novos de câncer de pele não melanoma por ano, o tipo mais frequente nos dois sexos e cerca de um terço de todos os 781 mil casos de câncer estimados; o melanoma fica em torno de 9 mil casos por ano. A exposição solar excessiva é o principal fator de risco, e a exposição acumulada nas duas primeiras décadas de vida pesa muito no risco adulto, o que faz da fotoproteção na infância e na adolescência uma medida de prevenção com base no tecido. Como o câncer nasce da perda dos freios do ciclo celular está em núcleo e ciclo celular.

Cicatrização. Um arranhão que ficou na epiderme fecha sem marca: a camada basal das bordas se divide e a esteira recompõe o epitélio. Um corte que chegou à derme segue outra via. Primeiro as plaquetas formam o tampão e o coágulo; depois a inflamação traz neutrófilos e macrófagos, que limpam a ferida; em seguida fibroblastos migram, se multiplicam e depositam colágeno, enquanto capilares novos crescem junto (o tecido de granulação, vermelho e úmido); por fim os queratinócitos das bordas cobrem o colágeno. A cicatriz é esse colágeno depositado às pressas, numa trama diferente da derme original, sem folículos, sem glândulas e com menos pigmento e menos elasticidade. Regeneração é repor o tecido com a mesma estrutura; reparo por cicatriz é fechar o buraco com conjuntivo. Epitélios, osso, fígado e músculo liso regeneram bem; cartilagem, tendão, músculo cardíaco e tecido nervoso regeneram mal e dependem de cicatriz. A diferença está em dois fatores: se o tecido tem células capazes de se dividir e se tem vasos para abastecer a reconstrução.

Renovação, células-tronco e regeneração: quem se repõe e quem não

Cada tecido tem um ritmo de troca. O forro do intestino se renova em uns 5 dias; a epiderme, em cerca de 4 semanas; as hemácias, a cada 120 dias; o osso, ao longo de anos; a maioria dos neurônios do córtex e das células do músculo cardíaco não é reposta. A estimativa de Sender e Milo, publicada em 2021 na Nature Medicine, é de que um adulto renova cerca de 330 bilhões de células por dia, e perto de 90 % delas são do sangue, sobretudo hemácias e neutrófilos. Quem sustenta essa troca são as células-tronco adultas de cada tecido: na medula óssea (para o sangue), na camada basal da epiderme, nas criptas do intestino, nos folículos dos pelos e, em menor grau, no músculo esquelético (as células satélites) e no encéfalo. Elas fazem duas coisas ao mesmo tempo: se renovam e se diferenciam. São multipotentes, originam os tipos celulares de uma família (a da medula origina células do sangue, não neurônios), e com elas se faz o transplante de medula; a escada da potência e o registro brasileiro de doadores, o REDOME, estão em núcleo e ciclo celular.

Essa tabela de renovação explica dois fatos de saúde. A quimioterapia e a radioterapia atingem células em divisão, e por isso os efeitos colaterais aparecem nos tecidos de troca rápida: queda de cabelo (folículos), feridas na boca e diarreia (epitélios), anemia e queda de defesa (medula). E a biópsia, a retirada de um fragmento de tecido para exame ao microscópio, é o exame que decide se uma lesão é benigna ou maligna: o patologista lê a organização do tecido, a forma das células e dos núcleos e o número de divisões, com o mesmo método de leitura da próxima seção. Em uma pinta suspeita, no colo do útero, numa mama ou num pólipo intestinal, é a histologia que dá o diagnóstico.

Como ler uma micrografia ou um esquema: cinco perguntas

A prova mostra um corte histológico, uma micrografia ou um esquema e pergunta que tecido é, que célula a seta aponta ou que função tem a estrutura marcada. Cinco perguntas, em ordem, resolvem a maioria dos casos.

  1. As células estão coladas ou espalhadas? Coladas, em fileira ou em várias camadas, sobre uma linha de base: epitélio. Espalhadas, com muito material entre elas: conjuntivo. Alongadas e empacotadas em feixes: muscular. Com prolongamentos longos e finos: nervoso.
  2. O que há entre as células? Fibras onduladas e gel: conjuntivo propriamente dito. Matriz lisa e vítrea com células em lacunas: cartilagem. Matriz com anéis concêntricos em torno de canais: osso. Líquido com células soltas: sangue. Nada visível: epitélio.
  3. Que forma e que tamanho tem a célula, e onde está o núcleo? Células achatadas, cúbicas ou altas na superfície dizem o tipo de epitélio. Uma gota de gordura com o núcleo espremido na borda é adipócito. Uma fibra cilíndrica com muitos núcleos na periferia é músculo esquelético; célula ramificada com núcleo central é cardíaco; célula fusiforme com um núcleo central é liso. Célula sem núcleo, em disco, é hemácia.
  4. Há estriações? Faixas transversais regulares aparecem só nos músculos esquelético e cardíaco. Se há estriações e discos intercalares, é cardíaco; se há estriações e núcleos periféricos, esquelético; se não há estriações, é liso ou não é músculo.
  5. Onde está e com o que faz fronteira? Epitélio sempre tem conjuntivo logo abaixo e uma superfície livre acima. Uma glândula dentro da derme continua epitelial: a localização de uma estrutura não muda a identidade do tecido dela. Um nervo que atravessa um músculo continua tecido nervoso. Um vaso dentro de um osso continua vaso.
Fluxograma de decisão em cinco etapas, de cima para baixo. Primeira pergunta, células coladas ou espalhadas, com três saídas: coladas sobre uma base leva a epitélio; espalhadas em matriz leva à segunda pergunta; alongadas ou com prolongamentos leva à quarta. Segunda pergunta, o que há entre as células: fibras e gel, conjuntivo propriamente dito; matriz vítrea com lacunas, cartilagem; anéis em torno de canais, osso; líquido, sangue. Terceira pergunta, forma da célula e posição do núcleo, com exemplos: achatada, cúbica, colunar para epitélios; gota com núcleo na borda, adipócito; disco sem núcleo, hemácia. Quarta pergunta, há estriações: sim com discos intercalares, cardíaco; sim com núcleos periféricos, esquelético; não, com célula fusiforme, liso; não, com prolongamentos, nervoso. Quinta pergunta, onde está e com o que faz fronteira, com a nota de que uma glândula na derme continua epitelial.
Cinco perguntas, nesta ordem, para qualquer lâmina ou esquema: coladas ou espalhadas, o que há entre as células, forma e núcleo, estriações, onde está. A última evita o erro de dar à estrutura o tecido do lugar em que ela se encontra. Diagrama autoral.

Exemplo resolvido 1: três lâminas. Lâmina A: fileira única de células altas sobre uma linha, com uma borda de microvilosidades no topo e, entre elas, células em forma de cálice cheias de muco. Lâmina B: células grandes e vazias, como bolhas, com núcleos achatados encostados na parede. Lâmina C: fibras longas com faixas transversais e vários núcleos alongados na periferia. Resolução pelas cinco perguntas. A: células coladas sobre uma base, nada entre elas, uma camada, células colunares, microvilosidades e caliciformes: epitélio simples colunar, do intestino. B: células espalhadas por uma matriz fina, cada uma ocupada por uma gota com o núcleo na borda: tecido adiposo, um conjuntivo. C: células alongadas, estriadas, multinucleadas com núcleos periféricos: músculo estriado esquelético. Conferência: se a lâmina C tivesse células ramificadas com um núcleo central e linhas escuras entre elas, seria cardíaco; se não tivesse estriações, liso.

Exemplo resolvido 2: a seta na pele. Um esquema de pele em corte mostra uma seta apontando, na derme, um tubo enovelado com um duto que sobe até a superfície. As opções: célula de Langerhans, glândula sudorípara, melanócito, vaso sanguíneo. Pela quinta pergunta, o endereço elimina duas: célula de Langerhans e melanócito ficam na epiderme, e a seta está na derme. Entre as duas que ficam na derme, o formato decide: um vaso é um tubo contínuo, com sangue dentro e sem saída para a superfície; um novelo com duto até um poro é a glândula sudorípara. É o item 113 do PAS 3 de 2023 (tipo C), cuja figura impressa mostrava exatamente essa estrutura, com gabarito B, a glândula sudorípara. Note que a glândula fica na derme e continua epitelial: localização e identidade são perguntas diferentes.

Exemplo resolvido 3: a frase com estrutura certa e função trocada. “As células de Merkel, localizadas na epiderme, produzem a substância oleosa que reveste a pele.” Confira em duas colunas: a estrutura existe e o endereço está certo (Merkel na epiderme); o serviço está trocado (oleosidade é da glândula sebácea; Merkel sente tato). Errado. Foi assim que um dos itens do bloco de 2023 do PAS 3 (o 109, depois anulado) vestiu as células de Merkel com a função da sebácea, e assim que o item 111 do mesmo bloco deu ao desmossomo a função de bloquear o transporte entre células, que é da junção oclusiva. A conferência é sempre a dupla estrutura e serviço, nunca o nome sozinho.

Como a prova cobra tecidos e pele

Nas provas do PAS 3 de 2008 a 2025, a histologia animal rendeu poucos itens válidos, concentrados em dois anos. Em 2023, uma figura da pele em corte sustentou cinco itens (109 a 113), dois deles anulados; em 2025, a pele voltou pela porta da imunidade, no bloco do texto de Byung-Chul Han. Os itens válidos cabem numa lógica só: a frase errada de histologia não inventa célula, pega uma estrutura real, no lugar certo, e lhe dá o serviço da vizinha.

  • PAS 3 2023, item 111 (errado): “Os desmossomos têm como função bloquear o transporte de materiais entre as células.” Desmossomo adere; bloquear a passagem entre células é a junção oclusiva. Estrutura certa, serviço da vizinha.
  • PAS 3 2023, item 112 (certo): “São funções da pele, entre outras, a regulação da temperatura corporal e a proteção contra microrganismos.” A ficha de órgão, pelo lado certo.
  • PAS 3 2023, item 113 (tipo C, gabarito B): a seta na figura apontava, na derme, o novelo com duto até a superfície: a glândula sudorípara. As outras opções (Langerhans, melanócito, vaso) existiam na figura, em outros endereços.
  • PAS 3 2025, item 39 (certo): a pele como órgão sensorial, reconhecedora do outro pelo tato e “parte integrante do sistema imunológico” pela barreira contra patógenos. Três afirmações, as três corretas.

Os dois itens anulados de 2023 mostram o alvo mesmo assim: o 109 atribuía às células de Merkel a oleosidade da pele (serviço da sebácea) e o 110 dizia, corretamente, que os melanócitos ficam na epiderme e produzem melanina. Fora da pele, os itens que tocam a histologia estão em páginas vizinhas e valem como treino: a hemácia sem núcleo (PAS 3 2022, item 60), a renovação dos epitélios por mitose (PAS 1 2014, item 50; PAS 1 2019, item 58) e o muco levado pelos cílios, não por peristaltismo (PAS 3 2024, item 42). O protocolo para julgar qualquer um deles: localize a estrutura, confira o endereço, confira o serviço, e só então marque.

Os erros que a prova planta

  • “Tecido e órgão são a mesma coisa.” Tecido é um degrau; órgão é a montagem de vários. A pele é órgão; a epiderme é tecido.
  • “O epitélio é ricamente vascularizado.” Nenhum vaso atravessa a lâmina basal; o epitélio é nutrido por difusão a partir do conjuntivo. Por isso o arranhão superficial não sangra.
  • “Pseudoestratificado tem várias camadas.” Todas as células tocam a lâmina basal; os núcleos é que ficam em alturas diferentes.
  • “Desmossomo bloqueia a passagem entre células.” Desmossomo adere; quem veda é a junção oclusiva (PAS 3 2023, item 111).
  • “Glândula endócrina lança o hormônio por um duto.” Endócrina não tem duto: o hormônio vai para o sangue. Duto é marca de exócrina.
  • “Sangue não é tecido.” É conjuntivo de matriz líquida, com células produzidas na medula e matriz (o plasma) produzida fora delas.
  • “A hemácia tem núcleo e se divide.” A hemácia madura dos mamíferos não tem núcleo; dura uns 120 dias e é reposta pela medula (PAS 3 2022, item 60).
  • “Cartilagem tem vasos e regenera depressa.” É avascular e cicatriza devagar.
  • “Osso é tecido morto de sustentação.” Tem células vivas, vasos, nervos, se remodela e repara fraturas.
  • “Músculo estriado é sempre voluntário.” O cardíaco é estriado e involuntário.
  • “O coração é músculo esquelético.” É estriado cardíaco: células ramificadas, discos intercalares, ritmo próprio.
  • “Músculo liso é voluntário.” Nunca: obedece ao sistema nervoso autônomo e a hormônios.
  • “A pele é só a epiderme.” Epiderme mais derme, com a hipoderme embaixo; vasos, nervos e glândulas estão na derme.
  • “Melanina é só cor.” É proteção do DNA contra o ultravioleta; e o melanócito, não o queratinócito, a produz.
  • “Pele escura não precisa de protetor solar.” Tem mais proteção natural, não imunidade; a recomendação do INCA vale para todos.
  • “A queimadura de terceiro grau é a que mais dói.” Dói menos ou não dói: as terminações nervosas foram destruídas.
  • “Neurônio não se divide, logo o sistema nervoso não tem células novas.” As células da glia se dividem, e há neurogênese adulta limitada e localizada; o que não há é regeneração eficaz do tecido lesado.
  • “O ácido lático causa a dor do dia seguinte.” O lactato é removido em horas; a dor tardia vem de microlesões e inflamação das fibras.
  • “Uma glândula dentro da derme é tecido conjuntivo.” A localização não muda a identidade: a glândula continua epitelial.

O essencial em meia página

  • Escada: célula, tecido (células parecidas mais a matriz que produzem), órgão (vários tecidos), sistema (vários órgãos). A pele é órgão; a epiderme, tecido.
  • Quatro tecidos, um critério: a organização. Epitelial: células justapostas, lâmina basal, polaridade, avascular, renovação alta; conjuntivo: células espalhadas em matriz abundante; muscular: células alongadas e contráteis; nervoso: neurônios com prolongamentos e glia. A forma segue a função.
  • Epitélio: simples ou estratificado; pavimentoso, cúbico ou colunar; pseudoestratificado (todas tocam a base); queratinizado (só a superfície é morta). Junções: oclusiva veda, desmossomo adere, comunicante conecta, hemidesmossomo prende à base. Glândulas: exócrina com duto (suor, sebo, saliva, leite, enzimas), endócrina sem duto (hormônio no sangue), mista (pâncreas). Caliciforme: célula secretora isolada, muco; com os cílios, limpa as vias respiratórias.
  • Conjuntivo: matriz com fibras (colágenas, elásticas, reticulares) e substância fundamental; fibroblastos a produzem. Frouxo (preenche, inflama), denso modelado (tendão, ligamento), denso não modelado (derme). Adiposo (reserva, isolamento, leptina). Cartilagem (hialina, elástica, fibrosa): avascular, regenera mal. Osso: colágeno mais fosfato de cálcio; osteoblasto forma, osteócito mantém, osteoclasto reabsorve; compacto e esponjoso; medula vermelha faz o sangue; remodelação, reserva de cálcio, osteoporose.
  • Sangue: plasma (55 %) mais hemácias (4 a 6 milhões/µL, 7 a 8 µm, sem núcleo, 120 dias, hemoglobina), leucócitos (4 500 a 11 000/µL; neutrófilos 50 a 70 %; granulócitos e agranulócitos) e plaquetas (150 a 400 mil/µL, fragmentos). Hematócrito: fração de hemácias, cerca de 45 %. 1 L = 10610^6 µL. Medula repõe cerca de 2×10112 \times 10^{11} hemácias por dia.
  • Muscular: esquelético (estriado, multinucleado, voluntário), cardíaco (estriado, ramificado, discos intercalares, involuntário, ritmo próprio), liso (fusiforme, um núcleo, involuntário). Actina e miosina, cálcio, ATP. Hipertrofia aumenta o tamanho; hiperplasia, o número.
  • Nervoso: dendrito, corpo celular, axônio, nessa ordem; mielina com nódulos acelera; glia sustenta, isola e defende; neurônio maduro não se divide.
  • Pele: epiderme (basal, espinhosa, granulosa, lúcida, córnea; queratinócitos; melanócito pigmenta, Langerhans apresenta antígeno, Merkel sente), derme (papilar e reticular; vasos, nervos, receptores, folículos, sebáceas, sudoríparas, eretor do pelo), hipoderme (adiposo). Funções: barreira, termorregulação, sensação, vitamina D, defesa. Cerca de 16 % da massa, 1,5 a 2 m², renovação em 4 semanas.
  • Lesões: queimadura de 1.º grau (epiderme), 2.º (derme, bolha, dor), 3.º (tudo, sem dor, enxerto); regra dos nove. Câncer de pele não melanoma: o mais frequente no Brasil, cerca de um terço dos casos (INCA, 2026); melanoma: raro e grave. Cicatriz é colágeno; regeneração é tecido igual.
  • Leitura de lâmina: coladas ou espalhadas; o que há entre as células; forma e núcleo; estriações; onde está. A localização não muda a identidade do tecido.
  • Itens reais: 2023/111 E (desmossomo não bloqueia), 2023/112 C (termorregulação e proteção), 2023/113 B (glândula sudorípara na derme), 2025/39 C (pele sensorial e parte do sistema imune).

Exercícios temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.

Flashcards temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar os cartões de revisão.

TECIDOS DO CORPO HUMANO | Resumo de Biologia Enem. Professora Cláudia Aguiar
Curso Enem Gratuito · 13:30
Introdução. Em 13 minutos, a professora Cláudia Aguiar apresenta os quatro tecidos que formam o corpo humano, começando pelo epitelial como tecido de revestimento e passando pelo conjuntivo, pelo muscular e pelo nervoso. É o panorama da seção “Quatro materiais bastam para montar qualquer órgão” e da tabela que a acompanha; assista antes de ler e, a cada tecido, anote a resposta à primeira pergunta desta página: quanta matriz há entre as células.
Tecido Conjuntivo - Histologia - Aula | Biologia com Samuel Cunha
Biologia com Samuel Cunha · 18:07
Aprofundamento. A aula explica as características e as funções do tecido conjuntivo, as suas principais células e as suas divisões, o conteúdo da seção “Tecido conjuntivo: poucas células, muita matriz, e a matriz decide tudo” e do mapa em árvore desta página. Assista com o mapa aberto e, para cada tipo apresentado, localize a folha correspondente e a palavra que descreve a matriz.
A Pele - Aula 03 - Módulo VII: Fisiologia Humana | Prof. Gui
Prof. Guilherme Goulart - Biologia · 12:56
Aplicação. A aula trata da pele como o maior órgão do corpo, com camadas epiteliais e conjuntivas, tecido muscular e nervoso, e das glândulas sudoríparas (termorregulação) e sebáceas (impermeabilização). É a seção “A pele: um órgão com os quatro tecidos em três andares” e a seguinte, sobre as funções. Use com a figura da pele em corte: a cada estrutura citada, confira o andar e o serviço, que é o que os itens 112 e 113 do PAS 3 de 2023 cobraram.
Tecido Epitelial - Resolução de Questões I Prof. Michael Bryan
Biologia com Michael Bryan · 16:36
Resolução de questões. O professor resolve questões de vestibulares sobre tecido epitelial (PUC-RJ, UFV e outras) que cobram exatamente os traços da seção “Tecido epitelial: células coladas, sem vasos, com um lado para fora”: justaposição, pouca substância intercelular, ausência de vasos, funções de revestimento e secreção. Pause em cada enunciado, decida pela ficha do epitélio e só então veja a resolução.
Rota PAS 3
Histologia e fisiologia humana: o corpo em rede · PAS 3

Fontes desta página

Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.

  • Rota PAS 3 — Histologia e fisiologia humana: o corpo em rede · Antes de começar: dez minutos de aquecimento (célula, tecido, órgão, sistema); Quatro tecidos e um órgão-vitrine: a pele em corte (conceito dos quatro tecidos e da pele, o sol e o espinho, itens 2023/111, 112 e 113 com a descrição da figura, armadilha estrutura e função, checagem); Leia como na prova: a página de Han (texto-base e item 2025/39 com leitura anotada); Como a banca cobra (2023/111; anulados 2023/109 e 110); Exercícios 1 e 9; Banco de treino T2 e T16 a T19

    Recorte por assunto: só histologia animal e pele. As seções de sistema nervoso e muscular, endócrino, genitais, circulação e respiração, digestão e excreção e imunidade do mesmo capítulo pertencem às páginas próprias. A página acrescenta, ausentes do capítulo: classificação dos epitélios, junções em detalhe, glândulas, tipos de conjuntivo, cartilagem, osso, sangue com números, tipos de músculo em tabela, glia, camadas da epiderme, queimaduras, câncer de pele, cicatrização, renovação e leitura de lâminas.

  • Biologia EM1 — Capítulo 8: Núcleo, ciclo celular e células-tronco · Células-tronco: duas propriedades e três fontes (medula, intestino e pele como tecidos que se renovam; REDOME); Da célula ao tecido: mesma receita, pratos diferentes (tecido como células mais matriz; os quatro tecidos animais; órgão e sistema); De volta à pergunta da abertura (o joelho ralado: camada basal, fatores de crescimento, inibição por contato)

    Fonte dos fundamentos de renovação e diferenciação; o conteúdo de ciclo celular e câncer fica na página de núcleo e ciclo celular.

  • Biologia EM1 — Capítulo 5: A célula, unidade da vida · Abertura (hemácia de 7 a 8 µm, sem núcleo, 120 dias, cerca de 84 % das células do corpo, estimativa de Sender, Fuchs e Milo, 2016)

    Números da hemácia conferidos com OpenStax Anatomy and Physiology 2e, capítulo 18, e com a enciclopédia MedlinePlus.

  • Biologia EM1 — Bloco PAS do Capítulo 8 (itens reais) · Itens PAS 1 2014/50 (renovação das células epiteliais por mitose) e 2019/58 (divisão celular e desenvolvimento dos tecidos), reusados por GUID da página de mitose e meiose

    Conferência dos gabaritos dos itens reusados.