Tecidos e órgãos vegetais

Guia de estudo · Revisado em 02/10/2026

BNCC · EM13CNT202

Por que a castanha é o fruto do caju e a polpa não é, a batata é caule e a cenoura é raiz, e como um corte, um esquema de flor ou um prato de comida revelam que tecido e que órgão da planta estão ali?

O que você vai aprender

  • Classificar um tecido vegetal (meristema, parênquima, epiderme, periderme, colênquima, esclerênquima, xilema, floema, secretor) pela descrição de suas células e dizer se é vivo ou morto na maturidade e qual é sua função.
  • Distinguir crescimento primário de secundário, situar câmbio vascular e felogênio, identificar casca, floema, alburno e cerne num tronco e explicar por que monocotiledôneas não formam lenho.
  • Ler anéis de crescimento: calcular idade e crescimento radial médio a partir de um disco e enunciar as condições em que um anel corresponde a um ano.
  • Nomear as zonas da ponta da raiz, as camadas do corte transversal e os tipos de raiz (pivotante, fasciculada; tuberosa, tabular, escora, respiratória, sugadora, estrangulante, aérea) a partir de descrições e exemplos.
  • Reconhecer um caule pela presença de nós e gemas, mesmo subterrâneo ou modificado (tubérculo, rizoma, bulbo, xilopódio, cladódio, gavinha, espinho), e distinguir espinho de acúleo.
  • Descrever a folha em corte transversal (epiderme com cutícula, paliçádico, lacunoso, nervura, estômatos), interpretar a posição dos estômatos e calcular o número de estômatos a partir da densidade estomática.
  • Definir a flor como ramo reprodutivo modificado e nomear pedúnculo, receptáculo e os quatro verticilos com suas peças; classificar flores em completas ou incompletas, monoclinas ou diclinas, monoicas ou dioicas, trímeras ou pentâmeras.
  • Associar as síndromes de polinização (vento, insetos, aves, morcegos) às marcas da flor e separar polinização de fecundação.
  • Definir fruto como ovário desenvolvido e semente como óvulo fecundado, identificar epicarpo, mesocarpo e endocarpo e classificar frutos em carnosos (baga, drupa) e secos (vagem, cápsula, cariopse, aquênio, noz, sâmara), simples, agregados e múltiplos.
  • Decidir, para caju, morango, maçã, pera, figo, abacaxi e banana, qual parte é fruto verdadeiro, qual é pseudofruto ou infrutescência e de que peça da flor veio a polpa, e reconhecer a partenocarpia.
  • Traduzir o prato para a botânica: dizer de que órgão vem cada alimento (tomate, batata, cenoura, cebola, alface, brócolis, feijão, arroz, amendoim, castanha de caju) e associar os modos de dispersão à forma do fruto.
  • Descrever as partes da semente (tegumento, embrião, reserva no endosperma ou nos cotilédones) e distinguir a semente de milho da de feijão em corte.
  • Julgar itens de histologia e morfologia vegetal pelo método da etiqueta trocada, como nos itens reais do PAS 2 (2010/100, 2012/102, 2018/67, 2021/85, 2021/92, 2021/93, 2023/55, 2025/41, 2025/64).

Corte um gomo de cana ao meio. Por fora, uma casca lisa e dura, interrompida de palmo em palmo por anéis de onde saíam as folhas. Por dentro, um miolo fibroso e doce, atravessado por fios rígidos que ficam presos entre os dentes. Agora rasgue uma folha de couve: a lâmina verde cede, mas as nervuras resistem como cordões, e a superfície tem uma película em que a água escorre em gotas. Na fruteira, um caju: a parte que se chupa é amarela, macia e cheia de suco; a castanha, dura e cinzenta, pende na ponta. Na feira, uma banca vende “legumes” que são frutos (tomate, abobrinha, vagem), uma “fruta” que é o cabinho da flor engrossado (a polpa do caju), “verduras” que são folhas (alface), gemas (repolho), inflorescências (brócolis) e, numa caixa à parte, batatas e cenouras que a maioria das pessoas põe no mesmo saco e que não são o mesmo órgão. Cada textura do gomo de cana é um tecido com um cargo: o que protege, o que sustenta, o que conduz, o que fabrica, o que guarda, o que cresce. Cada coisa que vai ao prato é um órgão feito desses tecidos. Saber nomear tecido e órgão é o que decide se a polpa do caju é ou não é fruto, e é o que a prova pergunta, quase sempre com uma única etiqueta trocada.

Esta página é a anatomia e a morfologia da planta com flor, do tecido ao órgão. Começa pelas famílias de tecidos (meristemas, parênquimas, revestimento, sustentação, condução e secreção) e pelo que cada uma faz no gomo de cana e na folha de couve; mostra como uma árvore engrossa, o que é casca, cerne e alburno, e o que os anéis de crescimento contam; percorre os seis órgãos (raiz, caule, folha, flor, fruto e semente), com as partes, as adaptações e os disfarces de cada um; dedica uma seção inteira ao par fruto e pseudofruto, com o caju, o morango, a maçã, o abacaxi e o figo; monta a tabela do prato (o que é raiz, caule, folha, flor, fruto ou semente no que você come); abre a semente de milho e a de feijão; e termina com um método de leitura de cortes e esquemas, os erros que a prova planta e os itens reais comentados. O que a planta faz com esses tecidos (a subida da água pelo xilema, a abertura do estômato, o açúcar da fonte ao dreno, os hormônios, a germinação) está em fisiologia vegetal. A flor, o fruto e a semente como marcas que separam angiospermas de gimnospermas, e a dupla fecundação, estão em grupos vegetais. A célula vegetal (parede, vacúolo, plastos) está em organelas celulares; o amido e a celulose, em carboidratos; a casca grossa, o xilopódio e a folha dura como adaptações ao fogo e ao solo, em Cerrado; polinização e dispersão como relações entre espécies, em relações ecológicas.

Seis famílias de tecidos: cada textura do gomo de cana tem nome

Uma planta com flor tem dezenas de tipos de célula, mas a escola os agrupa em poucas famílias de tecidos, pelo cargo. A primeira divisão é entre o que ainda se divide e o que já se diferenciou. Os meristemas são tecidos embrionários: células pequenas, de parede fina, vacúolo pequeno e núcleo grande, que não param de se dividir por mitose. Todo o resto da planta nasce deles. Os tecidos permanentes (ou adultos) são células que pararam de se dividir e se especializaram: revestir, preencher, sustentar, conduzir, secretar.

Meristemas: onde a planta cresce

Meristemas apicais ficam na ponta da raiz e na ponta do caule, e nas gemas (apicais, na ponta do ramo; axilares ou laterais, na axila das folhas, de onde saem ramos e flores). São responsáveis pelo crescimento primário: a planta fica mais comprida. Do meristema apical saem três meristemas primários, que formam os três sistemas de tecidos: a protoderme vira epiderme, o meristema fundamental vira parênquima, colênquima e esclerênquima, e o procâmbio vira xilema e floema primários. Meristemas laterais são cilindros de células em divisão que correm ao longo do caule e da raiz: o câmbio vascular, que produz xilema e floema novos, e o felogênio (ou câmbio da casca), que produz a periderme. São responsáveis pelo crescimento secundário: a planta engrossa. Eudicotiledôneas lenhosas e gimnospermas têm os dois meristemas laterais; monocotiledôneas, em regra, não têm câmbio vascular, e por isso não formam lenho verdadeiro. Uma gema é meristema, não tecido de sustentação: chamar a gema de “colênquima” foi o erro de um item do PAS 2 de 2018 (item 67, errado).

Os tecidos permanentes se distribuem por três sistemas que atravessam a planta inteira, da raiz à folha: o sistema de revestimento (epiderme e periderme), o sistema fundamental (parênquimas, colênquima e esclerênquima) e o sistema vascular (xilema e floema). Um gomo de cana, uma folha de couve e uma cenoura são combinações diferentes dos mesmos tecidos.

Parênquima é o tecido de preenchimento: células vivas, de parede fina, com vacúolo grande, que fazem quase todo o metabolismo da planta. Recebe um sobrenome pela função. O parênquima clorofiliano (clorênquima) tem cloroplastos e faz a fotossíntese: é o verde da alface e o miolo da folha, que na seção da folha se divide em paliçádico e lacunoso. O parênquima de reserva guarda amido, açúcar, óleo ou proteína: o miolo doce da cana, a batata, a cenoura, o endosperma do milho, os cotilédones do feijão. O parênquima aquífero guarda água em vacúolos enormes: as folhas carnosas da babosa e dos cactos. O parênquima aerífero (aerênquima) tem grandes espaços cheios de ar entre as células, que flutuam a planta aquática e levam oxigênio às raízes afogadas: o talo da vitória-régia, o caule do aguapé, as raízes do arroz irrigado.

Revestimento. A epiderme cobre todos os órgãos jovens: uma camada única (às vezes múltipla) de células vivas e achatadas, sem cloroplastos na maioria das folhas, encaixadas sem espaços. Nas partes aéreas ela secreta a cutícula, uma película de cutina e ceras que impermeabiliza a superfície e faz a água escorrer em gotas na couve e na bananeira: sem cutícula, a folha secaria em minutos. Como a cutícula também barra o gás carbônico, a epiderme é furada por estômatos: cada um é um poro (o ostíolo) entre duas células-guarda, as únicas células da epiderme com cloroplastos, em forma de rim (ou de haltere, nas gramíneas), em geral acompanhadas de células subsidiárias e abertas sobre uma câmara de ar dentro da folha. O estômato é uma estrutura da epiderme, não um tecido; o que faz o poro abrir e fechar está em fisiologia vegetal. A epiderme ainda produz tricomas, os pelos: tricomas simples que reduzem a transpiração e atrapalham insetos, tricomas glandulares que secretam óleos (hortelã, tomateiro) ou toxinas (urtiga). Na raiz, a epiderme não tem cutícula nem estômatos e emite os pelos absorventes, prolongamentos finos de uma célula que multiplicam a superfície de absorção. Em caules e raízes que engrossam, a epiderme se rompe e é substituída pela periderme: o felogênio produz, para fora, o súber (ou felema), camadas de células mortas com paredes impregnadas de suberina, cheias de ar, impermeáveis e isolantes; para dentro, a feloderme, viva. Súber é a cortiça da rolha (casca do sobreiro), a casca grossa do pequizeiro e a “pele” da batata. Como o súber é impermeável a gases, a periderme tem lenticelas, aberturas de células frouxas por onde o caule e o tubérculo trocam gases: os pontinhos na casca da batata, da pera e dos galhos jovens.

Sustentação. Dois tecidos, com uma diferença que a prova explora: um é vivo e flexível, o outro é morto e rígido. O colênquima é feito de células vivas, alongadas, com paredes primárias espessadas de modo irregular (nos cantos) por celulose e pectina, sem lignina. Sustenta órgãos jovens e em crescimento sem impedi-los de crescer e se dobrar: os cordões das nervuras da couve, os “fios” do talo do aipo, o pecíolo da folha. O esclerênquima tem células com parede secundária espessa e impregnada de lignina, em geral mortas na maturidade: só a parede fica, e sustenta. Vem em duas formas. As fibras, longas e finas, formam cordões (as fibras da cana, do linho, da juta, do sisal e do coco) e acompanham os feixes de condução. As esclereídes (ou células pétreas) são curtas, de formas variadas, e endurecem o que precisa ser duro: o caroço do pêssego e da azeitona (o endocarpo), a casca da noz e da castanha-do-pará, e a “areia” que se sente ao morder uma pera ou uma goiaba, grupos de esclereídes dispersos na polpa.

Condução. O xilema conduz a seiva bruta (água e sais minerais) da raiz para cima. Suas células condutoras, as traqueídes (presentes em todas as plantas vasculares) e os elementos de vaso (típicos das angiospermas, mais largos, emendados ponta a ponta em tubos contínuos), são mortas na maturidade, ocas, com paredes reforçadas por lignina em anéis, espirais ou redes, para não colabar sob a tensão que puxa a água. O xilema também tem fibras e parênquima vivo, mas o tubo por onde a água passa é um encanamento de células mortas: por isso o xilema não bombeia nada; o motor está na folha. O floema conduz a seiva elaborada (água com sacarose, aminoácidos e hormônios) das folhas, que a produzem, para qualquer parte que a consuma ou armazene, para cima ou para baixo. Seus elementos de tubo crivado são células vivas na maturidade, mas sem núcleo e quase sem organelas, emendadas por placas crivadas (paredes perfuradas); cada uma depende de uma célula companheira, com núcleo, que a mantém viva e carrega o açúcar no tubo. Xilema e floema correm lado a lado em feixes vasculares: no caule das eudicotiledôneas, os feixes se dispõem em anel; no das monocotiledôneas (cana, milho, palmeira), ficam espalhados pelo miolo. Os fios que prendem nos dentes ao mastigar cana são feixes vasculares envolvidos por fibras de esclerênquima.

Secreção. Alguns tecidos e células produzem e acumulam substâncias. Os laticíferos fabricam o látex: a seringueira (Hevea brasiliensis), o mamoeiro, a mandioca, a mangabeira, muitas euforbiáceas. Os canais resiníferos dos pinheiros e das araucárias produzem resina, que sela ferimentos e afasta insetos. Os nectários, na base das pétalas ou fora da flor (nectários extraflorais, nas folhas do maracujá e nos pecíolos de muitas leguminosas), secretam néctar, a moeda com que a planta paga polinizadores e formigas guarda-costas. Os hidatódios nas bordas das folhas expelem água líquida de madrugada (a gutação). E os tricomas glandulares são a epiderme fazendo secreção: o cheiro da hortelã e do manjericão sai de glândulas na superfície da folha.

Quadro em duas colunas. À esquerda, uma caixa verde-clara de meristemas, dividida em apicais (ponta da raiz e do caule, gemas; crescimento primário; protoderme, meristema fundamental e procâmbio) e laterais (câmbio vascular e felogênio; crescimento secundário; só eudicotiledôneas lenhosas e gimnospermas), com a nota de que gema é meristema, não colênquima. Duas setas cinza ligam os meristemas às caixas de tecidos permanentes à direita: revestimento (amarela), com epiderme (cutícula, estômatos, tricomas, pelos absorventes) e periderme (felogênio, súber morto, lenticelas); fundamental (verde), com parênquima vivo (clorofiliano, de reserva, aquífero, aerífero), colênquima vivo e flexível e esclerênquima morto com lignina (fibras e esclereídes); condução (azul), com xilema (traqueídes e elementos de vaso mortos, seiva bruta da raiz para cima) e floema (tubos crivados vivos e células companheiras, seiva elaborada da folha para onde for preciso); secreção (roxa), com laticíferos, canais de resina, nectários, hidatódios e tricomas glandulares. Uma caixa vermelha lista os tecidos vivos e os mortos na maturidade. Cada tecido traz um exemplo do prato.
O mapa dos tecidos. Tudo nasce dos meristemas: os apicais alongam, os laterais engrossam. Os tecidos permanentes se agrupam em revestir, preencher e sustentar, conduzir e secretar. Repare na coluna "vivo ou morto": colênquima e floema condutor são vivos; esclerênquima, xilema condutor e súber são mortos na maturidade. Diagrama autoral.
tecido células vivas? parede função onde se vê no prato
meristema sim, em divisão fina, primária crescimento (comprimento e espessura) o “olho” da batata que brota; a ponta do aspargo
parênquima clorofiliano sim fina fotossíntese o verde da alface e da couve
parênquima de reserva sim fina guardar amido, açúcar, óleo miolo da cana, batata, cenoura, grão de milho
epiderme sim fina, com cutícula fora proteção, controle de trocas (estômatos) a película da couve; a pele do tomate
súber (periderme) não suberina isolamento, proteção de caules velhos pele da batata; cortiça da rolha
colênquima sim primária espessada, sem lignina sustentação flexível de órgãos jovens nervura da couve; fios do aipo
esclerênquima não (na maturidade) secundária, com lignina sustentação rígida, proteção fibra da cana; caroço do pêssego; “areia” da pera
xilema (condutor) não lignificada seiva bruta, da raiz para cima fios duros do gomo de cana; o lenho da madeira
floema (condutor) sim, sem núcleo fina, com placas crivadas seiva elaborada, da folha para onde for preciso logo por dentro da casca; os “canais do açúcar”
Vivo ou morto, e quem conduz o quê

Quatro trocas sustentam a maioria dos itens de histologia. “Xilema é tecido vivo que conduz seiva elaborada”: errado duas vezes; o xilema condutor é morto e leva seiva bruta. “Floema conduz água e sais para cima”: errado; o floema leva seiva elaborada, a partir das folhas, em qualquer sentido. “Colênquima é morto e lignificado”: errado; isso descreve o esclerênquima. “Estômato é um tecido”: errado; é uma estrutura da epiderme, formada por duas células-guarda. Leia o item procurando o substantivo fora do lugar: em geral o resto da frase está correto.

A prova pede a histologia pela etiqueta trocada, e a melhor ilustração é o tipo C do PAS 2 de 2021 (item 85), sobre troncos e folhas de uma angiosperma. Três opções puseram peças de um órgão em outro: troncos com “estômatos, coifa e xilema” (coifa é a capa da ponta da raiz; estômatos ficam na epiderme de folhas e caules jovens, não no tronco revestido de súber), folhas com “carpelo e cutícula” para “absorção de água” (carpelo é peça da flor, e a folha não absorve água; transpira), troncos de “xilema, floema e estigma” (estigma é a ponta do carpelo). Sobrou a opção que dizia o óbvio: as folhas possuem parênquima e são importantes para a troca gasosa. Gabarito D. Em 2010, o item 100 afirmou que a celulose do bagaço e da palha da cana “encontra-se na parede celular de tecidos primários e secundários desses resíduos vegetais”. O começo é verdadeiro: celulose é parede celular. O gabarito oficial foi errado, e a leitura botânica que o sustenta é a de que a cana é uma gramínea, monocotiledônea, sem câmbio e sem crescimento secundário: o colmo é feito só de tecidos primários, e “tecidos secundários” na cana é uma etiqueta que não existe. Quem leu o item como “celulose fica na parede celular” marcou certo e perdeu.

Crescimento secundário: como a árvore engrossa e o que os anéis contam

Um pé de feijão e um ipê começam do mesmo jeito: o meristema apical alonga o caule, e o procâmbio forma feixes de xilema e floema primários. A diferença aparece quando o ipê começa a engrossar. Entre o xilema e o floema de cada feixe surge um cilindro de células que voltam a se dividir: o câmbio vascular. Para dentro, ele produz xilema secundário, que é o lenho, a madeira; para fora, floema secundário. Como o lenho se acumula ano após ano e o floema velho é esmagado contra a casca, o tronco de uma árvore é quase todo xilema, e o floema funcional é uma camada fina logo por dentro da casca. Ao mesmo tempo, a epiderme, que não cresce, se rompe, e o felogênio forma a periderme com o súber por fora. Tudo o que fica por fora do câmbio vascular é a casca: floema secundário mais periderme. Por isso retirar um anel de casca (o anelamento) leva o floema e poupa o xilema; e por isso a casca grossa do Cerrado é um isolante de súber que protege o câmbio vivo do calor do fogo. O PAS 2 de 2023 (item 54) chamou a casca grossa de proteção “tanto contra a perda de água quanto contra as queimadas”, e o item foi certo: as duas funções são reais.

Cerne, alburno e os anéis de crescimento

Num tronco cortado, o lenho tem duas regiões. O alburno (ou branco), a faixa externa e mais clara, é o xilema secundário jovem, que ainda conduz água. O cerne (ou durâmen), o centro escuro, é xilema velho que parou de conduzir: as células se entopem e se impregnam de resinas, taninos e óleos, o que o torna mais duro, mais escuro e mais resistente ao apodrecimento e aos cupins; é a parte mais valorizada da madeira. Dentro do lenho, os anéis de crescimento aparecem onde o câmbio trabalha em ritmo desigual ao longo do ano: na estação favorável (chuvosa ou primavera) ele produz lenho inicial, de vasos largos e paredes finas, mais claro; na estação desfavorável (seca ou inverno) produz lenho tardio, de células estreitas e paredes grossas, mais escuro, ou para de produzir. Um par claro-escuro é um período de crescimento. Onde há uma estação de parada por ano, cada anel é um ano, e contar anéis é datar a árvore: é a dendrocronologia. Onde o clima é uniforme o ano inteiro, os anéis podem ser indistintos ou ausentes; onde há estação seca marcada, como no Cerrado, na Mata Atlântica do sul e em boa parte da Amazônia, muitas espécies formam anéis anuais.

Os anéis contam mais do que a idade. Um anel largo é um ano bom (chuva, luz); um anel estreito, um ano de seca, de sombra ou de ataque de pragas; uma cicatriz escura dentro do anel é um incêndio que a árvore sobreviveu. Nos parques da Sierra Nevada, nos Estados Unidos, as sequoias-gigantes chegam a 3 400 anos, e as cicatrizes de fogo em seus anéis mostram que incêndios naturais passaram por aquelas florestas a intervalos de 6 a 35 anos ao longo dos últimos 2 000 anos, segundo o Serviço de Parques dos Estados Unidos. No Brasil, a ideia de que árvore tropical não tem anel foi derrubada espécie por espécie: na araucária do sul do país, a datação por carbono-14 do pico das bombas atômicas confirmou que os anéis são anuais (Fontana e colaboradores, Dendrochronologia, 2025), e castanheiras-do-pará da Amazônia Central tiveram seus anéis lidos para reconstruir 400 anos de história, inclusive a queda no recrutamento de novas árvores depois da expansão de Manaus no século XVIII (Caetano Andrade e colaboradores, PLOS ONE, 2019). A ressalva fica: nem todo anel é um ano. Uma seca no meio da estação chuvosa produz um falso anel, e espécies de clima sem estação não marcam nenhum.

À esquerda, um tronco em corte transversal, fora de escala, com anéis concêntricos: o centro marrom-escuro rotulado cerne (xilema velho, escuro, com resinas e taninos, não conduz, sustenta), uma faixa bege mais larga rotulada alburno (xilema jovem, claro, conduz a seiva bruta), uma linha verde-escura fina rotulada câmbio vascular (vivo, divide: xilema para dentro, floema para fora), uma camada verde-clara rotulada floema secundário (vivo, seiva elaborada) e, por fora, uma camada marrom rotulada periderme (súber morto, lenticelas, desenhadas como pontos claros); uma chave vertical marca floema mais periderme como casca. No alto, um detalhe de três anéis, cada um com uma faixa clara de lenho inicial (vasos largos, estação boa) e uma faixa escura de lenho tardio (estreito, estação seca), com a nota de que um par claro mais escuro é um período de crescimento. À direita, um painel: região com uma estação seca por ano, um anel é um ano; disco de 18 centímetros de raio com 12 anéis, idade de cerca de 12 anos nessa altura; 180 milímetros divididos por 12 dá 15 milímetros por ano de crescimento radial médio; anel estreito é ano seco, anel largo é ano chuvoso, cicatriz escura é fogo; e os casos em que a contagem não vale: clima sem estação, falso anel, palmeiras.
O tronco por dentro. De fora para dentro: periderme com súber, floema secundário (os dois formam a casca), o câmbio vascular (uma camada fina de células vivas em divisão), o alburno e o cerne. Cada par de lenho claro e escuro é um período de crescimento; onde há uma estação de parada por ano, é um ano. Fora de escala. Diagrama autoral.

Exemplo resolvido: lendo um disco de madeira. Um disco cortado de um tronco tem 18 cm de raio, da medula à casca, e nele se contam 12 anéis de crescimento completos, numa região onde há uma estação seca por ano. Qual é a idade aproximada do tronco nessa altura e qual foi o crescimento radial médio por ano? Com uma estação de parada por ano, cada anel é um ano: cerca de 12 anos. O crescimento radial médio é o raio dividido pelo número de anos: 180 mm/12=15180 \text{ mm} / 12 = 15 mm por ano; em diâmetro, 30 mm por ano. Conferência: se os anéis fossem todos iguais, cada um teria 15 mm; os anéis reais variam (um de 6 mm foi um ano seco, um de 25 mm foi um ano chuvoso), mas a soma dá os 180 mm. Duas ressalvas que valem ponto: a idade vale para aquela altura do tronco (a base é mais velha que o alto, porque a árvore cresce em comprimento pela ponta), e a contagem só é idade se o clima do lugar produzir um anel por ano.

Por que a palmeira não tem anéis e a cana não tem casca

Monocotiledôneas (gramíneas, palmeiras, bananeira, orquídeas) não têm câmbio vascular. O estipe de uma palmeira engrossa logo abaixo do ápice, por um meristema de espessamento primário e pelo aumento de tamanho das células, e depois praticamente não muda de diâmetro; por isso o tronco do coqueiro tem a mesma grossura da base ao topo, não tem anéis anuais nem cerne e alburno, e a “madeira” de palmeira é um feixe de fibras num parênquima. Foi essa anatomia que decidiu o item 100 do PAS 2 de 2010: na cana, só há tecidos primários.

Raiz: o órgão que fixa, absorve e, às vezes, guarda

A raiz é o órgão que, em regra, cresce para baixo, não tem folhas, nós nem gemas, e cumpre três funções: fixar a planta, absorver água e sais minerais do solo e, em muitas espécies, armazenar reservas. Pode ainda respirar, escorar, sugar outra planta e fazer parcerias com fungos e bactérias. Ela nasce da radícula do embrião; toda raiz que nasce de outro lugar (do caule, de uma folha, de uma estaca) é adventícia.

A ponta de uma raiz, vista em corte longitudinal, tem quatro regiões em sequência. A coifa é um capuz de células parenquimáticas que protege o meristema enquanto a raiz avança pelo solo; suas células são arrancadas pelo atrito e repostas por dentro, secretam uma mucilagem que lubrifica a passagem e contêm grãos de amido que sedimentam e informam à raiz onde é “baixo” (o gravitropismo, em fisiologia vegetal). Logo atrás fica a zona meristemática (ou de divisão), o meristema apical, de células pequenas em mitose. Em seguida, a zona de alongamento (ou de distensão), em que as células recém-formadas se esticam e empurram a ponta para a frente: é aqui que a raiz de fato avança. Depois, a zona pilífera (ou de maturação), em que as células da epiderme emitem os pelos absorventes, finos, curtos e numerosos, que vivem poucos dias e são substituídos à medida que a ponta avança; é por eles que entra a maior parte da água. Acima dela, a zona de ramificação, em que raízes laterais nascem de dentro para fora, a partir do periciclo, a camada mais externa do cilindro central. Repare na consequência: os pelos absorventes ficam numa faixa estreita perto da ponta, e uma muda transplantada com a ponta das raízes quebrada perde justamente a parte que absorve.

Em corte transversal, uma raiz jovem mostra, de fora para dentro: a epiderme, sem cutícula, com pelos absorventes; o córtex, largo, de parênquima, por onde a água atravessa; a endoderme, a camada mais interna do córtex, cujas células têm nas paredes uma faixa impermeável de suberina, a estria de Caspary, que obriga a água e os íons a atravessar uma membrana antes de entrar no xilema (a seleção que fisiologia vegetal explica); e o cilindro central, com o periciclo por fora e, no meio, o xilema em forma de estrela, com o floema entre as pontas. Nas monocotiledôneas o centro tem uma medula de parênquima; nas eudicotiledôneas, o xilema ocupa o centro.

Pivotante ou fasciculada: o sistema de raízes

No sistema pivotante (ou axial), a radícula vira uma raiz principal grossa, que desce vertical e emite raízes laterais menores: cenoura, feijão, mangueira, cajueiro, pequizeiro, e as eudicotiledôneas e gimnospermas em geral. Alcança água funda: a raiz principal do cajueiro passa de 10 m de profundidade, segundo a Embrapa, e muitas árvores do Cerrado chegam ao lençol freático a 10, 15 m. No sistema fasciculado (ou em cabeleira), a radícula morre cedo e o sistema é formado por muitas raízes adventícias finas, de tamanho parecido, que saem da base do caule: capim, milho, arroz, trigo, cana, bananeira, e as monocotiledôneas em geral. Fica perto da superfície, forma uma malha densa que segura o solo (a grama contra a erosão) e explora bem a camada superficial. A pergunta “pivotante ou fasciculada?” é a mesma pergunta “eudicotiledônea ou monocotiledônea?”, e aparece junto com a nervura da folha e o número de pétalas.

Raízes modificadas são a parte que a prova gosta de pôr no prato e no mangue. Raízes tuberosas engrossam com parênquima de reserva (amido, em geral): cenoura, beterraba, nabo, batata-doce, mandioca. A mandioca é a raiz que alimenta boa parte do Brasil: o país produziu cerca de 20 milhões de toneladas em 2025, segundo a Produção Agrícola Municipal do IBGE, e a fécula, a tapioca e a farinha são o amido extraído dessas raízes. Uma raiz tuberosa não tem gemas nem “olhos”: é o critério que a separa do tubérculo caulinar da batata-inglesa, que tem. Raízes tabulares (sapopembas) são expansões achatadas na base do tronco, como contrafortes, que escoram árvores altas de solo raso: figueiras, sumaúma, e muitas árvores da Amazônia. Raízes-escora (ou suportes) nascem do caule acima do solo e descem em diagonal para ancorar a planta: o milho, as palmeiras paxiúba, o mangue-vermelho (Rhizophora mangle). Raízes respiratórias (pneumatóforos) crescem para cima, saindo do lodo encharcado e sem oxigênio do manguezal, com lenticelas por onde o ar entra: o mangue-branco (Laguncularia) e o mangue-siriúba (Avicennia). Raízes sugadoras (haustórios) penetram o caule de outra planta e se ligam aos vasos dela: o cipó-chumbo (Cuscuta), sem clorofila, que rouba seiva elaborada do floema (holoparasita), e a erva-de-passarinho, que tem clorofila e rouba sobretudo água e sais do xilema (hemiparasita). Raízes estrangulantes (cinturas) são as do mata-pau, uma figueira que germina sobre outra árvore, desce raízes que se fundem em torno do tronco hospedeiro e, décadas depois, o sufoca. Raízes aéreas das orquídeas e de outras epífitas ficam penduradas no ar, cobertas por um velame, uma epiderme múltipla de células mortas e esponjosas que absorve a água da chuva e do orvalho e protege da perda. Em muitas plantas, ainda, a raiz faz sociedade: os nódulos das leguminosas (feijão, soja, amendoim) abrigam bactérias do gênero Rhizobium que fixam o nitrogênio do ar, e as micorrizas associam raízes a fungos que ampliam a captação de água e fósforo; as duas parcerias estão em ciclos biogeoquímicos, bactérias e fungos.

Três painéis, fora de escala. À esquerda, a ponta de uma raiz em corte longitudinal, amarela, com o cilindro central azul e as regiões rotuladas de baixo para cima: coifa (laranja; proteção, mucilagem, amido), zona meristemática (células pequenas; divisão), zona de alongamento (células maiores; a raiz avança aqui), zona pilífera (pelos finos saindo dos dois lados; pelos absorventes, entra a água) e zona de ramificação, com uma raiz lateral nascendo de dentro, do periciclo. No alto, ao centro, um corte transversal circular: epiderme com pelos, córtex largo de parênquima, o anel tracejado vermelho da endoderme com a estria de Caspary e o cilindro central com o xilema azul em estrela e quatro círculos verdes de floema entre as pontas. Embaixo, ao centro, dois sistemas desenhados em marrom: pivotante (uma raiz principal grossa com laterais; eudicotiledôneas, cenoura, feijão) e fasciculado (muitas raízes finas iguais; monocotiledôneas, capim, milho). À direita, seis miniaturas rotuladas: tuberosa (cenoura laranja; cenoura, mandioca, batata-doce, sem gemas), tabular (tronco com contrafortes triangulares; figueira, sumaúma), escora (caule verde com raízes em diagonal até o solo; milho, mangue-vermelho), respiratória (raízes verticais saindo de um lodo cinza para o ar; pneumatóforos, manguezal), sugadora (raízes amarelas com haustórios vermelhos num caule hospedeiro verde; cipó-chumbo) e aérea (raízes verde-claras com velame pendendo de um tronco; orquídeas).
A raiz em três olhares. A ponta cresce numa sequência fixa: coifa, divisão, alongamento, pelos absorventes. O corte mostra o caminho da água até o cilindro central, com a endoderme como portão. Os sistemas (pivotante ou fasciculado) e as modificações respondem ao solo e à vida da planta. Fora de escala. Diagrama autoral.
A beterraba e o rabanete

Nem toda “raiz” da feira é só raiz. Na beterraba, no rabanete e no nabo, a parte redonda que se come é a raiz principal engrossada mais o hipocótilo, o trecho do eixo do embrião entre a raiz e os cotilédones, que também engrossou. Para a prova, os três são raízes tuberosas; para quem olha de perto, a parte de cima, onde saem as folhas, é caule, e só a parte afilada de baixo, com raízes laterais, é raiz. A mandioca e a batata-doce são raízes adventícias ou laterais engrossadas; a cenoura é a raiz principal. O que nenhuma delas tem é nó com gema axilar: um pedaço de cenoura ou de mandioca não brota, como um pedaço de batata-inglesa brota. A batata-doce é a exceção prática: a raiz forma gemas adventícias (nascidas onde não havia nó) e pode brotar, tanto que suas mudas também saem de raízes postas em canteiro; nem por isso ganha nós, e continua raiz.

Caule: nós, gemas e os disfarces que a prova põe no prato

O caule é o eixo que sustenta folhas, flores e frutos, conduz a seiva entre a raiz e a folha e, em muitas espécies, armazena reservas e faz fotossíntese enquanto é verde. O que o identifica, mesmo quando está enterrado ou disfarçado, é uma marca que a raiz não tem: nós, os pontos de inserção das folhas, separados por entrenós, e gemas, apicais na ponta e axilares na axila de cada folha. Onde há nó e gema, há caule. É o critério que resolve a batata, o gengibre e a cebola.

Os caules aéreos recebem nome pela forma. O tronco é lenhoso, grosso, ramificado só no alto ou ao longo do comprimento (ipê, mangueira, pequizeiro). O estipe é o caule das palmeiras: cilíndrico, sem ramificação, com um tufo de folhas só no ápice e sem crescimento secundário (coqueiro, açaizeiro, buriti). O colmo é o caule das gramíneas: nós e entrenós bem marcados, oco (bambu, taquara) ou cheio de parênquima de reserva (cana, milho). Foi a ficha mais simples do PAS 2 de 2025 (item 64): “o caule da cana-de-açúcar é do tipo colmo, apresentando nós e entrenós”, certo. A haste é o caule herbáceo, verde e flexível das plantas pequenas (feijão, tomate, alface). Caules rastejantes correm pelo chão (abóbora, melancia); o estolão é um rastejante que enraíza nos nós e forma plantas novas, como no morangueiro e na grama; caules trepadores sobem apoiados em suportes, por gavinhas, raízes ou enrolando-se (maracujá, videira, feijão).

Os caules subterrâneos são os que mais confundem, porque estão onde a raiz deveria estar. O tubérculo é um caule curto e engrossado por parênquima de reserva: a batata-inglesa e o cará. A batata tem “olhos”, e cada olho é um nó com gemas: a Embrapa descreve os tubérculos da batata como “caules adaptados para reserva de alimentos e também para reprodução”, formados pelo engrossamento da ponta dos estolões, com olhos “cada um contendo mais de uma gema” e lenticelas na superfície. Uma batata esquecida na despensa brota pelos olhos; uma cenoura esquecida nunca brota, só murcha. O rizoma é um caule horizontal, subterrâneo ou rente ao chão, com nós, gemas e raízes adventícias, que avança e emite brotos: o gengibre, a cúrcuma, a bananeira, a samambaia, o bambu. O “tronco” da bananeira não é tronco: é um pseudocaule feito das bainhas das folhas enroladas umas nas outras; o caule verdadeiro é o rizoma, enterrado, e é dele que saem as mudas (os “filhotes”) ao lado da planta-mãe. O bulbo é um caule muito curto, em forma de disco, de onde saem para baixo raízes adventícias e, para cima, folhas modificadas carnosas, os catafilos, que guardam reserva: cebola, alho, lírio, tulipa. A parte da cebola que se come são folhas, não caule, e o disco duro na base é o caule inteiro; na cebola as camadas são catafilos envolventes (bulbo tunicado), e no alho cada “dente” é uma gema axilar engrossada. O xilopódio é um caule subterrâneo lenhoso, intumescido, que guarda água, amido e gemas, típico de arbustos do Cerrado e a razão de a vegetação rebrotar semanas depois do fogo; sua ecologia está em Cerrado.

Batata é caule, cenoura é raiz: o critério, não a posição

“Fica embaixo da terra” e “guarda amido” não decidem nada: a batata-inglesa e a mandioca fazem as duas coisas. O que decide é a presença de nós e gemas. A batata tem olhos e brota; o gengibre tem nós e brota; a cebola tem um caule em disco com gemas no centro. A cenoura e a mandioca não têm nó nem gema e não brotam de um pedaço: raízes. A batata-doce também é raiz, sem nós, mas forma gemas adventícias e pode brotar; a exceção não muda o critério, porque o que define o caule é o nó com a gema na axila da folha, e a batata-doce não tem nó. Quem cultiva usa o critério sem saber: planta-se batata por pedaços do tubérculo com olhos, mandioca por pedaços do caule (as manivas), nunca por pedaços da raiz.

Outros caules se modificam para funções que não são sustentar nem guardar. O cladódio é um caule achatado, verde e cheio de parênquima aquífero, que assume a fotossíntese porque as folhas viraram espinhos: os cactos, a palma forrageira, e a parte verde do “pé” da pitaia. A gavinha caulinar é um ramo fino que se enrola num suporte: a videira, o maracujá e o chuchu (nas ervilhas, a gavinha é folha, não caule). O espinho é um ramo curto, duro, lignificado, que nasce de um nó, tem feixes vasculares ligados aos do caule e não se destaca sem rasgar: o limoeiro, a laranjeira, o espinheiro. O acúleo é diferente: uma projeção da epiderme e do córtex, sem vasos, que se solta com um toque de unha, como os da roseira e da amoreira-silvestre; a “roseira com espinhos” tem acúleos. Os caules suculentos da palma e do cacto, além de fotossintetizar, guardam água em parênquima aquífero.

Painel organizado como uma chave de identificação, fora de escala. No topo, uma faixa verde com a pergunta: tem nós e gemas? Sim, é caule, esteja onde estiver; não, é raiz (cenoura, mandioca, batata-doce). Abaixo, a linha dos caules aéreos, com seis células desenhadas: tronco (lenhoso, ramificado; ipê, mangueira), estipe (sem ramos, tufo de folhas no ápice; coqueiro), colmo (cilindro verde-claro com nós marcados; cana, bambu, PAS 2 2025, item 64), haste (herbáceo e verde; feijão, tomate), estolão (ramo rasteiro que enraíza nos nós; morangueiro) e cladódio (caule verde achatado com espinhos; cacto, folhas viradas espinhos). Depois, a linha dos subterrâneos: tubérculo (batata-inglesa com olhos marcados como nós com gemas brotando), rizoma (horizontal, com nós, brotos para cima e raízes para baixo; gengibre, bananeira), bulbo (cebola em corte, com o caule em disco verde embaixo e catafilos amarelos em volta) e xilopódio (massa lenhosa enterrada com gemas e brotos; arbusto do Cerrado). À direita, uma caixa laranja compara espinho (ramo lignificado com vasos, limoeiro) e acúleo (projeção da epiderme sem vasos, roseira). No rodapé, notas sobre gavinha, pseudocaule da bananeira, batata que brota e cenoura que só murcha.
Uma chave para os disfarces do caule. A pergunta inicial (tem nós e gemas?) separa caule de raiz; a forma e a posição dão o nome. Espinho e acúleo diferem por dentro: o espinho é ramo com vasos, o acúleo é pele sem vasos. Fora de escala. Diagrama autoral.

Folha: a fábrica, por fora e em corte

A folha é o órgão da fotossíntese e da transpiração, e também onde a planta troca gases e, em muitos casos, guarda água, se defende ou se agarra. Uma folha completa de eudicotiledônea tem limbo (a lâmina), pecíolo (o cabinho) e bainha (a base que abraça o caule), às vezes com estípulas, dois apêndices na base. Nas gramíneas, o pecíolo falta e a bainha é longa e envolve o colmo: é a bainha da folha do milho e da cana que se arranca para descascar o colmo. Uma folha é simples quando o limbo é inteiro ou recortado sem chegar à nervura principal (mangueira, laranjeira, couve) e composta quando o limbo se divide em folíolos, cada um parecendo uma folha pequena (feijão, roseira, flamboyant, pau-brasil); a diferença se vê na gema, que fica na axila da folha inteira, nunca na axila de um folíolo. A nervação repete a ficha dos grupos: nervuras paralelas nas monocotiledôneas (capim, milho, bananeira, lírio) e reticuladas (em rede, a partir de uma nervura central) nas eudicotiledôneas.

A folha em corte transversal

Corte uma folha e olhe a fatia de perfil. Em cima, a epiderme superior (adaxial), uma camada de células sem cloroplastos coberta por cutícula, em geral com poucos ou nenhum estômato. Logo abaixo, o parênquima paliçádico: uma ou duas camadas de células alongadas, em pé, cheias de cloroplastos, que recebem a luz direta e fazem a maior parte da fotossíntese. Abaixo dele, o parênquima lacunoso (esponjoso): células irregulares, com cloroplastos, separadas por grandes espaços de ar por onde o gás carbônico se difunde até as células e o vapor sai; é a esponja da folha. Atravessando o miolo, os feixes vasculares das nervuras, com o xilema voltado para cima e o floema para baixo (a mesma orientação do caule, dobrada para fora), envolvidos por uma bainha de células e, nas nervuras maiores, por colênquima e fibras. Embaixo, a epiderme inferior (abaxial), onde na maioria das folhas ficam os estômatos, abertos sobre câmaras de ar do lacunoso. Paliçádico mais lacunoso formam o mesofilo, o “meio da folha”.

A posição dos estômatos é uma leitura de ambiente. Folhas hipoestomáticas, com estômatos só na face de baixo, são a regra em árvores e na maioria das eudicotiledôneas: a face inferior fica à sombra, mais fresca, e perde menos água. Folhas anfiestomáticas, com estômatos nas duas faces, são comuns em gramíneas e em plantas de sol e de ambiente seco, que precisam de muito CO₂ depressa. Folhas epiestomáticas, só com estômatos na face de cima, são as flutuantes da vitória-régia e da ninfeia, cuja face de baixo está na água; folhas submersas não têm estômatos. A densidade estomática (estômatos por milímetro quadrado) varia com a espécie e com o ambiente: num conjunto de híbridos de milho cultivados em condições controladas, por exemplo, mediram-se cerca de 45 a 47 estômatos por milímetro quadrado (Bilgici e colaboradores, Frontiers in Plant Science, 2026), e muitas folhas de eudicotiledôneas passam de 100 e chegam a algumas centenas. A conta que a prova pode pedir é simples: densidade vezes área. Uma amostra de 5 mm² de uma epiderme com 180 estômatos por mm² tem 180×5=900180 \times 5 = 900 estômatos. Quem mede densidade estomática usa um corte paradérmico (uma lâmina da epiderme vista de frente), e uma técnica de aula é passar esmalte incolor na face de baixo, deixar secar, arrancar a película com fita adesiva e contar os estômatos ao microscópio num campo de área conhecida.

À esquerda, um corte transversal de folha de eudicotiledônea ampliado, fora de escala, com setas laranja de luz chegando por cima e as camadas rotuladas de cima para baixo: cutícula (faixa amarela; cera, a água escorre), epiderme superior (células cinza-claras sem cloroplastos), parênquima paliçádico (células verdes alongadas em pé, cheias de pontos verde-escuros de cloroplastos; fotossíntese), parênquima lacunoso (células verde-claras irregulares com espaços de ar; CO₂ e vapor se difundem), uma nervura no meio com o xilema azul em cima e o floema verde embaixo, dentro de uma bainha amarela, e a epiderme inferior com dois estômatos de células-guarda verdes, com setas de CO₂ entrando e vapor saindo. Uma chave vertical marca paliçádico mais lacunoso como mesofilo. No alto, uma folha inteira com limbo, pecíolo, bainha e nervuras. À direita, um painel com três mini-cortes mostrando a posição dos estômatos como pontos pretos: hipoestomática (só embaixo; a maioria das árvores), anfiestomática (nas duas faces; gramíneas, plantas de sol) e epiestomática (só em cima; folhas flutuantes), a nota de que folhas submersas não têm estômatos, e a conta de densidade estomática: 180 estômatos por milímetro quadrado vezes 5 milímetros quadrados igual a 900, com a explicação do corte paradérmico.
A folha em corte. A luz entra por cima e encontra o paliçádico; o CO₂ entra por baixo, pelos estômatos, e se difunde pelos espaços do lacunoso; a nervura traz água (xilema, em cima) e leva açúcar (floema, embaixo). A posição dos estômatos diz onde a folha vive. Fora de escala. Diagrama autoral.

Folhas modificadas são o repertório de disfarces mais variado da planta. Gavinhas foliares: na ervilha, os folíolos terminais viram filamentos que se enrolam (no maracujá e na videira a gavinha é caule). Brácteas: folhas que acompanham flores e muitas vezes fazem o papel das pétalas: o “vermelho” da primavera (Bougainvillea) e do bico-de-papagaio é bráctea, e as flores verdadeiras são as pequenas no meio; a “coroa” do abacaxi é um tufo de brácteas e folhas no ápice da infrutescência; a “palha” da espiga de milho são brácteas. Catafilos: folhas de reserva ou de proteção, sem clorofila: as camadas da cebola, as escamas que fecham as gemas no inverno. Espinhos foliares: nos cactos, as folhas inteiras viraram espinhos, que reduzem a transpiração a quase nada e afastam herbívoros, e o caule (cladódio) ficou com a fotossíntese; na coroa-de-cristo e em muitos arbustos, estípulas ou pontas de folha endurecem em espinhos. Folhas carnosas (suculentas): babosa, agave, as plantas “de pedra”, cheias de parênquima aquífero. Folhas de plantas carnívoras: a dioneia (Dionaea), com o limbo em armadilha de dobradiça; a drosera, com tricomas glandulares que grudam o inseto; as sarracênias e Nepenthes, com folhas em jarro cheias de líquido digestivo. A planta carnívora não tem dente e não “mastiga”: a folha prende a presa e glândulas na superfície secretam enzimas que digerem as proteínas; a planta absorve sobretudo nitrogênio, escasso nos solos encharcados e pobres onde ela vive, e continua fazendo fotossíntese como qualquer folha. Folhas flutuantes (vitória-régia), com aerênquima e estômatos em cima. E as folhas do prato: alface, couve, espinafre, rúcula e agrião são limbos; o aipo e o ruibarbo são pecíolos; o repolho é uma gema terminal gigante de folhas sobrepostas; a couve-de-bruxelas são gemas axilares; a cebola é catafilo; a “palha” da pamonha é bráctea.

Por que a couve-flor e o brócolis não são folhas

Na feira ficam com as verduras, mas a couve-flor e o brócolis são inflorescências, ramos de flores colhidos antes de abrir (o brócolis, com botões florais já formados, que amarelam se a cabeça fica dias na geladeira; a couve-flor, com meristemas florais ainda indiferenciados). A alcaparra é botão floral; a flor de abobrinha é flor; o cravo-da-índia é botão floral seco; o açafrão verdadeiro é estigma. Mesma planta, órgãos diferentes: a couve, o repolho, o brócolis, a couve-flor e a couve-de-bruxelas são variedades de uma só espécie, Brassica oleracea, selecionadas para engrossar a folha, a gema terminal, a inflorescência ou as gemas axilares.

Flor: o ramo reprodutivo, peça por peça

A flor é um ramo de crescimento limitado, com entrenós muito curtos, cujas folhas se modificaram em peças reprodutivas e de proteção. É a estrutura exclusiva das angiospermas, e é dela que saem o fruto e a semente. Foi essa definição, com a lista das peças, que o PAS 2 de 2023 pediu no único item de resposta construída da prova (item 55): “do ponto de vista da biologia, o que é uma flor?” e “quais são os principais componentes de uma flor completa?”. A resposta cabe em cinco linhas, e esta seção é essa resposta por extenso.

A flor se prende ao ramo pelo pedúnculo, um cabinho, que termina no receptáculo, a porção dilatada do eixo em que as peças se inserem. Sobre o receptáculo, de fora para dentro, ficam quatro verticilos, conjuntos de peças dispostas em círculo.

Os quatro verticilos da flor completa

Cálice: o conjunto das sépalas, em geral verdes, folhas pouco modificadas que protegem o botão antes de abrir e, em muitas espécies, persistem no fruto (o “chapéu” do morango e do tomate, a coroa do caqui). Corola: o conjunto das pétalas, coloridas e perfumadas, que atraem polinizadores; cálice e corola juntos são o perianto, os verticilos de proteção e atração. Androceu: o conjunto dos estames, o aparelho masculino; cada estame tem um filete e uma antera, dentro da qual se formam os grãos de pólen, que carregam o gameta masculino. Gineceu: o conjunto dos carpelos, o aparelho feminino; cada carpelo (ou pistilo, quando se fala do conjunto) tem um estigma no alto, que recebe o pólen, um estilete, o tubo pelo qual o pólen germina para baixo, e um ovário na base, que encerra os óvulos. Depois da fecundação, o ovário vira fruto e cada óvulo vira semente. A flor é completa quando tem os quatro verticilos e incompleta quando falta algum deles.

As flores variam em dois eixos que a prova cobra. O primeiro é o sexo. Uma flor monoclina (hermafrodita, perfeita) tem androceu e gineceu: a maioria das flores, da laranjeira ao feijão. Uma flor diclina tem só um dos dois: estaminada (masculina) ou carpelada (feminina). Quando a mesma planta tem flores masculinas e femininas separadas, ela é monoica, “uma casa”: o milho (o pendão no alto são as flores masculinas; a espiga, com os “cabelos” que são estiletes, as femininas), a abóbora, a melancia, a mamona. Quando as flores masculinas e femininas ficam em plantas diferentes, a espécie é dioica, “duas casas”: a tamareira, o kiwi, o mamoeiro em muitas variedades (que também tem plantas hermafroditas), a aroeira; entre as gimnospermas, a araucária, com pinhas masculinas e femininas em árvores separadas. Numa espécie dioica, só a planta feminina dá fruto, e precisa de uma masculina por perto. O cajueiro é um caso intermediário, andromonoico: na mesma panícula há flores masculinas e flores hermafroditas, e só as hermafroditas viram castanha e caju, segundo a Embrapa.

O segundo eixo é a conta das peças, a fórmula floral. Nas monocotiledôneas, as peças vêm em três ou múltiplos de três, flores trímeras: três sépalas, três pétalas (muitas vezes iguais entre si, as tépalas do lírio e da tulipa), seis estames, três carpelos. Nas eudicotiledôneas, as peças vêm em quatro ou cinco e seus múltiplos, flores tetrâmeras ou pentâmeras: a flor do cajueiro tem cinco sépalas, cinco pétalas, de sete a quinze estames e um ovário simples (Embrapa); a do feijão, cinco pétalas desiguais, dez estames e um carpelo; a da mostarda, quatro pétalas em cruz. A conta das pétalas de uma flor é, com a nervura da folha e a raiz, a terceira pergunta que separa os dois grupos de angiospermas.

Flores raramente vêm sozinhas. Uma inflorescência é um ramo com várias flores: a espiga do milho e do trigo (flores sem pedúnculo num eixo), o cacho da uva e do feijão (flores com pedúnculo), a panícula do cajueiro, da mangueira e do arroz (um cacho ramificado), a umbela do coentro e da cenoura (pedúnculos saindo de um ponto, como um guarda-chuva), o capítulo do girassol e da margarida (centenas de flores minúsculas num receptáculo achatado, cercado por brácteas: cada “pétala” amarela do girassol é uma flor, e cada “semente” é um fruto), o sicônio da figueira (um receptáculo fechado em urna, com as flores voltadas para dentro). O brócolis, a couve-flor e a alcachofra são inflorescências colhidas antes da abertura.

À esquerda, uma flor completa em corte longitudinal, fora de escala: pedúnculo verde embaixo, receptáculo verde alargado, duas sépalas verde-claras rotuladas cálice (protege o botão), duas pétalas amarelas rotuladas corola (atração), dois estames azuis com filete e antera (androceu: produz o pólen) e, no centro, o carpelo em vermelho com estigma (recebe o pólen), estilete (o tubo polínico desce por aqui) e ovário com três óvulos (gineceu). Uma caixa vermelha no alto diz o que vira o quê depois da fecundação: ovário vira fruto, óvulo vira semente, pedúnculo ou receptáculo que engrossa vira pseudofruto. À direita, um painel com três blocos: fórmula floral (monocotiledônea trímera, 3 sépalas, 3 pétalas ou tépalas, 6 estames, 3 carpelos, lírio; eudicotiledônea tetrâmera ou pentâmera, cajueiro com 5 sépalas, 5 pétalas, 7 a 15 estames e 1 ovário); sexo da flor e da planta (monoclina, diclina, monoica como o milho, dioica como a tamareira, completa ou incompleta); e quem poliniza, com quatro pontos coloridos: vento (flor pequena, sem pétalas nem néctar, muito pólen; capim), insetos (colorida, perfume, néctar; laranjeira, maracujá), beija-flor (tubular, vermelha, sem perfume, de dia; hibisco) e morcego (clara, aberta à noite, odor forte; baobá, agave). No rodapé, em vermelho: polinizar (pólen no estigma) não é fecundar (no óvulo).
A flor completa e suas variações. Os quatro verticilos sobre o receptáculo; o ovário vira fruto e o óvulo vira semente, e qualquer outra peça que engrosse dá pseudofruto. A contagem das peças separa monocotiledôneas (três) de eudicotiledôneas (quatro ou cinco); a forma, a cor, o cheiro e o horário da flor dizem quem a poliniza. Fora de escala. Diagrama autoral.

Polinização é o transporte do pólen da antera até o estigma; a fecundação, a união dos gametas, vem depois, dentro do óvulo, e nas angiospermas é dupla (um gameta forma o zigoto, o outro forma o endosperma), como está em grupos vegetais e fisiologia vegetal. Quando o pólen vem da mesma flor ou da mesma planta, a polinização é direta (autogamia); quando vem de outra planta, é cruzada, e é a cruzada que mistura genes e que a maioria das flores favorece. O agente de transporte deixa marcas na flor, as síndromes de polinização. Flores anemófilas, polinizadas pelo vento, são pequenas, verdes ou pardas, sem pétalas vistosas, sem néctar nem perfume, com anteras penduradas para fora e pólen leve e abundante, e estigmas plumosos para pescar o pólen do ar: gramíneas (milho, arroz, trigo, capim), e as gimnospermas em geral. Flores entomófilas, polinizadas por insetos, têm pétalas coloridas, perfume, néctar e pólen pegajoso: a laranjeira, o maracujá (abelhas mamangavas), o feijão, a macieira; abelhas, besouros, borboletas, mariposas e moscas. Flores ornitófilas, de beija-flores, são tubulares, vermelhas ou alaranjadas, sem perfume (o beija-flor tem olfato fraco), com néctar abundante, abertas de dia: o hibisco, o brinco-de-princesa, as bromélias, a eritrina (mulungu). Flores quiropterófilas, de morcegos, abrem à noite, são claras ou esbranquiçadas, grandes e robustas, com cheiro forte (fermentado) e muito néctar e pólen: o baobá, o agave, cactos colunares, muitas espécies da Amazônia e do Cerrado. O PAS 2 de 2021 (item 92) montou a troca clássica de agente: a polinização cruzada das laranjeiras existe e aumenta a produção de frutos, mas “realizada principalmente pela mosca doméstica” é falso; quem poliniza citros são abelhas e outros insetos florais. Errado.

Polinizar não é fecundar, e pétala vistosa não é regra

Três confusões de flor. “Polinização é a fecundação da flor”: são etapas diferentes; o pólen chega ao estigma (polinização), germina um tubo pelo estilete e só então os gametas se unem no óvulo (fecundação). “Toda flor tem pétalas coloridas”: as gramíneas, que alimentam a humanidade, têm flores sem perianto vistoso, polinizadas pelo vento. “Flor pequena e sem cor não é flor”: o capim floresce, e a monocotiledônea “sem flor nem fruto” foi item errado no PAS 2 de 2025 (item 43).

Fruto: o ovário desenvolvido, e tudo o que não é

Depois da fecundação, as paredes do ovário crescem, mudam de textura e de cor e viram o fruto; dentro dele, cada óvulo fecundado vira uma semente. Essa é a definição inteira, e tudo o que a prova pergunta sobre fruto se decide com ela: fruto é ovário desenvolvido; a semente vem do óvulo, não do ovário; o fruto vem do ovário, não do óvulo. O fruto tem duas funções: proteger a semente enquanto ela amadurece e dispersá-la depois, pelo vento, pela água, por animais ou por si mesmo. Como só as angiospermas têm ovário, só elas têm fruto: o pinhão da araucária é semente nua, e “o pinhão é uma semente comestível produzida por algumas gimnospermas” foi item certo no PAS 2 de 2025 (item 42), como está em grupos vegetais.

A parede do fruto é o pericarpo, a parede do ovário transformada, em três camadas: o epicarpo (exocarpo), a pele, que é a casca da manga, do tomate e da uva; o mesocarpo, a camada do meio, que na manga, no pêssego e na azeitona é a polpa que se come; e o endocarpo, a camada interna, que envolve diretamente a semente e que no pêssego, na manga e na azeitona endurece com esclereídes no caroço. O caroço do pêssego não é a semente: é endocarpo; a semente é a amêndoa que está dentro dele. No coco, o epicarpo é a casca lisa, o mesocarpo é a fibra, o endocarpo é a casca dura com três “olhos”, e a semente, dentro, é a carne branca com a água, que é o endosperma.

Carnosos e secos: a classificação em nível escolar

Frutos carnosos têm mesocarpo suculento e são, em geral, dispersos por animais que os comem. A baga tem todo o pericarpo mole, com uma ou muitas sementes soltas na polpa: tomate, uva, mamão, goiaba, melancia, pimentão, abacate, banana, laranja (uma baga de casca especial, o hesperídio). A drupa tem o endocarpo duro, um caroço, com uma semente dentro: manga, pêssego, ameixa, azeitona, cereja, coco, pequi (o caroço cheio de espinhos é o endocarpo, e a polpa amarela, o mesocarpo). Frutos secos têm pericarpo seco na maturidade e se dividem pelo que fazem com a semente. Os deiscentes se abrem sozinhos e soltam as sementes: a vagem ou legume (feijão, soja, ervilha, amendoim, pau-brasil), que abre por duas fendas; a cápsula (mamona, paineira, ipê, algodão, jequitibá), que abre por várias; a síliqua (mostarda, couve). Os indeiscentes não se abrem: a semente sai quando o fruto apodrece, é digerido ou germina de dentro. A cariopse é o fruto das gramíneas, em que o pericarpo fino está soldado à semente, de modo que o “grão” de milho, de arroz, de trigo e de aveia é um fruto inteiro; o aquênio tem pericarpo solto da semente, uma só: a “semente” de girassol, os “pontinhos” do morango, o fruto do dente-de-leão; a noz é um aquênio de pericarpo lenhoso: a avelã, a bolota do carvalho; a sâmara é um aquênio com asa, para o vento: a tipuana, o olmo, o bordo. A castanha-do-pará é semente: vem dentro de um “ouriço” lenhoso, que é o fruto (uma cápsula que não se abre sozinha); a castanha-de-caju é fruto, com a amêndoa (semente) dentro.

Além da textura, o fruto se classifica pela origem, e aqui entram três categorias que o caju e o abacaxi mostram. O fruto simples vem de um ovário só, de uma flor só (um ou vários carpelos fundidos): tomate, manga, feijão, milho. O fruto agregado vem de uma flor só que tinha muitos ovários separados: cada ovário vira um frutinho, e eles ficam juntos no mesmo receptáculo, como na framboesa e na amora-silvestre (Rubus), em que cada “gominho” é uma drupa minúscula; na graviola e na fruta-do-conde, os carpelos se fundem numa massa só; no morango, cada ovário vira um aquênio sobre um receptáculo que engrossou. O fruto múltiplo (ou infrutescência) vem de uma inflorescência inteira, muitas flores cujos frutos se fundem ou se juntam: o abacaxi (os “olhos” da casca são os frutos de cada flor, soldados ao eixo da inflorescência e às brácteas), a jaca, a amora-preta da amoreira (Morus), o figo (todos os aquênios de um sicônio) e a espiga de milho, que é um conjunto de cariopses numa inflorescência. Os nomes variam de um livro para outro: há quem chame o agregado de “múltiplo” e a infrutescência de “fruto composto”. O que não varia é o critério, e é ele que decide um item: uma flor com muitos ovários (morango, framboesa) ou muitas flores (abacaxi, figo).

Pseudofruto: quando quem engrossa não é o ovário

Em algumas plantas, a parte carnosa e comestível não vem do ovário: vem do pedúnculo, do receptáculo ou de outra peça da flor. Essa parte é o pseudofruto (fruto acessório, falso fruto), e o fruto verdadeiro, o ovário desenvolvido, continua existindo, às vezes como a parte que ninguém come. É o par mais cobrado do tema, e a decisão é sempre a mesma: de que peça da flor veio a parte carnosa?

No caju, a flor do cajueiro tem um ovário pequeno na ponta de um pedúnculo. Depois da fecundação, o ovário vira a castanha: um fruto verdadeiro, de casca dura e cinzenta, com a semente (a amêndoa que se come torrada) dentro. E o pedúnculo engrossa, amarela ou avermelha, enche de suco e vira a “fruta” de que se faz o suco e a cajuína: o pseudofruto. A Embrapa chama essa polpa de pedúnculo, e todo o processamento do caju (suco, doce, cajuína) se faz com o “pedúnculo”. No Brasil, segundo a Produção Agrícola Municipal do IBGE, colheram-se cerca de 115 mil toneladas de castanha de caju em 2025, quase todas no Nordeste (Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte). O item 41 do PAS 2 de 2025 montou a armadilha exata: “No caju, são comestíveis a castanha, que é o fruto verdadeiro, onde está a semente, e a polpa, que corresponde ao receptáculo floral desenvolvido”. A primeira metade está certa; a última etiqueta está trocada: a polpa do caju é pedúnculo, não receptáculo. Errado.

No morango, a flor do morangueiro tem muitos ovários sobre um receptáculo. Cada ovário vira um aquênio, um frutinho seco com uma semente: os “pontinhos” da superfície são os frutos verdadeiros. Quem engrossa, avermelha e adoça é o receptáculo: pseudofruto. Na maçã e na pera, a parte carnosa vem do receptáculo que cresceu em volta do ovário (nos livros universitários, do hipanto, o tubo floral que o receptáculo e a base dos verticilos formam): o fruto verdadeiro é o “miolo” com as sementes, de parede cartilaginosa, que se joga fora; o conjunto se chama pomo. No figo, o sicônio é um receptáculo em forma de urna, com uma abertura minúscula no topo, forrado por dentro de centenas de flores; depois da polinização por vespas diminutas que entram pela abertura (ou sem polinização, em variedades partenocárpicas), os ovários viram aquênios (os “grãozinhos” crocantes) e o receptáculo inteiro fica carnoso: o figo é ao mesmo tempo pseudofruto e infrutescência. No abacaxi, a parte comestível é o eixo da inflorescência mais as brácteas e os ovários de cem a duzentas flores fundidos: infrutescência, e, porque a maior parte da polpa não é ovário, também pseudofruto. A jabuticaba e a goiaba, por outro lado, são bagas: frutos verdadeiros, por mais que pareçam parentes do morango na fruteira.

A castanha é o fruto; a polpa é o que a prova troca

Em item de pseudofruto, confira duas etiquetas. A primeira: qual é o fruto verdadeiro? No caju é a castanha; no morango, os pontinhos; na maçã, o miolo. “A castanha de caju é a semente” está errado: a castanha é o fruto, e a semente é a amêndoa dentro dela. A segunda: de onde veio a polpa? Caju, do pedúnculo; morango, maçã e pera, do receptáculo; figo, do receptáculo em urna; abacaxi, do eixo da inflorescência. A banca acerta a primeira etiqueta para você engolir a segunda, como no item 41 de 2025. E lembre que “pseudofruto” é um termo escolar: nos livros universitários, o mesmo objeto se chama fruto acessório.

Dois itens antigos completam o repertório. No tipo C do PAS 2 de 2014 (item 79), quatro fotografias (abacate, maçã, vagem de ervilha, laranja) vinham com legendas, e a correta chamava a maçã de “um pseudofruto resultante do desenvolvimento do receptáculo de uma só flor”; as outras chamavam o abacate de fruto seco deiscente (é uma baga carnosa) e a laranja de fruto que se abre em duas fendas (é uma baga, indeiscente). O item dependia das figuras e não está reproduzido aqui, mas as três legendas falsas são o treino certo. No tipo C de 2012 (item 102), uma das opções dizia que “frutos sem sementes são os formados em muitos ovários de uma única flor”: trocou duas coisas. Muitos ovários numa só flor dão fruto agregado (o morango, a framboesa), e fruto sem semente vem da partenocarpia, o desenvolvimento do ovário sem fecundação, como na banana comercial, na laranja-de-umbigo e no abacaxi cultivado. A resposta daquele item estava na genética (a maioria da soja cultivada no Brasil é transgênica, opção B), mas a opção botânica foi o distrator. A banana ainda rendeu um item certo em 2021 (item 93): “os pontos pretos presentes na polpa da banana correspondem aos resquícios dos óvulos não fecundados”. É isso mesmo: a banana de mesa é partenocárpica e triploide, os óvulos abortam, e os pontinhos são o que restou deles; a bananeira se multiplica pelos brotos do rizoma.

Cinco colunas, fora de escala, cada uma com uma flor esquemática em cima, uma seta para baixo e o resultado embaixo. Tomate: flor com ovário rosado sobre receptáculo verde; embaixo, o tomate em corte, vermelho, com sementes amarelas na polpa; notas: epicarpo (pele), mesocarpo (polpa) e sementes dentro; faixa vermelha: fruto verdadeiro (baga), veio do ovário. Caju: flor com pedúnculo amarelo longo e ovário pequeno; embaixo, o pedúnculo amarelo engrossado com a castanha cinza em forma de rim pendente, com a amêndoa clara dentro; notas: polpa é pedúnculo engrossado, castanha é fruto verdadeiro, amêndoa é semente; faixa amarela: pseudofruto, veio do pedúnculo. Morango: flor com muitos ovários vermelhos sobre um receptáculo rosado; embaixo, o morango vermelho com sépalas verdes e pontinhos amarelos na superfície; notas: polpa é receptáculo, pontinhos são aquênios, os frutos verdadeiros; faixa vermelha: pseudofruto, veio do receptáculo. Maçã: flor com o ovário envolvido pelo receptáculo rosado; embaixo, a maçã verde em corte com o miolo claro e duas sementes marrons; notas: polpa é receptáculo, miolo com sementes é o fruto verdadeiro; faixa verde: pseudofruto (pomo), veio do receptáculo. Abacaxi: cinco flores pequenas num eixo rotulado inflorescência; embaixo, o abacaxi laranja com losangos (os olhos) e a coroa de folhas; notas: cada olho é o fruto de uma flor, polpa é o eixo da inflorescência, coroa são brácteas; faixa verde-oliva: infrutescência, veio de muitas flores. No rodapé, em vermelho: a semente está sempre dentro do fruto verdadeiro; se os pontinhos estão por fora da polpa, a polpa não é o fruto.
A mesma pergunta, cinco respostas. Se a polpa veio do ovário, é fruto verdadeiro (tomate). Se veio do pedúnculo (caju) ou do receptáculo (morango, maçã), é pseudofruto, e o fruto verdadeiro está ali, menor: a castanha, os pontinhos, o miolo. Se veio de uma inflorescência inteira, é infrutescência (abacaxi). Fora de escala. Diagrama autoral.

Dispersão. O fruto existe para levar a semente longe da planta-mãe, onde há menos sombra e menos competição, e a forma do fruto diz quem o leva. Anemocoria, pelo vento: frutos e sementes leves, com asas (a sâmara da tipuana, as sementes aladas do ipê e do jacarandá) ou com plumas (a paina da paineira, o “paraquedas” do dente-de-leão, o algodão). Zoocoria, por animais: a endozoocoria, em que o animal come o fruto carnoso e evacua as sementes intactas, muitas vezes com a germinação favorecida pela passagem pelo intestino (o lobo-guará e a lobeira, as aves e as bagas, os morcegos e as figueiras, o macaco e o pequi); a epizoocoria, em que o fruto gruda no pelo com ganchos e pelos (o carrapicho, o picão-preto); e a dispersão por quem enterra e esquece (a cutia e a castanha-do-pará, cujo ouriço só ela abre). Hidrocoria, pela água: frutos que boiam, com mesocarpo fibroso e cheio de ar, como o coco, que atravessa mares, e as sementes das matas de várzea que descem os rios na cheia. Autocoria, pela própria planta: frutos secos que se abrem com violência e lançam as sementes, como a vagem do feijão que se torce ao secar, a cápsula da mamona que estala no calor e a maria-sem-vergonha (Impatiens), cujas cápsulas estalam ao toque. Polinização e dispersão como relações entre espécies (mutualismo, coevolução) estão em relações ecológicas.

Legume, fruta, verdura: a cozinha e a botânica não usam o mesmo dicionário

Na cozinha, “fruta” é o que é doce e se come de sobremesa, “legume” é o que é salgado e vai no refogado, “verdura” é o que é folha e verde. Na botânica, fruto é o ovário desenvolvido, legume é um tipo de fruto seco (a vagem), e “verdura” não existe. As duas línguas são legítimas, mas a prova fala a segunda, e o exercício é traduzir. O tomate, o pepino, a abobrinha, a berinjela, o pimentão, o quiabo, o chuchu e a vagem são frutos, todos salgados na mesa. A polpa do caju é pseudofruto; a castanha é o fruto. A batata-inglesa é caule; a cenoura, a mandioca e a batata-doce são raízes; a cebola e o alho são bulbos (caule em disco mais folhas carnosas). O feijão, a ervilha, o milho de pipoca, o arroz e a castanha-do-pará são sementes (o arroz e o milho, para ser exato, são cariopses, frutos de uma semente só, cujo pericarpo é a “casca”). O amendoim é uma vagem que amadurece debaixo da terra: depois da fecundação, a base do ovário se alonga num pedículo (o ginóforo), que se curva para baixo e enterra o ovário, e o fruto se forma no solo, um fruto subterrâneo de origem aérea. O brócolis e a couve-flor são inflorescências; o palmito é a gema apical de uma palmeira, com as bainhas das folhas jovens; o aspargo é um broto de caule; o repolho é gema terminal; o açafrão é estigma.

Um prato redondo visto de cima, dividido em seis fatias coloridas com os alimentos de cada órgão escritos dentro: raiz (laranja: cenoura, mandioca, batata-doce, beterraba), caule (bege: batata-inglesa como tubérculo, gengibre como rizoma, aspargo, palmito, cana como colmo), folha (verde: alface, couve, repolho como gema, cebola como catafilos do bulbo), flor ou inflorescência (amarelo: brócolis, couve-flor, alcaparra como botão), fruto (rosa: tomate, abobrinha, vagem, pepino, grão de milho como cariopse, castanha de caju) e semente (lilás: feijão, ervilha, amendoim em grão, castanha-do-pará, pinhão); no centro, a pergunta: de que órgão veio? À direita, dois destaques: uma caixa amarela com o caju desenhado (pedúnculo amarelo e castanha cinza) e a lista polpa amarela é pseudofruto (pedúnculo que engrossou), castanha é fruto verdadeiro (ovário desenvolvido), amêndoa dentro da castanha é semente, com a nota de que polpa igual a receptáculo foi item errado no PAS 2 de 2025, item 41; e uma caixa vermelha com o morango desenhado e a lista polpa vermelha é pseudofruto (receptáculo que engrossou), pontinhos são frutos (aquênios), cada um com uma semente, maçã e pera seguem a mesma lógica, o miolo é o fruto. No rodapé, a diferença entre a cozinha (fruta é doce, legume é salgado, verdura é folha) e a botânica (fruto é ovário desenvolvido, legume é a vagem, verdura não existe).
O prato traduzido para a botânica. A pergunta não é se é doce ou salgado, nem se cresce embaixo da terra: é de que órgão da planta veio. Dois alimentos exigem duas etiquetas: o caju e o morango têm pseudofruto e fruto no mesmo bocado. Diagrama autoral.
no prato o que é, para a botânica o sinal que decide
tomate, pepino, abobrinha, berinjela, quiabo, pimentão fruto (baga) sementes dentro; vem do ovário
vagem, ervilha-torta fruto seco deiscente (legume) abre por duas fendas; sementes em fila
grão de milho, arroz, trigo fruto (cariopse) de uma semente pericarpo soldado à semente
feijão, ervilha, lentilha, amendoim (grão) semente vem de dentro de uma vagem; tem embrião e cotilédones
amendoim (com casca) fruto subterrâneo (vagem) o ginóforo enterra o ovário
castanha de caju fruto; a amêndoa é a semente ovário desenvolvido na ponta do pedúnculo
polpa do caju pseudofruto (pedúnculo) não vem do ovário
morango pseudofruto (receptáculo) com aquênios por fora pontinhos são frutos
maçã, pera pseudofruto (receptáculo), pomo miolo é o fruto verdadeiro
abacaxi, figo, jaca infrutescência (muitas flores) vários frutos fundidos
batata-inglesa caule (tubérculo) olhos com gemas; brota
gengibre, cúrcuma caule (rizoma) nós, gemas, horizontal
cebola, alho bulbo: caule em disco + folhas (catafilos) o que se come são folhas
cenoura, mandioca, batata-doce, beterraba, nabo raiz tuberosa sem nós nem gemas; não brota de pedaço
alface, couve, espinafre, rúcula folha (limbo) nervuras, estômatos
aipo, ruibarbo folha (pecíolo) cordões de colênquima
repolho, couve-de-bruxelas gema terminal / gemas axilares folhas sobrepostas em torno de um eixo curto
brócolis, couve-flor, alcachofra inflorescência botões florais
palmito, aspargo gema apical de palmeira / broto de caule tecido jovem, meristemático
castanha-do-pará, pinhão semente vem de um ouriço (fruto) / de uma pinha (sem fruto)
Quanto o Brasil colhe de cada órgão

A Produção Agrícola Municipal do IBGE para 2025 dá a escala do prato: cerca de 20 milhões de toneladas de mandioca (raiz), 4,5 milhões de batata-inglesa (caule), 4,7 milhões de tomate (fruto), 1,9 milhão de cebola (bulbo), 650 mil de cenoura (raiz), 300 mil de morango (pseudofruto), 1,6 milhão de abacaxi (infrutescência) e 115 mil de castanha de caju (fruto). O milho, com 141 milhões de toneladas de grão, é o maior volume de frutos (cariopses) colhido no país.

Semente: o óvulo fecundado, por dentro

A semente é o óvulo fecundado e maduro: um embrião (a planta em miniatura, com crescimento suspenso), uma reserva de alimento e um tegumento, a casca, que vem dos envoltórios do óvulo. É a estrutura que libertou as plantas da água para reproduzir (como está em grupos vegetais) e a que alimenta a humanidade: todo grão é semente ou fruto de uma semente.

As partes da semente e onde fica a reserva

O tegumento protege e, em muitas espécies, controla a entrada de água (a dormência tegumentar, em fisiologia vegetal). Nele se vê o hilo, a cicatriz de onde a semente se prendia ao fruto (a marca clara na lateral do feijão), e a micrópila, o poro por onde entrou o tubo polínico e por onde sairá a radícula. O embrião tem radícula (a futura raiz), hipocótilo (o eixo abaixo dos cotilédones), epicótilo (o eixo acima deles) com a gêmula ou plúmula (as primeiras folhas e o meristema apical do caule), e os cotilédones, as folhas embrionárias. A reserva fica em um de dois lugares. No endosperma, o tecido triploide formado na dupla fecundação, nas sementes albuminosas: milho, arroz, trigo (o endosperma amiláceo é a farinha), mamona (óleo), coco (a carne e a água de coco são endosperma, sólido e líquido), café. Nos cotilédones, que absorveram o endosperma durante a formação da semente e ficaram grossos, nas sementes exalbuminosas: feijão, soja, ervilha, amendoim, as duas metades do grão que se separam ao cozinhar. “Na dupla fecundação, um núcleo espermático forma o zigoto e o outro se une aos núcleos polares e forma o endosperma, tecido de reserva que nutre o embrião” é a descrição que o PAS 2 de 2022 (item 86) deu como certa.

Abra um grão de milho e um feijão de molho e a diferença entre os dois grupos de angiospermas aparece inteira. O milho é monocotiledônea: o grão é uma cariopse, com o pericarpo colado ao tegumento; por dentro, a maior parte é endosperma (amido; a ponta “dura” é endosperma vítreo, a “farinha” é endosperma farináceo), e num canto, pequeno, está o embrião, com um só cotilédone, o escutelo, encostado no endosperma para absorver dele; a radícula e a gêmula ficam protegidas por bainhas (coleorriza e coleóptilo). O feijão é eudicotiledônea: o tegumento se solta inteiro, e o que fica são dois cotilédones grossos, cada metade do grão, com a reserva; entre eles, o eixo embrionário, com a radícula apontada para a micrópila e a gêmula com duas folhinhas já dobradas. Não há endosperma visível: os cotilédones o consumiram. Na germinação, que está em fisiologia vegetal, a radícula sai primeiro pela micrópila, e os cotilédones do feijão sobem com o caule e amarelam quando a reserva acaba. A semente seca está em vida latente, com metabolismo mínimo, não ausente: “atividades metabólicas que não ocorrem na semente seca” foi item errado no PAS 2 de 2023 (item 53).

Mono e eudicotiledôneas: a ficha em seis linhas

Quase toda seção desta página terminou numa comparação entre os dois grupos de angiospermas, e vale juntá-las. Cotilédones: um (milho, arroz, cana, bananeira, palmeiras, lírio, orquídeas) ou dois (feijão, tomate, mangueira, ipê, roseira, cajueiro). Nervuras: paralelas ou reticuladas. Raiz: fasciculada ou pivotante. Feixes vasculares no caule: espalhados pelo miolo ou dispostos em anel. Câmbio e crescimento secundário: ausentes (sem lenho, sem anéis, sem casca verdadeira) ou presentes (madeira, anéis, casca). Peças florais: em três ou em quatro e cinco. Um item de treino clássico troca a ficha inteira ao dizer que o ipê amarelo, por ser eudicotiledônea, teria nervuras paralelas, raiz fasciculada e peças florais em múltiplos de três: isso descreve uma monocotiledônea; o ipê tem nervuras reticuladas, raiz pivotante e flores pentâmeras. E a exceção que confirma a regra está no bagaço da cana: por não ter câmbio, só tem tecidos primários, e “tecidos secundários” no colmo foi o que derrubou o item 100 de 2010.

Como ler um corte histológico ou um esquema de flor e fruto

Um item com figura de botânica se resolve com cinco perguntas, na ordem. Que tecido é esse? Olhe as células: pequenas, de parede fina e núcleo grande, em divisão, é meristema; grandes, de parede fina, com cloroplastos, parênquima clorofiliano; alongadas, de parede espessada nos cantos e vivas, colênquima; de parede muito grossa, lignificada, sem conteúdo, esclerênquima (fibras se longas, esclereídes se curtas); tubos largos, ocos, com paredes em anel ou espiral, xilema; tubos finos com placas perfuradas e uma célula menor ao lado, floema; uma camada superficial de células encaixadas com uma película por fora, epiderme; camadas de células mortas, achatadas e empilhadas por fora de um caule, súber. Que órgão é esse? No corte transversal, um cilindro central com xilema em estrela é raiz; feixes em anel com medula no centro, caule de eudicotiledônea; feixes espalhados, caule de monocotiledônea; uma lâmina com paliçádico em cima e estômatos embaixo, folha. De que peça da flor veio? No esquema de uma flor, siga o ovário: a parte que se continua nele é o fruto; o pedúnculo ou o receptáculo que engrossou é pseudofruto. Onde está a semente? Dentro do ovário desenvolvido, sempre: se os “pontinhos” estão por fora da polpa, a polpa não é o fruto. Mono ou eudicot? Conte as peças florais, veja a nervura, veja a disposição dos feixes.

Exemplo resolvido: um corte de caule. Uma lâmina mostra um corte transversal com epiderme por fora, um córtex de parênquima, e, no interior, feixes de xilema e floema espalhados sem ordem por um parênquima que vai até o centro, sem anel de câmbio entre xilema e floema. Que órgão e que grupo? Feixes espalhados e sem câmbio: caule de monocotiledônea, como o colmo da cana ou do milho. Se os feixes estivessem em anel, com câmbio e uma medula central, seria caule de eudicotiledônea; se houvesse xilema em estrela no centro, raiz. Conferência: o grupo que não tem câmbio não pode ter os feixes em anel organizado por ele, e a cana (gramínea) é monocotiledônea.

Exemplo resolvido: a flor que virou duas coisas. Um esquema mostra uma flor com um cabinho longo abaixo do receptáculo e um ovário pequeno no centro; ao lado, o resultado: uma peça grande, amarela e carnosa, com uma peça pequena, dura e em forma de rim pendurada na ponta. O que é cada parte? O cabinho é o pedúnculo. A peça grande está onde estava o pedúnculo e não contém sementes: pseudofruto. A peça pequena está onde estava o ovário: fruto verdadeiro, e a semente está dentro dela. É o caju. Se a peça grande estivesse coberta de pontinhos e viesse do receptáculo, seria o morango; se envolvesse um miolo com sementes, a maçã.

Os erros que a prova planta

Uma lista para conferir antes de marcar. “Tomate é legume”: na botânica, é fruto (baga); legume é a vagem. “Batata é raiz”: é caule (tubérculo), tem olhos com gemas. “Cenoura é caule”: é raiz tuberosa, sem gemas. “Morango é fruto”: é pseudofruto do receptáculo; os frutos são os aquênios da superfície. “Caju é fruto” e “castanha de caju é semente”: a polpa é pseudofruto do pedúnculo; a castanha é o fruto; a amêndoa é a semente. “Xilema é tecido vivo”: as células condutoras são mortas; “floema conduz água e sais”: conduz seiva elaborada. “Colênquima é morto e lignificado”: é vivo e sem lignina; o lignificado é o esclerênquima. “Gema é colênquima”: gema é meristema. “Anel de crescimento é sempre um ano”: é um período de crescimento; um ano onde há uma estação de parada por ano, e há falsos anéis. “Estômato é um tecido”: é uma estrutura da epiderme. “Semente vem do ovário” e “fruto vem do óvulo”: invertidos; óvulo vira semente, ovário vira fruto. “Espinho e acúleo são a mesma coisa”: espinho é ramo com vasos; acúleo é projeção da epiderme, sem vasos, da roseira. “Planta carnívora digere com dente”: prende com a folha e digere com enzimas de glândulas, para obter nitrogênio. “Monocotiledônea não tem flor nem fruto”: capim, milho e palmeira têm as duas coisas (PAS 2 2025, item 43, errado). “Tronco tem estômatos e coifa”: estômatos ficam na epiderme de folhas e caules jovens; coifa, na ponta da raiz (PAS 2 2021, item 85). “Bagaço da cana tem tecidos secundários”: cana não tem câmbio (PAS 2 2010, item 100).

Como a prova cobra tecidos e órgãos

Nas provas do PAS 2 de 2007 a 2025, nove itens trataram de tecidos e órgãos, e todos cabem em duas regras. A histologia é cobrada pela etiqueta trocada: “gemas, também conhecidas como colênquimas” (2018, item 67, errado); troncos com “estômatos, coifa e xilema”, folhas com “carpelo e cutícula” (2021, item 85, tipo C, gabarito D); “tecidos primários e secundários” no bagaço da cana (2010, item 100, errado). A morfologia é cobrada pelo que se come: o colmo da cana (2025, item 64, certo); a maçã como pseudofruto do receptáculo (2014, item 79, tipo C, com fotografias); fruto sem semente confundido com fruto de muitos ovários (2012, item 102, tipo C, gabarito B); os pontinhos pretos da banana como óvulos não fecundados (2021, item 93, certo); a polpa do caju como “receptáculo” (2025, item 41, errado); e a flor inteira, definição e quatro verticilos, no item de resposta construída (2023, item 55, tipo D). Dois padrões se repetem: o item acerta a primeira metade para que a segunda passe (a castanha é o fruto verdadeiro, certo; a polpa é o receptáculo, errado) e o item põe uma peça no órgão errado (coifa no tronco, estigma no lenho). O método é um só: conferir cada substantivo anatômico contra o exemplar, e perguntar, para toda polpa, de que peça da flor ela veio.

O essencial em meia página

  • Meristemas crescem (apicais: comprimento; laterais, câmbio vascular e felogênio: espessura). Gema é meristema. Monocotiledôneas não têm câmbio: sem lenho, sem anéis, só tecidos primários (cana, PAS 2 2010, item 100).
  • Parênquima preenche e trabalha (clorofiliano, de reserva, aquífero, aerífero). Epiderme (cutícula, estômatos, tricomas, pelos absorventes) reveste o jovem; periderme com súber morto reveste o velho; lenticelas trocam gases.
  • Colênquima: vivo, flexível, sem lignina (nervura da couve). Esclerênquima: morto, lignina; fibras (cana) e esclereídes (caroço, “areia” da pera).
  • Xilema: traqueídes e elementos de vaso, mortos, seiva bruta para cima. Floema: tubos crivados vivos com células companheiras, seiva elaborada em qualquer sentido.
  • Tronco: câmbio produz lenho para dentro e floema para fora; casca = floema + periderme; cerne (velho, escuro, não conduz) e alburno (jovem, conduz); anel = período de crescimento, um ano onde há uma estação de parada por ano.
  • Raiz: coifa, divisão, alongamento, pelos absorventes; pivotante (eudicot) ou fasciculada (monocot); tuberosa (cenoura, mandioca), tabular, escora, respiratória, sugadora, estrangulante, aérea; sem nós nem gemas.
  • Caule: nós e gemas; tronco, estipe, colmo (cana, PAS 2 2025, item 64), haste, estolão; tubérculo (batata), rizoma (gengibre, bananeira), bulbo (cebola: caule em disco + catafilos), xilopódio; cladódio, gavinha, espinho (com vasos) e acúleo (sem).
  • Folha: limbo, pecíolo, bainha; paralela ou reticulada; em corte: epiderme com cutícula, paliçádico, lacunoso, nervura com xilema em cima e floema embaixo, estômatos quase sempre embaixo; gavinha, bráctea, catafilo, espinho, folha carnívora (enzimas, nitrogênio).
  • Flor: ramo reprodutivo sobre pedúnculo e receptáculo; cálice, corola, androceu (estame = filete + antera), gineceu (carpelo = estigma + estilete + ovário com óvulos) (PAS 2 2023, item 55); completa ou incompleta; monoclina ou diclina; monoica ou dioica; trímera (mono) ou tetrâmera e pentâmera (eudicot); síndromes: vento, insetos, beija-flor, morcego; polinizar não é fecundar.
  • Fruto = ovário desenvolvido; semente = óvulo fecundado. Pericarpo: epicarpo, mesocarpo, endocarpo. Carnosos (baga, drupa) e secos (deiscentes: vagem, cápsula; indeiscentes: cariopse, aquênio, noz, sâmara). Simples, agregado (framboesa), múltiplo (abacaxi, figo, espiga).
  • Pseudofruto: polpa que não vem do ovário. Caju = pedúnculo (castanha = fruto; PAS 2 2025, item 41); morango, maçã, pera = receptáculo; figo = sicônio; abacaxi = infrutescência. Partenocarpia: fruto sem fecundação (banana, PAS 2 2021, item 93).
  • Prato: tomate = fruto; batata = caule; cenoura = raiz; cebola = bulbo; alface = folha; brócolis = inflorescência; feijão = semente; arroz e milho = cariopse; amendoim = fruto subterrâneo; castanha de caju = fruto.
  • Semente: tegumento, embrião (radícula, hipocótilo, epicótilo, gêmula, cotilédones), reserva no endosperma (milho, mamona, coco) ou nos cotilédones (feijão). Milho: um cotilédone e endosperma; feijão: dois cotilédones e nada de endosperma. Semente seca vive, em vida latente.
  • Método: que tecido? que órgão? de que peça da flor veio? onde está a semente? mono ou eudicot? E, em todo item, o substantivo fora do lugar.

Exercícios temporariamente indisponíveis

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Flashcards temporariamente indisponíveis

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Tecidos Vegetais - Brasil Escola
Brasil Escola Oficial · 7:54
Introdução. Em menos de oito minutos, a aula do Brasil Escola apresenta a origem e as funções dos tecidos vegetais, partindo da ideia de que todos nascem de meristemas primários ou secundários (tecidos primários e secundários). É o conteúdo da seção “Seis famílias de tecidos” e da seção sobre crescimento secundário: assista antes de ler e anote, para cada tecido citado, se ele é vivo ou morto na maturidade.
Morfologia Vegetal - Aula 23 - Fruto – morfologia e anatomia
UNIVESP · 24:21
Aprofundamento. Aula da disciplina Morfologia Vegetal da licenciatura em Ciências Biológicas da Univesp (professor responsável Gregório Ceccantini) sobre a morfologia e a anatomia do fruto, em nível universitário introdutório. Cobre, com vocabulário técnico, as seções “Fruto: o ovário desenvolvido” e “Pseudofruto”: pericarpo e suas camadas, tipos de fruto e origem a partir da flor. Assista depois de ler as duas seções e compare a classificação da aula com a tabela da página.
PRA NÃO ERRAR NA PROVA: Pseudofrutos x Infrutescências x Partenocárpicos | Prof. Gui
Prof. Guilherme Goulart - Biologia · 10:19
Aplicação. Dez minutos sobre exatamente os casos que a prova usa: caju, morango e maçã (pseudofrutos), abacaxi e amora (infrutescências) e banana (fruto partenocárpico), com minutagem na descrição e o critério da origem do tecido (ovário, receptáculo ou conjunto de flores). Use depois da seção “Pseudofruto” para testar o método: pause em cada exemplo, diga de que peça da flor veio a polpa e só então ouça a resposta.
Resumão do Vitão - Botânica: Histologia Vegetal - Tecidos de condução + 4 Questões ENEM UFF
QUIBIO com Vitor Considera · 28:52
Resolução de questões. Depois de um resumo dos tecidos de condução (xilema e floema), o professor resolve quatro questões de vestibular (ENEM e UFF) sobre histologia vegetal. Use depois das seções de tecidos e de leitura de cortes: pause em cada enunciado, procure o rótulo trocado (vivo ou morto, seiva bruta ou elaborada) e compare com a resolução.
Rota PAS 2
Botânica: histologia, morfologia e fisiologia vegetal · PAS 2

Fontes desta página

Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.

  • Rota PAS 2 — Botânica: histologia, morfologia e fisiologia vegetal · Antes de começar: dez minutos de aquecimento; Tecidos e órgãos: que estrutura é essa no seu prato?; Leia como na prova: seis itens entre a fruteira e a fronteira agrícola; Como a banca cobra; Resolvidos; Exercícios; Banco de treino

    Itens reais do PAS 2 (2010/100, 2012/102, 2021/85, 2021/92, 2021/93, 2023/55, 2025/41, 2025/64) reproduzidos verbatim; tabela do prato, glossário dos tecidos, exemplo do gomo de cana e resolvido do morango adaptados; o item 2014/79, dependente de fotografias, só é citado na prosa.

  • Rota PAS 2 — Gabaritos do Banco de treino da Parte III de Biologia · T5, T8, T11, T15, T16

    Gabaritos dos itens reais 2025/64 (T8), 2021/92 (T15) e 2021/93 (T16) reproduzidos no banco de treino, com as resoluções de resol-treino-p3-bio.tex.

  • Rota PAS 2 — Resoluções dos exercícios da Parte III de Biologia · Itens 4, 10 e 11

    Colmo da cana, pseudofruto do morango e a conta de densidade estomática (180 estômatos por mm² em 5 mm²).

  • Biologia EM1 — Capítulo 3: As moléculas da vida · Amido como reserva das plantas; ceras e a cutícula

    Amido em raízes, tubérculos e sementes; a cutícula de cera que impede a folha de secar. Fatos externos conferidos fora do repositório: OpenStax Biology 2e, seções 30.1 a 30.4 e 32.1 a 32.2 (tecidos, caule, raiz, folha, flor, frutos simples, agregados, múltiplos e acessórios); Embrapa Agência de Informação Tecnológica (batata: tubérculo como caule com olhos e lenticelas; caju: raiz, inflorescência e flor); IBGE, Produção Agrícola Municipal 2025 (tabelas 1612 e 1613 do SIDRA); National Park Service (sequoias até 3 400 anos, cicatrizes de fogo nos anéis); Fontana e colaboradores, Dendrochronologia, 2025 (anéis anuais da araucária confirmados por carbono-14); Caetano Andrade e colaboradores, PLOS ONE, 2019 (400 anos de anéis de castanheiras); Bilgici e colaboradores, Frontiers in Plant Science, 2026 (densidade estomática em milho).