Variância e desvio padrão
Guia de estudo · Revisado em 07/09/2026
Quanto os valores se afastam do centro e qual medida descreve esse afastamento?
O que você vai aprender
- Calcular variância e desvio padrão com denominador explícito.
- Interpretar unidades e transformações dos dados.
- Avaliar quando a comparação por coeficiente de variação é adequada.
A média não revela, sozinha, como os dados se espalham. Os conjuntos 4, 5, 6 e 1, 5, 9 têm média 5, mas o segundo apresenta valores mais distantes do centro. Variância e desvio padrão quantificam essa diferença. Antes de calcular, identifique se a pergunta descreve o conjunto inteiro ou usa uma amostra para estimar a dispersão de uma população.
Por que elevar os desvios ao quadrado?
O desvio de uma observação é . No conjunto 4,5,6, os desvios são −1,0,1 e sua soma é zero. Isso acontece para qualquer conjunto finito quando usamos sua média aritmética: desvios positivos e negativos se compensam.
Somar os desvios sem transformação não mede a dispersão. A variância utiliza quadrados, que são não negativos e dão maior peso a afastamentos grandes. Existem outras medidas, como amplitude e desvio absoluto, mas elas respondem de maneira diferente aos dados. A amplitude usa somente o maior e o menor valor, podendo ignorar grande parte da distribuição.
Variância descritiva ou populacional
Para descrever um conjunto completo com n observações de mesmo peso, a variância é , em que é a média desse conjunto. O desvio padrão é .
Considere 2,4,4,6. A média é 4; os desvios são −2,0,0,2; os quadrados somam 8. A variância descritiva é 8/4=2, e o desvio padrão é . Conferir que os desvios somam zero ajuda a detectar erro na média ou nas subtrações antes de continuar.
Se os dados representam comprimentos em metros, a variância está em metros quadrados e o desvio padrão, em metros. O quadrado da unidade na variância vem da operação matemática; não significa que a medida passou a representar a área de um objeto.
Estimação amostral: por que aparece n−1?
Ao usar uma amostra aleatória para estimar a variância de uma população, é comum empregar , para . Como a média populacional é desconhecida e foi estimada pelos próprios dados, a soma dos desvios fica restrita a zero: restam n−1 graus de liberdade.
Sob amostragem independente de uma mesma distribuição com variância finita, essa correção torna um estimador não viesado da variância populacional. Isso não significa que o desvio padrão s seja automaticamente não viesado, pois extrair a raiz é uma transformação não linear.
Para a amostra 2,4,4,6, a variância amostral corrigida é , e o desvio padrão correspondente é . Os mesmos dados geram resultados diferentes porque as duas contas têm objetivos diferentes. Não escolha o denominador apenas porque o texto usa informalmente a palavra “amostra”: confira a definição solicitada.
Deslocar e multiplicar os dados
Somar uma constante a todas as observações desloca a média pela mesma constante, mas preserva cada desvio. A variância e o desvio padrão não mudam. Se somarmos 10 a 2,4,4,6, obtemos 12,14,14,16, com média 14 e os mesmos desvios −2,0,0,2.
Multiplicar todos os dados por k multiplica a variância por e o desvio padrão por . O módulo importa quando k é negativo: dispersão não pode se tornar negativa. Ao converter metros em centímetros, o desvio padrão é multiplicado por 100 e a variância por 10000.
Com dados de pesos positivos, desvio padrão zero significa que todos os valores são iguais. Um valor pequeno, porém, precisa ser interpretado em relação à unidade, à escala e ao fenômeno: não existe um limite universal que separe conjuntos “estáveis” de “instáveis”.
Coeficiente de variação e seus limites
Para dados em escala de razão, com zero significativo e média positiva, o coeficiente de variação é , ou na versão amostral, geralmente expresso em porcentagem. Uma média de 20 e desvio 4 produz CV=20%; uma média de 100 e desvio 10 produz CV=10%.
Ele compara dispersão relativa, mas não deve ser aplicado indiscriminadamente a qualquer unidade. Temperaturas em graus Celsius, por exemplo, têm origem convencional: converter para Kelvin muda o CV sem mudar a dispersão física. Média zero torna a divisão impossível; médias próximas de zero tornam a razão muito sensível. Mesmo com condições adequadas, comparar fenômenos diferentes exige uma pergunta que dê sentido à comparação.
Registre o denominador, preserve a unidade e arredonde ao final. Valores extremos influenciam fortemente os quadrados; uma medida de dispersão não substitui a leitura do conjunto e do processo de coleta.
Revise média, moda e mediana para separar a localização do centro do espalhamento dos dados.
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Fontes desta página
Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.
- Rota PAS 2 — Contagem, probabilidade e estatística: decidir sob incerteza · Dispersão: o quanto os dados fogem do centro?
Recorte adaptado com exemplos autorais e condições de validade explicitadas; ampliações detalhadas no registro de cobertura.