Ângulos e polígonos

Guia de estudo · Revisado em 16/09/2026

BNCC · EM13MAT505

A seção de um templo asteca é um trapézio com 60° e 45° na base; quanto medem os ângulos do topo? Um piso fecha com hexágonos e não fecha com pentágonos; por quê? Como descobrir todos os ângulos de uma figura a partir de um só, quando se sabe onde estão as paralelas e quantos lados o polígono tem?

O que você vai aprender

  • Medir e classificar ângulos (graus, minutos e segundos; agudo, reto, obtuso, raso), operar com complementares, suplementares e replementares, justificar a igualdade dos opostos pelo vértice e usar a bissetriz.
  • Nomear os oito ângulos formados por duas paralelas e uma transversal (correspondentes, alternos e colaterais, internos e externos), aplicar as relações de igualdade e de suplementaridade, reconhecer o critério de paralelismo e o trapézio como par de paralelas cortadas por transversais.
  • Demonstrar que os ângulos internos de um triângulo somam 180° pela paralela ao lado oposto, aplicar o teorema do ângulo externo e classificar triângulos pelos lados e pelos ângulos, com a desigualdade triangular.
  • Nomear polígonos convexos, contar diagonais por n(n−3)/2, deduzir e usar a soma dos ângulos internos (n−2)·180° e a soma dos externos 360°, e calcular os ângulos interno e externo do polígono regular, inclusive para descobrir n.
  • Descrever o polígono regular (centro, circunferências inscrita e circunscrita, ângulo central, eixos de simetria) e as propriedades de ângulos e diagonais dos quadriláteros notáveis, respeitando a hierarquia quadrado, retângulo, losango, paralelogramo, trapézio.
  • Explicar a condição do vértice no ladrilhamento do plano, demonstrar que só triângulo equilátero, quadrado e hexágono regular pavimentam sozinhos, reconhecer arranjos semirregulares e as isometrias que geram um pavimento.
  • Ler figuras com ângulos marcados como a banca as escreve: redesenhar, caçar transversais e perpendiculares comuns, escolher a soma correta (90°, 180°, 360°, (n−2)·180°) e julgar itens que dependem de 'regular', 'convexo', 'superior a' e 'correspondentes'.

Em dezembro de 2025, a prova do PAS 1 desenhou a seção transversal do Templo Mayor de Tenochtitlán como um trapézio: topo CDCD de 50 m, altura de 42 m, ângulos de 60° e 45° na base. O item 24 afirmava que os ângulos dos vértices DD e CC, lá em cima, mediam 120° e 135°. Quem enxergou a figura certa não precisou de conta: o topo de uma pirâmide escalonada é paralelo ao chão, cada lado inclinado é uma reta que atravessa duas paralelas, e os dois ângulos apoiados no mesmo lado inclinado somam 180°. Certo, em uma linha. No mesmo caderno de geometria cabem a colmeia, que fecha com hexágonos, o piso de banheiro, que fecha com quadrados, e o piso de pentágonos regulares que ninguém nunca viu, porque três cantos de 108° dão 324° e deixam uma fresta de 36°.

Esta página é sobre isso: o que um ângulo é e como se mede; o que uma transversal faz com duas paralelas; por que os ângulos de um triângulo somam 180° e o que o ângulo externo conta; como nomear, contar as diagonais e somar os ângulos de um polígono; o que os regulares e os quadriláteros notáveis garantem; e por que só três polígonos regulares pavimentam o plano. Semelhança e o teorema de Tales, que usam os ângulos entre paralelas como hipótese, estão em Teorema de Tales e semelhança; as relações métricas do triângulo retângulo ficam em Teorema de Pitágoras e Trigonometria no triângulo; as áreas, em Áreas de figuras planas; régua e compasso, em Construções geométricas.

Ângulo é abertura, não comprimento

Duas semirretas de mesma origem formam um ângulo; a medida descreve a abertura entre elas, e alongar os traços no papel não muda nada. Uma volta completa mede 360°; meia-volta (ângulo raso), 180°; um quarto de volta (ângulo reto), 90°. Menor que 90° é agudo; entre 90° e 180°, obtuso. O grau se subdivide em 60 minutos (1∘=60′1^\circ = 60') e o minuto em 60 segundos (1′=60′′1' = 60''): 37,5∘=37∘30′37{,}5^\circ = 37^\circ 30', e 90∘−37∘30′=52∘30′90^\circ - 37^\circ 30' = 52^\circ 30'. Para subtrair 28∘45′28^\circ 45' de 90∘90^\circ, escreva 90∘=89∘60′90^\circ = 89^\circ 60' e faça 89∘60′−28∘45′=61∘15′89^\circ 60' - 28^\circ 45' = 61^\circ 15'.

Complementares, suplementares, replementares, opostos pelo vértice, bissetriz
  • Dois ângulos são complementares quando somam 90° (35° e 55°); suplementares quando somam 180° (30° e 150°); replementares quando somam 360° (100° e 260°). Os nomes falam de medidas, não de posição: os ângulos não precisam estar lado a lado.
  • Dois ângulos são adjacentes quando têm o vértice e um lado em comum e não se sobrepõem; se os lados não comuns formam uma reta, os adjacentes são suplementares.
  • Quando duas retas se cruzam, formam-se dois pares de ângulos opostos pelo vértice, e cada par tem medidas iguais. Prova: α\alpha e β\beta, vizinhos, somam 180°; β\beta e γ\gamma, também vizinhos, somam 180°; logo α=180∘−β=γ\alpha = 180^\circ - \beta = \gamma.
  • A bissetriz de um ângulo é a semirreta que sai do vértice e o divide em dois ângulos iguais. As bissetrizes de dois ângulos adjacentes suplementares são perpendiculares: α2+180∘−α2=90∘\dfrac{\alpha}{2} + \dfrac{180^\circ - \alpha}{2} = 90^\circ.

Exemplo resolvido 1: montar a equação da medida. Um ângulo excede o seu complemento em 20°. Quanto mede?

Estratégia: chame o ângulo de xx; o complemento é 90∘−x90^\circ - x; “excede em 20°” é x=(90∘−x)+20∘x = (90^\circ - x) + 20^\circ.

Resolução: 2x=110∘2x = 110^\circ, x=55∘x = 55^\circ. O complemento é 35°.

Conferência: 55+35=9055 + 35 = 90 e 55−35=2055 - 35 = 20. Se o enunciado dissesse suplemento, a equação seria x=(180∘−x)+20∘x = (180^\circ - x) + 20^\circ e a resposta, 100°. Trocar os dois nomes é o erro mais barato deste assunto, e a banca o planta com gosto.

Se duas retas se cortam e um dos quatro ângulos mede 62°, o oposto também mede 62° e os outros dois medem 118°: só há duas medidas num cruzamento, uma aguda e uma obtusa, suplementares entre si. Guarde isso, porque é o que uma transversal repete.

Uma transversal repete o cruzamento no outro

Uma reta tt que corta duas retas rr e ss forma quatro ângulos em cada cruzamento, oito ao todo. Quando r∥sr \parallel s, o segundo cruzamento é uma cópia deslizada do primeiro, e os oito ângulos têm só duas medidas: α\alpha e 180∘−α180^\circ - \alpha. Os nomes dizem onde cada ângulo está.

Os oito ângulos entre duas paralelas e uma transversal

Com r∥sr \parallel s cortadas por tt:

par como reconhecer na figura relação
correspondentes ocupam o mesmo “canto” nos dois cruzamentos (ex.: ambos acima da reta e à direita de tt) iguais
alternos internos ambos na faixa entre rr e ss, um à esquerda e outro à direita de tt iguais
alternos externos ambos fora da faixa, um à esquerda e outro à direita de tt iguais
colaterais internos ambos na faixa entre rr e ss, no mesmo lado de tt somam 180°
colaterais externos ambos fora da faixa, no mesmo lado de tt somam 180°
opostos pelo vértice num só cruzamento, encostados pelo vértice e apontando em sentidos contrários iguais

Os nomes se decompõem: alterno indica que os dois ângulos ficam em lados contrários da transversal (e são iguais); colateral indica que ficam do mesmo lado (e são suplementares); interno ou externo diz apenas se o ângulo está na faixa entre as paralelas ou fora dela. A recíproca também vale e é o critério de paralelismo: se uma transversal forma com duas retas um par de correspondentes iguais (ou de alternos iguais, ou de colaterais suplementares), as retas são paralelas.

Duas retas paralelas horizontais r e s cortadas por uma transversal inclinada t. Nos dois cruzamentos, os oito ângulos estão numerados de 1 a 8: 1, 2, 3, 4 no cruzamento de cima, 5, 6, 7, 8 no de baixo, na mesma ordem. Os ângulos 1, 3, 5 e 7 estão marcados em azul com a medida alfa; os ângulos 2, 4, 6 e 8, em laranja, com a medida 180 graus menos alfa. Um quadro à direita lista: correspondentes 1 e 5, 2 e 6, 3 e 7, 4 e 8; alternos internos 3 e 5, 4 e 6; alternos externos 1 e 7, 2 e 8; colaterais internos 3 e 6, 4 e 5; colaterais externos 1 e 8, 2 e 7.
Duas paralelas e uma transversal: oito ângulos, duas medidas. Todo ângulo azul vale α\alpha, todo laranja vale 180∘−α180^\circ - \alpha. Azul com azul (ou laranja com laranja) são iguais; azul com laranja somam 180°. Diagrama autoral.

Duas consequências que a prova cobra sozinhas. (1) Se duas retas formam ângulo reto com uma terceira, elas não se encontram, isto é, são paralelas: a terceira reta funciona como transversal, e os correspondentes medem 90° e 90°. Em 2024, a prova mostrou a fachada da Catedral de Reims com “três linhas paralelas entre si e perpendiculares às torres” e afirmou que as torres eram paralelas. Certo, sem conta. (2) Todo trapézio esconde a figura das paralelas: as bases são rr e ss, e cada lado oblíquo é uma transversal. Os dois ângulos apoiados no mesmo lado oblíquo são colaterais internos e somam 180°.

Exemplo resolvido 2: o trapézio da banca (PAS 1 2025, item 24). Seção transversal com topo CDCD paralelo à base ABAB, ângulos de 60° em AA e 45° em BB. Os ângulos em DD e CC medem 120° e 135°?

Estratégia: ADAD é transversal das paralelas ABAB e DCDC; os ângulos em AA e DD são colaterais internos. O mesmo vale para BCBC com BB e CC.

Resolução: D^=180∘−60∘=120∘\hat{D} = 180^\circ - 60^\circ = 120^\circ; C^=180∘−45∘=135∘\hat{C} = 180^\circ - 45^\circ = 135^\circ. A ordem “respectivamente, 120° e 135°” bate com DD e CC. Certo.

Conferência: a soma dos quatro ângulos do quadrilátero deve dar 360°: 60+45+120+135=36060 + 45 + 120 + 135 = 360. Fecha.

Alterno não é colateral, e "correspondentes" nem sempre é o termo técnico

Alternos internos são iguais; colaterais internos somam 180°. Quem decora “internos são iguais” erra metade das figuras. E leia a frase inteira: no item de 2025, “os ângulos correspondentes aos vértices DD e CC” queria dizer apenas “os ângulos dos vértices DD e CC”, não o par técnico “correspondentes”. Vocabulário é a primeira armadilha do item de geometria.

Onde as paralelas aparecem com uma transversal

A escada rolante do shopping vista de perfil (o piso de baixo e o de cima são paralelos, e a esteira inclinada é a transversal: 35° com o piso de baixo, 145° com o de cima, e a soma dá 180° qualquer que seja a inclinação); a escada encostada em duas prateleiras; os degraus de uma escada e o corrimão; o trilho da cortina e a haste inclinada; a régua T do desenhista, que produz paralelas garantindo o ângulo reto com a borda; o esquadro que “transporta” um ângulo ao longo de uma régua, fabricando correspondentes iguais.

Por que os ângulos de um triângulo somam 180°

A soma dos ângulos internos de um triângulo é consequência direta das paralelas. Tome o triângulo ABCABC e trace por AA a reta paralela a BCBC. Nos dois lados de AA aparecem cópias de B^\hat{B} e de C^\hat{C}, como alternos internos das transversais ABAB e ACAC; junto com A^\hat{A}, elas preenchem exatamente um ângulo raso. Logo A^+B^+C^=180∘\hat{A} + \hat{B} + \hat{C} = 180^\circ. É a ideia de reconfiguração, mover pedaços sem mudar medidas, a mesma que mais adiante funda as fórmulas de área.

Triângulo ABC com o vértice A em cima e a base BC embaixo. Por A passa uma reta horizontal tracejada, paralela a BC. O ângulo em B, marcado em azul, reaparece à esquerda de A, entre a paralela e o lado AB, como alterno interno; o ângulo em C, marcado em laranja, reaparece à direita de A, entre a paralela e o lado AC. Os três ângulos em A, azul, verde e laranja, formam juntos um ângulo raso. Um quadro indica B mais A mais C igual a 180 graus.
Demonstração pela paralela: os ângulos B^\hat{B} e C^\hat{C} migram para o vértice AA como alternos internos e, com A^\hat{A}, completam 180°. Diagrama autoral.
Soma dos internos e ângulo externo do triângulo
  • A^+B^+C^=180∘\hat{A} + \hat{B} + \hat{C} = 180^\circ. Um triângulo com 90° e 35° tem o terceiro ângulo de 55°; no isósceles com ângulo do vértice de 40°, cada ângulo da base mede (180∘−40∘)/2=70∘(180^\circ - 40^\circ)/2 = 70^\circ.
  • O ângulo externo em um vértice é o formado por um lado e pelo prolongamento do outro; é suplementar ao interno do mesmo vértice. Teorema do ângulo externo: cada ângulo externo é igual à soma dos dois internos não adjacentes, e^A=B^+C^\hat{e}_A = \hat{B} + \hat{C}, porque e^A=180∘−A^\hat{e}_A = 180^\circ - \hat{A} e B^+C^=180∘−A^\hat{B} + \hat{C} = 180^\circ - \hat{A}. Consequência: um externo é sempre maior que qualquer interno não adjacente.
  • Os três externos (um por vértice) somam 360°: 3⋅180∘−180∘3 \cdot 180^\circ - 180^\circ.
Triângulo ABC com o lado BC prolongado para além de C até um ponto D. O ângulo externo em C, entre o lado CA e o prolongamento CD, está marcado em vermelho e vale e. Os ângulos internos em A e em B estão marcados em azul e verde. Um quadro mostra e igual a A mais B, e abaixo o exemplo: A igual a 50 graus, B igual a 60 graus, logo e igual a 110 graus e o interno em C igual a 70 graus.
O ângulo externo em CC vale a soma dos internos em AA e BB: e^=A^+B^\hat{e} = \hat{A} + \hat{B}. É o atalho da prova para "haste e cabo": o ângulo da haste com o chão é externo ao triângulo e vale a soma dos outros dois. Diagrama autoral.

Exemplo resolvido 3: haste e cabo (PAS 1 2018, item 83). Um mecanismo de construção do Partenon: a haste, presa ao solo em bb, faz ângulo β\beta com a horizontal; o cabo, preso ao solo em aa, à esquerda de bb, sobe até a ponta da haste fazendo ângulo α\alpha com a horizontal; θ\theta é o ângulo entre cabo e haste, no topo. O item: “se α=β/2\alpha = \beta/2, então θ\theta será superior a β/2\beta/2”.

Estratégia: o triângulo tem vértices aa, bb e o topo. O ângulo β\beta que a haste faz com o chão fica do lado oposto a aa, entre a haste e o prolongamento de abab: é o ângulo externo do triângulo no vértice bb. Pelo teorema do ângulo externo, β=α+θ\beta = \alpha + \theta.

Resolução: θ=β−α=β−β2=β2\theta = \beta - \alpha = \beta - \dfrac{\beta}{2} = \dfrac{\beta}{2}. Igual, não superior. Errado.

Conferência: pela soma interna, o ângulo interno em bb é 180∘−β180^\circ - \beta, e α+(180∘−β)+θ=180∘\alpha + (180^\circ - \beta) + \theta = 180^\circ dá o mesmo θ=β−α\theta = \beta - \alpha. O item foi escrito para quem calcula com pressa e lê “superior” como “igual ou superior”.

A soma 180° vale em qualquer unidade: em radianos, π\pi rad correspondem a 180°, e a prova do PAS 2 de 2023 deu um triângulo com cos⁡A^=−12\cos \hat{A} = -\tfrac{1}{2} (logo A^=120∘\hat{A} = 120^\circ) e perguntou se os outros dois ângulos somavam menos de π/2\pi/2 rad: somam 60∘=π/360^\circ = \pi/3 rad, Certo. A conversão fica para Ciclo trigonométrico; aqui basta saber que π\pi rad =180∘= 180^\circ.

Triângulos têm nome pelos lados e pelos ângulos, e nem toda trinca fecha

Classificação e desigualdade triangular
  • Pelos lados: equilátero (três lados iguais, três ângulos de 60°), isósceles (dois lados iguais, e os ângulos opostos a eles, chamados ângulos da base, iguais), escaleno (três lados diferentes, três ângulos diferentes). Todo equilátero é isósceles.
  • Pelos ângulos: acutângulo (três agudos), retângulo (um reto; os outros dois são complementares, e o lado oposto ao reto, a hipotenusa, é o maior), obtusângulo (um obtuso). Não existe triângulo com dois ângulos retos ou dois obtusos: só a soma dos dois já passaria de 180°.
  • Lados e ângulos se ordenam juntos: o ângulo mais aberto fica de frente para o lado mais comprido, e o menor ângulo, de frente para o lado mais curto.
  • Desigualdade triangular: cada lado é menor que a soma dos outros dois e maior que a diferença: ∣b−c∣<a<b+c|b - c| < a < b + c. Com 3, 4 e 8 não há triângulo (3+4<83 + 4 < 8); com 3, 4 e 7 tampouco (os dois menores esticados ficam sobre o maior).

Dois itens reais são só classificação lida numa figura. Em 2015, a torre de um cata-vento sustentava três pás DADA, DBDB, DCDC com ângulos iguais entre si, ou seja, 120° cada; o item afirmava que, se DADA fizesse com o suporte vertical um ângulo entre 0° e 30°, nenhuma das outras pás estaria paralela ao solo. Uma pá paralela ao solo faz 90° com o suporte; as outras duas fazem 120∘±120^\circ \pm (o ângulo de DADA), isto é, algo entre 90° e 150°, sem incluir os extremos. Certo. Na 2.ª etapa de 2018, as pontas de três pás de 50 m formavam um triângulo equilátero, e o item dizia que o lado passava de 80 m: cada lado é a distância entre duas pontas separadas por 120° a 50 m do centro, 503≈86,650\sqrt{3} \approx 86{,}6 m. Certo. A conta ℓ=R3\ell = R\sqrt{3} é a do triângulo equilátero inscrito, adiante.

Polígonos: nomes, diagonais e a soma dos ângulos

Um polígono é uma linha fechada formada por segmentos que não se cruzam; os segmentos são os lados, os extremos são os vértices, e um polígono de nn lados tem nn vértices e nn ângulos internos. É convexo quando todo segmento que liga dois pontos seus fica dentro dele (equivalente: nenhum ângulo interno passa de 180°); caso contrário, côncavo. Os nomes vêm do grego: triângulo (3), quadrilátero (4), pentágono (5), hexágono (6), heptágono (7), octógono (8), eneágono (9), decágono (10), undecágono (11), dodecágono (12), pentadecágono (15), icoságono (20).

Uma diagonal liga dois vértices não consecutivos. De cada vértice saem n−3n - 3 diagonais (não se liga a si mesmo nem aos dois vizinhos, que já são lados); somando pelos nn vértices, cada diagonal é contada duas vezes, uma em cada extremo.

Diagonais e soma dos ângulos internos

Em um polígono convexo de nn lados:

d=n(n−3)2,Si=(n−2)⋅180∘.d = \frac{n(n-3)}{2}, \qquad S_i = (n - 2) \cdot 180^\circ.

A soma vem da triangulação: as n−3n - 3 diagonais que saem de um mesmo vértice cortam o polígono em n−2n - 2 triângulos, cada um com 180°, e os ângulos desses triângulos preenchem exatamente os ângulos do polígono. Triângulo: 180°. Quadrilátero: 360°. Pentágono: 540°. Hexágono: 720°. Octógono: 1 080°. Decágono: 1 440°.

Dois hexágonos regulares lado a lado. No da esquerda, todas as nove diagonais estão traçadas em cinza, com os vértices nomeados de A a F. No da direita, só as três diagonais que saem do vértice A estão traçadas, em azul, dividindo o hexágono em quatro triângulos coloridos. Quadros indicam: d igual a 6 vezes 3 sobre 2 igual a 9; S igual a 4 vezes 180 graus igual a 720 graus; e ângulo interno do regular 720 sobre 6 igual a 120 graus.
Hexágono: de cada vértice saem 6−3=36 - 3 = 3 diagonais, d=6⋅3/2=9d = 6 \cdot 3/2 = 9 no total; as três que saem de AA fazem 6−2=46 - 2 = 4 triângulos, logo Si=4⋅180∘=720∘S_i = 4 \cdot 180^\circ = 720^\circ. Diagrama autoral.

Em 2005, a prova do PAS 1 mostrou um pentagrama e afirmou: “visto que o pentágono pode ser decomposto nos triângulos ABCABC, ACDACD e ADEADE, conclui-se que a soma dos ângulos internos do pentágono é igual a 540°”. É a triangulação pelo vértice AA, três triângulos, 3⋅180∘3 \cdot 180^\circ: Certo.

Exemplo resolvido 4: descobrir nn a partir das diagonais e da soma. (a) Um polígono convexo tem 44 diagonais; quantos lados tem? (b) Outro tem soma dos ângulos internos igual a 1 260°; qual é?

Estratégia: montar a equação com a fórmula e resolver em nn inteiro, n≥3n \geq 3.

Resolução: (a) n(n−3)2=44⇒n2−3n−88=0⇒n=3+9+3522=3+192=11\dfrac{n(n-3)}{2} = 44 \Rightarrow n^2 - 3n - 88 = 0 \Rightarrow n = \dfrac{3 + \sqrt{9 + 352}}{2} = \dfrac{3 + 19}{2} = 11 (a raiz negativa, −8-8, não serve). Undecágono. (b) (n−2)⋅180=1 260⇒n−2=7⇒n=9(n-2) \cdot 180 = 1\,260 \Rightarrow n - 2 = 7 \Rightarrow n = 9. Eneágono.

Conferência: 11⋅8/2=4411 \cdot 8/2 = 44; 7⋅180=1 2607 \cdot 180 = 1\,260. Se a soma dada fosse 1 300°, não haveria polígono: 1 300/1801\,300/180 não é inteiro, e é assim que a banca fabrica um item errado.

Três erros de contagem
  1. Diagonal para vizinho. Ligar um vértice aos seus dois vizinhos não dá diagonal, dá lado. Por isso é n−3n - 3 por vértice, não n−1n - 1; e o triângulo tem 3⋅0/2=03 \cdot 0/2 = 0 diagonais.
  2. Dividir a soma por nn sem regularidade. Um hexágono qualquer tem soma 720°, mas só o hexágono regular tem cada ângulo de 120°. “Cada ângulo interno mede Si/nS_i/n” exige que todos sejam iguais, e o enunciado precisa dizer isso.
  3. Somar externos com a fórmula dos internos. A soma dos ângulos externos de um polígono convexo é 360° para qualquer nn; (n−2)⋅180∘(n - 2) \cdot 180^\circ é só dos internos. A próxima seção mostra por quê.

Dar a volta: os externos somam 360° em qualquer polígono convexo

Caminhe pelo contorno de um polígono convexo. Em cada vértice você gira um pouco para continuar pelo lado seguinte; o giro é exatamente o ângulo externo daquele vértice (entre um lado e o prolongamento do anterior). Ao voltar ao ponto de partida, você deu uma volta completa: os giros somam 360°. Algebricamente, em cada vértice interno e externo são suplementares, então

Se=n⋅180∘−Si=n⋅180∘−(n−2)⋅180∘=360∘.S_e = n \cdot 180^\circ - S_i = n \cdot 180^\circ - (n-2) \cdot 180^\circ = 360^\circ.

À esquerda, um pentágono irregular com os cinco lados prolongados no sentido anti-horário; em cada vértice está marcado o ângulo externo, em cores diferentes, com as medidas 70, 60, 80, 75 e 75 graus, e setas indicando o sentido da caminhada pelo contorno. À direita, os mesmos cinco ângulos, nas mesmas cores, reunidos em torno de um único ponto, completando uma volta de 360 graus. Um quadro indica 70 mais 60 mais 80 mais 75 mais 75 igual a 360.
Andar em volta de um polígono convexo é girar, no total, uma volta: os externos, um por vértice e no mesmo sentido, somam sempre 360°. Encolha o polígono até um ponto e os externos se encaixam ao redor dele. Diagrama autoral.
Ângulos do polígono regular

Um polígono é regular quando tem todos os lados iguais e todos os ângulos iguais. Nele, com nn lados:

ae=360∘n,ai=180∘−ae=(n−2)⋅180∘n.a_e = \frac{360^\circ}{n}, \qquad a_i = 180^\circ - a_e = \frac{(n-2) \cdot 180^\circ}{n}.

nn polígono regular aia_i aea_e
3 triângulo equilátero 60° 120°
4 quadrado 90° 90°
5 pentágono 108° 72°
6 hexágono 120° 60°
8 octógono 135° 45°
10 decágono 144° 36°
12 dodecágono 150° 30°

O caminho mais curto para achar nn é sempre pelo externo: ângulo externo de 24°, n=360/24=15n = 360/24 = 15; ângulo interno de 156°, externo de 24°, os mesmos 15 lados.

O pentagrama (a estrela de cinco pontas obtida traçando as diagonais do pentágono regular) foi cobrado em 2005 e de novo na 3.ª etapa de 2016, e as duas vezes a resposta saiu daqui. No pentágono regular cada ângulo interno mede 108°; tome dois lados vizinhos e feche-os com a diagonal que une suas pontas: nasce um triângulo isósceles cujo ângulo do vértice é o próprio 108°, de modo que os dois ângulos da base medem (180∘−108∘)/2=36∘(180^\circ - 108^\circ)/2 = 36^\circ cada: uma diagonal faz 36° com o lado. Cada ponta da estrela é um triângulo isósceles de ângulos 36°, 72°, 72°, e o ângulo da ponta mede 36°, o mesmo que o externo do decágono. Em 2005, “se α\alpha é o ângulo ED^AE\hat{D}A, β\beta é DB^ED\hat{B}E e γ\gamma é BD^CB\hat{D}C, então α+β+γ>130∘\alpha + \beta + \gamma > 130^\circ” era Errado (são três ângulos de 36°, soma 108°), e “o ângulo ED^AE\hat{D}A é superior a 40°” também Errado. Em 2016, o ângulo da ponta p1p_1 da estrela “é superior a 40°”: Errado, 36°.

E o polígono côncavo? A soma dos internos continua (n−2)⋅180∘(n-2) \cdot 180^\circ para qualquer polígono simples (a triangulação existe, só não parte de um único vértice). Mas no vértice reentrante o ângulo interno passa de 180°, e “externo =180∘−= 180^\circ - interno” daria um número negativo; a fórmula do externo e a soma 360° são feitas para convexos. Uma seta de papel (quadrilátero côncavo) tem um ângulo interno de, digamos, 240°: os outros três somam 360∘−240∘=120∘360^\circ - 240^\circ = 120^\circ, e ninguém deve chamar 180∘−240∘180^\circ - 240^\circ de ângulo externo.

Regulares: um centro, uma circunferência por dentro e outra por fora

Todo polígono regular tem um centro, equidistante dos vértices e dos lados. A circunferência de centro nesse ponto que passa pelos vértices é a circunscrita, de raio RR; a que tangencia os lados é a inscrita, de raio rr, chamado apótema. Ligando o centro aos vértices, o polígono se corta em nn triângulos isósceles iguais, cada um com ângulo central 360∘/n360^\circ/n; o apótema é a altura desses triângulos. O regular de nn lados tem nn eixos de simetria (pelos vértices e pelos pontos médios dos lados, alternados) e volta a coincidir consigo mesmo a cada giro de 360∘/n360^\circ/n em torno do centro.

Três medidas de inscrição que valem guardar

Com circunferência de raio RR:

  • Hexágono regular: ângulo central 60°, os seis triângulos são equiláteros, lado =R= R; ângulo interno 120°.
  • Quadrado: ângulo central 90°, lado =R2= R\sqrt{2} (diagonal do quadrado =2R= 2R).
  • Triângulo equilátero: ângulo central 120°, lado =R3= R\sqrt{3} (é a distância entre duas pás de 50 m separadas por 120°: 503≈86,650\sqrt{3} \approx 86{,}6 m, o item da turbina de 2018).

Quem precisa da altura, do apótema ou da área desses triângulos usa Pitágoras ou trigonometria, nas páginas vizinhas; aqui o que interessa é que ângulos iguais é o que faz a inscrição funcionar: cada vértice do regular está no mesmo círculo porque está à mesma distância do centro.

Um item de 2011 mostrava o pentágono regular da molécula de vitamina C e destacava nele o triângulo ABCABC, cujos lados CACA e CBCB são lados do pentágono e cuja base ABAB é uma diagonal, com altura hh traçada do vértice CC até ABAB; afirmava que hh era metade do lado. Os ângulos da base desse triângulo medem 36°; se hh fosse metade do lado, o ângulo oposto a hh no triângulo retângulo formado seria 30° (o cateto que é metade da hipotenusa é o de 30°). Como é 36°, hh é maior que metade do lado: Errado. Nenhuma tabela trigonométrica foi necessária, só a comparação com 30°.

Um pentágono que não fecha um piso, mas fecha uma molécula

O anel de cinco átomos da vitamina C, o pentagrama pitagórico e o pentágono do Pentágono em Washington têm o mesmo ângulo de 108°. Esse ângulo não divide 360°, e é por isso que pentágonos regulares não ladrilham um piso; mas doze deles fecham perfeitamente um dodecaedro, porque no espaço três ângulos de 108° podem se encontrar num vértice deixando os 36° de “fresta” para dobrar. O que falha no plano funciona em três dimensões; o dodecaedro está em Poliedros.

Quadriláteros notáveis: o que cada nome garante

Quadrilátero é qualquer polígono de quatro lados; soma dos internos, 360°. Os notáveis são os que têm paralelismos.

Paralelogramo, retângulo, losango, quadrado, trapézio
  • Paralelogramo: dois pares de lados paralelos. Consequências: lados opostos iguais; ângulos opostos iguais; ângulos consecutivos suplementares (colaterais internos!); as diagonais cortam-se ao meio.
  • Retângulo: paralelogramo com um ângulo reto (logo os quatro). Além do que vale no paralelogramo, as diagonais são iguais.
  • Losango: paralelogramo com os quatro lados iguais. Além do paralelogramo, as diagonais são perpendiculares e são bissetrizes dos ângulos.
  • Quadrado: retângulo e losango ao mesmo tempo: quatro lados iguais, quatro ângulos retos, diagonais iguais, perpendiculares e bissetrizes. É o único quadrilátero regular.
  • Trapézio: exatamente um par de lados paralelos, as bases. Os ângulos apoiados no mesmo lado oblíquo somam 180°. Isósceles: lados oblíquos iguais, ângulos de cada base iguais, diagonais iguais. Retângulo: um lado oblíquo perpendicular às bases, dois ângulos retos.

Hierarquia: todo quadrado é retângulo e é losango; todo retângulo e todo losango é paralelogramo. As setas não voltam: um losango de 60° e 120° não é quadrado; um retângulo 2 por 1 não é losango.

Na prova, o quadrilátero entra como figura de um objeto (a seção de um dique, um azulejo de Athos Bulcão, um tronco de pirâmide) e a pergunta é qual propriedade se pode garantir. Ter quatro lados iguais garante losango, não quadrado; ter diagonais iguais só garante retângulo se a figura já for paralelogramo (um trapézio isósceles também tem diagonais iguais); ter um par de lados paralelos garante trapézio, e nada mais sobre os outros dois lados.

Ladrilhar o plano: em cada vértice, 360°

Tente montar um piso com peças iguais de um só formato regular. Com azulejos quadrados dá certo, como em qualquer cozinha; com triângulos equiláteros também, e com hexágonos regulares as abelhas já provaram que dá. Agora experimente com pentágonos regulares de papel: ao encostar o terceiro no mesmo canto, abre-se uma cunha que peça nenhuma preenche. A regra que decide cada caso é uma só: num ponto em que vários ladrilhos se tocam pelos vértices, os ângulos reunidos ali têm de completar a volta inteira, 360°, nem mais nem menos. O quadrado traz 90° e cabe quatro vezes; o triângulo traz 60° e cabe seis; o hexágono traz 120° e cabe três; o pentágono traz 108°, três vezes dão 324° e os 36° restantes ficam vazios.

Condição do vértice e os três regulares que pavimentam

Um ladrilhamento (ou pavimentação) do plano é uma coleção de polígonos que o recobre por completo, sem deixar região descoberta e sem que duas peças se superponham. Em cada vértice do ladrilhamento, a soma dos ângulos das peças que ali se encontram é 360°. Com um único polígono regular repetido, kk peças por vértice, a condição é k⋅ai=360∘k \cdot a_i = 360^\circ, isto é, aia_i tem de ser divisor de 360°. Como ai=180∘−360∘/na_i = 180^\circ - 360^\circ/n, a condição vira

k=360180−360/n=2nn−2=2+4n−2,k = \frac{360}{180 - 360/n} = \frac{2n}{n - 2} = 2 + \frac{4}{n-2},

e kk é inteiro só quando n−2n - 2 divide 4: n=3n = 3 (k=6k = 6), n=4n = 4 (k=4k = 4) ou n=6n = 6 (k=3k = 3). Nenhum outro regular pavimenta o plano sozinho: a lista fecha em três (triângulo equilátero com seis peças por vértice, quadrado com quatro, hexágono regular com três). Com dois ou mais tipos de peça regular o ladrilhamento é semirregular: octógonos e quadrados (2⋅135+90=3602 \cdot 135 + 90 = 360), hexágonos e triângulos (120+60+120+60120 + 60 + 120 + 60), dodecágono, hexágono e quadrado (150+120+90150 + 120 + 90).

Quatro painéis. No primeiro, triângulos equiláteros cobrem uma região e seis deles se encontram num vértice destacado: 6 vezes 60 igual a 360. No segundo, quadrados, quatro por vértice: 4 vezes 90 igual a 360. No terceiro, hexágonos regulares, três por vértice: 3 vezes 120 igual a 360. No quarto, três pentágonos regulares encostados num vértice deixam uma fresta em forma de cunha, marcada em vermelho com 36 graus: 3 vezes 108 igual a 324, não fecha.
A condição do vértice decide tudo: 60°, 90° e 120° dividem 360°; 108° não. Por isso triângulos, quadrados e hexágonos pavimentam sozinhos e o pentágono regular deixa fresta. Diagrama autoral.

Regularidade não é exigência para pavimentar: qualquer triângulo ladrilha o plano (duas cópias giradas de 180° formam um paralelogramo, e paralelogramos se empilham), e qualquer quadrilátero, mesmo côncavo, também, porque em cada vértice se reúnem os quatro ângulos dele, que somam 360°. Para que um único ladrilho gere o pavimento inteiro, é preciso levá-lo de uma posição a outra sem deformá-lo, e os movimentos que fazem isso têm nome: isometrias. São três os tipos básicos: a translação (a peça desliza, mantendo a orientação), a rotação (a peça gira em torno de um ponto) e a reflexão (a peça é espelhada em relação a uma reta). Uma isometria conserva todos os comprimentos e todos os ângulos; a peça na posição nova é congruente à peça na posição antiga. Em 2022, a prova pendurou seis itens na xilogravura Metamorphosis I, de M. C. Escher, e um deles enunciava corretamente o que é uma isometria e, na oração seguinte, negava que a gravura as contivesse: Errado, pois o padrão de Escher nasce justamente de deslizar e espelhar uma mesma peça repetidas vezes. Padrão “definição certa, conclusão errada”.

Onde os 360° do vértice estão decidindo o desenho

Na calçada de octógonos com quadradinhos nos vãos (o piso de “octógonos” nunca é só de octógonos: 135∘135^\circ não divide 360°); na colmeia, em que o hexágono é o regular que fecha o plano com o menor perímetro por área; no piso de tijolos em espinha de peixe (retângulos, quatro ângulos retos por vértice, ou três num arranjo em T); na bola de futebol clássica, que mistura pentágonos e hexágonos porque, no espaço, a soma no vértice precisa ficar abaixo de 360° para a superfície curvar: 108+120+120=348108 + 120 + 120 = 348.

Ler a figura com ângulos marcados como a banca escreve

O item de geometria do PAS vem pendurado numa obra ou numa foto (o Templo Mayor em 2025, Reims em 2024, o cata-vento de Osório em 2015, o pentagrama em 2005), e o texto dá tudo o que a figura precisa. Protocolo:

  1. Copie a figura para o rascunho, maior do que no caderno, e transfira para ela cada informação que o texto fornece: medidas, ângulos, paralelismos declarados (“o topo é paralelo à base”, “perpendiculares às torres”), igualdades (“ângulos iguais entre as pás”).
  2. Cace transversais. Toda paralela cortada por um lado oblíquo é um par de colaterais (soma 180°) e um par de alternos (iguais). Toda perpendicular comum é um par de paralelas.
  3. Liste as somas disponíveis: 90° (complementares, agudos do triângulo retângulo), 180° (suplementares, colaterais, triângulo, reto no cruzamento), 360° (volta, quadrilátero, externos, vértice de ladrilhamento), (n−2)⋅180∘(n-2) \cdot 180^\circ (internos do polígono). O ângulo pedido sai de uma equação com uma dessas.
  4. Desconfie da palavra, não do item. “Correspondentes aos vértices” pode ser só “dos vértices”; “regular” tem de estar escrito para dividir a soma por nn; “convexo” tem de estar escrito para somar externos.
  5. Só afirme o que a figura garante. Em 2024, três pontos de equilíbrio do sistema Sol-Terra formavam um triângulo, e o item dizia que ele era retângulo. L4L_4 está no vértice de um triângulo equilátero sobre o segmento Sol-Terra; L1L_1 e L3L_3 estão sobre a reta Sol-Terra, um perto da Terra e outro além do Sol. Nenhum dos três ângulos é reto (o de L1L_1 só seria se L1L_1 estivesse exatamente sob L4L_4, no meio do segmento, e a figura o colocava a uma distância RR da Terra bem menor que a metade), e o item era Errado: parecer retângulo não é ser retângulo.

Os erros que a banca planta

  • Trocar complementar por suplementar. Colaterais internos e ângulos do trapézio no mesmo lado oblíquo somam 180°, não 90°. Os dois agudos do triângulo retângulo, esses sim, são complementares.
  • Alternos internos como colaterais (e vice-versa). Alternos (lados opostos da transversal) são iguais; colaterais (mesmo lado) somam 180°. Desenhe a letra Z para os alternos e a letra C (ou U) para os colaterais.
  • Somar os externos como (n−2)⋅180∘(n-2) \cdot 180^\circ. Os externos de qualquer convexo somam 360°; a fórmula com nn é dos internos.
  • Ângulo externo em côncavo. No vértice reentrante, 180∘−180^\circ - interno é negativo; a soma 360° e ae=360∘/na_e = 360^\circ/n valem para convexos (e ae=360∘/na_e = 360^\circ/n só para regulares).
  • Diagonal contando vizinhos. De cada vértice saem n−3n - 3 diagonais, não n−1n - 1 nem n−2n - 2; o total é n(n−3)/2n(n-3)/2, e o triângulo tem zero.
  • “Todo losango é quadrado.” Não: só o losango com um ângulo reto. Também não vale “quatro lados iguais, logo quadrado”, nem “diagonais iguais, logo retângulo” fora do paralelogramo.
  • Dividir a soma por nn sem a palavra “regular”. Um hexágono qualquer soma 720°; só o regular tem 120° em cada vértice.
  • Assumir paralelismo pela aparência. Duas retas “que parecem paralelas” não autorizam alternos nem colaterais; procure a declaração no texto ou uma perpendicular comum.
  • Ler o ângulo da ponta da estrela como 108°. O interno do pentágono é 108°; a ponta do pentagrama mede 36°, e a diagonal faz 36° com o lado.
  • Confundir “superior a” com “igual ou superior a”. No item da haste de 2018, θ\theta era exatamente β/2\beta/2, e o item dizia “superior”: Errado.

O essencial em meia página

  • Ângulo é abertura; 1° = 60′, 1′ = 60″. Complementares somam 90°, suplementares 180°, replementares 360°. Opostos pelo vértice são iguais; a bissetriz divide ao meio.
  • Paralelas + transversal: oito ângulos, duas medidas. Correspondentes, alternos internos e alternos externos: iguais. Colaterais (internos ou externos): somam 180°. Recíproca = critério de paralelismo. Duas perpendiculares à mesma reta são paralelas.
  • Trapézio: ângulos no mesmo lado oblíquo somam 180° (colaterais). Templo Mayor: 60→12060 \to 120, 45→13545 \to 135.
  • Triângulo: internos somam 180° (paralela pelo vértice); externo = soma dos dois internos não adjacentes; externos somam 360°. Isósceles: ângulos da base iguais; retângulo: agudos complementares. Desigualdade triangular: ∣b−c∣<a<b+c|b - c| < a < b + c.
  • Polígono convexo de nn lados: d=n(n−3)2d = \dfrac{n(n-3)}{2}; Si=(n−2)⋅180∘S_i = (n-2) \cdot 180^\circ; Se=360∘S_e = 360^\circ sempre. Regular: ae=360∘/na_e = 360^\circ/n, ai=180∘−aea_i = 180^\circ - a_e (60°, 90°, 108°, 120°, 135°, 144°, 150°). Para achar nn, vá pelo externo.
  • Pentagrama: diagonal e lado do pentágono regular fazem 36°; a ponta da estrela mede 36°.
  • Regulares: centro, circunferências inscrita (apótema) e circunscrita (RR); ângulo central 360∘/n360^\circ/n; hexágono tem lado RR, quadrado R2R\sqrt{2}, triângulo R3R\sqrt{3}.
  • Quadriláteros: paralelogramo (opostos iguais, consecutivos suplementares, diagonais se cortam ao meio) → retângulo (diagonais iguais) e losango (diagonais perpendiculares e bissetrizes) → quadrado. Trapézio: um par de paralelas. Todo quadrado é losango; não todo losango é quadrado.
  • Ladrilhamento: em cada vértice, 360°. Sozinhos, só triângulo equilátero (6 por vértice), quadrado (4) e hexágono regular (3); o pentágono (3 × 108 = 324) deixa uma fresta de 36°; o octógono precisa de quadrados nos vãos (semirregular). Isometrias (deslizar, girar, espelhar) preservam medidas.
  • Protocolo: redesenhe, cace transversais e perpendiculares comuns, escolha a soma (90, 180, 360, (n−2)180(n-2)180), leia “regular”, “convexo” e “superior a” ao pé da letra.

Exercícios temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.

Flashcards temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar os cartões de revisão.

Ângulos formados por retas paralelas cortadas por uma transversal | Prof. Guto Azevedo
Guto Azevedo · 8:29
Introdução. Em oito minutos, nomeia os oito ângulos de duas paralelas cortadas por uma transversal (correspondentes, alternos internos e externos, colaterais internos e externos) e mostra quais são iguais e quais somam 180°: é a seção “Uma transversal repete o cruzamento no outro” para quem está vendo a figura pela primeira vez.
Ângulos nos polígonos | Soma dos ângulos internos de um polígono convexo | #06
Gis com Giz · 30:40
Aprofundamento. Aula longa que chega à soma (n−2)⋅180°(n-2) \cdot 180° por um experimento (recortar os ângulos e montá-los) e pela triangulação a partir de um vértice, com exemplos de vários polígonos. Cobre a seção “Polígonos: nomes, diagonais e a soma dos ângulos” e prepara a tabela dos regulares.
1ª série EM - Matemática - Polígonos para pavimentação
1a série EM - CMSP · 26:36
Aplicação. Aula do Centro de Mídias SP (1ª série do EM) dividida em capítulos: “Ladrilhamento ou pavimentação”, “Ângulos em uma pavimentação” e atividades resolvidas do material do estado sobre quais polígonos regulares recobrem o plano. É a seção “Ladrilhar o plano: em cada vértice, 360°” com tempo para testar os encaixes.
Soma dos ângulos internos de um polígono: essas questões você tem que saber resolver!
DecolaMat - Matemática Enem · 13:42
Resolução. Duas questões de prova em ritmo de prova: descobrir o polígono a partir da soma dos ângulos internos e um pentágono regular em que o ângulo interno de 108° e um triângulo isósceles dão o ângulo pedido, o mesmo raciocínio do pentagrama de 2005 e 2016. Treino do “Exemplo resolvido 4” e da seção “Dar a volta”.
Rota PAS 1
Geometria plana: construções, semelhança, trigonometria e áreas · PAS 1

Fontes desta página

Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.

  • Rota PAS 1 — Geometria plana: construções, semelhança, trigonometria e áreas · Aquecimento (ideias 1 a 3: ângulo, paralelas e perpendiculares, triângulos); 'Ângulos e paralelas: o que um trapézio esconde' (tabela dos ângulos entre paralelas, consequências 1 a 3, demonstração dos 180° pela paralela, tabela dos internos dos regulares, rampa de garagem, Reims 2024/48, armadilha suplementar × complementar, checagem do trapézio); 'Ladrilhamento: quais polígonos pavimentam o plano' (condição do vértice, os três regulares, semirregular octógono + quadrado, isometrias, item 2022/98, checagem dos octógonos); 'Leia como na prova: o bloco do Templo Mayor' (item 2025/24 lido em três pedaços); 'Como a banca cobra' (histórico de ângulos, paralelas e congruência: 2009/106, 2015/73 e 88, 2018/83, 2024/48 e 95, 2025/24); síntese; Banco de treino T1 (ripas perpendiculares), T2 (pentágono 560°), T3 (muro de arrimo), T4 (variante de 2022/98), T22 (ladrilhamento tipo C), T25 (pentagrama, ângulo de 36°)

    Recorte por assunto: ângulos, paralelas, triângulo, polígonos, regulares, quadriláteros e ladrilhamento. Régua e compasso, Tales e semelhança, Pitágoras, razões trigonométricas, leis dos senos e dos cossenos, áreas e circunferência do mesmo capítulo pertencem às páginas construcoes-geometricas, teorema-de-tales-e-semelhanca, teorema-de-pitagoras, trigonometria-no-triangulo e areas-de-figuras-planas. Radianos só como menção (pi rad = 180°), com remissão a ciclo-trigonometrico.

  • Cadernos e gabaritos oficiais do PAS/UnB (Cespe/Cebraspe) · PAS 1: 2005 (itens 92, 94 e 95, pentagrama pitagórico), 2011 (item 47, pentágono da vitamina C), 2015 (item 73, cata-vento de Osório), 2018 (item 83, haste e cabo do Partenon), 2022 (item 98, isometrias em Escher), 2024 (item 48, torres de Reims; item 95, pontos de Lagrange), 2025 (item 24, Templo Mayor); PAS 2: 2018 (item 83, pás da turbina em triângulo equilátero), 2023 (item 63, soma dos ângulos em radianos no triângulo desmatado); PAS 3: 2016 (item 92, ângulo da ponta do pentagrama); item 2009/106 (azulejo de Athos Bulcão) reutilizado por GUID da página teorema-de-tales-e-semelhanca

    Itens reproduzidos verbatim; gabaritos conferidos nos GAB oficiais e em utils/material/PAS/pesquisa/classificacao[-pasN]/AAAA.json. As figuras dos itens 2005/92-95, 2011/47, 2015/73, 2016/92 (PAS 3), 2018/83, 2024/95 e 2025/24 foram lidas nas páginas renderizadas dos PDFs (utils/material/PAS/provas/) e descritas em texto neutro com todas as medidas; o item 2018/83 do PAS 1, cujas frações estavam cifradas no txt, foi transcrito da imagem da página 13 do caderno Sucata. Itens 2015/88 (caravela) e 2009 PAS 2/71 (câmera lúcida) ficaram fora: dependem de medidas só legíveis na figura ou de óptica.