Movimento uniforme (MU)

Guia de estudo · Revisado em 07/09/2026

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Quando você pede um carro ou uma entrega pelo aplicativo, aparece na tela: “chegada em 12 min”. Que física o aplicativo usa para prever a que horas você chega — e quando essa conta falha?

O que você vai aprender

  • Interpretar a função horária e os gráficos de movimento.
  • Resolver encontros com uma origem comum de posições e tempos.
  • Distinguir deslocamento, distância e velocidade média.

Um avião em voo de cruzeiro viaja a cerca de 900 km/h. Convertendo: 900 km/h ÷ 3,6\div\ 3{,}6 = 250 m/s. Isso significa que, a cada segundo, o avião avança 250 m — mais de dois campos de futebol — e avançará os mesmos 250 m no próximo segundo, e no seguinte, e no seguinte. Quando a distância percorrida se repete a cada segundo, o futuro do movimento fica fácil de prever: basta multiplicar. É essa previsibilidade que permite à tela do avião cravar “chegada: 14h32” com horas de antecedência.

É a mesma conta que o aplicativo de entregas faz quando promete “chegada em 12 min”: ele fatia o trajeto em trechos, trata cada um como um movimento uniforme com a velocidade média praticada agora e soma os tempos.

O que faz um movimento ser “uniforme”?

Escada rolante, avião em cruzeiro, sinal de internet numa fibra óptica: em todos, a velocidade escalar não muda com o tempo. A escada avança sempre os mesmos 0,5 m a cada segundo; o avião, seus 250 m; a luz na fibra, 200 000 km a cada segundo.

Movimento uniforme (MU)

Movimento uniforme (MU) é aquele em que a velocidade escalar instantânea é constante e diferente de zero. Consequência direta: o móvel percorre distâncias iguais em intervalos de tempo iguais, e a velocidade instantânea coincide com a velocidade média em qualquer trecho.

Repare no que a definição não exige: a trajetória não precisa ser reta. Quando é, dizemos movimento retilíneo uniforme (MRU). E vale ser honesto: o MU é um modelo — nenhum carro real mantém a velocidade cravada por horas, mas em muitos trechos do mundo real (rodovia com piloto automático, esteira industrial, bolha subindo num tubo de água) ele descreve o movimento com erro pequeno.

Onde estarei daqui a tt segundos? — a função horária

Se a velocidade não muda, prever o futuro vira uma continha. Um ciclista passa pelo marco 200 m de uma ciclovia, a 5 m/s constantes: em 10 s avança 5×10=505 \times 10 = 50 m e chega ao marco 250 m. Para um tempo tt qualquer:

Função horária do MU

s=s0+v ts = s_0 + v\,t

em que s0s_0 é a posição no instante t=0t = 0 e vv é a velocidade escalar (constante). Se v>0v > 0, o móvel anda no sentido crescente das posições (movimento progressivo); se v<0v < 0, no sentido decrescente (movimento retrógrado).

A expressão é uma velha conhecida da matemática: uma função do 1º grau, y=b+a xy = b + a\,x. O coeficiente linear bb é a posição inicial s0s_0; o coeficiente angular aa é a velocidade vv. A função responde a duas perguntas: “onde?” (dado tt) e “quando?” (dado ss) — perceber qual está sendo feita é metade da resolução.

O que uma reta num papel tem a ver com o mundo? — o gráfico s×t

No MU, o gráfico s×ts \times t é sempre uma reta. E a reta guarda a velocidade num lugar preciso: na inclinação. Escolha dois pontos quaisquer da reta e monte o “triângulo” com os catetos Δt\Delta t (horizontal) e Δs\Delta s (vertical):

v=ΔsΔtv = \frac{\Delta s}{\Delta t}

Quanto mais inclinada a reta, mais rápido o móvel. Reta subindo: v>0v > 0, movimento progressivo. Reta descendo: v<0v < 0, retrógrado — o móvel está voltando pela mesma trajetória, não “descendo uma ladeira”. Reta horizontal: Δs=0\Delta s = 0, o móvel está parado (e repouso não é MU, pois a definição exige v≠0v \neq 0). O corte da reta com o eixo vertical entrega s0s_0.

O gráfico não é uma foto do caminho

Você provavelmente pensa que um gráfico de movimento é uma espécie de fotografia do caminho: se a linha sobe, o móvel está subindo um morro. Mas o eixo horizontal de um gráfico s×ts \times t não é “chão”: é tempo. Uma bolinha rolando numa mesa perfeitamente plana, a 0,2 m/s, gera uma reta subindo — porque a posição cresce com o tempo, não porque a mesa virou rampa. Sempre que abrir um gráfico, leia primeiro os eixos: é o equivalente científico de conferir o remetente antes de acreditar na mensagem.

Que segredo a área esconde? — o gráfico v×t

No MU, o gráfico v×tv \times t é uma reta horizontal na altura vv. Parece pouco útil — até você olhar para a área entre essa reta e o eixo dos tempos. Entre t1t_1 e t2t_2, essa área é um retângulo de base Δt\Delta t e altura vv: área =v×Δt=Δs= v \times \Delta t = \Delta s. Confira pelas unidades: m/s vezes s dá m — a “área” desse gráfico se mede em metros de deslocamento, porque seus lados carregam unidades físicas.

Área sob o gráfico v×t

No gráfico v×tv \times t, a área entre a linha da velocidade e o eixo dos tempos, num intervalo, é numericamente igual ao deslocamento Δs\Delta s nesse intervalo. (Área abaixo do eixo, com v<0v < 0, conta como deslocamento negativo.) Essa propriedade não é exclusividade do MU: vale para qualquer movimento — no capítulo seguinte, com a velocidade variando, é ela que salva o dia.

Quando dois movimentos se cruzam? — o encontro de móveis

Todo dia você resolve, no olho, um problema de encontro: atravessar a rua entre dois carros, alcançar o ônibus que fecha a porta. A física transforma o “no olho” em previsão exata com uma única ideia: no instante do encontro, os dois móveis ocupam a mesma posição: sA=sBs_A = s_B. Igualar as duas funções horárias fornece o instante do encontro; substituir esse instante em qualquer uma delas fornece a posição. No gráfico s×ts \times t, o encontro é, literalmente, o ponto onde as retas se cruzam — e retas paralelas distintas (mesma velocidade e posições iniciais diferentes) nunca se encontram.

Um modelo de medição por trecho

Imagine dois sensores separados por 9 km. Se um veículo passa pelo trecho em 6 minutos, sua velocidade média é 9/0,1=909/0{,}1=90 km/h. Isso não prova que ele manteve 90 km/h em todos os instantes: diferentes perfis de aceleração podem produzir a mesma média. A medição entre dois pontos informa o resultado do percurso, não cada detalhe do movimento.

Exemplo de encontro: duas posições, um mesmo relógio

Dois ciclistas se movem numa pista reta, usando a mesma origem e o mesmo instante inicial. Suas posições, em metros, são sA=20+4ts_A=20+4t e sB=140−2ts_B=140-2t, com tt em segundos. No encontro:

20+4t=140−2t⇒6t=120⇒t=2020+4t=140-2t\quad\Rightarrow\quad6t=120\quad\Rightarrow\quad t=20

Substituindo em qualquer função, encontramos s=100s=100 m. A verificação é direta: A percorre 80 m e B percorre 40 m; juntos fecham a separação inicial de 120 m. Se os móveis começarem em instantes diferentes, ajuste as funções ao mesmo relógio antes de igualá-las.

Velocidade média não é média automática das velocidades

Em dois trechos, calcule vm=Δs/Δtv_m=\Delta s/\Delta t usando o deslocamento e o tempo totais. Um veículo que percorre 60 km a 60 km/h e depois mais 60 km a 30 km/h gasta 1 h + 2 h. Sua velocidade média no mesmo sentido é 120/3=40120/3=40 km/h, não 45 km/h. A média aritmética só funciona diretamente quando os intervalos de tempo são iguais.

Em uma ida e volta, o deslocamento pode ser zero mesmo que a distância percorrida seja grande. Para velocidade média vetorial, interessa o deslocamento; para rapidez média, a distância total.

O essencial em meia página

  • MU: velocidade escalar constante (v≠0v \neq 0) ⇒\Rightarrow distâncias iguais em tempos iguais. É um modelo: descreve bem trechos de movimentos reais.
  • Função horária: s=s0+v ts = s_0 + v\,t (função do 1º grau em tt). Responde “onde?” dado tt e “quando?” dado ss. v>0v > 0: progressivo; v<0v < 0: retrógrado.
  • Gráfico s×ts \times t: reta. Inclinação =ΔsΔt=v= \dfrac{\Delta s}{\Delta t} = v; corte no eixo vertical =s0= s_0. Reta horizontal == repouso. O gráfico NÃO é a trajetória — o eixo horizontal é tempo.
  • Gráfico v×tv \times t: reta horizontal. Área sob a linha =v Δt=Δs= v\,\Delta t = \Delta s (deslocamento). Vale por trechos e vale para qualquer movimento.
  • Encontro: impor sA=sBs_A = s_B ⇒\Rightarrow instante; substituir ⇒\Rightarrow posição. No gráfico s×ts \times t, encontro == cruzamento das retas.
  • Conversão-chave: de km/h para m/s, divida por 3,6. (108 km/h == 30 m/s.)

Exercícios temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.

Flashcards temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar os cartões de revisão.

MOVIMENTO UNIFORME - FÍSICA BÁSICA (FÍSICA do ZERO) - Teoria e Exercícios - AULA 01
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Aula completa partindo do zero: a definição de MU, a função horária s=s0+vts = s_0 + vt e exercícios resolvidos passo a passo — ideal como primeira videoaula do tópico.
Movimento Retilíneo Uniforme - Função horária - Encontro | Física Zero
Professor Douglas Gomes
Cobre exatamente o par função horária + encontro de móveis: como montar sAs_A e sBs_B numa régua comum e impor sA=sBs_A = s_B, o método dos resolvidos deste capítulo.
Física I - Aula 04 - MRU e MRUV (fórmulas, exercícios e gráficos)
Professor Douglas Maioli
Foca na leitura de gráficos s×ts \times t e v×tv \times t — a inclinação como velocidade e a área como deslocamento — e já dá uma espiada no MUV do próximo capítulo.
MOVIMENTO RETILÍNEO UNIFORME | Resumo de Física para o Enem
Curso Enem Gratuito
Revisão rápida no formato que o ENEM cobra: MU aplicado a situações do cotidiano, perfeita para a véspera de prova depois de fazer os exercícios.
Física em Movimento
O mundo em ritmo constante · EF-1

Fontes desta página

Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.

  • Física em Movimento · O mundo em ritmo constante