Um cotonete no nariz detecta meia dúzia de moléculas de RNA de um vírus; uma caneta de insulina entrega um hormônio humano fabricado por bactérias; um gel com seis listras diz quem é o pai de uma criança; uma ovelha nasce sem pai. As quatro cenas usam as mesmas poucas ferramentas moleculares. Quais são elas, o que cada uma pode e não pode fazer, e por que escolher o melhor cupuaçu durante séculos não faz dele um transgênico?
O que você vai aprender
Definir biotecnologia como o uso de organismos ou de suas moléculas em processos produtivos, separar a biotecnologia clássica (fermentação, melhoramento e domesticação) da moderna (DNA recombinante) e decidir, diante de um caso, se houve inserção de DNA exógeno.
Explicar por que um gene humano funciona dentro de uma bactéria (código genético quase universal, maquinaria de transcrição e tradução comum) e o que os plasmídeos têm que os torna vetores.
Descrever o que fazem as enzimas de restrição (sítios palindrômicos, extremidades coesivas e cegas), a DNA ligase e os vetores, e seguir um esquema de clonagem molecular do corte à seleção das bactérias transformadas por antibiótico.
Narrar a produção da insulina humana recombinante e de outras proteínas terapêuticas e identificar o organismo produtor adequado (bactéria, levedura, célula de mamífero) a partir das exigências da proteína.
Enunciar as três etapas de um ciclo de PCR com suas temperaturas e funções, justificar o uso da Taq polimerase, calcular o número de cópias após n ciclos e explicar como o RT-PCR detecta o RNA do SARS-CoV-2 e mede a carga viral do HIV.
Explicar por que o DNA migra para o polo positivo e os fragmentos menores correm mais na eletroforese, ler um gel de marcadores STR e decidir paternidade, parentesco ou identificação forense pela regra de que cada pessoa herda metade dos marcadores de cada genitor.
Distinguir sequenciar de amplificar, situar o Projeto Genoma Humano e a sequência completa de 2022, separar genoma de gene e reconhecer que a função de um organismo permite inferir a existência de genes, não a sua sequência.
Comparar os principais transgênicos (soja tolerante ao glifosato, milho e algodão Bt, arroz dourado, Aedes aegypti OX513A, feijão resistente ao mosaico dourado, cana tolerante à seca) pelo gene inserido, pela origem do gene e pela finalidade, e separar transgenia de cisgenia e de edição sem gene exógeno.
Descrever o papel da CTNBio, da Lei 11.105/2005 e da rotulagem obrigatória, e organizar o debate sobre os transgênicos em argumentos verificáveis (fluxo gênico, resistência de pragas, alergenicidade, dependência de sementes, produtividade) em vez de opiniões.
Explicar a transferência nuclear que gerou a ovelha Dolly, diferenciar clonagem reprodutiva de terapêutica e julgar afirmações sobre identidade genética entre clone e doador (núcleo igual, DNA mitocondrial diferente, ambiente diferente).
Classificar células-tronco por potência (totipotentes, pluripotentes, multipotentes) e por origem (embrionárias, adultas, de cordão umbilical, pluripotentes induzidas) e indicar o que a Lei de Biossegurança autoriza.
Definir terapia gênica como a inserção de um gene funcional em células do paciente, reconhecer o que não é terapia gênica (silenciamento por RNA de interferência, seleção de embriões, transplante de medula) e explicar o mecanismo do CRISPR-Cas9 com seus dois caminhos de reparo e seus limites éticos.
Explicar as plataformas de vacina de RNA mensageiro e de vetor viral como biotecnologia (o que entra no corpo, onde a proteína é produzida, por que o DNA do vacinado não muda) e a vacina recombinante da hepatite B produzida em levedura.
Reconhecer a nanobiotecnologia pela escala (1 nm = 10⁻⁹ m) e a biorremediação pela lógica gene-função, e resolver os itens reais do PAS 3 sobre o tema (2009, 2014, 2016, 2017, 2019, 2021 e 2025).
Numa manhã de 2021, uma enfermeira gira um cotonete no fundo do nariz de um paciente. Horas depois, uma máquina informa que havia ali RNA do SARS-CoV-2, embora a amostra tivesse tão pouco material que nenhum microscópio o encontraria. No mesmo hospital, uma pessoa com diabetes aplica insulina humana, idêntica à que o pâncreas dela não produz, fabricada por bactérias num tanque. No laboratório ao lado, um gel com algumas listras escuras decide uma ação de paternidade. E em 1996, numa fazenda da Escócia, nasceu uma ovelha que não tinha pai, porque o núcleo de uma célula da glândula mamária de outra ovelha foi colocado num óvulo esvaziado.
As quatro cenas parecem assuntos diferentes, e no PAS 3 elas aparecem em blocos diferentes: a soja transgênica num ano, as ossadas de desaparecidos políticos em outro, a terapia gênica num terceiro. Mas todas usam a mesma meia dúzia de ferramentas: enzimas que cortam o DNA em pontos conhecidos, uma enzima que o emenda, moléculas que o copiam, um campo elétrico que separa os pedaços pelo tamanho e vetores que o carregam para dentro de uma célula. Esta página apresenta essas ferramentas uma a uma e, depois, as aplicações que a prova e o noticiário cobram: transgênicos e quem os autoriza no Brasil, testes de DNA, PCR, sequenciamento, clonagem, células-tronco, terapia gênica, CRISPR e as vacinas que são, elas mesmas, produtos de engenharia genética. O que vem antes fica em páginas próprias: a estrutura do DNA e a síntese de proteínas em DNA, RNA e síntese proteica, as bactérias e seus plasmídeos em bactérias, as alterações do DNA em mutações, a herança dos alelos em leis de Mendel, a fermentação como metabolismo em fermentação, a imunologia das vacinas em vacinas e soros e os vírus usados como vetores em vírus.
Biotecnologia é mais antiga que o laboratório
Biotecnologia é qualquer uso de organismos vivos, de células ou de moléculas extraídas deles para produzir um bem ou realizar um processo. A definição é ampla de propósito, e a prova usa a amplitude dela como armadilha: quem pensa que biotecnologia é sinônimo de transgênico erra duas vezes, porque deixa de fora milênios de técnica e porque promove a inserção de genes a condição necessária de algo que ela não é.
Dentro dessa definição cabem três famílias de técnica, de idades muito diferentes, e saber em qual delas um caso se encaixa é o que a maioria dos itens pede.
Pôr um microrganismo para trabalhar. Fermentar uva, cevada, leite ou massa de trigo é usar leveduras e bactérias lácticas para transformar açúcar em etanol, gás carbônico ou ácido láctico. O pão, a cerveja, o vinho, o queijo e o iogurte existem há milhares de anos; a penicilina, extraída do fungo Penicillium a partir das observações de Fleming em 1928 e produzida em escala industrial nos anos 1940, pertence à mesma família; o etanol combustível brasileiro, fermentado da cana desde o Proálcool de 1975, também. Nenhum desses processos mexe no DNA de ninguém. A bioquímica da fermentação está em fermentação; aqui ela interessa como a biotecnologia mais antiga que existe.
Escolher quem se reproduz. O milho atual descende de uma gramínea mexicana de espigas minúsculas, o teosinto; o cão descende do lobo; toda raça de gado, toda variedade de arroz e toda fruta de supermercado foram produzidas por seleção artificial: a cada geração, só os indivíduos com a característica desejada deixam descendentes. Esse é o melhoramento genético, ou domesticação quando se fala de uma espécie selvagem transformada ao longo de séculos. A técnica muda a frequência dos alelos que a espécie já tinha, e pode mudar tanto que a planta domesticada ganha outro nome de espécie. Mas não acrescenta nenhuma letra de DNA de fora. Por isso um organismo domesticado, por mais diferente que seja do ancestral, não é um organismo geneticamente modificado no sentido legal, e a prova de 2025 cobrou exatamente isso a partir de uma reportagem sobre um fruto amazônico domesticado por povos indígenas (item 68, errado ao chamá-lo de OGM). O mecanismo da seleção artificial, comparado ao da seleção natural, está em seleção natural.
Inserir DNA de fora. Em 1973, Stanley Cohen e Herbert Boyer cortaram um gene de um organismo, colaram-no num plasmídeo e puseram o plasmídeo dentro de uma bactéria, que passou a copiá-lo e a expressá-lo. Nasceu a tecnologia do DNA recombinante, e com ela a engenharia genética: a modificação direta do genoma em laboratório. Um organismo que recebeu um gene de outra espécie é transgênico; o termo organismo geneticamente modificado (OGM) é o nome da legislação brasileira para qualquer organismo cujo material genético foi alterado por técnica de engenharia genética, o que inclui os transgênicos e também organismos que receberam genes da própria espécie ou tiveram genes desligados.
Três gestos, uma pergunta. Fermentar e selecionar são biotecnologia há milhares de anos e não acrescentam DNA de fora; só a tecnologia do DNA recombinante faz isso. A edição por CRISPR é o quarto gesto, de 2012 em diante, e nem sempre insere gene de outra espécie. Diagrama autoral.
Biotecnologia, OGM e transgênico
Biotecnologia é o uso de organismos, células ou moléculas biológicas para fabricar produtos ou realizar processos. Inclui a fermentação, o melhoramento por seleção artificial, a tecnologia do DNA recombinante, a edição de genomas, os testes de DNA, a produção de vacinas e remédios e a biorremediação. Engenharia genética é a parte da biotecnologia que modifica o DNA diretamente em laboratório. OGM é o organismo cujo genoma foi alterado por engenharia genética. Transgênico é o OGM que recebeu um ou mais genes de outra espécie (DNA exógeno, isto é, vindo de fora). Todo transgênico é OGM; nem todo OGM é transgênico; e nenhum organismo domesticado por seleção é OGM.
Procure o verbo, não o adjetivo
Diante de “transgênico” ou “OGM”, procure um verbo: inserir, introduzir, transferir DNA. Se o texto fala em cruzar, selecionar, escolher as melhores sementes ou domesticar, não é transgenia, por mais que o organismo tenha mudado. O PAS 3 cobrou o par nos dois sentidos em 2016 (a soja tolerante ao glifosato recebeu um gene exógeno, certo; seria obtida por seleção e cruzamentos, errado) e voltou em 2019 e 2025. Um segundo erro plantado: o que entra no organismo transgênico é um segmento de DNA; nenhuma célula do doador é transferida. Em 2019, o item 43 afirmou que organismos transgênicos “são constituídos por células da planta hospedeira e da planta doadora”, e está errado: as células são todas da planta que recebeu o gene.
Por que um gene humano funciona dentro de uma bactéria
A engenharia genética só é possível porque o DNA é a mesma molécula em todos os seres vivos e porque o código genético é quase universal: o códon GAA significa ácido glutâmico tanto no ribossomo de uma bactéria quanto no de uma pessoa. Uma bactéria que recebe o gene da insulina humana transcreve e traduz esse gene com a própria RNA-polimerase e os próprios ribossomos, e o resultado é uma cadeia de aminoácidos com a sequência humana. É a consequência prática do que a página de DNA, RNA e síntese proteica explica: a informação está na ordem das bases, e a maquinaria que a lê é compartilhada.
Há dois limites, e os dois aparecem em questões. O primeiro é o splicing: genes humanos têm íntrons, e bactérias não os removem. Por isso o gene inserido numa bactéria costuma ser um DNA complementar (cDNA), copiado a partir do RNA mensageiro maduro, já sem íntrons, usando a transcriptase reversa, a enzima que os retrovírus usam para copiar RNA em DNA. O segundo limite são as modificações pós-traducionais: muitas proteínas humanas precisam receber açúcares (glicosilação), ser dobradas com ajuda de chaperonas ou cortadas em pontos precisos depois da tradução, e bactérias não fazem isso do jeito humano. Quando a proteína exige esses acabamentos, o produtor escolhido é uma levedura ou uma célula de mamífero em cultura. A regra de bolso: proteína simples, bactéria; proteína com açúcares ou dobramento complexo, levedura ou célula animal.
O veículo mais usado para levar um gene a uma bactéria é algo que as bactérias já têm. Além do cromossomo, muitas carregam plasmídeos: moléculas pequenas de DNA circular, de poucos milhares de pares de bases, com poucos genes, que se replicam por conta própria e podem passar de uma célula a outra por conjugação. Na natureza, plasmídeos espalham genes de resistência a antibióticos; no laboratório, viram o vetor padrão porque são pequenos, fáceis de isolar, entram em bactérias e são copiados por elas. O PAS 3 de 2024 (item 48, tipo C) pediu o nome das “moléculas adicionais de DNA circular” das bactérias: plasmídeo. A biologia dos plasmídeos e da conjugação está em bactérias.
Plasmídeo
DNA circular pequeno, extracromossômico, presente em muitas bactérias, que se replica independentemente do cromossomo e pode carregar genes úteis à célula (resistência a antibióticos, toxinas). Como vetor de clonagem, um plasmídeo de laboratório tem três partes obrigatórias: uma origem de replicação, para a bactéria copiá-lo; um gene marcador de seleção, em geral de resistência a um antibiótico, para distinguir as bactérias que o receberam; e um sítio de clonagem, trecho curto com sítios de corte de várias enzimas de restrição, onde o gene de interesse é inserido.
A caixa de ferramentas: enzimas de restrição, ligase e vetores
As enzimas de restrição (endonucleases de restrição) são proteínas bacterianas que cortam o DNA de fita dupla em sequências específicas. Na bactéria, elas são defesa: destroem o DNA de vírus bacteriófagos, enquanto o DNA da própria célula fica protegido porque tem grupos metila nos mesmos sítios. Cada enzima reconhece uma sequência curta, em geral de quatro a oito pares de bases, e a sequência costuma ser palindrômica: lida de 5’ para 3’, é igual nas duas fitas. A EcoRI, da bactéria Escherichia coli, reconhece GAATTC; a fita complementar, lida no mesmo sentido, também é GAATTC. O nome diz a origem: gênero (E), espécie (co), linhagem ® e ordem de descoberta (I).
O modo de cortar importa. Algumas enzimas cortam as duas fitas no mesmo ponto e deixam extremidades cegas (SmaI corta CCC|GGG). Outras cortam deslocado e deixam extremidades coesivas, fitas simples curtas que sobram em cada ponta: a EcoRI corta G|AATTC, e cada fragmento termina com um AATT de fita simples. Dois fragmentos cortados pela mesma enzima têm extremidades complementares e se encaixam por pareamento de bases, venha o DNA de uma bactéria, de uma planta ou de uma pessoa. É por isso que um gene humano e um plasmídeo bacteriano, cortados pela mesma enzima, se juntam.
Encaixar não é unir. O pareamento das extremidades coesivas é temporário; quem forma a ligação covalente entre o açúcar de um nucleotídeo e o fosfato do vizinho, soldando o corrimão da fita, é a DNA ligase, a mesma enzima que une os fragmentos de Okazaki na replicação. O produto, um DNA com trechos de duas origens, é o DNA recombinante.
A tesoura e a cola. A enzima de restrição reconhece uma sequência palindrômica e corta deslocado, deixando pontas de fita simples que se encaixam com qualquer outro DNA cortado pela mesma enzima; a ligase torna a emenda permanente. Diagrama autoral.
Enzima de restrição
Endonuclease bacteriana que corta o DNA de fita dupla numa sequência específica, em geral palindrômica de 4 a 8 pares de bases. Pode deixar extremidades cegas (corte reto) ou coesivas (corte deslocado, com pontas de fita simples complementares). Fragmentos cortados pela mesma enzima se encaixam entre si; a DNA ligase forma a ligação covalente que os une. Com várias enzimas, constrói-se o mapa de restrição de uma molécula: a posição de cada sítio de corte, lida pelo tamanho dos fragmentos.
Exemplo resolvido: contar fragmentos. Uma molécula de DNA linear de 5 000 pares de bases tem dois sítios de EcoRI, nas posições 1 200 e 3 500 contadas de uma das pontas. Quantos fragmentos a digestão completa produz, e de que tamanhos? E se a molécula fosse circular?
Numa molécula linear, cada corte aumenta em um o número de pedaços: dois cortes, três fragmentos. Os tamanhos saem por subtração: do início até 1 200, um fragmento de 1 200 pb; de 1 200 a 3 500, um de 2 300 pb; de 3 500 ao fim, um de 1 500 pb. Conferência: 1 200 + 2 300 + 1 500 = 5 000. Numa molécula circular não há pontas, e o primeiro corte apenas a abre: dois cortes dão dois fragmentos, de 2 300 pb (entre os sítios) e de 2 700 pb (o resto do círculo, 1 200 + 1 500). A regra: linear, fragmentos = cortes + 1; circular, fragmentos = cortes. Essa conta é o que permite ler um gel de restrição, assunto de uma seção adiante.
Cortar e colar o gene não basta: ele precisa entrar numa célula e ser copiado por ela. Quem o leva é o vetor. Para bactérias, o vetor é o plasmídeo. Para células animais, costumam ser vírus modificados, que perderam os genes de replicação e ganharam o gene de interesse, como os adenovírus e os vírus adenoassociados (AAV) usados em terapia gênica e em vacinas. Para plantas, o vetor natural é a bactéria Agrobacterium tumefaciens, que na natureza injeta um pedaço de seu plasmídeo Ti no genoma da planta para fazê-la produzir um tumor; a engenharia genética retirou os genes do tumor desse plasmídeo e os substituiu pelo gene desejado, e a bactéria faz o resto. A alternativa, quando a Agrobacterium não infecta a planta, é a biobalística: micropartículas de ouro ou tungstênio revestidas de DNA são disparadas contra as células.
Pôr um plasmídeo dentro de uma bactéria chama-se transformação. No laboratório, as bactérias são tratadas com cloreto de cálcio e submetidas a um choque térmico, ou recebem um pulso elétrico (eletroporação), que abre poros temporários na membrana. Só uma pequena fração das células recebe o plasmídeo, e por isso o vetor carrega o gene marcador: as bactérias são espalhadas num meio com antibiótico, e só crescem as que receberam o plasmídeo com o gene de resistência. Cada colônia na placa descende de uma única bactéria transformada e carrega milhões de cópias idênticas do gene inserido. Esse é o sentido original da palavra clonagem: clonar um gene é obter muitas cópias idênticas dele.
Clonagem molecular: o roteiro completo e a insulina
Junte as peças e o roteiro de uma clonagem molecular fica assim: (1) obter o gene, por corte com enzima de restrição a partir do genoma ou, mais comum, como cDNA copiado do RNA mensageiro; (2) cortar o plasmídeo com a mesma enzima; (3) misturar os dois e adicionar DNA ligase, formando o DNA recombinante; (4) transformar bactérias; (5) selecionar no antibiótico as que receberam o plasmídeo; (6) confirmar, por PCR ou sequenciamento, quais colônias receberam o plasmídeo com o gene e não o plasmídeo que se fechou vazio; (7) cultivar as bactérias certas em grande volume e purificar a proteína ou o DNA.
Do gene ao tanque. Corte, cola, entrada na bactéria e seleção pelo antibiótico. A bactéria copia o plasmídeo a cada divisão e fabrica a proteína humana com os próprios ribossomos, porque o código genético é o mesmo. Diagrama autoral.
Insulina: o primeiro remédio feito por bactéria. Até o início dos anos 1980, a insulina usada por pessoas com diabetes era extraída de pâncreas de bois e porcos, moídos aos milhares em frigoríficos; as moléculas animais diferem da humana em um ou poucos aminoácidos, e uma parte dos pacientes desenvolvia reações. Em 1978, a empresa Genentech inseriu em E. coli os genes sintéticos das duas cadeias da insulina humana, a A e a B, produziu cada uma separadamente e as uniu quimicamente; em 1982, a insulina humana recombinante foi aprovada para uso, o primeiro medicamento de engenharia genética a chegar ao paciente. Hoje a insulina e seus análogos de ação rápida ou prolongada também são produzidos em leveduras, que secretam a proteína para o meio de cultura.
O mesmo roteiro fabrica o hormônio do crescimento humano (antes extraído de hipófises de cadáveres, com risco de transmitir a doença de Creutzfeldt-Jakob), a eritropoetina que estimula a produção de hemácias, o fator VIII da coagulação para hemofílicos (antes obtido de sangue doado, com o risco de transmissão de HIV e hepatites dos anos 1980), os anticorpos monoclonais usados contra cânceres e doenças autoimunes, a quimosina que coalha o leite na fabricação de queijo (a primeira enzima recombinante aprovada para alimentos, em 1990) e a proteína de superfície do vírus da hepatite B que é a vacina contra essa doença.
produto
organismo produtor
por que esse organismo
insulina humana
E. coli e leveduras
proteína pequena, sem açúcares; bactéria produz as cadeias, levedura secreta a molécula montada
hormônio do crescimento
E. coli
proteína simples, grande demanda
vacina da hepatite B
levedura Saccharomyces cerevisiae
a proteína de superfície do vírus precisa dobrar-se e agregar-se em partículas
eritropoetina, fator VIII, anticorpos monoclonais
células de mamífero em cultura (como as CHO, de ovário de hamster)
exigem glicosilação e dobramento de tipo animal
quimosina (queijo), amilases e lipases (detergentes, pães)
fungos e bactérias
enzimas robustas, baratas de produzir em fermentador
A caneta de insulina
Cada caneta de insulina humana foi produzida por microrganismos que carregam um gene humano. O paciente não recebe DNA nem bactéria: recebe só a proteína purificada, idêntica à que um pâncreas saudável produziria. O mesmo vale para toda proteína recombinante: o que chega ao corpo é o produto do gene, não o gene. Essa distinção decidiu um item do PAS 3 de 2014 sobre uma vacina experimental contra a hipertensão, desenvolvida por DNA recombinante: o item concluía que a vacina reduziria a taxa de mutações da população, e está errado, porque a proteína fabricada em laboratório age sobre um hormônio no sangue e não toca no DNA de quem a recebe.
PCR: fotocopiar um trecho de DNA um bilhão de vezes
A reação em cadeia da polimerase (PCR) copia um trecho escolhido de DNA milhões ou bilhões de vezes num tubo, em poucas horas, sem célula nenhuma. Foi concebida por Kary Mullis em 1983 (Nobel de Química de 1993) e é hoje a técnica mais usada da biologia molecular: está por trás do teste de covid, do teste de paternidade, do diagnóstico de HIV e de tuberculose, da identificação de espécies em alimentos e da maior parte do que se faz num laboratório de genética.
O tubo contém seis coisas: o DNA molde, com o trecho a copiar; dois iniciadores (primers), fitas curtas de DNA sintético, de cerca de 20 nucleotídeos, complementares às duas pontas do trecho, uma em cada fita; os quatro nucleotídeos livres (dNTPs); uma DNA-polimerase; íons magnésio, de que a enzima precisa; e um tampão. Depois, o tubo vai para um termociclador, que repete um ciclo de três temperaturas.
Desnaturação, cerca de 95 °C. O calor rompe as ligações de hidrogênio entre as bases e separa as duas fitas. Não há helicase: a separação é só térmica.
Anelamento, entre cerca de 50 e 65 °C. Com a temperatura mais baixa, os iniciadores pareiam com as sequências complementares nas fitas do molde. Como estão em enorme excesso, eles chegam antes que as fitas longas voltem a se juntar.
Extensão, 72 °C. A polimerase parte da ponta 3’ de cada iniciador e sintetiza a fita complementar, nucleotídeo a nucleotídeo, no sentido 5’→3’.
Ao fim de um ciclo, cada molécula de molde virou duas. No ciclo seguinte, as duas viram quatro; depois oito, dezesseis. Como os iniciadores delimitam o trecho, a partir do terceiro ciclo a maioria das cópias tem exatamente o tamanho entre eles. Depois de n ciclos, uma molécula inicial gera, no máximo, 2n cópias; com 30 ciclos, 230≈1,07×109, um bilhão de cópias a partir de uma, em cerca de duas horas.
O detalhe que tornou a técnica prática é a enzima. Uma DNA-polimerase humana ou de E. coli se desnatura a 95 °C, e seria preciso acrescentar enzima nova a cada ciclo. A solução veio de uma fonte termal do Parque de Yellowstone: a bactéria Thermus aquaticus, descrita por Thomas Brock em 1969, vive a 70 °C, e sua polimerase, a Taq, resiste à desnaturação. Com a Taq, o tubo é fechado uma vez e a máquina faz o resto.
Um ciclo, três temperaturas, o dobro de moléculas. A desnaturação é só térmica, os iniciadores escolhem o trecho e a polimerase termoestável permite repetir o ciclo trinta vezes sem abrir o tubo. Diagrama autoral.
PCR
Técnica que amplifica in vitro um trecho definido de DNA. Ingredientes: molde, dois iniciadores, dNTPs, polimerase termoestável (Taq), Mg²⁺ e tampão. Ciclo: desnaturação (~95 °C), anelamento (~50 a 65 °C), extensão (72 °C). Após n ciclos, até 2n cópias do trecho. Exige conhecer as sequências das pontas do trecho, para desenhar os iniciadores. Não lê a sequência: multiplica.
Exemplo resolvido: quantos ciclos. Uma amostra forense contém cerca de 10 moléculas de DNA com o trecho de interesse. Quantos ciclos de PCR, no mínimo, são necessários para passar de 10 milhões de cópias, supondo eficiência máxima?
Com eficiência máxima, cada ciclo dobra o número: depois de n ciclos há 10×2n cópias. Queremos 10×2n>107, ou 2n>106. Como 210=1024≈103, 220=1048576≈106: com 20 ciclos, 10×220≈1,05×107, pouco acima de 10 milhões; com 19, 10×524288≈5,2×106, abaixo. Resposta: 20 ciclos. Conferência pelo expoente: 220=(210)2=10242, que é um pouco mais de um milhão. Na prática, a eficiência cai nos últimos ciclos, e por isso os protocolos usam de 30 a 40.
O teste de covid e a carga viral. O SARS-CoV-2 tem genoma de RNA, e a PCR copia DNA. O teste do cotonete é um RT-PCR: primeiro a transcriptase reversa (RT) copia o RNA viral em cDNA; depois a PCR amplifica trechos escolhidos do cDNA. Na versão em tempo real (qPCR), uma sonda fluorescente se acende a cada cópia feita, e a máquina acompanha a fluorescência ciclo a ciclo: quanto mais RNA viral havia na amostra, menos ciclos são necessários para a fluorescência passar de um limiar. Esse número de ciclos, o Ct, é a medida indireta da quantidade de vírus. O mesmo princípio dá a carga viral do HIV, em cópias de RNA por mililitro de sangue, usada para acompanhar o tratamento: carga “indetectável” significa abaixo do limite do aparelho, não ausência do vírus. Duas consequências que itens exploram: um RT-PCR positivo detecta RNA do vírus, e não prova que havia partículas viáveis; e o teste de PCR não lê o genoma do paciente nem o altera, ele só copia um trecho do material genético que estava na amostra.
PCR não é sequenciamento
PCR copia um trecho cuja sequência das pontas já é conhecida; sequenciar é ler a ordem das bases. Um teste de PCR positivo para um patógeno responde “o DNA ou RNA dele está aqui”; não responde “qual é a sequência”. Da mesma forma, “fazer o DNA” de alguém para paternidade é amplificar por PCR regiões variáveis do genoma e compará-las, não ler o genoma inteiro.
Eletroforese e o teste de DNA: o gel conta pelo tamanho
Toda técnica desta página produz fragmentos de DNA, e a maneira de vê-los é a eletroforese em gel. O gel é uma placa de agarose (ou poliacrilamida, para fragmentos pequenos) mergulhada numa solução condutora, com poços numa das pontas. As amostras entram nos poços, liga-se uma corrente, e o DNA migra para o polo positivo, porque cada nucleotídeo tem um grupo fosfato com carga negativa. O gel é uma malha: fragmentos pequenos passam fácil e vão longe, fragmentos grandes ficam presos e andam pouco. Ao fim, cada tamanho forma uma banda, e um corante que se liga ao DNA as torna visíveis sob luz ultravioleta ou azul. Num dos poços corre um marcador de peso molecular, mistura de fragmentos de tamanhos conhecidos, que serve de régua.
Ler um gel é, portanto, ordenar por tamanho: perto do poço, as moléculas grandes; longe dele, as pequenas. No exemplo da digestão com EcoRI, os três fragmentos de 2 300, 1 500 e 1 200 pb formariam três bandas, a de 2 300 mais perto do poço e a de 1 200 mais longe. Proteínas também podem ser separadas por eletroforese, e é assim que um hemocentro distingue a hemoglobina A da hemoglobina S, com uma carga diferente por causa de um aminoácido trocado; esse exame está em mutações.
Marcadores genéticos e o perfil de DNA. Duas pessoas quaisquer têm genomas 99,9 % iguais; o teste de DNA olha só para os 0,1 % que variam. As regiões mais usadas são as repetições curtas em tandem (STR): trechos de DNA não codificador em que uma unidade de duas a seis bases se repete em fila, e o número de repetições varia de pessoa para pessoa. Num certo locus, uma pessoa pode ter 7 repetições num cromossomo e 11 no homólogo; outra, 9 e 9. Cada pessoa tem dois alelos por locus, um herdado da mãe e um do pai. Para montar o perfil, amplifica-se por PCR cada locus e se mede, por eletroforese, o tamanho dos fragmentos: mais repetições, fragmento maior, banda mais perto do poço. O sistema CODIS, usado nos bancos de perfis forenses, combina 20 loci; com tantos loci independentes, a chance de duas pessoas não aparentadas terem o mesmo perfil é da ordem de uma em muitos bilhões.
Paternidade. A regra é uma só: em cada locus, a criança tem um alelo da mãe e um do pai. Risque, no perfil da criança, o alelo que veio da mãe; o que sobra tem de estar no pai verdadeiro, em todos os loci. Um suposto pai que não tenha o alelo esperado em dois ou mais loci está excluído. Um que tenha todos os alelos esperados é compatível, e os laboratórios calculam a probabilidade de paternidade, em geral acima de 99,99 %. O resultado do teste é uma exclusão certa ou uma inclusão probabilística, nunca uma “prova de 100 %”.
O gel ordena por tamanho e o parentesco se lê por subtração. Risque na criança o alelo que veio da mãe; o alelo que sobra tem de aparecer no pai em todos os loci. Diagrama autoral.
Exemplo resolvido: ler um gel de paternidade. Em três loci STR, os perfis (número de repetições em cada alelo) são: mãe 8/12, 15/15, 6/9; criança 12/14, 15/17, 9/9; homem A 10/14, 17/19, 9/11; homem B 11/14, 15/17, 6/6. Quem pode ser o pai?
Locus 1: a criança é 12/14; o 12 veio da mãe (8/12), logo o pai deu 14. Homem A tem 14; homem B tem 14. Ambos passam. Locus 2: a criança é 15/17; a mãe só tem 15, logo o pai deu 17. Homem A tem 17; homem B tem 17. Ambos passam. Locus 3: a criança é 9/9; a mãe deu um 9 (6/9), e o outro 9 veio do pai. Homem A tem 9 (9/11); homem B é 6/6 e não tem 9. Homem B está excluído no locus 3. Com um só locus incompatível, um laboratório ainda consideraria mutação e testaria mais loci; na prova, com os dados dados, a resposta é que B não pode ser o pai e A é compatível nos três loci. Conferência: refaça para cada locus a pergunta “qual alelo da criança não está na mãe?” e olhe só esse alelo no homem.
Forense e identificação de ossadas. O mesmo raciocínio identifica vítimas de desastres e de crimes quando não há o perfil da própria pessoa: compara-se o DNA dos restos com o de parentes vivos, e os marcadores que a vítima deveria ter são deduzidos dos pais, filhos ou irmãos. No PAS 3 de 2021, o texto-base tratava do Grupo de Trabalho Perus, criado em 2014 para identificar desaparecidos políticos da ditadura enterrados num cemitério clandestino de São Paulo; o item 105 afirmava que o método de identificação das ossadas é o mesmo dos testes de paternidade, e está certo. O item 109, tipo C, trazia um gel simplificado com os marcadores da filha, da mãe dela e de quatro ossadas, e pedia qual ossada era do pai: a única que tinha todos os marcadores da filha ausentes na mãe. Quando o DNA nuclear está degradado, como em ossos antigos, usa-se o DNA mitocondrial, presente em centenas de cópias por célula e herdado só da mãe, para ligar a ossada a parentes pela linha materna; o cromossomo Y faz o mesmo pela linha paterna.
Compartilhar algumas bandas não basta
Qualquer pessoa compartilha alguns alelos com qualquer outra, por acaso. Parentesco exige o conjunto inteiro: todos os alelos que a criança não recebeu da mãe precisam estar no pai. O distrator clássico, no gel impresso, é a ossada ou o homem que coincide em uma ou duas bandas. Elimine primeiro os alelos herdados da mãe e só então compare as raias candidatas.
Sequenciar é ler o genoma, e o Projeto Genoma Humano leu o nosso
Sequenciar é determinar a ordem das bases de um trecho de DNA. O método clássico é o de Frederick Sanger (1977, Nobel de 1980): a polimerase copia o molde num tubo que contém, além dos nucleotídeos normais, nucleotídeos modificados que interrompem a cadeia; as cópias interrompidas em cada posição, separadas por tamanho numa eletroforese muito fina, revelam a base de cada posição. Foi com máquinas de Sanger que o Projeto Genoma Humano, iniciado em 1990 por um consórcio público internacional, publicou o rascunho da sequência em 2001 e a versão de referência em 2003, ao custo de cerca de 3 bilhões de dólares. As regiões de repetições longas, que a técnica não resolvia, só foram preenchidas em 2022 por um consórcio que usou tecnologias de leitura longa e anunciou a primeira sequência humana de ponta a ponta. Hoje, o sequenciamento de nova geração lê milhões de fragmentos ao mesmo tempo e um genoma humano custa da ordem de centenas de dólares e leva dias.
O que a leitura mostrou cabe em três números: cerca de 3,1 bilhões de pares de bases, cerca de 20 mil genes codificadores de proteína e só 1 a 2 % do total ocupado por sequências que viram proteína. O restante são íntrons, sequências reguladoras, genes de RNAs que não são traduzidos e trechos repetidos, inclusive os STR usados nos testes de identificação. O PAS 3 de 2021 (item 106) afirmou que os genes ocupam só uma fração pequena do genoma humano, e está certo. Os detalhes do genoma estão em DNA, RNA e síntese proteica.
Sequenciar genomas de outros organismos é a base de boa parte da biotecnologia atual. O primeiro genoma de um organismo patogênico de planta foi sequenciado no Brasil: o da bactéria Xylella fastidiosa, causadora da clorose variegada dos citros, por um consórcio de laboratórios paulistas, publicado em 2000. Genomas de bactérias mostram que genes uma espécie tem e, portanto, o que ela consegue fazer: o PAS 3 de 2009 (item 56) descrevia a bactéria Alcanivorax borkumensis, que se alimenta de petróleo, e concluía que o genoma dela contém trechos que codificam enzimas de quebra do petróleo, raciocínio certo, da função para a existência dos genes. O caminho inverso continua proibido: saber a função, ou mesmo a sequência de aminoácidos de uma proteína, não permite deduzir a sequência exata do gene, porque o código é degenerado. Na pandemia, o sequenciamento do genoma do SARS-CoV-2, publicado em janeiro de 2020, permitiu desenhar os iniciadores do RT-PCR e o RNA das vacinas em semanas; depois, o sequenciamento contínuo de amostras acompanhou o surgimento das variantes. Em medicina, a leitura de genes específicos orienta o tratamento de cânceres (medicina de precisão) e a escolha de doses de remédios (farmacogenética), e os testes de ancestralidade comparam marcadores do cliente com os de populações de referência.
Transgênicos: o que muda e o que não muda
Um transgênico é produzido inserindo no genoma do organismo um cassete de expressão: o gene de interesse, de outra espécie, acompanhado de um promotor que o faz ser transcrito nas células certas e de um sinal de término, geralmente junto com um gene marcador para selecionar as células que receberam o pacote. Em plantas, o cassete entra pela Agrobacterium ou pela biobalística em células em cultura, e a planta inteira é regenerada a partir delas; como o gene está em todas as células, inclusive nos gametas, ele passa às gerações seguintes como qualquer outro gene. Em animais, o DNA é injetado no zigoto ou introduzido em células-tronco embrionárias.
Os casos abaixo são os que a prova e o noticiário usam. Guarde, para cada um, três coisas: qual gene, de onde veio e para quê.
organismo
gene inserido e origem
o que o gene faz
situação
soja tolerante ao glifosato (RR)
gene cp4 epsps, de uma bactéria do solo do gênero Agrobacterium
produz uma versão da enzima EPSPS que o glifosato não inibe; a planta sobrevive ao herbicida que mata as ervas daninhas
cultivo autorizado pela CTNBio em 1998 e liberado comercialmente no Brasil a partir de 2003; hoje a grande maioria da soja brasileira é transgênica (cerca de nove em cada dez hectares, segundo a Embrapa)
milho, algodão e soja Bt
genes cry, da bactéria Bacillus thuringiensis
produzem proteínas Cry, tóxicas para lagartas que comem a planta e inofensivas para mamíferos; reduzem a pulverização de inseticidas
aprovados no Brasil a partir da segunda metade dos anos 2000; o mesmo B. thuringiensis é vendido como inseticida biológico há décadas
arroz dourado
gene psy (do narciso na versão de 2000; do milho na versão atual) e gene crtI (de uma bactéria)
reconstroem na parte comestível do grão a via do betacaroteno, precursor da vitamina A, cuja falta cega e mata crianças em países pobres
criado em 2000; primeira autorização de cultivo nas Filipinas em 2021
Aedes aegypti OX513A
gene letal dominante (tTAV), montado em laboratório a partir de sequências de bactéria e de vírus, e gene marcador de proteína fluorescente vermelha, de um coral
a prole de machos liberados com fêmeas selvagens morre antes de chegar a adulto; a fluorescência marca as larvas para monitorar a técnica
liberação comercial aprovada pela CTNBio em 2014, após testes de campo em Juazeiro (2011) e Jacobina (2013), na Bahia; Piracicaba (SP) passou a receber os machos em 2015; texto-base do PAS 2 de 2014
feijão Embrapa 5.1
construção de RNA de interferência contra o vírus do mosaico dourado
silencia um gene do vírus e torna a planta resistente
aprovado pela CTNBio em 2011, primeiro transgênico desenvolvido inteiramente por instituição pública brasileira
cana-de-açúcar
gene cry (cana Bt, 2017) e, em pesquisa, genes da própria cana ligados à tolerância à seca mantidos permanentemente ativos
resistência à broca; tolerância a períodos sem chuva
a cana tolerante à seca foi texto-base do PAS 3 de 2019: o objetivo era manter os genes ativados, não suprimir a expressão deles (item 40, errado)
Repare na última linha. Quando os genes manipulados são da própria espécie, a planta é chamada cisgênica ou intragênica, e não transgênica no sentido estrito; mas, como houve engenharia genética, ela é OGM perante a lei. E repare no arroz dourado e no OX513A: a engenharia genética pode inserir mais de um gene, de mais de uma fonte, e até genes sintéticos montados em laboratório. A pergunta que define continua a mesma: houve inserção de DNA por técnica de laboratório?
Uma terceira categoria é recente: organismos editados, em que a CRISPR (adiante) altera, desliga ou corrige um gene do próprio organismo sem deixar DNA de outra espécie. No Brasil, a CTNBio decide caso a caso, desde 2018, se um produto editado é ou não tratado como OGM, e vários já foram liberados sem o enquadramento de transgênico. Isso explica por que a prova distingue “transgenia clássica” de “edição de genoma”: a edição não exige, necessariamente, gene de outra espécie.
Soja RR e a lógica da tolerância. Vale entender o caso mais cobrado por dentro. O glifosato mata plantas porque inibe uma enzima da via que produz aminoácidos aromáticos, a EPSPS; sem esses aminoácidos, a planta não faz proteínas e morre. A bactéria Agrobacterium linhagem CP4 tem uma versão da EPSPS que o glifosato não consegue inibir. Transferido para a soja, o gene cp4 epsps faz a planta produzir a enzima bacteriana, que continua funcionando na presença do herbicida: a lavoura pode ser pulverizada inteira, e só a soja sobrevive. O texto-base do PAS 3 de 2016 dizia que a soja comum, sob o herbicida, tem a produção de proteínas inibida, e que a modificada “é capaz de produzir proteínas mesmo sob altas doses”; é a descrição da enzima resistente. O terceiro item do bloco (79, errado) misturou os dois assuntos: afirmou que a aplicação continuada do herbicida geraria genes de resistência e deixaria as plantas portadoras, e a prole delas, imunes a herbicidas de qualquer tipo. Dois erros numa frase: o herbicida não produz genes, apenas seleciona variantes que já existiam na população; e a tolerância é a um composto, o glifosato, não a herbicidas em geral. O que a seleção natural de fato fez foi outra coisa: ervas daninhas expostas por anos ao mesmo produto foram selecionadas, e hoje há populações de buva e capim-amargoso resistentes ao glifosato, consequência da própria tecnologia.
Quem decide: CTNBio, Lei de Biossegurança e o rótulo
No Brasil, a palavra final sobre OGMs é da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), criada pela primeira Lei de Biossegurança (Lei 8.974, de 1995) e reorganizada pela atual, a Lei 11.105, de 24 de março de 2005. A CTNBio é um colegiado de especialistas de várias áreas, ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, que avalia, para cada OGM, a segurança para a saúde humana e animal e para o meio ambiente, e autoriza ou não a pesquisa, o cultivo e o consumo. Acima dela, o Conselho Nacional de Biossegurança, formado por ministros, pode decidir questões de conveniência socioeconômica. Dentro de cada universidade ou empresa que trabalha com OGMs há uma Comissão Interna de Biossegurança, e os laboratórios são classificados em níveis de biossegurança de 1 a 4 conforme o risco do que manipulam.
A mesma lei de 2005 responde a outras perguntas desta página. Ela proíbe a clonagem humana, a engenharia genética em células germinativas e em embriões humanos e a liberação de OGMs sem parecer da CTNBio; e permite, no artigo 5.º, o uso em pesquisa e terapia de células-tronco de embriões humanos produzidos por fertilização in vitro, inviáveis ou congelados há três anos ou mais, com o consentimento dos genitores. Esse artigo foi contestado no Supremo Tribunal Federal e considerado constitucional em 2008.
O consumidor também foi contemplado. Pelo Decreto 4.680, de 2003, todo alimento com mais de 1 % de ingrediente transgênico precisa informar isso no rótulo, com o símbolo definido por portaria do Ministério da Justiça no mesmo ano: um triângulo amarelo com a letra T. A rotulagem não é um alerta de risco, e sim um direito de informação; o óleo de soja da prateleira, feito de soja transgênica, traz o T.
O triângulo amarelo
Procure no pacote de salgadinho de milho ou na garrafa de óleo de soja: o T dentro do triângulo diz que mais de 1 % do produto vem de organismo transgênico. A Embrapa estima que cerca de 90 % da soja e do milho plantados no Brasil sejam transgênicos, e o Brasil está entre os maiores cultivadores de transgênicos do mundo. O rótulo informa; a segurança do produto foi avaliada antes, pela CTNBio.
O debate, em argumentos e não em opiniões. A prova não pede que você seja a favor ou contra; pede que reconheça argumentos verificáveis e os separe de generalizações. A favor: maior produtividade por hectare; menos pulverização de inseticidas nas lavouras Bt; menos revolvimento do solo onde o controle de ervas é químico; enriquecimento nutricional, como no arroz dourado; vacinas, insulina e outros remédios que não existiriam. Contra, ou em cautela: fluxo gênico, a passagem do transgene por pólen a parentes selvagens ou a lavouras convencionais; resistência de pragas às proteínas Cry e de ervas daninhas ao glifosato, por seleção natural, que exige áreas de refúgio e rotação de produtos; alergenicidade, testada caso a caso (nos anos 1990, uma soja que recebeu um gene de castanha-do-pará foi abandonada antes do mercado porque a proteína transferida era alérgeno); concentração do mercado de sementes patenteadas em poucas empresas; e o aumento do uso de glifosato associado às lavouras tolerantes. Sobre a segurança para quem come, as academias de ciências e a Organização Mundial da Saúde avaliam que os transgênicos aprovados não oferecem risco maior que os alimentos convencionais equivalentes; cada produto, porém, é avaliado separadamente, e por isso a aprovação é por evento, não por tecnologia.
Clonar: copiar um genoma inteiro
A palavra clone tem dois usos. Na clonagem molecular, clone é uma população de cópias de um gene. Na clonagem de organismos, clone é um indivíduo geneticamente idêntico a outro. A natureza faz clones o tempo todo: toda reprodução assexuada produz clones, e gêmeos monozigóticos são clones um do outro; a estaquia de uma planta, a brotação de uma batata e a divisão de uma bactéria também. O que a biotecnologia acrescentou foi clonar um mamífero adulto, o que exige fazer o núcleo de uma célula especializada voltar a comandar um desenvolvimento embrionário completo.
A técnica é a transferência nuclear de célula somática. Retira-se o núcleo de um óvulo (óvulo enucleado); funde-se a ele uma célula do corpo do animal a clonar, ou injeta-se o núcleo dessa célula; um pulso elétrico estimula o início das divisões; o embrião se desenvolve em cultura até o estágio de blastocisto e é implantado no útero de uma fêmea receptora. O filhote tem o DNA nuclear do doador da célula somática. Em 1962, John Gurdon mostrou em rãs que o núcleo de uma célula intestinal podia gerar um girino inteiro, prova de que a diferenciação não apaga genes, apenas os silencia; e em 1996, no Instituto Roslin, na Escócia, Ian Wilmut e Keith Campbell aplicaram o método a um mamífero. A ovelha Dolly nasceu em 5 de julho de 1996 de um núcleo de célula de glândula mamária de uma ovelha de seis anos, transferido para o óvulo de uma ovelha de outra raça e gestado por uma terceira. Foram 277 óvulos reconstruídos para um único cordeiro, e o anúncio, em fevereiro de 1997, abriu o debate sobre clonagem humana. Dolly teve seis filhotes por reprodução normal e morreu em 2003, aos seis anos, de uma doença pulmonar causada por vírus, comum em ovelhas criadas em estábulos; a discussão sobre se ela “nasceu velha”, pelos telômeros mais curtos do núcleo adulto, continua sem resposta definitiva. Depois dela vieram bezerros, inclusive a bezerra Vitória, primeiro clone bovino do Brasil (Embrapa, 2001), cavalos, cães, gatos e, em 2018, os primeiros macacos clonados por essa técnica, na China.
Um mesmo começo, dois destinos. A transferência nuclear produz um embrião com o genoma nuclear do doador; implantado, gera um clone (reprodutiva); usado como fonte de células-tronco, gera tecidos compatíveis (terapêutica). Diagrama autoral.
Clone não é cópia. Dolly e a ovelha doadora tinham o mesmo DNA nuclear, mas não eram idênticas. As mitocôndrias, com o seu DNA próprio, vieram do óvulo da outra ovelha; a expressão dos genes depende de marcas epigenéticas que a reprogramação do núcleo não restaura por completo; e o ambiente, da gestação em diante, molda o fenótipo. O primeiro gato clonado, em 2001, nasceu com pelagem de padrão diferente do da doadora, porque a distribuição das manchas depende de eventos aleatórios no embrião. Um item que afirme que um clone é “exatamente igual” ao doador em tudo está errado; um que afirme que compartilha o genoma nuclear está certo.
Clonagem reprodutiva e terapêutica. Quando o embrião reconstruído é implantado e nasce um indivíduo, a clonagem é reprodutiva. Quando o embrião é cultivado só até o blastocisto, para dele retirar células-tronco geneticamente idênticas ao doador do núcleo, é clonagem terapêutica: o objetivo são tecidos compatíveis, que o sistema imune do paciente não rejeitaria, para tratar lesões e doenças degenerativas. A clonagem terapêutica humana foi conseguida em 2013, mas perdeu espaço para uma técnica que chega ao mesmo tipo de célula sem óvulo nem embrião, as células-tronco pluripotentes induzidas, da próxima seção. No Brasil, a Lei 11.105/2005 proíbe a clonagem humana, sem distinguir finalidade.
Duas clonagens, um nome
“Clonagem de DNA” (muitas cópias de um gene, em bactérias ou por PCR) e “clonagem de organismo” (um indivíduo com o genoma nuclear de outro) são técnicas diferentes. Um item que descreva a transferência nuclear e chame o resultado de “DNA recombinante” errou, porque nenhum gene de fora foi inserido: o clone não é transgênico. E gêmeos idênticos são clones naturais, mais parecidos entre si que Dolly e a doadora, porque até as mitocôndrias são as mesmas.
Células-tronco: a potência decide o uso
Uma célula-tronco tem duas propriedades: divide-se mantendo-se indiferenciada (autorrenovação) e pode originar células especializadas (diferenciação). O que varia é até onde vai essa capacidade, a potência.
Totipotente: origina qualquer célula do embrião e também os anexos embrionários, como a placenta. É o zigoto e as células das primeiras divisões.
Pluripotente: origina qualquer célula do corpo, mas não os anexos. São as células da massa celular interna do blastocisto, as células-tronco embrionárias, cultivadas a partir de embriões humanos pela primeira vez em 1998.
Multipotente: origina os tipos celulares de um tecido ou de uma família de tecidos. São as células-tronco adultas, como as hematopoéticas da medula óssea, que produzem todas as células do sangue, e as mesenquimais, que formam osso, cartilagem e gordura. O sangue do cordão umbilical é rico em células hematopoéticas e por isso é guardado em bancos públicos.
Quanto mais cedo no desenvolvimento, mais tipos de célula uma célula-tronco consegue formar. A reprogramação de Yamanaka inverteu a seta: uma célula adulta pode voltar ao degrau pluripotente. Diagrama autoral.
A aplicação mais antiga e consolidada é o transplante de medula óssea, feito desde os anos 1960: células-tronco hematopoéticas de um doador compatível substituem a medula de um paciente com leucemia ou outra doença do sangue. O Brasil mantém um dos maiores registros de doadores voluntários do mundo, o REDOME, e bancos públicos de sangue de cordão. Transplantar medula não é terapia gênica: nenhum gene é inserido, trocam-se células.
As células-tronco embrionárias prometem muito mais, porque formam qualquer tecido, mas levantam duas dificuldades: a destruição de um embrião para obtê-las e a rejeição imune, já que o embrião não é do paciente. Em 2006, Shinya Yamanaka mostrou que bastava introduzir quatro genes de fatores de transcrição numa célula da pele de camundongo para reprogramá-la a um estado pluripotente; em 2007, repetiu com células humanas. As células-tronco pluripotentes induzidas (iPS) são do próprio paciente, não exigem embrião e renderam a Yamanaka o Nobel de 2012, dividido com Gurdon, cujas rãs de 1962 haviam mostrado que o núcleo diferenciado guarda o genoma inteiro. As iPS são hoje usadas para produzir em cultura neurônios, células cardíacas e retinianas de pacientes, para estudar doenças e testar remédios, e os primeiros tratamentos com tecidos derivados delas estão em ensaio clínico.
O PAS 3 de 2009 (item 84) explorou uma confusão de vocabulário: afirmou que, no organismo humano, o RNA de interferência elimina RNAs mensageiros anômalos (isso o texto dizia) e que “as células-tronco suprem o organismo de células geneticamente alteradas”. Errado: células-tronco repõem células normais de um tecido; não são fonte de células alteradas, e nada no texto as ligava ao iRNA.
Terapia gênica: inserir um gene que funciona
Terapia gênica é o tratamento de uma doença pela entrega de uma cópia funcional de um gene às células do paciente, para compensar um gene defeituoso ou acrescentar uma função. A definição tem dois termos obrigatórios, inserir e gene funcional, e a prova testa a definição pela negativa, descrevendo coisas parecidas que não a cumprem.
O gene entra por um vetor, quase sempre um vírus desarmado: adenovírus, vírus adenoassociados (AAV) e lentivírus derivados do HIV, dos quais se retiram os genes de replicação. Há duas vias. Na terapia ex vivo, células do paciente (por exemplo, as hematopoéticas da medula) são retiradas, modificadas em cultura e devolvidas. Na terapia in vivo, o vetor é injetado no corpo e procura o tecido-alvo. O primeiro ensaio clínico foi em 1990, numa menina com imunodeficiência por falta da enzima ADA; em 1999, a morte de um voluntário por reação ao vetor adenoviral freou a área por uma década. Os sucessos vieram depois: um tratamento para uma cegueira hereditária da retina (2017), um para a atrofia muscular espinhal, que entrega o gene SMN1 por AAV numa única infusão e foi aprovado no Brasil em 2020, e as terapias com células CAR-T, em que linfócitos T do paciente recebem o gene de um receptor que reconhece o câncer. O custo, de milhões de reais por dose, é o debate central hoje.
O que não é terapia gênica, com os itens reais que fixaram a fronteira:
Silenciar um gene com RNA de interferência. O PAS 3 de 2009 (item 86) definiu terapia gênica no enunciado e perguntou se um experimento que injetava em camundongos um RNA de dupla fita para destruir o RNA mensageiro de um gene do Schistosoma mansoni era terapia gênica. Não: o RNA bloqueia a tradução de um gene do verme, e nenhum gene funcional é inserido em célula alguma. No mesmo bloco, o item 83 chamou o iRNA de “vacina”, também errado: ele não estimula o sistema imune nem previne infecção; destrói um RNA.
Selecionar um embrião. O mesmo caderno de 2009 contava o nascimento de uma menina britânica concebida por FIV depois de os médicos escolherem, entre os embriões disponíveis, um livre da mutação no gene BRCA1, ligada ao câncer de mama e de ovário. Escolher, entre os embriões, um que não tem a mutação é diagnóstico genético pré-implantacional, e nenhum gene foi inserido: a menina não é portadora (item 93, que a chamou de heterozigota, errado) e tem o risco de câncer de qualquer mulher sem a mutação, não um risco menor que o da população em geral (item 92, errado).
Transplantar células. Medula, cordão ou iPS repõem células; a terapia gênica muda genes.
Dar a proteína. A insulina recombinante e a vacina antiangiotensina de 2014 são produtos de genes fabricados fora do corpo; terapia gênica entrega o gene, para o corpo fabricar.
Terapia gênica
Entrega de uma cópia funcional de um gene às células de quem está doente, por vetor viral ou outro método, ex vivo ou in vivo, para compensar um gene defeituoso. Não são terapia gênica: silenciamento por RNA de interferência, seleção de embriões ou gametas, transplante de células-tronco, administração de proteínas recombinantes, vacinas. Exemplos aprovados: terapias para imunodeficiência por ADA, cegueira hereditária da retina, atrofia muscular espinhal, CAR-T para leucemias e linfomas.
CRISPR-Cas9: a tesoura que acha o endereço
Até 2012, alterar um gene específico dentro de um genoma de bilhões de bases era caro, lento e pouco preciso. A CRISPR-Cas9 mudou isso, e a técnica veio, de novo, da defesa das bactérias. Muitas bactérias guardam no cromossomo uma coleção de pedaços de genomas de vírus que já as atacaram, intercalados em repetições (é o que a sigla CRISPR nomeia). Quando o mesmo vírus volta, a bactéria transcreve esses pedaços em RNAs curtos, que guiam a proteína Cas9 até o DNA do invasor; a Cas9 corta as duas fitas, e o vírus é destruído. Em 2012, Emmanuelle Charpentier e Jennifer Doudna mostraram que bastava sintetizar um RNA-guia com a sequência desejada para a Cas9 cortar qualquer DNA naquele ponto; as duas receberam o Nobel de Química de 2020.
O mecanismo tem três passos. O RNA-guia, de cerca de 20 nucleotídeos, pareia com a sequência-alvo. A Cas9 só corta se, logo ao lado do alvo, existir uma sequência curta chamada PAM, o que limita, mas não impede, a escolha de alvos. Feito o corte de dupla fita, a célula o repara por um de dois caminhos, e é o reparo que faz a edição. No reparo por junção de extremidades, a célula emenda as pontas de modo impreciso e costuma inserir ou perder algumas bases: a fase de leitura se desloca e o gene é desligado, o nocaute. No reparo por recombinação homóloga, se o pesquisador fornecer junto um molde de DNA com a sequência desejada, a célula o copia ao consertar o corte: a mutação é corrigida ou um gene novo é inserido no ponto exato. Versões mais recentes, os editores de bases e o prime editing, trocam uma letra sem cortar as duas fitas.
O RNA-guia encontra o endereço, a Cas9 corta, e o reparo da própria célula decide o resultado: desligar o gene ou substituí-lo pela sequência do molde. Diagrama autoral.
Onde já está. O primeiro tratamento com CRISPR aprovado, no fim de 2023, trata a anemia falciforme e a beta-talassemia: células-tronco da medula do paciente são retiradas, editadas para religar a produção da hemoglobina fetal, que não forma foice, e devolvidas. É edição somática: muda as células do paciente e morre com ele, sem passar aos filhos. Em plantas, a CRISPR produziu tomates, trigo, arroz e cana com genes desligados, e, como pode não restar DNA de fora, muitos desses produtos não são tratados como transgênicos. Em pesquisa, serve para desligar um gene de cada vez e descobrir a função dele.
Onde não deve estar. Em novembro de 2018, o pesquisador chinês He Jiankui anunciou o nascimento de duas gêmeas cujos embriões ele editara com CRISPR no gene CCR5, numa tentativa de torná-las resistentes ao HIV. Foi edição germinativa: a alteração está em todas as células das meninas, inclusive nos óvulos, e passará aos descendentes delas. O experimento não tinha justificativa médica, a edição saiu incompleta, e os riscos de cortes fora do alvo eram desconhecidos. He foi condenado na China a três anos de prisão, e a comunidade científica pediu moratória à edição germinativa humana. No Brasil, a Lei 11.105/2005 já proibia a engenharia genética em células germinativas e embriões humanos.
Somática fica, germinativa passa
Editar células do corpo de um paciente (medula, retina, fígado) altera só aquela pessoa. Editar um zigoto, um embrião ou um gameta altera todas as células do indivíduo que vai nascer, inclusive as germinativas, e a mudança é herdável. A distinção é a mesma de mutações: o endereço da alteração decide a herança. E CRISPR não é transgenia por definição: ela pode inserir um gene de fora, mas o uso mais comum é desligar ou corrigir um gene do próprio organismo.
Biotecnologia e vacinas: a plataforma é o produto
A imunologia das vacinas, com antígeno, anticorpo, memória e os tipos de vacina do calendário, está em vacinas e soros. Aqui interessa o que três plataformas têm de engenharia genética.
Proteína recombinante. A vacina da hepatite B não contém vírus: contém a proteína da superfície dele, produzida por leveduras que receberam o gene viral, purificada e adsorvida num adjuvante. Foi a primeira vacina de engenharia genética, nos anos 1980, e o modelo da vacina contra o HPV, cujas proteínas recombinantes se montam sozinhas em partículas ocas parecidas com o vírus.
RNA mensageiro. As vacinas de RNA mensageiro usadas na pandemia, aprovadas em dezembro de 2020, contêm o RNA mensageiro da proteína S do SARS-CoV-2, sintetizado em laboratório a partir da sequência do genoma viral e embalado em nanopartículas de lipídio para entrar nas células. Os ribossomos do vacinado traduzem o RNA, a proteína S aparece na superfície das células e o sistema imune responde; o RNA é degradado em dias. As descobertas que tornaram o RNA sintético tolerável pelo organismo renderam a Katalin Karikó e Drew Weissman o Nobel de Medicina de 2023. O PAS 3 de 2020 (item 77) afirmou que o RNA da vacina “se insere no DNA do hospedeiro”, e está errado: o RNA fica no citoplasma, a célula humana não tem transcriptase reversa para copiá-lo em DNA e nada chega ao núcleo. É o dogma central em ação.
Vetor viral. A vacina de Oxford e AstraZeneca, produzida no Brasil pela Fiocruz, usa um adenovírus de chimpanzé que recebeu o gene da proteína S e perdeu os genes de replicação: ele entra na célula, entrega o gene, a célula produz a proteína S, e o vírus não se multiplica. É o mesmo tipo de vetor da terapia gênica, com um objetivo diferente: provocar imunidade, não corrigir um gene. O DNA do vetor fica no núcleo como molécula separada, sem se integrar ao cromossomo, e é eliminado.
O que une as três plataformas: o produto final que o sistema imune vê é uma proteína do patógeno, produzida ou fora do corpo (recombinante) ou dentro das células do vacinado (RNA e vetor viral), e em nenhum caso o genoma do vacinado muda.
Fábricas vivas: quem produz o quê
A escolha do organismo produtor segue a regra da tabela da seção da insulina: bactéria para proteínas simples, levedura ou célula animal para as que exigem acabamento. O que a indústria acrescenta àquela lista são produtos que não são remédios. Bactérias com genes adicionados fabricam plásticos biodegradáveis como o PHB; leveduras modificadas para digerir celulose fermentam o bagaço da cana em etanol de segunda geração; fungos filamentosos produzem antibióticos e as amilases e lipases dos detergentes; e plantas transformadas produzem proteínas em folhas e sementes, como o coquetel de anticorpos testado contra o ebola em 2014, fabricado em tabaco.
Dois usos fogem da fábrica. Na biorremediação, microrganismos que já comem poluentes, ou que receberam genes para isso, limpam solos e águas: bactérias degradadoras de hidrocarbonetos, como a Alcanivorax do item de 2009, multiplicam-se em manchas de óleo e foram estudadas no vazamento do Golfo do México em 2010. Na nanobiotecnologia, extratos de plantas ou microrganismos reduzem íons metálicos a nanopartículas, de 1 a 100 nanômetros, usadas como antimicrobianos e em biossensores. O nanômetro é um bilionésimo de metro (10−9 m); uma hemácia tem cerca de 7 micrômetros, ou 7 000 nanômetros. O PAS 3 de 2017 (item 42) afirmou que nanopartículas de prata produzidas pela Embrapa teriam “aproximadamente o mesmo tamanho de uma célula sanguínea”, e está errado por um fator de dezenas a milhares de vezes: a escala nano é a das moléculas e dos vírus, muito abaixo da de qualquer célula.
Bioética e biossegurança: o que a lei já respondeu e o que ainda não
A engenharia genética nasceu com uma pausa. Em 1975, na conferência de Asilomar, os próprios pesquisadores do DNA recombinante suspenderam experimentos até definir regras de contenção, origem dos níveis de biossegurança usados até hoje. Desde então, as perguntas se repetem em cada técnica nova, e vale saber quais já têm resposta legal no Brasil.
pergunta
resposta na Lei 11.105/2005 e normas ligadas
Quem avalia e autoriza um OGM?
A CTNBio, por parecer técnico, evento por evento; o Conselho Nacional de Biossegurança decide questões socioeconômicas
O consumidor precisa ser informado?
Sim: acima de 1 % de ingrediente transgênico, rótulo com o símbolo T (Decreto 4.680/2003)
Pode-se usar células-tronco de embriões humanos?
Sim, de embriões de fertilização in vitro inviáveis ou congelados há três anos ou mais, com consentimento, para pesquisa e terapia (art. 5.º; constitucional pelo STF em 2008)
Pode-se clonar seres humanos?
Não, em nenhuma modalidade
Pode-se editar o genoma de embriões ou gametas humanos?
Não; a engenharia genética em células germinativas e em embriões humanos é proibida
Pode-se editar células do corpo de um paciente?
Sim, como terapia, com aprovação da Anvisa e dos comitês de ética
Organismos editados sem gene de fora são OGM?
A CTNBio decide caso a caso, desde 2018
Fora da lei, ficam as perguntas abertas. Patentes: pode-se patentear um gene? Nos Estados Unidos, a Suprema Corte decidiu em 2013 que genes humanos naturais não são patenteáveis, só sequências sintéticas; no Brasil, a lei de propriedade industrial não permite patentear seres vivos naturais nem partes deles. Acesso: terapias gênicas custam milhões por paciente, e o SUS já enfrentou a decisão de incorporar ou não o tratamento da atrofia muscular espinhal. Consentimento e privacidade: um genoma sequenciado informa sobre os parentes de quem o cedeu, e bancos de DNA forenses levantam a questão de quem pode ser incluído. Fronteira germinativa: três cúpulas internacionais (2015, 2018 e 2023) concluíram que a edição de embriões humanos para gestação é prematura, sem proibi-la em definitivo. E o Protocolo de Cartagena (2000, em vigor no Brasil desde 2003) regula o comércio internacional de OGMs vivos. Um item de prova sobre esses temas pede duas habilidades: separar o que a lei fixa do que é opinião, e separar o fato (a técnica faz X) da tese (a técnica deve ou não ser usada).
Como ler géis, esquemas e curvas na prova
As questões de biotecnologia chegam em quatro formatos.
Um gel. Identifique o poço (as bandas perto dele são as grandes), a raia do marcador e o que cada raia representa. Em restrição, conte bandas e some tamanhos: a soma tem de dar o tamanho da molécula. Em paternidade ou identificação, faça a subtração do genitor conhecido e exija da resposta todas as bandas restantes. Em eletroforese de proteína, a banda em posição diferente indica carga ou tamanho diferente.
Um esquema de clonagem. Localize quatro elementos: a enzima de restrição (a mesma para gene e vetor), o vetor com sua origem e seu marcador, a ligase e a etapa de seleção. A pergunta mais comum é por que só algumas bactérias crescem na placa: porque só as que receberam o plasmídeo têm o gene de resistência. A segunda é de que organismo são as células que produzem a proteína: da bactéria, com o gene humano dentro.
Uma curva de PCR. A curva de cópias contra ciclos é exponencial no início, por isso em escala logarítmica é uma reta; a tabela de 2n resolve as contas. Numa curva de fluorescência em tempo real, a amostra com mais material ultrapassa o limiar em menos ciclos.
Um texto-base com vocabulário. Os itens trocam palavras: inserir por selecionar, gene por célula, ativar por suprimir, RNA por DNA, amplificar por sequenciar, silenciar por inserir, somática por germinativa, nano por micro. Leia o item procurando a palavra trocada antes de julgar a frase inteira. Em 2019, o item sobre a cana tolerante à seca trocou o objetivo (manter genes ativos) pelo contrário (suprimir a expressão); em 2016, trocou a técnica (inserção de gene exógeno) pela outra (seleção e cruzamentos); em 2019, trocou o que o transgênico recebe (um trecho de DNA) por células do doador.
Exemplo resolvido: julgar quatro afirmações sobre o mesmo esquema. Um esquema mostra o gene da insulina humana e um plasmídeo com gene de resistência à ampicilina cortados pela mesma enzima, unidos por ligase, introduzidos em E. coli e semeados em meio com ampicilina. Julgue: (I) as bactérias que crescem na placa são transgênicas; (II) a insulina produzida terá a sequência de aminoácidos da insulina humana porque o código genético é universal; (III) o gene humano precisou ser cortado pela mesma enzima que cortou o plasmídeo para que as extremidades fossem complementares; (IV) o paciente que usar a insulina receberá o gene humano modificado.
(I) Certo: receberam DNA de outra espécie por engenharia genética. (II) Certo: os códons têm o mesmo significado na bactéria, e a tradução segue a sequência do gene; o detalhe de que o gene deve ser um cDNA sem íntrons não muda o julgamento. (III) Certo: é a lógica das extremidades coesivas. (IV) Errado: o paciente recebe a proteína purificada; nem o gene nem a bactéria chegam a ele, e o seu genoma não muda. É o mesmo erro do item de 2014 sobre a vacina recombinante e a taxa de mutações.
Erros que derrubam itens
“Biotecnologia é sinônimo de transgênico.” Pão, iogurte, penicilina, etanol e todo melhoramento genético são biotecnologia sem gene inserido.
“Um organismo domesticado ou melhorado é OGM.” Seleção artificial muda frequências de alelos; não insere DNA (PAS 3 2016, item 78; 2025, item 68).
“O transgênico é feito de células do doador.” Recebe um trecho de DNA; as células são todas suas (PAS 3 2019, item 43).
“O herbicida produz genes de resistência e deixa a planta imune a qualquer herbicida.” O herbicida seleciona variantes que já existiam, não as cria; e a tolerância é a um composto específico (PAS 3 2016, item 79).
“Uma proteína recombinante altera o DNA de quem a recebe.” O paciente recebe o produto do gene, não o gene (PAS 3 2014, item 82).
“PCR sequencia o DNA.” PCR copia um trecho; sequenciar é ler a ordem das bases.
“A PCR usa helicase para abrir o DNA.” A separação é térmica, a 95 °C; a enzima é a Taq polimerase, que resiste ao calor.
“Na eletroforese, os fragmentos grandes correm mais.” Correm menos; os pequenos vão mais longe, em direção ao polo positivo.
“Compartilhar algumas bandas prova parentesco.” Exige todos os marcadores que não vieram do outro genitor (PAS 3 2021, item 109).
“Teste de paternidade e identificação de ossadas usam métodos diferentes.” É o mesmo método de marcadores herdados metade de cada genitor (PAS 3 2021, item 105).
“Genoma e gene são a mesma coisa.” Só 1 a 2 % do genoma humano codifica proteínas (PAS 3 2021, item 106).
“Silenciar um gene por iRNA é terapia gênica.” Terapia gênica insere gene funcional; silenciar não insere nada (PAS 3 2009, item 86). E iRNA não é vacina (item 83).
“Selecionar um embrião sem a mutação é terapia gênica.” Nenhum gene foi inserido; a criança não é portadora e tem o risco da população geral (PAS 3 2009, itens 92 e 93).
“Transplante de medula é terapia gênica.” Troca células; não insere gene.
“O clone é idêntico ao doador em tudo.” Mesmo DNA nuclear; mitocôndrias do óvulo, epigenética e ambiente diferentes.
“Dolly foi feita com DNA recombinante.” Foi transferência nuclear; nenhum gene de fora.
“Célula-tronco adulta forma qualquer tecido.” É multipotente; pluripotentes são as embrionárias e as iPS.
“CRISPR é transgenia.” Pode inserir gene, mas o uso comum é desligar ou corrigir um gene do próprio organismo; a CTNBio avalia caso a caso.
“Edição em embrião afeta só a criança.” É germinativa: passa aos descendentes, e é proibida no Brasil.
“O RNA da vacina entra no DNA.” Fica no citoplasma, é traduzido e degradado (PAS 3 2020, item 77).
“Nanopartícula tem o tamanho de uma célula.” 1 nm é um bilionésimo de metro; uma hemácia tem 7 000 nm (PAS 3 2017, item 42).
“A CTNBio aprova a tecnologia.” Aprova evento por evento, com avaliação de risco própria para cada OGM.
O essencial em meia página
Biotecnologia = uso de organismos ou moléculas deles em processos. Clássica: fermentação, melhoramento, domesticação (sem DNA de fora). Moderna: DNA recombinante (1973). Transgênico = recebeu gene de outra espécie; OGM = qualquer modificação por engenharia genética; domesticado ≠ OGM.
Ferramentas: enzima de restrição (sítio palindrômico, extremidades coesivas ou cegas), DNA ligase, vetor (plasmídeo com origem, marcador e sítio de clonagem; vírus; Agrobacterium; biobalística), transformação e seleção por antibiótico. Linear: fragmentos = cortes + 1; circular: fragmentos = cortes.
Gene humano em bactéria funciona porque o código é universal; usa-se cDNA (sem íntrons); proteínas com açúcares exigem levedura ou célula animal. Insulina recombinante: 1978 em E. coli, aprovada em 1982.
PCR: 95 °C desnatura, 50 a 65 °C anela os iniciadores, 72 °C a Taq estende; 2n cópias; 30 ciclos ≈ 10⁹. RT-PCR copia RNA em cDNA antes (covid, HIV); qPCR mede pelo Ct. PCR copia; não lê.
Eletroforese: DNA negativo migra ao polo +; pequeno corre mais; marcador de tamanho. STR: dois alelos por locus, um de cada genitor; paternidade por subtração; exclusão em dois ou mais loci; ossadas pelo mesmo método (2021/105 e 109); DNA mitocondrial pela linha materna.
Sequenciamento: Sanger 1977; Projeto Genoma Humano 1990 a 2003, sequência completa 2022; 3,1 bilhões de pb, cerca de 20 mil genes, 1 a 2 % codificante. Função → existem genes (2009/56); proteína → sequência do gene, não.
Transgênicos: soja RR (cp4 epsps, Agrobacterium), Bt (cry, B. thuringiensis), arroz dourado (betacaroteno), Aedes OX513A (CTNBio 2014), feijão Embrapa 5.1 (2011), cana Bt (2017). Cisgênico = gene da própria espécie; editado = sem gene de fora, caso a caso. Lei 11.105/2005: CTNBio avalia evento por evento; rótulo T acima de 1 % (Decreto 4.680/2003).
Clonagem: transferência nuclear de célula somática; Dolly (1996, 277 óvulos); clone = mesmo DNA nuclear, mitocôndrias do óvulo. Reprodutiva (nasce indivíduo) × terapêutica (células-tronco compatíveis). Clonagem humana proibida.
Células-tronco: totipotente (zigoto), pluripotente (embrionária, iPS), multipotente (adulta, cordão). iPS: Yamanaka 2006, Nobel 2012. Medula óssea = transplante de células, não terapia gênica. Lei: embriões de FIV inviáveis ou congelados ≥ 3 anos.
Terapia gênica = inserir gene funcional (vetor viral, ex vivo ou in vivo). Não é: iRNA (2009/86), seleção de embriões (2009/92 e 93), transplante, proteína recombinante (2014/82).
CRISPR-Cas9: RNA-guia + Cas9 + PAM → corte → junção de extremidades (nocaute) ou recombinação com molde (correção). Nobel 2020. Somática fica; germinativa passa e é proibida. Bebês CRISPR (2018) = o caso a não repetir.
Vacinas: recombinante (hepatite B em levedura), RNA (traduzido no citoplasma, não entra no DNA, 2020/77), vetor viral (adenovírus sem replicação). Em todas, o genoma do vacinado não muda.
Nano = 10−9 m; hemácia = 7 µm = 7 000 nm (2017/42). Biorremediação: bactérias com genes de enzimas que degradam o poluente.
Exercícios temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.
Flashcards temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar os cartões de revisão.
Clonagem de DNA e DNA recombinante | Biotecnologia | Khan Academy
Khan Academy Brasil · 6:59
Introdução. Em sete minutos, o vídeo apresenta a clonagem de DNA: o gene é cortado com enzima de restrição, unido a um plasmídeo pela ligase, introduzido em bactérias e multiplicado por elas. É o roteiro das seções “A caixa de ferramentas” e “Clonagem molecular: o roteiro completo e a insulina” desta página; assista antes de ler e depois refaça o exemplo resolvido das quatro afirmações sobre o esquema da insulina.
Reação em cadeia da DNA-Polimerase | Biotecnologia | Khan Academy
Khan Academy Brasil · 8:27
Aprofundamento. O vídeo seguinte da mesma série explica a PCR passo a passo: desnaturação, anelamento dos iniciadores e extensão pela polimerase termoestável, com a duplicação do número de cópias a cada ciclo. Cobre a seção “PCR: fotocopiar um trecho de DNA um bilhão de vezes”; ao terminar, refaça a conta de ciclos do exemplo resolvido e explique por que o teste de covid precisa da transcriptase reversa.
Teste de DNA "fingerprint" (Biotecnologia) - Aula 24 - Módulo II: Genética | Prof. Gui
Prof. Guilherme Goulart - Biologia · 10:47
Aplicação. A aula mostra como é feito um teste de paternidade, ou de DNA em geral, pelo método do fingerprint: regiões variáveis do genoma, amplificação, eletroforese e comparação das bandas entre mãe, criança e suposto pai. Corresponde à seção “Eletroforese e o teste de DNA: o gel conta pelo tamanho”; depois de assistir, resolva o gel de paternidade do exemplo resolvido e o item real das ossadas de Perus (PAS 3 2021).
Resumão do Vitão - Biotecnologia: DNA recombinante, Transgenia e Terapia gênica + 6 Questões ENEM
QUIBIO com Vitor Considera · 29:22
Resolução de questões. Meia hora que alterna resumo (DNA recombinante, transgenia, terapia gênica, com marcação de capítulos na descrição) e seis questões do ENEM resolvidas. Use depois das seções “Transgênicos: o que muda e o que não muda” e “Terapia gênica: inserir um gene que funciona”: pause em cada enunciado, procure a palavra trocada antes de julgar e só então veja a resolução.
Toda técnica desta página termina num gel: fragmentos de DNA separados por tamanho num campo elétrico, os menores mais longe do poço. É assim que se lê um mapa de restrição, um teste de paternidade e o produto de uma PCR.Três gestos, uma pergunta. Fermentar e selecionar são biotecnologia há milhares de anos e não acrescentam DNA de fora; só a tecnologia do DNA recombinante faz isso. A edição por CRISPR é o quarto gesto, de 2012 em diante, e nem sempre insere gene de outra espécie. Diagrama autoral.A tesoura e a cola. A enzima de restrição reconhece uma sequência palindrômica e corta deslocado, deixando pontas de fita simples que se encaixam com qualquer outro DNA cortado pela mesma enzima; a ligase torna a emenda permanente. Diagrama autoral.Do gene ao tanque. Corte, cola, entrada na bactéria e seleção pelo antibiótico. A bactéria copia o plasmídeo a cada divisão e fabrica a proteína humana com os próprios ribossomos, porque o código genético é o mesmo. Diagrama autoral.Um ciclo, três temperaturas, o dobro de moléculas. A desnaturação é só térmica, os iniciadores escolhem o trecho e a polimerase termoestável permite repetir o ciclo trinta vezes sem abrir o tubo. Diagrama autoral.O gel ordena por tamanho e o parentesco se lê por subtração. Risque na criança o alelo que veio da mãe; o alelo que sobra tem de aparecer no pai em todos os loci. Diagrama autoral.Um mesmo começo, dois destinos. A transferência nuclear produz um embrião com o genoma nuclear do doador; implantado, gera um clone (reprodutiva); usado como fonte de células-tronco, gera tecidos compatíveis (terapêutica). Diagrama autoral.Quanto mais cedo no desenvolvimento, mais tipos de célula uma célula-tronco consegue formar. A reprogramação de Yamanaka inverteu a seta: uma célula adulta pode voltar ao degrau pluripotente. Diagrama autoral.O RNA-guia encontra o endereço, a Cas9 corta, e o reparo da própria célula decide o resultado: desligar o gene ou substituí-lo pela sequência do molde. Diagrama autoral.Células-tronco embrionárias e iPS são cultivadas em colônias e diferenciadas em neurônios, células cardíacas ou de retina. A reprogramação de Yamanaka (2006) permite obtê-las de uma célula da pele do próprio paciente, sem embrião.Dolly nasceu em 1996 do núcleo de uma célula da glândula mamária de uma ovelha Finn Dorset transferido para um óvulo enucleado de outra raça. Tinha o DNA nuclear da doadora e as mitocôndrias do óvulo: clone, mas não cópia perfeita.A soja tolerante ao glifosato carrega o gene de uma enzima bacteriana que o herbicida não inibe; a lavoura inteira pode ser pulverizada e só a soja sobrevive. A CTNBio autorizou o cultivo em 1998, e hoje quase toda a soja brasileira é transgênica.A insulina da caneta é idêntica à humana e foi fabricada por bactérias ou leveduras que receberam o gene humano. O paciente recebe a proteína purificada, nunca o gene: a bactéria é o organismo transgênico, não quem usa o remédio.O triângulo amarelo com o T informa que mais de 1 % do produto vem de organismo transgênico (Decreto 4.680/2003). O rótulo é direito de informação, não alerta de risco: a segurança do produto foi avaliada antes, pela CTNBio.O Aedes aegypti OX513A recebeu dois genes: um que mata a prole antes da fase adulta e um marcador fluorescente que permite reconhecer as larvas descendentes dos machos liberados. Foi texto-base do PAS 2 de 2014 e teve liberação comercial aprovada pela CTNBio no mesmo ano.O teste de covid é um RT-PCR: a transcriptase reversa copia o RNA do vírus em DNA e a PCR o multiplica ciclo a ciclo. Quanto mais vírus na amostra, menos ciclos até a fluorescência passar o limiar (Ct baixo).
Rota PAS 3
Genética e biotecnologia: a letra que muda tudo · PAS 3
Fontes desta página
Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.
Rota PAS 3 — Genética e biotecnologia: a letra que muda tudo · Biotecnologia: do pão que cresce ao gene que muda de espécie (definição, tabela das técnicas, marcadores genéticos, terapia gênica; itens 2016/77 e 78, 2019/39 a 43, 2021/105, 2009/86, 2009/92 e 93, 2009/56, 2014/82, 2017/42); Como a banca cobra (2021/109, 2019/42, 2025/68); Banco de treino T16 a T23; Resolvido 1 (eletroforese); síntese
Fonte principal do recorte e dos itens reais do PAS 3. A página acrescenta, ausentes do capítulo por decisão editorial dele: enzimas de restrição e vetores, clonagem molecular e insulina recombinante, PCR e RT-PCR, eletroforese e STR, sequenciamento, Bt e arroz dourado, Dolly e clonagem terapêutica, células-tronco e iPS, CRISPR, vacinas de RNA e vetor viral, Lei de Biossegurança.
Rota PAS 3 — Resoluções do Banco de treino (Genética e biotecnologia) · T16 a T23 (transgênico, cana, soja RR, cupuaçu, biotecnologia sem transgenia, terapia gênica × seleção de embriões, nanoescala, marcadores genéticos)
Conferência dos gabaritos e dos padrões de erro usados nas questões autorais.
Rota PAS 3 — Resoluções dos exercícios (Genética e biotecnologia) · Itens 4, 15 e 16 (definição de transgênico; edição de genoma sem gene de outra espécie; domesticação não é transgenia)
Lido para calibrar a fronteira entre transgenia, edição e seleção artificial.
Rota PAS 3 — Evolução · Seleção artificial (critério humano, não é OGM); Leia como na prova: o bloco do cupuaçu (2025/67 e 68)
Fonte da distinção seleção artificial × transgenia pelo lado da evolução; a seleção natural e artificial como mecanismo ficam na página de seleção natural.
Rota PAS 2 — Sistemática, taxonomia, vírus e bactérias · Bactérias (plasmídeos, conjugação e o gene de resistência que viaja); tipos de vacina (vetor viral e RNA mensageiro)
Fonte do plasmídeo como molécula natural e da conjugação; a biologia das bactérias e a imunologia das vacinas ficam nas páginas próprias.
Rota PAS 1 — Citologia · Tabela da célula procariótica (plasmídeo); Banco de treino (PAS 1 2021, item 69, plasmídeos e conjugação × esporulação)
Lido para não contradizer a página de teoria celular, que reproduz o item 2021/69.