Um pão esquecido amanhece com manchas verdes que ninguém semeou, o fermento faz outro pão dobrar de volume, o cogumelo é vendido entre as verduras sem ser verdura, uma frieira não cede ao antibiótico, e um bolor caído por acaso numa placa deu origem à penicilina. Que organismo é esse, que tem parede celular sem ser planta, guarda glicogênio como você, não engole nada e mesmo assim digere quase tudo?
O que você vai aprender
Enunciar a carteira de identidade do reino (eucarionte; heterótrofo por absorção; parede de quitina; reserva de glicogênio; sem clorofila) e usá-la para julgar frases que troquem quitina por celulose, glicogênio por amido ou heterótrofo por autótrofo.
Explicar por que os fungos deixaram o reino das plantas (Whittaker, 1969) e por que a sistemática molecular os coloca ao lado dos animais (Opisthokonta).
Descrever o corpo de um fungo filamentoso (hifas septadas e cenocíticas, micélio, corpo de frutificação) e de uma levedura, distinguir o cogumelo do organismo inteiro e estimar escalas em micrômetros.
Explicar a digestão extracelular e a absorção, relacioná-las à forma filamentosa e às condições de umidade, temperatura e salinidade que controlam o crescimento de bolores em alimentos.
Distinguir reprodução assexuada (brotamento, fragmentação, conídios e esporangiósporos) de sexuada (plasmogamia, cariogamia, meiose) e separar esporo fúngico de gameta e de endósporo bacteriano.
Reconhecer os cinco grupos (quitridiomicetos, zigomicetos, glomeromicetos, ascomicetos e basidiomicetos) pelo tipo de esporo e por um exemplo de cada, incluindo o Bd e o declínio dos anfíbios.
Classificar um fungo como decompositor, parasita ou mutualista pelo critério de quem perde e quem ganha, e aplicar isso a micorrizas (fósforo e água por açúcar; 80 % das espécies de plantas) e liquens (fungo e alga ou cianobactéria; pioneiros e bioindicadores).
Ler uma curva de crescimento de levedura em frasco fechado (dados de Carlson, 1913), calcular fatores de multiplicação e explicar o patamar pelo esgotamento do açúcar e pelo acúmulo de etanol.
Relacionar os fungos a alimentos (fermentação alcoólica pela levedura, queijos, shoyu, cogumelos, micoproteína), à indústria (enzimas, etanol de segunda geração, biorremediação) e à biotecnologia (vacina da hepatite B e insulina produzidas em levedura), e fazer o balanço de massa da fermentação alcoólica.
Contar a história da penicilina (Fleming, 1928; Chain e Florey; Nobel de 1945), explicar seu alvo na parede bacteriana e por que um antibiótico produzido por fungo não trata micose.
Montar, para as micoses do Brasil (pitiríase versicolor, dermatofitoses, candidíase, esporotricose, paracoccidioidomicose, histoplasmose, criptococose, aspergilose), a ficha agente, porta de entrada e prevenção, e situar a lista de fungos prioritários da OMS de 2022.
Explicar por que o antifúngico é mais difícil de projetar que o antibiótico (célula eucariótica) e nomear os dois alvos exploráveis (ergosterol da membrana; glucano da parede), e descrever as aflatoxinas, seus alimentos de risco e os limites fixados pela Anvisa.
Um pão esquecido no armário amanhece com manchas verdes e cheiro de terra úmida. Ninguém semeou nada ali: os esporos estavam no ar, e bastaram umidade, calor e amido. Na mesma cozinha, um tablete de fermento faz a massa do outro pão dobrar de volume em uma hora. Na feira, um cogumelo é vendido ao lado das verduras, embora não seja verdura. No posto de saúde, alguém trata uma frieira que apareceu depois de uma semana de tênis molhado, e o remédio não é antibiótico. Em 1928, um bolor que caiu por acaso numa placa de bactérias abriu o caminho para o primeiro antibiótico. Cinco cenas, um só reino: os fungos, eucariontes que não fazem fotossíntese, não engolem nada e, ainda assim, alimentam-se de quase tudo, porque digerem do lado de fora e absorvem o resultado.
Esta página é a aula de referência sobre os fungos. Ela começa pela carteira de identidade do reino, a lista de quatro palavras que decide a maioria dos itens de prova; mostra como é o corpo de um fungo e por que o cogumelo é só a ponta visível; explica a digestão externa, a reprodução por esporos e os grandes grupos; organiza os três ofícios ecológicos (decompositor, parasita, mutualista) com as micorrizas e os liquens; percorre o que os fungos fazem na mesa, na indústria e na farmácia; monta a tabela das micoses do Brasil com agente, via e prevenção; explica por que o antifúngico é mais difícil de projetar que o antibiótico; e fecha com as micotoxinas, os cogumelos venenosos e os erros que os itens exploram. A química da fermentação alcoólica está em fermentação; a célula procariótica, em bactérias; os reinos e os domínios, em taxonomia e sistemática; o quadro geral das relações entre espécies, em relações ecológicas; a decomposição dentro dos ciclos da matéria, em ciclos biogeoquímicos; os liquens como pioneiros, em sucessão ecológica.
Fungo não é planta: a carteira de identidade do reino
Quatro palavras definem um fungo, e cada uma delas é uma fronteira com outro reino.
O que todo fungo é
Eucarionte. A célula tem núcleo delimitado por membrana, mitocôndrias, retículo, complexo de Golgi. Nisso o fungo está do lado da sua célula, e longe da bactéria.
Heterótrofo por absorção. Não há clorofila nem cloroplasto. O fungo lança enzimas no ambiente, digere a matéria orgânica do lado de fora do corpo e absorve as moléculas pequenas que sobram. Nisso ele difere da planta (autótrofa) e do animal (heterótrofo por ingestão: engole primeiro, digere depois).
Parede celular de quitina. Por fora da membrana há uma parede rígida, mas o material não é a celulose da planta nem o peptidoglicano da bactéria: é a quitina, o mesmo polissacarídeo nitrogenado do exoesqueleto dos insetos e dos crustáceos. A parede também contém glucanos e proteínas.
Reserva de glicogênio. O açúcar excedente é guardado como glicogênio, o polissacarídeo de reserva dos animais (o do seu fígado e dos seus músculos), e não como amido, que é a reserva das plantas.
Três dessas quatro palavras (heterotrofia, quitina, glicogênio) foram cobradas, nessa ordem, pelo PAS 2 de 2020, item 60, num bloco sobre a Serra da Canastra: “Os fungos são organismos heterótrofos e possuem parede celular de quitina e reserva de glicose na forma de glicogênio.” Gabarito certo. Cada termo é um ponto em que a prova pode trocar a palavra pela vizinha: celulose no lugar de quitina, amido no lugar de glicogênio, autótrofo no lugar de heterótrofo, procarionte no lugar de eucarionte. Quem tem a lista na cabeça julga o item em dez segundos.
critério
bactéria
planta
animal
fungo
núcleo
não (procarionte)
sim
sim
sim
parede celular
sim, peptidoglicano
sim, celulose
não
sim, quitina
cloroplasto e fotossíntese
só em cianobactérias, sem cloroplasto
sim
não
não
como obtém alimento
vários modos
autótrofo
heterótrofo por ingestão
heterótrofo por absorção
reserva de açúcar
glicogênio e outros
amido
glicogênio
glicogênio
organização
unicelular
multicelular
multicelular
unicelular (leveduras) ou filamentoso
A carteira de identidade do fungo, lida contra os vizinhos. Com a planta ele compartilha só a existência de uma parede, e o material é outro. Com o animal compartilha a heterotrofia e a reserva de glicogênio. Com a bactéria, nada além de ser decompositor em muitos casos. Desenhos fora de escala. Diagrama autoral.
A tabela explica a história da classificação. Lineu, em 1735, pôs os fungos entre as plantas porque eles não se movem, crescem fixos e têm parede. Robert Whittaker, em 1969, separou-os num reino próprio, Fungi, pelo critério da nutrição: absorção, nem fotossíntese nem ingestão. A sistemática molecular foi mais longe. As sequências de DNA mostram que fungos e animais descendem de um ancestral comum mais recente do que o ancestral que qualquer um dos dois compartilha com as plantas; os dois grupos formam, com alguns protistas, o clado Opisthokonta. O cogumelo da feira é, em termos de parentesco, mais próximo de você do que da alface ao lado. A história dos sistemas de reinos e a lógica dos clados estão em taxonomia e sistemática.
"Tem parede celular, logo é planta"
Parede celular existe em três reinos, com três materiais: celulose nas plantas e nas algas verdes, quitina nos fungos, peptidoglicano nas bactérias. A presença da parede não classifica; o material e o resto da lista classificam. Um item que descreva o fungo com parede de celulose está errado, e um que o descreva com parede de peptidoglicano também. O mesmo vale para a frase inversa: a ausência de cloroplasto não transforma o fungo em animal, porque o animal não tem parede e digere por dentro.
Quantos fungos existem? Em 2017, David Hawksworth e Robert Lücking revisaram as estimativas e chegaram a uma faixa de 2,2 a 3,8 milhões de espécies, das quais cerca de 120 mil estavam descritas e aceitas até então. Isso quer dizer que, no melhor cenário, cerca de 5 % dos fungos têm nome (120÷2200≈0,055); no pior, pouco mais de 3 %. A conta vem da proporção entre fungos e plantas em locais bem estudados, do ritmo de descrição de espécies novas e das sequências de DNA ambiental, que revelam fungos que nunca foram cultivados. O Catalogue of Life, a lista de referência das espécies aceitas, registrava em 2026 cerca de 157 mil fungos e 390 mil plantas. Os dois números não se contradizem: os 120 mil eram as espécies aceitas na data da revisão de 2017, e o catálogo de 2026 soma quase uma década de descrições novas e de nomes revisados. Pelas estimativas, porém, o reino dos fungos é várias vezes maior que o das plantas, e conhecemos a menor parte dele.
Hifa, micélio e cogumelo: o corpo do fungo é quase todo invisível
A maioria dos fungos é filamentosa. O corpo é feito de hifas, filamentos tubulares de poucos micrômetros de diâmetro (em geral 2 a 10 µm, a espessura de uma bactéria grande ou de uma hemácia) que crescem só pela ponta, ramificam-se e se entrelaçam. O conjunto das hifas de um indivíduo é o micélio. No pão mofado, a trama esbranquiçada dentro do miolo é o micélio; as manchas verdes na superfície são as estruturas que produzem esporos. No solo de uma floresta, o micélio de uma única espécie pode se estender por metros, invisível, entre as partículas de terra e as raízes.
Há dois tipos de hifa. Nas hifas septadas, paredes transversais chamadas septos dividem o filamento em compartimentos, cada um com um ou dois núcleos; os septos têm poros, e o citoplasma passa de um compartimento ao outro. Nas hifas cenocíticas (ou asseptadas), não há septos: o filamento é um tubo contínuo com centenas de núcleos num só citoplasma. O bolor do pão, Rhizopus, tem hifas cenocíticas; Penicillium, Aspergillus e os cogumelos têm hifas septadas.
As leveduras são a exceção ao plano filamentoso: fungos unicelulares, ovais, de 3 a 10 µm, que se reproduzem em geral por brotamento. O fermento biológico da padaria, Saccharomyces cerevisiae, é uma levedura; a Candida da candidíase também. Algumas espécies alternam as duas formas conforme o ambiente: são os fungos dimórficos. Vários agentes de micoses sistêmicas do Brasil, como Paracoccidioides, Histoplasma e Sporothrix, vivem como filamentos no solo ou nas plantas, a 25 °C, e viram levedura dentro do corpo, a 37 °C. O Ministério da Saúde descreve exatamente isso para o Sporothrix: forma filamentosa na natureza, forma de levedura nas lesões.
O cogumelo não é o fungo inteiro. É o corpo de frutificação (basidiocarpo, nos cogumelos típicos; ascocarpo, nas trufas e em outros ascomicetos): uma estrutura compacta de hifas que o micélio ergue acima do substrato para produzir e dispersar esporos. Dura dias; o micélio que o produziu pode durar anos. Chamar o cogumelo de “o fungo” é como chamar a maçã de “a macieira”. Muitos fungos, aliás, nunca formam cogumelo: bolores e leveduras não têm corpo de frutificação visível a olho nu.
Três maneiras de ser fungo. Hifas septadas e cenocíticas formam o micélio dos fungos filamentosos; a levedura é unicelular e brota; o cogumelo é só a parte do micélio que sobe para espalhar esporos. As escalas dos painéis são diferentes e estão indicadas. Diagrama autoral.
Exemplo resolvido: o que fazer com o pão mofado. Um pão de forma tem uma mancha verde de 2 cm numa fatia. Uma pessoa propõe cortar a fatia mofada e comer o resto. Avalie a proposta com o que a seção ensinou.
A mancha verde é a estrutura reprodutiva do bolor: conídios verdes de Penicillium ou de Aspergillus erguidos sobre a superfície. Ela aparece onde o micélio já está crescendo há dias, e o micélio é incolor e se espalha pelo miolo úmido muito além da mancha, de fatia em fatia, porque as hifas passam pelos poros do pão. Cortar a fatia visível não remove o micélio das vizinhas. Em alimentos moles e úmidos (pão, frutas macias, queijos frescos, iogurte), a recomendação é descartar o alimento inteiro; em alimentos duros e secos (queijos duros, cenoura), em que o micélio penetra pouco, basta cortar com margem larga. Além do micélio em si, algumas espécies de bolor produzem micotoxinas, que se difundem pelo alimento e não são destruídas pelo cozimento (uma seção adiante).
Conferência. O raciocínio usa a relação entre a parte visível e a parte invisível do fungo. Se o cogumelo é só o corpo de frutificação de um micélio muito maior, a mancha de bolor é só a parte reprodutiva de um micélio que ocupa o miolo. A regra “corte o que se vê” falha porque o que se vê é a menor parte.
Exemplo resolvido: quantas hifas cabem numa linha. Uma hifa de bolor tem cerca de 5 µm de diâmetro. Quantas hifas, lado a lado, ocupariam a largura de 1 mm?
Converta: 1 mm = 1 000 µm. Então 1000÷5=200 hifas. Uma mancha de bolor de 2 cm (20 mm) de largura teria espaço para 4 000 hifas em uma só fileira; como as hifas se ramificam e se sobrepõem em camadas, o número real de filamentos sob a mancha é muito maior. Conferência: uma hemácia humana tem cerca de 7 µm; uma hifa tem a espessura de uma hemácia, e cabem mais de cem hemácias em um milímetro. A ordem de grandeza (centenas por milímetro) está certa.
Comer por fora: digestão extracelular e absorção
Um animal ingere o alimento e o digere numa cavidade interna. O fungo faz o contrário: digere primeiro, no ambiente, e só então absorve. As hifas secretam enzimas hidrolíticas (amilases para o amido, proteases para as proteínas, lipases para as gorduras, celulases e ligninases para a madeira, quitinases para a carapaça de insetos e para outros fungos) que quebram as macromoléculas do substrato em açúcares simples, aminoácidos e ácidos graxos. Essas moléculas pequenas atravessam a parede e a membrana e entram na hifa, por difusão ou por transporte ativo. O fungo não tem boca, estômago nem intestino, porque o substrato inteiro é o seu estômago.
Esse modo de vida explica a forma do corpo. Uma rede de filamentos finos tem uma área de superfície enorme em relação ao volume, e a absorção depende da superfície: quanto mais área em contato com o substrato, mais enzima lançada e mais nutriente recolhido. Explica também por que o fungo cresce dentro do alimento, e não só sobre ele, e por que a hifa cresce pela ponta: é a ponta que avança para o substrato ainda não digerido.
Explica, por fim, as condições de que o bolor precisa. As enzimas trabalham em meio aquoso, e os produtos da digestão só entram na hifa dissolvidos em água. Por isso o pão fresco mofa e a torrada não; por isso a carne-seca, salgada e desidratada, resiste semanas, enquanto a carne fresca apodrece em dias (o PAS 1 de 2005, item 85, cobrou exatamente esse par: pouca água e muito sal retardam a decomposição por bactérias e fungos). Sal e açúcar em alta concentração retiram água da hifa por osmose e impedem o crescimento; o frio da geladeira o desacelera; a secagem o interrompe. Nenhum desses métodos mata todos os esporos, o que explica por que um alimento conservado volta a mofar quando reencontra água e calor.
Por que a geladeira não salva o morango
Morangos, uvas e tomates mofam mesmo refrigerados, em poucos dias. A fruta madura é rica em água e em açúcares simples, isto é, já é alimento quase pronto, sem precisar de muita digestão externa. Alguns bolores, como Botrytis e Penicillium, crescem devagar a 4 °C, e um único fruto ferido serve de porta de entrada. A geladeira alonga o tempo de geração do fungo; não o leva a zero. Lavar as frutas na hora de comer, e não na hora de guardar, reduz a umidade superficial, que é o que o esporo precisa para germinar.
A digestão extracelular tem um custo ecológico que a prova explora: ela não é seletiva quanto ao dono do substrato. O mesmo fungo que decompõe uma folha morta pode, com as mesmas enzimas, digerir a parede de uma célula viva de folha e virar parasita; o que digere queratina de pelos e penas caídos no solo pode digerir a queratina da sua pele e virar dermatófito. Decompositor e parasita são, muitas vezes, o mesmo equipamento enzimático apontado para um substrato diferente.
Esporos para todos os lados: como os fungos se reproduzem
Um fungo filamentoso produz esporos aos milhões, e cada esporo é uma célula leve, protegida por parede espessa, capaz de viajar pelo ar, pela água ou agarrada a um animal, e de ficar meses em dormência até encontrar umidade, calor e alimento. É por isso que o bolor aparece “do nada” no pão: o nada é o ar da cozinha, que carrega esporos de dezenas de espécies o tempo todo. É também por isso que o mofo de casas úmidas provoca alergia e crises de asma em pessoas sensíveis: o que se inala são esporos.
Reprodução assexuada e sexuada nos fungos
Assexuada (um só progenitor, descendentes geneticamente iguais a ele, por mitose):
Brotamento, nas leveduras: a célula-mãe forma uma protuberância que recebe um núcleo filho e se destaca, menor que a mãe.
Fragmentação: um pedaço de micélio que se separa continua a crescer como indivíduo novo.
Esporos assexuados: conídios, produzidos nas pontas de hifas especializadas (os conidióforos de Penicillium e Aspergillus, que dão a cor verde ou preta ao bolor), e esporangiósporos, produzidos dentro de bolsas chamadas esporângios (as cabecinhas pretas do Rhizopus do pão).
Sexuada (dois progenitores, descendentes recombinados, com meiose):
Plasmogamia: hifas de dois indivíduos compatíveis se fundem e misturam citoplasmas; os núcleos ficam separados, e o micélio passa a ter núcleos de duas origens (fase chamada dicariótica, nos ascomicetos e basidiomicetos).
Cariogamia: os dois núcleos se fundem e formam um núcleo diploide, em geral dentro de uma estrutura reprodutiva.
Meiose: o núcleo diploide se divide e produz esporos haploides recombinados (ascósporos dentro de ascos; basidiósporos sobre basídios; zigósporos nos zigomicetos), que germinam e dão micélios haploides.
No fungo típico, a fase haploide domina o ciclo; a fase diploide dura pouco, entre a cariogamia e a meiose. É o inverso do que acontece em você, em que a fase haploide é só o gameta.
Duas distinções decidem itens. A primeira: esporo de fungo não é gameta. O esporo germina sozinho e dá um indivíduo; o gameta precisa se fundir a outro. Os fungos não produzem gametas típicos; a fusão sexual é entre hifas. A segunda: esporo de fungo não é endósporo de bactéria. O endósporo bacteriano é uma forma de resistência que uma célula produz, uma por célula, sem aumentar o número de indivíduos; o esporo fúngico é uma célula reprodutiva, produzida aos milhões, e cada um pode virar um fungo novo. Mesma palavra, papéis diferentes, assunto detalhado em bactérias.
O ciclo de vida de um fungo filamentoso, em versão escolar. O anel interno é a reprodução assexuada, rápida e sem variação; o anel externo é a sexuada, com plasmogamia, cariogamia e meiose. Em ambos o produto é esporo, e o esporo germina sem fecundação. Diagrama autoral.
Conferência. Se a cultura dobrasse a cada hora exata, em seis horas teria multiplicado por 26=64, e 9,6 × 64 ≈ 614, muito acima dos 174,6 medidos. O fator 18 é compatível com uma duplicação mais lenta que uma por hora. E a estabilização em 660 não pode ser falta de espaço físico: um frasco de laboratório tem espaço para muito mais levedura; o que falta é açúcar, e o que sobra é álcool.
Crescimento de uma cultura de levedura em frasco fechado, com os dados de Tor Carlson (1913). A curva em S é o retrato de uma população que esgota o próprio ambiente: o açúcar acaba e o etanol que ela produz se acumula. O ponto de crescimento mais rápido fica perto da metade do patamar, não no início. Diagrama autoral com dados históricos.
Cinco grupos para reconhecer, não para decorar
A classificação dos fungos mudou muito com o DNA, e os livros escolares usam nomes de épocas diferentes. Para a prova, basta reconhecer cinco grupos pelo tipo de esporo sexuado e por um ou dois exemplos de cada.
grupo
marca registrada
exemplos
onde aparece
Quitridiomicetos (Chytridiomycota)
os únicos com esporos flagelados (zoósporos), que nadam; aquáticos ou de solo úmido
Batrachochytrium dendrobatidis (Bd)
quitridiomicose, a doença que dizima anfíbios
Zigomicetos (Zygomycota; hoje Mucoromycota)
hifas cenocíticas; esporângios pretos; esporo sexuado é o zigósporo
Rhizopus (bolor do pão), Mucor
pão, frutas, mucormicose em pessoas com imunidade baixa
Glomeromicetos (Glomeromycota)
vivem só dentro de raízes; não se reproduzem sexuadamente que se saiba
fungos das micorrizas arbusculares
80 % das plantas terrestres
Ascomicetos (Ascomycota)
esporos sexuados (ascósporos) dentro de bolsas chamadas ascos; hifas septadas; o grupo mais numeroso
leveduras Saccharomyces e Candida, Penicillium, Aspergillus, trufas, Claviceps, a maioria dos fungos de liquens, Paracoccidioides, Histoplasma, Sporothrix
esporos sexuados (basidiósporos) sobre estruturas em forma de clava, os basídios; hifas septadas
cogumelos (Agaricus, shiitake, Amanita), orelhas-de-pau, ferrugens e carvões das plantas, Cryptococcus
cogumelos comestíveis e venenosos, decomposição de madeira, doenças de lavoura, criptococose
Os cinco grupos pelo que os define: o tipo de esporo e onde ele nasce. Zoósporo com flagelo, zigósporo, arbúsculas dentro da raiz, ascos com ascósporos, basídios com basidiósporos. Desenhos fora de escala. Diagrama autoral.
O caso dos quitrídios merece um parágrafo, porque é a crise de biodiversidade causada por um fungo. Batrachochytrium dendrobatidis, o Bd, foi descrito em 1999 a partir de sapos mortos em zoológicos e na natureza. Ele infecta a pele dos anfíbios, que respiram e regulam sais pela pele, e a infecção leva à parada cardíaca. Um levantamento publicado na revista Science em 2019 (Scheele e colaboradores) atribuiu à quitridiomicose o declínio de pelo menos 501 espécies de anfíbios no último meio século, com 90 extinções presumidas, a maior perda de biodiversidade já registrada por causa de uma doença. O fungo se espalhou pelo mundo com o comércio de animais. No Brasil ele está registrado em várias regiões, principalmente na Mata Atlântica, com registros também na Caatinga. O item de prova que descreve um fungo como “sempre benéfico” ou “sempre decompositor” cai diante desse caso.
Decompositor, parasita, mutualista: os três ofícios do reino
Todo fungo é heterótrofo por absorção. O que muda de uma espécie para outra é de quem ele absorve: de matéria morta, de um hospedeiro vivo que perde com isso, ou de um parceiro vivo que ganha com a troca. São os três ofícios, e a mesma espécie pode mudar de ofício conforme a circunstância.
Decompositores (sapróbios). Com as bactérias, os fungos fecham os ciclos da matéria: digerem folhas, troncos, cadáveres e fezes e devolvem ao solo e ao ar o carbono (como CO₂ da respiração), o nitrogênio (como amônia, na amonificação), o fósforo e os demais minerais que as plantas vão reabsorver. São os principais decompositores da madeira, porque poucos outros organismos produzem as enzimas que quebram a lignina. Sem eles, a floresta se enterraria nos próprios restos e os nutrientes ficariam presos na matéria morta. O PAS 2 de 2021, item 83, afirmou, num texto sobre um fungo bioluminescente da Amazônia, que “fungos, de forma geral, contribuem para a ciclagem de nutrientes na Amazônia, uma vez que atuam como organismos decompositores, assim como algumas bactérias”, e o gabarito foi certo. Repare nos dois cuidados da frase: “de forma geral” (nem todo fungo é decompositor) e “algumas bactérias” (nem toda bactéria é). O PAS 1 de 2007, item 16, cobrou o mesmo papel pelo lado do lixo doméstico: a adubação com restos orgânicos é possível graças a fungos e bactérias decompositores (certo). As etapas dos ciclos estão em ciclos biogeoquímicos.
O fungo daquele item de 2021 é Mycena cristinae, um cogumelo que brilha no escuro, descrito em 2021 a partir da Amazônia Central. Ele cresce sobre madeira em decomposição, e a luz que emite, visível no cogumelo e no micélio, é um exemplo de bioluminescência em fungos, fenômeno conhecido em dezenas de espécies.
Parasitas. Fungos parasitas de plantas causam a maioria das doenças de lavoura: a ferrugem do café e a ferrugem-asiática da soja (basidiomicetos), a vassoura-de-bruxa do cacau, a sigatoka da banana, o mofo-cinzento das frutas. Em animais, os fungos causam as micoses (uma seção adiante) e doenças de insetos; e aqui aparece um uso agrícola: fungos que matam insetos, como Metarhizium e Beauveria, são produzidos e aplicados como inseticidas biológicos, uma das formas de controle biológico que a Embrapa pesquisa. Há até fungos predadores: algumas espécies de solo formam laços de hifas que capturam nematoides e os digerem.
Mutualistas. Dois casos dominam a prova.
Micorrizas: a raiz que não trabalha sozinha
Micorriza (do grego, “raiz-fungo”) é a associação entre um fungo do solo e a raiz de uma planta. As hifas do fungo envolvem ou penetram as raízes e se estendem pelo solo por um volume muito maior que o das raízes, com área de absorção centenas de vezes maior. O fungo entrega à planta água e minerais, sobretudo fósforo, que se move pouco no solo e é o nutriente mais difícil de obter; a planta entrega ao fungo açúcares da fotossíntese. Um levantamento de 2006 (Wang e Qiu) encontrou micorrizas em 80 % das espécies e em 92 % das famílias de plantas terrestres examinadas; estima-se que cerca de 50 mil espécies de fungos formem essas associações. Há dois tipos principais: nas micorrizas arbusculares, feitas pelos glomeromicetos, as hifas entram nas células da raiz e formam ramificações em árvore (as arbúsculas); nas ectomicorrizas, feitas por muitos basidiomicetos e ascomicetos, as hifas envolvem a raiz como uma luva e passam entre as células sem entrar nelas. Pinheiros, eucaliptos e muitas árvores de floresta dependem de ectomicorrizas; a maioria das plantas de lavoura e do Cerrado forma micorrizas arbusculares.
A micorriza é o mutualismo que a prova mais cobra em fungos. O PAS 1 de 2015, item 82 (tipo C), descreveu um experimento com mudas de pinheiro em solo pobre, com e sem fungo, e pediu o nome da relação; a opção correta falava em “relação harmônica mutualística” que permitiu “o desenvolvimento das plantas de pinheiro mesmo em solos de baixa fertilidade”. As três opções erradas trocavam a escala (“intra-específica”, quando são espécies diferentes), o sinal (“parasitismo”, quando a planta cresce mais com o fungo) ou o conceito (“colônias”, que são de uma só espécie). O item está reproduzido entre as questões desta página; a leitura de experimentos com grupo-controle e a tabela de sinais estão em relações ecológicas.
Liquens: um fungo e um fotossintetizante com um só nome
Líquen é a associação íntima entre um fungo (na maioria dos casos um ascomiceto) e um organismo fotossintetizante: uma alga verde unicelular ou uma cianobactéria, às vezes ambas. O parceiro fotossintetizante produz açúcar; o fungo forma o corpo do líquen, retém água e sais minerais e protege a alga da dessecação e do excesso de luz. O conjunto tem forma, cor e nome próprios, como se fosse uma espécie, mas não é: é uma associação de duas ou mais espécies, e a classificação segue o nome do fungo. Liquens crescem onde quase nada mais cresce: rocha nua, tronco, muro, telha, solo de deserto e de tundra. Por isso são pioneiros da sucessão primária: corroem a rocha com ácidos, acumulam poeira e matéria orgânica e preparam o primeiro solo em que musgos e plantas vão se instalar (ver sucessão ecológica). Como absorvem água e gases diretamente do ar, sem raiz e sem cutícula, acumulam poluentes e morrem onde o ar é sujo; a presença e a diversidade de liquens numa cidade são usadas como bioindicadores da qualidade do ar.
Uma ressalva que separa o item bem escrito do mal escrito: em muitos liquens, o fungo retira da alga mais do que devolve, e alguns autores descrevem a relação como um parasitismo controlado, não como mutualismo puro. Um item autoral desta página que peça para classificar o líquen dirá, no enunciado, o critério adotado (ambos se beneficiam); um item real que chame o líquen de mutualismo está dentro do consenso escolar.
Os dois mutualismos dos fungos. Na micorriza, o fungo troca fósforo e água por açúcar com a raiz; no líquen, troca água, sais e abrigo por açúcar com uma alga ou cianobactéria. Em ambos, quem fotossintetiza é o parceiro, nunca o fungo. Desenhos fora de escala. Diagrama autoral.
Exemplo resolvido: classificar seis casos pelo ofício. Diga se cada fungo abaixo age como decompositor, parasita ou mutualista, e justifique pelo critério “de quem absorve e com que efeito”: (1) orelha-de-pau num tronco caído; (2) ferrugem nas folhas de um cafezal; (3) Rhizopus num mamão maduro caído no quintal; (4) fungo nas raízes de um eucalipto, que cresce mais com ele; (5) Candida na mucosa da boca de um bebê, formando placas brancas; (6) fungo de um líquen sobre um muro.
(1) O tronco está morto: decompositor. (2) A planta está viva e perde área de folha: parasita. (3) O mamão caído é matéria morta: decompositor; se o mesmo fungo tivesse invadido o fruto ainda na planta, por um ferimento, seria parasita. O ofício depende do estado do substrato, não do nome do fungo. (4) O eucalipto vivo cresce mais: mutualista (ectomicorriza). (5) O bebê é hospedeiro vivo com prejuízo (o “sapinho”): parasita; a mesma Candida vive na boca de pessoas saudáveis sem causar nada, e aí o rótulo é de comensal da microbiota. (6) Absorve açúcar da alga viva, que recebe água e proteção: mutualista pelo critério escolar.
Conferência. Os casos (3) e (5) mostram o ponto que a prova gosta de testar: o mesmo organismo pode ocupar linhas diferentes da tabela conforme o substrato esteja morto ou vivo e conforme o hospedeiro perca ou não. Classificar pelo nome (“Candida é parasita”) erra; classificar pelo efeito acerta.
Fungos na mesa e na indústria
Fermentação. A levedura Saccharomyces cerevisiae, sem oxigênio, converte açúcar em etanol e gás carbônico. Essa é a fermentação alcoólica, a base do pão (o gás faz a massa crescer; o álcool evapora no forno), da cerveja, do vinho, da cachaça e do etanol combustível. O PAS 2 de 2012, item 98, validou a frase de que “a produção de etanol a partir da angiosperma envolve um processo anaeróbico promovido por micro-organismos eucariotas unicelulares”: a angiosperma é a cana, os micro-organismos eucariotas unicelulares são as leveduras, e o processo anaeróbico é a fermentação. Repare que a prova descreveu a levedura sem nomeá-la, pela carteira de identidade: eucarionte, unicelular. Quem lesse “micro-organismo” e pensasse em bactéria erraria, porque bactéria não é eucariota. A via metabólica, as equações, o rendimento e os itens reais sobre pão e vinho estão em fermentação; aqui basta a regra: fermentação alcoólica é de levedura, que é fungo.
Queijos, molhos e cogumelos. O queijo em si é obra de bactérias: são bactérias láticas que fermentam a lactose e ajudam a coalhar o leite (o PAS 1 de 2021, item 70, julgou certa essa frase). O fungo entra depois, na maturação de alguns tipos: os bolores azuis do roquefort e do gorgonzola são Penicillium roqueforti, inoculados de propósito na massa; a casca branca do camembert e do brie é Penicillium camemberti. O molho shoyu e o missô começam com Aspergillus oryzae crescendo sobre soja e trigo e liberando enzimas que quebram proteínas e amido. Os cogumelos comestíveis são corpos de frutificação de basidiomicetos cultivados sobre substratos como palha e serragem: champignon (Agaricus bisporus), shiitake (Lentinula edodes), shimeji. E há a micoproteína: o micélio do ascomiceto Fusarium venenatum, cultivado em tanques e processado como fonte de proteína para substitutos de carne.
Indústria e biotecnologia. Fungos filamentosos são fábricas de enzimas: amilases, proteases, celulases e lipases usadas em detergentes, panificação, sucos, têxteis e na produção de etanol de segunda geração, em que celulases quebram o bagaço da cana em açúcares que a levedura fermenta. A levedura é também um organismo-modelo da genética e da biologia celular, o primeiro eucarionte a ter o genoma inteiramente sequenciado (1996), e uma célula hospedeira para produzir proteínas humanas por engenharia genética. O antígeno de superfície do vírus da hepatite B, base da vacina recombinante contra a doença, foi produzido pela primeira vez em Saccharomyces cerevisiae em 1982; a insulina humana recombinante é produzida industrialmente tanto em Escherichia coli quanto em levedura. Em biorremediação, fungos que degradam lignina são estudados para quebrar corantes, hidrocarbonetos e outros poluentes persistentes, usando as mesmas enzimas inespecíficas com que digerem madeira.
Exemplo resolvido: o balanço da fermentação, sem reexplicar a via. A equação global da fermentação alcoólica é C6H12O6→2C2H5OH+2CO2. Se uma dorna recebe 180 kg de glicose e a levedura fermenta tudo, quantos quilogramas de etanol e de CO₂ saem? Massas molares: glicose 180 g/mol, etanol 46 g/mol, CO₂ 44 g/mol.
180 kg de glicose são 1 000 mol. A equação dá 2 mol de etanol e 2 mol de CO₂ por mol de glicose: 2 000 mol de cada. Etanol: 2000×46=92000 g = 92 kg. CO₂: 2000×44=88000 g = 88 kg. Conferência: a massa se conserva. 92+88=180 kg, exatamente a massa de glicose. Metade da massa do açúcar vira gás e vai embora; é por isso que a massa do pão perde peso ao fermentar e por isso que a produção de etanol libera CO₂ em grande volume. A razão entre os produtos é fixa, 46 para 44, e não depende de quanto açúcar entrou.
Do mofo ao remédio: penicilina, ciclosporina e o que o fungo fabrica para se defender
Fungos vivem em competição permanente com bactérias e com outros fungos pelo mesmo substrato, e muitos produzem substâncias que inibem os vizinhos. Esses metabólitos são a origem de vários medicamentos.
Penicilina. Em setembro de 1928, no St. Mary’s Hospital, em Londres, Alexander Fleming notou que uma placa de cultura de Staphylococcus contaminada por um bolor, depois identificado como Penicillium, tinha um halo sem bactérias em volta do fungo. Ele publicou a observação em 1929 e chamou a substância de penicilina, mas não conseguiu purificá-la em quantidade. Isso coube, a partir de 1939, ao grupo de Howard Florey e Ernst Chain, em Oxford, que produziu penicilina suficiente para os primeiros tratamentos em pessoas no início dos anos 1940. Fleming, Chain e Florey dividiram o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 1945 “pela descoberta da penicilina e seu efeito curativo em várias doenças infecciosas”. A penicilina impede a montagem do peptidoglicano da parede bacteriana; como as células humanas não têm parede, o remédio atinge a bactéria e poupa o paciente (PAS 1 2017, item 60, julgou certa a frase de que substâncias produzidas por fungos “desestruturam a parede celular de bactérias”). Em termos ecológicos, a relação entre o Penicillium e as bactérias ao redor é amensalismo: a bactéria perde, e o fungo não se alimenta dela nem cresce mais por isso.
Ciclosporina. Produzida pelo fungo de solo Tolypocladium inflatum, que também parasita insetos, é um imunossupressor que reduz a rejeição de órgãos transplantados e continua a ser fabricado por fermentação do próprio fungo.
Outros. A griseofulvina, um dos primeiros antifúngicos orais contra dermatofitoses, vem de outra espécie de Penicillium. Fungos também fornecem precursores de hormônios esteroides e de vários medicamentos semissintéticos.
Fungo produz antibiótico, mas antibiótico não trata fungo
A penicilina sai de um fungo e mata bactérias. Isso não a torna remédio contra micose. O alvo da penicilina é o peptidoglicano, que o fungo não tem; a parede do fungo é de quitina e glucanos. Os antibióticos que atacam o ribossomo bacteriano (70S) também não funcionam, porque o ribossomo do fungo é o 80S, igual ao seu. Micose se trata com antifúngico, uma classe de remédios à parte, assunto da próxima seção. A frase “micoses são tratadas com os antibióticos usados contra bacterioses, já que fungos e bactérias compartilham a organização procariótica” está errada duas vezes: no remédio e na organização da célula, que no fungo é eucariótica.
Micoses: agente, porta de entrada e profundidade
Dos milhões de espécies de fungos, poucas centenas causam doença em pessoas, e a maioria delas só o faz quando encontra uma porta aberta: pele úmida e macerada, uma ferida, um pulmão que inalou esporos em quantidade, ou um sistema imunitário enfraquecido por aids, quimioterapia, transplante ou diabetes descompensado. As micoses se organizam pela profundidade que o fungo alcança, e a profundidade quase sempre acompanha a porta de entrada.
profundidade
doença
agente
como se adquire
o que ajuda a prevenir
superficial (só a camada mais externa da pele)
pitiríase versicolor (“pano branco”)
Malassezia, levedura que vive normalmente na pele
não se pega de outra pessoa; o fungo da própria pele cresce demais com calor, umidade e oleosidade
pele seca, roupa arejada
cutânea (pele, cabelo, unhas)
dermatofitoses: frieira ou pé de atleta (tinea pedis), tinea do corpo, do couro cabeludo (em crianças) e das unhas
dermatófitos (Trichophyton, Microsporum, Epidermophyton), fungos que digerem queratina
contato com pessoa ou animal infectado e com pisos úmidos (vestiários, piscinas); calçado fechado e pé molhado
secar bem entre os dedos, chinelo em vestiário, não compartilhar toalhas e alicates, tratar o animal
Candida albicans e outras leveduras do gênero, que vivem normalmente na boca, no intestino e na vagina
crescimento excessivo da própria microbiota após antibióticos, em imunodeprimidos, em diabetes; nos hospitais, por cateteres
uso criterioso de antibióticos, controle do diabetes, higiene hospitalar
subcutânea (pele e tecido abaixo dela, pelos vasos linfáticos)
esporotricose
Sporothrix, fungo do solo e de vegetais em decomposição
inoculação por espinho, lasca de madeira ou arranhadura e mordedura de gato doente, hoje a principal via no Brasil
luvas na jardinagem; tratar os gatos doentes, nunca abandoná-los; a doença tem cura
sistêmica (pulmão e, daí, outros órgãos)
paracoccidioidomicose
Paracoccidioides brasiliensis e P. lutzii, fungos do solo de áreas rurais
inalação de esporos ao mexer na terra; trabalhadores rurais, sobretudo homens; não passa de pessoa a pessoa
máscara em atividades com poeira de solo; diagnóstico precoce
sistêmica
histoplasmose
Histoplasma capsulatum
inalação de esporos de solo com fezes de morcegos e aves: grutas, galinheiros, pombais, demolições
máscara e umedecer o local antes de limpar; evitar expor crianças e imunodeprimidos
sistêmica, oportunista
criptococose (meningoencefalite)
Cryptococcus neoformans (e C. gattii)
inalação; o fungo está em fezes de pombos e em matéria orgânica; adoece sobretudo quem tem aids
controle de pombos, máscara na limpeza de fezes de aves, tratamento do HIV
sistêmica, oportunista
aspergilose
Aspergillus
todos inalam esporos de Aspergillus todos os dias sem adoecer; a doença surge em pulmões já lesados ou em imunidade baixa
controle da umidade e do mofo em hospitais e casas
sistêmica, oportunista
mucormicose
Rhizopus, Mucor
inalação ou ferida, em diabetes descompensado e imunossupressão
controle do diabetes
Quatro ideias da tabela resolvem a maior parte dos itens.
Primeiro, quem causa: todos são fungos, eucariontes, e por isso nenhum se trata com antibiótico antibacteriano. Segundo, por onde entra: pele e unhas (contato, umidade), mucosas (desequilíbrio da própria microbiota), ferimento (inoculação) ou pulmão (inalação de esporos). As sistêmicas entram pelo ar e não se transmitem de pessoa a pessoa, o que as distingue da tuberculose, por exemplo; as cutâneas, sim, passam por contato. Terceiro, de onde vem o fungo: o ambiente (solo, matéria em decomposição, fezes de animais) ou o próprio corpo (Candida, Malassezia, que são microbiota normal e só adoecem quem está desequilibrado). Quarto, quem adoece: as superficiais e cutâneas acometem qualquer pessoa; as oportunistas dependem de uma falha da imunidade, e a sua frequência cresceu com a aids, os transplantes e a quimioterapia.
Dois casos brasileiros merecem detalhe. A paracoccidioidomicose é, nas palavras das diretrizes da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (2017), uma micose sistêmica ligada ao ambiente rural e à atividade agrícola, e a literatura médica a descreve como a micose sistêmica mais importante da América Latina, com o Brasil concentrando a maior parte dos casos; estimativas publicadas falam em alguns milhares de casos novos por ano no país, número incerto porque a doença não é de notificação compulsória nacional. Uma segunda espécie, Paracoccidioides lutzii, foi reconhecida em Rondônia e no Centro-Oeste. A esporotricose mudou de perfil: era a “doença do jardineiro”, adquirida por espinhos, e passou a ser transmitida sobretudo por gatos doentes, em uma epidemia zoonótica que começou na região metropolitana do Rio de Janeiro, onde a doença é considerada endêmica e de notificação compulsória estadual desde 2013. O Ministério da Saúde registra o gato como o principal transmissor atual. A Fiocruz lembra que a doença tem tratamento e cura em pessoas e em animais, e que o gato doente deve ser tratado, não abandonado.
As micoses agrupadas pela porta de entrada. A porta decide a prevenção: pé seco e chinelo para as cutâneas, antibiótico com critério para a candidíase, luvas e cuidado com gatos doentes para a esporotricose, máscara em grutas, galinheiros e demolições para as sistêmicas. Dados do Ministério da Saúde, da Fiocruz e do MedlinePlus. Diagrama autoral.
Em outubro de 2022, a Organização Mundial da Saúde publicou a primeira lista de fungos patogênicos prioritários, com 19 fungos em três grupos (crítico, alto e médio), para orientar pesquisa e vigilância. No grupo crítico estão Cryptococcus neoformans, Candida auris, Aspergillus fumigatus e Candida albicans. A Candida auris é o caso novo: uma levedura identificada em 2009, que se espalha em hospitais, resiste a vários antifúngicos ao mesmo tempo e é difícil de identificar nos exames de rotina; casos já foram registrados em dezenas de países, inclusive no Brasil. A OMS liga parte da resistência aos antifúngicos ao uso de fungicidas na agricultura, que seleciona linhagens de Aspergillus resistentes aos azóis antes mesmo de elas chegarem a um paciente.
Por que o antifúngico é mais difícil de projetar que o antibiótico
A regra de todo medicamento antimicrobiano é atacar um alvo que o micróbio tem e o paciente não tem. Contra bactérias, os alvos sobram: parede de peptidoglicano, ribossomo 70S, enzimas de metabolismo exclusivo. Contra fungos, o problema é que a célula do fungo é eucariótica como a sua: mesmo tipo de núcleo, de ribossomo (80S), de mitocôndria, de membrana. Quase tudo que mata o fungo também machuca a pessoa. Restam duas diferenças exploráveis.
Os alvos dos antifúngicos
Ergosterol. A membrana do fungo tem ergosterol no lugar do colesterol da membrana animal. Os polienos (anfotericina B, nistatina) ligam-se ao ergosterol e abrem poros na membrana; os azóis (fluconazol, itraconazol, cetoconazol, e os derivados usados em cremes para frieira) inibem uma enzima da síntese do ergosterol, e a membrana fica defeituosa. Como o ergosterol e o colesterol são parecidos, os polienos têm alguma toxicidade para o paciente, sobretudo para os rins; por isso a anfotericina B fica reservada às infecções graves.
Parede de glucano e quitina. As equinocandinas (caspofungina e similares) inibem a enzima que monta o β-1,3-glucano da parede; a célula humana não tem parede, e por isso essa classe é bem tolerada. Não há, na prática clínica, antifúngico de uso corrente contra a quitina.
Fora dessas duas, há antifúngicos que interferem na síntese de ácidos nucleicos (flucitosina) e na mitose (griseofulvina), com uso restrito.
Onde o antifúngico pode bater sem bater em você. Ergosterol na membrana e glucano na parede são as duas diferenças entre a célula do fungo e a célula humana que a farmacologia explora. O peptidoglicano e o ribossomo 70S, alvos dos antibióticos, não existem no fungo. Fora de escala. Diagrama autoral.
Essa dificuldade tem três consequências práticas. A primeira é o pequeno número de classes de antifúngicos em comparação com os antibióticos. A segunda é a lentidão do tratamento: uma micose de unha pode exigir meses de remédio, porque o fungo cresce devagar dentro de um tecido que também cresce devagar, e o antifúngico precisa chegar ao local. A terceira é a resistência, que segue a mesma lógica da resistência bacteriana: o remédio não cria o fungo resistente, seleciona o que já existia, e a Candida auris e o Aspergillus resistente aos azóis são os exemplos que a OMS destaca.
Micotoxinas, cogumelos venenosos e o fungo que mudou a história do pão
Alguns fungos produzem substâncias tóxicas que ficam no alimento mesmo depois de o fungo morrer: são as micotoxinas. As mais importantes para a saúde pública são as aflatoxinas, produzidas por Aspergillus flavus e Aspergillus parasiticus em grãos e sementes mal secos ou mal armazenados: amendoim, milho, castanha-do-brasil, pistache, arroz, especiarias. A aflatoxina é hepatotóxica, danifica o DNA e está associada ao câncer de fígado; em doses altas causa intoxicação aguda. Ela é estável ao calor, de modo que torrar o amendoim ou cozinhar a farinha de milho não a elimina, e pode passar ao leite de animais alimentados com ração contaminada. Por isso os limites legais são muito baixos. A OMS cita os limites do Codex Alimentarius para aflatoxinas em castanhas, grãos, figos secos e leite na faixa de 0,5 a 15 microgramas por quilograma, isto é, partes por bilhão. No Brasil, os limites máximos tolerados de micotoxinas em alimentos são fixados pela Anvisa (Resolução RDC 722/2022 e Instrução Normativa 160/2022), e a fiscalização do amendoim é um caso recorrente de recolhimento de lotes.
A medida de prevenção é agrícola e doméstica ao mesmo tempo: secar bem os grãos antes de armazenar, guardá-los em local seco e arejado, descartar amendoins e castanhas murchos, descoloridos ou com cheiro de mofo. Em casa, vale a regra do exemplo resolvido do pão: em alimento úmido e mofado, a toxina pode estar onde o bolor não se vê.
Outras micotoxinas têm história. O ergotismo, o “fogo de Santo Antônio” das epidemias medievais, com gangrena dos membros e convulsões, era causado pelo pão de centeio contaminado por Claviceps purpurea, um ascomiceto que cresce nas espigas e produz alcaloides que contraem os vasos sanguíneos. Dos mesmos alcaloides derivaram, no século XX, medicamentos usados em obstetrícia para conter hemorragias depois do parto. E há os cogumelos venenosos: espécies de Amanita, parecidas com cogumelos comestíveis, produzem toxinas que destroem o fígado, e as intoxicações graves vêm quase sempre da coleta amadora. Não existe regra visual segura para separar cogumelo comestível de venenoso; a única regra é não comer o que não foi identificado por quem sabe. Alguns cogumelos produzem substâncias alucinógenas, como a psilocibina, cujo uso é controlado por lei e pesquisado em psiquiatria; é um fato biológico do reino, não uma recomendação.
Fungos que brilham e fungos que caçam
A bioluminescência ocorre em dezenas de espécies de cogumelos, inclusive na Amazônia, onde Mycena cristinae, descrita em 2021, brilha no cogumelo e no micélio que cresce sobre madeira em decomposição; uma das hipóteses estudadas para a função da luz é a atração de insetos que dispersam os esporos. No outro extremo, fungos de solo como Arthrobotrys formam laços adesivos ou anéis que se fecham em torno de nematoides que passam, e as hifas então penetram e digerem o verme. São fungos predadores, e são estudados como controle biológico de nematoides que atacam raízes de lavouras.
Como a prova cobra os fungos
Nas provas do PAS, os fungos entram de três maneiras, e os itens reais desta página mostram cada uma.
Pela carteira de identidade. O PAS 2 de 2020, item 60, listou heterotrofia, quitina e glicogênio (certo). A versão espelhada, com celulose, amido ou fotossíntese, é o item errado mais previsível do tema. O PAS 2 de 2012, item 98, descreveu a levedura como “micro-organismos eucariotas unicelulares” num processo “anaeróbico” de produção de etanol (certo): quem sabe que a levedura é eucarionte unicelular e que a fermentação é anaeróbia marca sem hesitar. Em sentido inverso, o PAS 1 de 2023, item 45, e o de 2024, item 65, atribuíram a fermentação do vinho a “bactérias” (errados): o agente trocado derruba a frase inteira.
Pelo ofício ecológico. O PAS 2 de 2021, item 83 (decompositores da Amazônia, certo), o PAS 1 de 2007, item 16 (fungos e bactérias decompositores no lixo, certo), e o PAS 1 de 2015, item 82 (micorriza como mutualismo, tipo C) cobram se o estudante sabe o que o fungo faz no ecossistema e com que ressalva (“de forma geral”, “assim como algumas bactérias”). O tipo C do PAS 2 de 2018, item 94, sobre lixões, tinha como opção errada a frase de que os lixões são “ambientes inóspitos para a proliferação de organismos do reino Fungi”: resto orgânico úmido e quente é o prato dos decompositores.
Pela saúde. A trilha agente, via e prevenção, que organiza protozooses e verminoses, vale para as micoses, com o acréscimo de que o tratamento é antifúngico e não antibiótico. O PAS 1 de 2017, item 60, cobrou a origem fúngica da penicilina e seu alvo na parede bacteriana (certo). Itens que ponham micose e antibiótico na mesma frase, ou que chamem o fungo de procarionte, estão errados.
Uma observação sobre frequência: nas provas do PAS 2 de 2007 a 2025, os itens de fungos foram três, os de 2012 (item 98), 2020 (item 60) e 2021 (item 83), todos do tipo A. É um tema de poucos itens, mas de itens previsíveis.
Dez erros clássicos
“Fungo é planta” ou “cogumelo é vegetal.” Fungo não tem clorofila, não faz fotossíntese, tem parede de quitina e reserva de glicogênio; é mais próximo dos animais.
“Fungo faz fotossíntese.” Nenhum. Nem o fungo do líquen: ali quem fotossintetiza é a alga ou a cianobactéria.
“O cogumelo é o fungo inteiro.” O cogumelo é o corpo de frutificação; o organismo é o micélio, escondido no substrato.
“Levedura é bactéria.” Levedura é fungo unicelular, eucarionte, com núcleo e mitocôndrias; a bactéria é procarionte. É o erro dos itens de 2023 e 2024 sobre o vinho.
“A parede do fungo é de celulose.” É de quitina (com glucanos). Celulose é da planta; peptidoglicano, da bactéria.
“Todo fungo é decompositor.” Há parasitas (ferrugens, dermatófitos, Bd) e mutualistas (micorrizas, liquens). O item de 2021 escreveu “de forma geral” por isso.
“Líquen é uma espécie.” É uma associação entre um fungo e um fotossintetizante; cada parceiro é uma espécie.
“Antibiótico trata micose.” Antibiótico mira peptidoglicano e ribossomo 70S, que o fungo não tem. Micose se trata com antifúngico, que mira ergosterol ou glucano.
“Mofo é só sujeira” ou “basta cortar a parte mofada.” Mofo é um organismo vivo, com micélio além da mancha e, em algumas espécies, micotoxinas que o calor não destrói.
“Fungo não tem núcleo” ou “fungo é procarionte.” Tem núcleo e todas as organelas membranosas; é eucarionte. Essa é a razão pela qual o antifúngico é difícil de projetar.
O essencial em meia página
Carteira de identidade. Eucarionte; heterótrofo por absorção (digestão externa por enzimas e absorção dos produtos); parede celular de quitina; reserva de glicogênio; sem clorofila. Mais próximo dos animais que das plantas (Opisthokonta). Cerca de 120 mil espécies descritas e uma estimativa de 2,2 a 3,8 milhões.
Corpo. Filamentosos: hifas (septadas ou cenocíticas) formam o micélio; o cogumelo é só o corpo de frutificação. Unicelulares: leveduras, que brotam. Dimórficos alternam as duas formas (Sporothrix, Paracoccidioides, Histoplasma).
Reprodução. Assexuada por brotamento, fragmentação e esporos (conídios, esporangiósporos). Sexuada por plasmogamia, cariogamia e meiose, com esporos haploides (ascósporos, basidiósporos, zigósporos). Esporo não é gameta nem endósporo bacteriano. Fase haploide domina o ciclo.
Ofícios. Decompositores, com as bactérias, fecham os ciclos (2021/83; 2007/16). Parasitas de plantas (ferrugens) e de animais (micoses, Bd). Mutualistas: micorrizas em 80 % das espécies de plantas, fósforo e água por açúcar (2015/82); liquens, fungo mais alga ou cianobactéria, pioneiros e bioindicadores.
Usos. Fermentação alcoólica pela levedura (pão, cerveja, vinho, etanol; 2012/98); queijos e shoyu; cogumelos comestíveis; micoproteína; enzimas industriais; levedura como fábrica de proteínas (vacina da hepatite B, insulina). Penicilina (Fleming 1928; Chain e Florey; Nobel 1945), ciclosporina.
Micoses. Superficiais e cutâneas (pitiríase, frieira; contato e umidade), de mucosa (candidíase; microbiota desequilibrada), subcutânea (esporotricose; espinho e gato), sistêmicas por inalação (paracoccidioidomicose, histoplasmose, criptococose, aspergilose; não passam de pessoa a pessoa). OMS 2022: 19 fungos prioritários; críticos C. neoformans, C. auris, A. fumigatus, C. albicans.
Antifúngicos. Alvos: ergosterol da membrana (polienos, azóis) e glucano da parede (equinocandinas). Antibiótico não trata micose. Micotoxinas (aflatoxina em amendoim e milho; limites da Anvisa) resistem ao calor.
Exercícios temporariamente indisponíveis
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Flashcards temporariamente indisponíveis
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Enem e vestibular - VestibulandoWeb · 5:35
Resolução de questão. O professor resolve uma questão do PISM da UFJF de 2025 sobre as características gerais dos fungos, a partir de um texto sobre a vassoura-de-bruxa do cacau, e explica por que os fungos são eucariontes heterótrofos por absorção. É o raciocínio da carteira de identidade aplicado a um item de prova, como no PAS 2 de 2020, item 60. Resolva a questão (transcrita na descrição do vídeo) antes de assistir e só então compare.
Cogumelos são estruturas reprodutivas de certos fungos; grande parte do organismo pode permanecer no substrato.A carteira de identidade do fungo, lida contra os vizinhos. Com a planta ele compartilha só a existência de uma parede, e o material é outro. Com o animal compartilha a heterotrofia e a reserva de glicogênio. Com a bactéria, nada além de ser decompositor em muitos casos. Desenhos fora de escala. Diagrama autoral.Três maneiras de ser fungo. Hifas septadas e cenocíticas formam o micélio dos fungos filamentosos; a levedura é unicelular e brota; o cogumelo é só a parte do micélio que sobe para espalhar esporos. As escalas dos painéis são diferentes e estão indicadas. Diagrama autoral.O ciclo de vida de um fungo filamentoso, em versão escolar. O anel interno é a reprodução assexuada, rápida e sem variação; o anel externo é a sexuada, com plasmogamia, cariogamia e meiose. Em ambos o produto é esporo, e o esporo germina sem fecundação. Diagrama autoral.Crescimento de uma cultura de levedura em frasco fechado, com os dados de Tor Carlson (1913). A curva em S é o retrato de uma população que esgota o próprio ambiente: o açúcar acaba e o etanol que ela produz se acumula. O ponto de crescimento mais rápido fica perto da metade do patamar, não no início. Diagrama autoral com dados históricos.Os cinco grupos pelo que os define: o tipo de esporo e onde ele nasce. Zoósporo com flagelo, zigósporo, arbúsculas dentro da raiz, ascos com ascósporos, basídios com basidiósporos. Desenhos fora de escala. Diagrama autoral.Os dois mutualismos dos fungos. Na micorriza, o fungo troca fósforo e água por açúcar com a raiz; no líquen, troca água, sais e abrigo por açúcar com uma alga ou cianobactéria. Em ambos, quem fotossintetiza é o parceiro, nunca o fungo. Desenhos fora de escala. Diagrama autoral.As micoses agrupadas pela porta de entrada. A porta decide a prevenção: pé seco e chinelo para as cutâneas, antibiótico com critério para a candidíase, luvas e cuidado com gatos doentes para a esporotricose, máscara em grutas, galinheiros e demolições para as sistêmicas. Dados do Ministério da Saúde, da Fiocruz e do MedlinePlus. Diagrama autoral.Onde o antifúngico pode bater sem bater em você. Ergosterol na membrana e glucano na parede são as duas diferenças entre a célula do fungo e a célula humana que a farmacologia explora. O peptidoglicano e o ribossomo 70S, alvos dos antibióticos, não existem no fungo. Fora de escala. Diagrama autoral.Hifas são filamentos; seu conjunto forma o micélio. A nutrição ocorre por absorção após transformação do substrato.Ser unicelular não torna uma levedura bactéria: ela é um fungo eucarionte.Líquens envolvem fungos e parceiros fotossintetizantes. O fungo não passa a realizar fotossíntese.Micorrizas podem favorecer aquisição de recursos minerais pela planta e fornecimento de carbono orgânico ao fungo.O crescimento do bolor vem de estruturas já existentes, como esporos ou fragmentos, e não de geração espontânea.Cada mancha é uma associação entre um fungo e uma alga ou cianobactéria, não uma espécie. Os liquens colonizam rocha, muro e tronco, preparam o solo da sucessão primária e desaparecem onde o ar é poluído, por isso servem de bioindicadores.A esporotricose mudou de perfil: da doença do jardineiro passou à transmissão por arranhadura e mordedura de gatos doentes, endêmica no Rio de Janeiro. O gato com lesão deve ser tratado, não abandonado: a doença tem cura em pessoas e animais.Amendoim mal seco ou mal armazenado é o substrato típico de Aspergillus produtores de aflatoxinas, toxinas que resistem ao calor e ficam no grão mesmo depois de o fungo morrer. Por isso a Anvisa fixa limites máximos, e a prevenção começa na secagem.O organismo é a trama branca sob a casca, não as orelhas-de-pau: o micélio digere a madeira com enzimas que quebram celulose e lignina, e os corpos de frutificação só aparecem para soltar esporos. É o trabalho dos decompositores que o PAS 2 de 2021 validou no item 83.O experimento com grupo-controle que o PAS 1 de 2015 (item 82) usou: mudas em solo pobre crescem mais com o fungo micorrízico, que entrega fósforo e água em troca de açúcar. A malha branca nas raízes é a ectomicorriza.Nas dornas, leveduras convertem os açúcares do caldo de cana em etanol e gás carbônico, sem oxigênio. É o processo que o PAS 2 de 2012 (item 98) descreveu como anaeróbico, promovido por micro-organismos eucariotas unicelulares: a levedura, que é fungo.A cena de 1928: um Penicillium caído por acaso impede o crescimento das bactérias ao redor. A substância que faz o halo, a penicilina, bloqueia a parede bacteriana e não age em fungos; Fleming, Chain e Florey dividiram o Nobel de 1945 por ela.
Rota PAS 2
Protozoários, fungos, verminoses e políticas de saúde · PAS 2
Fontes desta página
Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.
Rota PAS 2 — Protozoários, fungos, verminoses e políticas de saúde · Antes de começar: dez minutos de aquecimento (os cinco tipos de agente); Fungos: o reino que digere por fora (conceito, tabela de termos, exemplo do pão do armário, itens 2020/60 e 2012/98, checagem); Como a banca cobra (histórico dos itens de fungos); Exercícios 2 e 13; Banco de treino T10 a T14 (itens reais 2020/60 e 2021/83; variante de 2018/94)
Fonte principal e recorte da página. Protozoários, verminoses e políticas de saúde, do mesmo capítulo, ficam nas páginas próprias. O item 2018/94 não foi reproduzido como questão porque o original dependia de reportagem não transcrita; só a variante T14 existe.
Rota PAS 2 — Resoluções do Banco de treino · T10 (2020/60), T11 (2021/83), T12 (micoses e antibióticos), T13 (lixões e fungos), T14 (variante de 2018/94)
Conferência dos gabaritos dos itens reais e dos padrões de erro.
Rota PAS 2 — Resoluções dos exercícios · Item 2 (fungos autótrofos, E) e item 13 (micoses tratadas com antibióticos, E)
Padrões de erro usados como modelo das questões autorais.
Rota PAS 1 — Ecologia: relações ecológicas · Item 2015/82 (tipo C, micorriza em mudas de pinheiro) e item 2020/100 (fungos secretando antibióticos)
O item 2015/82 pertence à página de relações ecológicas e é reusado por GUID; comentado na seção dos mutualismos.
Rota PAS 1 — Citologia: a célula por dentro · Item 2005/85 (sal e água na conservação da carne-seca) e item 2017/60 (substâncias produzidas por fungos que desestruturam a parede bacteriana)
O 2017/60 pertence à página de teoria celular e é reusado por GUID; o 2005/85 é citado na seção sobre digestão externa.
Rota PAS 1 — Metabolismo energético: fermentação · Três trocas que a banca já usou (bactérias fazendo vinho ou pão: 2023/45 e 2024/65); Banco de treino (variante de 2015/80; tipo B adaptado de 2020/82)
Lido para não contradizer a página de fermentação; os itens de pão e vinho são reusados por GUID.
Biologia EM1 — Capítulo 5: A célula, unidade da vida · Animal, vegetal, fungo: três variações do plano eucariótico (parede de quitina; fungos e animais como parentes próximos; resolvido De quem é esta célula?; checagem 6)
Base da tabela comparativa das células e do critério de decisão núcleo, parede, cloroplasto.
Biologia EM1 — Capítulo 11: Populações e relações ecológicas · Levedura num frasco fechado (dados de Carlson, 1913); Mutualismos que você já viu (micorrizas, liquens); Amensalismo (Penicillium e as bactérias); Resolvido 11.5 (muda com fungo e sem fungo); Controle biológico
Fonte dos dados históricos da curva de levedura e da ressalva sobre o líquen como parasitismo controlado.
Biologia EM1 — Capítulo 8: Divisão celular · Reprodução assexuada em eucariontes unicelulares (brotamento da levedura); meiose em plantas, fungos e algas produz esporos
Base da distinção esporo × gameta.
Biologia EM1 — Bloco PAS do Capítulo 10 · Item PAS 1 2007/16 (adubação por fungos e bactérias decompositores)
Item reusado por GUID da página de ciclos biogeoquímicos.