Genética de populações
Guia de estudo · Revisado em 07/09/2026
Como passar da contagem de indivíduos à frequência dos alelos?
O que você vai aprender
- Calcular frequências alélicas a partir de genótipos observados.
- Usar p², 2pq e q² apenas sob condições adequadas.
- Distinguir processos que alteram frequências e limites do modelo.
A genética de populações estuda a distribuição de variantes hereditárias e sua mudança ao longo das gerações. O primeiro cuidado é distinguir frequência de alelos de frequência de genótipos. O modelo de Hardy-Weinberg conecta essas duas medidas sob condições explícitas e funciona como referência para investigar processos evolutivos.
Contamos indivíduos ou cópias do gene?
Considere um locus autossômico com dois alelos, A e a, em organismos diploides. Cada indivíduo possui duas cópias desse locus. Uma população de indivíduos tem, portanto, cópias. Um indivíduo AA fornece duas cópias A; um Aa fornece uma A e uma a; um aa fornece duas a.
Chamando as frequências de A e a de e :
Como estamos considerando apenas dois alelos, . Essas fórmulas de contagem não exigem equilíbrio de Hardy-Weinberg. Já as frequências dos genótipos são , e .
A e a são rótulos: não é necessário haver dominância para usar o modelo. Quando há dominância completa, a frequência do fenótipo dominante reúne AA e Aa; não é simplesmente . Dominância descreve expressão no heterozigoto, e não abundância do alelo.
O modelo de Hardy-Weinberg
Para um locus autossômico diploide, o modelo ideal considera cruzamentos ao acaso em relação ao locus, população suficientemente grande para desprezar deriva, ausência de seleção, mutação e fluxo gênico. Também pressupõe transmissão mendeliana regular e condições compatíveis de contribuição dos gametas.
Se os gametas que se unem têm frequências A igual a e a igual a , a combinação aleatória fornece:
O fator 2 conta duas combinações para Aa: A de um progenitor com a do outro e a combinação inversa. A soma é .
Sob as condições do modelo, as frequências se mantêm entre gerações. Isso se refere ao locus analisado: observar uma distribuição compatível nele não demonstra ausência de evolução em todo o genoma. Dados aproximadamente compatíveis também não provam que cada condição ideal foi cumprida.
Exemplo resolvido a partir de um fenótipo
Em uma população hipotética em equilíbrio, 9% dos indivíduos apresentam um fenótipo recessivo determinado por aa, com expressão completa. Nesse caso, , então e .
Os heterozigotos esperados são , ou 42%. Em 2 000 indivíduos, esperamos heterozigotos. AA corresponde a 49%, e aa a 9%; a soma 49% + 42% + 9% confirma 100%.
O erro seria usar diretamente : a porcentagem de indivíduos aa mede pares de alelos, não cópias isoladas. Sem a condição de equilíbrio, não podemos extrair a frequência alélica apenas tirando a raiz da frequência de aa.
Exemplo resolvido com genótipos observados
Um levantamento encontra 30 AA, 40 Aa e 30 aa. São 100 indivíduos e 200 cópias. As cópias A somam , logo e .
Sob Hardy-Weinberg, as expectativas seriam 25 AA, 50 Aa e 25 aa. As contagens observadas diferem dessas expectativas. Isso não muda a contagem alélica: continua correto para a amostra.
A diferença, por si só, não identifica a causa nem estabelece significância estatística. Amostragem, estrutura populacional, acasalamento não aleatório ou seleção são possibilidades a investigar. Uma análise formal considera tamanho amostral e um teste apropriado, além das condições de coleta.
Processos que alteram a população
Mutação pode introduzir novos alelos. Fluxo gênico é a transferência de variantes entre populações quando migrantes ou seus gametas contribuem para a reprodução. Ele frequentemente reduz diferenças entre populações, mas seu efeito depende das frequências e da direção do fluxo.
Seleção natural associa variantes a diferenças de contribuição reprodutiva. Deriva genética altera frequências por amostragem aleatória entre gerações; é mais intensa quando o tamanho populacional efetivo é pequeno. Ela pode eliminar ou fixar variantes sem que sejam as mais vantajosas.
O efeito fundador ocorre quando poucos indivíduos estabelecem uma população e levam uma amostra limitada das variantes. O gargalo é uma redução acentuada do tamanho populacional, com perda amostral possível. Nenhum dos dois garante uma mudança específica: descrevem condições que intensificam efeitos do acaso.
Limites e erros comuns
Acasalamento não aleatório pode alterar proporções genotípicas sem, sozinho, mudar imediatamente as frequências alélicas. Consanguinidade, por exemplo, tende a aumentar homozigose. Portanto, desvio das proporções de Hardy-Weinberg não equivale automaticamente a demonstração de mudança alélica.
Não confunda com , nem frequência com número absoluto. Identifique se o dado descreve alelos, genótipos ou fenótipos e registre as condições antes de calcular. Um alelo recessivo pode ser muito frequente; um dominante, raro.
Para consolidar as bases, revise leis de Mendel. Para interpretar mudanças, conecte o modelo à seleção natural e à especiação.
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Fontes desta página
Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.
- Rota PAS 3 — Origens da vida e evolução: quem seleciona o que vive · Genética de populações: a conta que a banca cobra em A, B e D
Adaptação conceitual com exemplos hipotéticos e condições de validade explícitas; limites do recorte documentados na auditoria.