Numa manhã seca de agosto, uma corredora perde mais de um litro de suor em 10 km, chega com a boca pastosa e, horas depois, a urina sai escura e escassa; numa clínica, uma pessoa com os rins parados passa quatro horas numa máquina que retira do sangue a ureia e a água que sobram. Como dois órgãos de 150 g filtram 180 litros por dia para eliminar um e meio, e quem decide o que volta e o que sai?
O que você vai aprender
Distinguir excreção de egestão, identificar a origem do nitrogênio das excretas (desaminação dos aminoácidos, purinas) e explicar por que o fígado converte amônia em ureia e por que a ureia custa água.
Comparar amônia, ureia e ácido úrico por toxicidade, solubilidade, custo em água e custo em energia, associar cada excreta aos grupos animais e ao ambiente, e explicar o papel do ácido úrico e do alantoide no ovo com casca.
Nomear e ordenar as estruturas do sistema urinário (rins, ureteres, bexiga, uretra; córtex, medula, pirâmides, pelve) e o trajeto do sangue (artéria renal, arteríola aferente, glomérulo, arteríola eferente, capilares peritubulares, veia renal), sem confundir ureter com uretra.
Descrever o néfron e os três processos de formação da urina (filtração por pressão, reabsorção seletiva, secreção), com o sentido de cada transferência, o que atravessa ou não o filtro glomerular e o que cada trecho do túbulo faz.
Explicar a ação do ADH (aquaporinas no duto coletor) e da aldosterona (sódio e potássio no túbulo distal) e prever o volume e a concentração da urina em situações de calor, ingestão de água, álcool e queda de pressão.
Descrever o circuito da sede (osmorreceptores do hipotálamo, ADH, comportamento) e o sistema renina-angiotensina-aldosterona, e julgar os itens do PAS 3 de 2022 (27, 29, 31, 32) e de 2014 (84) com esse raciocínio.
Calcular taxa de filtração (125 mL/min = 180 L/dia), fração reabsorvida, fator de concentração de uma substância entre filtrado e urina, depuração (C = UV/P) e balanços hídricos com entradas e saídas.
Interpretar um exame de urina (glicosúria, proteinúria, hematúria, nitrito, cor e densidade) e a creatinina com a taxa de filtração estimada, relacionando cada achado ao processo renal correspondente.
Explicar o que a hemodiálise e a diálise peritoneal substituem e o que não substituem (eritropoetina, vitamina D), o papel do transplante e os números do Censo Brasileiro de Diálise e do Sistema Nacional de Transplantes.
Relacionar cálculo renal, infecção urinária, gota e nefrotoxicidade por medicamentos à fisiologia (solubilidade, comprimento da uretra, ácido úrico, fluxo renal), sem conselho individual.
Situar a pele (suor e termorregulação) e o fígado (ureia, bilirrubina, preparo de fármacos) como sócios da excreção e o pulmão como via do CO2.
Situar Malpighi (1666), Bowman (1842), Kolff (1943), Murray (1954, Nobel 1990) e Agre (aquaporinas, Nobel de Química 2003) na história do conhecimento sobre o rim.
Fim de uma corrida de 10 km, numa manhã de agosto em que o ar de Brasília marca 20 % de umidade. Uma corredora cruza a linha de chegada e vai direto à mesa de água, sem olhar o relógio: a boca está pastosa, e a garrafa que ela levava acabou no quilômetro sete. Ela perdeu mais de um litro de água pelo suor, o sangue ficou um pouco mais concentrado, um grupo de neurônios no hipotálamo percebeu a diferença e dois comandos saíram ao mesmo tempo: a vontade de beber e um hormônio que viajou pelo sangue até os rins com uma ordem só, devolver água. Quando ela for ao banheiro, a urina vai sair escura e em pouca quantidade. Na mesma manhã, numa clínica a dez quilômetros dali, uma pessoa com doença renal crônica passa quatro horas ligada a uma máquina que faz o que os rins dela deixaram de fazer: retirar do sangue a ureia, o potássio e a água que sobram. Corredora e paciente são o mesmo assunto. O metabolismo produz lixo, parte dele é tóxica, e o corpo precisa descartá-lo gastando o mínimo de água; quem decide quanto sai e quanto fica são dois rins do tamanho de um punho, que filtram 180 litros por dia para eliminar um e meio. Esta página explica como.
A página segue a ordem do problema. Primeiro, de onde vem o lixo nitrogenado e por que ele é perigoso. Depois, como os outros animais resolveram o mesmo problema com três moléculas diferentes, e o que isso tem a ver com água e com ovos de casca. Em seguida, a anatomia do sistema urinário humano e o néfron passo a passo: filtração, reabsorção, secreção e o ajuste fino por hormônios. Então, o que a urina diz num exame, como o corpo controla a sede e a pressão, e o que acontece quando os rins falham: diálise, transplante, cálculo renal, infecção urinária e gota. Por fim, a pele e o fígado como sócios da excreção, quem descobriu cada peça, a leitura de tabelas e gráficos e os erros que a prova explora. Os hormônios em si (de onde vêm, como são classificados) estão em sistema endócrino; aqui aparece a ação deles no rim. A osmose e o transporte ativo que o túbulo usa estão em membrana plasmática e transportes; as propriedades da água e o balanço hídrico geral, em água e sais minerais; a origem dos aminoácidos e da ureia, em proteínas e enzimas e sistema digestório; o gás carbônico, excretado pelos pulmões, em sistema respiratório; a pressão arterial que o rim ajuda a regular, em sistema cardiovascular; a pele e as glândulas sudoríparas, em tecidos humanos.
Todo metabolismo produz lixo, e o lixo do nitrogênio é o mais perigoso
Excretar não é defecar. As fezes são o que o tubo digestório não absorveu: fibra, bactérias, células descamadas, água. Isso nunca entrou nas células, logo nunca foi metabolizado; o nome do processo é egestão. Excreção é outra coisa: a eliminação dos produtos do metabolismo celular e do que está em excesso no meio interno. O gás carbônico que a mitocôndria produz na respiração celular é uma excreta, e sai pelos pulmões. O calor é um produto do metabolismo, e sai pela pele. E o nitrogênio que sobra quando o corpo desmonta aminoácidos e bases nitrogenadas é a excreta de que esta página trata, porque é a que custa água e a que precisa de um órgão dedicado.
De onde vem a amônia e por que o fígado a transforma em ureia
Carboidratos e lipídios são feitos de carbono, hidrogênio e oxigênio; quando são queimados, sobram CO₂ e água, que o corpo elimina sem dificuldade. Proteínas carregam nitrogênio no grupo amina (−NH₂) de cada aminoácido. O corpo não armazena aminoácidos: o que não vira proteína nova é desmontado, e o primeiro passo é a desaminação, a retirada do grupo amina, que acontece sobretudo no fígado. O esqueleto de carbono que sobra vira glicose ou energia; o grupo amina vira amônia (NH₃), que em solução forma o íon amônio (NH₄⁺).
A amônia é tóxica: altera o pH, interfere no metabolismo dos neurônios e, em concentração alta, é fatal. Um animal aquático pequeno pode deixá-la escapar direto para a água, que a dilui na hora. Um animal terrestre não tem essa saída. Por isso o fígado dos mamíferos gasta energia para converter a amônia em ureia, CO(NH₂)₂, num conjunto de reações chamado ciclo da ureia: duas moléculas de amônia (na forma de amônio) e uma de CO₂ são combinadas, com gasto de ATP, numa molécula pequena, muito solúvel em água e muito menos tóxica. A ureia cai no sangue, viaja até os rins e sai na urina. Numa dieta comum, um adulto produz algo entre 20 e 30 g de ureia por dia. Uma terceira excreta nitrogenada, o ácido úrico, vem de outra fonte: a degradação das purinas (adenina e guanina) dos ácidos nucleicos. Nos seres humanos ele é minoritário, mas é o protagonista da gota, mais adiante.
O que esta seção deixa para a prova cabe numa linha: não existe ureia seca saindo de um ser humano; ela viaja no sangue e sai sempre em solução. Eliminar nitrogênio custa água, e quanto mais proteína se come, mais ureia há para eliminar e mais água a urina leva. O balanço entre toxicidade da excreta e economia de água é o fio que atravessa a próxima seção, e volta na sede.
Amônia, ureia ou ácido úrico: cada grupo paga a conta de um jeito
Um peixe-dourado no aquário, um sapo na lagoa, uma lagartixa na parede e você resolvem o mesmo problema com três moléculas diferentes. O que decide a escolha é a água disponível e a história evolutiva do grupo.
excreta
toxicidade
solubilidade em água
custo em água para eliminar
custo em energia para produzir
quem usa
amônia (NH₃)
muito alta
muito alta
muito alto (precisa de diluição constante)
nenhum (é o produto direto da desaminação)
peixes ósseos, larvas de anfíbio, a maioria dos invertebrados aquáticos: amoniotélicos
alto (a molécula é grande e sua síntese gasta mais ATP)
aves, a maioria dos répteis, insetos: uricotélicos
Leia a tabela pelas duas pontas. A amônia é barata de fazer e cara de eliminar: só serve a quem vive mergulhado em água. O ácido úrico é caro de fazer e quase de graça para eliminar: serve a quem precisa poupar cada gota, e serve por uma segunda razão que explica por que aves e répteis o adotaram. O embrião desses animais se desenvolve dentro de um ovo com casca, fechado, de onde nada líquido sai por semanas. Se o embrião produzisse amônia, envenenaria a própria água; se produzisse ureia, acumularia um soluto que puxaria água por osmose. O ácido úrico, por ser quase insolúvel, precipita em cristais e fica depositado num anexo embrionário, o alantoide, sem alterar o líquido ao redor. Um pintinho nasce com o alantoide cheio de uratos e os deixa na casca. Os anexos do ovo amniótico e a ficha fisiológica de cada classe de vertebrado são assunto das páginas de zoologia; aqui o que importa é a lógica: a excreta acompanha o ambiente e o modo de reprodução. A ureia dos mamíferos é o meio-termo: tóxica o bastante para não poder se acumular, solúvel o bastante para sair na urina e barata o bastante para um animal que bebe água todo dia.
Três moléculas para o mesmo nitrogênio. Da esquerda para a direita, cai a toxicidade e o gasto de água e sobe o gasto de energia: a amônia é de quem vive na água, o ácido úrico é de quem põe ovo com casca e precisa poupar água, a ureia é o meio-termo dos mamíferos. As barras são qualitativas, fora de escala. Diagrama autoral.
Peixe de água doce e peixe marinho. O mesmo peixe ósseo resolve a excreta do mesmo jeito (amônia pelas brânquias), mas resolve a água de modos opostos. No rio, o meio é muito mais diluído que o sangue: a água entra o tempo todo por osmose pelas brânquias, e o peixe produz urina abundante e muito diluída, enquanto células das brânquias bombeiam sais para dentro. No mar, o meio é mais concentrado que o sangue: a água sai por osmose, o peixe bebe água do mar, produz pouca urina e bombeia o excesso de sal para fora pelas brânquias. Os tubarões e as arraias (cartilaginosos) seguem outro caminho: mantêm ureia no sangue, em concentração alta, para ficar quase tão concentrados quanto o mar e não perder água. O raciocínio osmótico por trás disso está em membrana plasmática e transportes.
"O ácido úrico é a excreta mais tóxica, por isso os répteis o eliminam seco"
A ordem é a contrária. A amônia é a mais tóxica das três e, justamente por isso, só pode ser eliminada por quem tem água de sobra para diluí-la. O ácido úrico é a menos tóxica e a menos solúvel: precipita em cristais e sai em pasta. A lógica do réptil não é “é veneno, tem de sair seco”, é “é inofensivo e insolúvel, logo pode sair quase sem água”. Uma segunda troca comum: imaginar que a pasta de uratos funciona como um cantil interno do animal de deserto. Não funciona: a excreta seca evita um gasto de água, mas não guarda água nenhuma.
Dois rins, dois ureteres, uma bexiga, uma uretra
O sistema urinário humano tem quatro peças. Os rins, dois órgãos em forma de feijão, de 11 a 14 cm e 125 a 175 g cada, ficam na parte de trás do abdome, um de cada lado da coluna, logo abaixo das costelas; o direito fica um pouco mais baixo, empurrado pelo fígado. Cada rim produz urina continuamente. Dos rins saem os ureteres, dois tubos de cerca de 30 cm cuja parede tem músculo liso: ondas de contração (peristaltismo) empurram a urina para baixo, e é por isso que a urina continua chegando à bexiga mesmo numa pessoa deitada ou de cabeça para baixo. A bexiga é um saco muscular que armazena a urina e a expulsa quando o músculo da parede contrai e os esfíncteres relaxam; ela não produz nada. Da bexiga ao exterior há um único canal, a uretra, com cerca de 4 cm nas mulheres e cerca de 20 cm nos homens, em quem atravessa a próstata e o pênis e serve também ao sêmen. Repare nos números: dois ureteres (um por rim), uma uretra. Uma letra de diferença, dois canos diferentes, e um item inteiro do PAS 3 de 2022 nasceu da troca.
O rim em corte: córtex, medula e pelve
Corte um rim ao meio, como se abre um feijão. Por fora, uma cápsula fibrosa. Logo abaixo dela, uma faixa clara e granulada, o córtex renal: é onde ficam todos os glomérulos. Mais para dentro, a medula renal, mais escura e estriada, organizada em cerca de 5 a 8 pirâmides renais com a base voltada para o córtex e a ponta, a papila, voltada para o centro; as estrias são os túbulos e os vasos correndo em paralelo. Cada papila goteja urina pronta num cálice menor; os cálices menores se juntam em cálices maiores, e estes desembocam na pelve renal, um funil que afunila no ureter. O hilo é a fenda da borda côncava por onde entram a artéria renal e os nervos e por onde saem a veia renal e o ureter. A separação entre córtex e medula não é só anatômica: o córtex filtra e reabsorve a maior parte; a medula concentra a urina. Pelve e cálices apenas coletam: não filtram nem reabsorvem nada.
A irrigação é o que torna o rim possível. A artéria renal, ramo direto da aorta, se ramifica dentro do rim até formar, para cada néfron, uma arteríola aferente que entra num novelo de capilares, o glomérulo; o sangue sai do glomérulo por uma arteríola eferente (não por uma veia) e entra numa segunda rede de capilares, os capilares peritubulares, que envolvem os túbulos e recebem de volta o que eles reabsorvem; só então o sangue se junta na veia renal e volta à veia cava inferior. Duas redes de capilares em série, com uma arteríola entre elas, é um arranjo raro no corpo, e é ele que mantém a pressão alta dentro do glomérulo. Os rins recebem cerca de 20 a 25 % do débito cardíaco em repouso, algo como 1,2 L de sangue por minuto, para dois órgãos que somam 300 g, menos de 0,5 % da massa do corpo. Esse fluxo não é para nutrir o rim: é a matéria-prima da filtração.
As quatro peças e o rim por dentro. O sangue entra pela artéria renal e sai pela veia renal; a urina sai pelo ureter. No corte, os glomérulos ficam no córtex, as alças e os dutos coletores descem pelas pirâmides da medula, e as papilas gotejam urina pronta nos cálices, que a reúnem na pelve. Diagrama autoral, fora de escala.Um rim aberto ao meio: a faixa clara do córtex por fora, as pirâmides escuras da medula por dentro, a pelve em funil ligada ao ureter. Cada rim tem cerca de 1,3 milhão de néfrons, e cada um deles começa no córtex, onde fica o glomérulo, e desce pela medula, onde a urina é concentrada.
Nem todo o sangue que passa pelo rim vira filtrado: de 1,2 L por minuto, só uma fração, perto de um quinto do plasma que entra nos glomérulos, atravessa o filtro. O resto segue pela arteríola eferente, irriga os túbulos, recebe o que eles devolvem e volta à circulação. É por isso que um item que diz “o rim retira o sangue do corpo e o devolve limpo” está errado duas vezes: o sangue nunca sai dos vasos, e o que atravessa o filtro é plasma sem proteínas, não sangue.
O item que seguiu o sangue até o filtro
No PAS 3 de 2022, no bloco sobre a sede, o item 32, de múltipla escolha, pediu a sequência correta de estruturas pelas quais o sangue flui ao ser filtrado nos rins. O gabarito, opção A, listava nesta ordem: aorta, artérias renais, capilares, glomérulo (que a prova chamou de malpigiano), cápsula renal e, por fim, duto coletor. As três erradas começavam por veia (“veia aorta”, “veia renal”) ou punham a aorta depois das artérias renais. O método para esse tipo de item é seguir o sangue: ele chega ao rim por artéria, porque a filtração depende de pressão arterial; passa pelo glomérulo; o que atravessa a parede cai na cápsula; dali em diante o que corre é o filtrado, pelos túbulos até o duto coletor. “Veia aorta” não existe, e sangue de veia não tem pressão para ser filtrado. Repare que, a rigor, a sequência da prova muda de líquido no meio: até o glomérulo é sangue, da cápsula ao duto coletor é filtrado. A banca não fez a distinção; você faz, e marca A mesmo assim.
O néfron, passo a passo: filtrar muito, devolver quase tudo, descartar o resto
Cada rim tem cerca de 1,3 milhão de néfrons, e cada néfron é uma unidade completa de produção de urina. Ele tem duas partes: o corpúsculo renal, formado pelo glomérulo (o novelo de capilares) e pela cápsula de Bowman (ou cápsula glomerular), uma taça de parede dupla que o envolve; e o túbulo renal, um tubo longo e fino que sai da cápsula e percorre, em ordem, o túbulo contorcido proximal, a alça de Henle (ramo descendente e ramo ascendente) e o túbulo contorcido distal, até desembocar num duto coletor compartilhado com outros néfrons. O duto coletor desce pela pirâmide até a papila. Corpúsculo e túbulos contorcidos ficam no córtex; a alça e o duto coletor mergulham na medula. O rim faz três coisas com o plasma, em três lugares, e os três verbos são o esqueleto de qualquer item sobre o assunto.
Filtração, reabsorção e secreção: os três verbos e o sentido de cada seta
Filtração acontece no corpúsculo, do sangue para a cápsula. É um processo físico, movido por pressão, sem gasto de ATP e sem escolha: tudo o que é pequeno o bastante passa, útil ou não. Reabsorção acontece nos túbulos, do filtrado de volta para o sangue dos capilares peritubulares. É seletiva: o túbulo recupera o que interessa (água, glicose, aminoácidos, sais) e deixa passar o que não interessa (ureia, em grande parte). Secreção acontece também nos túbulos, mas no sentido contrário: do sangue para o filtrado. Serve para descartar o que o filtro não pegou ou não pegou o bastante: íons H⁺ e K⁺ em excesso, amônia, creatinina, muitos fármacos. A urina é o resultado da conta: o que foi filtrado, menos o que foi reabsorvido, mais o que foi secretado. Um item de prova erra quando troca o sentido de uma seta (“reabsorção leva substâncias do sangue para o túbulo”) ou o lugar de um verbo (“a cápsula reabsorve glicose”).
O néfron desenrolado e os três verbos. A seta da filtração sai do sangue para a cápsula; as da reabsorção voltam do túbulo para os capilares peritubulares; as da secreção vão do sangue para o túbulo. O sangue nunca sai dos vasos: o que corre dentro do túbulo é filtrado, e vira urina só no fim do duto coletor. Diagrama autoral, fora de escala.
Filtração: 180 litros por dia atravessam uma peneira de três camadas. A parede do glomérulo é a mais permeável do corpo. O endotélio dos capilares tem poros (fenestras); por fora dele há uma membrana basal; e por fora da membrana basal ficam os podócitos, células da cápsula com prolongamentos em forma de dedos que se entrelaçam e deixam entre si fendas de filtração. Água, íons, glicose, aminoácidos, ureia, creatinina e qualquer molécula pequena passam pelas três camadas. Hemácias, leucócitos e plaquetas não passam, pelo tamanho. As proteínas do plasma, como a albumina, também não passam: são grandes e têm carga negativa, e a membrana basal, também negativa, as repele. O resultado é que o filtrado que cai na cápsula é plasma sem proteínas e sem células, com a mesma concentração de glicose, de sais e de ureia que o sangue. A força que empurra o líquido é a pressão do sangue dentro do glomérulo, mantida alta pelo arranjo das duas arteríolas: cerca de 55 mmHg a favor da filtração, contra uns 15 mmHg de pressão do líquido já acumulado na cápsula e uns 30 mmHg de pressão osmótica das proteínas que ficaram no sangue e puxam água de volta. Sobra uma pressão líquida de filtração de cerca de 10 mmHg, e é ela que produz, nos dois rins juntos, cerca de 125 mL de filtrado por minuto, a taxa de filtração glomerular, que dá 180 litros por dia. Não há 180 litros de plasma no corpo (há uns 3); o mesmo plasma passa pelo filtro dezenas de vezes por dia.
Reabsorção no túbulo proximal: a maior parte volta aqui. O túbulo contorcido proximal recebe os 180 litros e devolve ao sangue, de imediato, cerca de dois terços da água e do sódio e toda a glicose e todos os aminoácidos. O motor é uma bomba de sódio e potássio (Na⁺/K⁺-ATPase) na face da célula voltada para o sangue, que gasta ATP para expulsar Na⁺ da célula e manter sua concentração interna baixa. Com isso, o Na⁺ do filtrado entra na célula a favor do gradiente pela face voltada para o túbulo, e entra acoplado a um transportador que traz glicose junto, contra o gradiente da glicose: é o transporte ativo secundário. A glicose sai depois para o sangue por difusão facilitada. A água acompanha o sal por osmose, e com ela vão outros solutos dissolvidos. Nada disso é escolha da célula: é o conjunto de transportadores que ela tem na membrana, e cada transportador tem um limite. Os detalhes dos mecanismos (bomba, cotransporte, osmose) estão em membrana plasmática e transportes. A ureia é o contraste: pequena e sem transportador dedicado nesse trecho, só uma parte volta por difusão, e a maior parte segue no filtrado. O túbulo proximal também secreta: íons H⁺, amônia, creatinina e fármacos como a penicilina entram no filtrado aqui.
"A glicose aparece na urina de todo mundo; o rim só não deixa sair muita"
Em condições normais, a urina não tem glicose. Toda a glicose filtrada, cerca de 180 g por dia, é reabsorvida no túbulo proximal, porque os transportadores dão conta da quantidade que chega. O limite deles, porém, é finito: os transportadores do túbulo proximal recolhem no máximo algumas centenas de miligramas de glicose por minuto (cerca de 375 mg/min num homem adulto), e, quando a glicemia sobe muito acima do normal, chega ao filtrado mais glicose do que isso; o excedente sai na urina, arrastando água por osmose. Esse é o rastro clássico do diabetes mellitus descontrolado, e explica dois sintomas antigos da doença: urina abundante e sede. A glicose na urina não é um defeito do rim; é um sinal de que o sangue está com glicose demais. O que causa a glicemia alta está em sistema endócrino.
A alça de Henle: o truque que permite urina mais concentrada que o sangue. Se o rim só filtrasse e reabsorvesse no túbulo proximal, a urina teria sempre a mesma concentração do plasma, e um animal terrestre perderia água demais. A alça resolve isso criando, na medula, um ambiente cada vez mais salgado conforme se desce: perto do córtex, o líquido entre os túbulos tem a concentração do plasma, cerca de 300 miliosmóis por litro; na ponta da pirâmide, chega a cerca de 1 200. O mecanismo, em nível escolar, é um par de ramos lado a lado com propriedades opostas e fluxos em sentidos contrários, o que se chama contracorrente. O ramo ascendente é impermeável à água e bombeia sal (Na⁺ e Cl⁻) para fora, para o interstício da medula, gastando ATP: o líquido que sobe fica diluído e a medula fica salgada. O ramo descendente é o oposto: permeável à água e pouco permeável ao sal. O filtrado que desce por ele passa por uma medula cada vez mais salgada e perde água por osmose, concentrando-se até o fundo da alça. Como o sal bombeado pelo ramo ascendente é o que concentra a medula que extrai água do ramo descendente, os dois ramos se reforçam, e o gradiente se mantém. Os vasos da medula, os vasa recta, correm em alça também, trocando água e sal nos dois sentidos, de modo a não lavar o gradiente. A ureia ajuda: parte dela é reciclada entre o duto coletor e a medula interna e contribui para a concentração do fundo. Esse gradiente é um recurso; quem decide usá-lo ou não é o hormônio da próxima etapa.
A alça e o gradiente da medula. O ramo ascendente bombeia sal e não deixa água passar; o ramo descendente deixa a água sair e o filtrado se concentra. O interstício fica salgado de cima para baixo, de 300 a cerca de 1 200 mOsm/L, e é esse gradiente que o duto coletor usa, com ADH, para extrair água da urina. Diagrama autoral, valores aproximados.
Túbulo distal e duto coletor: o ajuste fino. O líquido que chega ao túbulo distal já perdeu quase toda a glicose, os aminoácidos e a maior parte da água, e está diluído. O que acontece daqui até a papila é regulado hormônio a hormônio, e é aqui que o rim obedece ao resto do corpo.
ADH, aquaporinas e aldosterona: o que cada um faz no túbulo
O hormônio antidiurético (ADH, ou vasopressina) é produzido por neurônios do hipotálamo e liberado pela neuro-hipófise quando o sangue está concentrado ou quando o volume de sangue cai. Seu alvo são as células do túbulo distal final e do duto coletor. Sem ADH, a parede dessas células é quase impermeável à água: o líquido diluído que chega passa pelo gradiente da medula sem perder água e sai como urina abundante e clara. Com ADH, as células inserem na membrana voltada para o túbulo canais de água, as aquaporinas, guardados em vesículas dentro da célula. A parede fica permeável, a água sai do duto por osmose para a medula salgada e volta ao sangue, e a urina sai pouca e escura. O ADH não bombeia água: abre a porta; quem move a água é a osmose, e quem fornece o gradiente é a alça. O nome diz o efeito: antidiurético, contra a diurese, contra a produção de urina. Mais ADH, menos urina.
A aldosterona é um hormônio esteroide do córtex da glândula suprarrenal, liberado quando a pressão arterial ou o sódio do sangue caem. Também age no túbulo distal e no duto coletor, mas sobre sais: faz as células reabsorverem mais Na⁺ (e a água vai atrás, por osmose) e secretarem mais K⁺. O resultado é mais sal e mais água no sangue, logo mais volume e mais pressão. ADH cuida da concentração do sangue e age sobre a água; aldosterona cuida do volume e da pressão e age sobre o sódio. Os dois são explicados como hormônios, com suas glândulas e famílias químicas, em sistema endócrino; o PAS 3 de 2022 (item 30) deu o ADH à suprarrenal, e o gabarito foi errado: o ADH é do hipotálamo, a aldosterona é da suprarrenal.
Sem ADH e com ADH. O hormônio não bombeia água: faz a célula do duto coletor pôr aquaporinas na membrana, e a água sai por osmose para a medula salgada e volta ao sangue. Urina pouca e escura quando há ADH; abundante e clara quando não há. Diagrama autoral.
Secreção: o que entra no filtrado pela porta dos fundos. Além de reabsorver, o túbulo distal e o duto coletor secretam. Íons H⁺ são secretados para o filtrado quando o sangue está ácido, e bicarbonato é poupado; é assim que o rim, junto com os pulmões, mantém o pH do sangue perto de 7,4. Íons K⁺ são secretados sob comando da aldosterona. A creatinina, resíduo do metabolismo muscular, é filtrada e ainda um pouco secretada, e por isso serve de marcador. Muitos fármacos e seus metabólitos são secretados ativamente, o que explica por que a dose de vários remédios precisa ser reduzida em quem tem os rins comprometidos: eles ficam mais tempo no sangue. Ao fim do duto coletor, o líquido que goteja pela papila é urina: 1 a 2 litros por dia, em geral 1,5, de um total de 180 filtrados. Mais de 99 % do filtrado voltou ao sangue.
O que a urina carrega e o que um exame lê nela
A urina normal é cerca de 95 % água. Nos 5 % restantes, o soluto mais abundante é a ureia; depois vêm o cloreto de sódio e outros sais, o potássio, a creatinina, o ácido úrico, o amônio, pigmentos e traços de hormônios e de metabólitos de remédios e de alimentos (o cheiro depois de comer aspargo, a cor depois de beterraba). O que não deve estar lá diz tanto quanto o que está.
achado no exame
o que indica
onde a fisiologia explica
glicose (glicosúria)
glicemia acima da capacidade de reabsorção do túbulo proximal; a causa mais comum é o diabetes mellitus; raramente, um defeito do transportador renal
reabsorção no túbulo proximal
proteína (proteinúria, albuminúria)
o filtro glomerular está deixando passar o que não deveria; se persistir, é sinal de lesão renal, comum no diabetes e na hipertensão de longa data
barreira de filtração
sangue (hematúria)
hemácias no trajeto: lesão do glomérulo, cálculo raspando o ureter, infecção, tumor
barreira de filtração e vias urinárias
leucócitos e nitrito
infecção urinária (bactérias convertem nitrato em nitrito)
vias urinárias
creatinina no sangue e taxa de filtração glomerular estimada
a creatinina é filtrada e quase não reabsorvida; se sobe no sangue, o filtro está filtrando menos; a TFG estimada a partir dela é o número que define os estágios da doença renal crônica
filtração
cor e densidade
urina clara e abundante = pouco ADH, muita água; escura e concentrada = muito ADH, pouca água; densidade e osmolaridade vão de cerca de 50 a 1 200 mOsm/L conforme a hidratação
duto coletor e ADH
Depuração: como se mede quanto o rim filtra
Para saber quanto o rim filtra sem abrir o rim, usa-se uma substância que é filtrada livremente e não é reabsorvida nem secretada: tudo o que aparece na urina veio do filtro. A depuração (clearance) dessa substância é o volume de plasma que o rim “limpa” dela por minuto, e vale C=PU×V, com U a concentração na urina, V o volume de urina por minuto e P a concentração no plasma. Exemplo: uma substância com 100 mg/dL na urina, 1 mL de urina por minuto e 1 mg/dL no plasma dá C=1100×1=100 mL/min: a cada minuto, 100 mL de plasma ficaram livres dela, o que é a taxa de filtração. A inulina, um polissacarídeo vegetal, é a substância ideal, mas exige infusão; na prática clínica usa-se a creatinina, que o próprio músculo produz em ritmo constante e que o túbulo quase não reabsorve. Um adulto jovem saudável tem taxa de filtração de cerca de 105 a 125 mL/min, e ela cai devagar com a idade; quando cai de forma persistente, por mais de três meses, abaixo do limite fixado pelas diretrizes, define-se doença renal crônica, e os estágios da doença são definidos por faixas dessa taxa. A conta conserva quantidade: 100 mL/min de depuração não são 100 mL de urina, são 100 mL de plasma equivalentes.
Filtrado e urina, componente a componente. O volume cai 120 vezes; a glicose some porque é toda reabsorvida; o sódio mantém a concentração porque água e sal voltam juntos; a ureia se concentra dezenas de vezes porque quase não volta. Valores aproximados e arredondados, para leitura. Diagrama autoral.
Repare na tabela do diagrama: concentração e quantidade são coisas diferentes. A concentração de sódio é parecida no filtrado e na urina, mas a quantidade de sódio excretada por dia é pequena, porque o volume caiu 120 vezes. A concentração de ureia subiu 60 vezes, mas não porque o rim fabricou ureia: a quantidade filtrada apenas ficou num volume muito menor. Um item que conclui “a urina tem mais ureia que o sangue, logo o rim produz ureia” erra o órgão (quem produz é o fígado) e confunde concentração com produção.
Sede, ADH e a tarde de 38 °C
Volte à corredora da abertura. O que aconteceu com ela é um circuito de controle completo, e a prova o cobrou inteiro em 2022, num bloco de seis itens sobre a sede.
O circuito da sede
A perda. No calor, o corpo produz suor para se resfriar: a evaporação de cada grama de suor retira calor da pele. Quanto mais alta a temperatura, maior a perda de água pela transpiração. Numa tarde de 38 °C de seca, mesmo parada à sombra, uma pessoa pode perder um litro e meio a mais de suor do que num dia ameno; numa corrida, bem mais.
O sinal. O suor é mais diluído que o sangue: sai mais água do que sal. O sangue que sobra fica com os solutos mais concentrados; a osmolaridade do plasma, normalmente perto de 290 mOsm/L, sobe. Repare no sentido: perder água concentra o sangue, inclusive a glicose, cuja concentração relativa sobe. O PAS 3 de 2022, item 29, afirmou o contrário (“a falta de ingestão de água diminui a concentração de glicose no sangue”), e o gabarito foi errado.
O sensor. Osmorreceptores do hipotálamo, neurônios sensíveis à concentração do líquido ao redor, detectam a subida. Receptores de volume nos vasos também avisam quando o volume de sangue cai.
As duas respostas. O hipotálamo dispara a sede, um comportamento, e manda a neuro-hipófise liberar ADH, um hormônio. A sede repõe água pela boca; o ADH impede que os rins percam a que já existe. Se a pessoa não bebesse nada a mais, a urina cairia dos 1,5 L habituais até o piso de uns 500 mL, escura, e ainda assim o balanço do dia fecharia negativo, porque o litro e meio de suor não cabe nessa economia. É por isso que as duas respostas vêm juntas: o rim segura o que pode, e a sede cobra o resto.
O freio. Ela bebe, o sangue dilui, a osmolaridade volta aos 290, os osmorreceptores silenciam, o ADH cai e a urina volta ao normal. É um feedback negativo: o efeito final (sangue diluído) apaga o sinal (sangue concentrado) que pôs o circuito em marcha.
O circuito da sede e a balança da água. Entram cerca de 2,5 litros por dia, contando a água dos alimentos e a produzida pelo metabolismo; saem os mesmos 2,5, e a única saída que o corpo ajusta com precisão é a urina. Perder água concentra o sangue, o hipotálamo percebe, e a resposta vem em dupla: sede e ADH. Diagrama autoral, valores aproximados.
O balanço diário, em números. Um adulto em repouso, em clima ameno, troca cerca de 2,5 litros de água por dia. Entram perto de 2,3 litros pelas bebidas e pelos alimentos (frutas, hortaliças e sopas são quase só água; até o pão francês tem quase 30 %) e cerca de 230 mL produzidos pelo próprio metabolismo, na respiração celular, em que o oxigênio vira água. Saem os mesmos 2,5 litros: a maior parte como urina, em geral 1,5 litro, e o restante pela evaporação na pele mesmo sem suor visível, pelo vapor do ar expirado e pelas fezes. As perdas pela pele e pelos pulmões se chamam insensíveis, porque acontecem sem que a pessoa perceba, e não podem ser desligadas: respirar e manter a pele viva custa água. A urina é a única saída que o corpo regula com precisão, e é por isso que ela varia tanto: pode cair a meio litro num dia quente e passar de três litros em quem bebe muito. No exercício no calor, o suor sozinho pode passar de um litro por hora, e nenhuma economia renal compensa isso; só beber compensa. Quanto beber por dia não tem um número único: depende do peso, do clima, da atividade e da saúde, e a referência geral de ingestão total (bebidas mais alimentos) para adultos fica entre 2,7 e 3,7 litros, como está em água e sais minerais. Esta página não dá recomendação individual.
"Beber muita água limpa os rins" e "sede já é desidratação grave"
As duas frases erram pelo excesso. A primeira: o rim não precisa de água extra para “se limpar”; ele ajusta a urina ao que recebe, e numa pessoa saudável beber além da sede só aumenta o volume de urina clara. Em situações extremas, como provas de longa duração em que se bebe muita água pura sem repor sal, o sódio do sangue pode cair abaixo do normal, a hiponatremia, com náusea, confusão e risco de vida; o caso está em água e sais minerais. A segunda: a sede aparece assim que os osmorreceptores percebem uma subida pequena da osmolaridade, muito antes de qualquer prejuízo. É um alarme precoce, não tardio; a desidratação grave vem com tontura, pressão baixa e urina quase ausente, bem depois da sede. Quem a prova pune é quem inverte sentidos: sede concentra o sangue, não dilui; ADH reduz a urina, não aumenta.
Diuréticos: o que aumenta a urina. Um diurético é qualquer substância que aumenta o volume de urina. O álcool inibe a liberação de ADH pela neuro-hipófise: o duto coletor fica sem aquaporinas, a água não volta, e a urina sai abundante e clara, mais do que o volume bebido. Por isso a ressaca vem com sede e boca seca. A cafeína do café e do chá age de outro modo, aumentando a filtração. Os diuréticos usados como remédio, como a furosemida e as tiazidas, bloqueiam a reabsorção de sal em trechos do túbulo; com menos sal reabsorvido, menos água volta, e o volume de sangue e a pressão caem, o que os torna um dos tratamentos da hipertensão e do inchaço. Os mesmos diuréticos estão na lista de substâncias proibidas da Agência Mundial Antidoping, na classe dos diuréticos e agentes mascaradores: diluir a urina dificulta detectar outras substâncias, e perder água depressa serve para bater o peso em esportes com categorias. Quem os usa sem indicação arrisca desidratação e perda de potássio.
Depois da corrida: a água perdida no suor concentrou o sangue, o hipotálamo disparou a sede e o ADH, e os rins passaram a reter água. A urina das próximas horas sai escura e escassa; a garrafa é a outra metade da resposta.
Renina, angiotensina, aldosterona e a pressão arterial
O rim é um órgão de pressão: filtra por pressão e sente a pressão. Quando a pressão arterial ou o fluxo de sangue que chega ao rim caem (hemorragia, desidratação, insuficiência cardíaca), células especializadas da arteríola aferente, perto do glomérulo, liberam no sangue uma enzima, a renina. A renina corta uma proteína do plasma produzida pelo fígado, o angiotensinogênio, e forma angiotensina I; outra enzima, nos pulmões e no endotélio, converte-a em angiotensina II, o hormônio ativo. A angiotensina II faz quatro coisas, todas no sentido de subir a pressão: contrai arteríolas pelo corpo (mais resistência, pressão sobe na hora); estimula o córtex da suprarrenal a liberar aldosterona, que faz o rim reter sódio e, com ele, água; estimula a liberação de ADH; e dispara a sede. Volume de sangue maior e vasos mais apertados devolvem a pressão ao normal, e a renina para de ser liberada: feedback negativo outra vez. O conjunto se chama sistema renina-angiotensina-aldosterona, e é uma das três alavancas que o corpo usa sobre a pressão, ao lado do coração e do calibre das arteríolas, descritas em sistema cardiovascular.
O sistema renina-angiotensina-aldosterona. O rim sente a queda de pressão e libera renina; a cascata termina na angiotensina II, que aperta os vasos, libera aldosterona e ADH e dá sede. Quando a pressão volta, a renina para. Bloquear a cascata é a base de vários remédios contra a hipertensão. Diagrama autoral.
Esse circuito explica o item mais antigo do rim no PAS 3. O caderno de 2014 trazia um texto sobre hipertensão que terminava apresentando uma vacina testada em animais, cujo princípio era “um anticorpo capaz de inibir a angiotensina II, hormônio capaz de aumentar a pressão arterial”; acima do texto, a prova imprimiu a cascata que você acabou de ler, em forma de esquema: a renina agindo sobre o angiotensinogênio, a enzima conversora gerando a angiotensina II e, a partir dela, dois ramos, um para a aldosterona (rotulado “reabsorção de Na⁺ e retenção de H₂O”) e outro para a vasoconstrição, que desembocavam juntos na pressão arterial. O item 84 perguntou o que a vacina promove nos rins, e a resposta estava desenhada na figura: se é a angiotensina II que, pela aldosterona, faz o túbulo segurar sódio e água, um anticorpo que a neutraliza deixa o rim segurar menos água. Gabarito D: diminuição da retenção de água. As outras opções trocavam o alvo: não há patógeno (o anticorpo mira um hormônio do próprio corpo), bloquear uma proteína não é desligar o gene que a codifica, e inibir a angiotensina II não aumenta a produção de sinalizadores. Pela mesma lógica funcionam dois dos remédios mais usados contra a pressão alta: os inibidores da enzima conversora (os de nome terminado em “pril”) e os bloqueadores do receptor de angiotensina (terminados em “sartana”).
Sal, pressão e rim: a conta do sódio
O sódio que se come decide quanto de água o corpo retém, porque o rim só pode reabsorver água junto com soluto. Dieta com muito sal eleva o volume de sangue e a pressão; pressão alta por anos lesa as pequenas artérias do rim, o rim lesado filtra menos e retém mais sal, e o circuito se fecha para o lado errado. A Organização Mundial da Saúde recomenda aos adultos menos de 5 g de sal por dia (menos de 2 000 mg de sódio; 1 g de sal tem 400 mg de sódio), cerca de uma colher de chá, contando o sal de cozinha e o dos alimentos processados; a média mundial é mais que o dobro. O excesso de sódio é causa estabelecida de pressão alta, e a pressão alta é, junto com o diabetes, uma das duas principais causas de doença renal crônica no Brasil. A redução do sal nos alimentos industrializados é política pública, descrita em sistema cardiovascular e água e sais minerais.
Quando o rim falha: doença renal crônica, diálise e transplante
Os rins têm reserva: uma pessoa vive bem com um só, e os sinais da perda de função costumam aparecer só quando mais da metade dela já se foi. É por isso que a doença renal crônica (DRC) é silenciosa. Define-se DRC como a perda progressiva e irreversível da função dos rins por mais de três meses, medida pela queda da taxa de filtração glomerular e pela presença de lesão (albumina na urina, por exemplo). Ela é dividida em estágios pela taxa de filtração: nos primeiros, o tratamento é conservador, controlando a causa; nos últimos, quando a filtração cai a uma fração pequena do normal, é preciso substituir a função por diálise ou transplante.
Os números do Brasil: Censo de Diálise e transplantes
A Sociedade Brasileira de Nefrologia faz todo ano o Censo Brasileiro de Diálise. O inquérito de 2024 estimou 172 585 pessoas em diálise crônica no Brasil em 1.º de julho de 2024, com 52 944 pacientes novos naquele ano; a prevalência era de 812 por milhão de habitantes, e vem subindo todo ano. Entre os que estavam em diálise, 87,3 % faziam hemodiálise, 7,1 % hemodiafiltração e 5,6 % diálise peritoneal; 79 % tinham o tratamento pago pelo Sistema Único de Saúde. As duas principais causas da falência renal eram, pela primeira vez empatadas, a hipertensão e o diabetes, com 29 % dos casos cada uma. A mortalidade anual estimada passava de 16 %.
Do lado do transplante, o Sistema Nacional de Transplantes, criado pela Lei 9.434 de 1997, mantém a lista única de espera e coordena a doação de órgãos no país, com os procedimentos pagos pelo SUS. Os registros da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos somaram 6 047 transplantes de rim em 2023, entre doadores vivos e falecidos, contra 4 656 em 2010; no mesmo período, a lista de espera por um rim cresceu de 33 253 para 38 258 pessoas. A fila cresce, e os transplantes também, mas não no mesmo ritmo.
Hemodiálise: o filtro fora do corpo. A hemodiálise substitui a filtração e parte da regulação, e só isso. O sangue sai por uma agulha de uma veia preparada (em geral, uma fístula no braço, em que uma artéria é ligada a uma veia para que ela se alargue), passa por uma bomba e entra no dialisador, um cilindro cheio de milhares de fibras ocas de membrana semipermeável. Dentro das fibras corre o sangue; por fora, em contracorrente, corre o dialisato, uma solução de água purificada com sais na concentração desejada. Pelos poros da membrana, a ureia, a creatinina, o potássio e o fosfato em excesso passam do sangue para o dialisato, a favor do gradiente, por difusão; a água em excesso é retirada por uma diferença de pressão. Proteínas e células não passam, como no glomérulo. O sangue volta limpo ao corpo. Uma sessão típica dura cerca de quatro horas, três vezes por semana, e precisa ser repetida porque o metabolismo não para. Na diálise peritoneal, a membrana é a do próprio abdome: um cateter introduz o dialisato na cavidade peritoneal, as trocas acontecem pelos capilares do peritônio, e o líquido é drenado horas depois; pode ser feita em casa, inclusive à noite.
A hemodiálise reproduz o glomérulo com uma membrana artificial: resíduos pequenos passam por difusão para o dialisato, a água em excesso sai por pressão, proteínas e células ficam. A máquina filtra e só; não produz hormônios nem regula o pH com a precisão do rim, e por isso o transplante é o tratamento definitivo. Diagrama autoral, fora de escala.Quatro horas, três vezes por semana: o cilindro branco ao lado da máquina é o dialisador, com milhares de fibras ocas por onde o sangue passa enquanto o dialisato corre por fora. No Brasil, mais de 170 mil pessoas dependem dessa rotina, quase todas pelo SUS.
O que a diálise não faz diz tanto quanto o que faz. O rim é também um órgão endócrino: produz eritropoetina, o hormônio que manda a medula óssea fabricar hemácias, e ativa a vitamina D, necessária para absorver cálcio. Quem está em diálise costuma ter anemia e doença óssea por isso, e recebe os dois como remédio. A diálise não cura a DRC: mantém a pessoa viva enquanto a função não volta (na lesão aguda, ela pode voltar) ou enquanto se espera um transplante. O transplante renal é o tratamento definitivo: um rim de doador vivo (um parente compatível, em geral) ou de doador falecido é implantado na pelve, ligado aos vasos ilíacos e à bexiga, e os rins originais em geral ficam onde estão. O receptor toma imunossupressores pelo resto da vida, para que o sistema imune não rejeite o órgão, pelo mecanismo descrito em vacinas e soros. Um rim transplantado, bem cuidado, trabalha por décadas.
Por que a filtragem não cabe a uma bomba cardíaca
No PAS 3 de 2025, o item 42 afirmou que dispositivos de assistência circulatória que desempenham a função das câmaras do coração realizam a filtragem e a oxigenação do sangue. Gabarito errado: cada órgão tem seu verbo, e cada máquina substitui um só. A bomba substitui o bombear do coração; a oxigenação por membrana extracorpórea substitui o oxigenar do pulmão; a hemodiálise substitui o filtrar do rim. Nenhuma faz o serviço da outra. O item é da página de sistema cardiovascular, mas o raciocínio é o desta.
Cálculo renal, infecção urinária, gota e remédios que pesam no rim
Cálculo renal. A urina é uma solução concentrada, e alguns de seus solutos (oxalato de cálcio, fosfato de cálcio, ácido úrico) podem cristalizar quando a concentração sobe demais ou quando o pH favorece. Os cristais crescem e formam a “pedra” nos cálices ou na pelve. Enquanto parada, ela pode não doer; quando desce pelo ureter, de parede muscular e luz estreita, provoca uma dor muito intensa, a cólica renal, em ondas (o peristaltismo do ureter tentando empurrá-la), com sangue na urina. Pedras pequenas saem sozinhas; as maiores são quebradas por ondas de choque ou retiradas por endoscopia. Os fatores que a epidemiologia aponta são a urina concentrada por pouca ingestão de água e muito calor (a “pedra” é mais comum em regiões quentes e no verão), o excesso de sal e de proteína animal na dieta, a história familiar e algumas doenças do metabolismo. O raciocínio físico é o da solubilidade: mais água na urina, soluto mais diluído, menos cristal.
Infecção urinária. As vias urinárias são estéreis, mas a uretra se abre perto do ânus, e bactérias do intestino, sobretudo Escherichia coli, podem subir por ela até a bexiga (cistite) e, mais raramente, pelos ureteres até o rim (pielonefrite). A infecção urinária é cerca de quatro vezes mais comum em mulheres do que em homens, e a razão é anatômica: a uretra feminina tem cerca de 4 cm, contra uns 20 cm da masculina, e fica mais perto do ânus, logo é uma barreira menor para as bactérias chegarem à bexiga. Os sinais são ardor ao urinar, vontade frequente, urina turva; o exame mostra leucócitos e nitrito; o tratamento é com antibiótico. Beber água e não segurar a urina por muito tempo diminuem o risco, porque o fluxo lava a uretra; nada disso é falha de higiene de quem adoece.
Gota. O ácido úrico, produto da degradação das purinas, é pouco solúvel. Quando sua concentração no sangue sobe, por produção maior (dieta rica em purinas, como carnes vermelhas, vísceras, frutos do mar e cerveja, ou renovação celular acelerada) ou por excreção menor (rins que o eliminam mal, alguns diuréticos), ele cristaliza nas articulações, de preferência nas mais frias, como a do dedão do pé. Os cristais disparam uma inflamação aguda: a articulação fica vermelha, quente e tão dolorida que o peso do lençol incomoda. A mesma química que faz do ácido úrico a excreta ideal para a ave (insolúvel, sai em cristais) o torna um problema para o mamífero quando se acumula. O tratamento combina anti-inflamatórios na crise e remédios que reduzem a produção ou aumentam a excreção do ácido úrico.
Remédios e rins. O rim recebe um quarto do sangue e concentra o que filtra, logo está exposto a tudo o que circula. Anti-inflamatórios não esteroides usados em excesso ou por muito tempo reduzem o fluxo de sangue no glomérulo e podem lesar o rim, sobretudo em quem já tem a função reduzida, está desidratado ou é idoso; o Ministério da Saúde lista o uso de agentes nefrotóxicos entre os fatores de risco da DRC. Muitos antibióticos, contrastes de exames de imagem e alguns quimioterápicos também exigem cuidado. E, como o rim é a saída de boa parte dos fármacos, a dose de vários remédios é ajustada à taxa de filtração do paciente. Nenhuma recomendação individual cabe aqui: quem decide dose e remédio é quem prescreve.
A pele e o fígado: dois sócios da excreção
Pele. As glândulas sudoríparas da derme, descritas em tecidos humanos, produzem o suor: água com sais (sobretudo cloreto de sódio), um pouco de ureia, ácido láctico e amônia. Como via de excreção de nitrogênio, o suor é secundário; como via de perda de água e de sal, é decisivo, e sua função principal é outra: termorregulação. Para evaporar, cada grama de água retira da pele cerca de 2 400 J de calor, e é essa evaporação, não o suor líquido escorrendo, que esfria o corpo. Num ambiente úmido o suor não evapora, escorre, e não refresca. É por isso que a frase do PAS 3 de 2022, item 27, está certa: quanto mais alta a temperatura, maior a perda de água pela transpiração. O suor é comandado pelo hipotálamo, o mesmo centro que controla a sede e o ADH; o rim responde depois, retendo a água que a pele gastou. O rim também não excreta o gás carbônico: isso é trabalho dos pulmões, em sistema respiratório.
Fígado. O fígado não faz parte do sistema urinário, mas é a estação de pré-excreção do corpo. Ele converte a amônia em ureia (a excreta principal), transforma a hemoglobina das hemácias velhas em bilirrubina, o pigmento que sai na bile e dá cor às fezes (e à pele, na icterícia, quando se acumula), e modifica quimicamente hormônios, álcool e fármacos para torná-los mais solúveis em água, de modo que o rim possa eliminá-los. Sem o fígado, o rim não teria o que filtrar na forma certa; sem o rim, o que o fígado prepara se acumula. O detalhe do órgão está em sistema digestório.
Quem descobriu cada peça
ano
quem
o quê
1666
Marcello Malpighi
com um dos primeiros microscópios, descreve os corpúsculos do rim (até hoje “corpúsculos de Malpighi”, e “glomérulo malpigiano” na prova do PAS) e as pirâmides da medula
1842
William Bowman
aos 25 anos, apresenta à Royal Society o trabalho “Sobre a estrutura e o uso dos corpos malpighianos do rim”, mostrando que a cápsula envolve o glomérulo e se continua no túbulo; ganha a Medalha Real, e a cápsula leva seu nome
1943
Willem Kolff
nos Países Baixos ocupados, constrói o primeiro rim artificial funcional, com latas de suco, peças de automóvel e tripa de salsicha como membrana; em 1945 trata com sucesso a primeira paciente, uma mulher de 67 anos em coma urêmico
23 de dezembro de 1954
Joseph Murray
realiza em Boston o primeiro transplante de rim bem-sucedido, entre os gêmeos idênticos Richard e Ronald Herrick; a identidade genética evitou a rejeição; Nobel de Fisiologia ou Medicina de 1990, com E. Donnall Thomas, pelas descobertas sobre transplante de órgãos e células
2003
Peter Agre
Nobel de Química pela descoberta dos canais de água, as aquaporinas, a proteína que o ADH manda inserir na membrana do duto coletor; a história da descoberta está em membrana plasmática e transportes
A tabela conta a história de uma pergunta, a de como um órgão tão pequeno produz tanta urina. Malpighi viu o novelo, Bowman mostrou que ele é o começo de um tubo, a fisiologia do século XX mediu o que entra e o que sai, Kolff copiou o filtro com uma membrana, Murray trocou o órgão inteiro e Agre achou a porta por onde a água passa.
Leitura de dados: quatro conjuntos que a prova usa
Uma tabela de filtrado e urina. Dadas as concentrações de uma substância no plasma, no filtrado e na urina, pergunte três coisas. Está no filtrado na mesma concentração do plasma? Então atravessou o filtro livremente (glicose, ureia, sais). Está zerada no filtrado? Então não passou (proteínas, células). Sumiu na urina? Foi toda reabsorvida (glicose). Concentrou-se dezenas de vezes? Foi pouco reabsorvida e o volume caiu (ureia). Manteve a concentração? Voltou junto com a água (sódio). E a conta que fecha a leitura: volume de filtrado dividido por volume de urina dá o fator de concentração máximo, 180 / 1,5 = 120 vezes; uma substância que se concentrou menos que isso foi parcialmente reabsorvida, e uma que se concentrou mais foi secretada.
A concentração de ureia ao longo do néfron. Num gráfico com a concentração de ureia no eixo vertical e os trechos do néfron no horizontal, a curva começa igual à do plasma na cápsula, sobe no túbulo proximal (a água volta ao sangue mais depressa que a ureia), sobe mais na alça descendente (mais água sai), fica estável na alça ascendente (o que sai dali é sal, e a ureia permanece no mesmo volume) e dispara no duto coletor quando há ADH, porque a água sai e a ureia fica. A curva do sódio é outra: quase constante no proximal, sobe na descendente e cai na ascendente, onde o sal é bombeado para fora. Se o gráfico mostrar a curva da glicose, ela cai a zero ainda no túbulo proximal. Se mostrar a de proteínas, é zero do começo ao fim.
Volume de urina em função do ADH. Um gráfico de volume de urina por hora contra o tempo, depois de beber um litro de água: nos primeiros minutos nada muda; em meia hora o sangue dilui, o ADH cai, as aquaporinas somem do duto coletor e o volume sobe várias vezes; em duas ou três horas o litro extra saiu e o volume volta ao basal. A mesma curva com sal (um litro de solução salgada) quase não sobe, porque o sangue não diluiu. E a curva depois de álcool sobe ainda mais que a da água pura, porque o ADH foi inibido além da diluição. Em qualquer versão, a pergunta é a mesma: o que aconteceu com a osmolaridade do sangue, e o ADH subiu ou desceu.
Uma tabela de balanço hídrico. Dadas as entradas (bebidas, alimentos, água metabólica) e as saídas (urina, pele, pulmões, fezes), a soma das duas colunas tem de bater em quem está em equilíbrio. Se a prova dá todas as saídas menos a urina, a urina é a diferença. Se dá um aumento de suor sem aumento de ingestão, a urina tem de cair no mesmo valor, e há um limite: a urina não cai abaixo de uns 500 mL, o mínimo necessário para dissolver os solutos do dia; abaixo disso o balanço fica negativo e a pessoa desidrata. Esse mínimo é o motivo pelo qual comer muita proteína sem beber água desidrata: mais ureia pede mais água mínima.
Erros clássicos e como a prova os explora
“O rim filtra o sangue e joga fora o filtrado.” O rim filtra 180 litros e joga fora 1,5: mais de 99 % do filtrado volta ao sangue por reabsorção. Filtrar é só o primeiro verbo.
“Urina é só água e ureia.” Tem sais (sobretudo cloreto de sódio), potássio, creatinina, ácido úrico, amônio, pigmentos, metabólitos de remédios; a ureia é o soluto mais abundante, não o único.
“A glicose normal aparece na urina.” Não aparece: é toda reabsorvida no túbulo proximal. Aparece quando a glicemia supera a capacidade dos transportadores, o rastro do diabetes mellitus descontrolado.
“ADH aumenta a urina.” Antidiurético é contra a diurese: aumenta a reabsorção de água, a urina diminui e fica concentrada. Álcool inibe o ADH e aumenta a urina.
“O ADH é produzido pela suprarrenal.” O ADH nasce em neurônios do hipotálamo e só é armazenado e lançado pela neuro-hipófise; da suprarrenal sai a aldosterona. Foi o erro do item 30 do PAS 3 de 2022.
“A bexiga produz urina.” A bexiga só armazena; quem produz é o rim, continuamente. Uma bexiga cheia não filtrou nada.
“A uretra leva a urina do rim à bexiga.” Esse é o ureter, dois, um por rim. A uretra é uma e leva a urina da bexiga para fora. Item 31 do PAS 3 de 2022, gabarito errado.
“O sangue entra na cápsula e sai pela uretra.” O sangue nunca sai dos vasos: entra pela artéria renal, passa pelo glomérulo e sai pela veia renal. O que corre nos túbulos é filtrado, plasma sem proteínas, e vira urina só no fim do duto coletor (item 32 do PAS 3 de 2022, gabarito A).
“Beber muita água limpa os rins.” O rim não precisa de água extra para funcionar numa pessoa saudável; o excesso só aumenta a urina clara, e no extremo dilui o sódio do sangue.
“Sede é sinal de desidratação grave.” A sede é o alarme precoce, disparado por uma pequena subida da osmolaridade; a desidratação grave vem muito depois, com tontura, pressão baixa e urina quase ausente.
“Perder água dilui o sangue.” Perder água concentra o sangue, inclusive a glicose. Item 29 do PAS 3 de 2022, gabarito errado.
“Ácido úrico é mais tóxico que amônia.” É o contrário. Amônia: muito tóxica, muito solúvel, de quem vive na água. Ácido úrico: pouco tóxico, insolúvel, de quem põe ovo com casca e economiza água. Economizar não é estocar.
“O rim excreta CO₂.” O CO₂ sai pelos pulmões. O rim excreta ureia, sais, água e ácidos; o que ele faz pelo pH é secretar H⁺ e poupar bicarbonato.
“O fígado faz parte do sistema urinário.” Não faz; ele produz a ureia e prepara outras substâncias para o rim eliminar. O sistema urinário são rins, ureteres, bexiga e uretra.
“Diálise cura a doença renal crônica.” A diálise substitui a filtração enquanto a função não volta ou enquanto se espera o transplante; ela não devolve néfrons nem produz eritropoetina.
“Dispositivos de assistência circulatória filtram e oxigenam o sangue.” Substituem só o bombeamento; filtrar é do rim, oxigenar é do pulmão (PAS 3 2025, item 42, gabarito errado).
“A vacina antiangiotensina age contra um patógeno.” O anticorpo mira um hormônio do próprio corpo, a angiotensina II, e o efeito no rim é menos retenção de água (PAS 3 2014, item 84, gabarito D).
“Fezes são excreção.” Fezes são egestão, o que não foi absorvido. Excreção é o resíduo do metabolismo: ureia, CO₂, sais em excesso.
O essencial em meia página
Excreção = eliminar resíduos do metabolismo (ureia, CO₂, sais, água em excesso); fezes são egestão. O nitrogênio dos aminoácidos vira amônia (desaminação) e, no fígado, ureia (ciclo da ureia, gasta ATP; 20 a 30 g/dia); ácido úrico vem das purinas. A ureia só sai dissolvida: custa água.
Comparada: amônia (tóxica, solúvel, barata, só na água: peixes ósseos, larvas), ureia (meio-termo: mamíferos, anfíbios adultos, tubarões), ácido úrico (insolúvel, poupa água, cara: aves, répteis, insetos; compatível com o ovo com casca, depositado no alantoide). Peixe de água doce: urina abundante e diluída; marinho: bebe, pouca urina, bombeia sal.
Anatomia: 2 rins (11 a 14 cm, ~150 g, córtex com os glomérulos, medula com pirâmides, papilas → cálices → pelve), 2 ureteres (rim → bexiga, ~30 cm, peristaltismo), 1 bexiga (armazena), 1 uretra (bexiga → exterior; 4 cm mulher, 20 cm homem). Artéria renal → arteríola aferente → glomérulo → arteríola eferente → capilares peritubulares → veia renal. 20 a 25 % do débito cardíaco (1,2 L/min); ~1,3 milhão de néfrons por rim.
Néfron: corpúsculo (glomérulo + cápsula de Bowman) + túbulo proximal + alça de Henle + túbulo distal + duto coletor. Filtração (sangue → cápsula; pressão, 55 − 15 − 30 = 10 mmHg; sem ATP; passam água, sais, glicose, ureia; ficam proteínas e células): 125 mL/min = 180 L/dia. Reabsorção (túbulo → sangue; seletiva): proximal devolve ~2/3 da água e do Na⁺ e toda a glicose (transporte ativo secundário + osmose); alça cria o gradiente da medula (300 → 1 200 mOsm/L; ascendente bombeia sal e é impermeável à água, descendente perde água); distal e coletor fazem o ajuste fino. Secreção (sangue → túbulo): H⁺, K⁺, NH₃, creatinina, fármacos. Urina: ~1,5 L/dia, 95 % água; > 99 % do filtrado reabsorvido.
ADH (hipotálamo → neuro-hipófise; sangue concentrado ou volume baixo): aquaporinas no duto coletor → água volta por osmose → urina pouca e escura. Álcool inibe ADH. Aldosterona (córtex da suprarrenal; pressão ou Na⁺ baixos): reabsorve Na⁺ e água, secreta K⁺. Sede: osmorreceptores do hipotálamo, com o ADH; perder água concentra o sangue (PAS 3 2022/29 E); mais calor, mais suor (2022/27 C); ureter ≠ uretra (2022/31 E); siga o sangue: aorta → artérias renais → glomérulo → cápsula (2022/32 A).
Balanço: ~2,5 L/dia entram (bebidas + alimentos + ~230 mL metabólica) e saem (urina ~1,5 L, a única saída regulada; pele, pulmões e fezes o resto). Mínimo de urina ~0,5 L para dissolver os solutos.
Renina-angiotensina-aldosterona: pressão cai → rim libera renina → angiotensina II → vasoconstrição + aldosterona + ADH + sede → pressão sobe. Vacina antiangiotensina → menos retenção de água (PAS 3 2014/84 D). OMS: < 5 g de sal/dia.
Exames: glicosúria (diabetes), proteinúria (filtro lesado), hematúria, nitrito (infecção), creatinina e TFG (C=UV/P; DRC = queda persistente da TFG por > 3 meses). Osmolaridade da urina 50 a 1 200 mOsm/L.
Saúde: DRC silenciosa; causas: hipertensão e diabetes (29 % cada, Censo SBN 2024); 172 585 em diálise (2024), 79 % pelo SUS; hemodiálise = filtrar com membrana, 4 h, 3×/semana, não produz eritropoetina nem cura; transplante = definitivo (6 047 rins em 2023; 38 258 na fila). Cálculo: urina concentrada cristaliza. ITU: 4× mais em mulheres, uretra curta. Gota: ácido úrico cristaliza nas articulações. AINEs e outros nefrotóxicos pesam no rim. Diuréticos: proibidos no esporte (mascaram).
Pele: suor = água, sais, pouca ureia; função principal é termorregulação (evaporação). Fígado: ureia, bilirrubina, prepara fármacos; não é do sistema urinário. Pulmão: CO₂.
História: Malpighi 1666 (corpúsculos), Bowman 1842 (cápsula), Kolff 1943 (rim artificial; 1.ª paciente 1945), Murray 1954 (1.º transplante, gêmeos; Nobel 1990), Agre (aquaporinas; Nobel de Química 2003).
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Flashcards temporariamente indisponíveis
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Sistema Excretor (URINÁRIO) - Aula 30 - Módulo 7: Fisiologia Humana
Prof. Guilherme Goulart - Biologia · 25:42
Introdução. Aula de 26 minutos com capítulos: sistema urinário × sistema excretor, funções do sistema urinário (eliminar excretas nitrogenadas, regular pH e pressão, equilíbrio osmótico), partes do sistema e o néfron. Cobre as seções “Todo metabolismo produz lixo”, “Dois rins, dois ureteres, uma bexiga, uma uretra” e o começo de “O néfron, passo a passo”. Assista antes de ler e, quando ele apresentar as partes, diga em voz alta quantos ureteres e quantas uretras existem.
Sistema Excretor/Urinário - Néfron: A unidade funcional dos Rins - Anatomia Humana - VideoAula 031
Anatomia Fácil com Rogério Gozzi · 21:35
Aprofundamento. Videoaula de 22 minutos que descreve a anatomia do néfron e como ele filtra o sangue, reabsorve nutrientes e eletrólitos e excreta as toxinas na formação da urina, com a composição da urina (95 % de água). É a seção “O néfron, passo a passo” e a alça de Henle. Pause em cada trecho do túbulo e diga, antes dele, qual verbo acontece ali (filtrar, reabsorver, secretar) e em que sentido a seta aponta.
EXCRETAS NITROGENADAS - Amônia, Uréia, Ácido Úrico | Biologia com Samuel Cunha
Biologia com Samuel Cunha · 12:35
Aplicação. Aula de 13 minutos sobre as três excretas nitrogenadas e os grupos animais que usam cada uma, com a relação entre toxicidade, solubilidade e economia de água. Corresponde à seção “Amônia, ureia ou ácido úrico: cada grupo paga a conta de um jeito”. Enquanto assiste, preencha a tabela da página (toxicidade, solubilidade, custo em água, custo em energia) e confira o caso do ovo com casca e do alantoide.
Resumão do Vitão - Fisiologia Humana - Sistema Excretor + 11 questões ENEM, FUVEST, UNICAMP, UERJ
QUIBIO com Vitor Considera · 49:59
Resolução de questões. Vídeo de 50 minutos em que o professor resolve 11 questões de vestibulares, organizadas por trecho do néfron (anatomia, filtração, reabsorção no túbulo proximal, alça, túbulo distal e duto coletor, diabetes insipidus). Use-o depois das questões desta página: para cada questão do vídeo, tente responder com os três verbos e com a regra do ADH (sangue concentrado, mais ADH, menos urina) antes de ouvir a resolução.
Três moléculas para o mesmo nitrogênio. Da esquerda para a direita, cai a toxicidade e o gasto de água e sobe o gasto de energia: a amônia é de quem vive na água, o ácido úrico é de quem põe ovo com casca e precisa poupar água, a ureia é o meio-termo dos mamíferos. As barras são qualitativas, fora de escala. Diagrama autoral.As quatro peças e o rim por dentro. O sangue entra pela artéria renal e sai pela veia renal; a urina sai pelo ureter. No corte, os glomérulos ficam no córtex, as alças e os dutos coletores descem pelas pirâmides da medula, e as papilas gotejam urina pronta nos cálices, que a reúnem na pelve. Diagrama autoral, fora de escala.Um rim aberto ao meio: a faixa clara do córtex por fora, as pirâmides escuras da medula por dentro, a pelve em funil ligada ao ureter. Cada rim tem cerca de 1,3 milhão de néfrons, e cada um deles começa no córtex, onde fica o glomérulo, e desce pela medula, onde a urina é concentrada.O néfron desenrolado e os três verbos. A seta da filtração sai do sangue para a cápsula; as da reabsorção voltam do túbulo para os capilares peritubulares; as da secreção vão do sangue para o túbulo. O sangue nunca sai dos vasos: o que corre dentro do túbulo é filtrado, e vira urina só no fim do duto coletor. Diagrama autoral, fora de escala.A alça e o gradiente da medula. O ramo ascendente bombeia sal e não deixa água passar; o ramo descendente deixa a água sair e o filtrado se concentra. O interstício fica salgado de cima para baixo, de 300 a cerca de 1 200 mOsm/L, e é esse gradiente que o duto coletor usa, com ADH, para extrair água da urina. Diagrama autoral, valores aproximados.Sem ADH e com ADH. O hormônio não bombeia água: faz a célula do duto coletor pôr aquaporinas na membrana, e a água sai por osmose para a medula salgada e volta ao sangue. Urina pouca e escura quando há ADH; abundante e clara quando não há. Diagrama autoral.Filtrado e urina, componente a componente. O volume cai 120 vezes; a glicose some porque é toda reabsorvida; o sódio mantém a concentração porque água e sal voltam juntos; a ureia se concentra dezenas de vezes porque quase não volta. Valores aproximados e arredondados, para leitura. Diagrama autoral.O circuito da sede e a balança da água. Entram cerca de 2,5 litros por dia, contando a água dos alimentos e a produzida pelo metabolismo; saem os mesmos 2,5, e a única saída que o corpo ajusta com precisão é a urina. Perder água concentra o sangue, o hipotálamo percebe, e a resposta vem em dupla: sede e ADH. Diagrama autoral, valores aproximados.Depois da corrida: a água perdida no suor concentrou o sangue, o hipotálamo disparou a sede e o ADH, e os rins passaram a reter água. A urina das próximas horas sai escura e escassa; a garrafa é a outra metade da resposta.O sistema renina-angiotensina-aldosterona. O rim sente a queda de pressão e libera renina; a cascata termina na angiotensina II, que aperta os vasos, libera aldosterona e ADH e dá sede. Quando a pressão volta, a renina para. Bloquear a cascata é a base de vários remédios contra a hipertensão. Diagrama autoral.A hemodiálise reproduz o glomérulo com uma membrana artificial: resíduos pequenos passam por difusão para o dialisato, a água em excesso sai por pressão, proteínas e células ficam. A máquina filtra e só; não produz hormônios nem regula o pH com a precisão do rim, e por isso o transplante é o tratamento definitivo. Diagrama autoral, fora de escala.Quatro horas, três vezes por semana: o cilindro branco ao lado da máquina é o dialisador, com milhares de fibras ocas por onde o sangue passa enquanto o dialisato corre por fora. No Brasil, mais de 170 mil pessoas dependem dessa rotina, quase todas pelo SUS.O tratamento definitivo: o rim do doador é implantado na pelve do receptor e ligado aos vasos ilíacos e à bexiga, e os rins originais em geral ficam onde estão. Foram 6 047 transplantes de rim no Brasil em 2023, pela lista única do Sistema Nacional de Transplantes, com imunossupressão pelo resto da vida.A cor diz o ADH: clara e abundante quando há muita água, âmbar e escassa quando o hormônio mandou reter. A fita lê o resto: glicose (glicemia acima da capacidade do túbulo), proteína (filtro lesado), sangue, nitrito e leucócitos (infecção).A peneira de três camadas vista de fora: os dedos dos podócitos se entrelaçam sobre os capilares e deixam fendas por onde passam água, sais, glicose e ureia, mas não proteínas nem células. Por essas fendas, nos dois rins, atravessam cerca de 125 mL de plasma por minuto.A fístula é uma artéria ligada cirurgicamente a uma veia: a veia se alarga e passa a suportar as agulhas e o fluxo de três sessões por semana. Por uma linha o sangue sai para o dialisador; pela outra, volta sem a ureia, o potássio e a água que sobravam.Um rim aberto ao meio: a faixa clara do córtex por fora, as pirâmides escuras da medula por dentro, a pelve em funil ligada ao ureter. Cada rim tem cerca de 1,3 milhão de néfrons, e cada um deles começa no córtex, onde fica o glomérulo, e desce pela medula, onde a urina é concentrada.Vinte e um dias fechado numa casca, e o lixo nitrogenado ficou dentro, em cristais quase insolúveis de ácido úrico guardados no alantoide. A amônia envenenaria o líquido do ovo; a ureia puxaria água por osmose. O ácido úrico foi a solução que permitiu a répteis e aves se reproduzirem longe da água.Depois da corrida: a água perdida no suor concentrou o sangue, o hipotálamo disparou a sede e o ADH, e os rins passaram a reter água. A urina das próximas horas sai escura e escassa; a garrafa é a outra metade da resposta.
Rota PAS 3
Histologia e fisiologia humana: o corpo em rede · PAS 3
Fontes desta página
Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.
Rota PAS 3 — Histologia e fisiologia humana: o corpo em rede · Abertura e aquecimento (homeostase, feedback negativo, sede); O que cai daqui (linha digestão e excreção: ureia custa água; néfron filtra, reabsorve, secreta; ureter ≠ uretra; sede concentra o sangue); Digestão e excreção: onde cada transformação acontece e quem paga em água (metade excretora: conceito, exemplo do dia de 35 °C, itens 2014/84 e 2022/29, citação dos itens 2022/27, 30, 31 e 32 e do anulado 2022/28, armadilha dos dois canos); Banco de treino T11 a T15 (itens 2022/27, 31 e 32 verbatim; T12 e T15 são variantes e inspiraram questões autorais)
Fonte principal. A metade digestória da seção e os itens 2010/25, 2012/28, 2012/110 e 2012/111 pertencem à página de sistema digestório; o item 2022/30 (ADH) pertence à de sistema endócrino e foi referenciado por GUID; o 2014/82 (DNA recombinante) é de biotecnologia.
Rota PAS 3 — Resoluções do banco de treino · T11 (2022/27, C), T12 (variante de 2022/30), T13 (2022/31, E), T14 (2022/32, A), T15 (variante de 2022/28, E)
Conferência dos gabaritos dos itens reais do bloco da sede e do padrão de erro de cada um.
Rota PAS 3 — Gabarito do banco de treino · T11 C, T12 C, T13 E, T14 A, T15 E
Gabaritos conferidos contra as resoluções.
Rota PAS 2 — Zoologia: a ficha fisiológica de cada classe · Aquecimento (o corpo elimina o nitrogênio que sobra); Embriologia (alantoide como depósito de ácido úrico no ovo amniótico); Vertebrados (peixes ósseos amoniotélicos, cartilaginosos com ureia, anfíbios adultos com ureia, répteis e aves com ácido úrico; armadilha economizar não é estocar); Resolvido sobre cada excreta com seu dono
Base da seção de excreção comparada. Os itens reais dessa seção (2015/70, 2016/80, 2018/51) são de zoologia e não foram usados.
Biologia EM1 — Bloco PAS do capítulo 6 (membrana e transportes) · Item autoral sobre o marinheiro que bebe água do mar e gabarito comentado (água do mar ≈ 1 000 mOsm/L contra ≈ 290 do plasma)
Valor da osmolaridade do plasma usado na seção da sede e na questão de osmolaridade.
Biologia EM1 — Bloco PAS do capítulo 3 (água e sais) · Item autoral sobre o suor e a evaporação
Coerência da seção sobre pele e termorregulação.
OpenStax, Anatomy and Physiology 2e — capítulo 25 (sistema urinário) e seção 26.2 (balanço hídrico) · 25.1 (volume 1 a 2 L/dia, mínimo 500 mL, osmolaridade 50 a 1 200 mOsm/L, urocromo), 25.2 (ureter 30 cm, uretra 4 cm e 20 cm, infecção urinária), 25.3 (rim 11 a 14 cm e 125 a 175 g, córtex, pirâmides, pelve, 25 % do débito, 1,3 milhão de néfrons), 25.5 (125 mL/min, 180 L/dia, pressões 55, 15, 30 e 10 mmHg, creatinina), 25.6 (67 % no proximal, transporte ativo secundário, secreção), 25.9 (ADH, aldosterona, álcool e cafeína), 26.2 (2 500 mL/dia, 230 mL metabólica, osmorreceptores)