Um corte no dedo fecha em uma semana com células novas que têm os mesmos 46 cromossomos da célula que as originou; no ovário e no testículo, outra divisão produz células com 23. Como a célula faz as duas coisas, por que a segunda precisa de duas divisões, e como se conta cromossomos e DNA em cada fase para não cair nas trocas que a prova arma?
O que você vai aprender
Definir mitose e meiose pelo resultado (duas células iguais; quatro células haploides diferentes) e classificar uma situação dada (cicatrização, ameba, gameta, esporo, zangão) pelo tipo de divisão.
Usar com precisão cromossomo, cromátide-irmã, centrômero, homólogo, n, 2n e C, contando cromossomos pelos centrômeros e DNA pelas cromátides.
Explicar que a replicação do DNA ocorre uma vez, na fase S, antes de qualquer divisão, e que a divisão reparte cópias em vez de produzi-las.
Descrever prófase, metáfase, anáfase, telófase e citocinese da mitose, dizendo o que acontece com cromossomos, envoltório nuclear, fuso e centríolos em cada fase.
Comparar a mitose animal e a vegetal (centríolos e áster; anel contrátil e placa celular) e distinguir mitose de fissão binária.
Dar o número de cromossomos, de cromátides e de moléculas de DNA por célula em qualquer fase da mitose e da meiose, para 2n = 46 ou para uma espécie hipotética, e ler um gráfico de DNA por célula contra o tempo.
Descrever a prófase I (sinapse, tétrades, crossing-over, quiasmas), a metáfase I e a anáfase I, e explicar por que a meiose I é reducional e a meiose II, equacional.
Calcular o número de combinações de cromossomos inteiros (2 elevado a n) e explicar as duas fontes de variabilidade da meiose, distinguindo recombinação de mutação.
Dizer onde ocorre cada divisão (células somáticas; gônadas de animais; esporos de plantas, fungos e algas) e classificar ciclos de vida como diplobionte, haplodiplobionte ou haplobionte.
Descrever a espermatogênese e a ovogênese como meioses (quatro espermatozoides, um óvulo e corpúsculos polares; paradas em prófase I e metáfase II) e dizer em que degrau cada célula passa a ter um só alelo.
Explicar a não disjunção na meiose I e na meiose II, prever os gametas resultantes e relacionar o zigoto com 47 cromossomos à trissomia do 21.
Identificar a fase e o tipo de divisão numa figura ou micrografia pela posição e pelo estado dos cromossomos, e calcular o índice mitótico numa contagem de raiz de cebola.
Um corte raso no dedo, feito ao descascar uma fruta na segunda-feira, está fechado no domingo. Debaixo da crosta, as células da borda do corte se dividiram dezenas de vezes, e cada célula nova nasceu com os mesmos 46 cromossomos da célula que a originou: nem 45, nem 47. No mesmo corpo, num ovário ou num testículo, outra célula com 46 cromossomos entrou numa divisão diferente, que durou mais e produziu células com 23. Se essas células não existissem, a fecundação somaria 46 + 46 e cada geração teria o dobro de cromossomos da anterior; em dez gerações, mil vezes mais. Dois irmãos nascidos do mesmo casal são parecidos e diferentes ao mesmo tempo porque cada um veio de dois gametas com 23 cromossomos sorteados, de dois modos, entre os 46 de cada genitor.
As duas cenas são as duas divisões celulares. A mitose copia: uma célula origina duas, com o mesmo número de cromossomos e a mesma informação genética. A meiose reduz e embaralha: uma célula diploide origina quatro, com metade dos cromossomos e combinações diferentes deles. Toda a página cabe nessa fronteira, e toda questão de prova sobre o assunto testa se você sabe de que lado dela está uma situação dada: o joelho ralado, a ameba que se parte ao meio, o espermatozoide, o esporo da samambaia, o zangão da colmeia.
Para acompanhar qualquer uma das duas divisões basta uma habilidade: contar. Cromossomos, cromátides e moléculas de DNA, por célula, em cada etapa, sabendo que esses três números nem sempre coincidem. Esta página começa por aí, com o vocabulário mínimo e a conta da fase S; percorre a mitose, fase a fase, e a diferença entre célula animal e vegetal; percorre a meiose nas suas duas divisões, com o pareamento dos homólogos, o crossing-over e a segregação independente; põe as duas lado a lado num quadro; mostra onde cada uma acontece, do ovário ao musgo; desce à gametogênese humana e aos erros da meiose que produzem um cromossomo a mais; e termina com uma chave para identificar a fase e o tipo de divisão numa figura, com o experimento da raiz de cebola e com os erros que os itens de prova exploram. O núcleo, a cromatina, o cariótipo e o ciclo celular com os seus pontos de checagem têm página própria em núcleo e ciclo celular; aqui entram só no que a divisão exige.
Por que uma célula se divide, e por que há duas maneiras de fazê-lo
Três motivos levam uma célula a se dividir, e os três pedem cópias. Crescer: você começou como uma célula, o zigoto, e é hoje algo como trinta trilhões de células, todas descendentes dela por divisões sucessivas; a ponta de uma raiz se alonga porque um tecido na extremidade se divide sem parar. Repor: as células do forro do intestino vivem poucos dias, as hemácias cerca de quatro meses, a camada mais externa da pele descama o tempo todo, e tudo isso é substituído por células novas nascidas de divisão. Reparar: o corte do dedo fecha porque as células das bordas se dividem até as duas frentes se tocarem. Nos três casos, a célula nova precisa ser igual à anterior: uma célula de pele nova que não fosse de pele seria um problema, não uma solução.
Há um quarto motivo, que pede o contrário. Numa espécie com reprodução sexuada, dois gametas se fundem na fecundação, e o zigoto recebe os cromossomos dos dois. Se cada gameta levasse o conjunto completo, o número dobraria a cada geração. Alguma divisão, em algum ponto do ciclo de vida, precisa produzir células com metade dos cromossomos. E, já que vai reduzir, essa divisão pode fazer mais: misturar os cromossomos de origem materna e paterna, de modo que cada gameta carregue uma combinação nova.
As duas divisões, definidas pelo resultado
Mitose: uma divisão; uma célula origina duas células com o mesmo número de cromossomos e a mesma informação genética da célula original (2n→2n+2n; ou n→n+n, porque a mitose copia o que houver). Serve ao crescimento, à reposição, ao reparo e à reprodução assexuada.
Meiose: duas divisões seguidas, com uma só replicação do DNA antes delas; uma célula diploide origina quatro células haploides, geneticamente diferentes entre si e da célula original (2n→n+n+n+n). Serve à formação de gametas (animais) ou de esporos (plantas, fungos, algas) e gera variabilidade.
O que decide o nome não é o organismo nem a palavra “reprodução”: é o que sai da divisão. Duas iguais, mitose. Quatro diferentes com metade, meiose.
A definição pelo resultado desmonta uma confusão frequente, “mitose é para crescer, meiose é para reproduzir”. Uma ameba que se parte ao meio está se reproduzindo, e faz mitose: as duas amebas são clones, com o mesmo número de cromossomos; a reprodução dela é assexuada, sem gametas, sem fecundação, sem nada a reduzir. Uma estaca de planta que enraíza, o broto de uma levedura, a muda de bananeira ao lado da planta-mãe: reprodução, e mitose. A meiose só é necessária onde há fecundação pela frente.
O vocabulário mínimo: cromossomo, cromátide, centrômero, homólogo, n e C
Toda a contagem desta página depende de cinco palavras usadas com precisão. A página do núcleo trata da cromatina, do cariótipo e da interfase em detalhe; aqui fica o necessário para contar.
Um cromossomo é uma molécula de DNA muito longa, enrolada em proteínas. Fora da divisão ele existe pouco compactado, como cromatina; na divisão, compacta-se num bastão visível ao microscópio óptico. É o mesmo objeto em dois estados, e ele não “surge” na divisão.
Na fase S da interfase, antes de qualquer divisão, cada molécula de DNA é copiada inteira. A partir daí o cromossomo é formado por duas cromátides-irmãs, cópias idênticas unidas numa região chamada centrômero. Aqui está a convenção que resolve metade das questões: cromossomos contam-se pelos centrômeros; moléculas de DNA contam-se pelas cromátides. Um cromossomo duplicado é um cromossomo (um centrômero) com duas moléculas de DNA. Depois da fase S, uma célula humana continua com 46 cromossomos, agora com 92 moléculas de DNA.
Numa célula diploide (2n), os cromossomos formam pares de homólogos: dois cromossomos do mesmo tamanho, com os mesmos genes na mesma ordem, um recebido do gameta materno e outro do paterno. Homólogos não são cópias: podem carregar versões diferentes (alelos) dos mesmos genes. Nos seres humanos, 2n=46 significa 23 pares, e não 46 pares. Uma célula haploide (n) tem um cromossomo de cada tipo: n=23 nos gametas humanos.
A quantidade de DNA recebe uma notação própria, para não se confundir com o número de cromossomos: C é o DNA nuclear de um conjunto haploide não duplicado, isto é, de um gameta. Uma célula diploide recém-nascida de uma mitose tem 2C; depois da fase S, 4C; um gameta, 1C.
O vocabulário da contagem, numa célula-modelo com 2n=4. Cromossomo duplicado continua sendo um cromossomo: o que dobra na fase S são as cromátides e as moléculas de DNA, nunca os centrômeros. Homólogos (verde-escuro e verde-claro) são cromossomos do mesmo par, de origens diferentes; cromátides-irmãs (os dois bastões colados) são cópias de um mesmo cromossomo. Cores indicam origem materna e paterna; esquema fora de escala. Diagrama autoral.
"2n = 46" não é "46 pares"
A notação 2n já contém o “dois”: n é o número de cromossomos diferentes (23 em humanos) e 2n é o total, com cada tipo em dobro (46). Quem lê “46 pares” está pensando em 92 cromossomos, e esse número aparece em outro lugar: 92 é o número de moléculas de DNA, ou de cromátides, de uma célula humana depois da fase S. Antes de julgar qualquer item com número, pergunte o que está sendo contado: cromossomos (centrômeros), cromátides ou moléculas.
A tabela abaixo fixa a convenção numa célula humana, antes de qualquer divisão.
momento
cromossomos por célula
cromátides por cromossomo
moléculas de DNA
notação
G1, antes da fase S
46
1
46
2n, 2C
G2, depois da fase S
46
2
92
2n, 4C
Para outras espécies a conta é a mesma, com outro n. O número de cromossomos não mede complexidade: é só o número de pacotes em que o DNA da espécie está repartido.
A replicação vem antes: a divisão reparte, não copia
Quando qualquer divisão começa, o DNA já foi copiado. A cópia aconteceu na fase S da interfase, que leva horas, enquanto a divisão propriamente dita ocupa uma fração pequena do ciclo: numa célula humana em cultura, da ordem de uma hora num ciclo de cerca de 24. A divisão não produz DNA novo; ela separa cópias feitas antes e as distribui entre as células-filhas. A regra vale para a mitose e para a meiose, com uma diferença decisiva: antes da mitose há uma replicação e uma divisão; antes da meiose há uma replicação e duas divisões, sem nova fase S entre elas. É essa segunda divisão sem cópia que faz o número de cromossomos cair pela metade.
"A mitose duplica os cromossomos"
A frase está errada em todos os livros e certa em muitos cadernos. A duplicação acontece na fase S, antes da mitose; a mitose separa as cromátides que a fase S produziu. Um item que ponha a cópia dentro da divisão está errado antes de qualquer outro detalhe. A exceção aparente é o item 50 do PAS 1 de 2014, discutido adiante: ele diz que a informação passa às células-filhas “através da duplicação dos cromossomos existentes na célula-mãe”, e é certo, porque a duplicação de que ele fala é a que precede a divisão, não um evento da mitose.
A conta da fase S, a replicação semiconservativa e os pontos de checagem que liberam a divisão estão em núcleo e ciclo celular. Daqui em diante, a célula que entra em divisão já tem cada cromossomo com duas cromátides.
Mitose: uma célula, duas cópias
A mitose é contínua; os nomes das fases são marcos postos numa sequência sem cortes, e a maneira de aprendê-los é perguntar, a cada marco, o que mudou em relação ao anterior. O que muda é sempre um de quatro atores: os cromossomos, o envoltório nuclear, o fuso e, na célula animal, os centríolos. Acompanhe na figura com uma célula-modelo de 2n=4 (dois pares de homólogos, 1 e 1′, 2 e 2′), que entra em divisão com os quatro cromossomos duplicados.
Mitose numa célula-modelo com 2n=4 (homólogos 1 e 1′ em verde, 2 e 2′ em laranja). Repare que os homólogos não se pareiam: cada cromossomo se alinha sozinho na metáfase, e o que se separa na anáfase são as cromátides-irmãs. A célula entra com quatro cromossomos duplicados (4C) e sai como duas células com quatro cromossomos simples (2C cada). À direita, os dois modos de dividir o citoplasma. Esquema fora de escala. Diagrama autoral.
Prófase. A cromatina se compacta, e os cromossomos duplicados tornam-se visíveis como bastões de duas cromátides; o nucléolo desaparece. No citoplasma, os microtúbulos do citoesqueleto se desmontam e se remontam num fuso que cresce a partir de dois centros organizadores (nas células animais, cada um com um par de centríolos), que se afastam para polos opostos. No fim da prófase (alguns livros chamam esse trecho de prometáfase), o envoltório nuclear se fragmenta em vesículas, e as fibras do fuso alcançam os cromossomos, prendendo-se a cada cromátide por uma estrutura proteica do centrômero, o cinetócoro.
Metáfase. Puxados dos dois lados, os cromossomos se acomodam no plano médio da célula, a placa metafásica (ou equatorial), no grau máximo de compactação. Cada cromátide está presa a um polo diferente. É a fase em que os cromossomos são fotografados para montar um cariótipo, e é também o ponto de checagem da divisão: enquanto houver um único cinetócoro solto, a fase seguinte não é liberada. É isso que garante que nenhuma célula-filha fique sem um cromossomo.
Anáfase. A proteína que mantinha as cromátides unidas é cortada; os centrômeros se separam, e cada cromátide, agora um cromossomo-filho, é puxada para o seu polo, com os microtúbulos se encurtando. Neste intervalo, a célula tem, por alguns minutos, o dobro de cromossomos: oito na célula-modelo, 92 numa célula humana, e é assim que se contam, porque cada cromátide ganhou o seu próprio centrômero.
Telófase. Os dois grupos chegam aos polos. Em torno de cada um, as vesículas do envoltório se fundem e refazem o núcleo; os cromossomos se descompactam em cromatina; o nucléolo reaparece; o fuso se desfaz. Há dois núcleos, cada um com o conjunto completo.
Citocinese. É a divisão do citoplasma, em geral simultânea à telófase, e é onde célula animal e célula vegetal diferem, por causa da parede. Na célula animal, um anel contrátil de filamentos de actina e miosina se forma sob a membrana, no equador, e se aperta, estrangulando a célula de fora para dentro até separá-la em duas. Na célula vegetal, a parede rígida impede o estrangulamento; em vez disso, vesículas vindas do complexo de Golgi, carregadas de material de parede, se acumulam no equador e se fundem numa placa celular, que cresce do centro para as bordas até encostar na parede antiga. A célula vegetal é dividida de dentro para fora, e a membrana de cada vesícula vira membrana plasmática nova.
célula animal
célula vegetal
centríolos
presentes; o fuso cresce a partir de dois centrossomos com centríolos
ausentes; o fuso se organiza a partir de outras regiões (mitose acêntrica)
áster (fibras em raio em torno do polo)
presente
ausente (mitose anastral)
citocinese
anel contrátil: estrangulamento de fora para dentro (centrípeta)
placa celular: parede nova de dentro para fora (centrífuga)
resultado
duas células com o mesmo conjunto
duas células com o mesmo conjunto
"Célula vegetal não faz mitose porque não tem centríolo"
Toda célula eucariótica que se divide faz mitose, com ou sem centríolos. A raiz de cebola, material clássico das aulas de mitose, é uma planta. O centríolo organiza o fuso na célula animal; a célula vegetal organiza o fuso de outro modo, e funciona tão bem quanto. O que o centríolo decide, numa questão, é só a classificação: mitose cêntrica e astral (animal) ou acêntrica e anastral (vegetal).
E as bactérias? Elas também se dividem ao meio, e o processo se chama fissão binária, não mitose: não há núcleo a desfazer, não há fuso de microtúbulos nem cromátides de cromossomos lineares. O cromossomo circular é copiado, e as duas cópias são puxadas para lados opostos enquanto a célula se alonga e se estrangula. O resultado é análogo (duas células iguais); o mecanismo, não. A ameba, eucarionte, faz mitose; a Escherichia coli, procarionte, faz fissão binária.
Contar ao longo da mitose
A tabela é a que decide os itens com número. Célula humana, 2n=46.
fase
cromossomos por célula
cromátides por cromossomo
moléculas de DNA por célula
DNA
G1
46
1
46
2C
G2 (fim da fase S)
46
2
92
4C
prófase e metáfase
46
2
92
4C
anáfase (centrômeros separados)
92 (cromossomos-filhos)
1
92
4C, numa célula só
cada célula-filha
46
1
46
2C
Dois pontos escapam a quem decora só o resultado. Na anáfase, antes de a citocinese repartir, há 92 cromossomos de uma cromátide numa célula só: o número de cromossomos dobrou no instante em que os centrômeros se separaram, e a quantidade de DNA continuou 4C. E a queda de 4C para 2C no fim da mitose não é perda de DNA: uma célula virou duas, e o total se conservou (4C=2C+2C).
Conferência. Em (b) e (d), a quantidade de DNA não mudou entre metáfase e anáfase: separar centrômeros não cria nem destrói moléculas. O que mudou foi o critério de contagem, porque cada cromátide passou a ter centrômero próprio.
Quantidade de DNA por célula ao longo das duas divisões. Na mitose, uma rampa (a replicação) e uma queda (uma célula virou duas). Na meiose, a mesma rampa e duas quedas, sem rampa entre elas: é a segunda queda sem replicação que leva de 2C a 1C. A linha de baixo, do número de cromossomos, mostra que ele só muda quando homólogos (meiose I) ou centrômeros (anáfase) se separam. Tempos fora de escala. Diagrama autoral.
Meiose I: a divisão que faz a diferença
A meiose começa como a mitose, com a célula diploide saindo da fase S com todos os cromossomos duplicados (4C). A partir daí, tudo o que distingue a meiose acontece na primeira divisão, e o protagonista é o par de homólogos.
Prófase I. É longa, muito mais que a prófase da mitose (dias ou semanas em muitas espécies; anos, no caso dos ovócitos humanos, como se verá). Além de compactar os cromossomos, desfazer o envoltório e montar o fuso, ela faz o que a mitose nunca faz: cada cromossomo duplicado se alinha lado a lado com o seu homólogo, gene a gene. Esse pareamento chama-se sinapse, e o conjunto formado, com quatro cromátides, é uma tétrade (ou bivalente). Pareados, cromátides de homólogos diferentes (não irmãs) trocam pedaços entre si: é o crossing-over, ou permutação. Os pontos em que as cromátides aparecem cruzadas, visíveis ao microscópio, são os quiasmas. O cromossomo 1, de origem materna, e o 1′, de origem paterna, saem da prófase I recombinados: cada um carrega agora trechos do outro.
Metáfase I. O que se alinha no plano médio não são cromossomos isolados, como na mitose, e sim os pares de homólogos, lado a lado. Cada cromossomo do par está preso, pelo centrômero inteiro, a um polo; o homólogo dele, ao polo oposto. E a orientação de cada par (qual membro ficou voltado para qual polo) é sorteada independentemente da dos outros pares.
Anáfase I.Os homólogos se separam: cada polo recebe um cromossomo de cada par, ainda com as duas cromátides unidas. Os centrômeros não se dividem. É a diferença decisiva em relação à anáfase da mitose, em que se separam cromátides.
Telófase I e citocinese. Formam-se duas células. Cada uma tem n cromossomos (um de cada par), mas cada cromossomo ainda tem duas cromátides: n, 2C. Em muitas espécies o envoltório nem chega a se refazer, e a célula segue direto para a segunda divisão. Não há nova fase S.
A meiose I é chamada reducional: é nela que o número de cromossomos cai de 2n para n. Repare na ordem dos acontecimentos: a célula ficou haploide antes de separar as cromátides. Entre o fim da meiose I e a anáfase II existe uma célula com 23 cromossomos de duas cromátides, e essa combinação não ocorre em nenhum momento de uma mitose humana. É a assinatura da meiose I.
Meiose numa célula-modelo com 2n=4. O cromossomo de origem materna de cada par está em cor cheia (1, 2) e o de origem paterna em cor clara (1′, 2′). Na prófase I os homólogos se pareiam e trocam trechos (crossing-over, mostrado só no par 1); a meiose I separa os homólogos, e as duas células ficam com n=2 cromossomos ainda duplicados (2C); a meiose II separa as cromátides, e as quatro células terminam com n=2 cromossomos simples (1C), todas diferentes. Esquema fora de escala. Diagrama autoral.
Quem se separa em cada anáfase
Anáfase da mitose: cromátides-irmãs; os centrômeros se dividem; cada célula-filha fica com 2n.
Anáfase I da meiose: cromossomos homólogos inteiros; os centrômeros não se dividem; cada célula fica com n cromossomos de duas cromátides.
Anáfase II da meiose: cromátides-irmãs; os centrômeros se dividem; cada célula fica com n cromossomos simples.
Esta é a pergunta que resolve a maioria das figuras de prova: o que está se afastando, pares ou metades?
Meiose II: a mitose de uma célula haploide
Cada uma das duas células haploides entra numa segunda divisão sem replicar o DNA. A meiose II se parece com uma mitose em tudo: os cromossomos, ainda de duas cromátides, se alinham um a um no plano médio (metáfase II); os centrômeros se dividem e as cromátides migram para os polos (anáfase II); formam-se núcleos (telófase II) e o citoplasma se reparte. A diferença é o ponto de partida: a célula tinha n cromossomos de duas cromátides (2C) e termina com n cromossomos de uma cromátide (1C). A meiose II é chamada equacional: o número de cromossomos não muda (n→n); o que cai é a quantidade de DNA.
O resultado da meiose inteira: quatro células haploides, com 1C de DNA cada, geneticamente diferentes entre si. Diferentes por dois motivos, nenhum dos quais exige genética para ser contado.
As duas fontes de variabilidade
Segregação independente dos homólogos. Na metáfase I, cada par de homólogos se orienta de duas maneiras possíveis em relação aos polos, e a orientação de um par não influencia a dos outros. Com n pares, há 2n combinações de cromossomos inteiros possíveis nos gametas de um mesmo indivíduo. Na célula-modelo, 22=4; numa espécie com 2n=6, 23=8; numa pessoa, 223=8388608: mais de oito milhões de gametas diferentes só por embaralhar cromossomos inteiros, sem contar nenhuma troca de pedaços.
Segregação independente: cada par de homólogos se orienta na metáfase I sem relação com os outros pares. Com dois pares, quatro combinações; com 23, mais de oito milhões. O número é o de combinações de cromossomos inteiros; o crossing-over, que recombina cada cromossomo por dentro, torna o total de gametas possíveis praticamente ilimitado. Diagrama autoral.
Crossing-over. Cada cromossomo que entra num gameta não é nem o materno nem o paterno original: é uma versão recombinada, com trechos de um e de outro, montada na prófase I. Como os pontos de troca variam de célula para célula, dois gametas do mesmo indivíduo com a mesma combinação de cromossomos inteiros ainda são diferentes nos detalhes. É por isso que irmãos, feitos dos mesmos pais, não são iguais, e por isso que a meiose, e não a mitose, é a divisão da variabilidade.
"A meiose cria genes novos"
Não cria. A meiose recombina o que já existe: embaralha cromossomos inteiros (segregação independente) e troca pedaços entre homólogos (crossing-over). Um alelo que não estava em nenhum dos dois homólogos não aparece num gameta por meiose. Quem cria alelos novos é a mutação, um erro de cópia ou um dano ao DNA, assunto de mutações. A meiose multiplica combinações; a mutação fornece as peças.
Conferência. Conservação do DNA: a célula entrou com 4C e saíram 4×1C=4C. Nada foi criado nem perdido, só repartido. Caso-limite: se a meiose fosse uma divisão só, cada gameta teria 23 cromossomos de duas cromátides (2C) e o zigoto, 46 cromossomos com 4C; o DNA dobraria a cada geração. A segunda divisão é obrigatória pela conta. Em (b), quem usou duas células marcou 46 (confundiu com mitose); quem usou 46 cromossomos por célula marcou 184 (esqueceu a redução).
"Um gameta tem metade do DNA de uma célula em G2"
Tem um quarto. A célula em G2 está com 4C; o gameta, com 1C. “Metade” descreve a célula ao fim da meiose I (2C), que ainda não é gameta, ou o gameta em relação a uma célula em G1 (2C). O erro vem de pensar em cromossomos (46 para 23, metade) e aplicar a proporção ao DNA sem lembrar que o DNA foi duplicado antes.
Mitose e meiose lado a lado
mitose
meiose
replicação do DNA antes
uma vez (fase S)
uma vez (fase S)
número de divisões
uma
duas (I e II), sem replicação entre elas
pareamento de homólogos
não; cada cromossomo se alinha sozinho
sim, na prófase I (sinapse, tétrades); os pares se alinham na metáfase I
crossing-over
não, em condições normais
sim, entre cromátides de homólogos, na prófase I
o que se separa na anáfase
cromátides-irmãs
meiose I: homólogos; meiose II: cromátides-irmãs
células produzidas
duas
quatro
número de cromossomos
mantido (2n→2n, ou n→n)
reduzido à metade (2n→n)
quantidade de DNA por célula
4C → 2C
4C → 2C → 1C
identidade genética
idênticas à original (salvo mutação)
diferentes entre si e da original
nome das divisões
equacional
I reducional, II equacional
onde ocorre
em toda célula eucariótica que se divide, de todo eucarionte
em células específicas de espécies com fecundação: gônadas de animais; estruturas reprodutivas de plantas, fungos e algas
redução que permite à fecundação manter 2n; variabilidade
A linha “onde ocorre” vale para eucariontes; bactérias e arqueias se dividem por fissão binária, sem mitose nem meiose.
Quem faz o quê
Um cogumelo cresce por mitose e libera esporos por meiose. Um ser humano cresce, repõe sangue, pele e intestino, cicatriza e forma tumores por mitose, e forma gametas por meiose. Uma ameba só faz mitose, porque não faz fecundação. “Meiose é de planta, mitose é de animal” não sobrevive a nenhum desses três.
Onde a meiose acontece: gametas nos animais, esporos nas plantas
Em animais, a meiose acontece nas gônadas (ovários e testículos) e produz diretamente os gametas: espermatozoides e óvulos, n=23 em humanos. O resto da vida do animal é diploide: ciclo diplobionte, em que a meiose é gamética.
Em plantas, fungos e muitas algas, a meiose existe, mas o que ela produz são esporos haploides, e os gametas são formados depois, por mitose, num indivíduo haploide que pode ser microscópico (o grão de pólen, o saco embrionário dentro da flor) ou visível a olho nu (a planta verde do musgo que forra um muro). Esse ciclo, com uma fase diploide e uma fase haploide pluricelulares, é haplodiplobionte, e a meiose é espórica. Em alguns fungos e algas o organismo adulto é inteiro haploide e a única célula diploide do ciclo é o zigoto, que faz meiose logo depois de se formar: ciclo haplobionte, meiose zigótica. A alternância de gerações das plantas, geração por geração, está em grupos vegetais; aqui fica o mapa: toda espécie com fecundação faz meiose em algum ponto do ciclo, e toda espécie eucarionte faz mitose.
O item das abelhas. O item 82 do PAS 3 de 2015, do tipo C, descreveu a colônia de Apis mellifera: fêmeas diploides (rainha e operárias) e zangões haploides, produzidos quando a colmeia vai se reproduzir, e perguntou como são produzidos os gametas de cada sexo. Gabarito: os gametas femininos por meiose e os masculinos por mitose. A fêmea, diploide, precisa reduzir 2n→n para formar óvulos. O zangão já é haploide: se fizesse meiose, teria de reduzir o que não pode ser reduzido; ele forma espermatozoides por mitose, que copia o n que ele tem. O item não pergunta a regra “gameta vem de meiose”; pergunta o porquê dela, e o porquê é a necessidade de reduzir. Onde não há o que reduzir, não há meiose.
Gametogênese humana: quatro espermatozoides, um óvulo
A formação dos gametas humanos é a meiose vista em escada, e a prova gosta de perguntar em que degrau uma propriedade é verdadeira. A fisiologia dos testículos e dos ovários, os hormônios e o ciclo menstrual estão em sistema reprodutor; aqui entra o que é divisão.
Espermatogênese. Nos testículos, as espermatogônias são células diploides que se multiplicam por mitose ao longo de toda a vida adulta. Uma espermatogônia que cresce e entra em meiose passa a se chamar espermatócito I (primário), ainda diploide, 4C. A meiose I produz dois espermatócitos II (secundários), já haploides, 2C. A meiose II produz quatro espermátides, n, 1C, que amadurecem em quatro espermatozoides. Cada meiose rende quatro gametas, de tamanhos iguais, e o processo começa na puberdade e continua, de forma contínua, por décadas.
Ovogênese. Nos ovários, as ovogônias se multiplicam por mitose ainda durante a vida fetal e se transformam em ovócitos I, que entram em meiose antes do nascimento e param na prófase I. Uma menina nasce com todos os ovócitos I que terá, da ordem de um a dois milhões, todos parados nesse ponto; a maior parte degenera sem nunca retomar a divisão, e na puberdade restam cerca de 400 mil (OpenStax, Anatomy and Physiology 2e, seção 27.2). A partir daí, a cada ciclo, em geral um ovócito I retoma a meiose e completa a meiose I com uma divisão desigual do citoplasma: uma célula grande, o ovócito II, fica com quase todo o citoplasma, e uma célula minúscula, o primeiro corpúsculo polar, fica com um conjunto de cromossomos e quase nada mais. O ovócito II começa a meiose II e para de novo, na metáfase II; é ele que é liberado na ovulação. Só se for fecundado ele completa a meiose II, produzindo o óvulo propriamente dito (cujo núcleo se funde ao do espermatozoide) e o segundo corpúsculo polar. Sem fecundação, o ovócito II degenera sem terminar a divisão. Os corpúsculos polares degeneram. O balanço: cada meiose rende um gameta funcional, e não quatro.
A mesma meiose, dois balanços. Na espermatogênese, quatro espermatozoides por meiose, de citoplasma igual, em processo contínuo a partir da puberdade. Na ovogênese, um só óvulo por meiose: o citoplasma vai quase todo para uma célula, e os corpúsculos polares degeneram; o processo começa antes do nascimento, para na prófase I por anos e só termina se houver fecundação. Esquema fora de escala. Diagrama autoral.
Duas consequências da escada aparecem em itens reais.
A célula ovulada. O item 113 do PAS 3 de 2012 afirmou: “As células expelidas do ovário na ovulação em humanos apresentam 46 moléculas de DNA, mantidas unidas duas a duas pela região centromérica do cromossomo.” Gabarito: certo. O que é ovulado é o ovócito II, parado na metáfase II: já passou pela meiose I, tem 23 cromossomos, mas cada um ainda com duas cromátides, isto é, duas moléculas de DNA unidas pelo centrômero: 2×23=46 moléculas. Quem leu “23 cromossomos” e respondeu “23 moléculas” errou a contagem; 23 moléculas só depois da meiose II, que o ovócito II só completa se for fecundado.
Os dois alelos e o degrau da separação. O item 44 do PAS 3 de 2025, pendurado numa reportagem sobre a anemia falciforme, afirmou: “No testículo de um indivíduo heterozigoto (AS) fértil, são encontradas espermatogônias de dois tipos: as com o alelo A e as com o alelo S.” Gabarito: errado. A espermatogônia é diploide: tem os dois homólogos do par, e portanto A e S ao mesmo tempo, como qualquer célula do corpo desse homem. A separação em “dois tipos” só acontece quando a meiose I separa os homólogos: do espermatócito II em diante, cada célula haploide carrega A ou S, e os espermatozoides saem metade de cada. A propriedade verdadeira de uma célula (o espermatozoide) foi transplantada para outra (a espermatogônia). Antes de julgar um item de gametogênese, pergunte: essa célula já passou pela meiose I? Se não passou, ela não pode ser “de um tipo”.
"A meiose produz quatro gametas"
Produz quatro células haploides. Na espermatogênese, as quatro viram espermatozoides. Na ovogênese, só uma vira óvulo; as outras são corpúsculos polares (dois ou três, conforme o primeiro se divida ou não), que degeneram. E nas plantas o que a meiose produz nem é gameta: é esporo. A frase segura é “a meiose produz quatro células haploides”; o que acontece com elas depende do organismo e do sexo.
Quando a meiose erra: não disjunção e aneuploidias
A meiose é exata na imensa maioria das vezes, mas, como todo processo, tem uma taxa de erro. O erro mais conhecido chama-se não disjunção: um par de homólogos que não se separa na anáfase I, ou um par de cromátides que não se separa na anáfase II. Nos dois casos, um dos polos recebe um cromossomo a mais e o outro, um a menos, e nascem gametas com n+1 e n−1 cromossomos (24 e 22, em humanos) em vez de 23.
Se um gameta com 24 cromossomos é fecundado por um gameta normal, o zigoto tem 24+23=47, com um cromossomo em três cópias: uma trissomia. Se o gameta tinha 22, o zigoto tem 45: uma monossomia. Um número de cromossomos diferente do normal por um ou poucos cromossomos chama-se aneuploidia. E, como o zigoto se divide por mitose, que copia o cariótipo como ele está, todas as células do corpo da pessoa terão o mesmo número: 47 ou 45.
Não disjunção, acompanhada num único par de homólogos. Se o erro ocorre na meiose I, todos os quatro gametas ficam alterados (dois com um cromossomo a mais, dois com um a menos); se ocorre na meiose II, metade sai normal. Em qualquer caso, um gameta com 24 cromossomos fecundado por um gameta de 23 dá um zigoto com 47. Esquema fora de escala. Diagrama autoral.
O exemplo mais conhecido é a síndrome de Down, a trissomia do cromossomo 21: 47 cromossomos, com três cópias do 21. Segundo as diretrizes do Ministério da Saúde para a atenção à pessoa com síndrome de Down (2013), no Brasil nasce uma criança com a síndrome a cada 600 a 800 nascimentos, independentemente de etnia, gênero ou classe social; em cerca de 95 % dos casos a causa é a trissomia simples, por não disjunção de origem meiótica, e os demais envolvem translocação (3 a 4 %) ou mosaico (1 a 2 %). A chance de ter um filho com a síndrome aumenta com a idade da mãe, embora mulheres de qualquer idade possam ter um filho com a condição (MedlinePlus Genetics, Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, 2020). A síndrome é uma condição genética, não uma doença; o vocabulário que as diretrizes recomendam é “pessoa com síndrome de Down”, e não “portador”. O que esta página explica é o mecanismo celular; as consequências de outras aneuploidias e as alterações cromossômicas estruturais estão em mutações.
O item discursivo de 2013. O item 116 do PAS 3 de 2013, do tipo D, pediu: “As crianças com Síndrome de Down apresentam um cromossomo 21 a mais, ou seja, apresentam 47 cromossomos, sendo 45 deles autossômicos e 2 sexuais. Esse erro pode ocorrer na meiose. A partir dessas informações, elabore um esquema de meiose de um indivíduo com Síndrome de Down. No seu esquema, utilize apenas os 3 cromossomos 21 desse indivíduo, indicando o comportamento dos cromossomos nas duas fases da divisão celular.” O que a banca esperava ver: três cromossomos 21, cada um com duas cromátides depois da fase S; na meiose I, dois deles indo para um polo e um para o outro (não há como dividir três em duas metades iguais); na meiose II, as cromátides se separando em cada célula. Resultado: dois gametas com dois cromossomos 21 e dois gametas com um. A resolução completa deste item, com o esquema descrito passo a passo, é uma das questões resolvidas desta página.
E a mitose descontrolada? Mitoses que não param formam um tumor; o câncer como falha dos freios do ciclo celular está em núcleo e ciclo celular. Aqui vale uma frase: a divisão de uma célula tumoral é uma mitose comum, que copia o cariótipo (e as mutações) da célula que a originou; o que falta não é um tipo diferente de divisão, é o controle sobre quando dividir.
Como identificar a fase e o tipo de divisão numa figura
Uma figura ou uma micrografia de divisão se lê com três perguntas, nesta ordem.
1. Onde estão os cromossomos? Espalhados dentro de um núcleo ainda visível, com bastões duplos: prófase (ou prófase I, se estiverem aos pares). Alinhados no plano médio: metáfase. Em dois grupos se afastando: anáfase. Em dois conjuntos nos polos, com núcleos se refazendo ou uma divisão do citoplasma em andamento: telófase.
2. Na metáfase, o que está alinhado? Cromossomos um a um, cada um sozinho na fila: mitose ou meiose II. Cromossomos aos pares, lado a lado, formando tétrades: metáfase I da meiose. Se os cromossomos alinhados um a um forem a metade do número da espécie, é meiose II; se forem o número completo, é mitose.
3. Na anáfase, o que está se afastando? Cromossomos de duas cromátides, inteiros, com os centrômeros intactos: anáfase I, e só a meiose faz isso. Cromátides, isto é, cromossomos de uma cromátide: anáfase da mitose ou anáfase II. Para distinguir as duas últimas, conte: na mitose humana, 46 para cada lado; na anáfase II, 23 para cada lado.
As três anáfases, lado a lado, na célula-modelo com 2n=4. Só a anáfase I move cromossomos inteiros, de duas cromátides; a anáfase da mitose e a anáfase II movem cromátides, e se distinguem pela contagem: na mitose chega a cada polo o número completo da espécie; na anáfase II, a metade. Esquema fora de escala. Diagrama autoral.
Exemplo resolvido: ler quatro descrições. Uma espécie tem 2n=8. Em quatro lâminas, observa-se: (I) uma célula com 8 cromossomos duplicados alinhados um a um no plano médio; (II) uma célula com 4 cromossomos duplicados alinhados um a um; (III) uma célula com quatro pares de cromossomos duplicados alinhados lado a lado; (IV) uma célula em que 8 cromossomos de duas cromátides migram, quatro para cada polo. Identifique cada fase.
(I) 8 cromossomos, o número completo, um a um: metáfase da mitose. (II) 4 cromossomos, metade do número, um a um e ainda duplicados: metáfase II. (III) Pares lado a lado: metáfase I. (IV) Cromossomos inteiros de duas cromátides migrando, quatro para cada lado: anáfase I; cada polo recebe n=4 cromossomos duplicados.
Conferência. Em (IV), se fossem cromátides migrando, seriam 16 bastões simples (anáfase da mitose, 8 por polo) ou 8 bastões simples (anáfase II, 4 por polo). O número e o estado (duplicado ou não) do que migra fecham a identificação sem ambiguidade.
A raiz de cebola: ver mitose na escola
O material clássico para ver mitose é a ponta da raiz de cebola, porque ali há um tecido, o meristema, em que as células se dividem continuamente. Uma cebola apoiada por palitos na boca de um copo com água, só com a base tocando a água, cria raízes de um a três centímetros em três a cinco dias. Corta-se a ponta, amolece-se o tecido com ácido clorídrico diluído, cora-se com orceína acética (ou azul de metileno, com contraste menor), cobre-se com a lamínula e esmaga-se com o polegar sobre papel-filtro, para espalhar as células numa camada só. A 400 vezes, a lâmina mostra células em interfase (núcleo arredondado, sem bastões), prófase (bastões dentro de um núcleo ainda visível), metáfase (bastões alinhados), anáfase (dois grupos se afastando) e telófase (dois núcleos com a parede nova entre eles).
Contar as células de cada fase permite calcular o índice mitótico, a fração de células em mitose, e, com uma hipótese simples, estimar a duração das fases: se as células estão espalhadas ao acaso pelo ciclo, a fração de células numa fase é a fração do tempo que a fase ocupa.
Conferência. A anáfase costuma ser a fase mais curta da mitose, e por isso a mais difícil de encontrar numa lâmina; a prófase, a mais longa das quatro, é a mais frequente. Os números são coerentes com isso. Uma ressalva de método: a estimativa supõe células espalhadas ao acaso pelo ciclo e um único ciclo para todas; três campos de contagem com índices parecidos dão mais confiança que um só.
Quem viu primeiro
A mitose foi descrita por Walther Flemming, que corou células de salamandra com corantes de anilina recém-inventados pela indústria têxtil, acompanhou a cromatina virar fios que se alinhavam, se partiam e se afastavam, e deu nome ao processo em 1882, do grego mitos, fio. A palavra “cromossomo” veio depois, com Wilhelm Waldeyer, em 1888. A meiose foi descrita no nível dos cromossomos por Edouard van Beneden, em 1883, em ovos do verme Ascaris, em que o número de cromossomos é pequeno e a redução se vê; August Weismann, em 1890, argumentou que duas divisões seriam necessárias para transformar uma célula diploide em quatro haploides e manter constante o número de cromossomos de geração em geração; e o nome “meiose” foi proposto por J. B. Farmer e J. E. S. Moore em 1905. Repare na ordem: viu-se o comportamento dos fios décadas antes de se saber que eram moléculas de DNA.
Como a prova cobra, e os erros que ela explora
Nos itens reais do PAS sobre o tema, a banca não pede as fases nome a nome. Ela monta um texto que não fala de divisão celular (uma tirinha, uma reportagem sobre envelhecimento, um fragmento sobre Weismann, uma reportagem sobre anemia falciforme) e pendura nele um item que cobra o nome certo do processo, a sua função ou uma contagem. O erro, quando há, está num único substantivo ou num único número.
A ameba da tirinha (PAS 1 2019, itens 57 e 58). Numa tirinha, uma personagem diz que as amebas “um dia se dividem ao meio e pronto, lá está o bebê”. O item 57 afirmou: “Ao afirmar que amebas se dividem ao meio, a personagem da tirinha faz referência ao processo denominado meiose.” Errado: a bipartição da ameba, eucarionte unicelular, é mitose, duas células com o mesmo número de cromossomos e a mesma informação; é reprodução, mas assexuada. O item 58 afirmou: “O mecanismo de divisão celular por que passa as amebas é essencial para o crescimento e o desenvolvimento de tecidos e para a reposição de células nos seres humanos.” Certo: o mecanismo é a mitose, e é ela que faz o corpo crescer e repor células. Os dois itens cobram as duas margens da mesma fronteira: quem decorou “reprodução = meiose” erra o 57 e, por coerência, o 58.
Weismann, somáticas e germinativas (PAS 1 2005, itens 143 e 144). Sobre um fragmento em que Weismann, em 1889, distingue células somáticas e germinativas, o item 143 afirmou: “Nas células somáticas, ocorre a divisão celular chamada meiose, na qual uma célula diplóide dá origem a duas células haplóides.” Errado três vezes numa frase: célula somática se divide por mitose; a meiose produz quatro células, não duas; e células haploides aparecem na formação de gametas. Repare que a definição de meiose está quase certa, e o que está errado é o lugar. O item 144 afirmou: “A mitose tanto pode ser responsável pelo processo de formação dos tecidos, em organismos pluricelulares, como pode constituir processo de reprodução sexuada em organismos unicelulares.” Errado por um único adjetivo: a mitose é reprodução assexuada em unicelulares. Troque “sexuada” por “assexuada” e o item vira certo.
A renovação do epitélio (PAS 1 2014, item 50). Sobre uma reportagem da revista Ciência Hoje a respeito do envelhecimento, o item afirmou: “Células epiteliais em envelhecimento são constantemente substituídas por células jovens, renovação que resulta da divisão por mitose, em que todas as informações são transmitidas para as células-filhas através da duplicação dos cromossomos existentes na célula-mãe.” Certo. É o modelo do item certo: uma paráfrase precisa do mecanismo, com a renovação por mitose, a duplicação dos cromossomos antes da divisão e a informação completa para as filhas. Quem procurou uma armadilha onde não havia perdeu o ponto; o único cuidado é ler “duplicação” como a cópia feita na interfase, que a mitose reparte.
Os erros clássicos, reunidos, com a correção de cada um:
a frase
por que está errada
a versão certa
“A meiose produz duas células.”
duas é o resultado da meiose I, não da meiose inteira
a meiose produz quatro células haploides
“Na anáfase I separam-se as cromátides.”
na anáfase I os centrômeros não se dividem
na anáfase I separam-se os homólogos; cromátides, na anáfase II e na mitose
“Há crossing-over na mitose.”
na mitose os homólogos não se pareiam
crossing-over é da prófase I da meiose
“A mitose reduz o DNA pela metade.”
o DNA por célula cai de 4C para 2C porque uma célula virou duas; o total se conserva
a mitose mantém o número de cromossomos e a informação
“2n = 46 significa 46 pares.”
o 2 já está na notação
23 pares; 92 é o número de cromátides depois da fase S
“O gameta tem metade do DNA de uma célula em G2.”
G2 está em 4C; o gameta, em 1C
um quarto; metade é o fim da meiose I
“A meiose cria genes novos.”
a meiose recombina alelos que já existem
mutação cria; meiose embaralha
“Célula vegetal não faz mitose porque não tem centríolo.”
o fuso vegetal se organiza sem centríolos
toda célula eucariótica que se divide faz mitose; a vegetal é acêntrica
“A mitose duplica os cromossomos.”
a duplicação é da fase S, antes da divisão
a mitose separa as cromátides duplicadas antes
“Mitose é para crescer; meiose, para reproduzir.”
ameba se reproduz por mitose; a meiose só é necessária onde há fecundação
mitose copia; meiose reduz e embaralha
“Bactérias se dividem por mitose.”
não há núcleo, fuso nem cromátides
fissão binária
O essencial em meia página
Vocabulário. Cromossomo é uma molécula de DNA com proteínas; depois da fase S, tem duas cromátides-irmãs unidas pelo centrômero, e continua sendo um cromossomo. Cromossomos contam-se pelos centrômeros; DNA conta-se pelas cromátides. Homólogos são os dois cromossomos de um par, um de cada genitor; 2n é o total, n é o número de tipos; C é o DNA de um gameta.
A divisão reparte; a interfase copia. O DNA é duplicado uma vez, na fase S, antes de qualquer divisão. Mitose: uma replicação, uma divisão, duas células iguais (2n, 2C). Meiose: uma replicação, duas divisões, quatro células haploides diferentes (n, 1C).
Mitose. Prófase (compacta; fuso; envoltório se desfaz), metáfase (alinhados um a um; checagem), anáfase (centrômeros se dividem; cromátides viram cromossomos-filhos; por minutos, 4n numa célula só), telófase (dois núcleos), citocinese (anel contrátil no animal, de fora para dentro; placa celular no vegetal, de dentro para fora). Vegetal: acêntrica e anastral. Bactéria: fissão binária.
Meiose. Prófase I: homólogos se pareiam (sinapse, tétrades), crossing-over, quiasmas. Metáfase I: pares alinhados; orientação independente. Anáfase I: homólogos se separam, centrômeros intactos. Fim da meiose I: n, 2C (haploide com DNA duplicado, a assinatura que a mitose não tem). Meiose II, sem replicação: cromátides se separam; n, 1C. I é reducional; II, equacional.
Variabilidade. Segregação independente: 2n combinações de cromossomos inteiros (223=8388608 em humanos). Crossing-over: cada cromossomo recombinado. A meiose embaralha; a mutação cria.
Onde. Mitose: toda célula eucariótica que se divide; crescimento, reposição, reparo, reprodução assexuada (ameba, estaca, broto). Meiose: gônadas de animais (gametas); plantas, fungos e algas (esporos; gametas vêm depois por mitose). Zangão haploide faz espermatozoide por mitose: onde não há o que reduzir, não há meiose.
Gametogênese. Espermatogênese: espermatogônia (2n, mitose) → espermatócito I (2n, 4C) → dois espermatócitos II (n, 2C) → quatro espermátides (n, 1C) → quatro espermatozoides. Ovogênese: ovócito I para na prófase I antes do nascimento; completa a meiose I na puberdade, com divisão desigual; o ovócito II, parado na metáfase II, é ovulado com 23 cromossomos e 46 moléculas de DNA, e só termina a meiose II se for fecundado; um óvulo e corpúsculos polares. Célula diploide carrega os dois alelos; só depois da meiose I cada célula tem um.
Erros da meiose. Não disjunção (homólogos na I ou cromátides na II) dá gametas com 24 ou 22; fecundados, zigotos com 47 (trissomia) ou 45 (monossomia), em todas as células, porque a mitose copia o cariótipo. Trissomia do 21: síndrome de Down, cerca de um nascimento em 600 a 800 no Brasil; 95 % por não disjunção meiótica; a chance aumenta com a idade materna.
Na figura. Pares alinhados: metáfase I. Cromossomos inteiros migrando: anáfase I. Cromátides migrando: mitose (número completo por polo) ou anáfase II (metade). Na prova: julgue pelo que sai da divisão (duas iguais ou quatro diferentes com metade), confira o substantivo que nomeia o processo e conte antes de aceitar qualquer número.
Exercícios temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.
Flashcards temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar os cartões de revisão.
Comparando Mitose e Meiose
Khan Academy Brasil · 5:27
Introdução. Em cinco minutos, o vídeo põe as duas divisões lado a lado, a partir de uma célula diploide que replica o DNA e segue por um caminho (mitose: duas células iguais) ou pelo outro (meiose: quatro células haploides). É a abertura desta página e a seção “Por que uma célula se divide, e por que há duas maneiras de fazê-lo”. Assista antes de ler e anote, para cada caminho, quantas divisões há e o que sai no fim; depois confira com o quadro “Mitose e meiose lado a lado”.
Mitose - Aula 32 - Módulo I: Biologia Celular
Prof. Guilherme Goulart - Biologia · 19:02
Aprofundamento da mitose. A aula percorre as quatro fases com capítulos marcados na descrição (prófase a partir de 7 min 18 s, metáfase a 9 min, anáfase a 13 min 39 s, telófase em seguida), dizendo o que acontece com os cromossomos, o envoltório nuclear e o fuso em cada uma. Corresponde à seção “Mitose: uma célula, duas cópias”. Pause em cada fase e preencha a tabela de contagem desta página (cromossomos, cromátides, DNA) antes de seguir.
Meiose - divisão celular em mais biologia, com Roger Maia
Mais Biologia · 13:32
Aprofundamento da meiose. O professor explica as etapas da meiose I e da meiose II, com a separação dos homólogos na primeira e das cromátides-irmãs na segunda, o crossing-over da prófase I e o resultado de quatro células com metade dos cromossomos. É o conteúdo das seções “Meiose I: a divisão que faz a diferença” e “Meiose II: a mitose de uma célula haploide”. Use a figura das fases da meiose desta página para acompanhar e, ao fim, responda: em que anáfase os centrômeros não se dividem?
Mitose e meiose - FUVEST 2012
Professor Guerra · 4:36
Resolução de questão. O vídeo resolve uma questão da Fuvest 2012 que lista quatro eventos (emparelhamento dos homólogos duplicados, alinhamento no plano equatorial, permutação entre homólogos, divisão dos centrômeros com separação das cromátides-irmãs) e pergunta quais ocorrem na divisão que repara tecidos. É a aplicação direta da seção “Como identificar a fase e o tipo de divisão numa figura”: antes de ouvir a resposta, classifique cada evento como exclusivo da meiose I ou comum à mitose, e só então compare.
Tecidos em crescimento reúnem células em diferentes fases. A imagem é uma representação didática, não uma micrografia de amostra identificada.O vocabulário da contagem, numa célula-modelo com 2n = 4. Cromossomo duplicado continua sendo um cromossomo: o que dobra na fase S são as cromátides e as moléculas de DNA, nunca os centrômeros. Homólogos (verde-escuro e verde-claro) são cromossomos do mesmo par, de origens diferentes; cromátides-irmãs (os dois bastões colados) são cópias de um mesmo cromossomo. Cores indicam origem materna e paterna; esquema fora de escala. Diagrama autoral.Mitose numa célula-modelo com 2n = 4 (homólogos 1 e 1′ em verde, 2 e 2′ em laranja). Repare que os homólogos não se pareiam: cada cromossomo se alinha sozinho na metáfase, e o que se separa na anáfase são as cromátides-irmãs. A célula entra com quatro cromossomos duplicados (4C) e sai como duas células com quatro cromossomos simples (2C cada). À direita, os dois modos de dividir o citoplasma. Esquema fora de escala. Diagrama autoral.Quantidade de DNA por célula ao longo das duas divisões. Na mitose, uma rampa (a replicação) e uma queda (uma célula virou duas). Na meiose, a mesma rampa e duas quedas, sem rampa entre elas: é a segunda queda sem replicação que leva de 2C a 1C. A linha de baixo, do número de cromossomos, mostra que ele só muda quando homólogos (meiose I) ou centrômeros (anáfases) se separam. Tempos fora de escala. Diagrama autoral.Meiose numa célula-modelo com 2n = 4. O cromossomo de origem materna de cada par está em cor cheia (1, 2) e o de origem paterna em cor clara (1′, 2′). Na prófase I os homólogos se pareiam e trocam trechos (crossing-over, mostrado só no par 1); a meiose I separa os homólogos, e as duas células ficam com n = 2 cromossomos ainda duplicados (2C); a meiose II separa as cromátides, e as quatro células terminam com n = 2 cromossomos simples (1C), todas diferentes. Esquema fora de escala. Diagrama autoral.Segregação independente: cada par de homólogos se orienta na metáfase I sem relação com os outros pares. Com dois pares, quatro combinações; com 23, mais de oito milhões. O número é o de combinações de cromossomos inteiros; o crossing-over, que recombina cada cromossomo por dentro, torna o total de gametas possíveis praticamente ilimitado. Diagrama autoral.A mesma meiose, dois balanços. Na espermatogênese, quatro espermatozoides por meiose, de citoplasma igual, em processo contínuo a partir da puberdade. Na ovogênese, um só óvulo por meiose: o citoplasma vai quase todo para uma célula, e os corpúsculos polares degeneram; o processo começa antes do nascimento, para na prófase I por anos e só termina se houver fecundação. Esquema fora de escala. Diagrama autoral.Não disjunção, acompanhada num único par de homólogos. Se o erro ocorre na meiose I, todos os quatro gametas ficam alterados (dois com um cromossomo a mais, dois com um a menos); se ocorre na meiose II, metade sai normal. Em qualquer caso, um gameta com 24 cromossomos fecundado por um gameta de 23 dá um zigoto com 47. Esquema fora de escala. Diagrama autoral.As três anáfases, lado a lado, na célula-modelo com 2n = 4. Só a anáfase I move cromossomos inteiros, de duas cromátides; a anáfase da mitose e a anáfase II movem cromátides, e se distinguem pela contagem: na mitose chega a cada polo o número completo da espécie; na anáfase II, a metade. Esquema fora de escala. Diagrama autoral.Na metáfase mitótica, cromossomos duplicados se alinham individualmente. O modelo simplificado usa apenas um par de homólogos.A meiose I separa homólogos. Neste modelo com um par inicial, cada produto tem um cromossomo duplicado e já é haploide.Um par de homólogos duplicados reúne quatro cromátides. Homólogos podem portar alelos distintos; as cores apenas distinguem a origem no modelo.No modelo sem erros, a mitose conserva a ploidia: cada filha recebe um exemplar de cada cromossomo da célula inicial.A meiose II separa cromátides sem uma nova replicação entre as divisões. O esquema omite recombinação para destacar a contagem.Numa lâmina de ponta de raiz, cada célula está num ponto diferente do ciclo: a maioria em interfase, e algumas em cada fase da mitose. Contar quantas estão em cada fase estima quanto tempo cada fase dura.Na colmeia, rainha e operárias são diploides e formam óvulos por meiose; o zangão é haploide e forma espermatozoides por mitose, porque não há o que reduzir.No musgo, a planta verde é haploide e forma gametas por mitose; a cápsula no alto da haste é a parte diploide, onde a meiose produz esporos. A meiose das plantas produz esporos, não gametas.A ameba se reproduz dividindo-se ao meio, e a divisão é uma mitose: duas células com o mesmo número de cromossomos e a mesma informação. Reprodução, sim; assexuada.Um cariótipo é feito com células do sangue em cultura, paradas na metáfase: é nele que se contam 46 cromossomos, ou 47 quando uma não disjunção na meiose de um dos genitores deixou um cromossomo a mais.Um corte fecha em uma semana porque as células das bordas se dividem por mitose até as duas frentes se tocarem: cada célula nova é uma cópia, com os mesmos 46 cromossomos.Representação didática de 46 cromossomos humanos em metáfase. Cromossomos em metáfase, cada um já duplicado: duas cromátides-irmãs unidas pelo centrômero. É assim, parados nesta fase, que eles são fotografados para montar um cariótipo.
Rota PAS 1
Citologia: a célula por dentro · PAS 1
Fontes desta página
Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.
Rota PAS 1 — Citologia: a célula por dentro · Antes de começar: dez minutos de aquecimento (ideia 4, cromossomos); Núcleo e divisão celular: quando a célula copia e quando reduz? (itens reais 2019/58, 2005/143 e 2005/144); Como a banca cobra; Banco de treino (T16 = 2014/50, T18 = 2019/57, T21)
Recorte por assunto: mitose × meiose pela finalidade e pelo resultado. O ciclo celular, o câncer e a vacina contra o HPV, da mesma seção, ficam na página do núcleo e ciclo celular.
Rota PAS 1 — Banco de treino da Citologia, resoluções · T16 (2014/50), T17 (variante de 2005/144), T18 (2019/57) e T21 (tipo B, 4 × 23)
Conferência dos gabaritos dos itens reais e do padrão das variantes.
Biologia EM1 — Bloco PAS do Capítulo 8 (itens reais com textos-base) · Texto-base I (2019, itens 57 e 58, com transcrição das falas da tirinha), texto-base II (2014, item 50, Ciência Hoje) e texto-base III (2005, itens 143 e 144, Weismann); gabarito comentado
Itens do PAS/UnB reproduzidos verbatim com os textos-base integrais; os itens de 2013 sobre a vacina contra o HPV ficam na página do núcleo e ciclo celular.
Rota PAS 3 — Citologia e bioquímica: a célula em funcionamento · Núcleo, ciclo celular e divisões: a contabilidade dos cromossomos (vocabulário, tabela de contagem, gametogênese, itens reais 2012/113, 2013/116 tipo D e o texto-base da anemia falciforme); Como a banca cobra (2025/44); Banco de treino (T20 a T24, com o item real 2015/82)
Fonte das contagens de cromossomos e moléculas de DNA por fase e dos itens reais da 3.ª etapa.
Rota PAS 3 — Banco de treino da Citologia e bioquímica, resoluções · T20 (variante de 2012/113), T21 (variante de 2025/44), T22 (2015/82), T23 e T24 (tipo B, 23 × 10)
Conferência dos gabaritos e da análise dos distratores do item das abelhas.
Biologia EM1 — Capítulo 8: Núcleo, cromossomos e divisão celular · Cariótipo: n e 2n e a tabela de números de cromossomos; Mitose: uma célula, duas cópias (fases, citocinese animal × vegetal, fissão binária, experimento da raiz de cebola e índice mitótico); Meiose: uma célula, quatro diferentes (meiose I e II, segregação independente, crossing-over, onde ocorre, não disjunção); Mitose, meiose e reprodução: o quadro
Fonte das fases, da célula-modelo com 2n = 4, do quadro comparativo e do experimento escolar. O ciclo celular (G1, S, G2, pontos de checagem), o câncer e as células-tronco, do mesmo capítulo, ficam na página do núcleo e ciclo celular. A história (Flemming 1882, Waldeyer 1888) foi conferida externamente; a história da meiose (van Beneden 1883, Weismann 1890, Farmer e Moore 1905) não está no capítulo e veio de conferência externa.
Biologia EM1 — Respostas do Capítulo 8 · Checagens 3 a 6; exercícios 2, 4, 5, 6, 7, 8, 9 e 16
Conferência das contagens por fase, do índice mitótico e da classificação das situações. Fontes externas da seção de não disjunção (não estão no repositório): Ministério da Saúde, Diretrizes de atenção à pessoa com síndrome de Down (2013), https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/diretrizes_atencao_pessoa_sindrome_down.pdf — Introdução (um nascimento a cada 600 a 800) e 5.2 Diagnóstico laboratorial (trissomia simples por não disjunção meiótica em 95 %, translocação 3 a 4 %, mosaico 1 a 2 %); relação com a idade materna: MedlinePlus Genetics (NIH, 2020); número de ovócitos ao nascer e na puberdade: OpenStax, Anatomy and Physiology 2e, seção 27.2.