Vertebrados

Guia de estudo · Revisado em 06/10/2026

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Um lambari, um sapo-cururu, um teiú, uma seriema e um lobo-guará dividem o mesmo brejo do Cerrado numa tarde de outubro. Todos têm coluna vertebral e um esqueleto por dentro, e o mesmo desenho de embrião nas primeiras semanas. Mas só um mantém o corpo quente de madrugada, só dois podem viver a vida inteira longe da água, cada um respira por uma superfície diferente e cada um descarta o nitrogênio de um jeito. O que muda, de uma classe para a outra, para que o mesmo plano de corpo caiba no rio, no brejo, na pedra ao sol, no ar e na noite fria?

O que você vai aprender

  • Definir cordado pelas quatro marcas (notocorda, tubo nervoso dorsal e oco, fendas faríngeas, cauda pós-anal) presentes em alguma fase da vida, distinguir protocordados (anfioxo, ascídia) de craniados e vertebrados, e situar agnatos, gnatostomados, tetrápodes e amniotas num cladograma.
  • Ler um cladograma de cordados pelos nós, contando as novidades compartilhadas por dois ramos e reconhecendo a endotermia como característica surgida duas vezes.
  • Comparar peixes cartilaginosos e ósseos (esqueleto, boca, escamas, opérculo, bexiga natatória, válvula espiral, cloaca, excreta, fecundação) e explicar a osmorregulação de peixes de água doce, marinhos e cartilaginosos.
  • Descrever a vida dupla dos anfíbios (girino com brânquias e amônia; adulto com pulmões saculares, pele permeável, circuito pulmocutâneo e ureia), o papel da tiroxina na metamorfose e as razões da dependência da água.
  • Enumerar o pacote dos répteis (ovo amniótico, pele queratinizada com escamas epidérmicas, ácido úrico, pulmões, ectotermia, coração de três câmaras com exceção dos crocodilianos) e explicar a determinação do sexo pela temperatura nos quelônios.
  • Explicar as adaptações das aves ao voo e à endotermia (penas, uropigiana, sacos aéreos e parabrônquios, ossos pneumáticos, quatro câmaras, papo, proventrículo e moela, ácido úrico, cloaca) e separá-las das marcas exclusivas dos mamíferos.
  • Reconhecer as marcas dos mamíferos (pelos, glândulas mamárias, sudoríparas e sebáceas, diafragma, alvéolos, dentição heterodonte, ureia, panículo adiposo), o funcionamento do estômago dos ruminantes e as três estratégias reprodutivas (monotremados, marsupiais, placentários).
  • Classificar a circulação de qualquer animal pelas três perguntas (aberta ou fechada; simples ou dupla; incompleta ou completa), relacioná-la ao tamanho do corpo e à endotermia, e redigir a resposta construída sobre o tema.
  • Deduzir a excreta nitrogenada de um animal (amônia, ureia, ácido úrico) a partir da água disponível, da toxicidade e da solubilidade, e explicar por que o ovo amniótico e o ácido úrico andam juntos.
  • Classificar a reprodução de um vertebrado por fecundação (externa ou interna), desenvolvimento (ovíparo, ovovivíparo, vivíparo; direto ou indireto) e reconhecer a fecundação externa como reprodução sexuada.
  • Distinguir ectotermia de pecilotermia e endotermia de homeotermia, explicar hibernação, estivação e torpor, e interpretar gráficos de temperatura corporal e consumo de oxigênio em função da temperatura ambiente.
  • Usar a fauna do Cerrado e da Amazônia como repertório (arraia, lambari, sapo-cururu, teiú, jararaca, ema, seriema, lobo-guará, tamanduá-bandeira, saruê) e relacionar a fisiologia de cada classe às suas ameaças de conservação.
  • Reconhecer os moldes dos itens (marca na classe errada, função trocada, absoluto com exceção, ficha completa pelo lado certo) e a correção de cada um.

Numa tarde de outubro, antes das primeiras chuvas, um brejo do Cerrado perto de Brasília reúne cinco animais que não se parecem em nada. Um lambari rasga a água rasa atrás de larvas de inseto. Um sapo-cururu espera a noite debaixo de uma folha, com a pele úmida colada à lama. Um teiú de um metro se aquece numa pedra, de barriga para o sol, porque sem o sol não consegue correr. Uma seriema atravessa o capim com passos largos, e um lobo-guará, de pernas compridas, vai passar por ali de madrugada, quando a temperatura cair para uns 12 °C e nenhum dos outros quatro estiver em condições de fazer nada. Os cinco têm coluna vertebral, crânio, um esqueleto por dentro que cresce com o corpo, e o mesmo desenho de embrião nas primeiras semanas de vida. E, ainda assim, só um mantém o corpo quente de madrugada por conta própria, só dois podem passar a vida inteira longe da água, cada um respira por uma superfície diferente e cada um descarta o nitrogênio que sobra das proteínas de um jeito. Esta página explica o que muda de uma classe para a outra para que o mesmo plano de corpo caiba no rio, no brejo, na pedra ao sol, no ar e na noite fria.

O percurso tem duas metades. Na primeira, cada classe entra com a sua própria lógica: o que os cordados têm em comum e como se lê a árvore deles; os dois projetos de peixe; a vida dupla dos anfíbios; o pacote que soltou os répteis da água; o motor interno das aves; o leite, os pelos e as três maneiras de nascer dos mamíferos. Na segunda metade, as classes são postas lado a lado por função, e é aí que a prova vive: respiração, circulação, excreção, reprodução e controle de temperatura, cada uma com a regra que gera as diferenças, para que a tabela seja deduzida, não decorada. Os assuntos vizinhos ficam em páginas próprias: os anexos do ovo e a embriologia em embriologia (aqui só a ponte do ovo amniótico); o outro grande filo de animais em artrópodes; a anatomia humana de cada sistema em sistema cardiovascular, sistema respiratório e sistema excretor (aqui só o comparativo entre classes); a história evolutiva em evidências da evolução e especiação; as regras da classificação em taxonomia e sistemática (aqui só o cladograma dos cordados); e o bioma em Cerrado.

O que faz de um animal um cordado: quatro marcas que todo embrião tem

Um ser humano adulto não tem cauda, não tem fendas na garganta nem um bastão de sustentação nas costas. Um embrião humano de quatro semanas tem os três. É esse o critério do filo: um cordado é um animal que, em alguma fase da vida (quase sempre a embrionária), apresenta ao mesmo tempo quatro estruturas.

As quatro marcas dos cordados
  1. Notocorda: um bastão flexível de células cheias de líquido, que corre pelo dorso do embrião logo abaixo do tubo nervoso e dá sustentação ao corpo. Nos vertebrados, a coluna vertebral se forma em torno dela e a substitui; sobram restos da notocorda no núcleo dos discos entre as vértebras.
  2. Tubo nervoso dorsal e oco: o sistema nervoso central nasce como um tubo que corre pelas costas, acima da notocorda, e cuja porção anterior se dilata para formar o encéfalo. Nos outros filos, o cordão nervoso é maciço e ventral.
  3. Fendas faríngeas: aberturas pareadas na parede da faringe, atrás da boca. Nos cordados aquáticos, viram as brânquias ou o aparelho de filtração; nos terrestres, aparecem no embrião e se transformam em outras estruturas (partes do ouvido médio e das glândulas do pescoço).
  4. Cauda pós-anal: um prolongamento do corpo depois do ânus, com músculo e esqueleto, usado para nadar. Nos humanos, reduz-se ao cóccix.

A regra de julgamento: as quatro precisam existir em alguma fase. Um animal adulto sem cauda e sem fendas continua cordado se o embrião as teve.

Há ainda duas marcas de apoio que a prova usa menos: o endostilo, um sulco na faringe que secreta muco para capturar alimento nos cordados filtradores e que, nos vertebrados, corresponde à glândula tireoide; e a posição de deuterostômio, isto é, a primeira abertura do embrião vira ânus e a boca se forma depois, o que coloca os cordados ao lado dos equinodermos (estrelas-do-mar, ouriços) e longe de insetos e minhocas, que são protostômios.

Protocordados e craniados

Nem todo cordado tem crânio. Os protocordados são os cordados sem crânio e sem vértebras, todos marinhos e pequenos: o anfioxo (cefalocordado), um animal em forma de lâmina, enterrado na areia com a boca para fora, que mantém as quatro marcas a vida inteira e filtra a água pelas fendas; e as ascídias ou tunicados (urocordados), que na fase larval nadam como um girino com notocorda e cauda e, ao se fixar numa rocha, reabsorvem a cauda e a notocorda e passam o resto da vida como um saco filtrador. A ascídia é a resposta pronta para o item que diz que “todo cordado tem notocorda na fase adulta”: a larva tem; o adulto, não.

Os craniados têm uma caixa de cartilagem ou osso em torno do encéfalo. Quase todos são vertebrados, com vértebras em torno da notocorda; a feiticeira (peixe-bruxa) tem crânio e não tem vértebras verdadeiras, e por isso os dois termos não são sinônimos perfeitos, embora a escola os use como se fossem. Dentro dos vertebrados, a primeira divisão é a mandíbula: os agnatos (lampreias e feiticeiras) não a têm, e a boca é um disco de ventosas e dentes córneos com que a lampreia se prende a outro peixe e raspa a carne; os gnatostomados (todos os outros) têm mandíbula, formada na evolução a partir do primeiro par de arcos que sustentavam as fendas faríngeas. Mandíbula é o que permite morder, e com ela os vertebrados passaram de filtradores e raspadores a predadores.

As divisões seguintes marcam cada conquista: os tetrápodes (anfíbios, répteis, aves e mamíferos) têm quatro membros com dedos, derivados das nadadeiras pares de um grupo de peixes ósseos de nadadeiras carnudas; os amniotas (répteis, aves e mamíferos) têm o ovo com âmnio, que dispensa a água para se reproduzir; e os endotérmicos (aves e mamíferos) fabricam o próprio calor, uma solução que apareceu duas vezes, separadamente.

Cladograma dos cordados com as novidades evolutivas marcadas em cada ramo

Cordado não é vertebrado, e notocorda não é coluna

“Todos os cordados são vertebrados” é falso: anfioxo e ascídia são cordados sem vértebra. “A notocorda é a coluna vertebral dos peixes” também é falso: a notocorda é o bastão embrionário; a coluna é feita de vértebras que a substituem. E o par que a prova mais troca: nos cordados, o tubo nervoso é dorsal; nos artrópodes e anelídeos, o cordão nervoso é ventral. Um item que ponha o sistema nervoso de uma formiga no dorso, ou o de um peixe no ventre, inverteu os filos.

Exemplo resolvido 1: contar as novidades num cladograma. Num cladograma, uma lampreia, um tubarão, uma rã, uma capivara, um jacaré e uma arara aparecem nessa ordem, da base para a ponta: cada ramo se separa do tronco depois do anterior, e os dois últimos, jacaré e arara, saem de um mesmo nó. No tronco estão marcadas as novidades: mandíbula (abaixo do tubarão), quatro membros (abaixo da rã) e ovo amniótico (abaixo da capivara); a endotermia aparece duas vezes, no ramo da capivara e no ramo da arara. (a) Quantas dessas novidades a rã compartilha com a capivara? (b) Qual é o parente mais próximo da arara entre os animais listados, e por quê? © Uma frase diz que “a arara e a capivara herdaram a endotermia de um ancestral comum endotérmico”. Ela está certa?

(a) A rã e a capivara compartilham as novidades que estão abaixo do ponto em que seus ramos se separam: mandíbula e quatro membros, duas. O ovo amniótico está acima da rã, e a endotermia está em ramos de ponta, acima de qualquer nó que a rã compartilhe. (b) O jacaré: ele divide com a arara o nó mais recente do cladograma, o que vem depois da separação da capivara; é o que os cladogramas atuais mostram, com aves e crocodilianos formando um grupo só (os arcossauros), separado dos lagartos e das tartarugas. A capivara também é amniota, mas se separa antes, e o fato de a arara poder estar impressa ao lado dela não muda o parentesco. © Está errada: a endotermia aparece em dois ramos separados, o das aves e o dos mamíferos, e o ancestral comum dos dois, um amniota primitivo, era ectotérmico. É um caso de convergência, não de herança. Conferência: proximidade num cladograma é o nó compartilhado mais recente, não a posição na fila de nomes; e uma característica que aparece em dois ramos sem estar no nó que os une surgiu duas vezes.

Peixes: dois projetos para a mesma água

“Peixe” não é um grupo natural: é o nome que damos a todos os vertebrados aquáticos com brânquias e nadadeiras que não são tetrápodes. Para a prova, dois grupos importam, e eles diferem em quase tudo o que se pode medir.

Critério Peixes cartilaginosos (condrictes) Peixes ósseos (osteíctes)
Esqueleto cartilagem, às vezes calcificada, nunca óssea osso
Exemplos tubarões, raias, arraias de água doce, quimeras lambari, tilápia, pirarucu, sardinha, cavalo-marinho, moreia
Boca ventral, abaixo do focinho, com fileiras de dentes substituídos continuamente em geral terminal, na frente da cabeça
Escamas placoides, pequenos dentes de esmalte e dentina que deixam a pele áspera como lixa cicloides ou ctenoides, lâminas ósseas finas que se sobrepõem como telhas
Brânquias 5 a 7 pares de fendas abertas diretamente para fora, sem tampa cobertas por uma tampa óssea, o opérculo, que bombeia água
Flutuação sem bexiga natatória; fígado grande e oleoso, nadadeiras peitorais que funcionam como asas; afundam se param de nadar bexiga natatória cheia de gás que regula a densidade
Intestino curto, com uma dobra interna em hélice, a válvula espiral, que faz o alimento demorar mais e amplia a superfície absortiva longo, sem válvula espiral
Saída do corpo cloaca (fezes, urina e gametas por uma só abertura) ânus e aberturas urinária e genital separadas (poro urogenital)
Excreta principal ureia, retida no sangue amônia, eliminada pelas brânquias
Fecundação interna, com claspers (nadadeiras pélvicas modificadas do macho) externa, na maioria
Desenvolvimento ovíparos (ovo com cápsula córnea), ovovivíparos ou vivíparos ovíparos, com larva (alevino)
Sentido extra ampolas de Lorenzini, que detectam campos elétricos linha lateral muito desenvolvida (também presente nos cartilaginosos)
A bexiga natatória: flutuar sem gastar energia

Um corpo flutua parado quando sua densidade iguala a da água. O tecido de um peixe (músculo, osso) é mais denso que a água; para não afundar, o peixe ósseo mantém, acima do intestino, uma bolsa de gás, a bexiga natatória, que diminui a densidade média do corpo. Enchendo-a ou esvaziando-a (por uma glândula que secreta gás a partir do sangue, ou pelo ar engolido, conforme o grupo), o animal escolhe a profundidade em que fica parado sem nadar. É um órgão de flutuação, não de respiração nem de audição. Em alguns grupos ela nasceu de uma bolsa que se abria para o esôfago, e os pulmões dos tetrápodes derivam desse mesmo tipo de bolsa; o pirarucu da Amazônia respira ar com a bexiga vascularizada e precisa subir à superfície. O tubarão e a arraia não têm bexiga natatória: compensam com o fígado rico em óleo, menos denso que a água, e com as nadadeiras peitorais rígidas, que dão sustentação enquanto nadam. É por isso que a arraia passa o dia enterrada no fundo e o tubarão nunca para.

Osmorregulação: a água entra ou sai pela pele e pelas brânquias

A água e os sais atravessam a superfície fina das brânquias, e o peixe vive num cabo de guerra osmótico que depende do lugar em que nada.

  • Peixe ósseo de água doce (lambari, tilápia): o sangue é mais concentrado que o rio. A água entra o tempo todo por osmose e os sais tendem a sair. O peixe não bebe, produz urina abundante e diluída e tem nas brânquias células que absorvem sal da água ativamente.
  • Peixe ósseo marinho (sardinha, garoupa): o mar é mais concentrado que o sangue. O peixe perde água e ganha sal. A solução é beber água do mar, produzir pouca urina, concentrada, e expulsar o excesso de sal por células das brânquias.
  • Tubarão e raia marinhos: em vez de lutar contra o mar, igualam-se a ele. Retêm no sangue ureia e outra substância, o óxido de trimetilamina, até o sangue ficar tão concentrado quanto a água do mar; assim quase não perdem água por osmose. O excesso de sal sai por uma glândula retal. É a razão pela qual a carne de tubarão cheira a amônia se não for tratada logo: a ureia se decompõe.

Osmorregulação comparada: peixe ósseo de água doce, peixe ósseo marinho e tubarão, com o sentido da água e do sal

Um peixe de água doce posto na água do mar desidrata; um peixe marinho na água doce incha. As poucas espécies que transitam entre os dois meios, como o salmão e as enguias, trocam o funcionamento das brânquias ao longo da migração.

Exemplo resolvido 2: um aquário com a água errada. Um aquarista transfere um lambari de um rio do Cerrado para um tanque de água do mar diluída, duas vezes mais concentrada que o sangue do peixe. Descreva o que acontece com a água do corpo do animal nas primeiras horas, o que o rim dele continua tentando fazer, e por que um tubarão no mesmo tanque não teria o problema.

O lambari é um peixe de água doce: seu corpo é mais concentrado que o rio, e os mecanismos dele foram ajustados para expulsar água (urina abundante e diluída) e reter sal (absorção ativa pelas brânquias). No tanque, a relação se inverte: a água, agora mais concentrada que o sangue, puxa água do corpo por osmose pelas brânquias e pela boca, e o sal entra. O rim continua produzindo urina diluída, porque é o que ele sabe fazer, e isso agrava a perda de água; as brânquias continuam absorvendo sal. O animal desidrata e acumula sal, e morre se não for devolvido à água doce. O tubarão não sofre porque não depende de não perder água: ele mantém ureia no sangue até igualar a concentração do meio, de modo que não há diferença osmótica que empurre a água para fora; o sal que entra sai pela glândula retal. Conferência: o sentido da osmose é sempre da solução menos concentrada para a mais concentrada; identificar quem é mais concentrado em cada par (sangue × meio) resolve qualquer item de osmorregulação.

Estrutura certa, função errada

“A bexiga natatória percebe vibrações” (não: isso é a linha lateral). “A cloaca do tubarão faz trocas gasosas” (não: é a saída comum de fezes, urina e gametas; as brânquias respiram). “A válvula espiral bombeia sangue” (não: é uma dobra do intestino do tubarão que prolonga o contato do alimento com a parede absortiva). “O peixe ósseo excreta ureia para economizar água” (não: ele vive na água e elimina amônia direto pelas brânquias). O item pega um órgão real e lhe dá a tarefa de outro; a defesa é saber o verbo de cada estrutura.

A pele de lixa e o cheiro de amônia

Quem já passou a mão num cação do mercado no sentido contrário ao das escamas sentiu a lixa das escamas placoides, que são dentes de pele. E o cheiro forte de amônia da carne de cação ou de raia mal conservada é a ureia do sangue se decompondo; o truque dos pescadores, sangrar e lavar o animal logo depois de capturado, é uma aula de osmorregulação.

Anfíbios: a dupla vida e a pele que respira

O nome diz o projeto: amphi, dois; bios, vida. A maioria dos anfíbios nasce na água, respirando por brânquias, e termina a vida em terra, respirando por pulmões e pela pele. São três ordens: os anuros (sapos, rãs e pererecas, sem cauda quando adultos), os urodelos (salamandras, com cauda) e os gimnofionos ou ápodes (cecílias, sem patas, parecidas com minhocas, que vivem enterradas). O Brasil é o país com mais espécies de anfíbios do mundo, mais de mil e cem, a maioria de anuros.

A metamorfose do girino

Do ovo gelatinoso, posto na água, sai o girino: um animal aquático com cauda, brânquias (externas no início, depois cobertas), boca raspadora de algas, intestino longo de herbívoro, coração de duas câmaras e excreção de amônia. Sob o comando do hormônio da tireoide (a tiroxina), o corpo é reconstruído: nascem as patas traseiras e depois as dianteiras, a cauda é reabsorvida e serve de alimento, os pulmões se formam, as brânquias desaparecem, o intestino encurta para a dieta carnívora de insetos, o coração ganha uma terceira câmara e o rim passa a eliminar ureia. Um girino criado em água sem iodo não completa a metamorfose, porque a tiroxina precisa de iodo: foi assim que se descobriu o papel do hormônio.

O adulto conserva a dependência da água por três razões que aparecem juntas. A pele é fina, sem escamas, cheia de glândulas de muco que a mantêm úmida, e por ela passa boa parte das trocas gasosas (respiração cutânea), o que só funciona com a pele molhada; a mesma pele deixa a água sair, de modo que um sapo ao sol desidrata em pouco tempo, e deixa entrar o que estiver dissolvido na água, o que faz dos anfíbios bons indicadores de poluição e vítimas fáceis de agrotóxicos e do fungo quitrídio. Os pulmões são sacos simples, com poucas dobras internas, ventilados por bombeamento da boca (o sapo engole ar), insuficientes sozinhos para um animal ativo; o coração de três câmaras manda parte do sangue para os pulmões e parte para a pele, no circuito chamado pulmocutâneo. E o ovo não tem casca nem âmnio: é uma esfera de gelatina que, exposta ao ar, perde água em pouco tempo e morre; a reprodução exige, portanto, a lagoa, ou ao menos um ambiente encharcado (há pererecas que põem ovos em folhas sobre a água, e sapos de serrapilheira cujos ovos eclodem já como miniaturas do adulto).

A fecundação é externa na maioria dos anuros: no amplexo, o macho agarra a fêmea e libera os espermatozoides sobre os ovos à medida que ela os solta. Nas cecílias é interna, e nas salamandras o macho deposita um pacote de esperma que a fêmea recolhe com a cloaca, também uma forma de fecundação interna. Os anfíbios são ectotérmicos: a temperatura do corpo segue a do ambiente, e no frio ou na seca eles se enterram e reduzem o metabolismo.

O coaxar depois da chuva

O coro de sapos e rãs que começa com as primeiras chuvas de outubro no Cerrado é a reprodução acontecendo: as lagoas temporárias enchem, os machos chamam as fêmeas, os ovos vão para a água e os girinos têm até o fim da estação chuvosa para virar adultos antes que a lagoa seque. O sapo-cururu, que a prova costuma mencionar, tem atrás dos olhos as glândulas paratoides, que produzem veneno de defesa; ele não injeta nada, e só faz mal a quem o morde ou leva o veneno aos olhos e à boca.

Exemplo resolvido 3: três frases sobre o mesmo sapo. Julgue: (I) “O sapo-cururu adulto respira exclusivamente pelos pulmões, o que o torna independente da umidade do ambiente.” (II) “A pele úmida e vascularizada permite trocas gasosas, mas também expõe o animal à perda de água e a poluentes.” (III) “O girino e o adulto eliminam o nitrogênio da mesma forma, como ureia.”

(I) Falsa: a respiração é pulmonar e cutânea, e justamente a cutânea exige pele úmida; o animal depende da umidade. (II) Verdadeira: as duas faces da mesma pele permeável. (III) Falsa: o girino, aquático, elimina amônia, diluída na água; a ureia é a excreta do adulto, que precisa economizar água em terra. Conferência: as três frases se decidem pela mesma ideia, a pele permeável e a vida dupla; o item que atribui ao anfíbio uma independência da água está vestindo nele a ficha do réptil.

Répteis: o pacote da terra seca

Um lagarto pode nascer, crescer, se reproduzir e morrer sem nunca ver uma poça. Isso exige quatro soluções que aparecem juntas em todos os répteis, e que são herdadas, com acréscimos, por aves e mamíferos.

O que soltou os répteis da água
  • Ovo amniótico: o embrião se desenvolve imerso no líquido de uma membrana própria, o âmnio, com uma reserva de alimento (o saco vitelínico), um depósito de excretas (o alantoide) e uma membrana de trocas gasosas (o cório), tudo dentro de uma casca que deixa passar gases e segura água. A lagoa foi internalizada. Os anexos são assunto de embriologia; aqui importa a consequência: fecundação obrigatoriamente interna (a casca é posta depois) e desenvolvimento direto, sem larva.
  • Pele seca e queratinizada, com escamas de origem epidérmica (ectoderme), que quase não deixam passar água nem gás. A pele deixa de respirar e de perder água; a respiração passa a ser só pulmonar. A camada externa é trocada de tempos em tempos (a muda das serpentes, em peça única).
  • Ácido úrico como excreta nitrogenada: quase insolúvel, eliminado em pasta branca pela cloaca, com perda mínima de água. É também o que permite ao embrião acumular excreta dentro do ovo fechado sem se envenenar.
  • Pulmões com mais dobras internas que os dos anfíbios, ventilados pelos músculos das costelas (não pelo bombeamento da boca).

O que os répteis não têm é motor próprio: são ectotérmicos. O calor vem do ambiente, e o animal o administra pelo comportamento, tomando sol de manhã, procurando sombra ao meio-dia, enterrando-se na seca. Isso tem um preço (a lagartixa some nas manhãs frias) e uma vantagem enorme: um réptil gasta uma fração da energia de um mamífero do mesmo tamanho e pode passar semanas sem comer. O coração tem três câmaras, dois átrios e um ventrículo com um septo incompleto, que mistura um pouco de sangue arterial e venoso; nos crocodilianos, o septo é completo (quatro câmaras), ainda que uma comunicação entre as artérias permita desviar sangue durante o mergulho.

Três grupos vivem hoje. Os quelônios (tartarugas marinhas, cágados de água doce, jabutis terrestres) têm casco formado por costelas e vértebras fundidas a placas ósseas, não têm dentes e põem ovos em buracos na areia ou na terra. Os escamados são os lagartos (teiú, lagartixa, iguana, calango) e as serpentes, que são lagartos sem patas: as serpentes têm os ossos da mandíbula ligados por ligamentos elásticos, o que lhes dá uma das maiores aberturas de boca entre os cordados e permite engolir presas mais largas que a própria cabeça. A maioria é ovípara, mas há escamados ovovivíparos, em que o ovo fica retido no corpo da mãe até a eclosão (a jararaca e a cascavel nascem assim), e alguns vivíparos de verdade, com nutrição pela mãe. Os crocodilianos (jacarés e crocodilos) são os parentes vivos mais próximos das aves, cuidam dos ovos e dos filhotes e têm o coração de quatro câmaras.

O sexo decidido pela temperatura do ninho

Em muitos quelônios e em todos os crocodilianos não há cromossomos sexuais: o sexo do filhote é decidido pela temperatura de incubação nas semanas do meio do desenvolvimento. Nas tartarugas marinhas, ninhos mais quentes dão mais fêmeas e ninhos mais frios, mais machos; a temperatura em que nascem metade de cada sexo, chamada pivotal, fica em torno de 29 °C, e a diferença de um ou dois graus muda a proporção de forma brusca. Em jacarés, a regra é invertida em parte da faixa. A consequência prática é a razão pela qual o aquecimento do planeta e a sombra retirada das praias entraram na agenda da conservação: uma praia dois graus mais quente pode produzir ninhadas quase só de fêmeas.

Exemplo resolvido 4: ler um gráfico de temperatura e sexo. Num estudo, ovos de uma espécie de cágado foram incubados a temperaturas fixas, e a porcentagem de fêmeas na ninhada foi: 0 % a 26 °C, 0 % a 27 °C, 10 % a 28 °C, 50 % a 29 °C, 90 % a 30 °C e 100 % a 31 °C. (a) Qual é a temperatura pivotal? (b) Até que temperatura um criadouro deveria incubar os ovos para obter só machos? © Se as praias de desova aquecerem 2 °C em relação a uma média atual de 29 °C, o que acontece com a proporção de sexos?

(a) A temperatura pivotal é a que dá 50 % de cada sexo: 29 °C. (b) Até 27 °C, o maior valor em que ainda não nasce nenhuma fêmea; a 28 °C já aparecem 10 %. © A 31 °C, a ninhada é 100 % de fêmeas; uma população em que não nascem machos deixa de se reproduzir em poucas gerações, mesmo com muitas fêmeas. Conferência: o gráfico é lido em dois eixos (temperatura → porcentagem), a pivotal está no cruzamento com 50 %, e a pergunta sobre “só machos” pede o último ponto em 0 %, não o primeiro acima dele.

Poupar água não é guardar água

O ácido úrico é a excreta que sai com menos água; ele não é um reservatório de água nem uma forma de “estocar” nada. Um item que diga que o lagarto “acumula ácido úrico como reserva hídrica” confunde economizar com armazenar. Do mesmo modo, “os répteis têm circulação pulmocutânea” veste o réptil com a pele do anfíbio: a pele queratinizada não respira, e o circuito é só pulmonar. E “todos os répteis têm três câmaras” esquece os crocodilianos.

Aves: o plano dos répteis com motor próprio

Tudo o que um réptil tem, uma ave tem: ovo amniótico com casca, fecundação interna, pele seca com escamas (nas pernas), ácido úrico, cloaca, ectoderme que produz queratina. Nos cladogramas atuais, as aves estão dentro do grupo dos répteis, ao lado dos crocodilianos, como descendentes de dinossauros emplumados. O que as separa dos demais répteis é um conjunto de adaptações ao voo e ao calor interno, e cada peça desse conjunto é uma pergunta de prova.

As marcas das aves, uma a uma
  • Penas: estruturas de queratina derivadas das escamas, que isolam termicamente (penugem), formam a superfície de voo (penas das asas e da cauda) e repelem água quando untadas com o óleo da glândula uropigiana, na base da cauda, que a ave espalha com o bico. Em aves aquáticas, é essa impermeabilização que permite mergulhar sem encharcar.
  • Endotermia: a temperatura do corpo é mantida constante, em geral entre 40 e 42 °C, por calor produzido no próprio metabolismo. Custa uma taxa metabólica alta, muita comida e um coração capaz de sustentá-la.
  • Coração de quatro câmaras, com circulação dupla e completa: sangue arterial puro para os músculos de voo.
  • Pulmões com sacos aéreos: os pulmões são pequenos e rígidos, ligados a vários sacos aéreos que se estendem pelo corpo e penetram em alguns ossos. O ar atravessa o pulmão sempre no mesmo sentido, por tubos chamados parabrônquios, e uma inspiração leva dois ciclos respiratórios para passar pelo sistema; o resultado é uma troca gasosa mais eficiente que a dos mamíferos, suficiente para voar a altitudes em que um ser humano desmaiaria.
  • Ossos pneumáticos: ocos, com paredes finas e trabéculas internas, invadidos pelos sacos aéreos; leves sem perder rigidez. O esterno tem uma quilha onde se prendem os músculos do voo.
  • Bico sem dentes e um tubo digestório que compensa: o papo (uma bolsa do esôfago onde o alimento fica guardado e amolece antes de seguir), o proventrículo (estômago químico) e a moela (estômago muscular que tritura, muitas vezes com pedrinhas engolidas). Sem dentes nem bexiga urinária, a ave carrega menos peso na frente e atrás.
  • Ovos com casca calcária, incubados pelo calor do corpo dos pais, e fecundação interna sem órgão copulador na maioria das espécies (as cloacas se encostam).

No Cerrado, as aves que a prova cita são as grandes caminhadoras, não as voadoras: a ema, a maior ave brasileira, que não voa e corre; a seriema, que caça serpentes e lagartos no capim; o tucano e as araras, que dispersam sementes. Nenhuma delas foge à ficha: todas são endotérmicas, com penas, ovo com casca e ácido úrico, voando ou não.

A ave não é "o mamífero com penas"

Aves e mamíferos compartilham a endotermia e o coração de quatro câmaras, e a prova usa isso para colar nas aves marcas que são só dos mamíferos: glândulas sudoríparas (as aves não suam; perdem calor ofegando e pelas patas), panículo adiposo contínuo sob a pele (a gordura das aves se concentra em depósitos, e o isolamento é das penas), ureia (a excreta é ácido úrico), bexiga urinária (não têm), diafragma (não têm; a ventilação é pelos sacos aéreos e pelo movimento do esterno). A ave é um réptil endotérmico; a lista do que ela tem vem dos répteis, mais as adaptações ao voo.

Mamíferos: pelos, leite e três maneiras de nascer

O lobo-guará que atravessa o brejo de madrugada carrega as marcas que definem a classe, e três delas são exclusivas: pelos (de queratina, isolantes, nunca presentes em outra classe), glândulas mamárias (que produzem leite para os filhotes) e, na pele, glândulas sudoríparas (suor, que resfria por evaporação) e sebáceas (óleo). As outras marcas são compartilhadas ou derivadas: endotermia, com temperatura em torno de 36 a 39 °C, sustentada por um panículo adiposo (camada de gordura sob a pele) e pelos pelos; diafragma, o músculo que separa tórax de abdome e cuja contração enche os pulmões; pulmões alveolares, divididos em milhões de bolsas microscópicas; coração de quatro câmaras e hemácias sem núcleo; ureia como excreta, dissolvida na urina que se acumula na bexiga; e dentição heterodonte, com dentes de formas diferentes para tarefas diferentes.

A dentição conta a dieta

Os mamíferos têm, em geral, quatro tipos de dentes: incisivos (cortar), caninos (perfurar e segurar), pré-molares e molares (triturar). A proporção entre eles diz o que o animal come. Um carnívoro como a onça tem caninos longos e molares cortantes, em tesoura; um herbívoro como o veado tem incisivos que aparam a vegetação, um espaço sem dentes (diastema) e molares largos, de superfície plana e rugosa, para moer; um roedor como a capivara tem incisivos que crescem a vida inteira e se desgastam uns contra os outros; o tamanduá-bandeira não tem dente nenhum e lambe formigas com a língua comprida. Dois conjuntos de dentes ao longo da vida (de leite e permanente) são outra marca da classe.

Os ruminantes (boi, veado, cabra) resolveram o problema que nenhum vertebrado resolve sozinho: digerir celulose. O estômago tem quatro compartimentos. No rúmen, o maior, uma comunidade de bactérias e protozoários fermenta a celulose e produz ácidos que o animal absorve; do rúmen e do retículo, que se comunicam, o bolo volta à boca para ser mastigado de novo (a ruminação), desce então ao omaso, que retira água, e só no abomaso, o estômago verdadeiro, aparecem as glândulas e as enzimas do próprio animal, que digerem inclusive os micro-organismos do rúmen. Dizer que o rúmen secreta enzimas digestivas é dar ao hospedeiro o trabalho dos hóspedes.

Monotremados, marsupiais e placentários

Os mamíferos nascem de três maneiras, e a prova gosta de misturá-las.

Grupo Como nasce Exemplos O que decide o item
Monotremados põem ovos com casca; os filhotes lambem o leite que escorre de glândulas sem mamilos; têm cloaca ornitorrinco e equidnas (só na Austrália e Nova Guiné) o único mamífero ovíparo; leite sem mamilo; cloaca
Marsupiais gestação curtíssima, com placenta rudimentar; o filhote nasce vivo e muito imaturo, sobe até a bolsa (marsúpio) e termina de se desenvolver preso a um mamilo canguru e coala (Austrália); gambá ou saruê, cuíca (Brasil) o filhote nasce vivo; a bolsa não abriga ovo; há marsupiais no Brasil
Placentários gestação longa, com placenta verdadeira que faz trocas entre o sangue da mãe e o do feto, sem misturá-los; filhote nasce formado lobo-guará, tamanduá-bandeira, veado-campeiro, capivara, morcegos, baleias, humanos trocas por difusão, sem mistura de sangue; a maioria dos mamíferos

Os morcegos são os únicos mamíferos que voam de verdade, com uma membrana de pele esticada entre os dedos alongados da mão; a maioria dos brasileiros come insetos ou frutas, e só três espécies se alimentam de sangue. Baleias e golfinhos são mamíferos que voltaram ao mar: respiram ar pelos pulmões, amamentam e mantêm o corpo quente com gordura. Nenhum deles perde a ficha da classe ao mudar de ambiente.

Exemplo resolvido 5: três filhotes, três fichas. Um texto de divulgação descreve (a) um filhote que “nasce do tamanho de um feijão, cego, e rasteja até uma bolsa na barriga da mãe”; (b) um filhote que “sai de um ovo de casca mole e lambe leite do pelo da mãe”; © um filhote que “nasce depois de meses de gestação, já com pelos e olhos abertos, alimentado até então pelo sangue da mãe através de um órgão”. Classifique os três e aponte o erro de uma quarta frase: “o saruê, marsupial comum nas cidades brasileiras, choca ovos dentro do marsúpio”.

(a) Marsupial: nasce vivo, imaturo, e completa o desenvolvimento na bolsa. (b) Monotremado: o único mamífero que põe ovos, com leite sem mamilos. © Placentário: gestação longa com placenta; a frase simplifica ao dizer “alimentado pelo sangue da mãe”, pois o sangue não passa para o feto, só nutrientes e gases por difusão. A quarta frase junta duas fichas: o marsupial não põe ovo; quem põe é o monotremado, e fora de qualquer bolsa. Conferência: as três palavras-chave (bolsa, ovo, placenta) pertencem a um grupo cada; um item que use duas delas para o mesmo animal errou.

A ficha transversal: cinco perguntas para qualquer vertebrado

Até aqui as classes entraram uma a uma. A prova faz o contrário: pega uma função e pergunta como cada classe a resolve, ou descreve a solução de uma classe com o nome de outra. Esta metade da página organiza as mesmas informações por função, e, para cada função, dá a regra que explica as diferenças.

Tegumento: o que separa o animal do mundo

A pele dos vertebrados tem sempre duas camadas, a epiderme (de origem ectodérmica) e a derme (mesodérmica), e o que muda é o que cada classe fabrica nelas. O peixe ósseo cobre a derme com escamas ósseas e a epiderme com muco; o cartilaginoso tem dentes de pele. O anfíbio aposta na epiderme nua, úmida e glandular, que respira e desidrata. Répteis, aves e mamíferos produzem queratina na epiderme e a transformam em escamas, penas e pelos, respectivamente: as três são variações da mesma proteína, e as três são impermeáveis. A regra: quanto mais o animal depende da pele para respirar, mais ela precisa ficar úmida e mais ele fica preso à água; quanto mais impermeável a pele, mais o animal depende dos pulmões, e mais longe da água pode ir.

Respiração: a superfície de troca segue o ambiente e o gasto de energia

Respirar é trocar gases por uma superfície fina, úmida e vascularizada. O que varia é onde ela fica e quanta área tem.

Classe Órgão Como a superfície é ventilada Observação
Peixes brânquias (filamentos nas fendas faríngeas) água entra pela boca e sai pelas fendas; opérculo bombeia nos ósseos fluxo em contracorrente: o sangue corre ao contrário da água e extrai muito oxigênio de um meio pobre
Anfíbios brânquias na larva; pulmões saculares e pele no adulto bombeamento da boca; difusão pela pele úmida pulmão simples, pouca área; a pele completa
Répteis pulmões com dobras costelas e músculos do tronco pele não participa
Aves pulmões rígidos com parabrônquios e sacos aéreos sacos aéreos movem ar em sentido único pelos parabrônquios a troca mais eficiente entre os vertebrados
Mamíferos pulmões alveolares diafragma e costelas; fluxo de entrada e saída pelo mesmo caminho área enorme (milhões de alvéolos), mas o ar velho se mistura ao novo

A regra que gera a tabela: um animal que vive na água pode usar brânquias, que colapsam fora dela; um animal terrestre precisa de uma superfície úmida protegida dentro do corpo, o pulmão; e quanto maior o gasto de energia (endotermia, voo), maior a área e mais eficiente a ventilação. A respiração humana em detalhe está em sistema respiratório.

Circulação: aberta ou fechada, simples ou dupla

Esta é a função que a banca cobra com o item de resposta construída, e vale uma seção própria.

Três perguntas sobre a circulação de um animal

O sangue fica dentro de vasos? Na circulação aberta (artrópodes, maioria dos moluscos), o líquido circulante sai do coração por vasos curtos, derrama-se em cavidades do corpo, banha os órgãos diretamente e volta ao coração; funciona em corpos pequenos e com metabolismo baixo, porque a pressão é mínima e o fluxo, lento. Na circulação fechada (anelídeos, cefalópodes como o polvo, todos os vertebrados), o sangue permanece sempre confinado em artérias, capilares e veias; a pressão é alta, o fluxo é rápido e dirigido, e corpos grandes e ativos são possíveis. A relação com o tamanho: quanto maior o corpo e maior o gasto de energia, maior a necessidade de levar oxigênio depressa a cada célula, o que só um sistema fechado e pressurizado faz.

Quantas vezes o sangue passa pelo coração numa volta? Na circulação simples (peixes), uma: coração → brânquias → corpo → coração. O coração tem duas câmaras (um átrio, um ventrículo) e só bombeia sangue venoso; o sangue chega ao corpo depois de perder pressão nas brânquias. Na circulação dupla (tetrápodes), são duas passagens por volta: coração → pulmões → coração → corpo → coração. O sangue oxigenado volta ao coração para ser bombeado de novo, com pressão renovada, para o corpo.

O sangue arterial se mistura ao venoso no coração? Na dupla incompleta (anfíbios e répteis não crocodilianos), sim, um pouco: o ventrículo é único (anfíbios) ou parcialmente dividido (répteis), e parte do sangue venoso segue para o corpo junto com o arterial. Na dupla completa (crocodilianos, aves e mamíferos), não: dois átrios e dois ventrículos totalmente separados; o lado direito só bombeia sangue venoso para os pulmões, o esquerdo só bombeia arterial para o corpo.

Esquema comparado da circulação dos vertebrados: coração de duas, três e quatro câmaras e o trajeto do sangue

Sangue arterial é o rico em oxigênio e sangue venoso é o pobre, independentemente do vaso em que corre: nas veias pulmonares corre sangue arterial, e na artéria pulmonar, venoso. A ligação entre circulação e temperatura é direta: a endotermia exige metabolismo alto em todos os tecidos o tempo todo, e isso só se sustenta com sangue arterial puro chegando a eles, isto é, com a separação completa dos ventrículos. Por isso aves e mamíferos têm as duas coisas, e por isso os répteis, que não precisam manter o corpo quente, convivem com a mistura. A anatomia do coração humano, as valvas e o ciclo cardíaco estão em sistema cardiovascular.

Exemplo resolvido 6: a resposta construída. Um item pede: “explique a diferença entre circulação simples e dupla, dê um exemplo de animal com cada uma e relacione o tipo de circulação à manutenção da temperatura corporal”. Escreva a resposta em quatro frases.

Na circulação simples há uma só passagem pelo coração em cada volta completa pelo corpo, do coração às brânquias e daí aos tecidos, como nos peixes (tilápia). Na circulação dupla, cada volta inclui duas passagens pelo coração: o sangue vai aos pulmões, retorna ao coração e só então é bombeado ao corpo, como nos mamíferos (cão) e nas aves. A segunda passagem devolve pressão ao sangue oxigenado e, quando os ventrículos são separados (dupla completa), garante sangue arterial puro aos tecidos. Isso sustenta o metabolismo alto e contínuo exigido pela endotermia de aves e mamíferos, enquanto peixes, anfíbios e répteis, ectotérmicos, funcionam com menos pressão e com alguma mistura. Conferência: cada pedido do comando foi respondido com uma palavra-chave que o corretor procura (uma passagem × duas passagens; brânquias × pulmões; exemplo de cada; pressão e sangue puro ligados à endotermia).

Excreção: a excreta é escolhida pela água disponível

Toda proteína quebrada libera nitrogênio na forma de amônia, muito tóxica e muito solúvel. O animal pode eliminá-la como está ou convertê-la, no fígado, em algo menos tóxico, e a conversão custa energia. A escolha segue a água.

Excreta Toxicidade Solubilidade Água gasta para eliminar Custo de produzir Quem usa
Amônia alta muito alta muita (precisa ser diluída de imediato) nenhum peixes ósseos, girinos, invertebrados aquáticos
Ureia baixa alta moderada (urina líquida) médio mamíferos, anfíbios adultos, tubarões e raias (que a retêm por osmorregulação)
Ácido úrico muito baixa quase insolúvel mínima (pasta semissólida) alto répteis, aves, insetos

As três excretas nitrogenadas comparadas por toxicidade, solubilidade, água gasta e custo de produção, com os grupos que usam cada uma

A regra: quem vive na água pode se dar ao luxo de produzir a excreta barata e tóxica, porque o meio a dilui na hora (amoniotélicos); quem vive em terra e tem urina líquida converte em ureia (ureotélicos); quem precisa de economia máxima de água, ou se desenvolve dentro de um ovo fechado onde a excreta não pode envenenar o embrião, converte em ácido úrico (uricotélicos). O ovo amniótico e o ácido úrico andam juntos por isso: dentro da casca, uma excreta solúvel se espalharia pelo embrião; o ácido úrico fica estocado como cristais no alantoide até a eclosão. Os mamíferos, que se desenvolvem na mãe e descartam a excreta pela placenta, puderam ficar com a ureia. O rim humano em detalhe está em sistema excretor.

Reprodução: onde os gametas se encontram e onde o embrião cresce

Duas perguntas separam todas as fichas. Onde a fecundação acontece? Na água, fora do corpo (externa: a maioria dos peixes ósseos e dos anuros, que liberam gametas sincronizados) ou dentro da fêmea (interna: tubarões, cecílias, salamandras, todos os amniotas). Fecundação externa é reprodução sexuada: há fusão de gametas, e a ausência de contato entre os corpos não muda isso. Onde o embrião se desenvolve? Num ovo posto fora (ovíparos: a maioria dos peixes, anfíbios, répteis, todas as aves, monotremados), num ovo retido dentro da mãe que se alimenta só da gema e eclode ao nascer (ovovivíparos: muitos tubarões, jararaca, cascavel) ou dentro da mãe com nutrição pelo corpo dela (vivíparos: alguns tubarões, alguns escamados, marsupiais e placentários). A presença de larva (desenvolvimento indireto: alevino, girino) ou de um filhote parecido com o adulto (direto: amniotas) completa a ficha.

Controle da temperatura: de onde vem o calor e se ele é constante

Duas palavras que a prova confunde de propósito. Ectotérmico e endotérmico dizem de onde vem o calor: do ambiente (peixes, anfíbios, répteis) ou do próprio metabolismo (aves e mamíferos). Pecilotérmico e homeotérmico dizem se a temperatura do corpo varia ou se mantém constante. Em geral, ectotérmicos são pecilotérmicos e endotérmicos são homeotérmicos, mas não é a mesma coisa: um peixe de águas profundas, sempre a 4 °C, é ectotérmico e de temperatura constante; um beija-flor que deixa a temperatura cair à noite para economizar energia (o torpor) é endotérmico e, naquele momento, não é homeotérmico. “Sangue frio” não é termo científico: um teiú ao sol do meio-dia pode estar mais quente que uma pessoa.

As estratégias contra o tempo ruim são as mesmas ideias em versões diferentes. Hibernação é o rebaixamento prolongado do metabolismo e da temperatura em endotérmicos no frio (ursos e marmotas em invernos rigorosos; no Brasil, quase não ocorre). Estivação é o mesmo rebaixamento no calor e na seca: a muçum e os peixes pulmonados se enterram na lama de lagoas que secam, e sapos do Cerrado passam a estação seca enterrados, de metabolismo reduzido. Em ectotérmicos, a termorregulação é comportamental: o lagarto que toma sol de manhã está elevando a temperatura do corpo a partir de uma fonte externa, e o que se esconde ao meio-dia está evitando passar do ponto. Em endotérmicos, é fisiológica: tremer, suar, ofegar, eriçar os pelos, redistribuir o sangue da pele.

A ficha emprestada

Os itens de fisiologia comparada seguem um molde: descrever corretamente um processo e colocá-lo na classe errada. Pulmocutânea no réptil (é do anfíbio). Panículo adiposo e glândulas sudoríparas na ave e no réptil (são dos mamíferos). Ácido úrico no peixe ósseo (é amônia). Bexiga natatória no tubarão (é dos ósseos). Ovo na bolsa do marsupial (ovo é do monotremado). Endotermia no lagarto que toma sol (ele toma sol porque não a tem). Enzimas no rúmen (são micróbios; as enzimas estão no abomaso). A defesa é sempre a mesma: antes de julgar a frase, recite a ficha da classe e procure a marca que não é dela.

Ler o cladograma, a tabela e o gráfico

Os itens de vertebrados raramente vêm sozinhos. Quatro tipos de apoio aparecem.

O cladograma. Dois animais são tão próximos quanto o nó mais recente que compartilham, e cada novidade marcada num ramo pertence a todos os ramos acima dela e a nenhum abaixo. Para responder “quantas características X compartilha com Y”, desça de cada um até o nó comum e conte as marcas de baixo desse nó. Para responder “qual é o parente mais próximo”, procure quem divide o nó mais alto, e lembre que a posição na fila de nomes não significa nada: a arara pode estar impressa ao lado da capivara e ser mais próxima do jacaré.

A tabela comparativa. Diante de uma tabela (cartilaginosos × ósseos, por exemplo), o item pede a opção “correta a partir da tabela”: a maioria das opções usa uma estrutura que está na tabela e lhe atribui uma função que não está (bexiga natatória como órgão sensorial, cloaca como órgão respiratório). Leia a linha da tabela, não a frase da opção, e confira o verbo.

O gráfico. Gráficos de temperatura × porcentagem de fêmeas, de temperatura do corpo × temperatura do ambiente (uma reta inclinada para o ectotérmico, uma horizontal para o endotérmico) e de consumo de oxigênio × temperatura (o endotérmico consome mais no frio, porque precisa produzir calor; o ectotérmico consome mais no calor, porque o metabolismo acelera) aparecem com regularidade. Leia os eixos antes da curva, e pergunte o que uma reta horizontal significa naquele par de eixos.

A prancha de fotos. Uma prancha com letras e nomes científicos pede classificação antes de qualquer item: tubarão (cartilaginoso), perca (ósseo), boi (mamífero ruminante), e assim por diante. Depois, cada item atribui a uma letra um processo; a decisão é se o processo pertence à classe daquela letra.

Gráficos de temperatura corporal e consumo de oxigênio em função da temperatura ambiente para um ectotérmico e um endotérmico

Exemplo resolvido 7: dois gráficos, dois animais. Um gráfico mostra a temperatura do corpo de dois animais, A e B, em função da temperatura do ambiente, entre 5 °C e 35 °C: a curva de A é uma reta horizontal em 37 °C; a de B sobe junto com o ambiente, ficando sempre 1 ou 2 graus acima dele. Um segundo gráfico mostra o consumo de oxigênio por grama de massa dos mesmos animais: o de A é alto a 5 °C e cai até 30 °C; o de B é baixo a 5 °C e sobe até 35 °C. Quem é endotérmico? Por que as curvas de consumo têm sentidos opostos? Qual dos dois precisa comer mais, por grama, num dia frio?

A é endotérmico: mantém 37 °C qualquer que seja o ambiente. B é ectotérmico: a temperatura do corpo segue a do ar. No frio, A precisa produzir calor para compensar a perda, e produzir calor é queimar combustível com oxigênio; por isso o consumo dele sobe quando a temperatura cai. B não produz calor para se aquecer; o metabolismo dele é uma reação química cuja velocidade cresce com a temperatura, e por isso o consumo sobe no calor e cai no frio, até o animal ficar quase parado. Num dia frio, A come muito mais por grama; B pode ficar dias sem comer. Conferência: a mesma distinção (fonte do calor) explica os dois gráficos, e a curva de consumo é a assinatura que não se confunde: endotérmico gasta mais no frio, ectotérmico gasta mais no calor.

A fauna do Cerrado como caderno de exercícios

Os itens recentes escolhem animais do Cerrado e da Amazônia como cenário, e vale ter a ficha deles pronta. A arraia de água doce é um peixe cartilaginoso de rio, sem bexiga natatória, que vive enterrada no sedimento e tem um ferrão na cauda; na mesma água, o lambari, o pacu e o dourado são ósseos, amoniotélicos, de fecundação externa, que sobem o rio na piracema para desovar. O sapo-cururu, as pererecas e as rãs dos brejos têm a vida dupla. O teiú, as lagartixas, a jararaca e a cascavel (ovovivíparas), os cágados e os jacarés compõem os répteis; a seriema come boa parte deles. A ema, a seriema, o tucano-toco e as araras representam as aves; o lobo-guará, o tamanduá-bandeira, o veado-campeiro, a capivara, o tatu (placentários) e o saruê ou gambá (marsupial) representam os mamíferos.

A conservação entra pela fisiologia. O órgão federal que avalia o risco de extinção da fauna brasileira reconhece hoje 1 279 espécies ameaçadas, entre elas 378 de peixes, 241 de aves, 123 de répteis, 102 de mamíferos e 59 de anfíbios. Os anfíbios, com a pele permeável, são os primeiros a sentir agrotóxicos, metais e o fungo quitrídio na água; os quelônios, com o sexo decidido pela temperatura do ninho, são vulneráveis ao aquecimento das praias e à retirada da vegetação que as sombreava; os peixes de piracema dependem de rios sem barragens; o lobo-guará e o tamanduá morrem atropelados nas rodovias que cortam o Cerrado; aves e répteis são as classes mais visadas pelo tráfico. O mercúrio liberado pelo garimpo acumula-se a cada nível trófico e chega concentrado aos peixes piscívoros e a quem os come, e um veneno que prejudica a reprodução dos peixes reduz, não aumenta, o número de filhotes. O bioma como um todo, com seus números e suas ameaças, está em Cerrado.

Como a banca pergunta

A marca na classe errada. É o molde dominante, e já apareceu em todas as suas versões: anfíbio com independência da água, réptil com circulação pulmocutânea, ave e réptil com panículo adiposo, serpente e aranha com glândulas sudoríparas, peixe ósseo com reprodução assexuada, marsupial com ovo na bolsa, lagarto endotérmico. Recite a ficha antes de julgar.

A função trocada. Bexiga natatória sensorial, cloaca respiratória, válvula espiral circulatória, ácido úrico como reserva de água. Pergunte o que cada estrutura faz, não só onde está.

A ficha completa pelo lado certo. A banca também escreve itens certos com a ficha inteira, de propósito, para pegar quem procura erro em tudo: “as arraias são peixes cartilaginosos, vivem no fundo e, diferentemente dos ósseos, não têm bexiga natatória” está certo em cada pedaço. Conferido ponto a ponto, marque sem medo.

O absoluto. “Todos os répteis têm três câmaras” (crocodilianos), “todos os mamíferos são vivíparos” (monotremados), “todas as aves voam” (ema). Generalização é aviso para procurar a exceção, mas há absolutos que são simplesmente verdadeiros (“todos os cordados têm notocorda em alguma fase”), e o aviso não substitui a ficha.

O texto-base. Um texto sobre um parque, um incêndio em um museu, um mapeamento de répteis ou uma amostra de água do rio serve de pretexto, e os itens de zoologia se decidem pelo que você sabe, não pelo texto; volte ao texto só quando o item disser “de acordo com o texto” ou “os animais citados”.

A resposta construída. Em dois anos seguidos a zoologia deu o item de resposta aberta (circulação aberta × fechada; sexo dos quelônios pela temperatura). Responda em frases curtas com as palavras-chave, um exemplo por caso e a relação pedida explicitada; crédito parcial é dado por peça.

Os erros que mais derrubam

  • Chamar todo cordado de vertebrado, ou dizer que a notocorda é a coluna; confundir o tubo nervoso dorsal dos cordados com o cordão ventral dos artrópodes.
  • Dar bexiga natatória ao tubarão, ou tratá-la como órgão sensorial ou respiratório; dar ácido úrico ou ureia ao peixe ósseo de água doce.
  • Inverter a osmorregulação: peixe de água doce bebe água (não: ele a perde pela urina); peixe marinho produz urina abundante (não: pouca).
  • Dizer que o anfíbio adulto respira só por pulmões, que tem ovo amniótico ou que o girino excreta ureia.
  • Vestir o réptil com a pele do anfíbio (pulmocutânea) ou com o motor da ave (endotermia); dizer que o ácido úrico é reserva de água; esquecer os crocodilianos.
  • Dar às aves suor, panículo, diafragma, ureia, bexiga urinária ou dentes; ou dizer que a glândula uropigiana produz calor.
  • Pôr ovo na bolsa do marsupial, placenta no monotremado, ou misturar o sangue da mãe com o do feto na placenta.
  • Dar ao rúmen enzimas do próprio animal; é fermentação microbiana, e as enzimas estão no abomaso.
  • Confundir ectotérmico com pecilotérmico e endotérmico com homeotérmico, e usar “sangue frio”.
  • Chamar a fecundação externa de reprodução assexuada.
  • Ler o cladograma pela ordem dos nomes em vez de pelos nós.

O essencial em meia página

  • Cordado: notocorda, tubo nervoso dorsal e oco, fendas faríngeas, cauda pós-anal, em alguma fase. Protocordados (anfioxo, ascídia) sem crânio; craniados; agnatos (lampreia) sem mandíbula; gnatostomados; tetrápodes; amniotas (répteis, aves, mamíferos); endotermia surgiu duas vezes (aves, mamíferos).
  • Peixes cartilaginosos: cartilagem, boca ventral, escamas placoides, sem opérculo, sem bexiga natatória, válvula espiral, cloaca, ureia retida (osmorregulação), fecundação interna. Ósseos: osso, opérculo, bexiga natatória (flutuação), amônia, fecundação externa, alevino. Água doce: urina abundante e diluída, absorve sal; marinho: bebe, urina pouco, expulsa sal.
  • Anfíbios: girino aquático (brânquias, amônia, 2 câmaras) → adulto (pulmões saculares + pele úmida, ureia, 3 câmaras, circuito pulmocutâneo); fecundação externa nos anuros; ovo sem casca; ectotérmicos; metamorfose pela tiroxina.
  • Répteis: ovo amniótico (fecundação interna, desenvolvimento direto), pele queratinizada com escamas epidérmicas, ácido úrico, pulmões, ectotermia com termorregulação comportamental, 3 câmaras (crocodilianos: 4); quelônios, escamados (serpentes de boca extrema; ovovivíparas), crocodilianos; sexo pela temperatura em quelônios e crocodilianos.
  • Aves: répteis endotérmicos; penas, uropigiana, sacos aéreos e parabrônquios, ossos pneumáticos, 4 câmaras, ácido úrico, cloaca, papo/proventrículo/moela, sem dentes, sem bexiga urinária, sem suor nem diafragma.
  • Mamíferos: pelos, glândulas mamárias, sudoríparas e sebáceas, diafragma, alvéolos, 4 câmaras, ureia, dentição heterodonte, panículo, endotermia; ruminantes (rúmen = micróbios; abomaso = enzimas). Monotremados (ovo), marsupiais (filhote imaturo na bolsa), placentários (placenta sem mistura de sangue).
  • Respiração: brânquias (água) → pulmões (terra); área e ventilação crescem com o gasto de energia. Circulação: aberta × fechada (vasos; tamanho e metabolismo); simples (peixes, 1 passagem, 2 câmaras) × dupla; incompleta (anfíbios, répteis) × completa (crocodilianos, aves, mamíferos); endotermia exige dupla completa.
  • Excreção: amônia (aquáticos, barata, tóxica) · ureia (mamíferos, anfíbios adultos) · ácido úrico (répteis, aves, insetos; ovo fechado). Poupar água não é guardar água.
  • Reprodução: fecundação externa (sexuada!) × interna; ovíparo × ovovivíparo × vivíparo; direto × indireto.
  • Temperatura: ecto × endo (fonte do calor); pecilo × homeo (constância); hibernação (frio), estivação (seca); ectotérmico gasta mais O₂ no calor, endotérmico no frio.
  • Leitura: cladograma pelos nós; tabela pela linha, não pela opção; gráfico pelos eixos; prancha classificada antes dos itens.

Exercícios temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.

Flashcards temporariamente indisponíveis

Não foi possível consultar os cartões de revisão.

Filo chordata - Biologia - Ensino Médio
Canal Futura · 8:41
Introdução. Aula de televisão educativa, curta e em linguagem de ensino médio, que apresenta o filo dos cordados como o conjunto de alguns invertebrados aquáticos e de todos os vertebrados (peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos). Corresponde à seção “O que faz de um animal um cordado”. Assista antes de ler e, ao fim, diga de cor as quatro marcas do filo e qual animal é cordado sem ser vertebrado.
Vertebrados - Características e grupos - Zoologia
Biologia com Samuel Cunha · 24:30
Aprofundamento. Aula de curso pré-vestibular sobre as características gerais dos vertebrados e os grupos (peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos), com os conceitos que a prova cobra. Cobre a primeira metade da página, das seções “Peixes: dois projetos para a mesma água” a “Mamíferos: pelos, leite e três maneiras de nascer”. Pause a cada classe e monte a ficha (respiração, circulação, excreção, reprodução, temperatura) antes de o professor concluir.
Circulação Comparada (Fisiologia Animal) - Aula 35 - Módulo VI: Zoologia
Prof. Guilherme Goulart - Biologia · 12:56
Aplicação (fisiologia comparada). Compara os corações de peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos, com átrios, ventrículos, arco aórtico e o forame de Panizza dos crocodilianos. É o conteúdo da seção “Circulação: aberta ou fechada, simples ou dupla”. Depois de assistir, responda por escrito as três perguntas da seção para cada classe e redija a resposta construída do exemplo resolvido 6.
Excreção Comparada (Fisiologia Animal) - Aula 36 - Módulo VI: Zoologia
Prof. Guilherme Goulart - Biologia · 18:01
Aprofundamento (fisiologia comparada). Explica a excreção nos cordados, os tipos de rim (pronefro, mesonefro, metanefro) e as três excretas nitrogenadas, amônia, ureia e ácido úrico. Corresponde à seção “Excreção: a excreta é escolhida pela água disponível”; use-o para fixar o critério (toxicidade, solubilidade, água) e depois confira quem usa cada excreta na tabela da página.
Peixes - Questão - Osteíctes e Condrictes - Vertebrados - Zoologia
BIOLOGIA com o TUBARÃO · 6:17
Resolução. Questão resolvida e comentada sobre as diferenças entre peixes ósseos (osteíctes) e cartilaginosos (condrictes), no formato de vestibular. Resolva antes de ouvir a resposta, usando a tabela da seção “Peixes: dois projetos para a mesma água”, e compare o método com o da seção “Como a banca pergunta”: estrutura certa, função certa?
Rota PAS 2
Zoologia: embriologia, fisiologia comparada e sentidos · PAS 2

Fontes desta página

Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.

  • Rota PAS 2 — Zoologia: embriologia, fisiologia comparada e sentidos · Antes de começar (ideias 3 a 6: vertebrado, respiração, sangue arterial e venoso, excretas); O que cai daqui (linhas Vertebrados: 20 itens, última 2024; Circulação e fisiologia humana: 8 itens); Vertebrados: a ficha fisiológica de cada classe (conceito, figura, Na prova, itens 2015/70, 2016/80, 2016/82, 2013/84, 2013/87, 2022/81, 2018/51, 2018/53, 2022/79, 2020/63, 2020/64, armadilha, checagem 2020/59); Circulação: aberta ou fechada, simples ou dupla (conceito, Na prova, itens 2021/97, 2011/106, 2015/61 a 63, checagem); Leia como na prova (itens 2024/84, 2024/86, 2024/87); Como a banca cobra (itens 2016/79, 2024/78, 2024/86); O histórico; Resolvidos 2 e 3; Exercícios 2, 6 a 16; Banco de treino T12 a T21 e T23

    Fonte principal e recorte da página. Embriologia e anexos, artrópodes, órgãos dos sentidos e a anatomia humana de cada sistema ficam nas páginas próprias. Os itens reais foram conferidos nas imagens dos cadernos (2010 Pantanal, 2011 Itaipu, 2013 Aleijadinho, 2015 Taunay, 2016 Alice, 2018 Apolo, 2020 Parte 2, 2022, 2024) e nos gabaritos oficiais definitivos.

  • Rota PAS 2 — Resoluções do Banco de treino · T12 (2024/86), T13 (variante de 2016/80), T14 (circulação dos peixes), T15 (variante de 2024/87), T16 (ectotermia), T17 (variante de 2022/80), T18 (2020/59), T19 (crocodilianos), T20 (variante de 2022/79), T21 (variante de 2016/79), T23 (tipo B dos quelônios)

    Conferência dos gabaritos e dos padrões de erro dos itens reais; as questões autorais da página não espelham os itens de treino.

  • Rota PAS 2 — Gabarito comentado dos exercícios · Itens 2 (excreta de aves e répteis), 6 a 11 (bloco do rio e da arraia), 12 e 13 (aves e répteis do cerrado), 14 (quelônios e aquecimento), 15 (placenta), 16 (morcegos)

    Padrões de erro conferidos; nenhum enunciado reproduzido.

  • Rota PAS 2 — Sistemática, taxonomia, vírus e bactérias · Cladogramas e leitura de nós; item 2025/47 (araras: reino Animalia, filo Chordata, classe Aves)

    Coerência da leitura de cladogramas; o item 2025/47 é reusado por GUID da página de taxonomia.

  • Rota PAS 3 — Histologia e fisiologia humana: o corpo em rede · Até onde vai (a fisiologia comparada dos outros animais é matriz da 2ª etapa); Circulação e respiração; Digestão e excreção (ureia custa água)

    Lido para não contradizer as páginas de sistemas humanos; nenhum item da 3ª etapa entra aqui.

  • Rota PAS 1 — Ecologia: ecossistemas e relações ecológicas · Biomagnificação do mercúrio (variante de 2010/95); peixes-limpadores (2020/98 a 100, 2023/61, 2025/93 e 96)

    Lido para a ponte com o item 2024/84 (mercúrio e reprodução dos peixes); os itens de relações ecológicas ficam na página própria.