O Enem 2026 será aplicado em 8 e 15 de novembro. Desde o Decreto 12.915, de março de 2026, o exame integra o Saeb, e o concluinte do ensino médio da rede pública passa a ser inscrito automaticamente.
Para a escola, isso muda a pergunta. Não é mais quem da turma vai fazer o Enem. É como a turma inteira vai chegar lá.
Metade da preparação é a prova. A outra metade é o cartão. Um aluno que resolve 90 questões e transfere as respostas para a grade errada, ou rasura uma bolha e perde a questão, não erra por conteúdo. Erra por falta de treino no gesto. Esta página é sobre o cartão: como é o do Enem, o que reproduzir no da escola, como aplicar e como corrigir.
Cartão do Enem: o que o aluno encontra no dia
| Item | No Enem |
|---|---|
| Questões por dia | 90, com cinco alternativas de A a E |
| Divisão | dia 1: Linguagens, Ciências Humanas e redação. Dia 2: Ciências da Natureza e Matemática |
| Caneta | esferográfica de tinta preta, fabricada em material transparente |
| Erro de preenchimento | o cartão não é substituído |
| Redação | folha própria, dissertativo-argumentativo, até 30 linhas |
| Língua estrangeira | inglês ou espanhol, escolhida na inscrição e marcada no cartão do dia 1 |
| Duração | 5 horas e 30 minutos no dia 1, 5 horas no dia 2 |
A cartilha da redação do Enem 2026, publicada pelo Inep em 18 de setembro, confirma o formato deste ano: um texto, até 30 linhas, dois avaliadores. A cartilha tem quatro versões, com orientações específicas para participantes com dislexia, com Transtorno do Espectro Autista e para surdos ou com deficiência auditiva.
O que o cartão exige do aluno não está no conteúdo da prova. Está no controle: transferir 90 respostas na ordem certa, preencher a bolha inteira, não rasurar, administrar o tempo para sobrar a transferência.
Copiar grade e regras, adaptar tamanho e identificação
Copiar tudo é o objetivo do treino. Adaptar é o que a escola precisa para corrigir sem digitar.
| Elemento | No cartão da escola |
|---|---|
| Grade de A a E | copiar. Cinco alternativas, numeração contínua, colunas de 30 |
| Identificação impressa | copiar. Nome e matrícula já impressos, o aluno não escreve nada além das respostas |
| Campo de língua estrangeira | copiar, mesmo em simulado de uma área só |
| Caneta preta, sem troca de cartão | copiar como regra de aplicação, dita em voz alta antes de começar |
| Folha de redação separada | copiar. Redação não vai no cartão |
| Número de questões | adaptar. 45 por área, 90 por dia, ou 30 numa aula dupla |
| Identificação do aluno para correção | adaptar. QR code por cartão, ligando aluno, prova e turma |
| Marcadores de alinhamento | acrescentar. São o que permite ler o cartão no scanner comum ou na foto do celular |
O QR code e os marcadores de alinhamento não existem no cartão do Enem. Existem no da escola porque a escola corrige com o scanner que já tem ou com o celular, e os marcadores nos cantos corrigem a inclinação da imagem. O aluno não percebe a diferença. A coordenação percebe na hora de corrigir.
Aplicar: dois domingos, ou uma área por aula dupla
Três formatos funcionam, e a escolha depende do calendário da escola.
Integral. Dois sábados, 90 questões mais redação no primeiro e 90 no segundo, com a duração do Enem. Uma vez por semestre. É o único formato que treina o cansaço da quinta hora.
Por área. 45 questões de uma área em uma manhã, uma área por semana, quatro semanas. Cabe no horário sem tirar sábado. Perde o treino de duração, mantém o de cartão.
Por aula dupla. 30 questões em 100 minutos. No segundo dia do Enem, o participante tem cerca de três minutos e vinte segundos por questão. Trinta questões em aula dupla mantém esse ritmo. Serve para o bimestre inteiro, com o cartão de sempre.
Em qualquer formato, quatro regras não se adaptam: cronômetro visível, caneta preta, cartão não se troca, redação em folha separada. Repetir as quatro em cada simulado é o que treina o dia da prova.
Corrigir por digitalização ou foto, e ler por área
Depois da aplicação, os cartões passam no scanner ou na multifuncional da escola, ou são fotografados com o celular. A turma inteira vai de uma vez. O QR code identifica cada aluno, o sistema lê as marcações e compara com o gabarito.
Junto com a nota, volta a tabela por questão:
| Área | Acerto médio da turma | Questão com menor acerto | Habilidade cobrada |
|---|---|---|---|
| Linguagens | 61% | Q17, 22% | inferir efeito de sentido em texto publicitário |
| Ciências Humanas | 54% | Q38, 19% | relacionar processo histórico a mapa |
| Ciências da Natureza | 47% | Q71, 15% | interpretar gráfico de reação química |
| Matemática | 43% | Q88, 12% | razão e proporção em escala de mapa |
A tabela é ilustrativa. O que ela mostra é a leitura que a nota sozinha não dá. A questão 88 com 12% de acerto é conteúdo para retomar em outubro. A área com 43% de acerto médio é onde a hora de reforço rende mais.
O Enem devolve ao participante a nota por área em janeiro. O simulado devolve à escola a questão por questão em setembro. É essa diferença de dois meses e de granularidade que justifica o simulado.
Redação: dois professores, cinco competências, média
O protocolo do Inep, declarado na cartilha de 18 de setembro: dois avaliadores por texto, cada um atribui de 0 a 200 pontos em cada uma das cinco competências, até 1.000 por avaliador, e a nota final é a média aritmética das duas.
As cinco competências, em resumo: domínio da escrita formal; compreensão da proposta e uso de conceitos de várias áreas; seleção e organização de argumentos em defesa de um ponto de vista; uso dos mecanismos linguísticos da argumentação; proposta de intervenção que respeite os direitos humanos.
Nota zero ou anulação: fuga ao tema, texto com até sete linhas, trecho deliberadamente desconectado do tema, desobediência à estrutura dissertativo-argumentativa e desrespeito à seriedade do exame.
Na escola, o mesmo desenho cabe com dois professores de Português corrigindo separadamente e comparando. A escola define a diferença que aciona uma terceira leitura. Quarenta pontos numa competência é um ponto de partida. A rubrica das cinco competências, com a descrição de cada faixa, fica guardada junto do tema. Como escrever e aplicar essa rubrica está em rubricas de avaliação.
Até 2028: o cartão não muda, a redação pode
O que está anunciado e o que está em estudo, separados.
| Ano | O que muda |
|---|---|
| 2026 | nada. Cartilha de 18 de setembro confirma um texto, 30 linhas, dupla correção |
| 2027 | testlets, blocos de questões sobre um mesmo texto, com a matriz atual |
| 2028 | nova matriz alinhada à BNCC, novos formatos de item e mudanças na redação |
Os dados de 2027 e 2028 vêm da apresentação do Inep ao Conselho Estadual de Educação de São Paulo, em 27 de agosto de 2026, republicada pela Academia Paulista de Educação. Não são ato normativo ainda.
Sobre a redação de 2028, reportagens da Folha de S.Paulo e do Globo publicadas em setembro de 2026 dizem que o Inep estuda trocar a redação única por produções textuais por área, com gêneros como carta de reclamação, artigo de opinião, editorial, manifesto, discurso público e resenha crítica. O projeto final sairia até o fim de 2026. O Inep não confirmou nem negou. O verbo em todas as fontes é “estuda”.
Para a escola, a leitura é simples. Em 2026 e 2027 nada muda no cartão nem na redação. Em 2028 a grade de múltipla escolha continua, e a folha de redação pode virar mais de uma, em mais de um gênero. Quem treina hoje um segundo gênero além do dissertativo-argumentativo chega em 2028 com metade do caminho feito.
Por onde começar
Se a escola nunca aplicou simulado no formato do Enem, comece por uma área, 45 questões, numa manhã, com o cartão no padrão ENEM, caneta preta e a regra de não trocar cartão dita antes. Corrija por questão e leve a tabela para a reunião de área.
Se a escola já aplica, acrescente a redação com dois corretores e o campo de língua estrangeira no cartão. E aplique duas vezes no semestre com a mesma grade, para comparar.
Quem já preencheu 90 bolhas sob cronômetro em setembro chega em novembro com uma preocupação a menos.
O DigiCard, da Unidos Educação, gera o cartão-resposta em PDF a partir do modelo ENEM ou do modelo da sua escola, com nome, matrícula e QR code de cada aluno já impressos: até 120 questões de A a E, até 6 questões numéricas do tipo CDU e campo de língua estrangeira. Depois da aplicação, quem aplicou digitaliza no scanner ou fotografa com o celular e envia a turma inteira pelo link, sem precisar de login. O resultado sai por aluno e por questão. Teste grátis por 14 dias, sem cartão de crédito.