Um lobo-guará atravessa uma estrada do Parque Nacional de Brasília. A Ecologia pode descrevê-lo como um indivíduo, como parte de uma população, de uma comunidade, de um ecossistema, de um bioma ou da biosfera. O que cada nível acrescenta ao anterior, e por que uma lavoura de soja e uma cidade também são ecossistemas?
O que você vai aprender
Ordenar os níveis de organização estudados pela Ecologia (indivíduo, população, comunidade, ecossistema, bioma, biosfera) e dizer o que cada um acrescenta ao anterior.
Aplicar o conceito biológico de espécie para decidir se um conjunto de organismos é uma população, exigindo mesma espécie, mesma área e mesma época.
Distinguir comunidade (biocenose) de ecossistema, separando os componentes vivos dos fatores abióticos (biótopo) em uma lista de elementos.
Diferenciar recurso de condição, identificar o fator limitante de uma situação e ler uma curva de tolerância, usando os termos euri- e esteno-.
Explicar por que todo ecossistema é um sistema aberto e classificar um sistema (lago, garrafa lacrada, planeta) quanto às trocas de matéria e de energia.
Justificar, pela definição, que lavouras, cidades, aquários e poças são ecossistemas e que o ser humano é um componente biótico, comparando ecossistemas naturais, agrícolas e urbanos.
Definir ecótono e efeito de borda e reconhecê-los em exemplos brasileiros (borda entre campo e mata de galeria, manguezal, faixas de transição entre biomas).
Distinguir bioma de ecossistema usando o Cerrado e suas fitofisionomias campestres, savânicas e florestais.
Diferenciar habitat de nicho ecológico, nicho fundamental de nicho realizado, e classificar casos em que espécies compartilham o habitat com nichos distintos.
Enunciar o princípio da exclusão competitiva como consequência da definição de nicho e prever em que casos duas espécies coexistem.
Associar a cada nível as propriedades que só existem nele (densidade, riqueza, fluxo de energia) e recusar conclusões tiradas de dados de outro nível.
Julgar itens que negam o rótulo de ecossistema, trocam habitat por nicho ou confundem bioma com ecossistema, apontando o termo ou a razão que não consta da definição.
Um lobo-guará atravessa uma estrada de terra do Parque Nacional de Brasília no começo da noite. Quem o vê pode fazer seis anotações diferentes sobre a mesma cena. Aquele animal, de pernas longas e pelagem alaranjada, é um indivíduo. Os lobos-guará que vivem no parque neste ano são uma população. Lobos, lobeiras, capins, cupins, tamanduás, corujas, fungos e bactérias do parque, juntos, formam uma comunidade. A comunidade somada ao solo ácido, à chuva de verão, à seca de inverno, à luz e ao fogo é um ecossistema. O parque é um pedaço de um bioma, o Cerrado, e o Cerrado é um pedaço da biosfera. Nada mudou na estrada. Mudou a escala da pergunta, e com ela o que se pode medir: de um indivíduo se mede o peso e a dieta; de uma população, quantos são e se estão aumentando; de uma comunidade, quem convive com quem; de um ecossistema, por onde passam a energia e a matéria.
Esta página percorre essa escada degrau por degrau e marca a fronteira entre cada dois degraus, que é onde os itens de prova são decididos. Ela começa pelo que a Ecologia estuda e pelo conceito de espécie, sem o qual não existe população; define comunidade, biótopo e ecossistema; mostra por que lavoura e cidade são ecossistemas; trata de ecótono, bioma e biosfera; separa habitat de nicho; e termina nas propriedades que só aparecem em cada nível e nos erros que a prova planta. Os assuntos vizinhos têm páginas próprias: quem come quem está em cadeias e teias alimentares; a energia que se perde a cada degrau, em pirâmides ecológicas; os saldos de cada interação, em relações ecológicas; as taxas e as curvas de crescimento, em dinâmica populacional; o bioma em detalhe, em Cerrado.
O que a Ecologia estuda, e por que ela começa acima do organismo
A palavra ecologia foi criada em 1866 pelo zoólogo alemão Ernst Haeckel, a partir do grego oikos, casa. É a parte da Biologia que estuda as relações dos seres vivos entre si e com o ambiente em que vivem. A definição é curta, e o que dá trabalho é a escala. A Biologia organiza a vida em níveis, do menor ao maior: molécula, organela, célula, tecido, órgão, sistema, organismo, população, comunidade, ecossistema, bioma, biosfera. A fisiologia e a citologia trabalham do organismo para baixo. A Ecologia trabalha do organismo para cima.
Cada degrau contém o anterior e acrescenta alguma coisa. Uma população são vários organismos, mas com uma exigência a mais: todos da mesma espécie. Uma comunidade são várias populações, de espécies diferentes. Um ecossistema é a comunidade mais o ambiente físico. Um bioma reúne muitos ecossistemas sob um mesmo clima regional. A biosfera reúne tudo. Para classificar qualquer exemplo, a pergunta é sempre a mesma: o que foi incluído no conjunto?
Os níveis de organização que a Ecologia estuda, com o lobo-guará como exemplo. Cada nível contém o anterior e acrescenta um critério: mesma espécie (população), todas as espécies (comunidade), fatores não vivos (ecossistema), escala regional (bioma), escala planetária (biosfera). Diagrama autoral.
A escada dos níveis ecológicos
Indivíduo (organismo): um ser vivo. População: indivíduos de uma mesma espécie que vivem na mesma área, na mesma época. Comunidade (biocenose): todas as populações da área, de todas as espécies; só a parte viva. Ecossistema: a comunidade mais os fatores abióticos (o biótopo), trocando matéria e energia. Bioma: grande conjunto de ecossistemas com clima, vegetação e história próprios, reconhecível em escala regional. Biosfera: o conjunto de todas as regiões da Terra em que há vida.
Espécie: o critério que decide o que é uma população
Sem definir espécie não se define população. O conceito que a escola e a prova usam é o conceito biológico de espécie: espécie é o conjunto de indivíduos capazes de cruzar entre si, em condições naturais, e gerar descendentes férteis. O que separa duas espécies é o isolamento reprodutivo. Égua e jumento cruzam e nasce a mula, mas a mula é estéril: cavalo e jumento são espécies diferentes. O lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) e o cachorro-do-mato (Cerdocyon thous) vivem nos mesmos campos do Cerrado e não se cruzam: são duas espécies, logo duas populações.
O critério tem limites conhecidos. Ele não se aplica a organismos de reprodução assexuada, como as bactérias, nem a fósseis; nesses casos usam-se outros critérios, como a semelhança de forma e, quando há material disponível, a semelhança genética. Para os itens de ecologia, basta a versão simples, com as três condições que fazem uma população.
População: três condições ao mesmo tempo
Mesma espécie, mesma área, mesma época. “As capivaras do Lago Paranoá em 2026” é uma população. “Os peixes do Lago Paranoá” não é: são dezenas de espécies, logo dezenas de populações. “As capivaras do Brasil ao longo do século XX” também é um mau recorte, porque mistura lugares sem contato e épocas diferentes. A área não tem tamanho fixo: quem a delimita é a pergunta do estudo, desde que os indivíduos possam se encontrar e se reproduzir.
É na população que se contam nascimentos, mortes e migrações. Densidade (indivíduos por área), taxa de natalidade, taxa de mortalidade e distribuição por idade são medidas que não existem para um indivíduo: um lobo não tem densidade. Essas medidas e as curvas que elas produzem estão na página dinâmica populacional.
"Os animais do parque" não são uma população
Substantivo coletivo engana. “As aves do parque”, “os peixes do rio”, “as árvores da mata” reúnem várias espécies: são pedaços de uma comunidade, e cada espécie ali dentro é uma população. O item que chama de população um conjunto com mais de uma espécie está errado, por maior ou menor que seja o grupo. O número de indivíduos não decide nada: oitenta peixes de uma espécie são uma população; três peixes de três espécies já não são.
Comunidade é só o que está vivo
A comunidade, também chamada biocenose ou comunidade biótica, é o conjunto de todas as populações que vivem e interagem numa área: plantas, animais, fungos, protozoários, bactérias. O termo biocenose foi proposto em 1877 pelo zoólogo alemão Karl Möbius, ao estudar bancos de ostras, para nomear o conjunto de seres que vivem juntos e dependem uns dos outros. Duas coisas definem o nível. A primeira é o todas: a comunidade não é só o que se vê. Num campo do Cerrado, a maior parte das espécies está no solo, e sem os fungos e as bactérias que decompõem a matéria morta nenhuma das outras populações se manteria. A segunda é o só: a comunidade é a parte viva. Solo, água, luz e temperatura influenciam a comunidade, mas não fazem parte dela.
É o nível em que se estudam as interações entre espécies, como predação, competição e mutualismo, e as teias alimentares. As medidas próprias de uma comunidade são o número de espécies (riqueza), a proporção entre elas e a organização de quem come quem.
O PAS cobrou a definição numa lavoura. O bloco de 2014 partia de um texto sobre o Censo Agropecuário e a agricultura familiar, e o item 67 dizia que, quanto à organização dos seres vivos, é classificado como uma comunidade o conjunto de populações de espécies de feijão, milho, mandioca e aves presentes em uma única lavoura. Certo. O item lista populações de espécies diferentes num mesmo lugar e não inclui solo nem chuva. Repare que a lista não precisa ser completa para o rótulo valer: o item diz “é classificado como uma comunidade”, e várias populações convivendo são o que a palavra nomeia. Se a frase acrescentasse o solo e a água, o nível subiria para ecossistema.
Comunidade com solo e água já é outra coisa
“A comunidade de uma lagoa é formada pelos peixes, pelas algas, pela água e pelos sais dissolvidos”: errado. A água e os sais são fatores abióticos. Peixes, algas, plantas e microrganismos formam a comunidade; a comunidade mais a água, a luz e os sais formam o ecossistema. A troca inversa também aparece: chamar de ecossistema uma lista só de seres vivos. Confira a lista do enunciado antes de aceitar o rótulo.
Fatores bióticos e abióticos: os vizinhos e o ambiente físico
Tudo o que afeta um ser vivo no ambiente se divide em dois grupos. Fatores bióticos são os outros seres vivos e as relações com eles: quem ele come, quem o come, com quem disputa, quem o parasita, quem o poliniza. Fatores abióticos são os componentes físicos e químicos: luz, temperatura, água, umidade, vento, pressão, salinidade, gases, pH e nutrientes minerais do solo e da água, fogo. O conjunto dos fatores abióticos de uma área, o espaço físico com suas condições, é o biótopo. A biocenose vive no biótopo, e os dois se alteram mutuamente: o solo decide que plantas crescem, e as plantas, ao perder folhas, mudam o solo.
No Cerrado, três fatores abióticos explicam quase toda a paisagem. O clima sazonal concentra a chuva de outubro a abril e deixa uma seca de vários meses. O solo é antigo, profundo, ácido, pobre em nutrientes como o fósforo e rico em alumínio. O fogo, natural no fim da seca, queima a camada de capim. Cascas grossas, raízes profundas e troncos retorcidos são respostas da comunidade a esse biótopo.
Condição não é recurso
Recurso é o que o organismo consome e, ao consumir, deixa de estar disponível para outro: luz, água, nutrientes, alimento, espaço para o ninho. Condição é uma característica do ambiente que afeta o organismo sem ser gasta: temperatura, pH, salinidade, umidade do ar. Organismos competem por recursos; não competem por condições. O PAS 1 de 2005 (item 139) considerou errada a afirmação de que os recursos pelos quais os organismos competem incluem luz, água e temperatura: luz e água são recursos, temperatura é condição.
Dois princípios do século XIX e do começo do XX organizam o efeito dos fatores abióticos. A lei do mínimo, difundida pelo químico Justus von Liebig em 1840 para as plantas cultivadas, diz que o crescimento é limitado pelo recurso mais escasso em relação à necessidade, e não pela soma dos recursos. Esse recurso é o fator limitante. Adubar com nitrogênio uma lavoura à qual falta fósforo não aumenta a colheita. A lei da tolerância, do zoólogo Victor Shelford (1913), completa a ideia: excesso também limita. Para cada fator, cada espécie tem um intervalo em que sobrevive, com uma faixa ótima no meio, zonas de estresse nas pontas e limites além dos quais morre.
Curvas de tolerância à temperatura de duas espécies hipotéticas de peixe. A espécie A tolera de 4 °C a 34 °C (euritérmica); a espécie B, só de 20 °C a 26 °C (estenotérmica). A 29 °C, B desaparece e A persiste fora da faixa ótima. O mesmo desenho vale para qualquer fator abiótico: salinidade, pH, umidade. Valores construídos para o exemplo. Diagrama autoral.
Os prefixos gregos dão o vocabulário. Espécie euri- tolera faixa larga de um fator; espécie esteno- tolera faixa estreita: euritérmica e estenotérmica para temperatura, eurialina e estenoalina para salinidade. Espécies de faixa estreita servem de indicadoras: se a espécie está presente, a condição está dentro da faixa dela.
Exemplo resolvido (leitura da curva). Um riacho tem água a 23 °C e abriga as duas espécies da figura. Uma indústria passa a despejar água de resfriamento e a temperatura sobe para 29 °C. Preveja o que acontece com cada população. Resolução. Localize 29 °C no eixo horizontal. A curva da espécie B termina em 26 °C: 29 °C está fora do limite de tolerância, e a população desaparece do trecho, por morte ou por fuga. A curva da espécie A vai até 34 °C, mas a faixa ótima acaba em 26 °C: a 29 °C a espécie sobrevive em zona de estresse, com crescimento e reprodução menores. Conferência. A 23 °C as duas estavam na faixa ótima (18 a 26 para A, 22 a 24 para B), o que explica a convivência inicial. A mudança de um único fator abiótico alterou a composição da comunidade sem que ninguém tocasse em nenhum peixe.
A calagem do Cerrado mexe num fator limitante
Até a década de 1970, os solos do Cerrado eram tidos como impróprios para a agricultura: ácidos, com alumínio em nível tóxico para as raízes e pouco fósforo. A calagem, que é a aplicação de calcário moído, eleva o pH e neutraliza o alumínio; a adubação fosfatada repõe o nutriente escasso. Com os fatores limitantes corrigidos e com variedades de soja adaptadas ao clima tropical, a lavoura ocupou o Planalto Central. O raciocínio é o de Liebig: não adiantava irrigar nem adubar com nitrogênio enquanto a acidez e o fósforo seguravam a planta.
Ecossistema é biocenose mais biótopo, e é sempre um sistema aberto
O termo ecossistema foi proposto pelo botânico inglês Arthur Tansley em 1935, para lembrar que os seres vivos não podem ser entendidos separados do ambiente físico com que trocam matéria e energia. A definição operacional tem duas partes e um verbo.
Ecossistema
Conjunto formado por uma comunidade (biocenose) e pelos fatores abióticos do lugar (biótopo), interagindo: trocando matéria e energia entre si e com o exterior. O que a definição exige: componentes vivos, componentes não vivos e interação. O que a definição não exige: tamanho mínimo, origem natural, ausência de seres humanos, autossuficiência.
Por não ter tamanho mínimo, o conceito se aplica a escalas muito diferentes. Uma poça de chuva com algas e larvas de mosquito é um ecossistema pequeno e de vida curta. A água acumulada entre as folhas de uma bromélia, com larvas, pererecas e microrganismos, é outro. O intestino humano, com centenas de espécies de bactérias interagindo com temperatura, acidez e o alimento que passa, é um ecossistema dentro de um organismo. O Lago Paranoá é um, uma vereda é outro, e a Terra inteira, nesse sentido, é o maior deles. Quem delimita é a pergunta do estudo.
Ecossistema = biocenose + biótopo, em interação. As setas externas mostram por que todo ecossistema é um sistema aberto: a energia entra como luz e sai como calor, e a matéria entra e sai pela chuva, pelos rios, pelo ar e pelos organismos que se deslocam. Diagrama autoral.
Essas trocas com o exterior fazem do ecossistema um sistema aberto. No vocabulário da Física, sistema aberto troca matéria e energia com a vizinhança; sistema fechado troca só energia; sistema isolado não troca nada. Numa vereda, a luz entra, o calor sai, a chuva traz água, o riacho leva água e nutrientes, aves chegam e partem. Não existe ecossistema isolado, porque a energia não recicla: ela entra como luz, passa pelos seres vivos e sai como calor. Cortada a entrada, o sistema para. Os ecossistemas da natureza trocam também matéria com os vizinhos. Os dois casos-limite são a garrafa lacrada e o planeta inteiro, em que a matéria quase não entra nem sai; mesmo neles a energia continua entrando e saindo, como mostra o exemplo a seguir.
Exemplo resolvido (aberto ou fechado). Classifique três sistemas quanto às trocas de matéria e de energia: (1) o Lago Paranoá; (2) uma garrafa de vidro lacrada, com água, lodo, plantas aquáticas e caramujos, deixada na janela; (3) a Terra. Resolução. Faça duas perguntas separadas: matéria entra e sai? Energia entra e sai? (1) No lago, entram água e nutrientes pelos ribeirões, saem água pela barragem e gases para o ar; entra luz, sai calor. Aberto. (2) Na garrafa, nenhum átomo entra ou sai: o gás carbônico que os caramujos soltam é o que as plantas fixam, e o oxigênio das plantas é o que os caramujos respiram. A luz entra pelo vidro e o calor sai por ele. Fechado: troca energia, não troca matéria. (3) A Terra recebe luz do Sol e devolve radiação infravermelha ao espaço; a entrada de matéria por poeira e meteoritos é desprezível diante da massa do planeta. Na prática, fechada. Conferência. A garrafa lacrada dura meses na janela e morre em semanas dentro de um armário escuro, com exatamente os mesmos átomos. A diferença entre as duas é só a energia, e isso confirma que matéria reciclada não substitui entrada de luz.
Lavoura e cidade são ecossistemas, com gente dentro
A definição não menciona a origem do sistema. Por isso, os livros distinguem ecossistemas naturais (uma vereda, um recife, um trecho de cerrado), agrícolas (os agroecossistemas: lavoura, pasto, pomar) e urbanos (a cidade), e os três são ecossistemas pelo mesmo critério.
Uma lavoura de soja tem produtores (a soja e as plantas espontâneas que o agricultor combate), consumidores (lagartas, percevejos, aves, o ser humano que colhe), decompositores no solo, luz, chuva e nutrientes. Em relação a um cerrado vizinho, ela é simplificada: uma espécie de produtor domina, a teia é curta, e boa parte da matéria produzida sai na colheita, de modo que os nutrientes precisam ser repostos por adubo. O agroecossistema depende de entradas trazidas pelo ser humano, como sementes, fertilizantes, combustível e irrigação. Simplificado e subsidiado, ele continua sendo ecossistema.
Uma cidade tem árvores, gramados, pombos, pardais, cupins, baratas, ratos, gatos, pessoas, fungos e bactérias, sobre um biótopo de asfalto, concreto, solo, água encanada e ar. Produz pouco do que consome: importa alimento, água, energia elétrica e combustíveis, e exporta esgoto, lixo, gases e calor. É um ecossistema que depende de trocas intensas com o entorno. Isso não o desqualifica: é a versão exagerada de uma propriedade que todo ecossistema tem.
Três tipos de ecossistema pelo mesmo critério. O que muda é a origem da energia, a diversidade e o grau de dependência de entradas externas; o que não muda é a definição: comunidade e fatores abióticos interagindo, em sistema aberto. Diagrama autoral.
natural (trecho de cerrado)
agrícola (lavoura de soja)
urbano (cidade)
fonte de energia
luz do Sol
luz do Sol mais combustível das máquinas
alimento, eletricidade e combustíveis importados
diversidade de espécies
alta
baixa, com uma espécie dominante
intermediária, de espécies adaptadas ao ambiente construído
destino dos nutrientes
reciclados no local pelos decompositores
exportados na colheita, repostos por adubo
importados como alimento, exportados como esgoto e lixo
dependência de entradas humanas
pequena
grande
muito grande
é ecossistema
sim
sim
sim
O ser humano é um componente biótico como qualquer outro consumidor: come, respira, excreta e morre dentro do ecossistema. A separação entre natureza e gente não tem lugar na definição.
O PAS testou essa fronteira três vezes, com três pretextos diferentes, e os três itens tinham o mesmo gabarito.
Origem artificial. PAS 1 2014, item 66: a integração de fatores abióticos e bióticos de um sistema agrícola de produção de alimentos não pode ser classificada como um ecossistema, pois ambientes agrícolas são produzidos artificialmente pelos seres humanos. Errado. A primeira metade da frase é a própria definição de ecossistema; a razão alegada para negar o rótulo não consta da definição.
Sistema aberto. PAS 1 2010, item 31: o texto-base apresentava as áreas urbanas como ecossistemas construídos, com entradas de alimentos, ar, água e materiais e saídas de resíduos, calor e produtos. O item dizia que, do ponto de vista ecológico, uma cidade é classificada como um sistema aberto e, portanto, não pode ser considerada um ecossistema. Errado. A cidade é um sistema aberto, e todo ecossistema também é. A premissa é verdadeira e a conclusão não decorre dela.
Presença humana. PAS 1 2017, item 46: diante de uma pintura de Frida Kahlo com pessoas, plantas, um cão, a Terra, o Sol e a Lua, o item afirmava que, considerando-se ecossistema como a interação entre os elementos bióticos e abióticos, os elementos observados não podem representar um ecossistema, devido à presença do ser humano. Errado. O ser humano é um elemento biótico. A própria definição citada no item o inclui.
"Não pode ser ecossistema porque..."
Só duas razões negam o rótulo: faltar a parte viva ou faltar a parte não viva em interação com ela. “Porque é artificial”, “porque tem gente”, “porque é aberto”, “porque é pequeno”, “porque depende de fora” e “porque não tem todos os níveis tróficos” não constam da definição. Nos três itens reais acima, a frase começa com uma metade correta e troca a conclusão depois do conectivo. Leia o que vem depois de “pois”, “portanto” e “devido a” como uma afirmação separada.
Ecótono: a faixa em que dois ecossistemas se misturam
Os limites entre ecossistemas raramente são linhas. Entre um campo e uma mata há uma faixa em que espécies das duas comunidades convivem. Essa zona de transição é o ecótono.
Ecótono e efeito de borda
Ecótono é a região de transição entre duas comunidades ou dois ecossistemas vizinhos. Nele ocorrem espécies de um lado, espécies do outro e, com frequência, espécies próprias da faixa. O resultado comum é uma riqueza de espécies maior que a de cada vizinho, o efeito de borda. O efeito é uma tendência, não uma lei: há bordas pobres, e bordas criadas por desmatamento prejudicam as espécies que dependem do interior da mata.
Ecótono entre um campo de cerrado e uma mata de galeria. Na faixa de transição convivem espécies do campo, espécies da mata e espécies próprias da borda, e a riqueza tende a ser maior que a de cada vizinho. Contagens ilustrativas. Diagrama autoral.
Os exemplos brasileiros aparecem em escalas diferentes. Em escala local, a borda entre o cerrado e a mata de galeria. Em escala de paisagem, o manguezal, ecossistema costeiro de transição entre os ambientes terrestre e marinho, sujeito às marés. Em escala regional, as faixas em que os biomas se encontram: a Mata dos Cocais, no Maranhão e no Piauí, entre a Amazônia, o Cerrado e a Caatinga, e a transição entre o Cerrado e a Amazônia, no norte de Mato Grosso e no Tocantins. O geógrafo Aziz Ab’Sáber, que dividiu o país em domínios morfoclimáticos, reservou um nome para essas áreas: faixas de transição.
Bioma não é um ecossistema grande: é um conjunto deles
Bioma é uma unidade regional. Reúne tipos de vegetação vizinhos e reconhecíveis em escala regional, sob condições semelhantes de clima e de relevo e com uma história comum, o que resulta em uma fauna e uma flora próprias. O que se reconhece primeiro num bioma é a fisionomia da vegetação: floresta, savana, campo. O IBGE divide o território brasileiro em seis biomas continentais. No mapa de 2019, as áreas são: Amazônia, 49,5 %; Cerrado, 23,3 %; Mata Atlântica, 13,0 %; Caatinga, 10,1 %; Pampa, 2,3 %; Pantanal, 1,8 %.
A relação com o nível de baixo é de conjunto e elemento: um bioma contém muitos ecossistemas. O Cerrado, com cerca de 2 milhões de quilômetros quadrados, é o exemplo mais claro. Quem atravessa o Distrito Federal passa, em poucos quilômetros, por paisagens que não se parecem. A classificação mais usada, de José Felipe Ribeiro e Bruno Walter, pesquisadores da Embrapa, descreve onze tipos principais de vegetação em três grupos:
formações campestres: campo limpo (só capins e ervas), campo sujo (capins com arbustos esparsos) e campo rupestre (sobre afloramentos de rocha);
formações savânicas: cerrado sentido restrito (árvores baixas e tortuosas, espalhadas sobre um estrato de capim, sem formar teto contínuo), parque de cerrado, palmeiral e vereda (buritis em solo encharcado, junto a nascentes);
formações florestais: cerradão e mata seca (nos terrenos bem drenados entre os rios) e mata ciliar e mata de galeria (acompanhando os cursos d’água), todas com copas que se tocam.
Um bioma, vários ecossistemas. Seis das onze fitofisionomias do Cerrado descritas por Ribeiro e Walter, em perfil esquemático: campestres (campo limpo, campo sujo), savânicas (cerrado sentido restrito, vereda) e florestais (cerradão, mata de galeria). Cada uma tem comunidade e condições de solo e água próprias. Diagrama autoral.
Cada uma dessas fitofisionomias tem solo, regime de água, luz e comunidade próprios: cada uma é um ecossistema diferente, e todas pertencem ao mesmo bioma. Uma vereda e um campo limpo a duzentos metros de distância têm espécies diferentes porque o lençol freático está em profundidades diferentes. O detalhe das formações e de suas adaptações está na página Cerrado.
O PAS cobrou a relação entre os dois níveis. Em 2006 (item 115), a partir de um trecho de Aziz Ab’Sáber sobre onde começa a Amazônia, o item afirmava que o texto enfoca um bioma constituído por diversos ecossistemas, em que estão presentes vários fatores bióticos e abióticos. Certo, nas duas camadas: bioma é conjunto de ecossistemas, e cada ecossistema tem as duas partes. Em 2009 (item 70), um item de múltipla escolha perguntava de que os termos Amazônia e Mata Atlântica são exemplos, com as opções população, ecossistema, bioma e nicho. A resposta é bioma. A opção “ecossistema” atrai quem não considera a escala.
Cerrado com maiúscula e cerrado com minúscula
A mesma palavra nomeia dois níveis. Cerrado, o bioma, é a região de 2 milhões de quilômetros quadrados. cerrado sentido restrito é uma das fitofisionomias dentro dele, a savana de árvores tortuosas. Um item pode estar falando do bioma, que inclui matas fechadas e campos sem árvore nenhuma, ou da formação savânica, que não inclui. Leia qual dos dois o texto descreve antes de julgar uma frase sobre “a vegetação do cerrado”.
Biosfera: a camada fina em que tudo isso acontece
A biosfera é o conjunto de todas as regiões da Terra em que há vida, com os seres vivos que as ocupam. O termo foi criado pelo geólogo austríaco Eduard Suess em 1875 e ganhou o sentido atual com o russo Vladimir Vernadsky, em 1926. Ela não coincide com o planeta. Vai do fundo das fossas oceânicas, a quase 11 km de profundidade, até pouco acima das montanhas mais altas, a cerca de 9 km de altitude: uma casca de cerca de 20 km de espessura num planeta de 6 371 km de raio. O interior da Terra e a alta atmosfera ficam de fora.
A biosfera ocupa partes de três compartimentos: a litosfera (o solo e a camada superficial das rochas), a hidrosfera (oceanos, rios, lagos, água subterrânea) e a atmosfera (a camada de ar mais próxima da superfície). Os livros costumam dividi-la em três grandes ambientes, os biociclos: o terrestre (epinociclo), o de água doce (limnociclo) e o marinho (talassociclo).
Nessa escala se estudam os processos globais: a circulação do carbono, da água e do nitrogênio, tratada em ciclos biogeoquímicos, e o balanço de energia do planeta. Para a matéria, a biosfera é praticamente fechada: os átomos são sempre os mesmos e precisam ser reciclados. Para a energia, é aberta: depende da luz do Sol que chega e do calor que sai.
Habitat é o endereço; nicho é o modo de vida
Os dois termos seguintes descrevem uma espécie, não um nível da escada.
Habitat e nicho ecológico
Habitat é o lugar em que a espécie vive, com as características físicas desse lugar: o campo aberto do Cerrado, para a ema; a mata de galeria, para a jaguatirica; a faixa de um costão rochoso que a maré cobre e descobre, para uma craca. Nicho ecológico é o conjunto das condições e dos recursos de que a espécie depende e o modo como ela os usa: o que come, quem a come, em que horário está ativa, que temperatura e umidade tolera, onde se abriga e se reproduz, com quem disputa. A comparação clássica, do ecólogo Eugene Odum, diz que o habitat é o endereço e o nicho é a profissão.
O ecólogo G. Evelyn Hutchinson deu ao nicho, em 1957, uma forma que ajuda a pensar. Imagine cada condição ou recurso como um eixo: temperatura num eixo, umidade em outro, tamanho da presa em outro. Para cada eixo, a espécie tem uma faixa de tolerância, como a da curva da figura anterior. O nicho é a região definida por todas essas faixas ao mesmo tempo, o espaço de muitas dimensões dentro do qual a população consegue se manter. A ideia tem uma consequência direta: nicho não é um lugar. Duas espécies podem ocupar o mesmo lugar com nichos diferentes, e a mesma faixa de nicho pode existir em lugares diferentes.
Mesmo habitat, nichos diferentes. O lobo-guará e a coruja-buraqueira vivem nos mesmos campos do Cerrado, mas diferem no alimento, no abrigo e no papel que desempenham; os nichos se sobrepõem só em parte (insetos e pequenos roedores). Diagrama autoral.
Exemplo resolvido (classificar habitat e nicho). Num campo do Parque Nacional de Brasília vivem o lobo-guará e a coruja-buraqueira. O lobo é onívoro: cerca de metade do que come é vegetal, e os frutos da lobeira respondem por cerca de um terço da dieta; o resto são pequenos roedores, aves e insetos. É solitário, ativo ao entardecer e à noite, e ao defecar longe da planta-mãe dispersa as sementes da lobeira. A coruja-buraqueira come sobretudo insetos, além de pequenos roedores e répteis, e faz o ninho em tocas no solo. Diga o que as duas espécies têm em comum e o que as distingue. Resolução. O lugar é o mesmo, o campo aberto: as duas compartilham o habitat. Os nichos diferem em várias dimensões: o lobo come frutos e a coruja não; o abrigo da coruja é a toca, o do lobo é o capim alto; só o lobo dispersa sementes. Há uma sobreposição parcial: as duas espécies comem insetos e pequenos roedores. Conferência. Se o nicho fosse o lugar, as duas teriam o mesmo nicho, e bastaria a palavra habitat. A existência de espécies com dietas e abrigos diferentes no mesmo campo mostra que são dois conceitos.
Hutchinson separou ainda dois tamanhos de nicho. O nicho fundamental é tudo o que a espécie conseguiria ocupar pelas suas tolerâncias, se estivesse sozinha. O nicho realizado é a parte que ela de fato ocupa na presença de competidores, predadores e parasitas, e é quase sempre menor. O experimento clássico é de Joseph Connell, publicado em 1961, com duas espécies de cracas num costão rochoso da Escócia. A craca Chthamalus vivia só na faixa mais alta das rochas, que fica muito tempo fora d’água; a craca Balanus dominava a faixa de baixo. Connell retirou Balanus de alguns trechos, e Chthamalus passou a ocupar também a faixa inferior. Ela tolerava a faixa de baixo, ou seja, a faixa fazia parte do nicho fundamental dela. Era a competidora que a mantinha confinada ao alto.
O conceito tem dois usos em prova. O primeiro são os equivalentes ecológicos: espécies que vivem em regiões diferentes e têm nichos parecidos, sejam ou não parentes próximas. A ema nos campos da América do Sul e o avestruz nas savanas da África são grandes aves corredoras de campo aberto; o tamanduá-bandeira na América do Sul e o pangolim na África e na Ásia comem formigas e cupins. Mesmo nicho, habitats em continentes diferentes. O segundo uso é a inversão dos dois termos, e foi ela que o PAS cobrou.
Em 2007, o item 11 do PAS 1 partia de uma tira em que insetos conversam num lixão; um deles lembra que os sábios dizem que a humanidade vai desaparecer e os insetos herdarão o mundo, e o outro pergunta quem vai fornecer o lixo. O item afirmava que os nichos ecológicos de insetos e seres humanos, naquele contexto, são semelhantes, ainda que esses organismos vivam em habitat diferentes. Errado, e errado por inversão. O que os dois compartilham é o habitat, a cidade com o seu lixão. Os nichos são diferentes: os humanos produzem o lixo, os insetos vivem dele.
Onde a analogia do endereço falha
“Profissão” sugere escolha e sugere só o trabalho. O nicho não é escolhido: resulta da história evolutiva da espécie e das interações com as vizinhas. E não se resume ao alimento: inclui as condições toleradas, o horário, o abrigo, os inimigos. O item que define nicho como “o que a espécie come” está incompleto; o que o define como “o local em que ela vive” trocou nicho por habitat.
Dois nichos iguais não cabem no mesmo lugar
Se o nicho é o conjunto de recursos e condições que uma espécie usa, duas espécies com nichos iguais usam exatamente os mesmos recursos. Quando os recursos são limitados, isso é competição em todas as dimensões ao mesmo tempo.
No começo da década de 1930, o biólogo russo Georgii Gause cultivou duas espécies de paramécio em tubos com a mesma quantidade diária de alimento; os resultados saíram em 1934, no livro The Struggle for Existence. Separadas, Paramecium aurelia e Paramecium caudatum cresciam e se estabilizavam. Juntas no mesmo tubo, P. aurelia sempre eliminava P. caudatum em algumas semanas. Em experimentos seguintes, com outro par, P. caudatum e P. bursaria, as duas persistiam: uma se alimentava na parte de cima do tubo, a outra no fundo.
Princípio da exclusão competitiva (Gause)
Duas espécies com o mesmo nicho não coexistem indefinidamente no mesmo lugar quando os recursos são limitados: uma elimina a outra, ou uma das duas passa a usar outra parte dos recursos. Lido ao contrário: se duas espécies parecidas convivem de modo estável, os nichos delas diferem em alguma dimensão.
Sobreposição de nichos em uma dimensão (o tamanho do alimento). Quanto maior a área comum às duas curvas, mais intensa a competição. Nichos idênticos levam à exclusão de uma das espécies; nichos que se separam permitem a coexistência. Diagrama autoral.
A saída mais comum na natureza é a segunda: a partilha de recursos. Robert MacArthur mostrou, em 1958, que cinco espécies de pequenas aves insetívoras, as mariquitas, convivem nas mesmas árvores de florestas de coníferas da América do Norte porque cada uma caça numa parte diferente da copa. No Cerrado, aves que comem insetos no mesmo trecho de mata se separam por altura, por horário e pelo tamanho da presa. O habitat é um só; os nichos são vários.
A consequência para o julgamento de itens é direta: quanto mais parecidos os nichos, mais intensa a competição. O PAS 1 de 2005 (item 140), num bloco sobre um trecho de Darwin em A Origem das Espécies, afirmava que espécies de nichos ecológicos semelhantes costumam apresentar menor competição entre si. Errado: é o inverso. O próprio texto-base lembrava que Darwin considerava a competição entre indivíduos do mesmo gênero, em geral, muito mais acirrada do que entre gêneros diferentes, justamente porque organismos aparentados tendem a precisar das mesmas coisas.
A competição como relação ecológica, com o seu saldo para cada parte e os demais tipos de interação, está em relações ecológicas. Aqui ela entra apenas como consequência da definição de nicho.
Cada degrau tem propriedades que o de baixo não tem
Uma propriedade emergente é uma característica que aparece num nível de organização e não existe nos componentes isolados. Ela não se obtém somando as partes: aparece da interação entre elas. É por isso que cada nível tem medidas e perguntas próprias, e que uma informação de um nível não responde a uma pergunta de outro.
nível
o que se mede (propriedades do nível)
pergunta típica
indivíduo
massa, dieta, tolerância, comportamento
Como esta planta responde à falta de água?
população
tamanho, densidade, natalidade, mortalidade, distribuição por idade
Quantos lobos há no parque, e o número está caindo?
comunidade
riqueza de espécies, proporção entre elas, interações, teia alimentar
Quais espécies convivem e quem depende de quem?
ecossistema
fluxo de energia, ciclagem de nutrientes, produtividade
Quanto carbono a vereda fixa por ano e para onde ele vai?
bioma
fisionomia da vegetação, clima regional, espécies exclusivas
Que formações compõem o Cerrado e quanto resta de cada uma?
biosfera
ciclos globais, balanço de energia do planeta
Quanto gás carbônico os oceanos absorvem?
Um lobo-guará encontrado magro e doente é um dado sobre um indivíduo. Para afirmar que a população está em declínio é preciso contar lobos ao longo de vários anos. Um levantamento com muitas espécies de aves é um dado da comunidade; ele não informa se alguma dessas populações está diminuindo. Tirar uma conclusão sobre um nível a partir de um dado de outro nível é um erro de raciocínio.
Exemplo resolvido (ler um levantamento). Uma equipe estudou 2 hectares de uma vereda e registrou os dados abaixo (valores construídos para o exemplo).
registro
valor
buritis adultos (Mauritia flexuosa)
84 indivíduos
capivaras (Hydrochoerus hydrochaeris)
14 indivíduos
espécies de aves observadas
37
espécies de plantas herbáceas
52
pH da água
5,4
temperatura da água ao meio-dia
24 °C
profundidade do lençol freático na seca
0,4 m
(1) Que linhas descrevem populações, e qual é a densidade de cada uma? (2) Que linhas descrevem a comunidade? (3) Que linhas descrevem o biótopo? (4) Com esses dados, pode-se dizer que a vereda é um ecossistema? (5) Pode-se dizer que a população de capivaras está crescendo? Resolução. (1) As duas primeiras: cada uma conta indivíduos de uma espécie na mesma área. Densidade é número de indivíduos dividido pela área: 84÷2=42 buritis por hectare e 14÷2=7 capivaras por hectare. (2) A terceira e a quarta: contam espécies, não indivíduos. São medidas de riqueza, uma propriedade da comunidade. (3) As três últimas: pH, temperatura e profundidade do lençol são fatores abióticos. (4) Sim: há uma comunidade (buritis, capivaras, aves, herbáceas e os microrganismos que o levantamento não contou) e fatores abióticos com os quais ela interage. (5) Não. Crescimento é variação no tempo, e o levantamento é uma única contagem. Seria preciso repetir a contagem em outros anos. Conferência. Densidade tem unidade de indivíduos por área: 42 por hectare vezes 2 hectares devolve os 84 buritis. E nenhuma das sete linhas descreve um organismo isolado: as contagens são de populações e da comunidade, e as medidas físicas são do biótopo.
A água faz o que o hidrogênio e o oxigênio não fazem
O exemplo mais usado de propriedade emergente vem da Química. Hidrogênio e oxigênio são gases à temperatura ambiente; combinados, formam um líquido que dissolve sais e apaga fogo. Nada nas propriedades de cada gás, isoladamente, anuncia as da água. Com os níveis ecológicos ocorre o mesmo: conhecer a fisiologia de cada capivara não informa a densidade da população, e conhecer cada população não informa a teia que elas formam juntas.
Como ler um item de níveis de organização
O julgamento de um item deste assunto cabe em três perguntas, nesta ordem.
O que o enunciado incluiu no conjunto? Uma espécie: população. Várias espécies, só seres vivos: comunidade. Seres vivos mais fatores físicos: ecossistema. Vários ecossistemas sob o mesmo clima regional: bioma.
Qual é o lugar e qual é a época? População e comunidade exigem área e tempo definidos. “Lugar” descreve habitat; “modo de usar o lugar” descreve nicho.
A razão alegada consta da definição? Depois de “pois”, “portanto”, “devido a” e “uma vez que”, confira se o motivo é um dos critérios da definição ou um pretexto (artificial, urbano, aberto, pequeno, com gente).
Exemplo resolvido (três itens, três julgamentos). Julgue cada afirmação como certa ou errada e justifique. (I) Em uma lagoa do Cerrado, o conjunto formado pelas populações de peixes, aves, plantas aquáticas e microrganismos, juntamente com a água, a luminosidade e os nutrientes dissolvidos, constitui uma comunidade. (II) Um aquário com plantas, peixes e bactérias, iluminado pela janela, não constitui um ecossistema, uma vez que foi montado por uma pessoa e depende de ração. (III) Duas espécies de aves que capturam insetos na mesma mata, uma na copa e outra junto ao chão, compartilham o habitat e têm nichos distintos. Resolução. (I) A lista inclui água, luz e nutrientes: fatores abióticos. O conjunto é um ecossistema, não uma comunidade. Errada. (II) O aquário tem comunidade e fatores abióticos em interação. “Montado por uma pessoa” e “depende de ração” não constam da definição; a ração é uma entrada de matéria, e todo ecossistema as tem. Errada. (III) Mesmo lugar (a mata), usos diferentes do lugar (alturas de caça). Certa. Conferência. Em (I) e (II) o erro está no rótulo ou na razão, e a descrição da cena está correta, o que é a marca desses itens. Em (III), a convivência estável das duas aves é coerente com o princípio de Gause: os nichos diferem numa dimensão, a altura de forrageio.
Os erros que a prova planta
Comunidade com fatores abióticos. Água, solo, luz e temperatura não são populações. Se a lista do item os inclui, o nível é ecossistema.
População com mais de uma espécie. “Os peixes do lago” e “as aves do parque” são conjuntos de populações.
Ecossistema negado por ser artificial. Lavoura, pasto, açude e aquário têm comunidade e biótopo em interação (PAS 1 2014, item 66).
Ecossistema negado pela presença humana. O ser humano é fator biótico (PAS 1 2017, item 46).
Ecossistema negado por ser sistema aberto. Todo ecossistema troca energia com o exterior, e os da natureza trocam também matéria; nenhum é isolado (PAS 1 2010, item 31).
Ecossistema com tamanho mínimo. Poça, bromélia e intestino são ecossistemas.
Bioma tratado como um ecossistema só. Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica são biomas, cada um com muitos ecossistemas (PAS 1 2006, item 115; PAS 1 2009, item 70).
Habitat e nicho trocados. O lugar é o habitat; o modo de vida é o nicho (PAS 1 2007, item 11).
Mesmo habitat, logo mesmo nicho. Um trecho de cerradão abriga dezenas de nichos.
Nichos semelhantes, menor competição. É o inverso: quanto maior a sobreposição, mais intensa a competição (PAS 1 2005, item 140).
Temperatura como recurso. Temperatura é condição; recursos são consumidos (PAS 1 2005, item 139).
Biosfera igual ao planeta. A biosfera é só a camada com vida.
Conclusão em nível diferente do dado. Um indivíduo doente não prova população em declínio; uma contagem única não prova crescimento.
Como o PAS cobrou. Nos itens do PAS 1 reunidos nesta página, de 2005 a 2017, o assunto nunca veio com conta. Veio pendurado em textos de outras áreas: um trecho de Darwin (2005), um texto de Aziz Ab’Sáber (2006), uma tira de humor (2007), um texto sobre desmatamento na Amazônia (2009), um esquema das entradas e saídas de uma cidade (2010), o Censo Agropecuário (2014) e uma pintura de Frida Kahlo (2017). São oito itens de julgamento e um de múltipla escolha. Dos oito, seis têm gabarito errado. Nos três que negam o ecossistema (2010, 2014 e 2017), a primeira metade da frase está correta e o erro vem depois do conectivo. Nos outros três, um termo foi trocado pelo vizinho: habitat por nicho (2007), menor por maior (2005, item 140), condição por recurso (2005, item 139). Para os dois itens de 2005, o gabarito disponível é o preliminar. A matriz do PAS 1 para 2026–2028 abre o conhecimento de Ecologia com “Conceitos Ecológicos e Níveis de Organização”.
O essencial em meia página
Escada: indivíduo → população (uma espécie, mesma área, mesma época) → comunidade ou biocenose (todas as populações, só o vivo) → ecossistema (comunidade + biótopo, em interação) → bioma (conjunto de ecossistemas em escala regional) → biosfera (toda a camada da Terra com vida).
Espécie: indivíduos que cruzam entre si e geram descendentes férteis. “Os peixes do lago” não são uma população.
Fatores: bióticos são os outros seres vivos; abióticos são luz, temperatura, água, solo, gases, fogo. Biótopo é o conjunto dos abióticos. Recurso se consome (luz, água, alimento); condição não (temperatura, pH). Fator limitante é o recurso mais escasso (Liebig, 1840); cada espécie tem uma faixa de tolerância com um ótimo (Shelford, 1913); euri- é faixa larga, esteno- é faixa estreita.
Ecossistema (Tansley, 1935): não exige tamanho, origem natural nem ausência de gente. É sempre sistema aberto: energia entra como luz e sai como calor. Garrafa lacrada na janela: fechada para matéria, aberta para energia.
Lavoura e cidade são ecossistemas. PAS 1 2014/66 (artificial), 2010/31 (sistema aberto) e 2017/46 (presença humana): os três errados. PAS 1 2014/67 (populações de uma lavoura formam comunidade): certo.
Ecótono: faixa de transição entre dois ecossistemas, em geral com mais espécies que cada vizinho (efeito de borda). Exemplos: borda entre campo e mata de galeria, manguezal, Mata dos Cocais.
Bioma × ecossistema: o Cerrado é um bioma; campo limpo, cerrado sentido restrito, cerradão, vereda e mata de galeria são ecossistemas dentro dele. PAS 1 2006/115 certo; 2009/70, resposta bioma.
Habitat × nicho: endereço e modo de vida. Mesmo habitat não implica mesmo nicho. PAS 1 2007/11 (nichos semelhantes em habitats diferentes): errado, por inversão. Nicho fundamental é o que a espécie toleraria; nicho realizado é o que ela ocupa com os vizinhos presentes (cracas de Connell, 1961).
Exclusão competitiva (Gause, 1934): nichos iguais não coexistem com recurso limitado; ou uma espécie some, ou os nichos se separam. Nichos semelhantes, competição maior (PAS 1 2005/140, errado).
Propriedades emergentes: densidade e natalidade são da população; riqueza é da comunidade; fluxo de energia e ciclagem são do ecossistema. Dado de um nível não responde pergunta de outro.
Protocolo do item: o que foi incluído no conjunto; qual o lugar e a época; a razão alegada consta da definição.
Não foi possível consultar o banco de questões. O conteúdo da aula continua disponível.
Flashcards temporariamente indisponíveis
Não foi possível consultar os cartões de revisão.
Conceitos básicos de ecologia - Biologia - Ensino Médio
Canal Futura · 7:38
Introdução. Em menos de 8 minutos, a aula do Canal Futura apresenta espécime, população, comunidade, hábitat, nicho ecológico e ecossistema, que são os degraus das seções “O que a Ecologia estuda”, “Espécie: o critério que decide o que é uma população” e “Comunidade é só o que está vivo”. Assista antes de ler e anote, para cada conceito, o que foi incluído no conjunto.
Conceitos Básicos da ECOLOGIA | Prof. Paulo Jubilut
Paulo Jubilut · 25:49
Aprofundamento. A aula percorre, com marcação de tempo na descrição, população (6:38), comunidade (8:00), nicho ecológico (10:20), habitats (12:22), fatores bióticos (14:57) e abióticos (16:00), ecossistema (17:42), bioma (19:40), ecótonos como regiões de transição (21:12) e biosfera (23:19). Cobre as seções da página de “Fatores bióticos e abióticos” até “Biosfera: a camada fina em que tudo isso acontece”, na mesma ordem.
PRINCÍPIO DE GAUSE (ECOLOGIA) - Módulo III: Aula 02 | Biologia do Bem Professor Rubem
Biologia do Bem com Professor Rubem · 13:57
Aplicação do conceito de nicho. A aula trata da exclusão competitiva e, segundo o próprio autor, do ponto central de que duas espécies podem partilhar o mesmo hábitat, mas competem se houver sobreposição de nichos. É a seção “Dois nichos iguais não cabem no mesmo lugar” e a figura das curvas de sobreposição desta página.
Resolução de questão. O professor resolve e comenta uma questão que exige distinguir espécime, hábitat, nicho ecológico, população, comunidade e ecossistema. Treina o protocolo da seção “Como ler um item de níveis de organização”: pause no enunciado, classifique cada conjunto pelo que foi incluído e só então confira a resolução.
Um ecossistema inclui a comunidade, o ambiente abiótico e suas interações.Os níveis de organização que a Ecologia estuda, com o lobo-guará como exemplo. Cada nível contém o anterior e acrescenta um critério: mesma espécie (população), todas as espécies (comunidade), fatores não vivos (ecossistema), escala regional (bioma), escala planetária (biosfera). Para classificar um exemplo, pergunte o que foi incluído no conjunto. Diagrama autoral.Curvas de tolerância à temperatura de duas espécies hipotéticas de peixe. A espécie A tolera de 4 °C a 34 °C (euritérmica); a espécie B, só de 20 °C a 26 °C (estenotérmica). A 29 °C, B desaparece e A persiste fora da faixa ótima. É a lei da tolerância de Shelford (1913): falta e excesso limitam. O mesmo desenho vale para salinidade, pH ou umidade. Valores construídos para o exemplo. Diagrama autoral.Ecossistema = biocenose + biótopo, em interação (Tansley, 1935). As setas externas mostram por que todo ecossistema é um sistema aberto: a energia entra como luz e sai como calor, e a matéria entra e sai pela chuva, pelos rios, pelo ar e pelos organismos que se deslocam. Ser aberto não desqualifica uma cidade (PAS 1 2010, item 31). Diagrama autoral.Três tipos de ecossistema pelo mesmo critério. Do natural ao urbano, cresce a dependência de entradas e saídas (setas mais grossas) e muda a origem da energia; a definição não muda. Lavoura “artificial” (PAS 1 2014, item 66) e “presença do ser humano” (PAS 1 2017, item 46) não retiram o rótulo de ecossistema. Diagrama autoral.Ecótono entre um campo de cerrado e uma mata de galeria. Na faixa de transição convivem espécies do campo, espécies da mata e espécies próprias da borda, e a riqueza tende a ser maior que a de cada vizinho: é o efeito de borda. Contagens ilustrativas. Diagrama autoral.Um bioma, vários ecossistemas. Seis das onze fitofisionomias do Cerrado descritas por Ribeiro e Walter (Embrapa), em perfil esquemático: campestres (campo limpo, campo sujo), savânicas (cerrado sentido restrito, vereda) e florestais (cerradão, mata de galeria). Cada uma tem comunidade, solo e regime de água próprios. Diagrama autoral.Mesmo habitat, nichos diferentes. O lobo-guará e a coruja-buraqueira vivem nos mesmos campos do Cerrado, mas diferem no alimento, no abrigo e no papel que desempenham; os nichos se sobrepõem só em parte (insetos e pequenos roedores). O item que diz “mesmo habitat, logo mesmo nicho” está errado. Diagrama autoral.Sobreposição de nichos em uma dimensão (o tamanho do alimento). Quanto maior a área comum às duas curvas, mais intensa a competição. Nichos idênticos levam à exclusão de uma das espécies (Gause, 1934); nichos que se separam permitem a coexistência. Por isso “nichos semelhantes, menor competição” está errado (PAS 1 2005, item 140). Diagrama autoral.Água, luz e composição mineral são componentes abióticos. Sua importância não os transforma em populações.No nível do organismo, perguntas podem abordar comportamento, uso de recursos e tolerância às condições ambientais.Organismos podem compartilhar habitat e diferir em aspectos do nicho, como recursos usados, horários e locais de atividade.Uma população reúne indivíduos da mesma espécie numa área e período definidos.A comunidade inclui populações de espécies diferentes, inclusive organismos pouco visíveis, como fungos e microrganismos.Habitat e nicho. A coruja-buraqueira vive no mesmo campo que o lobo-guará (mesmo habitat), mas come sobretudo insetos e faz o ninho em tocas no solo (outro nicho). Habitat é o endereço; nicho é o modo de vida.A cidade é um ecossistema urbano: árvores, aves, insetos, pessoas, fungos e bactérias sobre um biótopo de solo, concreto, água e ar. Importa alimento, água e energia e exporta esgoto, lixo e calor. É um sistema aberto, como todo ecossistema (PAS 1 2010, item 31).O manguezal é um ecótono: um ecossistema de transição entre o ambiente terrestre e o marinho, sujeito às marés. Nele convivem organismos de origem terrestre e marinha, sob salinidade que varia a cada ciclo.Ecossistema não tem tamanho mínimo. A água acumulada em uma bromélia abriga algas, larvas, pererecas e microrganismos que interagem com a luz, a temperatura e os nutrientes da água: comunidade mais biótopo, em poucos centímetros.Garrafa lacrada: fechada para a matéria, aberta para a energia. O gás carbônico dos caramujos é o que as plantas fixam, e o oxigênio das plantas é o que os caramujos respiram. Na janela, dura meses; no escuro, morre em semanas, com os mesmos átomos.Uma vereda é um ecossistema: buritis, capivaras, capins, aves e microrganismos (a comunidade) interagem com o solo encharcado, a água, a luz e a temperatura (o biótopo). O campo seco ao fundo, a poucos metros, já é outro ecossistema do mesmo bioma.Dois ecossistemas lado a lado. Na lavoura, uma espécie domina os produtores e os nutrientes saem na colheita; no cerrado, dezenas de espécies reciclam a matéria no local. Os dois têm comunidade e fatores abióticos em interação: a origem artificial não retira o rótulo (PAS 1 2014, item 66).
Rota PAS 1
Ecologia I: relações, cadeias e teias · PAS 1
Fontes desta página
Os materiais abaixo contribuíram para a explicação e os exemplos deste assunto.
Rota PAS 1 — Ecologia I: relações, cadeias e teias · Antes de começar: dez minutos de aquecimento (espécie; julgar um item); Do indivíduo à biosfera: os níveis de organização da vida (tabela dos níveis, exemplo-guia do lobo-guará, habitat e nicho, itens 2014/66, 2014/67, 2017/46, 2010/31, 2006/115 e 2007/11, armadilha do ecossistema feito pelo homem); Como a banca cobra este capítulo (histórico por tema); Exercícios 1, 3 e 14; Banco de treino (itens de níveis de organização, com o item 2009/70)
Recorte por assunto: só níveis de organização, habitat e nicho. Cadeias e teias, fluxo de energia e pirâmides, relações ecológicas e dinâmica populacional ficam nas páginas cadeias-e-teias-alimentares, piramides-ecologicas, relacoes-ecologicas e dinamica-populacional. A página acrescenta, ausentes do capítulo, biótopo e biocenose, condição e recurso, fator limitante e tolerância, ecótono, biosfera e biociclos, nicho fundamental e realizado, exclusão competitiva e propriedades emergentes.
Biologia EM1 — Capítulo 9: Ecologia I — níveis, cadeias, teias e o fluxo de energia · Abertura (lobo-guará no Parque Nacional de Brasília, dieta); Antes de tudo: de onde vem a matéria e a energia; Do organismo à biosfera: onde a Ecologia trabalha (os degraus acima do organismo; habitat e nicho, Hutchinson; ecossistema é sistema aberto, lavoura, cidade, intestino e poça; resolvido 'Aberto ou fechado?'; checagem rápida 2)
Fonte da definição de Tansley (1935), do hipervolume de Hutchinson (1957), do ecossistema como sistema aberto e dos exemplos da garrafa lacrada, do Lago Paranoá e da Asa Norte.
Biologia EM1 — Bloco PAS do Capítulo 9 · Textos-base VII (PAS 1 2010, ecossistemas urbanos, item 31), VIII (PAS 1 2014, Censo Agropecuário, itens 66 e 67) e IX (PAS 1 2017, pintura de Frida Kahlo, item 46), com gabarito comentado
Textos-base reproduzidos integralmente no bloco; a figura de 2010 e a pintura de 2017 entram nas questões como descrição neutra, conforme a descrição do próprio bloco.
Biologia EM1 — Bloco PAS do Capítulo 11 · Texto-base XII (PAS 1 2005, Darwin e a ideia de nicho ecológico, itens 139 e 140), com gabarito comentado
Item 140 reproduzido como questão (gabarito preliminar, o único registrado na fonte); o item 139 só é citado na teoria.